0623 Alice in Wonderland
Posted by artzzz333
Posted on 12:16
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Se em tempos fui um grande entusiasta dos efeitos especiais, hoje em dia, sou um dos grandes críticos. Continuo a gostar dos efeitos, mas acho que hoje eles dominam tudo. E tudo o que é demais é erro. Um dos bons exemplos disso é Alice in Wonderland de Tim Burton. Juntar o intemporal, lunático e fantástico conto de Lewis Carroll com a visão de Tim Burton deveria ter sido o casamento mais feliz do cinema, até porque o filme "marcou" os 145 anos do lançamento original do livro. Deveria ter sido uma homenagem impecável. Mas isso não aconteceu. É estranho, mas algo falhou redondamente aqui. Sou um grande fã do Burton mas ele espalhou-se ao totalmente ao comprido. Mas qual é a razão? Apesar dos actores estarem todos bem nos seus papéis (Johnny Depp, Mia Wasikowska, Helena Bonham Carter, Anne Hathaway e Alan Rickman, entre muitos outros), tornam-se quase irrelevantes e planos como se fosse de cartão. Um cartão digital, claro está... O guião está muito bem construído e encaixa perfeitamente a narrativa desta "nova" Wonderland sobre o efeito de psicotrópicos. A melhor coisa do filme é mesmo a forma como foi escrito, tendo por base uma "verdadeira história" em torno das deambulações de Alice, ao invés de ser "apenas" uma miúda a ter uma série de encontros fortuitos com personagens tresloucadas.A falha, por isso, só pode ser atribuída aos (excessos dos) efeitos especiais. Tim Burton deixou-se levar pelas infinitas possibilidades da técnica. Para um realizador com aquela visão deve ter sido muito difícil contrariar as possibilidades. Agora é possível transpor para um ecrã toda e qualquer ideia, por mais maluca, fantástica ou esquisita que seja. Simplesmente não há limites para o CGI. O reverso da medalha é que deixa o espectador sem margem para imaginar. O espectador torna-se um elemento passivo que está só ali a assistir aos devaneios mentais do realizador e da equipa de efeitos especiais. Não deixa espaço nenhum para a imaginação. Alice in Wonderland torna-se por isso numa obra passiva em que uma pessoa se perde neste Wonderland digital cheios de fogos de artifício. É um filme sem alma orgânica e que retira todo o fascínio e o sentimento de mistério, espanto e maravilha. Fica apenas a visão colorida e bizarra típica do Tim Burton vintage, que por natureza também já vem dos livros, e uma sensação de amargo na boca por não ter nada de memorável. Um tiro de pólvora seca... ●○○○○

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