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Darren Aronofsky é um dos meus gajos favoritos. Tem uma forma de pensar e de filmar que me agrada bastante. Nunca tinha visto um "Aronofsky" que não gostasse. No entanto, apareceu este Noah, que é a excepção que confirma a regra. Acho que lhe passou qualquer coisita má pela cabeça. É um pouco estranho demais. Eu sei que pegar em histórias e personagens bíblicas como o Noé que foi pai no seu 500.º aniversário e que para além de ser neto de Metusalém (que chegou aos 970 anos) teve de construir uma arca para salvar literalmente a vida da face da Terra que iria ser destruída por um dilúvio de proporções (lá está...) bíblicas, não é facil. Ainda assim, Darren quis acrescentar-lhes novos, fantásticos e ainda mais inverosímeis elementos. Isto é a receita perfeita para um desastre previsível.
Mas fica então a pergunta: porquê?
Porquê pegar nestas histórias, quase mitológicas, e dar-lhes twists e interpretações próprias quando se sabe logo à partida que não vai dar certo ou obter resistência? Não percebo. Acho que é uma questão interior pessoal, do género: "quero fazer um filme bíblico como aqueles que via quando era miúdo", mas "vou fazê-lo segundo a minha perspectiva", ou "mais moderno". Tem tudo para dar mal. Quanto mais não seja, pela questão do próprio público. Não há público para isto. O pessoal hoje em dia ou é agnóstico ou é ateu. Aliás, dizer que se é religioso é quase passar um auto-atestado de estupidez... O público de cinema não liga a estes temas. Não tem super-heróis... Isto não lhe diz nada. E ainda por cima, esta linguagem de "cinema épico e bíblico" já está demasiado cristalizado num público antigo (que ainda imagina a Elizabeth Taylor como Cleóptara ou Charlton Heston como Ben-Hur) que já nem sequer frequenta cinemas porque só há filmes para adolescentes... com super-heróis... Um projecto como este parece ser apenas uma questão pessoal (e está totalmente no seu direito) e está logo destinado ao insucesso. No máximo pode causar polémica com alguns religiosos mais aguerridos, mas até isso hoje em dia é uma coisa muito superficial e passageira. Já nem as criancinhas ligam ao Noé, nem querem saber de arcas com animais. Se esta história ainda perdura é porque é preciso vender livros "educativos". As editoras já estão fartas de fazer "cenas" com números e cores e precisam da história do Noé para introduzir os animais e vender livros. É só isso. Já nem sequer é uma história bíblica com fundamentos moralistas... É uma história para ficar a conhecer os animais de uma forma divertida.
Bem... Mais uma vez, dispersei total e completamente...
Voltando ao filme. Russell Crowe, Jennifer Connelly, Anthony Hopkins e Emma Watson esforçam-se o máximo que podem e retratam a história de Noé e da construção da Arca para salvar a Humanidade do Grande Dilúvio que vai limpar o mundo da iniquidade. Pela primeira vez, Darren Aronofsky desiludiu-me. Apesar de ter pontos positivos na parte técnica e visual, Noah é um filme desconexo, descontextualizado e.. mau. É tão mau que já desapareceu totalmente da minha cabeça. Mas pronto, toda a gente tem os seus dias maus. Paciência. Espero pelo próximo filme. ●○○○○

The Circle é um bom filmito. É mediano. Parece quase um telefilme, ou como lhe chamam agora, filme Netflix... É uma pequena produção assente numa boa história, muito bem escrita, muito bem "cosida" e com bons actores (Emma Watson, Tom Hanks e John Boyega). Mas é também uma espécie de alerta anti-tech, para uma nova escola de "magia" que, apesar das boas intenções iniciais, facilmente se descontrola. Aqui a escolha de Emma Watson não é nada inocente...
A mega-corporação The Circle e a tecnologia que desenvolve mostra-se como a salvação da Humanidade (para os problemas criados pela própria Humanidade...) sobre a forma de "milagres" cientíticos-tecnológicos que, sem controlo, facilmente descambam em distopia, no politicamente incorrecto e no atravessar de barreiras da privacidade pessoal, já para não falar nas linhas éticas vermelhas que se esbatem totalmente. É um alerta (muito ténue) para o imenso poder detido por algumas pessoas que vivem fechados no seu mundo fantasioso e fechado e que simplesmente não sabem parar. Ou pior, que não querem parar... Faz lembrar um bocado aquela situação dos miúdos a brincar com o fogo. Eventualmente algo irá correr mal e alguém se irá magoar. Mas neste caso, quem se queima é toda a gente... Há uns anos, este seria um filme de ficção científica. Hoje é simplesmente a realidade do momento... É um bocado angustiante, mas principalmente triste... Vê-se bem. ●●○○○

 
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