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James Ivory decidiu embrenhar pelo mundo dos artistas e não se deu nada bem. Surviving Picasso retrata um período da vida de Picasso em que ele se apaixona por Françoise Gilot, uma jovem pintora que acabou por ser a única mulher forte e capaz o suficiente para "sobreviver" ao portento criativo de Pablo Picasso. Não só lhe sobreviveu como também foi a única capaz de o deixar e continuar com a sua vida...
Nos principais papéis há Anthony Hopkins como Pablo Picasso, Natascha McElhone como Françoise Gilot e depois há também em papéis mais secundários, nomes como Julianne Moore, Joss Ackland e um novíssimo e quase irreconhecível Dominic West como Paulo Picasso.
Surviving Picasso é muito fraquinho. Logo à partida há uma enorme falha que é a ausência das obras de Picasso. Acho incompreensível fazer o que quer que seja minimamente relacionado com Picasso e não mostrar um único quadro do mestre... No entanto, há uma razão para isso. Não existia uma autorização expressa para se poder mostrar as obras de Picasso. A família opôs-se ao filme e não autorizou que se usassem reproduções das obras. Só isto retira muita estética ao filme, já para não dizer que se perde imenso valor estético e uma parte substancial da história. Até porque existe uma relação quase simbiótica entre as mulheres e os períodos estéticos de Picasso...
Mas para além disso, o filme é relativamente inócuo. A fotografia é fraca, não tem nenhum pormenor relevante na realização, a banda sonora é quase inexistente... Não quero estar aqui a bater mais no ceguinho...
Não fosse as boas interpretações dos actores principais e este Surviving Picasso teria sido uma desgraça total. Parece um daqueles biopics feitos para televisão. Não gostei nada. Se a intenção era mostrar um pouco mais Gilot para além de Picasso fizeram-lhe um muito mau serviço. O filme serve acima de tudo para mostrar como Picasso tudo dominava e ninguém saia incólume da relação... que é exactamente o oposto daquilo a que se propunha. Apesar da premissa, o retrato de Françoise Gilot figura mais como acompanhante de Picasso do que peça principal... é um falhanço total para James Ivory. Acontece aos melhores... 


Revi este Bram Stoker's Dracula de Francis Ford Coppola há pouco tempo, mas nem era preciso. Este é um daqueles filmes que "arquivei" mentalmente. Lembro-me de tudo. O que na minha escala qualitativa é o mais importante. Se "cola" é porque é bom. Se "cola" completamente, é por é mesmo bom... E este é um dos casos.
Já vi muitos Dráculas, variantes e muitas versões de Dráculas mais ou menos fiéis ao livro original e não tenho dúvida nenhuma que este é o melhor filme de todos. Aliás, não consigo perceber como é que poderia ser melhor. É perfeito. Grandes actores com grandes prestações, grande ritmo, grande jogo de luzes e grande som. Tudo pensado ao mais ínfimo pormenor. Só o facto de Francis Ford Coppola usar deliberadamente "efeitos especiais antigos" para não chocar com o carácter gótico da história é um pormenor de um verdadeiro mestre. Não é apenas lógico, é simplesmente genial.
Nota-se que há um fio condutor que une todas as histórias: Van Helsing, Lucy, Mina e as diversas fases e facetas de Dracul misturam-se todas numa excepcional narrativa, em que o sangue se transforma numa linha que tanto dá a vida como dá a morte. Para além de toda a questão inerentemente romântica dos vampiros com o amor a fluir através dos tempos (e a história do vampiro Dracul é mesmo a derradeira história de amor), na realidade este é um filme de acção, só que não tem perseguições e explosões. Toda a acção vem da narrativa e da forma como Copolla consegue impor ritmo às próprias palavras e cenas. Excepcional. Nada falha neste filme e só há um responsável por isto. Francis Ford Copolla. Um mestre moderno.
Gary Oldman e Winona Ryder fazem um par romântico estranhamente distantes que ficou na história porque há qualquer coisa entre eles para lá da simples química entre actores. Anthony Hopkins, um "senhor" em qualquer filme, no papel de um tresloucado Van Helsing, que mais parece uma versão gótica do Hannibal Lecter. Keanu Reeves, em versão muito insossa mas fundamentalmente perfeito para o papel. E um lote de secundários como Richard E. Grant, Cary Elwes, Billy Campbell, Sadie Frost (Lucy, Lucy... que perfeição sanguínea, Lucy...), Tom Waits (que lunático brilhante, master...) e procurando bem ainda se consegue encontrar por lá a Monica Bellucci, que como toda a gente sabe, é uma verdadeira estátua clássica viva...
Poderia incluir aqui uma qualquer aproximação metafísica dos vampiros, da história cinematográfica destes sugadores de sangue românticos ao longo dos tempos ou o porquê do fascínio dos vampiros nunca esmorecer... Mas não me apetece. Tenho muito mais filmes para "arquivar" e já está tudo na internet...
Dracula é um filme para ver e rever e aprender sobre cinema. Uma verdadeira aula e um textbook de como fazer um filme. O melhor filme de vampiros alguma vez feito e que muito dificilmente será ultrapassado. Um filme para figurar em qualquer enciclopédia de cinema. Um clássico moderno. Obrigatório. Um dos meus filmes preferidos. ●●●●● + ●

Darren Aronofsky é um dos meus gajos favoritos. Tem uma forma de pensar e de filmar que me agrada bastante. Nunca tinha visto um "Aronofsky" que não gostasse. No entanto, apareceu este Noah, que é a excepção que confirma a regra. Acho que lhe passou qualquer coisita má pela cabeça. É um pouco estranho demais. Eu sei que pegar em histórias e personagens bíblicas como o Noé que foi pai no seu 500.º aniversário e que para além de ser neto de Metusalém (que chegou aos 970 anos) teve de construir uma arca para salvar literalmente a vida da face da Terra que iria ser destruída por um dilúvio de proporções (lá está...) bíblicas, não é facil. Ainda assim, Darren quis acrescentar-lhes novos, fantásticos e ainda mais inverosímeis elementos. Isto é a receita perfeita para um desastre previsível.
Mas fica então a pergunta: porquê?
Porquê pegar nestas histórias, quase mitológicas, e dar-lhes twists e interpretações próprias quando se sabe logo à partida que não vai dar certo ou obter resistência? Não percebo. Acho que é uma questão interior pessoal, do género: "quero fazer um filme bíblico como aqueles que via quando era miúdo", mas "vou fazê-lo segundo a minha perspectiva", ou "mais moderno". Tem tudo para dar mal. Quanto mais não seja, pela questão do próprio público. Não há público para isto. O pessoal hoje em dia ou é agnóstico ou é ateu. Aliás, dizer que se é religioso é quase passar um auto-atestado de estupidez... O público de cinema não liga a estes temas. Não tem super-heróis... Isto não lhe diz nada. E ainda por cima, esta linguagem de "cinema épico e bíblico" já está demasiado cristalizado num público antigo (que ainda imagina a Elizabeth Taylor como Cleóptara ou Charlton Heston como Ben-Hur) que já nem sequer frequenta cinemas porque só há filmes para adolescentes... com super-heróis... Um projecto como este parece ser apenas uma questão pessoal (e está totalmente no seu direito) e está logo destinado ao insucesso. No máximo pode causar polémica com alguns religiosos mais aguerridos, mas até isso hoje em dia é uma coisa muito superficial e passageira. Já nem as criancinhas ligam ao Noé, nem querem saber de arcas com animais. Se esta história ainda perdura é porque é preciso vender livros "educativos". As editoras já estão fartas de fazer "cenas" com números e cores e precisam da história do Noé para introduzir os animais e vender livros. É só isso. Já nem sequer é uma história bíblica com fundamentos moralistas... É uma história para ficar a conhecer os animais de uma forma divertida.
Bem... Mais uma vez, dispersei total e completamente...
Voltando ao filme. Russell Crowe, Jennifer Connelly, Anthony Hopkins e Emma Watson esforçam-se o máximo que podem e retratam a história de Noé e da construção da Arca para salvar a Humanidade do Grande Dilúvio que vai limpar o mundo da iniquidade. Pela primeira vez, Darren Aronofsky desiludiu-me. Apesar de ter pontos positivos na parte técnica e visual, Noah é um filme desconexo, descontextualizado e.. mau. É tão mau que já desapareceu totalmente da minha cabeça. Mas pronto, toda a gente tem os seus dias maus. Paciência. Espero pelo próximo filme. ●○○○○

Quando se faz um filme sobre uma personagem que é simultaneamente, um dos maiores cineastas, um dos melhores actores de sempre e uma figura incontornável do história do cinema e até do próprio mundo, há uma obrigatoriedade natural de ter de se criar um épico. Richard Attenborough tem todo o meu crédito pois consegui-o. Chaplin é um grande filme. Tanto em dimensão como em qualidade. E tinha mesmo de ser assim para conseguir cobrir a enormíssima carreira (e vida) de Charles Spencer Chaplin, ou o icónico vagabundo "Charlot", como lhe queiram chamar, que para além de actor também foi músico, produtor, empresário, escritor, dançarino e coreógrafo. Ah! E em 1919, juntamente com outros ícones do mundo do cinema "antigo" (Mary Pickford, Douglas Fairbanks e D. W. Griffith) também fundou a United Artists. Chaplin criou uma das mais reconhecidas personagens do mundo, conviveu com as maiores lendas da sua altura, viveu na pele a "caça paranóica ao comunista" nos Estados unidos e fez, talvez a transição mais fracturante do cinema, do mudo para o sonoro. E isto para não falar na conturbada relação com a mãe, as múltiplas mulheres e romances ocasionais e o seu final de vida no exílio suíço e quase caído no esquecimento. Nada de muito relevante e muito pouco para se contar, portanto...
A história do filme cobre a infância difícil e a relação com a mãe (estranhamente interpretada por Geraldine Chaplin, a filha de Chaplin na vida real), o início de carreira no teatro, ainda em Inglaterra, e a passagem para o "novo mundo" do cinema, onde chega ao pináculo do reconhecimento global. Mostra também o lado mais sombrio do hilariante "Vagabundo" e como toda uma vida de riso no cinema, também foi (atrás das câmaras) uma vida de profunda tristeza e perda constante.
Abarcando um período tão longo e tão recheado da vida de Chaplin, o filme nunca esmorece nem aborrece. Attenborough arranja sempre forma de encaixar bem a história e arranja novos focos de interesse em cada novo período da vida do mestre. Compreendo perfeitamente que deva ter sido uma missão extremamente difícil a de decidir o que cortar.
Chaplin é interpretado por um soberbo Robert Downey Jr., e que demonstra aqui, claramente, que tanto é um bom actor, como também é meio chalado. Tanto crazy eye, que até mete impressão... Ver a espantosa actuação de Robert Downey Jr. a dar vida a uma personagem complexa como a de Chaplin, leva-me sempre a pensar porque é que a maior parte dos gajos extremamente talentosos, têm sempre uma queda para a maluqueira. Bem, mas isso é uma coisa deles...
Como "actores de suporte" num casting absolutamente gigantesco ainda há James Woods, Kevin Kline, Diane Lane, Marisa Tomei, Penelope Ann Miller e Anthony Hopkins (tudo pessoal de "primeira"), para não falar de "pequenas" participações de muita gente como Dan Aykroyd, David Duchovny e muitos, muitos outros.
Este filme sobre Chaplin é uma pérola do cinema. É muito bom em muitos aspectos: na realização, no argumento, nos actores, mas principalmente no trabalho épico de produção. Para quem gosta do cinema como forma de arte e das suas origens, tem mesmo de ver este Chaplin. É simplesmente obrigatório. ●●●●●

A série de filmes Transformers é excelente... para quem tem um blog amador de crítica de filmes e não tem tempo quase nenhum para escrever grandes textos. É que não há muito a dizer. Transformers é acção, acção, acção e acção. Muito lens-flare e mais acção. Muita acção em câmara lenta. Miúdas sexys, carros e acção. É receita de bilheteira certinha. Nem é preciso fazer contas. Isto são filmes para dar muito dinheiro. E deram bastante. Tanto que isto prolongou-se do filme original até, digamos assim, à 5.ª entrega do coleccionável.
Com o sucessivo sucesso dos filmes e a necessidade de mais uma sequela para vender pipocas, apareceu um problema: é que o filme é sempre o mesmo... São as mesmas personagens e a história também é sempre a mesma: os bons lutam com os maus, mas há sempre um artefacto qualquer que pode destruir a Terra e vai sempre ter às mãos de um humano, que por sua vez ajuda sempre os bons a ganharem aos maus. Então o problema passou a ser: como diferenciar os filmes? A resposta veio através da criação de sub-títulos chamativos como Revenge of the Fallen ou Dark of the Moon. Ou Age of Extinction. Ou The Last Knight. Qual será o próximo? Transformers: Soul of Destiny? Transformers: Prime Universe? Transformers: Ultimate Destruction? Não sei. Mas cheira-me que será mais algo do género: Transformers: The New Beginning...
O que começou por ser uma história sobre um rapaz e o seu carro robótico, tornou-se numa obsessão de um realizador com a sua própria grandeza de acção. Michael Bay exagerou e ultrapassou todos os limites do que pode ser um bom filme de acção. Ficou tão embrenhado no seu sucesso (e na sua continuidade) que perdeu totalmente a noção da realidade. O culminar de tudo isto é mesmo este último filme (The Last Knight) que é tão massivo em termos de efeitos e acção que se tornou numa patetice digital que é a maluqueira total. Se visse o filme num IMAX, provavelmente tinha-me estourado o cérebro, tanta é a acção. É imparável. E pior que a demência digital, é a total e completa incongruência na montagem da história. A atenção na montagem está tão virada para acção que se esqueceram da história... Há lapsos óbvios nas histórias como passar-se do dia para a noite em segundos e as personagens desparecerem e aparecerem em cenas sem se perceber como é que aquilo aconteceu... Mas o que é que estou para aqui a dizer? A história interessa para alguma coisa? Ou as personagens? Isto é mesmo só para filmar explosões, robots em CGI, miúdas com ar de teenager maroto e vender bilhetes... Também não se pode ser muito exigente, não é verdade?
Em cinco "entregas" do coleccionável estiveram muitos e bons actores: Shia LaBeouf, John Turturro, Jon Voight, Frances McDormand, John Malkovich, Mark Wahlberg, Stanley Tucci e Anthony Hopkins. Como "miúda jeitosa oficial" esteve a lindíssima Megan Fox, que depois foi sendo substituída por outras sucessivas "miúdas jeitosas". Neste tipo de filmes, os actores têm obrigatoriamente de ir sendo substituídos porque arriscam-se a fritar o cérebro devido à pobreza dos guiões. Vejam por exemplo o que aconteceu com o Shia LaBeouf... Era um miúdo normal e depois dos Transformers acabou por enlouquecer... É perigoso para um bom actor fazer filmes deste género, e não é por causa das cenas perigosas de acção. É que pode muito bem ser o fim de uma carreira.
Os Transformers eram um dos meus desenhos animados favoritos quando era miúdo. Sonhava com carros robóticos inteligentes. Até imaginava que, talvez no futuro, os carros pudessem mesmo fazer aquilo tudo. Depois cresci e os desenhos animados acabaram. Admito que quando vi que o Spielberg ia produzir um "remake" dos Transformers até fiquei um bocadinho entusiasmado. Depois vi o primeiro filme e foi a desilusão total. Os restantes filmes voltaram, mas foi apenas para me atormentarem. Este último filme já disse tudo: The Last Knight. Apenas fixei a palavra "last". Para mim, já chega. É mesmo o último. ●○○○○ (○○○○○)

PS: A nota 1 é exclusivamente para o primeiro filme. Os restantes valem literalmente zero.
Duplo PS: Não me responsabilizo por danos cerebrais causados durante a visualização dos cincos trailers consecutivos. Aviso já que é perigoso para os olhos e aconselho o uso regular de gotas oftalmológicas.
Triplo PS: Só agora mesmo é que reparei que já tinha falado aqui dos primeiros 4 filmes. Não deixa de ser irónico... para um gajo que não queria perder muito tempo a falar destes filmes. E que até nem queria escrever "grandes textos". Mas agora já está feito, portanto, fica assim...

Hitchcock não é um biopic de Alfred Hitchcock. É sobre a vida de Hitchcock enquanto filmava o clássico de terror Psycho, uma adaptação do livro de Robert Bloch, que por sua vez era baseado no serial-killer verdadeiro, Ed Gein. Só por curiosidade: Gein, além de ser a inspiração para a personagem de Norman Bates, também o foi para outras personagens sinistras como o Leatherface do ínfame Texas Chainsaw Massacre e o Buffalo Bill do Silence of the Lambs... que nesse filme, por acaso, tinha uma personagem muito conhecida, chamada Hannibal Lecter, que foi interpretada por... Anthony Hopkins. Curioso, não é? Realmente, as coisas acabam por dar a volta...
Alfred Hitchcock tinha acabado de estrear North by Northwest e era considerado o maior realizador da altura.  Mas como já estava um bocado farto de intrigas internacionais e espiões em apuros, decide procurar inspiração noutros campos mais negros e é aí que entra o livro Psycho de Robert Bloch. Contra tudo e contra todos, Hitchcock decide mergulhar no mundo do terror pela primeira vez e causa um turbilhão nos estúdios e no seu casamento.
Mesmo não estando 100% correcto historicamente (e pensando bem, também o que é que está?) é sempre bom perceber o que se passa durante a rodagem dos filmes. E no caso de um dos melhores filmes de sempre, então ainda melhor.
Hitchcock é um filme que se mantém equilibrado nas emoções: tem um bom "mood" (o que não será alheio o sentido de humor muito próprio de Hitchcock) e não é excessivamente dramático. O que traduzido quer dizer que não esteve a tentar "tirar um prémio de óscar" para figurar na capa do DVD ou no cartaz de cinema. (Nem o verdadeiro Alfred Hitchcock conseguiu ganhar um Óscar, o que demonstra bem a capacidade de avaliação de Hollywood)
O casting é muito bom. Anthony Hopkins é um grande, grande actor. As parecenças físicas com Hitchcock não são muitas por isso teve de levar com toneladas de make-up para ficar mais parecido. Mas os maneirismos e a forma de falar é excepcional. Por vezes até me esqueci que não era o Anthony Hopkins que ali estava. Se bem que por vezes também me pareceu uma mistura de Alfred Hitchcock com Hannibal Lecter. (há coisas nas personagens que parece que ficam "coladas" nos actores) Ainda assim, muito bom. Helen Mirren no papel da mulher, Alma Reville, está muito... A Helen Mirren está sempre excelente seja em que filme for. É a septuagenária mais sexy do mundo.
Ainda tem Scarlett Johansson como Janet Leigh, Michael Wincott como Ed Gein e um James D'Arcy arrepiantemente parecido com o Anthony Perkins. E ainda há uma legião de secundários muito bons como Danny Huston, Toni Collette, Jessica Biel e Kurtwood Smith. Um destaque para a música bem encaixada de Danny Elfman.
Filmado em apenas 35 dias (!) e realizado pelo estreante Sasha Gervasi, Hitchcock é um filme muito competente, como se costuma dizer na crítica profissional. Gostei. ●●●○○

Baseado numa história verídica, The Elephant Man mostra os últimos capítulos da vida atribulada de John Merrick (apesar do verdadeiro nome ser Joseph Merrick), após ser descoberto pelo médico Frederick Treves que o retira duma vida degradante como atração de circo.
Devido a ter o corpo horrivelmente deformado e em consequência ser rejeitado pela sociedade vitoriana, é usado como mero objecto de demonstração por Bytes, um homem sem escrúpulos. É-lhe negado qualquer tipo de humanidade, conforto ou vislumbre de felicidade.
The Elephant Man é uma história excepcional sobre a elevação do ser humano. É a história da luta da inclusão e do humanismo contra a humilhação, o ódio pela diferença, o medo do desconhecido e principalmente contra a ignorância. Sempre ouvi dizer que a realidade é muito mais estranha que a ficção. The Elephant Man é a prova disso.
Dificilmente conseguiria imaginar outros actores aqui. Tudo verdadeiros "senhores" do cinema: Anthony Hopkins, Anne Bancroft, John Gielgud e Freddie Jones, com o óbvio destaque para o John Hurt, que apesar de não aparecer (na sua forma "original", digamos assim), tornou-se imediatamente num dos meus actores favoritos de sempre.
The Elephant Man é uma obra prima cinematográfica de David Lynch. Parece óbvio que vai buscar muita inspiração visual (e sonora) ao alucinado Eraserhead, feito uns anos antes, como por exemplo a fotografia a preto e branco que é do outro mundo. A música de John Morris encaixa perfeitamente... É uma verdadeira obra de arte audiovisual. Foi nomeado para inúmeros prémios e ganhou outros tantos, desde Óscares a BAFTAS. É muito bom. Gosto imenso do David Lynch e de todos os seus filmes (mesmo que por vezes não os entenda), mas se calhar, elejo este como o melhor. Não consigo apontar-lhe defeitos ou algo que pudesse estar melhor. Intemporal e obrigatório. ●●●●● + ●

Continuação daqui...

Continuando a adaptação de BD's de sucesso da Marvel, chegou em 2011, Thor. Não é tão mau quando esperava, apesar de ser mais uma história plana, com bons de um lado e maus do outro. A mão de Kenneth Branagh nota-se, mas não consegue resolver todos os problemas inerentes a filmes de super-heróis. Custa-me um pouco criticar estes filmes, pois só imagino a trabalheira que é juntar um puzzle técnico de 150 milhões de dólares. Tecnicamente complexo não quer dizer que seja bom. Chris Hemsworth, que já li algures que é o homem mais sexy do mundo encabeça um elenco que se poderia chamar de luxo (Anthony Hopkins, Natalie Portman, Stellan Skarsgård e Idris Elba) se estivessem ali mesmo para representar e não para dar alguma credibilidade ao filme. O filme até é surpreendentemente melhor do que seria de esperar. Tem boas piadas e um ritmo descontraído. É entretenimento puro e duro e tem a história que toda a gente quer ver: o bom ganha no fim e o mau perde. Por acaso, o mau é irmão do bom e fica retido para a sequela à espera de boas vendas de bilheteira. Thor não tem nada de propriamente mau, mas não deixa de ser mais um filme de super-heróis que se vê e se esquece rapidamente... ●●○○○



Felizmente, para Tom Hiddleston - o actor que dá corpo a Loki, o irmão mau do Thor - as vendas de bilhetes foram um sucesso. Sendo assim, ele está de regresso para mais um incursão em Thor: The Dark World (2013), juntamente com grande parte do elenco do primeiro filme. Ainda bem, porque Hiddleston parece ser um bom actor apesar de nestes filmes andar sempre "disfarçado". a personagem dele perde outra vez no fim. Acho eu. Já não me lembro bem. Este filme consegue ser muito mais irrelevante que o primeiro, portanto tirando as explosões, os efeitos especiais caríssimos, as perseguições alucinantes e o martelo do Thor a voar, já nao me lembro de mais nada. Tem qualquer coisa a ver com um seres ancestrais e uma arma mitológica qualquer que... vai destruir a Terra. E não é sempre assim?... O Thor ganhou (como é óbvio), mas no final houve um problema qualquer com o irmão que se fez passar pelo pai. Foi tão memorável que já não me lembro do que aconteceu, mas sei que ficou com o final em aberto para um possível terceiro capítulo. Portanto, agora, é uma questão do estúdio fazer as contas e ver se deu lucro ou não... E não dá sempre?... ●○○○○

Um arquitecto de renome fala calmamente com a sua mulher e diz que a ama. Depois dá-lhe um tiro na cabeça. A polícia prende-o sem dificuldade e ele confessa o crime. O advogado responsável pelo caso, habituado a ganhar quase todos os casos, assume que será uma condenação fácil. Mas não será bem assim, porque o polícia responsável pela detenção tinha um caso amoroso com a vítima.
Anthony Hopkins e Ryan Gosling têm prestações excepcionais que me fizeram agarrar ao sofá num daqueles thrillers à moda antiga na barra do tribunal. Especialmente Hopkins, que, com aquele brilho estranho nos olhos (o chamado crazy eye) parece ter "vestido" novamente a pele do "sábio-tresloucado" Hannibal Lecter.
Fracture (2007) é uma pequena pérola do cinema que tem drama, suspense, acção e uma excelente história com constantes reviravoltas onde uma pessoa nunca sabe o que vai acontecer a seguir. É um daqueles filmes que me prendeu ao ecrã e que está tão bem dirigido e é tão enervante - no bom sentido - que dá vontade de entrar pela TV dentro e intervir na acção. A realização imaculada é da autoria de Gregory Hoblit (que já tinha no currículo o excepcional Primal Fear) que consegue sem tiros, perseguições e explosões manter um filme de quase duas horas em constante acção e com uma tensão inacreditável. Tenho a certeza que se o Hitchcock estivesse a fazer crítica de cinema, lhe daria os "dois polegares para cima". Nada a apontar. Muito bom. ●●●●○

 
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