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At Eternity's Gate, de Julian Schnabel, é um filme medianamente bom com uma história alternativa à história oficial (mas turva) do pintor Vincent Van Gogh nos seus últimos anos de vida. Considero-o mediano porque conheço bastante bem a obra e vida do Van Gogh. Um génio e ao mesmo tempo um louco (como todos os grande génios, não é verdade?) que teve um grande impacto no mundo da pintura e que ao contrário de muitos autores tinha a vida e obra exemplarmente catalogada. Mesmo ao nível do pensamento, tudo está muito bem documentado na correspondência com o irmão. Daí que um biopic sobre Van Gogh tem de ser mesmo potente, porque quase tudo pode ser confirmado. Isso não acontece aqui. O timeline dos acontecimentos parece baralhado e muitas vezes até omisso de pormenores de grande relevância. Mas se calhar também estou a ser exigente demais...
O filme tem alguns bons pormenores (a cena a preto e branco para mostrar a pintura com textura típica de Van Gogh é de antologia) e não chateia mas também nunca descola do essencial e do seguro. Por vezes tem um aspecto quase de telefilme que não me agrada nada, se bem que encaixa muito bem no tom por vezes quase teatral. O melhor de todo o filme é mesmo o Willem Dafoe que se torna literalmente no Van Gogh. Está absolutamente perfeito. Mais uma grande prestação deste grande actor "esquecido" que conta com a prestação tímida dos excelentes "secundários" Rupert Friend, Oscar Isaac e Mads Mikkelsen. Não é memorável, mas vê-se bem. E se o voltar a ver será pela interpretação do Willem Dafoe. ●●○○○


Quando se tem tudo, o que é que se pode querer mais? Mais que tudo. Pode-se ver o filme nesta perspectiva, mas essencialmente Ex Machina conta a história de um jovem programador que ganha uma viagem de sonho quando vence um concurso na empresa tecnológica onde trabalha. Ele irá encontrar-se com o CEO/génio eremita da empresa e participar numa experiência revolucionária: avaliar as capacidades (supostamente) humanas de um robot humanóide com Inteligência Artificial.
Ex Machina, apesar de ser mais um filme sobre AI, é positivamente um bom filme. Nota-se que Alex Garland realizou o filme com todas as influências absorvidas do tempo em colaborou com Danny Boyle, mas principalmente muita influência de Kubrick. Aliás, em determinados momentos, fiquei nitidamente com a ideia que se o Kubrick tivesse feito um filme sobre AI (e parece que esteve quase a fazê-lo) seria, quase de certeza, muito parecido com este Ex Machina. Pelo menos no aspecto estético, acho que saíria semelhante. Mas isso são conjecturas minhas...
O estreante realizador Alex Garland é um nome a estar atento. Apesar do ritmo por vezes descer demasiado, deu muito boas indicações neste thriller de ficção científica. A paranóia e a dúvida latente sobre quem afinal é humano e quem não é, e pequenos pormenores como a frieza e não-emoção numa cena com facas é simplesmente muito bom. Os actores são poucos (Domhnall Gleeson, Oscar Isaac e Alicia Vikander) mas muito bons e com muita intensidade. Uma lufada de ar fresco no género. Sem dúvida, para ver. ●●●○○


 
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