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Um detective de rua, um duro, é o único sobrevivente de um tiroteio que matou os seus companheiros. Pelo caminho cruza-se com um espertalhão das ruas que vai em busca de uma fortuna escondida. As duas histórias interligam-se de um forma inesperada, e apesar de todas as diferenças, acabam por formar uma dupla absolutamente improvável. Juntos semeiam o caos na cidade.
Walter Hill praticamente inventou um novo conceito com esta pequena série de filmes: o conceito dos protagonistas antagónicos. É aquela coisa já tão batida do polícia bom e o polícia mau. Mas aqui não há o bom e o mau polícia; aqui são todos bons e maus ao mesmo tempo. Confuso? Nem por isso. É mais a realidade. A diferença entre os bons e os maus é muito ténue, e às vezes, a única diferença é que uns têm um distintivo da polícia e os outros não. Os dois parceiros têm uma linguagem baixa, tratam geralmente mal todas as outras pessoas, bebem em demasia, são violentos, têm vidas lixadas e são corruptos quando têm de ser para se desenrascarem. Mas principalmente dão-se mal um com o outro. A única coisa que os une é a promessa de dinheiro fácil e vingança. Não é propriamente a coisa mais bonita do mundo, mas é o que é. E de alguma forma estranha, uma pessoa começa a sentir alguma empatia por aquelas personagens tão distorcidas.
O look sujo da noite está muito captado pela lente de Walter Hill, um gajo super habituado a esta temática. Um dos meus realizadores preferidos. Aqui dirige um dos gajos que nitidamente poderia ser um dos grandes actores de Hollywood, mas que por alguma razão que desconheço nunca se quis mostrar muito: Nick Nolte. Com um mau feitio inesquecível, Nolte imortalizou a personagem e criou uma série de estereótipos para todos os futuros "maus polícias". Do outro lado, Eddie Murphy, um estreante desconhecido - para a maior parte das pessoas (que não viam o Saturday Night Live)-, mas com um lado cómico tão diferente de tudo o que já se tinha visto, que só podia estar destinado ao sucesso. A química de atracção/repulsa entre dois é tão potente que marcou toda uma geração de filmes à posteriori. Como era normal na altura, no suporte aos dois nomes principais, um grande grupo de omnipresentes secundários de luxo: David Patrick Kelly, Sonny Landham, Annette O'Toole, Frank McRae e James Remar.
Néons com fartura (não era cenário, era a realidade...), as típicas deixas dos filmes de acção dos anos 80 (simplesmente, as melhores!), politicamente incorrecto, perseguições de carros à "moda antiga", boa banda sonora e uma história com pés e cabeça fazem de 48 Hours, um filmito policial muito aceitável. ●●●○

Depois do sucesso de Best of the Best, Eric Roberts, Phillip Rhee e Chris Penn regressam para... Best of the Best 2. Nesta altura, o pessoal dos títulos dava cartas na originalidade... Nesta nova história, já não há torneios de taekwondo, mas sim tiroteios, explosões e no centro da história está uma arena underground cujo dono, um gajo cheio de músculos chamado de Bracus (Ralf Moeller) promove lutas sem regras e até à morte. Chris Penn já não queria participar mais nestes filmes e por isso morre logo no início. Roberts e Rhee ficam assim com o ónus da vingança do amigo como era tão popular nos filmes dos anos 80 e princípios dos 90.
Há uma única participação que não é medonha: é a do Sonny Landham, actor secundário que apareceu em dezenas de filmes manhosos, e que sempre pensei que teria potencial para ser um bom actor dramático, mas que pelos vistos nunca colou. Não sei explicar porquê, mas sempre achei que tinha um carisma especial.
No final de Best of the Best 2, o mau perde, o bom ganha e toda a gente fica feliz. Pelos vistos, também este "2" foi um sucesso, porque sei que ainda há um Best of the Best 3 e também um 4. Já vi partes desses filmes, e apesar de não parecer possível, parecem-me ainda piores que os dois primeiros. Pode ser que um dia os veja, mas para já vou guardar os meus neurónios em segurança. ○○○

 
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