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The Artist é uma homenagem a um tempo de Hollywood tão distante que a maior parte das pessoas já nem sonha que existiu. A história é sobre o actor George Valentin, uma ubíqua e famosa estrela de filmes mudos que, ao mesmo tempo que se enamora com uma jovem dançarina, começa também a ver a sua carreira entrar em declínio devido ao aparecimento dos filmes "falados".
Homenagem talvez não seja a palavra mais apropriada para classificar The Artist. Acho que reflexão seria a palavra mais indicada. É neste período que se dá uma cisão muito grande no cinema, entre o status quo do mudo e a novidade dos filmes sonoros. Se para os estúdios foi uma oportunidade de inovar e assim chamar novos clientes, para os actores foi uma revolução demasiado disruptiva. Toda a forma de actuar teve de mudar e aconteceu quase da noite para o dia. Estrelas mundialmente estabelecidas como Douglas Fairbanks e Mary Pickford de um momento para o outro ficaram quase no desemprego e e até lendas como Charlie Chaplin se ressentiram. Volátil como sempre, o público queria coisas novas e o novo era o sonoro. O cinema mudo estava condenado juntamente com todas as equipas de produção, estúdios, actores e técnicos que não fizessem (ou não conseguissem) a passagem para o som. Aquele jeito de actuação teatral, tipo pantomina, tinha chegado ao fim...
A personagem de George Valentin é nitidamente Douglas Fairbanks. Aliás, no auge da sua depressão, enquanto vê uns filmes antigos com aventuras do Zorro, na realidade o que se está ver é um filme de Douglas Fairbanks, mas com algumas cenas de close up protagonizadas por George Valentin.
Num filme mudo, a performance dos actores é radicalmente diferente. Tem de ser mais dramática, exagerada e, por vezes, até caricatural porque sem palavras (nem outro som qualquer) é obviamente muito mais difícil de chegar ao público e transmitir emoções. A actuação é uma mistura de emoções físicas que apenas a música de fundo pode acentuar. Não digo que seja mais difícil ou mais fácil, mas parece-me que é outra coisa completamente diferente. E por isso tenho que destacar Jean Dujardin, que sendo obviamente um actor moderno parece ter vindo directamente do tempo do cinema mudo. Está tão perfeito que se fosse possível recuar no tempo e inseri-lo na altura do filmes mudos, acho que o público nunca notaria a diferença. De certa forma é Jean Dujardin desta forma tão verosímil, tão anos 20, tão silencioso e emotivo que dá a sensação de se estar realmente a ver um filme da era do cinema mudo. Está tudo muito bem feito neste The Artist, mas Jean Dujardin é 50% do sucesso do filme. Uma performance que merece todos os prémios e mais alguns.
No sentido contrário, o resto do casting não salta tanto à vista. Bérénice Bejo, John Goodman, James Cromwell e Penelope Ann Miller servem bem como actores de suporte mas não passam muito disso. No caso de Bérénice Bejo o caso é ainda mais gritante, porque é peça fundamental do argumento. Não é que Bejo esteja mal, mas simplesmente não se sente a química nem o romance entre os dois actores. Há muito mais química negativa entre Jean Dujardin e Penelope Ann Miller em breves minutos (que era a intenção do argumento, num casamento em decadência) do que química positiva entre os dois amantes durante o filme todo. A discrepância entre Bérénice Bejo e Jean Dujardin é tão grande que para mim é mesmo a grande falha do filme. E claro que não podia deixar passar em branco a minúscula participação de Malcolm McDowell.
O filme é muito fiel àquela altura do cinema e muito pormenorizado (até tecnicamente) ao ponto de ser filmado com menos frames para dar aquele look acelerado tão típico dos filmes da era muda e até na própria proporção do ecrã que usa. Não fazia muito sentido simular um filme mudo sem ser naquele enquadramento 4:3 meio "quadrado", pois não?
The Artist é uma pequena pérola que, passado o impacto e choque inicial de se perceber que o filme vai ser totalmente mudo, irá deliciar a maior parte do público. A música não começa muito bem (parece algo dessincronizada da acção), mas depois ajusta-se perfeitamente para suportar emocionalmente todas as cenas. A história de decadência, regresso e reatamento amoroso é universal, por isso nunca falha. E aquele final simpático a fazer a transição para os grandes filmes musicais dos anos 30 e 40 (grande cena de dança, já agora) é simplesmente perfeito. Nota-se que foi um filme muito bem pensado mesmo antes de chegar a ser filmado e daí um enormíssimo destaque para Michel Hazanavicius, quer seja pela realização, pela preparação ou pela escrita. Até no pormenor de a primeira palavra a ser proferida em todo o filme ser "cut" e a última a ser "action" para dar uma continuidade pós-filme. Muito bom. Muito bem pensado. The Artist vê-se muitíssimo bem e é totalmente recomendado. ●●●


Alguns factos curiosos que encontrei nas minhas pesquisas. Este foi apenas o segundo filme mudo a ganhar prémios nos Óscares. O primeiro tinha sido Wings em 1927. A última vez que um filme totalmente a preto e branco tinha ganho o maior galardão de Hollywood tinha sido em 1960 com The Apartment. Se as referências a antigas estrelas do cinema mudo são constantes, elas chegaram aos rcenários. A casa da personagem de Peppy Miller é na realidade a antiga casa de Mary Pickford que mais tarde viria a casar com Douglas Fairbanks, uma lenda do cinema mudo, cuja vida e carreira, sem dúvida nenhuma é a base para este The Artist. Entre outros pormenores, notei também naquela cena aberta da escadaria, que havia ali algo familiar; descobri que aquela enorme construção metálica de escadas é nada mais nada menos que o átrio do Prédio Bradbury... onde foram filmadas algumas das cenas mais icónicas de Blade Runner... há coisas que não consigo mesmo esquecer... Mas para mim, o facto mais curioso de todos, foi ter sido necessário uma equipa europeia, fazer um filme europeu (é tudo francês...) para mostrar uma faceta de Hollywood de uma forma que Hollywood nunca teve capacidade de fazer. Isso sim, é que é curioso...
Jordan Benedict (Rock Hudson) é um rancheiro do Texas que está de visita a Maryland para comprar um garanhão para as suas propriedades. Enquanto negoceia a compra do animal com o dono, acaba por se cruzar com a filha dele (Elizabeth Taylor) e apaixona-se perdidamente. O amor é recíproco entre Leslie e Jordan, o que leva a que os dois se casem imediatamente, mudando-se para a gigantesca propriedade de Jordan no Texas. Aí encontram o cowboy Jett Rink (James Dean), que terá um papel bastante incisivo na história da família.
Vi algures num cartaz promocional do filme que dizia que Giant é um filme tão grande como o próprio Texas. Não conheço o Texas, mas posso dizer que Giant é mesmo... gigante. É um épico maciço de 200 minutos de filme. Não seria para menos. Não só esta é a história de um triângulo estranho de amores e desavenças entre os três protagonistas, como também abarca praticamente três gerações da família Benedict. Desde os tempos iniciais do casamento, ao aparecimento dos primeiros filhos, passando pela divergência com Jett Rink, há muita história para contar. Se fosse hoje, para além do filme, esta história daria uma série para aí com umas três temporadas. E como para além da parte do rancho, esta história também tem que ver com o famoso petróleo do Texas, não me admiraria que tivesse sido a base de inspiração para a série Dallas e restantes soap operas americanas com magnatas do petróleo. Jett Rink no Giant? J.R. Ewing no Dallas? Não me parece que tivesse sido coincidência... Mas adiante.
Apesar das mais de três horas de filme, Giant não é massudo. A realização ampla e muito fluída de George Stevens, mas principalmente o argumento de Fred Guiol e Ivan Moffat fazem toda a diferença. Há sempre coisas novas a acontecer, há sempre reviravoltas e há sempre acção e emoções ao rubro. Está muito bem escrito. A presença no ecrã de verdadeiros monstros do cinema como Rock Hudson, Elizabeth Taylor e James Dean também ajudam. Não é todos os dias que se pode ver um filme em que os actores são verdadeiras lendas. Estes estatutos não se ganham só porque sim. Estes três, especialmente, têm de facto uma auréola. Há qualquer coisa neles que é magnético e inexplicável. E depois, em tanta história para contar, ainda há um rol infindável de excelentes actores como Mercedes McCambridge, Dennis Hopper (não sabia que ele alguma vez tinha sido novo...), Rod Taylor ou Carroll Baker. Tudo prestações clássicas de Hollywood.
Já queria ver este Giant há muitos anos. Tive agora a oportunidade numa reposição em TV. E queria vê-lo porque estava em falta na minha "trilogia James Dean". Os outros dois filmes dele são fantásticos e tinha muita curiosidade em ver Dean neste que foi o seu último papel. Não estando mal na personagem, James Dean foi quem mais me decepcionou. Estava à espera de outra coisa... Acho que foi mais um caso de altas expectativas não correspondidas... Não sei se foi a prestação, se foi a personagem, mas sei que algo não funcionou bem. Acho que aquela personagem com um lado marcadamente mau e ressentido não lhe assentou bem e por isso a performance também acabou por sair estranha. Toda a prestação tem uma aura muito estranha e diferente das anteriores. Jett Rink/James Dean acaba por destoar não só do restante elenco, como até do próprio filme...
O que sei é que para além de serem antagónicos no filme, James Dean e Rock Hudson também se deram bastante mal fora das filmagens. São conhecidas inúmeras situações em que Dean deu uma de bad boy durante a rodagem de Giant, ao ponto de boicotar as filmagens. Pelo que li Dean deu-se mal com toda a gente, inclusive com George Stevens, sendo que a única pessoa com quem se dava bem era precisamente com Elizabeth Taylor. Tudo isto é muito estranho porque basicamente é o guião do próprio filme. Terá sido mais um actor a levar longe demais o papel? Não sei. Mas que é estranho, é.
Precisamente devido ao James Dean, este filme está repleto de mística. No último dia de filmagens, Dean recebeu o célebre Porsche Spyder no cenário. Uma semana depois James Dean teria um acidente fatal. E assim nascia um mito. Um gigante do cinema. Algumas das suas cenas tiveram que ser cortadas e outras tiveram de ser dobradas sonoramente para poderem chegar à versão final de Giant. O filme não se ressentiu e ganhou o estatuto de mítico.
Este épico familiar continua ainda hoje a ter vivacidade, e de certa forma, tem um ar moderno e  contemporâneo porque aborda algumas das mesmas questões fracturantes. As diferença do Texas para com o "mundo exterior". A riqueza e a opulência em confronto com o respeito e a vulgaridade. A interferência da guerra no contexto familiar. A luta pela igualdade e contra o racismo. As personalidades vincadas mas humanamente flexíveis de cada uma das personagens ao longo do tempo. Giant é mesmo grande em tudo. Apesar da pouca visibilidade mediática quando comparado com outros épicos da mesma altura, Giant é um dos marcos do cinema de Hollywood. Um clássico obrigatório. ●●●

Honey Whitlock é uma grande estrela de Hollywood. Mas é também um produto de estúdio, e portanto uma fachada de falsidade. É então que entra em cena um grupo de cinema de guerrilha independente, liderados pelo realizador louco Cecil B. Demented. O plano é raptar a grande actriz de Hollywood e obrigá-la a ser a estrela de um filme independente.
Apesar de ser um nome reconhecido, John Waters não é de todo um nome cómodo no meio do cinema. Abertamente anti-sistema e um fazedor de "obras-primas de mau gosto", Waters sempre primou por deitar abaixo o status quo dos estúdios de Hollywood. E a coisa é mais ou menos recíproca. Aliás, aqui ele deita abaixo todo o sistema de Hollywood, incluindo agentes e actores.
Cecil B. Demented é uma "coisa" estranha. Devo já dizer que não sou grande fã do John Waters. Aquela coisa da javardice e do mau-gosto não é para mim, mas reconheço-lhe algum valor. Mas apesar disso não gostei nada deste filme. Percebo a crítica aos grandes estúdios, aos grandes blockbusters, e à lógica da fachada extremamente polida mas falsa das grandes estrelas. E por contra-ponto também percebo a crítica à falta de espaço para os filmes de menor dimensão, dos independentes e dos mais experimentais, assim como à falta de espaço de distribuição e divulgação destes filmes, que assim, muitas vezes morrem logo à nascença sem terem hipótese de sequer ser detestados pelo público. É que nem saem das mesas de montagem para os cinemas. Às vezes dá mesmo vontade de raptar alguém e fazer uma espécie de cinema de guerrilha para chamar a atenção das discrepâncias entre os dois tipos de cinema.
O título do filme não é inocente. Cecil B. Demented é obviamente uma sátira ao lendário Cecil B. DeMille, um dos maiores realizadores/produtores de sempre, comummente reconhecido como um dos fundadores da indústria cinematográfica de Hollywood e um dos homens comercialmente mais bem sucedido da história do cinema. Cecil B. Demented é a perfeita antítese. Sem dinheiro, sem valor e sem reconhecimento.
Stephen Dorff dá corpo a Cecil e na sua equipa de renegados há nomes Alicia Witt, Eric Roberts, Michael Shannon and Maggie Gyllenhaal. Também há Melanie Griffith, mas faz o seu próprio papel...
Gostei do olhar, da crítica incisiva e de um ou outro pormenor, mas no geral não gostei assim tanto de Cecil B. Demented como pensei que ia gostar... ○○○

Another 48 Hours tentou capitalizar o enorme sucesso que foi o 48 Hours. Cai em termos de qualidade, porque é mais do mesmo, excluindo tudo o que eram bons pormenores do primeiro filme. Não houve progressão. Foi quase como um novo episódio da série. Está à vista que isto foi uma manobra de estúdio: Vamos fazer uma sequela e vender mais bilhetes, e não uma questão de haver mais alguma coisa para contar ou acrescentar. Do ponto de vista da intenção do estúdio foi uma estupidez porque entretanto passaram-se 8 anos entre os dois filmes. O público provavelmente já nem era o mesmo do primeiro filme. Basicamente, criaram aqui um episódio seguinte, um bocado como acontece hoje em dia. Mas no principio dos anos 90 o público não estava para estas coisas. O pessoal queria ver coisas novas e não repetições ou continuações de histórias. E não perdoava. A dupla acabou, mas ficou o conceito e ainda não parou de ser explorado. Se no primeiro filme elogiei todas as pessoas envolvidas acho que é justo virar o argumento ao contrário e não atirar todas as culpas para a ganancia infinita dos estúdios. Walter Hill, Eddie Murphy, Nick Nolte e toda a restante equipa estiveram mal. Foram simplesmente atrás do dinheiro e pronto, foi isso. Portanto vou dar todo o destaque para os secundários Brion James, Kevin Tighe e Ed O'Ross, gajos que nunca tiveram protagonismo, mas que sempre reconheci como muito bons actores. Entretanto esquecidos pelo tempo, estes três acompanharam-me ao longo de anos e junto têm mais de 300 filmes no currículo. Três pancadas no peito para os grandes secundários do mundo do cinema e de Hollywood.
Another 48 Hours é a sequela típica, precursora dos fenómenos comerciais de hoje em dia: sem nada para acrescentar, sem nada de novo, apenas uma reciclagem de uma fórmula anterior que teve sucesso. Fraquinho, mas ainda se vê. ○○○

Um detective de rua, um duro, é o único sobrevivente de um tiroteio que matou os seus companheiros. Pelo caminho cruza-se com um espertalhão das ruas que vai em busca de uma fortuna escondida. As duas histórias interligam-se de um forma inesperada, e apesar de todas as diferenças, acabam por formar uma dupla absolutamente improvável. Juntos semeiam o caos na cidade.
Walter Hill praticamente inventou um novo conceito com esta pequena série de filmes: o conceito dos protagonistas antagónicos. É aquela coisa já tão batida do polícia bom e o polícia mau. Mas aqui não há o bom e o mau polícia; aqui são todos bons e maus ao mesmo tempo. Confuso? Nem por isso. É mais a realidade. A diferença entre os bons e os maus é muito ténue, e às vezes, a única diferença é que uns têm um distintivo da polícia e os outros não. Os dois parceiros têm uma linguagem baixa, tratam geralmente mal todas as outras pessoas, bebem em demasia, são violentos, têm vidas lixadas e são corruptos quando têm de ser para se desenrascarem. Mas principalmente dão-se mal um com o outro. A única coisa que os une é a promessa de dinheiro fácil e vingança. Não é propriamente a coisa mais bonita do mundo, mas é o que é. E de alguma forma estranha, uma pessoa começa a sentir alguma empatia por aquelas personagens tão distorcidas.
O look sujo da noite está muito captado pela lente de Walter Hill, um gajo super habituado a esta temática. Um dos meus realizadores preferidos. Aqui dirige um dos gajos que nitidamente poderia ser um dos grandes actores de Hollywood, mas que por alguma razão que desconheço nunca se quis mostrar muito: Nick Nolte. Com um mau feitio inesquecível, Nolte imortalizou a personagem e criou uma série de estereótipos para todos os futuros "maus polícias". Do outro lado, Eddie Murphy, um estreante desconhecido - para a maior parte das pessoas (que não viam o Saturday Night Live)-, mas com um lado cómico tão diferente de tudo o que já se tinha visto, que só podia estar destinado ao sucesso. A química de atracção/repulsa entre dois é tão potente que marcou toda uma geração de filmes à posteriori. Como era normal na altura, no suporte aos dois nomes principais, um grande grupo de omnipresentes secundários de luxo: David Patrick Kelly, Sonny Landham, Annette O'Toole, Frank McRae e James Remar.
Néons com fartura (não era cenário, era a realidade...), as típicas deixas dos filmes de acção dos anos 80 (simplesmente, as melhores!), politicamente incorrecto, perseguições de carros à "moda antiga", boa banda sonora e uma história com pés e cabeça fazem de 48 Hours, um filmito policial muito aceitável. ●●●○

Era um grande fã da série The Twilight Zone. Não perdia um episódio. Olhando em retrospectiva, The Twilight Zone é provavelmente um dos eventos televisivos que mais influenciou não só a minha maneira de ver filmes como também a minha própria maneira de pensar. É pura imaginação à solta. Tudo era possível e nada era impossível talvez fosse a lógica mais marcante da série que passou para minha mente. Pegava em conceitos quotidianos e extrapolava, extrapolava, extrapolava... até que chagava a um sítio tão distante que só poderia ser uma... Quinta Dimensão.
Seguindo uma lógica diferente da habitual, uma série de TV com sucesso a nível planetário, fez o caminho óbvio e saltou dos então minúsculos ecrãs de TV para aterrar nos imensos ecrãs do cinema. Esta solução parecia irremediavelmente destinada ao sucesso mas, como tudo na vida, às vezes as coisas não acontecem como planeado. Twilight Zone: The Movie foi um fiasco comercial e para além disso ficou ligado a uma das grandes tragédias e polémicas do mundo do cinema.
Sem ter um caminho muito bem definido, a produção simplesmente coloriu e adaptou histórias do imenso universo da Twilight Zone. Há um prólogo e quatro segmentos, como se fossem 4 episódios isolados. o episódio 1 (Time Out) é sobre um homem intolerante que se vê misteriosamente transportado para cenário em que é confrontado directamente com a sua própria intolerância. O episódio 2 (Kick the Can) conta a história de um velhote com poderes mágicos que visita um lar de idosos. No episódio 3 (It's a Good Life) temos a história de um miúdo com uma imaginação prodigiosa. E no episódio 4, o mítico (Nightmare at 20,000 feet) em que um escritor com medo de voar vê algo assustador na asa do avião...
Este foi logo um dos problemas. "Não é um filme: são quatro episódios numa cassete", foi o que pensei na altura, quando comecei a ver o VHS que tinha trazido do videoclube. E para quem tinha visto tudo o que havia para ver da mítica série seria muito difícil escolher o melhor dos melhores, porque simplesmente, era uma tarefa impossível. De uma forma ou outra, (quase) todos os episódios eram muito bons. Foi isso que cristalizou o sucesso da série na mente do público. Fazer uma escolha assim tão pequena, ia ser sempre uma escolha muito arriscada. Talvez por isso mesmo, os estúdios escolheram actores com algum peso na altura como Vic Morrow, Dan Aykroyd, Albert Brooks, Kathleen Quinlan e John Lithgow e passou a realização para as mãos das estrelas mais promissoras daquele momento. Joe Dante realizou It's a Good Life; George Miller fez o Nightmare at 20,000 Feet; Steven Spielberg realizou Kick the Can e John Landis esteve no prólogo e no episódio Time Out. Este é o episódio que viria a tornar-se memorável pelas piores razões. Durante as filmagens, numa cena que se passava no Vietname, um helicóptero despenhou-se, causando a morte imediata de Vic Morrow e de duas crianças, Renee Chen e My-ca Dinh Le. Para piorar ainda mais a situação, as crianças nem sequer estavam registadas oficialmente como actores para poderem filmar durante a noite, o que já altura não era permitido pelos estúdios e pela legislação em vigor. A produção foi terminada à pressa. John Landis foi acusado de homicídio... Correu tudo mal.
Durante algum tempo, este filme fascinou-me precisamente por causa deste episódio. Li muita coisa sobre o assunto para perceber como é que um acontecimento desta gravidade tinha acontecido em Hollywood. Aliás, é sempre mencionado quando se fala na questão da segurança dos actores. Foi até determinante para isso, porque depois deste acidente, muitas das práticas correntes no meio foram alteradas para sempre. Curiosamente, este foi o único episódio que não era um remake de espisódios da série. Todos os restantes eram novas adaptações e este era o único original. Também foi por causa deste acidente que o filme ficou desconexo. Era suposto haver um a ligação no final que juntasse o prólogo e os quatro episódios, mas devido ao acidente, o filme acabou por ser fechado à pressa. Mas quando em cima de um filme está o ónus da morte de um adulto e duas crianças com menos de 10 anos, a qualidade e consistência são um pormenor absolutamente irrelevante.
Foi pena. Rod Serling, o mítico criador da série The Twilight Zone merecia uma homenagem à maneira. O destino não quis deixar. ○○○

Quase 15 anos depois do sucesso do primeiro filme, eis que chega aos cinemas The Incredibles 2. Acho que não vou conseguir deixar passar este tema que me parece estar relacionado. Na sequência da temática feminista recentemente generalizada pelo movimento #MeToo, o novo guião reflecte uma mudança significativa na família: agora é o homem que fica em casa a tomar conta dos filhos e é a super-mulher que vai salvar o mundo. A Elastigirl vai ter de enfrentar um novo super-vilão que tem a capacidade de manipular mentes. A crítica subjacente em The Incredibles 2 seria supostamente aos media e ao público passivo que se deixa facilmente dominar, mas parece que as questões de igualdade de género estão tão prevalentes que ficaram com os holofotes todos. Mas também posso ser eu a ver coisas onde elas não existem e a tentar tirar grandes significados de coisas menores. Não era a primeira vez e não há-de ser a última...
A equipa original é a mesma: Brad Bird na realização, e Craig T. Nelson, Holly Hunter e Samuel L. Jackson dão as vozes. E desta vez, entre outros, até tem a voz de Isabella Rossellini, que apesar do pequeno papel secundário, é uma actriz que é um verdadeiro ícone para mim. Praticamente nada mudou, mas o filme é substancialmente pior. Continua a ter piada e nem tem propriamente nada de mal, mas a realidade é que nota-se um decréscimo qualitativo. Porque é que isto acontece? Acho que é a lógica inerente à sequela. O primeiro filme foi um sucesso, logo, e obrigatoriamente, tem de haver uma sequela. E quando as coisas "nascem" por obrigação, para além da originalidade, de certa forma perdem também um pouco da "alma". Neste caso até foi estranho, porque isso só aconteceu 14 anos depois, o que diga-se de passagem, é algo completamente anormal. Neste caso, para além das questões financeiras, acho mesmo que foi também um aproveitamento do momentum "feminista" de Hollywood proporcionado pelo movimento #MeToo e de uma certa "aceitação obrigatória" do tema por parte do público em geral. Estas são as únicas justificações lógicas que eu encontrei para que se faça uma sequela tantos anos depois. Nestes anos todos, o que é se tornou relevante? O que é que mudou? O que é que está na moda? Acho que a resposta dos estúdios foi evidente. São muitos os exemplos do girl power no cinema recente, mas pensei que isso não chegasse aos filmes de animação. Não sei se isto foi perceptível para as outras pessoas, mas eu percebi a mensagem assim. E como não acredito em coincidências... Outra coisa... Sendo que os miúdos não vão estar propriamente muito atentos a estes pormenores sociológicos, acho que isto pelo menos prova que na génese de muitos filmes de animação, há um cinema "oculto" para adultos.
The Incredibles 2 perdeu bastante em termos gerais, mas continua a ser um entretenimento razoável, na onda dos grandes blockbusters de super-heróis do momento. Mais leve, mais previsível, mais comercial, mas ainda assim algo que se vê bem. ○○○

Não é fácil escrever sobre um filme do Quentin Tarantino. Fazer bons filmes não é tarefa para todos. Estar para aqui a criticar o trabalho de um mestre do cinema é um trabalho que também tem as suas dificuldades. Especialmente se for para criticar negativamente. E há muitos pontos negativos neste Once Upon a Time... in Hollywood. No final, deixou-me um pequeno amargo de boca. Pronto. Vou ser sincero. No final, deixou-me um grande amargo de boca.
A parte boa de Once Upon a Time... in Hollywood é que é um filme realizado por Tarantino. Tem aquela fluidez típica, com uma montagem muito rápida mas que ao mesmo tempo dá espaço para as personagens poderem desenvolver-se e respirar. Tem tudo o que é típico de Tarantino, mas (e é um grande mas) tudo parece diluído. Como se o efeito Tarantino se estivesse a dissipar. Depois, vem tudo o que não está bem... e é muita coisa. Logo à partida não entendi a aproximação estranha sobre uma história alternativa mas baseada em personagens e factos verdadeiros. Muito antes de ver o filme já tinha lido bastantes coisas e tudo incidia sobre os acontecimentos em volta da Sharon Tate e do Charles Manson e do seu tresloucado bando de psicopata. Foi só uma questão marketing a funcionar? Não sei. O que sei é que o filme apenas vagamente está relacionado com os assuntos. Parece-me até que... Bem, nem sei muito bem o que pensar. A história está tão confusa e desequilibrada, que parece que foi desenvolvida no sentido do actor de westerns que vai perdendo protagonismo na "nova Hollywood" (Leonardo DiCaprio) e que foi sendo montada para encaixar a história da Sharon Tate no final. Que grande confusão. Se Tarantino sempre se deu com histórias complexas e com muitas personagens interligadas, neste caso falhou redondamente. Basta ver a discrepância entre o tempo de filme dedicado ao western e à carreira do Rick Dalton e do seu duplo Cliff Booth, e os acontecimentos em Cielo Drive que são de facto o motor do filme.
Outra coisa que sempre diferenciou os filmes de Tarantino é a intensidade dos diálogos. Aqueles gigantescos e míticos monólogos que funcionam quase como grandes solos de guitarra eléctrica... desapareceram. Os poucos que ainda apareceram são enfadonhos e simplesmente... longos monólogos. Poderia estar aqui toda a tarde a apontar defeitos ao Once Upon a Time... in Hollywood. O que não é nada normal, porque em todos os anteriores filmes do Tarantino, a minha dificuldade sempre foi tentar arranjar novos e bons adjectivos. É que nem o Brad Pitt se safa com aquele ar meio ganzado, meio hiper-sapiente de quem esteve 6 horas a conversar com o "The Dude"... Margot Robbie, por exemplo, quase não aparece e a personagem é a peça fundamental da fábula. Qual é grande deixa ou a relevância das personagens de Kurt RussellDamian Lewis, Timothy Olyphant ou Al Pacino? Continuo sem perceber o que se passou aqui.
Tarantino criou na sua filmografia, uma mitologia muito própria, e por causa disso dou-lhe todo o mérito do mundo. É um dos gajos que mais aprecio como realizador. Mas agora parece ter ficado preso na sua própria mitologia. Para mim não é coincidência que o filme se chama Once Upon a Time... in Hollywood; é  uma referência directa ao Once Upon a Time... in America, que vem de um dos melhores realizadores de westerns de sempre, Sergio Leone. Não sei. Estou a conjecturar. Pode ser ou não. Mas o que é realidade é que Tarantino parece ter ficado preso na temática dos westerns e isso está a consumi-lo. Não é coincidência. Os últimos três filmes foram... nazis e westerns. Que filmes é que Rick Dalton faz? Filmes com nazis e... westerns.
Pouco depois da estreia de Once Upon a Time... in Hollywood, vi uma entrevista em que ele explica a sua maneira peculiar (que eu já desconfiava) de construir os filmes. Sendo um aficionado dos discos de vinil (tem milhares), ele senta-se, ouve as músicas e a partir daí o filme vai-lhe "nascendo" na cabeça, sem ter uma história previamente delineada. Faz todo o sentido porque uma das grandes marcas de Tarantino sempre foram as portentosas bandas sonoras que, por si só, são excelentes. Parece-me que ultimamente tem variado muito pouco nos vinis. E eu pergunto: qual é o impacto da banda sonora de Once Upon a Time... in Hollywood? Há alguma daquelas músicas à Tarantino? Alguém se lembra de alguma música em particular? Pois eu não...
Não adianta estar com meias medidas. Se este fosse um filme de um gajo qualquer que estivesse a agora a estrear-se na cadeira de realizador, eu diria: tem bons pormenores e este gajo promete. Vou ficar de olho nele. No entanto, este um filme do Quentin Tarantino. Já vem com uma carga subjacente muito pesada e uma pessoa apenas espera o melhor do melhor. Mesmo sendo muito melhor que grande parte dos filmes que normalmente vejo, Once Upon a Time... in Hollywood (mesmo com todos os seus méritos, que obviamente tem) é provavelmente o pior Tarantino que já vi. Uma decepção inesperada. ●●●○

David Cronenberg é neste momento um homem desencantado com Hollywood. Bem, se não é, não percebi bem o filme. Sexo, incesto, morte, traição, drogas e conversas de merda são o dia-a-dia de Hollywood atrás das câmaras. É isso que se deve depreender após visionar Maps to the Stars.
Isto até é o melhor do filme: a história e o guião. Muito bem construído e estruturado em volta de uma série de peculiares personagens que vão do actor adolescente em reabilitação por uso de drogas, da actriz que tendo mais que 40 anos já não tem espaço de representação por ser "demasiado velha", passando pelo "terapeuta" alternativo das celebridades. Todos imprevisíveis, mentalmente instáveis, misturados e ligados por uma história central. Basicamente, a espinha dorsal da anormal "normalidade" de Hollywood...
Os actores são a outra coisa boa e são eles que essencialmente seguram os filme durante os 100 minutos. O miúdo (Evan Bird) parecia desfasado da história, mas depois apercebi-me que era muito bom e, teoricamente, terá um futuro promissor. No geral, (Robert PattinsonMia Wasikowska e John Cusack) são todos muito bons, mas o destaque tem que ser dado à Julianne Moore porque é uma excelente actriz que dá sempre tudo o que tem. É por isso mesmo que Moore é uma das minha actrizes favoritas de sempre. Pequeno destaque para Carrie Fisher que aparece brevemente como ela própria.
No cômputo geral, Maps to the Stars nunca descola totalmente porque parece um telefilme, mais que um filme de cinema. Apesar da violência e da nudez, parece que Cronenberg nunca quis "magoar" ninguém. Este (já) não é o Cronenberg que conheço. Foi tudo demasiado polido para o meu gosto e para o que esperava. O final é poético mas não é apoteótico. Lá está, o filme nunca descola. Mantém um ritmo constante sem nunca ter picos de nada. Se Maps to the Stars estivesse ligado àquelas máquinas de suporte de vida, a única coisa que se ouviria é um som constante sem altos nem baixos: basicamente é um filme em "ponto morto". Seja como for, é sempre bom ver o outro lado de Hollywood nem que seja só para espreitar por detrás da cortina. Especialmente porque vem de uma pessoa que conhece bem o meio e que de certeza conhece ainda melhor os podres. ○○

Na década de 30, Bobby, um jovem do Bronx muda-se para Hollywood para trabalhar com o tio na produção de filmes e acaba envolvido com a sua secretária que também anda metida com ele. Apesar de ser a típica trama de Woody Allen e quase a fazer lembrar os filmes do "antigo Woody", nota-se que a chama de outros tempos já se foi. Café Society é um filme competente, vindo de uma pessoa que simplesmente respira cinema... mas é relativamente inócuo. A comédia é muito subtil e as típicas "confusões" são já muito previsíveis e sem grande fulgor. Kristen Stewart e Steve Carell fazem os seus papéis num tom muito cinzento e monótono e Jesse Eisenberg é o que destaca mais pela positiva, ainda que mais uma vez numa nova versão moderna de "Woody Allen". Compreendo que Allen tenha uma paixão enorme por fazer filmes e sei que tem mais capacidades de realizador numa só perna do que a maioria dos realizadores tem no corpo todo. É daqueles gajos que consegue escrever um guião num guardanapo enquanto espera pelo hambúrguer e que faz um filme com o telemóvel enquanto espera pela sobremesa. Mas se calhar o Woody Allen devia repensar a sua estratégia de a torto e a direito "despachar" anualmente filmes mediano e se calhar fazer apenas filmes de 3 em 3 anos mas em condições aceitáveis. Ainda assim, não trocava um Woody Allen "mediano" destes por dez filmes de entretenimento da treta... ●●○○

Apesar de todas as polémicas recentes, continuo a ser um apreciador dos trabalhos de Lars Von Trier. As borboletas entram em histeria no meu estômago antes de ver um "Von Trier", mas mesmo assim não resisto a ver. É um daqueles prazeres obscuros que é mais forte que eu. Quando li que o Lars ia fazer um filme sobre um psicopata, entrar dentro da sua mente e mostrar o crescimento de um assassino em série, pensei para mim: "Bem é melhor ir reforçar o meu stock de protector gástrico. Isto vai ser dureza...". Fui então ver The House That Jack Built, mas estranhamente, não aconteceu nada disso. Até é um filme relativamente "mole" (vindo de quem vem)... apesar de continuar a ser um filme "difícil" de ver...
É mais uma belíssima composição visual com fantásticos diálogos. Excelente realização como sempre, com actores de outro nível como o grande Matt Dillon, o grande Bruno Ganz e a grande Uma Thurman, entre tantos outros. Tudo muito bom e não me desiludiu nada. Mas o que mais estranhei foi ser um filme do Lars Von Trier. Por outro lado (e posso estar a imaginar coisas) tudo me pareceu extremamente críptico e cheio de segundos significados.
Após as recentes polémicas, parece que Lars Von Trier está a dar sinais exteriores. Às acusações constantes de misógino, ele arranjou uma solução óbvia: um serial killer à "maneira clássica de Hollywood". Pode parecer contraditório, mas quem o vai criticar por isso, quando o cinema moderno está hiper-povoado de serial killers que perseguem criancinhas e mulheres indefesas? Quem o criticasse pela escolha, teria de "enterrar" milhares de slashers e filmes de culto dos mais prestigiados realizadores que ao longo dos anos levaram milhões de pessoas às salas de cinema. Esta escolha por um serial killer não me parece nada inocente. Depois há, aparentemente, uma mensagem "interna". Parece que está a criar um novo manifesto, mas desta vez anti-Dogma95. Parece-me que ou quer acabar, ou quer questionar o seu próprio manifesto. Ou também pode-se dar o caso de estar a ficar sem financiamento e a tentar piscar o olho ao pessoal do dinheiro e dizer que também consegue fazer uns filmes mais ou menos "normais" em que o público não saia a correr deprimido ou a vomitar da sala de cinema. A inclusão constante de Fame de David Bowie pode ser a maior pista disto mesmo (o manifesto supostamente não permitia a inclusão de músicas na pós-produção), mas os efeitos especiais no final e uma série de outros pormenores indiciam que Von Trier se chateou com o grupo que ele próprio ajudou a criar. Ou então, lá está, como dizem os americanos, "money talks, bullshit walks". Não sei. Sinceramente, acho que o problema não é dinheiro. Acho que o problema é o carácter redutor do próprio manifesto e Von Trier já anda a lutar com ele há muitos anos. Parece-me é que decidiu agora dar-lhe a machadada final. Mas isto já são questões laterais...
Não sei muito bem porquê, mas sempre gostei quando os realizadores incorporam stock-footage nos filmes. Isso acontece muito por aqui. Mas há uma parte no final em que o stock-footage é de outros filmes do Lars Von Trier como Europa, Breaking the Waves, Dogville e outros. Apesar de ser mais uma das reflexões internas do Jack sobre a arquitetura e a arte, para mim soou-me a outra coisa. Vendo bem, todo filme é tratado como uma nova e estranha versão da Divina Comédia. A presença de Verge (Virgílio) não é coincidência. Jack comete os crimes e comenta-os com Verge que contra-argumenta ao mesmo tempo que lentamente o encaminha para o Inferno.
Estranhamente fiquei com a ideia de que este Jack é de alguma forma o próprio Lars Von Trier. Ele fez o seu próprio caminho de crimes (os filmes) e agora dirige-se para um Inferno de não-criação onde já não é mais possível criar sem entrar pelo circuito comercial, simbolizado pela recorrente Fame do David Bowie... Não sei... Se calhar estou a ver coisas onde elas não existem e a tirar significados que... Bem, acho que estou a divagar novamente. E demais.
Em relação a The House That Jack Built, a única coisa que posso dizer é que gostei sem ficar deslumbrado. Até gosto deste tom negro, que para além de não ser tão avassalador como seria de esperar, até tem uma qualidade mais refinada, mais polida. Em uma ou outra situação, entra até num tom irónico, quase cómico, o que diga-se, foi uma coisa estranhíssima. Para além de dores de barriga e desconforto, nunca na minha vida pensei esboçar um mini-sorriso a ver um filme do Von Trier.
Só há duas formas de apreciar os trabalhos do Lars: ou se gosta ou se detesta. Não há meio termo. Estou há muitos anos no primeiro grupo. The House That Jack Built, nem é dos meus filmes preferidos, mas veio cimentar - mais uma vez - Lars Von Trier como um dos melhores realizadores das últimas décadas. Muitíssimo recomendado. ●●●●○

O Papillon (de Franklin J. Schaffner) é um dos filmes da minha vida. Vi-o muito novo e marcou-me profundamente. De certa forma teve o dom de me "educar". Tive situações da minha vida em que já não aguentava mais e lembrava-me do Papillon e conseguia "fazer mais um esforço". Quando tinha vontade de desistir, lembrava-me do Papillon e continuava mais uma vez. Papillon é isto. Uma história épica de perseverança, de capacidades sobre-humanas, de aguentar o impossível, de atingir o inalcançável, de resiliência imparável, de superação absoluta para lá de todas as capacidade físicas e mentais. Tenho uma aversão natural à injustiça. Ver um homem sofrer castigos intermináveis por um crime que não cometeu, causa-me náuseas. Por isso, é que Papillon é para mim um épico inesquecível, que me lembra sempre que não há prisão forte o suficiente para segurar a determinação inabalável de um injustiçado.

Papillon é baseado na história verídica de Henri "Papillon" Charrière, que depois de injustamente condenado por um assalto a um banco, é enviado para uma prisão de alta segurança na colónia penal da Guiana Francesa. Lá, acabaria por sofrer os tratamentos mais desumanos que se podem imaginar. Anos fechado em solitária, muitos deles em escuridão total, fome e torturas constantes. Não admira que o seu único propósito fosse a fuga. Curiosamente, há pouco tempo descobri que tenho o livro mas nunca o li. É uma falha enorme. Espero ter tempo nas férias para o ler com atenção. Pelo que li, percebi que o filme se desvia consideravelmente da história original, assim como a história original do livro se afasta da verdadeira história de Charrière. Depois de ler o livro, já terei uma ideia do desfasamento "dramático", mas isso não vai mudar nada em relação ao que sinto pelo filme.

Se o filme é muito bom e intemporal, deve-o principalmente à realização impecável de Schaffner, mas especialmente ao argumento exemplarmente bem escrito da lenda de Hollywood que foi Dalton Trumbo. Já não se fazem pessoas assim. Já não se escreve com esta qualidade para fazer um filme. Agora tem de ser tudo muito mais imediato, mais atractivo e com mais acção. É uma pena. Mas o que acho que elevou este Papillon a filme de culto foi mesmo a dupla principal de actores, Steve McQueen e Dustin Hoffman. O restante casting é muito bom, mas esta dupla foi um evento único. Hoffman é desde então um dos meus actores favoritos, mas o Steve Mcqueen está num nível ainda superior. Há ali um carisma, um falar sem abrir a boca que é único. É daqueles actores que têm uma força visual tão grande que só aparecem de décadas a décadas na história do cinema. Um dos maiores de sempre e um dos meus preferidos de todos os tempos. Não me canso de o ver. Na minha memória ficou gravado aquele salto do penhasco para oceano e o grito seco no final, enquanto flutuava nos sacos de cocos em direcção à tão esperada liberdade: "Hey you bastards, i'm still here". Estou contigo, Papillon. ●●●●● + ●


Um pianista de bar aspirante a músico de Jazz (Ryan Gosling) e uma jovem actriz (Emma Stone) à procura da sua oportunidade num cenário doce-amargo de Los Angeles. Acho que posso resumir assim La La Land. Esperei muito tempo para ver este filme. Tinha muitas reservas. Quando sinto muito hype em relação a um filme (ainda por cima, um musical), fico sempre de pé atrás, por eleva demasiado a expectiva e normalmente o resultado é uma enorme decepção. Mas não foi o caso. O hype foi totalmente justificado. Se soubesse que o realizador era o Damien Chazelle tinha-o visto mais cedo, porque até hoje nunca me falhou. É um excelente filme. Daqueles sem mácula. As músicas de Justin Hurwitz são soberbas e ficam imediatamente no ouvido. Passaram quase imediatamente a fazer parte da minha playlist regular, o que não é nada fácil de acontecer. La La Land cheira bem. E cheira a novo. Mas também tem aquele cheiro característico dos antigos filmes musicais, verdadeiros, com o Gene Kelly ou o Fred Astaire. É genuíno, faço-me entender? Gostei muito. La La Land começa bem, desenvolve-se em ritmo de crescendo e termina ainda melhor, com aquele final excepcional, tudo no correcto e idílico tom la-la-land. Quando um filme é assim tão bom, não há muito para dizer. O melhor é mesmo ver, ouvir, apreciar e ponto final. ●●●●●



PS: Para além do excelente filme que é, La La Land venceu inúmeros prémios incluindo uma série de Óscares. No entanto, vai ficar ligado a uma das maiores gaffes de sempre. Na apresentação do prémio para melhor filme, um problema com os envelopes  levou a que Warren Beatty e Faye Dunaway (os eternos Bonnie and Clyde) erradamente entregassem o prémio a La La Land. Os produtores foram como é normal para o palco fazer os seus discursos, quando se instala a confusão. Afinal, o vencedor era o filme Moonlight e não La La Land. Os produtores devolveram o Óscar e lá saíram calmamente pela lateral do palco para dar lugar aos produtores de Moonlight que lá receberam o prémio de melhor filme. Mas a troca dos envelopes e a apresentação errada do vencedor é que acabou por ficar para a história. De toda esta história rocambolesca, a única coisa que me passou pela cabeça foi que Beatty e Dunaway na realidade nunca largaram os papéis de Bonnie e Clyde. E uma vez gangster, para sempre gangster... Gosto de imaginar que foi assim e não uma simples troca de envelopes. Qual é a graça disso?...
Não tinha grandes expectativas com este Revenge. Principalmente porque apenas tinha visto um trailer durante breve segundos. Mas alguma coisa me chamou a atenção e tive de o ver. A primeira surpresa imediata foi perceber que o filme não era americano, mas sim francês. A surpresa seguinte foi o exagero sanguinário, por vezes totalmente gore, com muitos ferimentos violentos e sangue a rodos. Tanto que é um exagero, mas pareceu-me uma óbvia sátira à mulher de armas americana e às "Lara Crofts" do cinema. De uma forma estranha, Matilda Lutz encaixa tão bem na personagem-bimba como no personagem-rambo.
Após ter sido violada por três homens e deixada para morrer no deserto era miraculosamente sobrevive aos impossíveis ferimentos e regressa com sede de vingança. Dito assim, parece uma coisa estúpida, mas de alguma forma, isto até funciona.
Revenge é um filme sobre vingança, mas nitidamente, também é uma crítica sagaz aos filmes de acçao americanos. É quase como que dizer: "ai querem sangue? Então vão ter sangue. Gostam de violência? Então é mesmo isso que vão ter..."
Excelentes actores (Vincent Colombe, Guillaume Bouchède), com principal destaque para Kevin Janssens que tem tanto carisma que é impossível perceber porque ainda não é uma estrela de Hollywood. O pessoal dos estúdios "oficiais" anda um bocadinho cegueta com as super-estrelas dos super-heróis. Olhem que anda para aí pessoal excepcional a representar e vocês nem os veem a passar mesmo à frente dos olhos. É pena.
Escrito e realizado por Coralie Fargeat, Revenge roça o ridículo e o estúpido, mas de alguma forma esquisita consegue ao mesmo tempo ser crítico e brilhante. Só visto para perceber. Coralie Fargeat é um nome que vou ter debaixo de olho nos próximos tempos. ●●●○○

Val Waxman é um realizador nova-iorquino que vê a sua carreira passar do estrelato dos anos 80 para a decadência de estar a fazer anúncios de TV na entrada do novo milénio. Quando tem a oportunidade de fazer um regresso em grande com uma película de grande produção, tudo começa a correr mal. A ex-mulher casou-se com o produtor daquele que será o seu filme, o novo cameraman é um chinês inflexível e irascível que precisa de andar sempre com um tradutor, a vida pessoal está uma desgraça e o regresso do filho totalmente antagónico levam a que no dia anterior às primeiras filmagens, Waxman desenvolva uma espécie de cegueira histérica. Mas Waxman não desiste e vai tentar fazer o filme mesmo assim. É a receita para o desastre... e para a comédia.
Hollywood Ending, escrito e realizado pelo mestre, é um Woody Allen vintage. Mesmo não tendo a chama de outros tempos, é tudo bom. Os actores Téa Leoni, Bob Dorian, George Hamilton e Treat Williams, para além do próprio Woody Allen, são todos óptimos. Nota-se que são dirigidos com precisão quase matemática. São obrigados a entrar no universo Alleniano e entram mesmo noutro modo de representar completamente diferente. Apesar de não deslumbrar, Hollywood Ending é um filmito perfeito, uma forma de Allen passar a mensagem e mandar umas boquitas internas para os grandes estúdios de Hollywood. Hollywood Ending tem a óbvia marca "Woody Allen" e talvez seja o último filme que verdadeiramente gostei deste mítico realizador. ●●●○○

Ronin é um samurai sem amo. Fiquei a saber isto ao ver o 47 Ronin. Pensava que ronin significava que um samurai se tinha revoltado contra o seu amo, mas pensando bem isso seria quase impossível visto os samurais se regerem por um código de honra bastante rígido. Quer dizer, isto é o que aparece sempre nos filmes. Presumo que tenha uma base de verdade. Seja com for, faz sentido. Aliás, esse código é a base da história deste 47 Ronin. Depois do seu amo ser morto traiçoeiramente, os samurais quebram a lei, revoltam-se e procuram vingança, mesmo sabendo que o seu destino está tragicamente traçado.
Apesar de ser uma novidade para mim, já é a sétima vez que esta história dos 47 Ronin chega às salas de cinema. Esteve sempre nas "mãos japonesas", daí que dificilmente um gajo "normal" consiga ver estes filmes... E lá está: nunca os consegui ver. No entanto, esta é apenas a primeira vez que Hollywood pega no tema. Dá que pensar.
Honra, lutas de espada, traição, vingança e o Keanu Reeves a destacar-se demasiado num casting totalmente oriental (Hiroyuki Sanada, Ko Shibasaki, Tadanobu Asano, Min Tanaka), são os condimentos principais. É um bom filmito, ainda por cima baseado numa história real. Bem escrito, medianamente bem realizado (Carl Rinsch) e com ação q.b, polvilhado por dispensáveis criaturas digitais como é obrigatório em qualquer filme aspirante a blockbuster. Apesar da pouca chama, 47 Ronin é um filme simpático... dentro do género. ●●○○○

Década de 30. Bonnie Parker é uma empregada de mesa farta da sua vida quotidiana. Clyde Barrow é um criminoso que acaba de cumprir pena e é libertado da prisão. Quando os dois se cruzam, a chama é imediata. A partir daí, juntos, semeiam o pânico e o caos enveredando por uma corrida mortal de assaltos a bancos e assassinato que nunca poderia acabar bem...
Há filmes que são revolucionários e que marcam uma era. Não porque são muito avançados em ideias ou questões técnicas, mas porque dão voz ou se ligam ao público da altura e que por determinados motivos se sente excluído de tudo o resto. Bonnie and Clyde é nitidamente um desses filmes. É um clássico e uma peça de história cinematográfica que, na altura, redefiniu todo o conceito de "filme de Hollywood" para um nova geração de público, que já estava farta dos "velhos" filmes de polícias a perseguir gangsters.
Numa altura em que os estereótipos do "bom" e do "mau" definia quem ia ficar com a rapariga no fim e quem iria morrer, eis que aparece Bonnie and Clyde, muda todos os conceitos e surpreende pela empatia com que põe o público do lado dos supostos maus. Ter o público a "puxar" pelo ladrão e pelos fugitivos, e de alguma forma, os polícias é que são os "maus" que merecem morrer por estarem a interromper o romance maldito deste casal perdido de amores, tornaria Bonnie and Clyde como derradeiro filme anti-establishment. Com todas estas condicionantes, ou seria um flop total ou seria uma referência para próximos filmes e realizadores. Em vez disso, tornou-se num clássico.
Actores monstruosos e icónicos como Warren Beatty, Faye Dunaway, Michael J. Pollard, Gene Hackman (e um novíssimo Gene Wilder, em estreia absoluta) protagonizam um dos grandes filmes do cinema, dirigidos pelo mítico Arthur Penn. Um clássico totalmente obrigatório. ●●●●●

O que se pode dizer de Men in Black 3 é que cumpre os requisitos mínimos. Continua a ser divertido e continua a estar bem feito. Mas fiquei com a sensação que este terceiro filme só existe porque era necessário um MiB3 para assim completar uma trilogia. Aparentemente, em Hollywood, há algo de mágico no número 3. Fala-se muito na magia do cinema e como aficionado das duas artes, sei que existe o remate do acto mágico chamado o terceiro passo. Não sei se inconscientemente isso se passa também nos filmes, mas lá que acontece, acontece. É raro o filme que tendo sequela, não vá desembocar na quase "fatídica" terceira parte e assim fechar a trilogia. Pode ser coincidência, mas acho que não é.
Neste caso, até acho bem. Mas apenas por causa do Barry Sonnenfeld. Acho que também merecia ter uma trilogia no currículo, porque é um daqueles gajos que curto. Tem uma boa filmografia e nunca lhe vi um filme estúpido. É sempre competente e inteligente nos temas que pega e na forma como lhes pega. Só por isto, já merece a minha consideração.
Os mesmos gajos fixes do costume (Will Smith, Tommy Lee Jones) com a adição do sempre respeitável Josh Brolin (e também a respeitável, mas mais discreta Emma Thompson), suportam um filme com uma história já algo cansada (os extraterrestres já são quase dispensáveis...), e que por isso já tem de ir buscar a velha artimanha das viagens no tempo para conseguir dar progressão ao enredo. Isso é batota, mas por ser quem é, vá lá, eu até desculpo. Mas peço, por favor, fiquem por aqui. Já chega. Assim como está, numa caixa arquivadora catita, fica muito bonito e pronto. Não comecem já a pensar em prequelas e reboots...
Mas pensando bem, acho que isto não vai ficar por aqui. Se não estou enganado nas contas, do primeiro para o segundo filme passaram 5 anos, e do segundo para o terceiro passaram 10 . Pela mesma lógica, teremos uma nova "entrega" lá para 2022, o que até faria uma edição especial dos 25 anos do filme original. Acho que os estúdios não vão conseguir resistir... Veremos. ●●○○○

É difícil ter acesso às grandes estrelas, sem ser através de um documentário. Este Listen to me Marlon é uma pérola e um privilégio. Com locução do próprio Marlon Brando, com recurso a horas de cassetes gravadas pelo mesmo, é uma oportunidade única para mergulhar no complexo interior da cabeça de um dos melhores actores de sempre. Pioneiro do Método, Marlon é um actor completo e único na história do próprio cinema, mas que também desprezava o próprio trabalho. Para uma pessoa que simplesmente odiava a mentira, representar (que basicamente é mentir propositadamente para uma câmara) foi corroendo-o totalmente por dentro, ao ponto de o levar à reclusão e ao nojo pela própria profissão.
Um génio que se transforma num eremita é basicamente a derradeira definição de... lenda. Que é o que Marlon Brando inegavelmente é.
Apesar de só o "conhecer" muito tarde na carreira (ainda não consegui ver alguns dos seus clássicos mais antigos!), sempre me identifiquei muito com as personagens de Brando. Depois do documentário, identifiquei-me muito mais com o homem. É uma pessoa que está em guerra constante, mas numa busca pela paz. Esta dualidade acaba sempre por fazer mossa, e no caso do super-exposto e super-mediático Marlon foi absolutamente determinante.
De super-estrela a super-odiado, passando pelo regresso no final dos 70's e o auto-exílio, passando pelas grandes turbulências amorosas e tragédias da sua vida pessoal, o afastamento da carreira e as disposições activistas e políticas (até na cerimónia de entrega dos Óscares), tudo é extremamente bem contado e narrado para mostrar como um "simples" actor se transformou numa lenda de Hollywood e do cinema em geral.
Listen to me Marlon é documentário muito bom, muitíssimo bem escrito e enquadrado da autoria de Stevan Riley. Apenas não gostei do tom predominantemente negro, por vezes quase a roçar o documentário de "exploração". Houve ali uma tentaçãozinha de explorar o lado mais escandaloso, mas vá lá, Riley acabou por se conter e fez muitíssimo bem, porque acabou por construir um dos melhores documentários sobre actores que já vi. Absolutamente obrigatório. ●●●●○

Man cheng jin dai huang jin jia, traduzido como "A Maldição da Flor Dourada" é um filme chinês de Yimou Zhang, e que conta a história de uma família imperial chinesa durante o século X. Mas esta não é uma família normal... É totalmente disfuncional, envolvida em complicadas intrigas palacianas e que está repleta de assassinatos, traições e até incesto. Difícil de encaixar para um "gajo normal", mas uma coisa mais ou menos "normal" nas questões do poder da realeza...
Se por um lado, a história pode ser de difícil digestão para um ocidental, "A Maldição da Flor Dourada", por outro lado, é verdadeira comida para os olhos. É um festim visual. Não pelos efeitos especiais, mas pelo pormenor, pelas roupas e pelos cenários fantásticos. Nesse aspecto, é muito bom.
Se bem que tenha sempre grande dificuldade em distinguir os actores chineses (por causa dos nomes impossíveis de decorar e das parecenças físicas), eles têm uma intensidade dramática muito própria e diferente. São muito bons, especialmente neste tipo de registo (história dramática da realeza), em que o desempenho chega quase a ser caricatural, de tão intenso que é. Mas neste caso, até fica muito bem. Destaque para o já lendário Chow Yun Fat e para a lindíssima Gong Li, mas o restante elenco está ao mesmo nível. Não me lembro de ver um mau actor chinês.
A realização é límpida e nota-se que tudo é pensado ao pormenor. Yimou Zhang junta o melhor do cinema ocidental com o visual oriental. É uma mistura perfeita, sempre com uma fotografia absolutamente impressionante. Yimou Zhang cria verdadeiras obras de arte visuais em movimento e consegue transmitir aquela sensação de épico, como raramente se vê.
À parte das coreografias impossíveis de lutas corpo-a-corpo, até nem tem muita acção física, se bem que no final até "explode" com as grandes batalhas, que diga-se, são "mesmo" grandes. É uma escala totalmente diferente do que uma pessoa está habituado a ver nos filmes de Hollywood.
"A Maldição da Flor Dourada" prende um gajo à cadeira e está bem feito, bem realizado e bem interpretado como acontece sempre com os actores chineses, mas é quase como estar a olhar para uma peça de ouro em filigrana: quando se olha demasiado tempo, uma pessoa perde-se no pormenores e acaba por não conseguir ver a peça toda. Foi um bocado o que me aconteceu. Vale a pena ver, nem que seja para ter uma perspectiva diferente dos épicos americanos. ●●●○○

 
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