Uma das perguntas que me faço regularmente quando vejo filmes pipoca é porque o faço. Bumblebee é a resposta a essa pergunta. De vez em quando fazem um filmito destes que não é totalmente para estúpidos. Até tem uma história com pés e cabeça. Uma pessoa está a olhar para a tela e fica agradada com o que vê; não é apenas um chorrilho interminável de perseguições, explosões e cenas CGI totalmente despropositadas. É que já não aguento a cena actual, em que o herói para ir do sofá ao frigorífico buscar um iogurte, tem de estar envolvido numa cena de acção alucinante, com explosões, cenas de pancadaria e saltos de carros entre arranha-céus, que não acrescenta nada à história e que só ali está para satisfazer o cliente final, que tendo pago um preço tão alto pelo bilhete de cinema quer ter o máximo possível de filme, e nunca, mas nunca em tempo inferior a 2 horas e meia...
Nesse aspecto, Bumblebee foi uma boa surpresa. Não sofre tanto deste novo mal do cinema e é um pouco diferente na aproximação. Por vezes tem mesmo piada e nota-se que foi mais pensado do que é habitual. É normal. O realizador é Travis Knight, a mesma mente criadora de Kubo. Está mais regrado e contido do que o normal, o que lhe dá mais espinha dorsal e o transforma quase num filme "normal", mas com robots em CGI. O pessoal jovem não deslumbra mas também não compromete (Hailee Steinfeld, Jorge Lendeborg Jr. e Jason Drucker. John Cena é mais um daqueles fenómenos estranhos: um gajo que não tem formação nem jeito absolutamente nenhum, mas que com o tempo vai ganhando calo suficiente para lentamente se ir transformando num bom actor.). Uma surpresa totalmente inesperada. ●●●○○
PS: Claro que na esperada sequela toda esta história do filme parco em efeitos e estupidez explosiva lá vai pelo esgoto abaixo porque os fãs exigem algo maior, com mais explosões e mais acção. E lá estarei eu aqui a desdenhar, atirando raios e coriscos aos filmes-pipoca e a perguntar novamente: "mas porque é que eu perco o meu tempo a ver estas 'estupidezes'?..."
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Já deixei de ver filmes de animação há alguns anos. Chateia-me a vertente puramente comercial deste tipo de filmes que acabam por ficar todos iguais, pois têm como base os guiões pré-formatados do sucesso anterior. Vendo um, já nem preciso de ver os restantes. É sempre a mesma coisa, tirando o novo vilão e a nova namorada do "artista". No entanto, volta e meia, lá vou vendo uns filmitos a contra-gosto, porque há sempre as excepções que confirmam a regra.
Kubo and the Two Strings, dos Estúdios Laika é uma dessas excepções. A primeira palavra que me vem à cabeça para descrever este Kubo é... lindo. É um filme esteticamente perfeito. As cores, as sombras, os origamis, os desenhos, os modelos, as animações, os sons... tudo perfeitamente interligado e harmonioso. Visualmente, não alteraria nada neste filme. Tecnicamente, é um prodígio, feito com recurso ao stop-motion animation, o que lhe retira o tom artificial e "plástico" habitual e lhe dá sempre aquele ar mais "verdadeiro". Grande mestria e total mérito para Travis Knight, que na estreia como realizador já marcou uma excelente posição. É um realizador para ter debaixo de olho.
A história é de uma imaginação prodigiosa e exemplarmente bem escrita. Apesar de ir a "decrescer"- só porque o inicio é bom demais -, é verdadeiramente divertido (e não só) assistir a tudo o que acontece às (excelentes) personagens nesta aventura mágica. Uma pérola nos dias actuais. Conta com as vozes de Charlize Theron, Art Parkinson, Ralph Fiennes e Matthew McConaughey, entre muitos outros.
O melhor elogio que posso fazer a Kubo and the Two Strings, é que durante 100 minutos repôs a minha esperança na humanidade. ●●●●○
Kubo and the Two Strings, dos Estúdios Laika é uma dessas excepções. A primeira palavra que me vem à cabeça para descrever este Kubo é... lindo. É um filme esteticamente perfeito. As cores, as sombras, os origamis, os desenhos, os modelos, as animações, os sons... tudo perfeitamente interligado e harmonioso. Visualmente, não alteraria nada neste filme. Tecnicamente, é um prodígio, feito com recurso ao stop-motion animation, o que lhe retira o tom artificial e "plástico" habitual e lhe dá sempre aquele ar mais "verdadeiro". Grande mestria e total mérito para Travis Knight, que na estreia como realizador já marcou uma excelente posição. É um realizador para ter debaixo de olho.
A história é de uma imaginação prodigiosa e exemplarmente bem escrita. Apesar de ir a "decrescer"- só porque o inicio é bom demais -, é verdadeiramente divertido (e não só) assistir a tudo o que acontece às (excelentes) personagens nesta aventura mágica. Uma pérola nos dias actuais. Conta com as vozes de Charlize Theron, Art Parkinson, Ralph Fiennes e Matthew McConaughey, entre muitos outros.
O melhor elogio que posso fazer a Kubo and the Two Strings, é que durante 100 minutos repôs a minha esperança na humanidade. ●●●●○

