Como o primeiro filme foi um relativo sucesso de bilheteira era inevitável uma sequela. Daí a existência de Wrath of the Titans. Não é uma continuação da história anterior mas mais uma série de histórias mitológicas envolvendo a personagem principal, Perseu. É o que tem de bom a mitologia clássica: tem histórias para dar e vender e todas são muito boas, sempre recheados de monstros e super-vilões, exactamente o ponto onde falham as cópias, as "mitologias modernas" de super-heróis da BD. Incrivelmente, estas histórias antigas não colam no público actual. Para mim é um mistério. Por exemplo, este Wrath of the Titans foi um falhanço de bilheteira. Porquê? Não tem acção explosiva? Tem. Não tem monstros espectaculares e gigantes em CGI? Tem. Não tem supervilões super-maus que querem destruir o mundo dos humanos? Tem. Não acaba tudo bem, com os bons felizes e os maus a serem castigados no final? Obviamente. Então porque é que o grande público não adere em massa como acontece nas tretas com a chancela Marvel/DC? Não sei dizer. Aos meus olhos, a diferença é mínima. Ver isto ou ver o Doctor Strange é exactamente a mesma coisa. Um entretenimento momentâneo e facilmente esquecível.
Do primeiro para este filme, mudou o realizador (Jonathan Liebesman) e o cast mudou apenas nas personagens mais secundárias (Sam Worthington, Liam Neeson, Ralph Fiennes, Rosamund Pike, Bill Nighy, Danny Huston). Os monstros e o CGI também aumentaram ligeiramente, mas de resto é tudo mais ou menos igual ao anterior. Gosto muito destas histórias da mitologia e que já me acompanham desde muito novo. Por isso nem me importava de ver um terceiro filme deste género, mesmo sabendo que a história é apenas um suporte para as cenas de acção e para os efeitos especiais. Mas como a mitologia clássica (ainda) não foi comprada pela Disney e por isso não tem fãs activos, não há mais nada para ninguém. É pena. ●●○○○
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Com o super-sucesso dos filmes de super-heróis importados da BD, era apenas uma questão de tempo até que alguém pegasse no tema da mitologia clássica. Afinal de contas, os heróis da antiguidade são o protótipo e a base "histórica" de todos os super-heróis modernos, quando não são mesmo os super-heróis como é o caso do Thor e restante família. Seja como for, a relação é quase umbilical. Mas sendo uma aproximação mitológica mais virada para o efeito explosivo e para a acção, destes filmes não se espera grande coisa, a não ser 2 horas de de puro entretenimento, que é como quem diz, 2 horas de musculação maxilar com recurso a pipocas. Ou nachos. Ouvi dizer que há muita gente que gosta de comer nachos no cinema. O que para mim é um fenómeno ainda mais incompreensível que o sucesso dos super-heróis Marvel e afins. Mas adiante... Neste aspecto específico, Clash of the Titans cumpre perfeitamente o propósito. Tem bons momentos de acção bem encaixados na história (parabéns ao Louis Leterrier por não exagerar), os actores (Liam Neeson, Ralph Fiennes, Sam Worthington, Luke Evans, Gemma Arterton, Liam Cunningham e Mads Mikkelsen) parecem muito confortáveis nos seus papéis e por isso têm prestações acima da média para uma produção deste género.
Clash of the Titans é um bom filmito de acção que acompanha muito bem as pipocas e a coca-cola. Talvez devido ao carácter mitológico da história seja um pouco mais suportável para mim. Nada como deuses, semi-deuses e vulgares mortais na eterna procura de adoração e poder para entreter uma pessoa. Vê-se bem. ●●○○○
Clash of the Titans é um bom filmito de acção que acompanha muito bem as pipocas e a coca-cola. Talvez devido ao carácter mitológico da história seja um pouco mais suportável para mim. Nada como deuses, semi-deuses e vulgares mortais na eterna procura de adoração e poder para entreter uma pessoa. Vê-se bem. ●●○○○
Já deixei de ver filmes de animação há alguns anos. Chateia-me a vertente puramente comercial deste tipo de filmes que acabam por ficar todos iguais, pois têm como base os guiões pré-formatados do sucesso anterior. Vendo um, já nem preciso de ver os restantes. É sempre a mesma coisa, tirando o novo vilão e a nova namorada do "artista". No entanto, volta e meia, lá vou vendo uns filmitos a contra-gosto, porque há sempre as excepções que confirmam a regra.
Kubo and the Two Strings, dos Estúdios Laika é uma dessas excepções. A primeira palavra que me vem à cabeça para descrever este Kubo é... lindo. É um filme esteticamente perfeito. As cores, as sombras, os origamis, os desenhos, os modelos, as animações, os sons... tudo perfeitamente interligado e harmonioso. Visualmente, não alteraria nada neste filme. Tecnicamente, é um prodígio, feito com recurso ao stop-motion animation, o que lhe retira o tom artificial e "plástico" habitual e lhe dá sempre aquele ar mais "verdadeiro". Grande mestria e total mérito para Travis Knight, que na estreia como realizador já marcou uma excelente posição. É um realizador para ter debaixo de olho.
A história é de uma imaginação prodigiosa e exemplarmente bem escrita. Apesar de ir a "decrescer"- só porque o inicio é bom demais -, é verdadeiramente divertido (e não só) assistir a tudo o que acontece às (excelentes) personagens nesta aventura mágica. Uma pérola nos dias actuais. Conta com as vozes de Charlize Theron, Art Parkinson, Ralph Fiennes e Matthew McConaughey, entre muitos outros.
O melhor elogio que posso fazer a Kubo and the Two Strings, é que durante 100 minutos repôs a minha esperança na humanidade. ●●●●○
Kubo and the Two Strings, dos Estúdios Laika é uma dessas excepções. A primeira palavra que me vem à cabeça para descrever este Kubo é... lindo. É um filme esteticamente perfeito. As cores, as sombras, os origamis, os desenhos, os modelos, as animações, os sons... tudo perfeitamente interligado e harmonioso. Visualmente, não alteraria nada neste filme. Tecnicamente, é um prodígio, feito com recurso ao stop-motion animation, o que lhe retira o tom artificial e "plástico" habitual e lhe dá sempre aquele ar mais "verdadeiro". Grande mestria e total mérito para Travis Knight, que na estreia como realizador já marcou uma excelente posição. É um realizador para ter debaixo de olho.
A história é de uma imaginação prodigiosa e exemplarmente bem escrita. Apesar de ir a "decrescer"- só porque o inicio é bom demais -, é verdadeiramente divertido (e não só) assistir a tudo o que acontece às (excelentes) personagens nesta aventura mágica. Uma pérola nos dias actuais. Conta com as vozes de Charlize Theron, Art Parkinson, Ralph Fiennes e Matthew McConaughey, entre muitos outros.
O melhor elogio que posso fazer a Kubo and the Two Strings, é que durante 100 minutos repôs a minha esperança na humanidade. ●●●●○
Outra série de filmes medianos (estes, bem acima da média), desta vez dentro duma temática muito especial: "filmes melhores que a média, vindos de grandes realizadores, mas que de alguma forma não conseguem passar aquela barreira do "muito bom" porque são demasiado perfeitos". É uma temática estranha e muito difícil de explicar. Mas existe. Alexander Payne, Wes Anderson e Baz Luhrmann são todos realizadores excelentes. São nomes a que estou sempre atento e dos quais espero sempre o melhor do melhor. O "pior" que conseguem fazer são estes filmes. Filmes tecnicamente perfeitos, com histórias tratadas de maneira original e com actores muito bem escolhidos e dirigidos. O que falha nestes filmes é pfunfzzz. Aquele kick. É difícil de explicar. É como se faltasse o elemento surpresa, aquela estalada cerebral que uma pessoa leva quando vê aquele filme. Uma pessoa sabe de antemão que vai ver um filme bom e é "apenas" isso: um filme bom. Estranhamente, o que não gosto nestes filmes é que parecem todos... demasiado perfeitos. (É estranho dizer, mas é verdade) Elevar muito a fasquia tem destas coisas. Nestes casos, não consigo deixar de fazer comparações. Election é melhor que About Schmidt? The Grand Budapest Hotel é melhor que The Life Aquatic with Steve Zissou? The Great Gatsby é melhor que Moulin Rouge?
Election
Matthew Broderick e Reese Witherspoon enfrentam-se numa eleição escolar e é o caos total. Uma comédia melhor que a média. Muitas observações cáusticas e bicadas ao sistema. Não sei se é por estar lá o Matthew Broderick ou por a história se passar numa escola, mas houve alturas em que parecia que estava a ver uma continuação do Ferris Bueller's Day Off... (E afirmo isto no bom sentido...) ●●●○○
The Grand Budapest Hotel
Uma história rocambolesca sobre o roubo de uma obra de arte num imaginário e luxuoso hotel, na imaginária República de Zubrowk. Um "lendário" porteiro chamado Gustave H (Ralph Fiennes) e o seu fiel amigo, o paquete Zero. A confusão habitual de Wes. O elenco é tão grande e tão recheado de nomes sonantes que precisaria de um dia só para os escrever... (podia fazer copy/paste mas isso perdia toda a piada). ●●●○○
The Great Gatsby
Mais uma adaptação da história do misterioso Jay Gatsby, o manipulador, calculista e eterno optimista que perde tudo no final, como qualquer bom optimista. Também conhecida como a "história que uma pessoa é obrigada a ler nas aulas inglês do secundário". Leonardo DiCaprio está muito fixe e parece que finalmente se conseguiu descolar do "menino bonito". ●●●○○
Election
Matthew Broderick e Reese Witherspoon enfrentam-se numa eleição escolar e é o caos total. Uma comédia melhor que a média. Muitas observações cáusticas e bicadas ao sistema. Não sei se é por estar lá o Matthew Broderick ou por a história se passar numa escola, mas houve alturas em que parecia que estava a ver uma continuação do Ferris Bueller's Day Off... (E afirmo isto no bom sentido...) ●●●○○
The Grand Budapest Hotel
Uma história rocambolesca sobre o roubo de uma obra de arte num imaginário e luxuoso hotel, na imaginária República de Zubrowk. Um "lendário" porteiro chamado Gustave H (Ralph Fiennes) e o seu fiel amigo, o paquete Zero. A confusão habitual de Wes. O elenco é tão grande e tão recheado de nomes sonantes que precisaria de um dia só para os escrever... (podia fazer copy/paste mas isso perdia toda a piada). ●●●○○
The Great Gatsby
Mais uma adaptação da história do misterioso Jay Gatsby, o manipulador, calculista e eterno optimista que perde tudo no final, como qualquer bom optimista. Também conhecida como a "história que uma pessoa é obrigada a ler nas aulas inglês do secundário". Leonardo DiCaprio está muito fixe e parece que finalmente se conseguiu descolar do "menino bonito". ●●●○○
Os filmes, como tudo nesta vida, influenciam e são influenciados pelo dia que um gajo acabou de ter...
Eis alguns exemplos de "filmes medianos" que, se estiver bem disposto, até gosto. Pelo contrário, se estiver num daqueles dias em que o mundo parece que se une para nos atirar ao tapete...
"Filmes medianos" são filmes relativamente bem feitos, bem escritos, com actores que se desenrascam bem, mas que no geral, - lá está - como tudo na vida, não têm o que é preciso para chegar ao topo. É um filme que não aborrece mas que também não fica para o história. Reveem-se bem passados uns anos.
Nesta segunda incursão, três filmes dentro da temática "porrada velha" que representam bem o que são filmes medianos.
Gosto muito do tipo de realização do Walter Hill e também gosto do Arnold Schwarzenegger e especialmente do James Belushi. Deve ter sido por causa disso que já vi Red Heat para aí uma meia dúzia de vezes. Como em todos os filmes de Hill, o casting é muito bom e por isso ainda há Ed O'Ross, Laurence Fishburne (quando ainda se chamava Larry Fishburne) e a Gina "Bound" Gershon.
Arnold faz de um polícia russo que vai para Chicago atrás dum traficante de droga. As diferenças abismais e as piadas entre ele e o típico americano Belushi até fazem esquecer que este é um filme vulgar de porrada. ●●○○○
Mais recentemente encontrei um filme de porrada muito jeitoso, chamado In Bruges, do totalmente - pelo menos para mim - desconhecido Martin McDonagh. Já o elenco não é nada desconhecido: Colin Farrell, Brendan Gleeson e Ralph Fiennes dão vida a uns mafiosos que se encontram em Bruges. Sim, Bruges, aquela famosíssima cidade belga que ninguém sabe muito bem onde fica. Depois de um golpe falhado em que um inocente morre, Farrell e Gleeson vão "relaxar" (e esconder-se) uns tempos para a Bélgica (!?). Onde, obviamente, tudo começa a correr mal, quando Farrell se envolve com uma actriz e o seu amigo anão. Mesmo com esta história maluca, surpreendentemente, In Bruges é um bom filme, com bons momentos de comédia e grandes momentos de acção e pancadaria. ●●●○○
Por último, uma raridade que merece ser vista, The Raid: Redemption. Vi por mera curiosidade e ia ficando "sem cabeça". Tudo neste filme é um enorme surpresa. O filme é indonésio mas o realizador é um... galês, chamado Gareth Evans! Vendo o filme ninguém diria. É simplesmente espectacular. Tem as melhores cenas de pancadaria que alguma vez vi. Acho que mais real que isto é impossível. Aliás, passei grande parte do filme a tentar perceber se aquilo era encenado ou se o pessoal do filme andava mesmo à pancada. Mas ninguém me tira a ideia que alguns daqueles duplos foram mesmo parar ao hospital com lesões graves. Não consigo entender como é que se filmam coisas assim. É a magia do cinema. Mas o filme não vale só pela porrada. Vale pela simplicidade de processos. É como diz o trailer: um "Ruthless Crime Lord, 20 Elite Cops, 30 Floors of Chaos". É a prova que Hollywood tem vindo a exagerar e que não é preciso gastar biliões de dólares para fazer um simples filme de acção e porrada, embrulhados em guiões hipercomplicados e cheios de clichés. Apenas com 1 milhão de dólares, Gareth Evans, consegui meter no bolso a grande maioria dos filmes de porrada americanos. Só por isso, merece uma grande salva de palmas. Obriga a repensar a forma como os filmes de acção têm sido levados demasiado a sério pela indústria mainstream. O elenco é-me totalmente desconhecido, repleto de nomes como Iko Uwais, Joe Taslim, Donny Alamsyah, Yayan Ruhian, mas isso não faz diferença nenhuma. Proporcionaram-me as melhores cenas de luta que alguma vez vi em cinema. ●●●○○
Eis alguns exemplos de "filmes medianos" que, se estiver bem disposto, até gosto. Pelo contrário, se estiver num daqueles dias em que o mundo parece que se une para nos atirar ao tapete...
"Filmes medianos" são filmes relativamente bem feitos, bem escritos, com actores que se desenrascam bem, mas que no geral, - lá está - como tudo na vida, não têm o que é preciso para chegar ao topo. É um filme que não aborrece mas que também não fica para o história. Reveem-se bem passados uns anos.
Nesta segunda incursão, três filmes dentro da temática "porrada velha" que representam bem o que são filmes medianos.
Gosto muito do tipo de realização do Walter Hill e também gosto do Arnold Schwarzenegger e especialmente do James Belushi. Deve ter sido por causa disso que já vi Red Heat para aí uma meia dúzia de vezes. Como em todos os filmes de Hill, o casting é muito bom e por isso ainda há Ed O'Ross, Laurence Fishburne (quando ainda se chamava Larry Fishburne) e a Gina "Bound" Gershon.
Arnold faz de um polícia russo que vai para Chicago atrás dum traficante de droga. As diferenças abismais e as piadas entre ele e o típico americano Belushi até fazem esquecer que este é um filme vulgar de porrada. ●●○○○
Mais recentemente encontrei um filme de porrada muito jeitoso, chamado In Bruges, do totalmente - pelo menos para mim - desconhecido Martin McDonagh. Já o elenco não é nada desconhecido: Colin Farrell, Brendan Gleeson e Ralph Fiennes dão vida a uns mafiosos que se encontram em Bruges. Sim, Bruges, aquela famosíssima cidade belga que ninguém sabe muito bem onde fica. Depois de um golpe falhado em que um inocente morre, Farrell e Gleeson vão "relaxar" (e esconder-se) uns tempos para a Bélgica (!?). Onde, obviamente, tudo começa a correr mal, quando Farrell se envolve com uma actriz e o seu amigo anão. Mesmo com esta história maluca, surpreendentemente, In Bruges é um bom filme, com bons momentos de comédia e grandes momentos de acção e pancadaria. ●●●○○
Por último, uma raridade que merece ser vista, The Raid: Redemption. Vi por mera curiosidade e ia ficando "sem cabeça". Tudo neste filme é um enorme surpresa. O filme é indonésio mas o realizador é um... galês, chamado Gareth Evans! Vendo o filme ninguém diria. É simplesmente espectacular. Tem as melhores cenas de pancadaria que alguma vez vi. Acho que mais real que isto é impossível. Aliás, passei grande parte do filme a tentar perceber se aquilo era encenado ou se o pessoal do filme andava mesmo à pancada. Mas ninguém me tira a ideia que alguns daqueles duplos foram mesmo parar ao hospital com lesões graves. Não consigo entender como é que se filmam coisas assim. É a magia do cinema. Mas o filme não vale só pela porrada. Vale pela simplicidade de processos. É como diz o trailer: um "Ruthless Crime Lord, 20 Elite Cops, 30 Floors of Chaos". É a prova que Hollywood tem vindo a exagerar e que não é preciso gastar biliões de dólares para fazer um simples filme de acção e porrada, embrulhados em guiões hipercomplicados e cheios de clichés. Apenas com 1 milhão de dólares, Gareth Evans, consegui meter no bolso a grande maioria dos filmes de porrada americanos. Só por isso, merece uma grande salva de palmas. Obriga a repensar a forma como os filmes de acção têm sido levados demasiado a sério pela indústria mainstream. O elenco é-me totalmente desconhecido, repleto de nomes como Iko Uwais, Joe Taslim, Donny Alamsyah, Yayan Ruhian, mas isso não faz diferença nenhuma. Proporcionaram-me as melhores cenas de luta que alguma vez vi em cinema. ●●●○○


