Se há filmes que me marcaram profundamente, este é certamente um deles. Umas semanas antes de ver o filme, estava eu a ler o livro "Wild at Heart - The Story of Sailor and Lula" do Barry Gifford. Depois do filme, cheguei à estranha conclusão de não perceber quem adaptou o quê: se o filme adaptou o livro, se o livro adaptou o filme. É que o livro varreu-se da mente. Já o filme ainda aqui está... É estranho, eu sei. Mas o David Lynch não é propriamente um gajo normal. Mexe com o cérebro de uma pessoa.
Em Wild at Heart, Lula e Sailor estão louca e perdidamente apaixonados. Parecem certos um para o outro mas há um entrave pelo meio: Marietta Fortune, a mãe psicótica de Lula que enlouquece um pouco mais sempre que imagina os dois juntos. Ela tem um breve momento de sossego quando Sailor, num acto tresloucado, à frente de toda a gente, esmaga a cabeça de um assassino contratado para o matar. (Que abertura de filme!...) Assim que sai da prisão, Sailor volta para os braços de Lula e acabam por fugir para a Califórnia... mas Marietta contrata um novo assassino para os perseguir. Indiferentes a tudo isto, os dois amantes seguem estrada fora... até que passam por acidente de automóvel e assistem à morte duma jovem. Aí percebem que algo vai correr muito mal com eles.
A viagem de Sailor e Lula é povoada pela criaturas e personagens mais maradas e estranhas que se possam imaginar. Saído da mente perturbada e negra de David Lynch é exactamente isso que se espera. Aquela belíssima negritude... Aquela "estranheza" estranhamente atraente... O seja, o mundo de David Lynch... Bobby Peru, por exemplo, é uma das personagens mais nojentas, odiosas e maradas que me lembro de ver num filme. É tão asqueroso e tão estranho que nunca mais me saiu da cabeça... Mas é por isso mesmo que se vê um filme do Lynch, não é verdade? Há por ali coisas que não se vê em mais lado nenhum.
Nicolas Cage é Sailor Ripley e Laura Dern é Lula, e juntos fazem um dos casais do cinema mais "fora" que me lembro. Acho que se pode dizer claramente que Cage tem aqui o seu melhor papel e melhor interpretação de toda a carreira... Como as personagens são todas muito boas, os actores têm muita margem de manobra para brilhar. Willem Dafoe como Bobby Peru é inesquecível. Mas há muito mais: J.E. Freeman, Isabella Rossellini, Harry Dean Stanton, Pruitt Taylor Vince, David Patrick Kelly, Jack Nance (o actor fetiche de Lynch) e as jovens Sheryl Lee e Sherilyn Fenn que se tornariam estrelas mundialmente conhecidas graças a... Twin Peaks. Nicolas Cage e Laura Dern são obviamente as figuras centrais da história, mas a Marietta Fortune interpretada pela excepcional Diane Ladd está no mesmo nível de loucura e intensidade dramática. Ainda por cima se pensarmos que Diane Ladd é na realidade a mãe de... Laura Dern. Tudo aqui são coisas estranhas...
Wild at Heart ainda é para mim o melhor filme de Lynch. O mais estranho, o mais violento e o mais fantástico e simbólico de todos. É aquele universo negro trágico e de alguma forma, cómico ao mesmo tempo. Tudo é simbólico, tudo é relativo e tudo pode significar outra coisa qualquer. Wild at Heart não é um filme fácil de ver. É graficamente violento e sexualmente explícito. Tem um banda sonora absolutamente espectacular, mas da pesada que não será de certeza do agrado da maior parte do público. É uma mistura psicotrópica entre a Alice no País das Maravilhas e o Feiticeiro de Oz. Wild at Heart é todas estas histórias estranhas para crianças como se elas fossem originalmente feitas para adultos.
Este foi o primeiro 'Lynch' que vi na minha vida e marcou-me para sempre e ainda por cima numa verdadeira sala de cinema, o que ainda magnificou mais o efeito. Aquelas músicas... As imagens... As chamas num fundo negro... O sangue... Desde esse momento - que se pode considerar como traumático -, nunca mais vi o filme. Mas na realidade, o "corte" mental foi tão profundo que ele nunca mais de cá saiu. Wild at Heart é mais que um filme. É uma experiência cinematográfica que dificilmente se esquece. Para mim, é uma referência. Um dos meus filmes preferidos de todos os tempos. ●●●●● + ●
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Para um público de cinema assumidamente passivo como é o de hoje em dia, Alice in Wonderland foi um sucesso. Parece-me que hoje, o que o público quer é não pensar muito e que simplesmente lhe atirem com coisas, cores e movimento para os olhos. Daí que Alice in Wonderland tenha sido um sucesso. E assim sendo, o box-office obriga a uma sequela. A grande vantagem é o próprio livro já ter uma sequela... E ela chegou na forma de Alice Through the Looking Glass, se bem que aqui a aproximação já não foi o livro de Lewis Caroll, mas antes uma mistura de vários elementos do primeiro e do segundo livro, de forma a fazer uma nova história com os personagens originais.
Apesar das muitas parecenças, Tim Burton já não mora aqui. A realização esteve a cargo de James Bobin, mas com Tim Burton no papel de produtor, visão distorcida, colorida e negra ao mesmo tempo e às vezes até mórbida continua lá.
Alguns actores repetem a estadia em Wonderland (Johnny Depp, Mia Wasikowska, Helena Bonham Carter, Anne Hathaway e Sacha Baron Cohen, Andrew Scott) enquanto outros se estreiam. Mas lógica permanece a mesma do primeiro filme. São irrelevantes quando comparados com a imensidão de efeitos especiais que inundam o filme até à exaustão, não deixando grande espaço para a representação. Destaque para um gajo que sempre gostei, Alan Rickman que teve aqui a sua última participação. Rickman sempre me fascinou porque tinha aquele look de cavalheiro brit mas por outro lado parecia ter um lado muito negro.
Alice Through the Looking Glass sofre do mesmo mal do primeiro filme, com a agravante de parecer uma cópia, mais do que parecer uma sequela. Mal acaba de se ver, uma pessoa fica na dúvida se já não viu aquilo antes... É toda uma nova definição para o termo "esquecível"... Mais um tiro em CGI nos pés e mais uma enorme decepção. ●○○○○
Apesar das muitas parecenças, Tim Burton já não mora aqui. A realização esteve a cargo de James Bobin, mas com Tim Burton no papel de produtor, visão distorcida, colorida e negra ao mesmo tempo e às vezes até mórbida continua lá.
Alguns actores repetem a estadia em Wonderland (Johnny Depp, Mia Wasikowska, Helena Bonham Carter, Anne Hathaway e Sacha Baron Cohen, Andrew Scott) enquanto outros se estreiam. Mas lógica permanece a mesma do primeiro filme. São irrelevantes quando comparados com a imensidão de efeitos especiais que inundam o filme até à exaustão, não deixando grande espaço para a representação. Destaque para um gajo que sempre gostei, Alan Rickman que teve aqui a sua última participação. Rickman sempre me fascinou porque tinha aquele look de cavalheiro brit mas por outro lado parecia ter um lado muito negro.
Alice Through the Looking Glass sofre do mesmo mal do primeiro filme, com a agravante de parecer uma cópia, mais do que parecer uma sequela. Mal acaba de se ver, uma pessoa fica na dúvida se já não viu aquilo antes... É toda uma nova definição para o termo "esquecível"... Mais um tiro em CGI nos pés e mais uma enorme decepção. ●○○○○
Se em tempos fui um grande entusiasta dos efeitos especiais, hoje em dia, sou um dos grandes críticos. Continuo a gostar dos efeitos, mas acho que hoje eles dominam tudo. E tudo o que é demais é erro. Um dos bons exemplos disso é Alice in Wonderland de Tim Burton. Juntar o intemporal, lunático e fantástico conto de Lewis Carroll com a visão de Tim Burton deveria ter sido o casamento mais feliz do cinema, até porque o filme "marcou" os 145 anos do lançamento original do livro. Deveria ter sido uma homenagem impecável. Mas isso não aconteceu. É estranho, mas algo falhou redondamente aqui. Sou um grande fã do Burton mas ele espalhou-se ao totalmente ao comprido. Mas qual é a razão? Apesar dos actores estarem todos bem nos seus papéis (Johnny Depp, Mia Wasikowska, Helena Bonham Carter, Anne Hathaway e Alan Rickman, entre muitos outros), tornam-se quase irrelevantes e planos como se fosse de cartão. Um cartão digital, claro está... O guião está muito bem construído e encaixa perfeitamente a narrativa desta "nova" Wonderland sobre o efeito de psicotrópicos. A melhor coisa do filme é mesmo a forma como foi escrito, tendo por base uma "verdadeira história" em torno das deambulações de Alice, ao invés de ser "apenas" uma miúda a ter uma série de encontros fortuitos com personagens tresloucadas.
A falha, por isso, só pode ser atribuída aos (excessos dos) efeitos especiais. Tim Burton deixou-se levar pelas infinitas possibilidades da técnica. Para um realizador com aquela visão deve ter sido muito difícil contrariar as possibilidades. Agora é possível transpor para um ecrã toda e qualquer ideia, por mais maluca, fantástica ou esquisita que seja. Simplesmente não há limites para o CGI. O reverso da medalha é que deixa o espectador sem margem para imaginar. O espectador torna-se um elemento passivo que está só ali a assistir aos devaneios mentais do realizador e da equipa de efeitos especiais. Não deixa espaço nenhum para a imaginação. Alice in Wonderland torna-se por isso numa obra passiva em que uma pessoa se perde neste Wonderland digital cheios de fogos de artifício. É um filme sem alma orgânica e que retira todo o fascínio e o sentimento de mistério, espanto e maravilha. Fica apenas a visão colorida e bizarra típica do Tim Burton vintage, que por natureza também já vem dos livros, e uma sensação de amargo na boca por não ter nada de memorável. Um tiro de pólvora seca... ●○○○○
A falha, por isso, só pode ser atribuída aos (excessos dos) efeitos especiais. Tim Burton deixou-se levar pelas infinitas possibilidades da técnica. Para um realizador com aquela visão deve ter sido muito difícil contrariar as possibilidades. Agora é possível transpor para um ecrã toda e qualquer ideia, por mais maluca, fantástica ou esquisita que seja. Simplesmente não há limites para o CGI. O reverso da medalha é que deixa o espectador sem margem para imaginar. O espectador torna-se um elemento passivo que está só ali a assistir aos devaneios mentais do realizador e da equipa de efeitos especiais. Não deixa espaço nenhum para a imaginação. Alice in Wonderland torna-se por isso numa obra passiva em que uma pessoa se perde neste Wonderland digital cheios de fogos de artifício. É um filme sem alma orgânica e que retira todo o fascínio e o sentimento de mistério, espanto e maravilha. Fica apenas a visão colorida e bizarra típica do Tim Burton vintage, que por natureza também já vem dos livros, e uma sensação de amargo na boca por não ter nada de memorável. Um tiro de pólvora seca... ●○○○○
Depois da vergonha que foi Highlander II: The Quickening, os estúdios quiseram fazer as pazes com o crescente número de fãs da história imortal de Connor MacLeod, e para isso lançaram Highlander III: The Sorcerer, que basicamente ignora (e bem) o filme anterior. Foi um bocado como dar a mão à palmatória. O problema é que o filme continua a ser mau. Melhor que a porcaria do 2, mas mesmo assim é irrelevante. Uma típica sequela.
A história regressa ao filme original, na parte em que ele perde a primeira mulher. Depois disso ele vagueia pelo planeta até chegar ao Japão dos samurais e aí conhece um feiticeiro que também é imortal. Mas um inimigo novo aparece e mata o velho mestre. O mauzão fica aprisionado numa cave e séculos depois, na actualidade, consegue fugir para finalmente se vingar de MacLeod... O resto já se me varreu da mente. É mais ou menos isto. É ridículo... É tentar inventar uma nova história quando a história original já estava fechada.
Não sendo um insulto à inteligência dos espectadores como foi o segundo filme, esta nova sequela... é uma sequela. Já tem mais algum nexo em termos de narrativa, mas também era totalmente desnecessária.
Christopher Lambert regressa e está um bocadinho melhor na pele da personagem. Mario Van Peebles é o vilão de serviço e apesar de ser um actor caído no esquecimento, na altura era muito requisitado, vá-se lá perceber porquê. Ainda há Deborah Kara Unger, uma actriz que sempre gostei mas que por qualquer motivo nunca colou no mainstream. E por fim há Mako, um "senhor" com milhentos filmes no currículo mas que também nunca passou de secundário.
Highlander III: The Sorcerer não foi o final da saga. Ainda deu mais uns dois filmes (que nunca vi) e uma série de TV bastante popular com outro actor (Adrian Paul). No máximo poderiam ter expandido este "universo" na série, mas de um ponto de visto lógico, esta história deveria ter ficado pelo primeiro filme. ●○○○○
PS: É favor não estranhar a diferença do título original em relação ao poster promocional, porque para além do título Highlander III: The Sorcerer, o filme também é foi distribuído com o nome de Highlander III: The Magician, Highlander III: The Final Dimension e Highlander III: The Final Conflict. É só para se ter uma noção de como a confusão estava instalada nestas sequelas...
A história regressa ao filme original, na parte em que ele perde a primeira mulher. Depois disso ele vagueia pelo planeta até chegar ao Japão dos samurais e aí conhece um feiticeiro que também é imortal. Mas um inimigo novo aparece e mata o velho mestre. O mauzão fica aprisionado numa cave e séculos depois, na actualidade, consegue fugir para finalmente se vingar de MacLeod... O resto já se me varreu da mente. É mais ou menos isto. É ridículo... É tentar inventar uma nova história quando a história original já estava fechada.
Não sendo um insulto à inteligência dos espectadores como foi o segundo filme, esta nova sequela... é uma sequela. Já tem mais algum nexo em termos de narrativa, mas também era totalmente desnecessária.
Christopher Lambert regressa e está um bocadinho melhor na pele da personagem. Mario Van Peebles é o vilão de serviço e apesar de ser um actor caído no esquecimento, na altura era muito requisitado, vá-se lá perceber porquê. Ainda há Deborah Kara Unger, uma actriz que sempre gostei mas que por qualquer motivo nunca colou no mainstream. E por fim há Mako, um "senhor" com milhentos filmes no currículo mas que também nunca passou de secundário.
Highlander III: The Sorcerer não foi o final da saga. Ainda deu mais uns dois filmes (que nunca vi) e uma série de TV bastante popular com outro actor (Adrian Paul). No máximo poderiam ter expandido este "universo" na série, mas de um ponto de visto lógico, esta história deveria ter ficado pelo primeiro filme. ●○○○○
PS: É favor não estranhar a diferença do título original em relação ao poster promocional, porque para além do título Highlander III: The Sorcerer, o filme também é foi distribuído com o nome de Highlander III: The Magician, Highlander III: The Final Dimension e Highlander III: The Final Conflict. É só para se ter uma noção de como a confusão estava instalada nestas sequelas...
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Highlander II: The Quickening... O que dizer desta "coisa"? Não é fácil... Depois de 6 anos de interregno, alguém se apercebeu que um filmito sem grande sucesso comercial, lentamente começava a ganhar fãs. E então, porque não fazer um sequela, e dar ao público o que ele quer? Pois então, tomem lá Highlander II: The Quickening. Esta sequela basicamente rasga toda a história do primeiro filme e atira-a para o lixo. Afinal o imortal já não é imortal. Afinal os imortais são extraterrestres e afinal aquela coisa do "haver só um no final" nunca existiu. E quanto à história? Ora deixa-me cá inventar uma coisa estúpida... Por exemplo. Vamos para o ano 2024 e vamos pegar numa coisa da moda, o desaparecimento da camada de ozono. Não sei se alguém ainda se lembra, mas na década de 90, um dos grandes temas da humanidade era o planeta ficar sem a camada de ozono... Comparativamente ao que se passa hoje em dia, é caso para dizer: bons velhos tempos, não?...
A seguir vamos pôr o Connor MacLeod como o engenheiro responsável pela criação de um escudo que protege a Terra. E o MacLeod vai lutar com quem? Já que ele era o último dos imortais, como se viu no último filme... Humm... deixa lá ver... Já sei. Afinal há mais imortais mas estão noutro planeta. Boa Ideia! Bem... Já nem sequer consigo gozar com isto. É tão ridículo e tão mal feito que nem tem graça. Podia chegar ao ponto de ser tão mau que acaba por ser bom, mas acho que até vai para além disso. É simplesmente ridículo. Lembro-me de o ter visto na altura e ter ficado com a sensação de ser roubado. Isto não tem nada a ver com o Highlander. É simplesmente um fraude de bilheteira.
Regressa uma parte do elenco original (Christopher Lambert e Sean Connery), mas de forma claramente chateada e a olhar para a conta bancária com mais atenção do que para o próprio filme. Estrearam-se Virginia Madsen, Michael Ironside e John C. McGinley, mas mais valia terem ficado em casa a ver o primeiro filme. Não há nada que se aproveite aqui. Não sei o que aconteceu com Russell Mulcahy, mas deve ter sido muito grave...
Highlander II: The Quickening é o exemplo mais marcante de tudo o que uma sequela não deve ser. É uma nulidade completa e um desrespeito à originalidade dos filmes. Um rotundo zero. ○○○○○
A seguir vamos pôr o Connor MacLeod como o engenheiro responsável pela criação de um escudo que protege a Terra. E o MacLeod vai lutar com quem? Já que ele era o último dos imortais, como se viu no último filme... Humm... deixa lá ver... Já sei. Afinal há mais imortais mas estão noutro planeta. Boa Ideia! Bem... Já nem sequer consigo gozar com isto. É tão ridículo e tão mal feito que nem tem graça. Podia chegar ao ponto de ser tão mau que acaba por ser bom, mas acho que até vai para além disso. É simplesmente ridículo. Lembro-me de o ter visto na altura e ter ficado com a sensação de ser roubado. Isto não tem nada a ver com o Highlander. É simplesmente um fraude de bilheteira.
Regressa uma parte do elenco original (Christopher Lambert e Sean Connery), mas de forma claramente chateada e a olhar para a conta bancária com mais atenção do que para o próprio filme. Estrearam-se Virginia Madsen, Michael Ironside e John C. McGinley, mas mais valia terem ficado em casa a ver o primeiro filme. Não há nada que se aproveite aqui. Não sei o que aconteceu com Russell Mulcahy, mas deve ter sido muito grave...
Highlander II: The Quickening é o exemplo mais marcante de tudo o que uma sequela não deve ser. É uma nulidade completa e um desrespeito à originalidade dos filmes. Um rotundo zero. ○○○○○
Connor MacLeod é um escocês imortal que terá inevitavelmente que confrontar o seu inimigo, também imortal, numa luta final pelo "Prémio". E a única forma de derrotar um imortal é cortar-lhe literalmente a cabeça com uma espada... Acho que toda a gente com mais de 30 anos já viu o Highlander ou pelo menos já ouviu falar do filme. Highlander é um filme que gosto bastante. E não é só pela questão do saudosismo. Acho realmente que o filme é bom. Tem uma história excelente, original, bons actores e no geral é um bom filme de entretenimento, que passados tantos anos, para um filme de acção e efeitos especiais, ainda se aguenta bastante bem e está actual. Talvez o melhor filme de Russell Mulcahy. Claro que não tem os fantasiosos e gigantescos efeitos de CGI dos filmes do momento, mas mesmo assim, aguenta-se bem.
Já não o vejo há alguns anos, mas mesmo assim continua cá bem "gravado". Por um lado, o "arquivo mental" foi por causa da história. A imortalidade! O derradeiro Santo Graal da Humanidade. Imortais, um prémio final, decapitações e uma história cheia de flashbacks ao longo de centenas de anos, tudo muito bem misturado e com muito nexo. Russell Mulcahy fez quase um videoclip gigant , muito bem ritmado, com excelentes imagens e muito bem misturadas com uma banda sonora portentosa. Depois, foi por causa dos efeitos. Na altura, foram um fenómeno. Eram outros tempos. Já vi um documentário sobre os efeitos especiais do filme e faziam-se coisas que seriam impensáveis hoje em dia. Algumas das cenas de espadas em que saltam raios... são mesmo raios! Os técnicos ligavam as espadas a baterias e quando estas se tocavam faziam arcos eléctricos. É inacreditável. A gigantesca explosão de vidros no beco, é mesmo uma explosão de vidros... Não haviam computadores nem efeitos digitais mas se as coisas tinham de acontecer... tinham de acontecer.
Como sempre, para além da história, é preciso que os filmes tenham actores em condições. Logo à partida, Sean Connery. É preciso dizer mais? Um lenda viva. Pode parecer estranho ver o Sean Connery de kilt em vez de smoking, mas de alguma forma estranha, acaba por estar perfeito. Mas o papel principal é de facto de Christopher Lambert, que contariamente ao que pensava, não é um actor americano, mas sim essencialmente francês. Descobri que apesar de ter nascido na América, emigrou para a Suiça muito novo e falava francês... Na realidade, aquele sotaque estranho que tem no filme, deriva precisamente do facto de andar a aprender a falar inglês. Isto é uma vantagem para as versões dobradas, porque na versão francesa é o Christopher Lambert a dobrar-se a ele próprio... Estranho, não é? Mas ainda há, entre outros, James Cosmo, Jon Polito, Alan North, Roxanne Hart e Beatie Edney, mais uns eternos secundários. Mas não podia deixar de desatacar Clancy Brown, "o" Kurgan. Na altura, esta personagem metia-me verdadeiramente medo. O gajo, para além de parecer gigantesco, era assustador. É um dos melhores maus da fita de sempre com grandes deixas.
E para finalizar, os Queen. Uma banda sonora inteira dos Queen eleva qualquer filme e não é um qualquer filme que tem uma banda sonora especificamente criada pelos Queen. E não foram quaisquer musicazinhas... foram hits internacionais como Princes Of The Universe, Hammer To Fall, A Kind Of Magic e Who Wants To Live Forever, uma das minhas cenas favoritas de todo o filme e uma das melhores músicas de sempre dos Queen.
Apesar de tudo, Highlander não foi nenhum sucesso imediato de bilheteira. Ao longo dos tempos foi ganhando fãs até chegar ao ponto de hoje em dia, ser praticamente um filme de culto. Não é um fenómeno isolado. Acontece muitas vezes. Como tal, era suposto que Highlander ficasse por aqui. Na realidade, não foi isso que aconteceu. Uns anos depois surgiu uma sequela, que apesar de ridícula teve mais sucesso na bilheteira que este filme. Vá-se lá perceber o gosto do público. Aainda teve mais outro filme e mais umas séries na TV. Gerou todo um novo universo de imortais e histórias de continuidade. Pensando bem, isto não faz sentido nenhum porque em teoria tudo acabou quando o Connor MacLeod matou o último imortal e recebeu o tão almejado "Prémio". O que se passou a seguir na mitologia Highlander só confirma toda a lógica deste filme: só final só poderá haver apenas um... Certíssimo. ●●●●○
Já não o vejo há alguns anos, mas mesmo assim continua cá bem "gravado". Por um lado, o "arquivo mental" foi por causa da história. A imortalidade! O derradeiro Santo Graal da Humanidade. Imortais, um prémio final, decapitações e uma história cheia de flashbacks ao longo de centenas de anos, tudo muito bem misturado e com muito nexo. Russell Mulcahy fez quase um videoclip gigant , muito bem ritmado, com excelentes imagens e muito bem misturadas com uma banda sonora portentosa. Depois, foi por causa dos efeitos. Na altura, foram um fenómeno. Eram outros tempos. Já vi um documentário sobre os efeitos especiais do filme e faziam-se coisas que seriam impensáveis hoje em dia. Algumas das cenas de espadas em que saltam raios... são mesmo raios! Os técnicos ligavam as espadas a baterias e quando estas se tocavam faziam arcos eléctricos. É inacreditável. A gigantesca explosão de vidros no beco, é mesmo uma explosão de vidros... Não haviam computadores nem efeitos digitais mas se as coisas tinham de acontecer... tinham de acontecer.
Como sempre, para além da história, é preciso que os filmes tenham actores em condições. Logo à partida, Sean Connery. É preciso dizer mais? Um lenda viva. Pode parecer estranho ver o Sean Connery de kilt em vez de smoking, mas de alguma forma estranha, acaba por estar perfeito. Mas o papel principal é de facto de Christopher Lambert, que contariamente ao que pensava, não é um actor americano, mas sim essencialmente francês. Descobri que apesar de ter nascido na América, emigrou para a Suiça muito novo e falava francês... Na realidade, aquele sotaque estranho que tem no filme, deriva precisamente do facto de andar a aprender a falar inglês. Isto é uma vantagem para as versões dobradas, porque na versão francesa é o Christopher Lambert a dobrar-se a ele próprio... Estranho, não é? Mas ainda há, entre outros, James Cosmo, Jon Polito, Alan North, Roxanne Hart e Beatie Edney, mais uns eternos secundários. Mas não podia deixar de desatacar Clancy Brown, "o" Kurgan. Na altura, esta personagem metia-me verdadeiramente medo. O gajo, para além de parecer gigantesco, era assustador. É um dos melhores maus da fita de sempre com grandes deixas.
E para finalizar, os Queen. Uma banda sonora inteira dos Queen eleva qualquer filme e não é um qualquer filme que tem uma banda sonora especificamente criada pelos Queen. E não foram quaisquer musicazinhas... foram hits internacionais como Princes Of The Universe, Hammer To Fall, A Kind Of Magic e Who Wants To Live Forever, uma das minhas cenas favoritas de todo o filme e uma das melhores músicas de sempre dos Queen.
Apesar de tudo, Highlander não foi nenhum sucesso imediato de bilheteira. Ao longo dos tempos foi ganhando fãs até chegar ao ponto de hoje em dia, ser praticamente um filme de culto. Não é um fenómeno isolado. Acontece muitas vezes. Como tal, era suposto que Highlander ficasse por aqui. Na realidade, não foi isso que aconteceu. Uns anos depois surgiu uma sequela, que apesar de ridícula teve mais sucesso na bilheteira que este filme. Vá-se lá perceber o gosto do público. Aainda teve mais outro filme e mais umas séries na TV. Gerou todo um novo universo de imortais e histórias de continuidade. Pensando bem, isto não faz sentido nenhum porque em teoria tudo acabou quando o Connor MacLeod matou o último imortal e recebeu o tão almejado "Prémio". O que se passou a seguir na mitologia Highlander só confirma toda a lógica deste filme: só final só poderá haver apenas um... Certíssimo. ●●●●○
Eddie Murphy interpreta um detective com uma capacidade fora do normal para encontrar crianças desaparecidas. Um dia é contactado para tentar encontrar uma criança muito especial. O destino do mundo depende da salvação da criança ou não. E só ele a pode encontrar, porque é "O Escolhido"...
Acho que tive uma sorte do caraças em começar a ver filmes nos anos 80. O público que via cinema era mais jovem do que nunca e como tal, queria ver coisas novas. Isto levou a que os estúdios apostassem cada vez mais em ideias completamente diferentes, e às vezes totalmente disparatadas. The Golden Child é um destes casos em que uma mistura exótica de temas, dá em algo completamente diferente.
Temos aqui um detective do género Beverly Hills Cop, misturado com misticismo budista, cenários de aventura no Tibete tipo Indiana Jones, demónios alados milenares vindos do Inferno, e uma criança com poder suficiente para salvar ou destruir o planeta. Resumindo, The Golden Child é um filme que se pode considerar como sendo de detectives, acção, aventura, comédia, fantasia, mistério e terror?!? Não se sabe muito bem. Mas eu gostei na altura (e ainda gosto...) e apesar de ser uma fantochada antigola é um dos filmes que nunca me saiu da memória. Acho que é mesmo pela junção estranha de elementos tão díspares.
Pelo que li, o filme supostamente era para ser mais sério e com outro casting totalmente diferente, mas a inclusão de Eddie Murphy, pelos vistos mudou radicalmente o guião para uma coisa mais... à Eddie Murphy. Daí que muita crítica classifique The Golden Child como o Beverly Hills Cop no Tibete. Tem lógica... até porque parece mesmo. O Eddie Murphy estava no auge e aquele riso era mundialmente reconhecido... Apesar de Murphy ser obviamente o grande nome no cartaz, o actor que mais me surpreendeu na altura foi o Charles Dance. Acho que foi a primeira vez que o vi num filme, mas no entanto ficou-me marcado. O homem tem um estilo único. É uma mistura estranha de um cavalheiro inglês com um psicopata muito avariado da cabeça. Consegue fazer uns olhares que transmitem algo de muito errado e maligno. É um gajo fantástico. Ao longo dos tempos, fui acompanhando alguns dos filmes em que entrou para ver se dava um grande salto, o que nunca aconteceu. Só mais recentemente, no Game of Thrones é que acho que chegou ao grande público. Mais vale arde que nunca, mas é um pena, porque sempre gostei muito do Charles Dance. Dois grandes polegares para cima para o Charles.
O resto do casting é um pouco a descair para o fracote com Charlotte Lewis e Victor Wong, Randall 'Tex' Cobb, James Hong que para além deste filme também entraram no Big Trouble in Little China, que curiosamente estreou na mesma altura.
The Golden Child (de Michael Ritchie) é um dos filmes que gosto de recordar e rever. É cómico e é ridículo na aproximação à história, que apesar de tudo acaba por ser original. Mas isso é que faz o filme ser divertido e um bom entretenimento. Um entretenimento estranho, místico, levezinho e inocente. Já me está a dar vontade de rever... O que se pode pedir mais? ●●●○○
Acho que tive uma sorte do caraças em começar a ver filmes nos anos 80. O público que via cinema era mais jovem do que nunca e como tal, queria ver coisas novas. Isto levou a que os estúdios apostassem cada vez mais em ideias completamente diferentes, e às vezes totalmente disparatadas. The Golden Child é um destes casos em que uma mistura exótica de temas, dá em algo completamente diferente.
Temos aqui um detective do género Beverly Hills Cop, misturado com misticismo budista, cenários de aventura no Tibete tipo Indiana Jones, demónios alados milenares vindos do Inferno, e uma criança com poder suficiente para salvar ou destruir o planeta. Resumindo, The Golden Child é um filme que se pode considerar como sendo de detectives, acção, aventura, comédia, fantasia, mistério e terror?!? Não se sabe muito bem. Mas eu gostei na altura (e ainda gosto...) e apesar de ser uma fantochada antigola é um dos filmes que nunca me saiu da memória. Acho que é mesmo pela junção estranha de elementos tão díspares.
Pelo que li, o filme supostamente era para ser mais sério e com outro casting totalmente diferente, mas a inclusão de Eddie Murphy, pelos vistos mudou radicalmente o guião para uma coisa mais... à Eddie Murphy. Daí que muita crítica classifique The Golden Child como o Beverly Hills Cop no Tibete. Tem lógica... até porque parece mesmo. O Eddie Murphy estava no auge e aquele riso era mundialmente reconhecido... Apesar de Murphy ser obviamente o grande nome no cartaz, o actor que mais me surpreendeu na altura foi o Charles Dance. Acho que foi a primeira vez que o vi num filme, mas no entanto ficou-me marcado. O homem tem um estilo único. É uma mistura estranha de um cavalheiro inglês com um psicopata muito avariado da cabeça. Consegue fazer uns olhares que transmitem algo de muito errado e maligno. É um gajo fantástico. Ao longo dos tempos, fui acompanhando alguns dos filmes em que entrou para ver se dava um grande salto, o que nunca aconteceu. Só mais recentemente, no Game of Thrones é que acho que chegou ao grande público. Mais vale arde que nunca, mas é um pena, porque sempre gostei muito do Charles Dance. Dois grandes polegares para cima para o Charles.
O resto do casting é um pouco a descair para o fracote com Charlotte Lewis e Victor Wong, Randall 'Tex' Cobb, James Hong que para além deste filme também entraram no Big Trouble in Little China, que curiosamente estreou na mesma altura.
The Golden Child (de Michael Ritchie) é um dos filmes que gosto de recordar e rever. É cómico e é ridículo na aproximação à história, que apesar de tudo acaba por ser original. Mas isso é que faz o filme ser divertido e um bom entretenimento. Um entretenimento estranho, místico, levezinho e inocente. Já me está a dar vontade de rever... O que se pode pedir mais? ●●●○○
Sarah (Jennifer Connelly em versão teenager) tem de tomar conta do irmão mais novo (Toby Froud) porque o pai (Christopher Malcolm) e a madrasta (Shelley Thompson) não vão estar em casa. Contrariada com aquela situação, Sarah implora para que o miúdo pare de chorar e seja levado pelo Rei dos Goblins (David Bowie). O problema é que as suas palavras são ouvidas e o miúdo é mesmo raptado e levado para o castelo do Rei dos Goblins no meio de um labirinto... e agora ela só tem 13 horas para o tentar trazer de volta à realidade...
A década de 80 produziu coisas estranhas. Labyrinth é um filme de aventura e fantasia, mas também é um musical. É um sítio onde nada é o que parece e tudo pode acontecer. Numa altura em que os Marretas eram as grandes estrelas do momento, Jim Henson podia fazer tudo o que lhe apetecesse. Era uma das grandes mentes criadoras da altura. E tinha carta branca para fazer o que quisesse. Mas mesmo tendo nomes de peso como Jim Henson na realização, um guião do Terry Jones e George Lucas na produção, Labyrinth nunca se tornou numa verdadeiramente numa referência. É um filme de culto e de certa forma até já é um clássico. Mas é um filme desequilibrado. Sofre do mesmo problema que outros filmes da época: é um filme que é demasiado adulto para miúdos e demasiado infantil para adultos. Acho que foi um problema geracional. O público mudou muito rapidamente e os filmes demoraram um pouco a adaptar-se aos novos gostos.
Por exemplo, se por um lado, um set complexo baseado numa obra de M.C. Escher onde se pode andar de todos lados ao mesmo tempo, desafiando impossivelmente a gravidade é um cenário de fantasia intemporal, por outro lado temos cenas absolutamente terroríficas como por exemplo aquele em que Connelly cai num poço cheio de mãos negras que a tentam agarrar. É aterrador. Eu tive pesadelos com essa cena durante muito tempo. A intenção não era essa, mas a visão não deixa de ser absolutamente assustadora.
Como a maior parte do destaque das personagens vão para as criações fantásticas à lá Jim Henson, os actores acabam por passar um pouco ao lado do filme. Não posso deixar passar a oportunidade de mencionar a Jennifer Connelly, que durante muitos anos foi a mulher mais bela que já tinha visto (acho que tive uma paixoneta platónica ou semelhante...) e o David Bowie, um dos meus músicos favoritos e um gajo que sempre ficou bem na foto, ou neste caso no filme. Uma lenda.
Labyrinth, obviamente, tem alguns problemas, mas não deixa de ser uma pequena marca no mundo do cinema pela diferença e pela forma como marcou uma época. Apesar de não ser uma das minhas escolhas do género, é um pequeno clássico que merece uma visualização atenta. Nem que seja para relembrar outros tempos... ●●●○○
A década de 80 produziu coisas estranhas. Labyrinth é um filme de aventura e fantasia, mas também é um musical. É um sítio onde nada é o que parece e tudo pode acontecer. Numa altura em que os Marretas eram as grandes estrelas do momento, Jim Henson podia fazer tudo o que lhe apetecesse. Era uma das grandes mentes criadoras da altura. E tinha carta branca para fazer o que quisesse. Mas mesmo tendo nomes de peso como Jim Henson na realização, um guião do Terry Jones e George Lucas na produção, Labyrinth nunca se tornou numa verdadeiramente numa referência. É um filme de culto e de certa forma até já é um clássico. Mas é um filme desequilibrado. Sofre do mesmo problema que outros filmes da época: é um filme que é demasiado adulto para miúdos e demasiado infantil para adultos. Acho que foi um problema geracional. O público mudou muito rapidamente e os filmes demoraram um pouco a adaptar-se aos novos gostos.
Por exemplo, se por um lado, um set complexo baseado numa obra de M.C. Escher onde se pode andar de todos lados ao mesmo tempo, desafiando impossivelmente a gravidade é um cenário de fantasia intemporal, por outro lado temos cenas absolutamente terroríficas como por exemplo aquele em que Connelly cai num poço cheio de mãos negras que a tentam agarrar. É aterrador. Eu tive pesadelos com essa cena durante muito tempo. A intenção não era essa, mas a visão não deixa de ser absolutamente assustadora.
Como a maior parte do destaque das personagens vão para as criações fantásticas à lá Jim Henson, os actores acabam por passar um pouco ao lado do filme. Não posso deixar passar a oportunidade de mencionar a Jennifer Connelly, que durante muitos anos foi a mulher mais bela que já tinha visto (acho que tive uma paixoneta platónica ou semelhante...) e o David Bowie, um dos meus músicos favoritos e um gajo que sempre ficou bem na foto, ou neste caso no filme. Uma lenda.
Labyrinth, obviamente, tem alguns problemas, mas não deixa de ser uma pequena marca no mundo do cinema pela diferença e pela forma como marcou uma época. Apesar de não ser uma das minhas escolhas do género, é um pequeno clássico que merece uma visualização atenta. Nem que seja para relembrar outros tempos... ●●●○○
Para comentar decentemente um filme como Edward Scissorhands, eu deveria ter aqui a tocar a música do Danny Elfman. Como não é o caso, a única coisa que posso dizer é que gosto mesmo muito este filme. Gosto de tudo sem excepção. Gosto do estilo, da história, da música, da inocência, do drama, da fantasia... de tudo. Não tenho uma única coisa a apontar a Edward Scissorhands. É uma moderna alegoria perfeita. É a magia do cinema e das histórias na sua forma mais simples, mas que no entanto toca nos pensamentos filosóficos mais profundos da mente humana. Tem metáforas potentes. Basta pensar que Edward, para além do look infantil com o cabelo do Robert Smith, é para todos os efeitos um ser imortal. Incompleto, mas imortal. Na realidade, para além dos cenários bonitos da suburbia americana, Edward Scissorhands é uma visão sobre a sociedade actual, a partir do ponto de vista de um ser imortal e solitário que quer misturar-se e ser uma personagem normal como todos nós. Poderia estar aqui um dia inteiro a aprofundar os grandes significados e pensamentos que me ocorrem sempre que me lembro deste filme, mas não me apetece. Para isso é que inventaram a internet. Há milhões de sites que misturam as ilações da história de Edward Scissorhands com os grandes temas filosóficos. Para mim, é mais um filme "inocente" que um filme filosófico, apesar de lhe reconhecer a mesma qualidade. Tem uma qualidade inerente, tão infantil, que me enche o coração e me deixa melancólico. É um filme que mostra as qualidades e defeitos da sociedade humana, visto por uma personagem muito especial (nitidamente é a visão do Tim Burton sobre o mundo), mas que tem uma esperança final que tudo acabe bem. É um foco de luz na escuridão. É a viagem de uma alma humana pelos ruas da sociedade. Bem, acho que estou a divagar novamente...
A grande fatia do sucesso de Edward Scissorhands tem de ser atribuída ao Tim Burton. Não só pela realização que busca inspiração nos grandes filmes clássicos iniciais do terror e suspense, mas também na estética e, lá está, na inocência original desses filmes. Se calhar o termo inocência nem é o melhor termo, o melhor seria ingenuidade... ou ainda melhor, pureza. Pureza não está ligado directamente a conceitos como bom ou mau, é mais um conceito tipo Frankenstein quando ele atira a miúda para o lago. Há danos, claro que há danos, mas não são fruto da maldade. Os filmes iniciais de Tim Burton, e este em particular, tem muita dessa qualidade. Burton já tinha consolidado uma carreira e uma filmografia "diferente" com Beetlejuice e Batman, mas com este filme estranho de um jovem imortal mas incompleto, com tesouras em vez de mãos, ele conseguiu criar um novo tipo de cinema e estilo: o filme "Tim Burton".
Não consigo ver mais ninguém no papel de Edward Scissorhands para além de Johnny Depp. É mais um daqueles casos em que um actor nasceu para um papel. Winona Ryder no pico das performances, Dianne Wiest na perfeição e tantos outros como O-Lan Jones, Alan Arkin, Anthony Michael Hall ou Kathy Baker, todos impecáveis. Obviamente, tenho que fazer um destaque muito especial para o Vincent Price que é uma das peças chave do filme, mesmo que só apareça por breves instantes. Logo à partida por ser uma lenda do cinema. E não só, porque aquela voz fantasticamente gutural do Thriller do Maichel Jackson é dele. É um actor com mais de 200 filmes no currículo e que faz parte do meu imaginário através dos filmes de terror antigos. É um dos verdadeiros mestres do terror e uma figura já mitológica da história do cinema. Acresce dizer que este foi o último filme em que participou, e para completar a mitologia, a última cena em que aparece num filme, é a da sua própria morte. Lendário.
Tim Burton criou aqui uma simbiose estranha que ainda funciona hoje em dia; misturou com sucesso a negra visão gótica, mas inocente dos antigos filmes de terror como uma inovadora estética, às vezes quase em tom pastel. Mas isso não se passou apenas do campo visual. Esta lógica manteve-se em todos os aspectos e o resultado foram histórias totalmente originais. Edward Scissorhands faz parte do meu imaginário e está arquivado no mesmo sítio dos grandes histórias clássicas tipo Alice no País das Maravilhas... (acho que não é coincidência que Burton tenha mais tarde adaptado a história para cinema...) Que originalidade. Que novidade. Que coisa tão diferente. Não tenho muito mais adjectivos. Edward Scissorhands entrou directa e imediatamente no lote de filmes clássicos e intemporais porque é um versão moderna das grandes fábulas da humanidade. Essencial. Perfeito. Perfeitamente intemporal. Um dos meus filmes preferidos de sempre. ●●●●● + ●
A grande fatia do sucesso de Edward Scissorhands tem de ser atribuída ao Tim Burton. Não só pela realização que busca inspiração nos grandes filmes clássicos iniciais do terror e suspense, mas também na estética e, lá está, na inocência original desses filmes. Se calhar o termo inocência nem é o melhor termo, o melhor seria ingenuidade... ou ainda melhor, pureza. Pureza não está ligado directamente a conceitos como bom ou mau, é mais um conceito tipo Frankenstein quando ele atira a miúda para o lago. Há danos, claro que há danos, mas não são fruto da maldade. Os filmes iniciais de Tim Burton, e este em particular, tem muita dessa qualidade. Burton já tinha consolidado uma carreira e uma filmografia "diferente" com Beetlejuice e Batman, mas com este filme estranho de um jovem imortal mas incompleto, com tesouras em vez de mãos, ele conseguiu criar um novo tipo de cinema e estilo: o filme "Tim Burton".
Não consigo ver mais ninguém no papel de Edward Scissorhands para além de Johnny Depp. É mais um daqueles casos em que um actor nasceu para um papel. Winona Ryder no pico das performances, Dianne Wiest na perfeição e tantos outros como O-Lan Jones, Alan Arkin, Anthony Michael Hall ou Kathy Baker, todos impecáveis. Obviamente, tenho que fazer um destaque muito especial para o Vincent Price que é uma das peças chave do filme, mesmo que só apareça por breves instantes. Logo à partida por ser uma lenda do cinema. E não só, porque aquela voz fantasticamente gutural do Thriller do Maichel Jackson é dele. É um actor com mais de 200 filmes no currículo e que faz parte do meu imaginário através dos filmes de terror antigos. É um dos verdadeiros mestres do terror e uma figura já mitológica da história do cinema. Acresce dizer que este foi o último filme em que participou, e para completar a mitologia, a última cena em que aparece num filme, é a da sua própria morte. Lendário.
Tim Burton criou aqui uma simbiose estranha que ainda funciona hoje em dia; misturou com sucesso a negra visão gótica, mas inocente dos antigos filmes de terror como uma inovadora estética, às vezes quase em tom pastel. Mas isso não se passou apenas do campo visual. Esta lógica manteve-se em todos os aspectos e o resultado foram histórias totalmente originais. Edward Scissorhands faz parte do meu imaginário e está arquivado no mesmo sítio dos grandes histórias clássicas tipo Alice no País das Maravilhas... (acho que não é coincidência que Burton tenha mais tarde adaptado a história para cinema...) Que originalidade. Que novidade. Que coisa tão diferente. Não tenho muito mais adjectivos. Edward Scissorhands entrou directa e imediatamente no lote de filmes clássicos e intemporais porque é um versão moderna das grandes fábulas da humanidade. Essencial. Perfeito. Perfeitamente intemporal. Um dos meus filmes preferidos de sempre. ●●●●● + ●
Os Fratellis, uma perigosa família de mafiosos conseguem escapar-se da prisão. Entretanto, um grupo de miúdos encontra uma antigo mapa que os vai guiar até ao tesouro escondido do famoso pirata "One-Eyed Willie". Como todos estão a gozar os últimos dias juntos, pois vão ter de se mudar para que o seu bairro seja transformado num campo de golfe, os miúdos vêm nesta caça ao tesouro a única forma de salvar as casas e a sua amizade. Para isso vão embarcar numa grande aventura em busca do fantástico tesouro, numa luta contra o tempo, pois ao mesmo tempo têm de evitar que os Fratellis os consigam apanhar.
Um dos meus filmes de aventuras preferido é The Goonies. Tem tudo. Aventura, acção, fantasia e até uns arrepios. É a aventura que qualquer miúdo daquela altura imaginava ter. Por sorte, vi-o na altura em que de facto era um miúdo. E ficou-me marcado para sempre. É fácil uma pessoa identificar-se com alguma das personagens, porque todas elas são uma espécie de estereótipo dos miúdos da altura: o gordinho, o "techie", o tímido ou o gabarolas. Quem é que naquela altura não teve amigos assim?
Toda a gente envolvida na criação do filme merece os parabéns, mas o pessoal do casting merece palmas a dobrar. Os miúdos foram muito bem escolhidos:. Sean Astin, Josh Brolin, Jeff Cohen, Corey Feldman, Kerri Green, Martha Plimpton e Ke Huy Quan. Embora a maior parte tenha "desaparecido do mapa" assim que chegaram a adultos (como é normal nos castings juvenis), ainda há pouco tempo podemos ver Sean Astin no Lord of the Rings e, obviamente, Josh Brolin dispensa apresentações: é um dos melhores actores americanos da actualidade. Na parte dos adultos, a escolha também foi muito feliz: Robert Davi e Joe Pantoliano ainda andam na ribalta; Ao fim de tantos anos, alguém teria de "ficar pelo caminho" como é o caso de John Matuszak e Anne Ramsey, que tragicamente morreram pouco tempo depois. O tempo é uma coisa de malucos. já se passaram 35 anos desde a estreia no cinema. Nem parece verdade, até porque lembro-me do filme todo como se o tivesse visto anteontem... Por isso é que o tempo, ou melhor, a persistência no tempo, são uma das minhas formas de classificar um filme. Se me marca é porque é bom. E este ficou agradavelmente marcado no meu cérebro.
Por isso a pergunta impõe-se. Como é que um filme "comercial", uma aventura de miúdos, consegue ser tão bom? Realização de Richard Donner, história de Steven Spielberg e argumento de Chris Columbus. É preciso dizer mais alguma coisa? Tudo pessoal mítico e que sabe muito bem o que faz. Mesmo sem saberem, foram autênticos fazedores de material nostálgico. Um grande abraço e um grande obrigado para todos eles.
É por isso que The Goonies, para mim, é dos melhores filmes com caças ao tesouro que já vi e o derradeiro filme de acção e aventuras para miúdos. E acho que para graúdos também. Uma pequena jóia esquecida no tempo e que não tarda nada estará a ser alvo de um remake. É mais um dos meus feelings... ●●●●○
Um dos meus filmes de aventuras preferido é The Goonies. Tem tudo. Aventura, acção, fantasia e até uns arrepios. É a aventura que qualquer miúdo daquela altura imaginava ter. Por sorte, vi-o na altura em que de facto era um miúdo. E ficou-me marcado para sempre. É fácil uma pessoa identificar-se com alguma das personagens, porque todas elas são uma espécie de estereótipo dos miúdos da altura: o gordinho, o "techie", o tímido ou o gabarolas. Quem é que naquela altura não teve amigos assim?
Toda a gente envolvida na criação do filme merece os parabéns, mas o pessoal do casting merece palmas a dobrar. Os miúdos foram muito bem escolhidos:. Sean Astin, Josh Brolin, Jeff Cohen, Corey Feldman, Kerri Green, Martha Plimpton e Ke Huy Quan. Embora a maior parte tenha "desaparecido do mapa" assim que chegaram a adultos (como é normal nos castings juvenis), ainda há pouco tempo podemos ver Sean Astin no Lord of the Rings e, obviamente, Josh Brolin dispensa apresentações: é um dos melhores actores americanos da actualidade. Na parte dos adultos, a escolha também foi muito feliz: Robert Davi e Joe Pantoliano ainda andam na ribalta; Ao fim de tantos anos, alguém teria de "ficar pelo caminho" como é o caso de John Matuszak e Anne Ramsey, que tragicamente morreram pouco tempo depois. O tempo é uma coisa de malucos. já se passaram 35 anos desde a estreia no cinema. Nem parece verdade, até porque lembro-me do filme todo como se o tivesse visto anteontem... Por isso é que o tempo, ou melhor, a persistência no tempo, são uma das minhas formas de classificar um filme. Se me marca é porque é bom. E este ficou agradavelmente marcado no meu cérebro.
Por isso a pergunta impõe-se. Como é que um filme "comercial", uma aventura de miúdos, consegue ser tão bom? Realização de Richard Donner, história de Steven Spielberg e argumento de Chris Columbus. É preciso dizer mais alguma coisa? Tudo pessoal mítico e que sabe muito bem o que faz. Mesmo sem saberem, foram autênticos fazedores de material nostálgico. Um grande abraço e um grande obrigado para todos eles.
É por isso que The Goonies, para mim, é dos melhores filmes com caças ao tesouro que já vi e o derradeiro filme de acção e aventuras para miúdos. E acho que para graúdos também. Uma pequena jóia esquecida no tempo e que não tarda nada estará a ser alvo de um remake. É mais um dos meus feelings... ●●●●○
Após o imenso sucesso comercial que foram os Ghostbusters era obrigatório uma sequela. E ela chegou 5 anos depois, o que seria impensável hoje em dia. O mundo cinematográfico mudou imenso...
Nesta nova aventura, com o passar dos anos, os Ghostbusters perderam a credibilidade e vivem dispersos, tendo outras profissionais diferentes dos famosos caçadores de fantasmas. Mas quando Dana e o seu bebé têm um novo encontro com o paranormal, os Ghostbusters são novamente chamados para salvar o mundo.
Como dá logo pode perceber, Ghostbusters 2 é um pouco mais fraco que o original, mas ainda assim aguenta-se bastante bem. Apesar de estar tudo bem feito, não deixa de ser demasiado "colado" em termos de estrutura ao sucesso que foi o primeiro filme. Mais uma prova evidente que mais meios, mais dinheiro na produção e melhores efeitos especiais não fazem necessariamente um filme melhor. Vi uma entrevista em que Bill Murray se queixava precisamente disso.
Aos Ghostbusters originais (Bill Murray, Dan Aykroyd, Harold Ramis, Ernie Hudson, Rick Moranis, Annie Potts, Sigourney Weaver) junta-se agora Peter MacNicol, que não lhes fica em nada atrás, como o capataz de Vigo. Já agora, referência também para Max von Sydow que dá a voz ao vilão da história. Uma curiosidade: tal como aconteceu noutras situações, a personagem (Vigo) foi interpretada por um actor (Wilhelm von Homburg), mas sem saber foi dobrado por outro. Como é óbvio, o actor original detestou a opção. Acontece.
Apesar de ser só um pormenor, acaba por resumir um pouco este Ghostbusters 2. Estão lá todos os elementos originais, actores incluídos, mas de alguma forma, no geral não funciona tão bem, quase como se fosse uma música com playback. Será porque perde a originalidade? Será porque a espontaneidade já não está presente? Será porque os efeitos especiais "tomam conta" do filme? Será por ser muito mais "polido" e "infantil"? Será porque o público já não é o mesmo? Não sei responder. O que sei é que enquanto o original Ghostbusters é uma referência a tantos níveis, esta sequela é apenas um filme... que se vê bem... ●●○○○
Nesta nova aventura, com o passar dos anos, os Ghostbusters perderam a credibilidade e vivem dispersos, tendo outras profissionais diferentes dos famosos caçadores de fantasmas. Mas quando Dana e o seu bebé têm um novo encontro com o paranormal, os Ghostbusters são novamente chamados para salvar o mundo.
Como dá logo pode perceber, Ghostbusters 2 é um pouco mais fraco que o original, mas ainda assim aguenta-se bastante bem. Apesar de estar tudo bem feito, não deixa de ser demasiado "colado" em termos de estrutura ao sucesso que foi o primeiro filme. Mais uma prova evidente que mais meios, mais dinheiro na produção e melhores efeitos especiais não fazem necessariamente um filme melhor. Vi uma entrevista em que Bill Murray se queixava precisamente disso.
Aos Ghostbusters originais (Bill Murray, Dan Aykroyd, Harold Ramis, Ernie Hudson, Rick Moranis, Annie Potts, Sigourney Weaver) junta-se agora Peter MacNicol, que não lhes fica em nada atrás, como o capataz de Vigo. Já agora, referência também para Max von Sydow que dá a voz ao vilão da história. Uma curiosidade: tal como aconteceu noutras situações, a personagem (Vigo) foi interpretada por um actor (Wilhelm von Homburg), mas sem saber foi dobrado por outro. Como é óbvio, o actor original detestou a opção. Acontece.
Apesar de ser só um pormenor, acaba por resumir um pouco este Ghostbusters 2. Estão lá todos os elementos originais, actores incluídos, mas de alguma forma, no geral não funciona tão bem, quase como se fosse uma música com playback. Será porque perde a originalidade? Será porque a espontaneidade já não está presente? Será porque os efeitos especiais "tomam conta" do filme? Será por ser muito mais "polido" e "infantil"? Será porque o público já não é o mesmo? Não sei responder. O que sei é que enquanto o original Ghostbusters é uma referência a tantos níveis, esta sequela é apenas um filme... que se vê bem... ●●○○○
Quando o filme é Ghostbusters, eu poderia estar aqui uma tarde inteira a escrever. Tem tantos pormenores e tanta coisa boa para se falar que dava uma enciclopédia. A música original de Ray Parker Jr.; os excelentes efeitos especiais (para a altura), numa lógica de verdadeira magia do cinema; as figuras icónicas em que se transformaram os próprios Ghostbusters; o Stay-Puft Marshmallow Man gigante e o Slime verde; a carrinha branca e aquele som único da sirene. Poderia falar de todos estes pormenores, mas acho que nem vale a pena. São tão icónicos e imediatamente reconhecidos que seria redundante. Tudo isto já faz parte da cultura geral.
Acho simplesmente que é a mistura tão bem construída de comédia e terror (para 1984; hoje seria considerado mais fantasia do que terror), que o torna num filme perfeito. Parabéns ao Ivan Reitman por ter dado vida a estas personagens e por feito um filme que é uma referência para mim. E não só. Acho que é um filme intemporal. Nunca está desactualizado e nu sai de moda.
Foi muito provavelmente o primeiro filme que vi num cinema. Para um miúdo, foi uma experiência avassaladora, num misto de medo e diversão, tudo ao mesmo tempo. Foi espectacular. Perdi a noção da quantidade de vezes que vi os Ghostbusters, mas já foram muitas. Ainda há pouco tempo estava a dar na TV e não consegui resistir. Tive de o ver outra vez.
Bill Murray, Dan Aykroyd, Harold Ramis e Ernie Hudson serão os Ghostbusters para sempre. Apesar da fatia maior de mérito ser obviamente do Dan Aykroyd e do Harold Ramis (por causa do guião), é obviamente o Bill Murray que rouba todo o protagonismo. É um dos gajos mais naturalmente cómicos que algum vez vi. Um dos meus gajos favoritos de sempre. Sigourney Weaver, Rick Moranis, Annie Potts e William Atherton fazem a melhor conjugação secundária que me lembro. Todos têm deixas memoráveis e inesquecíveis. O que é incrível, se se pensar que a maior parte do guião original não foi respeitado. Grande parte dos diálogos foram improvisados, o que é incrível.
Para mim, Ghostbusters é o protótipo do derradeiro filme de família. Perfeito. Fantástico. Surpreendente. Cómico. Melhor é impossível. ●●●●●
Acho simplesmente que é a mistura tão bem construída de comédia e terror (para 1984; hoje seria considerado mais fantasia do que terror), que o torna num filme perfeito. Parabéns ao Ivan Reitman por ter dado vida a estas personagens e por feito um filme que é uma referência para mim. E não só. Acho que é um filme intemporal. Nunca está desactualizado e nu sai de moda.
Foi muito provavelmente o primeiro filme que vi num cinema. Para um miúdo, foi uma experiência avassaladora, num misto de medo e diversão, tudo ao mesmo tempo. Foi espectacular. Perdi a noção da quantidade de vezes que vi os Ghostbusters, mas já foram muitas. Ainda há pouco tempo estava a dar na TV e não consegui resistir. Tive de o ver outra vez.
Bill Murray, Dan Aykroyd, Harold Ramis e Ernie Hudson serão os Ghostbusters para sempre. Apesar da fatia maior de mérito ser obviamente do Dan Aykroyd e do Harold Ramis (por causa do guião), é obviamente o Bill Murray que rouba todo o protagonismo. É um dos gajos mais naturalmente cómicos que algum vez vi. Um dos meus gajos favoritos de sempre. Sigourney Weaver, Rick Moranis, Annie Potts e William Atherton fazem a melhor conjugação secundária que me lembro. Todos têm deixas memoráveis e inesquecíveis. O que é incrível, se se pensar que a maior parte do guião original não foi respeitado. Grande parte dos diálogos foram improvisados, o que é incrível.
Para mim, Ghostbusters é o protótipo do derradeiro filme de família. Perfeito. Fantástico. Surpreendente. Cómico. Melhor é impossível. ●●●●●
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E agora para algo diferente... Um filmito de acção de outros tempos, com a magia do cinema pelo meio. Depois de décadas como o grande herói de acção da sua geração (e se calhar de sempre), Arnold Schwarzenegger decide lentamente começar a reinventar-se. Os músculos já não estavam no auge (que é como quem diz, não vendia bilhetes), a idade começava a pesar e o público já não era o mesmo. E de uma forma muito inteligente, Schwarzenegger começa a passar do género da acção para outro registo mais leve e consensual, a comédia. De um ponto de vista de carreira, foi um passo muito bem dado e muito bem pensado. Primeiro saltaria para comédia, e um dia quem sabe, quando fosse mais velho e já não pudesse andar aos saltos e aos tiros, poderia enveredar por uma carreira mais dramática. Como se pode comprovar, nunca foi levado assim tão a sério que pudesse saltar para os dramas, mas durante algum tempo Schwarzenegger até deu cartas na comédia. Estranhamente, até é um registo que não lhe fica nada mal. Mas antes disso tudo, decidiu unir as duas coisas, a acção e comédia. Last Action Hero é o exemplo perfeito desta junção. Logo à partida é uma sátira aos próprios filmes à "Schwarzenegger" e são inúmeras as piadas com base na sua figura e até do seu "arqui-inimigo" Silvester Stallone.
Last Action Hero é um bom filmito de acção e comédia, e ainda tem um pozinhos de fantasia à mistura, personificado naquele bilhete mágico que faz desaparecer a fronteira entre a realidade e a ficção. É realizado por um dos mestres do cinema de acção da altura, John McTiernan e isso nota-se perfeitamente no equilíbrio da história e na forma como oscila entre a "realidade real" e o mundo fantasioso e estereotipado do cinema. Também ajuda ter actores como F. Murray Abraham, Tom Noonan e Charles Dance nos papéis mais relevantes para lhe dar alguma estrutura. Aliás, apesar de ser "apenas" um filmito de acção, é um filmito com nomes como Anthony Quinn, Robert Prosky, Frank McRae, Jim Belushi e Ian McKellen. Acho que mesmo hoje em dia, num candidato ao Óscar de melhor Filme não se conseguiria encontrar tantos e bons actores como neste "simples" filme de acção. Mas também são muitos os cameos de famosos. É só estar atento, porque aparece por lá muita gente conhecida, nem que seja por breves instantes... Outros tempos... No casting, talvez o que tenha estragado mais o filme sejam as presenças de Austin O'Brien e Bridgette Wilson, que foram nitidamente um erro enorme. Passados tantos anos, e não sei explicar muito bem porquê, mas o miúdo continua a ser irritante.
Last Action Hero foi um flop na altura, porque aparentemente ainda havia muito público para filmes à "Schwarzenegger" e parece que não estavam preparados para que os seus heróis de acção preferidos desaparecessem. Mas acho que ninguém percebeu mesmo é que era uma sátira aos próprios filmes de acção... O que diz muito da crítica e do público de cinema da altura... Curiosamente, e quase de uma forma quase premonitória, este foi um dos últimos filmes do género com alguma substância digna de relevo. Olhando para trás e visto "daqui", parece que Last Action Hero marcou mesmo o final deste tipo de filmes de acção, tiros e músculos. Mas também já era tempo de mudar. ●●●○○
Last Action Hero é um bom filmito de acção e comédia, e ainda tem um pozinhos de fantasia à mistura, personificado naquele bilhete mágico que faz desaparecer a fronteira entre a realidade e a ficção. É realizado por um dos mestres do cinema de acção da altura, John McTiernan e isso nota-se perfeitamente no equilíbrio da história e na forma como oscila entre a "realidade real" e o mundo fantasioso e estereotipado do cinema. Também ajuda ter actores como F. Murray Abraham, Tom Noonan e Charles Dance nos papéis mais relevantes para lhe dar alguma estrutura. Aliás, apesar de ser "apenas" um filmito de acção, é um filmito com nomes como Anthony Quinn, Robert Prosky, Frank McRae, Jim Belushi e Ian McKellen. Acho que mesmo hoje em dia, num candidato ao Óscar de melhor Filme não se conseguiria encontrar tantos e bons actores como neste "simples" filme de acção. Mas também são muitos os cameos de famosos. É só estar atento, porque aparece por lá muita gente conhecida, nem que seja por breves instantes... Outros tempos... No casting, talvez o que tenha estragado mais o filme sejam as presenças de Austin O'Brien e Bridgette Wilson, que foram nitidamente um erro enorme. Passados tantos anos, e não sei explicar muito bem porquê, mas o miúdo continua a ser irritante.
Last Action Hero foi um flop na altura, porque aparentemente ainda havia muito público para filmes à "Schwarzenegger" e parece que não estavam preparados para que os seus heróis de acção preferidos desaparecessem. Mas acho que ninguém percebeu mesmo é que era uma sátira aos próprios filmes de acção... O que diz muito da crítica e do público de cinema da altura... Curiosamente, e quase de uma forma quase premonitória, este foi um dos últimos filmes do género com alguma substância digna de relevo. Olhando para trás e visto "daqui", parece que Last Action Hero marcou mesmo o final deste tipo de filmes de acção, tiros e músculos. Mas também já era tempo de mudar. ●●●○○
Como começar a descrever o Delicatessen? Num futuro pós-apocalíptico em que a comida é um bem raro e tardada como se fosse dinheiro, há um prédio nos arredores de Paris em que o talhante do rés-do chão arranja carne... só que não é vaca nem porco... Dito assim, é uma descrição algo pesada, mas na realidade, Delicatessen é uma comédia. Negra, mas para todos os efeitos, uma comédia. Diria mais, uma comédia única, saída das mentes geniais de Marc Caro e Jean-Pierre Jeunet.
Após responder a um estranho anúncio de emprego, um ex-palhaço (Dominique Pinon) apaixona-se pela filha (Marie-Laure Dougnac) do maquiavélico talhante (Jean-Claude Dreyfus). A partir daqui, todo o prédio - que é habitado pelas mais fantásticas personagens que vi nos últimos tempos em filme (como a Aurore e as suas infrutíferas mas engenhosas tentativas de suicídio, o homem rã, o carteiro louco ou o casal Tapioca) - entra num frenesim de acontecimentos cómicos.
Bastante interessante para os dias de hoje, é a batalha implícita entre os comedores de "carne" e os vegetarianos, "gentilmente" apelidados de "trogloditas" pelos carnívoros. Pensando bem, eles poderiam co-exisitir na mesma realidade, mas há de facto uma guerra entre os que querem continuar a comer carne e viver na superfície e os que preferem ficar restritos aos grãos e aos vegetais e por isso são escorraçados para o sub-solo. Como nunca há uma explicação lógica para se chegar ao ponto de existir um "Delicatessen" com aquela carne tão peculiar, eu assumo que o mundo se dividiu (inclusive com guerras à mistura) entre os que querem manter um estilo de vida obviamente insustentável (a não ser à custa do sacrifício de outros) e os que preferem seguir outro rumo, nem que para isso se neguem a uma existência "normal" e tenham de se refugiar debaixo de terra. Na realidade, a história principal de Delicatessen nunca é bem explicada e permanece omissa durante todo o filme. Mas acho que sei porque é que isso aconteceu. Em 1991 falar de ecologia ou ambiente era como falar de hippies ou de cultos estranhos. Nessa altura a única coisa que se falava era do buraco de ozono e mesmo assim ninguém sabia o que era; apenas era melhor usar pouco Óleo Johnson nos dias de praia porque se podia ficar com aquela cor de pele alaranjada como os temidos cremes de cenoura dos anos 80. Isso e a possível falta de pressão nas latas de aerossol. Esta era a principal preocupação da população em relação ao buraco do ozono. Porra, no final da década de 90 é que se começou a equacionar tirar o chumbo dos combustíveis, portanto só por aqui dá para perceber o que significa ecologia naqueles tempos. Portanto, temas como ecologia, sustentabilidade, dietas carnívoras ou vegetarianismo, mesmo sendo um tema subtil, era algo muito à frente do seu tempo e inevitavelmente incompreensível. Diria mesmo que o tema de base do Delicatessen não foi mais desenvolvido, porque o público simplesmente não iria entender. Foda-se, estamos no século XXI e o público ainda não consegue entender, quanto mais nos anos 90... Bem, por muito atrasado que um gajo fosse nos 90's, pelo menos não lhe passaria pela cabeça defender a teoria de que a Terra é plana... Raios parta que o pessoal está a ficar cada vez mais estúpido... Mas pronto... estou a divagar novamente... voltando ao filme...
Delicatessen é uma obra única, meticulosamente criada e montada como um relógio suíço por parte de Caro e Jeunet. E convém ressalvar o pormenor importante de que este foi o filme de estreia desta dupla. Em termos visuais, de trabalho de câmara, música e também na construção e desenvolvimento das personagens é do melhor que há. Só o genérico inicial é uma pequena obra de arte.
Este é um filme que não seria possível hoje em dia. Nem a maioria do público com a mente disneyficada por décadas de filmes de super-heróis e efeitos especiais digitais conseguiria aguentar tanto tempo sentado sem explosões, nem os estúdios poriam um cêntimo que fosse para financiar uma obra destas. Delicatessen não é um filme assim tão antigo, mas já é um clássico e um sinal do que vai acontecer com o cinema para o futuro: uma polarização brutal que provavelmente levará à morte o filme de autor nas salas de cinema. Por muito bom que um filme seja, estará restrito a um serviço de streaming qualquer ou será corrido para um ciclo de cinema que ainda passe filmes não-blockbuster. É uma tristeza, mas é o que é.
Delicatessen é um filme que ainda está presente no meu cérebro. Está tão bem escrito e tão bem filmado que é inesquecível. Tem associado aquele sentimento de uma certa inocência que já raramente se vê. É tão único que tive dificuldade em descrevê-lo de início. Ainda hoje não consigo arranjar equivalência. Se alguém me perguntar de que género é o Delicatessen, vou ter a mesma dificuldade que tinha na altura. É uma comédia? É, mas não é bem. É ficção científica? Sim, mas não é bem isso. Tem números circenses e musicais, mas também parece que vai descambar para o gore sanguinário. Será do tipo comédia negra de ficção científica com inspiração circense?!? Não sei. É difícil de explicar e de qualificar. Delicatessen é apenas igual a... Delicatessen. Lá está: é peça única. Mais que um filme, Delicatessen é uma obra de arte cinematográfica que tem sempre que ser mencionada quando se fala de cinema. Absolutamente essencial. ●●●●●
Após responder a um estranho anúncio de emprego, um ex-palhaço (Dominique Pinon) apaixona-se pela filha (Marie-Laure Dougnac) do maquiavélico talhante (Jean-Claude Dreyfus). A partir daqui, todo o prédio - que é habitado pelas mais fantásticas personagens que vi nos últimos tempos em filme (como a Aurore e as suas infrutíferas mas engenhosas tentativas de suicídio, o homem rã, o carteiro louco ou o casal Tapioca) - entra num frenesim de acontecimentos cómicos.
Bastante interessante para os dias de hoje, é a batalha implícita entre os comedores de "carne" e os vegetarianos, "gentilmente" apelidados de "trogloditas" pelos carnívoros. Pensando bem, eles poderiam co-exisitir na mesma realidade, mas há de facto uma guerra entre os que querem continuar a comer carne e viver na superfície e os que preferem ficar restritos aos grãos e aos vegetais e por isso são escorraçados para o sub-solo. Como nunca há uma explicação lógica para se chegar ao ponto de existir um "Delicatessen" com aquela carne tão peculiar, eu assumo que o mundo se dividiu (inclusive com guerras à mistura) entre os que querem manter um estilo de vida obviamente insustentável (a não ser à custa do sacrifício de outros) e os que preferem seguir outro rumo, nem que para isso se neguem a uma existência "normal" e tenham de se refugiar debaixo de terra. Na realidade, a história principal de Delicatessen nunca é bem explicada e permanece omissa durante todo o filme. Mas acho que sei porque é que isso aconteceu. Em 1991 falar de ecologia ou ambiente era como falar de hippies ou de cultos estranhos. Nessa altura a única coisa que se falava era do buraco de ozono e mesmo assim ninguém sabia o que era; apenas era melhor usar pouco Óleo Johnson nos dias de praia porque se podia ficar com aquela cor de pele alaranjada como os temidos cremes de cenoura dos anos 80. Isso e a possível falta de pressão nas latas de aerossol. Esta era a principal preocupação da população em relação ao buraco do ozono. Porra, no final da década de 90 é que se começou a equacionar tirar o chumbo dos combustíveis, portanto só por aqui dá para perceber o que significa ecologia naqueles tempos. Portanto, temas como ecologia, sustentabilidade, dietas carnívoras ou vegetarianismo, mesmo sendo um tema subtil, era algo muito à frente do seu tempo e inevitavelmente incompreensível. Diria mesmo que o tema de base do Delicatessen não foi mais desenvolvido, porque o público simplesmente não iria entender. Foda-se, estamos no século XXI e o público ainda não consegue entender, quanto mais nos anos 90... Bem, por muito atrasado que um gajo fosse nos 90's, pelo menos não lhe passaria pela cabeça defender a teoria de que a Terra é plana... Raios parta que o pessoal está a ficar cada vez mais estúpido... Mas pronto... estou a divagar novamente... voltando ao filme...
Delicatessen é uma obra única, meticulosamente criada e montada como um relógio suíço por parte de Caro e Jeunet. E convém ressalvar o pormenor importante de que este foi o filme de estreia desta dupla. Em termos visuais, de trabalho de câmara, música e também na construção e desenvolvimento das personagens é do melhor que há. Só o genérico inicial é uma pequena obra de arte.
Este é um filme que não seria possível hoje em dia. Nem a maioria do público com a mente disneyficada por décadas de filmes de super-heróis e efeitos especiais digitais conseguiria aguentar tanto tempo sentado sem explosões, nem os estúdios poriam um cêntimo que fosse para financiar uma obra destas. Delicatessen não é um filme assim tão antigo, mas já é um clássico e um sinal do que vai acontecer com o cinema para o futuro: uma polarização brutal que provavelmente levará à morte o filme de autor nas salas de cinema. Por muito bom que um filme seja, estará restrito a um serviço de streaming qualquer ou será corrido para um ciclo de cinema que ainda passe filmes não-blockbuster. É uma tristeza, mas é o que é.
Delicatessen é um filme que ainda está presente no meu cérebro. Está tão bem escrito e tão bem filmado que é inesquecível. Tem associado aquele sentimento de uma certa inocência que já raramente se vê. É tão único que tive dificuldade em descrevê-lo de início. Ainda hoje não consigo arranjar equivalência. Se alguém me perguntar de que género é o Delicatessen, vou ter a mesma dificuldade que tinha na altura. É uma comédia? É, mas não é bem. É ficção científica? Sim, mas não é bem isso. Tem números circenses e musicais, mas também parece que vai descambar para o gore sanguinário. Será do tipo comédia negra de ficção científica com inspiração circense?!? Não sei. É difícil de explicar e de qualificar. Delicatessen é apenas igual a... Delicatessen. Lá está: é peça única. Mais que um filme, Delicatessen é uma obra de arte cinematográfica que tem sempre que ser mencionada quando se fala de cinema. Absolutamente essencial. ●●●●●
Pode parecer que esta maluqueira com adaptações de BDe desenhos animados a chegarem ao cinema às catadupas é um fenómeno recente. Infelizmente não é. É mais um daqueles casos em que a história se repete. Depois de chegar à TVs de todo o mundo e de ter conquistado o coração de muitas crianças (e as carteiras dos pais, no caso da bonecada de plástico e restante merchandising), He-Man e restantes personagens da série Masters of the Universe chegam finalmente ao grande ecrã no (já longínquo, para não dizer dinossáurico) ano de 1987.
Para quem não conhece, He-Man e os Masters of the Universe é uma criação animada da Mattel que, pessoalmente, vi em desenhos animados nos meados do anos 80. Também deu uma série de figuras de acção e um sem fim de parafernália de plástico para a criançada. Acho que ainda tenho, tipo uns bonecos ou algo semelhante do He-Man. Era uma mistura exótica de feitiçaria medieval, lutas de espadas, tecnologia espacial e armas de raios laser. Só mesmo nos anos 80...
Apesar dos muitos méritos da criação original da Mattel, quando chegou ao grande ecrã, He-Man espalhou-se ao comprido. Logo à partida havia o preconceito dos bons actores em aparecem nestas produções "menores" de acção e aventura (sintomática a participação de Frank Langella, apenas atrás da máscara), o que fazia com que os estúdios optassem por actores desconhecidos ou de segundo plano no campo da representação (Dolph Lundgren, Meg Foster, James Tolkan, Courteney Cox), o que normalmente resultava mal.
Ainda por cima, naquela altura, o músculo e as miúdas bonitas vendiam o produto (espera! isso ainda funciona bem hoje em dia!!!), os efeitos apareciam para disfarçar as debilidades da história básica, e os guiões acrescentavam cenas de acção sem nexo para o tempo do filme ser mais comprido apenas para justificar mais uma ida ao balcão dos refrigerantes e das pipocas. Ou seja, não era muito diferente de hoje em dia, tirando o facto que estas adaptações sendo uma coisa com um target muito bem definido e especifico (apenas os teenagers) eram ainda mais mal tratados que hoje em dia. Em parte, filmes ridículos como Masters of the Universe foram a semente dos grandes blockbusters de super-heróis e restantes infindáveis adaptações que vemos aí aos montes. A diferença é que naquela altura os grandes actores não eram seduzidos por cachets milionários, os fãs apareciam timidamente e ainda não existiam como os conhecemos hoje em dia, e só então os estúdios começavam a perceber o potencial financeiro do teenager como consumidor de "produtos de cinema". Para além disso, os críticos não tinham de olhar para o resultado financeiro do box office antes de atirem estas produções para debaixo do autocarro das críticas negativas. O mundo do cinema era outro e muito mais simples. Mas foi com flops financeiros e de crítica como o Masters of the Universe que o cinema chegou ao actual estado. Seja em 1967, 1987 ou 2027 estes filmes vão sempre existir. Desde que sejam bem feitos, por mim tudo bem. Mas não é este o caso. Espera-se a qualquer momento um remake... ●○○○○
Para quem não conhece, He-Man e os Masters of the Universe é uma criação animada da Mattel que, pessoalmente, vi em desenhos animados nos meados do anos 80. Também deu uma série de figuras de acção e um sem fim de parafernália de plástico para a criançada. Acho que ainda tenho, tipo uns bonecos ou algo semelhante do He-Man. Era uma mistura exótica de feitiçaria medieval, lutas de espadas, tecnologia espacial e armas de raios laser. Só mesmo nos anos 80...
Apesar dos muitos méritos da criação original da Mattel, quando chegou ao grande ecrã, He-Man espalhou-se ao comprido. Logo à partida havia o preconceito dos bons actores em aparecem nestas produções "menores" de acção e aventura (sintomática a participação de Frank Langella, apenas atrás da máscara), o que fazia com que os estúdios optassem por actores desconhecidos ou de segundo plano no campo da representação (Dolph Lundgren, Meg Foster, James Tolkan, Courteney Cox), o que normalmente resultava mal.
Ainda por cima, naquela altura, o músculo e as miúdas bonitas vendiam o produto (espera! isso ainda funciona bem hoje em dia!!!), os efeitos apareciam para disfarçar as debilidades da história básica, e os guiões acrescentavam cenas de acção sem nexo para o tempo do filme ser mais comprido apenas para justificar mais uma ida ao balcão dos refrigerantes e das pipocas. Ou seja, não era muito diferente de hoje em dia, tirando o facto que estas adaptações sendo uma coisa com um target muito bem definido e especifico (apenas os teenagers) eram ainda mais mal tratados que hoje em dia. Em parte, filmes ridículos como Masters of the Universe foram a semente dos grandes blockbusters de super-heróis e restantes infindáveis adaptações que vemos aí aos montes. A diferença é que naquela altura os grandes actores não eram seduzidos por cachets milionários, os fãs apareciam timidamente e ainda não existiam como os conhecemos hoje em dia, e só então os estúdios começavam a perceber o potencial financeiro do teenager como consumidor de "produtos de cinema". Para além disso, os críticos não tinham de olhar para o resultado financeiro do box office antes de atirem estas produções para debaixo do autocarro das críticas negativas. O mundo do cinema era outro e muito mais simples. Mas foi com flops financeiros e de crítica como o Masters of the Universe que o cinema chegou ao actual estado. Seja em 1967, 1987 ou 2027 estes filmes vão sempre existir. Desde que sejam bem feitos, por mim tudo bem. Mas não é este o caso. Espera-se a qualquer momento um remake... ●○○○○
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Um miúdo com argumentação de adulto tem queda para acidentes. Na realidade, uma acidente grave uma vez por ano. Uma família que não se ama e uma série de psicólogos que não ligam muito ao caso. Quando o miúdo cai dum precipício e fica em coma, abre-se todo um horizonte de realidade(s) e fantasia(s), que por vezes são difíceis de distinguir. Especialmente para o médico que segue o seu estado clínico...
The 9th Life of Louis Drax podia ser melhor, mas mesmo assim é um thriller relativamente aceitável. Parece um filho ilegítimo de Le fabuleux destin d'Amélie Poulain com o Shape of Water do Del Toro. Bebe em demasia deste tipo de cinema fantástico e acaba por ser polido demais. Se por vezes é absolutamente genial nos pormenores, por outro lado parece demasiado cliché e previsível, o que o torna algo desconexo e descompensado. Parece que Alexandre Aja não sabia muito bem em que direcção virar o filme e por isso foi deixando rolar a fita para ver no que a coisa dava. Fiquei com a impressão que o guião foi sendo escrito à medida que o filme se desenrolava... É um mix de coisas com muita potencialidade mas sem nunca serem exploradas em profundidade. The 9th Life of Louis Drax nunca se "assume" verdadeiramente como sendo um filme do fantástico, de mistério ou de terror... Vai flutuando entre estas temáticas e por isso o resultado final não é bom. Mas também não é totalmente mau. O que é uma pena. A história tem muito potencial.
Aiden Longworth, o miúdo que dá corpo a Louis Drax é muito bom e tem nuances de actor experiente. Foi muito bem escolhido. No mesmo nível estão Aaron Paul, Jamie Dornan, Sarah Gadon e num plano mais secundário, Oliver Platt passeia qualidade. "Esquecível" mas totalmente "visível". ●●○○○
The 9th Life of Louis Drax podia ser melhor, mas mesmo assim é um thriller relativamente aceitável. Parece um filho ilegítimo de Le fabuleux destin d'Amélie Poulain com o Shape of Water do Del Toro. Bebe em demasia deste tipo de cinema fantástico e acaba por ser polido demais. Se por vezes é absolutamente genial nos pormenores, por outro lado parece demasiado cliché e previsível, o que o torna algo desconexo e descompensado. Parece que Alexandre Aja não sabia muito bem em que direcção virar o filme e por isso foi deixando rolar a fita para ver no que a coisa dava. Fiquei com a impressão que o guião foi sendo escrito à medida que o filme se desenrolava... É um mix de coisas com muita potencialidade mas sem nunca serem exploradas em profundidade. The 9th Life of Louis Drax nunca se "assume" verdadeiramente como sendo um filme do fantástico, de mistério ou de terror... Vai flutuando entre estas temáticas e por isso o resultado final não é bom. Mas também não é totalmente mau. O que é uma pena. A história tem muito potencial.
Aiden Longworth, o miúdo que dá corpo a Louis Drax é muito bom e tem nuances de actor experiente. Foi muito bem escolhido. No mesmo nível estão Aaron Paul, Jamie Dornan, Sarah Gadon e num plano mais secundário, Oliver Platt passeia qualidade. "Esquecível" mas totalmente "visível". ●●○○○
Joe Dante e Chris Columbus (e também "dedinho mágico" de Steven Spielberg) juntaram-se seis anos mais tarde (a maluqueira das sequelas obrigatórias após o sucesso do filme original ainda não estava totalmente na berra) para dar continuidade à história dos Mogwais e dos Gremlins. Desta vez, o caos vai-se apoderar dum arranha-céus super-tecnológico em Nova York que é propriedade do magnata Daniel Clamp (não será Donald Trump?!?) e onde se fazem experiências genéticas e outras coisas pavorosas...
Nesta sequela, a juntar aos já repetentes Zach Galligan e Phoebe Cates, juntam-se John Glover e o lendário Christopher Lee.
Esta segunda entrega, apesar de maior e mais artilhada de efeitos não teve o mesmo sucesso do primeiro filme. O público dos anos 80 era ligeiramente diferente do actual. Não queria estar sempre a ver as mesmas coisas. Queria coisas novas e diferentes de cada vez que ia ao cinema. Se fosse hoje em dia, os Gremlins já tinham um franchise bem estabelecida e já estaria em produção o Gremlins - Episódio XIX!!! Em parte, ainda bem que tudo ficou por aqui. É que só lhe acrescenta valor...
Apesar de ser mais do mesmo, Gremlins 2: The New Batch (que muitos críticos consideram ser um dos melhores exemplos de boa continuidade e de como uma sequela deve ser feita) continua a ter argumentos próprios, continua a ser divertido e por isso vê-se bastante bem. ●●●○○
Nesta sequela, a juntar aos já repetentes Zach Galligan e Phoebe Cates, juntam-se John Glover e o lendário Christopher Lee.
Esta segunda entrega, apesar de maior e mais artilhada de efeitos não teve o mesmo sucesso do primeiro filme. O público dos anos 80 era ligeiramente diferente do actual. Não queria estar sempre a ver as mesmas coisas. Queria coisas novas e diferentes de cada vez que ia ao cinema. Se fosse hoje em dia, os Gremlins já tinham um franchise bem estabelecida e já estaria em produção o Gremlins - Episódio XIX!!! Em parte, ainda bem que tudo ficou por aqui. É que só lhe acrescenta valor...
Apesar de ser mais do mesmo, Gremlins 2: The New Batch (que muitos críticos consideram ser um dos melhores exemplos de boa continuidade e de como uma sequela deve ser feita) continua a ter argumentos próprios, continua a ser divertido e por isso vê-se bastante bem. ●●●○○
Não sei se foram as drogas psicadélicas dos anos 70 a terem efeitos inesperados ou o boom económico dos anos 80, mas realmente aconteceu um crescimento exponencial no cinema de entretenimento. Ao mesmo tempo, apareceram as ideias mais estranhas e criativas que me lembro, assim como misturas imprevisíveis e surpreendentes de géneros tão díspares como o a comédia, a fantasia e o terror. Um dos exemplos é este Gremlins e dispensa apresentações muito longas.
Um rapaz recebe de prenda um estranho animal vindo das profundezas misteriosas de Chinatown. Esse estranho, fofo e adorável "bicho" é um Mogwai e tem algumas particularidades muito próprias: não pode ser exposto a luzes muito fortes, não pode ser molhado e nunca, mas nunca, pode ser alimentado depois da meia-noite. Se a luz intensa o pode matar, a água faz com que se reproduza. Já alimentá-lo após a meia-noite faz com se transforme num pequeno e perigoso diabrete conhecido com Gremlin.
Não sei se foi a ideia ou os efeitos "revolucionários" para a altura, mas o que é certo é que foi um mega sucesso dos anos 80 e que se tornou num verdadeiro fenómeno pop que ainda hoje perdura. E para um filme ser um sucesso de bilheteira quando foi lançado ao mesmo tempo que os Ghostbusters (no mesmo dia!) e o Indiana Jones and the Temple of Doom é porque teve méritos mais do que suficientes.
Zach Galligan, Phoebe Cates, Corey Feldman e o mítico Dick Miller lutam incessantemente para livrar a sua pacata vila desta invasão incontrolável de Dick Miller .
Chris Columbus na escrita e Joe Dante na realização criaram um filme que criou raízes com o tempo e que para além da história criativa, mesmo tecnicamente ainda é um filme com argumentos suficientes para se "aguentar" nos dias de hoje. Também não será coincidência que Steven Spielberg, o mago visionário e criador dos blockbusters "actuais", estivesse nos bastidores como produtor...
Foi um dos primeiros filmes que vi no cinema e por isso tem uma carga gigante de nostalgia associado. Só posso dizer: Gremlins forever. ●●●●○
Um rapaz recebe de prenda um estranho animal vindo das profundezas misteriosas de Chinatown. Esse estranho, fofo e adorável "bicho" é um Mogwai e tem algumas particularidades muito próprias: não pode ser exposto a luzes muito fortes, não pode ser molhado e nunca, mas nunca, pode ser alimentado depois da meia-noite. Se a luz intensa o pode matar, a água faz com que se reproduza. Já alimentá-lo após a meia-noite faz com se transforme num pequeno e perigoso diabrete conhecido com Gremlin.
Não sei se foi a ideia ou os efeitos "revolucionários" para a altura, mas o que é certo é que foi um mega sucesso dos anos 80 e que se tornou num verdadeiro fenómeno pop que ainda hoje perdura. E para um filme ser um sucesso de bilheteira quando foi lançado ao mesmo tempo que os Ghostbusters (no mesmo dia!) e o Indiana Jones and the Temple of Doom é porque teve méritos mais do que suficientes.
Zach Galligan, Phoebe Cates, Corey Feldman e o mítico Dick Miller lutam incessantemente para livrar a sua pacata vila desta invasão incontrolável de Dick Miller .
Chris Columbus na escrita e Joe Dante na realização criaram um filme que criou raízes com o tempo e que para além da história criativa, mesmo tecnicamente ainda é um filme com argumentos suficientes para se "aguentar" nos dias de hoje. Também não será coincidência que Steven Spielberg, o mago visionário e criador dos blockbusters "actuais", estivesse nos bastidores como produtor...
Foi um dos primeiros filmes que vi no cinema e por isso tem uma carga gigante de nostalgia associado. Só posso dizer: Gremlins forever. ●●●●○
The Shape of Water conta a história de amor entre um ser anfíbio (mitológico?!) preso num laboratório secreto e uma mulher muda que também lá trabalha. Ambientado na década de 60 é uma história estranha e diferente. Acaba por funcionar um pouco como uma homenagem aos grandes monstros clássicos do cinema assim como aos desajustados e outsiders deste mundo.
Gostei do tom geral mas também tenho de dizer que não gostei do início com aquele tom exageradamente sexual. Parece deslocado do resto do filme e inclusive vai decrescendo até desaparecer totalmente. Acho que a lógica dessa inclusão sexual foi uma forma de mandar alguns pais com filhos para fora da sala de cinema. É que o filme tem um tom inegavelmente de fábula e parece que Del Toro quis um público exclusivamente adulto. Por mim, Del Toro, pode fazer o que quiser. Tem crédito para isso, porque é simplesmente o melhor realizador do fantástico do momento. Aliás, já o é há alguns anos. Se ainda existe a temática da fantasia no cinema moderno - sem ser aparvalhado ou disneyficado - isso deve-se em grande parte ao Guillermo del Toro. É um gajo impecável. Tão impecável que foi o primeiro gajo na história a ganhar um Óscar para melhor filme com um filme de ficção científica. Tem uma realização tão segura, de uma precisão e de uma qualidade que é de louvar. Tem sempre uma belíssima história para contar, sempre muito bem escrita e sempre muito contada por excelentes actores. Neste caso o destaque vai para Sally Hawkins, Richard Jenkins e Octavia Spencer, sendo que nunca consigo deixar de mencionar o Michael Shannon como (provavelmente) o melhor actor da actualidade, ou pelo menos, o mais multifacetado.
A única coisa que me "chateou" no Shape of Water é exactamente a personagem do anfíbio. Apesar da negação de Del Toro, não consigo descolar da personagem Abe Sapien do HellBoy. Talvez seja a "fatiota" e a aparência geral, talvez seja porque o actor que lhe dá corpo é o mesmo: Doug Jones. Mas pensando bem, também é muito parecido com a criatura de Creature from the Black Lagoon. Pode ser só coincidência ou apenas uma inspiração inconsciente, mas quem sabe? O que sei é que é bom voltar atrás no tempo, a um altura em que ainda existiam fábulas e fantasia... Não é o melhor filme de sempre - como ouvi muita gente dizer!(?!) - mas é muito bom. ●●●●○
Gostei do tom geral mas também tenho de dizer que não gostei do início com aquele tom exageradamente sexual. Parece deslocado do resto do filme e inclusive vai decrescendo até desaparecer totalmente. Acho que a lógica dessa inclusão sexual foi uma forma de mandar alguns pais com filhos para fora da sala de cinema. É que o filme tem um tom inegavelmente de fábula e parece que Del Toro quis um público exclusivamente adulto. Por mim, Del Toro, pode fazer o que quiser. Tem crédito para isso, porque é simplesmente o melhor realizador do fantástico do momento. Aliás, já o é há alguns anos. Se ainda existe a temática da fantasia no cinema moderno - sem ser aparvalhado ou disneyficado - isso deve-se em grande parte ao Guillermo del Toro. É um gajo impecável. Tão impecável que foi o primeiro gajo na história a ganhar um Óscar para melhor filme com um filme de ficção científica. Tem uma realização tão segura, de uma precisão e de uma qualidade que é de louvar. Tem sempre uma belíssima história para contar, sempre muito bem escrita e sempre muito contada por excelentes actores. Neste caso o destaque vai para Sally Hawkins, Richard Jenkins e Octavia Spencer, sendo que nunca consigo deixar de mencionar o Michael Shannon como (provavelmente) o melhor actor da actualidade, ou pelo menos, o mais multifacetado.
A única coisa que me "chateou" no Shape of Water é exactamente a personagem do anfíbio. Apesar da negação de Del Toro, não consigo descolar da personagem Abe Sapien do HellBoy. Talvez seja a "fatiota" e a aparência geral, talvez seja porque o actor que lhe dá corpo é o mesmo: Doug Jones. Mas pensando bem, também é muito parecido com a criatura de Creature from the Black Lagoon. Pode ser só coincidência ou apenas uma inspiração inconsciente, mas quem sabe? O que sei é que é bom voltar atrás no tempo, a um altura em que ainda existiam fábulas e fantasia... Não é o melhor filme de sempre - como ouvi muita gente dizer!(?!) - mas é muito bom. ●●●●○
Já não me lembro bem, mas sou capaz de jurar que o primeiro filme de super-heróis que vi foi mesmo o Flash Gordon. Ou seja, Flash Gordon é um filme do tempo dos dinossauros. É tão do tempo dos dinossauros que o produtor é o Dino de Laurentis, o mítico "pagador" de filmes extravagantes da década de 80. É tão antigo que o Technicolor ainda era algo que valia a pena salientar.
Para quem não conhece (e é muito provável que pouca gente conheça), Flash Gordon (Sam J. Jones) é um jogador de futebol americano que, sem querer, viaja com a sua linda namorada (Melody Anderson) para o Planeta Mongo (não podiam ter arranjado um nome melhor?!) e que acaba por salvar a Terra das garras do sádico e tirânico Senhor do Universo, o Imperador Ming (um eterno Max von Sydow). Claro que para isso acontecer vai ter a ajuda preciosa de um cientista louco (Topol), homens voadores e outras ordes guerreiras (Timothy Dalton) e a belíssima filha do Imperador (Ornella Muti) que não consegue resistir aos encantos terráqueos e à musculatura típica do homem americano no cinema dos anos 80. Dito assim, até parece um filme ridículo. O que acontece é que é mesmo ridículo. Os efeitos especiais são maus, as interpretações são sofríveis, a realização de Mike Hodges é quase elementar, e a história parece concebida para que miúdos de 6 anos a entendessem. É normal. O filme foi feito para agradar às pessoas que gostavam do Flash Gordon nos anos 60 quando ainda era uma série de TV, daí que pareça deslocado no tempo.
Mas nem todas as coisas "más", são necessariamente más. E às vezes são tão más que acabam por se tornar boas. É aquele estranho efeito kitsch, ou como com o passar do tempo, um filme se torna de "culto". Este é um desses casos e que, para se gostar, é preciso abraçar o ridículo logo de início. Mas nem tudo é mau. Com ele nasceu uma das grandes personagens icónicas do cinema (o Imperador Ming) e tem uma das melhores bandas sonoras até à data, composta e tocada pelos míticos Queen. Ainda hoje, o tema principal do Flash Gordon é reconhecido e dificilmente alguém pegará na personagem sem pegar na música original dos Queen. Uma coisa ficou eternamente ligada à outra. Há que dar mérito às coisas boas.
Apesar de todas as óbvias deficiências, pessoalmente, é um filme que tem um espaço muito especial no meu arquivo. É um dos primeiros filmes que vi na minha vida. Lembra-me um mundo menos negro e mais despreocupado. Lembra-me um tempo em que a fantasia ainda existia e era pura. A magia do cinema era uma coisa real. Mas especialmente, lembra-me que a inocência nos filmes ainda existia. (eu próprio já começo a sentir-me um dinossauro de outros tempos...) Classificação nítida e exlusivamente baseada em elementos saudosistas... ●●●●○
Para quem não conhece (e é muito provável que pouca gente conheça), Flash Gordon (Sam J. Jones) é um jogador de futebol americano que, sem querer, viaja com a sua linda namorada (Melody Anderson) para o Planeta Mongo (não podiam ter arranjado um nome melhor?!) e que acaba por salvar a Terra das garras do sádico e tirânico Senhor do Universo, o Imperador Ming (um eterno Max von Sydow). Claro que para isso acontecer vai ter a ajuda preciosa de um cientista louco (Topol), homens voadores e outras ordes guerreiras (Timothy Dalton) e a belíssima filha do Imperador (Ornella Muti) que não consegue resistir aos encantos terráqueos e à musculatura típica do homem americano no cinema dos anos 80. Dito assim, até parece um filme ridículo. O que acontece é que é mesmo ridículo. Os efeitos especiais são maus, as interpretações são sofríveis, a realização de Mike Hodges é quase elementar, e a história parece concebida para que miúdos de 6 anos a entendessem. É normal. O filme foi feito para agradar às pessoas que gostavam do Flash Gordon nos anos 60 quando ainda era uma série de TV, daí que pareça deslocado no tempo.
Mas nem todas as coisas "más", são necessariamente más. E às vezes são tão más que acabam por se tornar boas. É aquele estranho efeito kitsch, ou como com o passar do tempo, um filme se torna de "culto". Este é um desses casos e que, para se gostar, é preciso abraçar o ridículo logo de início. Mas nem tudo é mau. Com ele nasceu uma das grandes personagens icónicas do cinema (o Imperador Ming) e tem uma das melhores bandas sonoras até à data, composta e tocada pelos míticos Queen. Ainda hoje, o tema principal do Flash Gordon é reconhecido e dificilmente alguém pegará na personagem sem pegar na música original dos Queen. Uma coisa ficou eternamente ligada à outra. Há que dar mérito às coisas boas.
Apesar de todas as óbvias deficiências, pessoalmente, é um filme que tem um espaço muito especial no meu arquivo. É um dos primeiros filmes que vi na minha vida. Lembra-me um mundo menos negro e mais despreocupado. Lembra-me um tempo em que a fantasia ainda existia e era pura. A magia do cinema era uma coisa real. Mas especialmente, lembra-me que a inocência nos filmes ainda existia. (eu próprio já começo a sentir-me um dinossauro de outros tempos...) Classificação nítida e exlusivamente baseada em elementos saudosistas... ●●●●○



















