0044 godzilla; 0045 godzilla
Posted by artzzz333
Posted on 15:24
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Tenho uma falha no reportório. Nunca consegui ver um daqueles filmes japoneses do Godzilla em que o monstro é uma pessoa num fato de borracha a destruir óbvios cenários de cartão. É uma falha que vou tentar reparar. Até que isso aconteça tenho de me contentar com as versões americanas. São mais acessíveis. Nos últimos anos foram feitos dois filmes e, pelo que li, vem aí uma sequela para a versão mais recente. Tinha de ser... Mas vamos ao primeiro filme que vi.Para quem não sabe, Rolland Emmerich é detentor do recorde mundial do maior número de quilómetros quadrados destruídos em filme. Bem, se não é, devia ser. Depois de explodir praticamente com tudo o que existe neste mundo (e noutros também), assina um remake de peso: Godzilla (1998). Pensando bem, mais ninguém estaria habilitado a fazer este remake que Emmerich. E, sem surpresa, fá-lo muito bem. Sejamos sinceros. Alguém quer ver um filme introspectivo com um réptil radioactivo gigante como protagonista? Claro que não! O que uma pessoa espera é ver arranha-céus a desmoronarem-se, petroleiros a voar por cima de cidades e os militares de todo o mundo a tentarem destruir o monstro, não é verdade? Por isso, é que criaram o Roland Emmerich: para nos dar tudo isso. E ele cumpre. Sempre. Por isso é que nunca perco um filme dele, mesmo sabendo que são todos iguais. São enormes chicletes de sabor artificial, mas que por qualquer motivo estranho, uma pessoa não consegue deixar de as mascar. Os filmes cumprem sempre a expectactiva criada e normalmente até a ultrapassam. São o exagero do exagero. Por isso, Godzila não desilude. Dá tudo o que tem e o que não tem. A juntar a tudo isto, normalmente são filmes tecnicamente irrepreensíveis. Os actores cumprem bem nos seus pequenos papéis de juntar os massivos efeitos digitais numa história linear, porque são naturalmente bons, como por exemplo Matthew Broderick, Jean Reno ou Michael Lerner. A história apesar de básica é coerente, e é exactamente o que uma pessoa espera. Mas também, quem é que quer saber da história num filme-catástrofe? Godzilla: um filme perfeito para ver no cinema a acompanhar o balde de pipocas. O que mais é que uma pessoa pode pedir? ●●○○○
Como estamos na época alto do remake/reboot, apesar do seu poder descomunal, Godzila não escapou. E como, normalmente, acontece nestas situações, o filme que vem depois é pior. Logo à partida, Godzilla (2014) é pior que a versão anterior porque tenta repor o conceito original do monstro radioactivo bom, que aparece para nos proteger, em vez do primeiro em que é o mau da fita. Compreendo a premissa de querer voltar ao tema original, mas contrabalançar o efeito monstro-bom (?) e para isso inventar uns insectos gigantes pretos que nem se percebe muito bem o que são, e depois fazê-los tão graaaaandes que nem aparecem completamente na tela, para mim, é muito pobre. Muito fraquinho. Aliás, se eu o tivesse visto no cinema, provavelmente ia pedir o meu dinheiro de volta. Então eu pago para ver o Godzilla e só vejo partes? Uma coluna vertebral aqui, umas patas gigantes ali, uns olhos acolá... Não tem nexo.
Depois, este novo filme parece que tenta contornar as críticas negativas do primeiro filme que é ostensivamente um filme de explosões, uma chiclete, como já disse. Tenta calar um pouco a crtítica oficial que se atira de unhas e dentes a este tipo de filmes e por isso os estúdios atiram para lá palha, lá está, para dar um ar mais sério e introspectivo. E fazem de tudo para o conseguir. Quer seja atafulhar nomes conceituados como Juliette Binoche ou Ken Watanabe para dar seriedade (mas que depois desaparecem após alguns minutos de filme), quer seja em deixar de explodir coisas durante 30 ou 40 entediantes minutos para gajos como eu não virem para aqui criticar e dizer que é só mais um filme de explosões e efeitos. Porque é que uma pessoa paga para ver estes filmes? É para ver o (ou a) Godzilla a partir a louça toda e mais nada. Este segundo remake quase que elimina esse propósito. Tudo isto culmina em algo quimérico que é uma tentiva falhada de misturar um drama (será?) com um filme de acção/efeitos. Um acçrama? Um dramação? Mal por mal, prefiro que sejam fiéis a si próprios e não tentam enganar-se. E especialmente que não tentam enganar as plateias. Nem esconder o Godzilla. ●○○○○
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