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O que mais se destaca neste Universal Soldier é o aparecimento do então desconhecido Roland Emmerich na cadeira do realizador. Notava-se logo que com o orçamento certo, ia sair daqui um grande showman dos efeitos especiais e filmes catástrofe. Cumpriu perfeitamente.
Apesar de ser um filme banal de porrada com laivos de ficção científica, Universal Soldier até acaba por ser aceitável. E isso é mérito completo do Roland. Nos papéis principais, Jean-Claude Van Damme e Dolph Lundgren, ambos em grande forma, com uma carreira sólida e ainda sem rugas. Também aparecem a Ally Walker, o Ed O'Ross e o Jerry Orbach, mas estes actores secundários dos 90's ficaram por aí, algures, perdidos no tempo, e apesar de até serem bons actores, simplesmente desapareceram dos ecrãs.
Porrada velha, artes marciais, tiroteios super-exagerados, explosões massivas de gasolina e o mais prevísivel argumento possível, bem à maneira dos inícios dos anos 90, acho que é o resumo ideal para Universal Soldier. O sucesso deste filme deu-lhe mais algumas sequelas, mas nem sequer me dei ao trabalho (nem tempo) de ver. ●○○○○



Stargate é um bom filmito de ficção científica do Roland Emmerich. Hoje, a história é um bocado batida, mas em 1994 foi uma surpresa e foi um sucesso enorme. Teve sequelas e spin-offs de TV com algumas séries. Stargate é o nome de um teletransportador encontrado no Egipto que consegue levar pessoas para outro planeta, que por acaso se parece com o antigo tempo dos Faraós. Só que nesse planeta governado pelo deus Rá (uma espécie extraterrestre com poderes aparentemente mágicos) e restantes "deuses menores", os humanos são subjugados e usados apenas como mão-de-obra descartável. Parece familiar, não é? Em 1994 foi uma novidade. Vai muito de encontro àquelas teorias dos antigos astronautas, em que tudo o que é de um passado distante parece incompreensivelmente moderno. Mesmo hoje em dia, há quem acredite que foram aliens que construíram as pirâmides, porque as pessoas da altura não o conseguiriam fazer sozinhas...
Se calhar por isso mesmo, Stargate vê-se muito bem. É um filme de acção e aventura sem muitas pretensões, mas bem construído, escrito e realizado. É entretenimento puro e duro, com bons efeitos especiais (para a altura) e dois bons actores principais: Kurt Russell e James Spader. Tem também um desconhecido Jaye Davidson com uma história curiosa: trabalhava como designer de moda quando foi descoberto. Fez um filme chamado The Crying Game (1992) que foi um sucesso enorme e nomeações para Óscares, incluindo a nomeação de Davidson como Melhor Actor Secundário. Depois fez o Stargate e desistiu do cinema, voltando para o mundo da moda. Estranho, não? ●●○○○

10.000 BC mantem-se - até à data - como o único filme de Roland Emmerich em que não há explosões. É uma história passada há 10.000 anos, portanto era dificil encaixar explosões no guião. Mas há perseguições com mamutes! Tinha de haver perseguições...
O que dizer deste filme? 10.000 BC é uma desilusão de proporções mamuteanas! Para quê ver um Emmerich se nada explode? Exacto... não se deveria ver. É que 10.000 BC é muito mau. É um filme verdadeiramente da era da Pedra. Até a voz off é irritante... apesar de ser a voz de Omar Sharif...
É um filme muito bom... para miudos de 10 anos se maravilharem com tigres de dentes de sabre e mamutes, muitos, muitos mamutes. Se bem que há uma espécie de galinholas gigantes que não sei muito bem se alguma vez existiram. Mas também, como a parte histórica foi completamente mandada para as urtigas, o que é que isso importa? Desde que fique cool no ecrã... Acho até que foi mesmo assim que começou a ideia original para o filme: "vamos aproveitar os efeitos especiais digitais para misturar pessoas com mamutes realistas..." E pronto. Nasceu 10.000 BC. Torto, mas nasceu.
O que se pode dizer de um filme passado na pré-história que começa com caçadores recolectores e acaba com uma luta contra figuras místicas (serão extraterrestres?!) que constroem pirâmides egípcias? E em que as personagens falam inglês com sotaque neandertal? Acho que não há mais nada a dizer, a não ser que é absurdo, não é? O filme vale basicamente pelos efeitos especiais, perdão, pelos mamutes... ●○○○○

Roland Emmerich volta à carga e vira-se para as alterações climáticas como argumento para rebentar com uma cidade qualquer. Como tem sido hábito neste realizador, o filme vale pelo aspecto técnico e pelo efeitos especiais espectaculares. É uma oportunidade única para ver Nova York, Los Angeles e outras cidades a serem fustigadas por furacões gigantes, cobertas por nevões catastróficos ou varridas por tsunamis de dimensões épicas.
Acho que Emmerich já começa a esgotar os argumentos para filmar destruições à escala planetária. Por isso, não percebo como é que ainda não se virou para as aquelas imensas produções bíblicas dos anos 50. Se ele for um leitor atento deste blog, fica dada a dica.
Como tem sido hábito também, o filme é totalmente vazio de enredo, mas pelo menos tem uma boa mensagem de fundo: se continuarmos a desrespeitar e a agredir o planeta como temos feito até agora, eventualmente ele irá virar-se contra nós.
The Day After Tomorrow (2004) parece um daqueles documentários do Discovery sobre alterações climáticas, mas sobre o efeito de doses maciças de esteróides. A ciência está totalmente errada, mas o que é que isso interessa? Aqui, tudo tem de ser rápido, explosivo e mais nada. Ninguém vai ver o filme para ter melhores noções de ecologia, ou como funciona o clima, pois não? Para isso, há livros e documentários muito bons...
Tirando os efeitos especiais, sobra a história duma família apanhada no meio duma tempestade global, mas infelizmente é uma história sem nexo nenhum. O pai (Dennis Quaid) é um cientista climatológico que alerta para os perigos dos desequilibrios ecológicos, mas em que ninguém acredita. O filho (Jake Gyllenhaal) é um "crâneo" mais inteligente que os próprios professores. A mãe é medica e aparentemente só tem um paciente, um miúdo que passa a toda a tempestade do século confortavelmente a ler. Como estão todos separados em cidades diferentes, o pai lança-se a caminho para salvar o filho que entretanto ficou retido numa biblioteca em Nova York. Quaid enfrenta heroicamente a brutal tempestade para salvar o filho e chegado lá... faz o quê? Pois. Não faz nada. Só vai ter com ele. Miraculosamente, mal se encontram, a tempestade dissipa-se. Calhou bem, senão ficavam todos retidos na biblioteca... à espera da mãe. Esta, por sua vez, aguenta-se sozinha no hospital, e a única coisa que quer é uma ambulância para o miúdo que lê sem parar... e, como este é um filme com final feliz, ela lá chega mesmo no final. Devia ser uma daquelas ambulâncias-limpa-neves... O resto, é uma colagem de clichês, que provavelmente são mais antigos que a última idade do gelo: a bandeira desfraldada ao vento, o amigo que se sacrifica pelos outros, o mea culpa no final para admitir que sim, agora o governo vai prestar atenção a estas coisas do clima, este tipo de coisas simpáticas e que ficam sempre bem.
The Day After Tomorow é um filme sem grandes pretensões: é uma chiclete de 2 horas com efeitos especiais caríssimos, feito para vender bilhetes e pipocas. Cumpre bem o seu propósito. ●○○○○

Tenho uma falha no reportório. Nunca consegui ver um daqueles filmes japoneses do Godzilla em que o monstro é uma pessoa num fato de borracha a destruir óbvios cenários de cartão. É uma falha que vou tentar reparar. Até que isso aconteça tenho de me contentar com as versões americanas. São mais acessíveis. Nos últimos anos foram feitos dois filmes e, pelo que li, vem aí uma sequela para a versão mais recente. Tinha de ser... Mas vamos ao primeiro filme que vi.
Para quem não sabe, Rolland Emmerich é detentor do recorde mundial do maior número de quilómetros quadrados destruídos em filme. Bem, se não é, devia ser. Depois de explodir praticamente com tudo o que existe neste mundo (e noutros também), assina um remake de peso: Godzilla (1998). Pensando bem, mais ninguém estaria habilitado a fazer este remake que Emmerich. E, sem surpresa, fá-lo muito bem. Sejamos sinceros. Alguém quer ver um filme introspectivo com um réptil radioactivo gigante como protagonista? Claro que não! O que uma pessoa espera é ver arranha-céus a desmoronarem-se, petroleiros a voar por cima de cidades e os militares de todo o mundo a tentarem destruir o monstro, não é verdade? Por isso, é que criaram o Roland Emmerich: para nos dar tudo isso. E ele cumpre. Sempre. Por isso é que nunca perco um filme dele, mesmo sabendo que são todos iguais. São enormes chicletes de sabor artificial, mas que por qualquer motivo estranho, uma pessoa não consegue deixar de as mascar. Os filmes cumprem sempre a expectactiva criada e normalmente até a ultrapassam. São o exagero do exagero. Por isso, Godzila não desilude. Dá tudo o que tem e o que não tem. A juntar a tudo isto, normalmente são filmes tecnicamente irrepreensíveis. Os actores cumprem bem nos seus pequenos papéis de juntar os massivos efeitos digitais numa história linear, porque são naturalmente bons, como por exemplo Matthew Broderick, Jean Reno ou Michael Lerner. A história apesar de básica é coerente, e é exactamente o que uma pessoa espera. Mas também, quem é que quer saber da história num filme-catástrofe? Godzilla: um filme perfeito para ver no cinema a acompanhar o balde de pipocas. O que mais é que uma pessoa pode pedir? ●●○○○



Como estamos na época alto do remake/reboot, apesar do seu poder descomunal, Godzila não escapou. E como, normalmente, acontece nestas situações, o filme que vem depois é pior. Logo à partida, Godzilla (2014) é pior que a versão anterior porque tenta repor o conceito original do monstro radioactivo bom, que aparece para nos proteger, em vez do primeiro em que é o mau da fita. Compreendo a premissa de querer voltar ao tema original, mas contrabalançar o efeito monstro-bom (?) e para isso inventar uns insectos gigantes pretos que nem se percebe muito bem o que são, e depois fazê-los tão graaaaandes que nem aparecem completamente na tela, para mim, é muito pobre. Muito fraquinho. Aliás, se eu o tivesse visto no cinema, provavelmente ia pedir o meu dinheiro de volta. Então eu pago para ver o Godzilla e só vejo partes? Uma coluna vertebral aqui, umas patas gigantes ali, uns olhos acolá... Não tem nexo.
Depois, este novo filme parece que tenta contornar as críticas negativas do primeiro filme que é ostensivamente um filme de explosões, uma chiclete, como já disse. Tenta calar um pouco a crtítica oficial que se atira de unhas e dentes a este tipo de filmes e por isso os estúdios atiram para lá palha, lá está, para dar um ar mais sério e introspectivo. E fazem de tudo para o conseguir. Quer seja atafulhar nomes conceituados como Juliette Binoche ou Ken Watanabe para dar seriedade (mas que depois desaparecem após alguns minutos de filme), quer seja em deixar de explodir coisas durante 30 ou 40 entediantes minutos para gajos como eu não virem para aqui criticar e dizer que é só mais um filme de explosões e efeitos. Porque é que uma pessoa paga para ver estes filmes? É para ver o (ou a) Godzilla a partir a louça toda e mais nada. Este segundo remake quase que elimina esse propósito. Tudo isto culmina em algo quimérico que é uma tentiva falhada de misturar um drama (será?) com um filme de acção/efeitos. Um acçrama? Um dramação? Mal por mal, prefiro que sejam fiéis a si próprios e não tentam enganar-se. E especialmente que não tentam enganar as plateias. Nem esconder o Godzilla. ●○○○○

É tão difícil distinguir estes filmes como criticá-los. A crítica é difícil porque estes filmes não valem nada como obra cinematográfica, mas preenchem uma lacuna muito importante. Quem é que não gosta de ver coisas a explodir? Quem é que não gosta de ver perseguições espectaculares? Aposto que até o mais snob dos críticos de cinema se esconde numa sala de cinema para se deliciar com estes filmes. E, tenho que admitir, tecnicamente, estes filmes são um portento. Seja ao nível de efeitos especiais, seja ao nível de som ou montagem, estes filmes são quase perfeitos. O problema é que são sempre a mesma coisa. A história é completamente prescindível e os actores só lá estão para darem boas fotos para os cartazes promocionais. Daqui por uns anos (ou meses), alguém faz outro filme do género e é exactamente a mesma coisa. A única coisa que muda é o tamanho das explosões, porque o público está à espera de algo ainda maior.
Eu vi estes dois filmes mais ou menos na mesma altura e teve imensa dificuldade em distinguir os dois. Estava a ver um filme e parece que estava a ver o outro. Só perguntava porque é que o Gerard Butler tinha deixado de aparecer ou porque é que o Jamie Foxx estava a aparecer noutro filme. Foi confuso. Vendo agora os trailers nem consigo lembrar-me muito bem qual dos filmes estou a comentar. Olympus Has Fallen e White House Down fazem-me lembrar uma altura em que os estúdios disputavam argumentos e todos os anos havia dois filmes com o mesmo tema. Ou eram vulcões ou situações em arranha-céus ou outro filme-catástrofe qualquer. Só mudavam os protagonistas e os cartazes. Parecia que um estúdio descobria que outro estúdio estava a fazer um filme do género x e não queriam ficar atrás. "Quem é que têm no papel principal? É o fulano. Então nós arrajamos o cicrano. E quanto explosões têm? Sete. Ui, então nós temos que ter oito." Parece a típíca competição peniana do secundário, só com a diferença que é tudo medido a película.
Dito isto, nunca consigo resistir ao efeito Roland Emmerich, que é rebentar com o máximo de coisas possível. Também não consigo resistir ao efeito Antoine Fuqua que é espancar o máximo de pessoas possível numa só sala. É por isso que toda a gente vê estes filmes, não é verdade? Ver grandes aviões em chamas e a embaterem no chão, helicópteros a explodir, tiroteios infindáveis, perseguições humanamente impossíveis, cenas de grande pancadaria e os maus a levarem uma grande sova no fim, ou a morrerem de forma atroz no final. É conforme a vontade do realizador. Ou dum painel de estudo de mercado. Ou do estúdio, não se sabe bem. Estes filmes são como um medicamento: preenchem aquela lacuna que é o vazio de acção que há em cada um de nós. São o antídoto possível para a rotina diária. Pessoalmente, mesmo sabendo de antemão que são uma nulidade artística e que não vou encontrar absolutamente nada de novo, eu preciso destes filmes e nunca perco a oportunidade de os ver. E só por causa disso, levam ●●○○○.

 
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