0034 Hulk; 0035 the incredible hulk
Posted by artzzz333
Posted on 13:41
with No comments
Continuação daqui...Em 2003 saiu a adaptação para cinema de Hulk. Não é uma personagem Marvel que goste. Um monstro verde, de força raivosa incontrolável não é propriamente alguém que gere muitas simpatias, mas de alguma forma o Hulk consegue ter fãs. É obviamente uma reciclagem do velho Mr. Jekyll e Mr. Hyde, mas levado ao extremo, ou não estivéssemos a falar de super-heróis. Como não gosto muito da personagem, não conheço bem a banda desenhada, mas tenho ideia que é um daqueles casos em que não há super-vilões. Ou pelo menos, super-vilões em pé de igualdade. Logo aí, tem uma desvantagem, porque, como toda a gente sabe, se o super-heói não tiver alguém à altura, para que é que serve o super-herói? Por isso, inevitavelmente, o super-vilão tinha mesmo de ser o exército e a sua também força bruta. Ou pelo menos, aquela parte das forças militares que parece que não sabe parar e querem sempre mais e mais e mais. Este tema está presente nos dois filmes, mas é muito melhor tratado no primeiro filme.
A primeira coisa que me chamou a atenção no primeiro filme foi o realizador. Quando vi nos créditos o nome de Ang Lee, pensei que era um erro. O "senhor Sense and Sensibility" vai filmar o Hulk? O mesmo realizador que viria a chocar com Brokeback Mountain? Não podia ser. Pensei eu que devia ser um outro chinês com o mesmo nome. Mas não! Era mesmo "o" Ang Lee. Aguçou-me a curiosidade. Será que pela primeira vez, iria ver um filme de super-heróis que não fosse só explosões, perseguições, efeitos especiais e força bruta? Será que pela primeira vez, iria ver um filme de super-heróis em que no primeiro plano estivessem as implicações para a sociedade da existência de um super-humano? Nem uma coisa nem outra. Ang Lee ficou-se pelo meio. O que é óptimo. Não entrou no campo puramente filosófico da coisa, mas também não entrou no campo estritamente explosivo/efeito CGI. Dadas as circunstâncias (um super-herói "menor" com muito menos simpatizantes que outros do universo Marvel; o efeito não-novidade, dada a avalanche de outros filmes de super-heróis na altura), o que Ang Lee conseguiu fazer, foi provavelmente o melhor filme de super-heróis. Para já, porque é muito equilibrado. Não é uma maçada pseudo-filosófica da condição humana, mas também não é um ataque psicótico de CGI aos olhos e cérebro. Depois, porque até hoje, é o único filme que conseguiu verdadeiramente captar o estilo BD para uma tela de cinema. Há uma cena no meio do filme em que parece que literalmente estava a ver BD, mas animada. Um contra-senso, mas Ang Lee conseguiu fazê-lo. Este é a grande diferença entre ter um realizador maduro, com currículo fora dos filmes de acção e que tem ideias próprias, e um realizador "de estúdio", que pura e simplesmente segue o plano logístico de filmagens.
Eric Bana foi muito bem escolhido, porque de facto, parece que tem algo de Hulk escondido no seu interior. Nick Nolte está sempre bem e da Jennifer Connelly nem vou falar, porque tenho um fraquinho por ela e por isso sou totalmente parcial. Há umas cenas ridículas com uns cães gigantes em CGI que estragam um bocado o filme, mas de resto tudo bem. É desculpável. Hulk, é um filme de puro entretenimento, mas com algum miolo e com espaço para os actores. Não se pode pedir mais para um filme de super-heróis. ●●●○○
Incompreensivelmente, em 2008, saiu um reboot de Hulk. Para não confundir, chamaram-lhe The Incredible Hulk. Esta nova versão conta com Edward Norton no papel principal de Bruce Banner/Hulk e... mais nada! Ah! Esqueci-me que no início aparece o Tim Roth, que é um excelente actor até neste filme mau. Infelizmente, desaparece a meio do filme para dar lugar a uma criação horripilante em CGI, para contrapor aos poderes enfurecidos do Hulk. Também aparecem a Liv Tyler e o fantástico William Hurt mas parece que estão no filme apenas para dar um pouco de tempo de descanso ao pessoal dos efeitos especiais, que diga-se, fizeram o filme quase todo. Só por isto, deve ter tido muito mais sucesso comercial que o primeiro, porque tal como ouvi comentar na altura da estreia: "Este filme é muito melhor que o primeiro, porque tem muito menos "letra" e muito mais efeitos e acção". Isto é totalmente verdade. Então uma pessoa paga bilhete para ver gajos a falar? Claro que não! O que uma pessoa quer ver é o máximo de coisas a explodir, e de preferência, que sejam feitas em computador... Estava a ser irónico.
Do primeiro para o segundo filme as diferenças são abismais. Se o primeiro não é uma refeição completa, pelo menos é uma excelente tosta mista, bem servida de queijo e fiambre e com muita manteiga gostosa. Já o segundo é apenas uma chiclete de mentol que sabe a... chiclete de mentol. Daquelas que, independentemente da marca ou tamanho, sabem sempre igual, uma espécie de mentol artifical, e que passados cinco minutos, ficam duras, perdem todo o sabor e uma pessoa fica com aquela sensação de só estar a mastigar um pedaço de plástico. É um filme tão horripilante quanto a criação CGI do Tim Roth. ●○○○○
Labels:
2003,
2008,
acção,
BD,
efeitos especiais,
Eric Bana,
explosões,
Hulk,
Jennifer Connely,
Marvel,
Nick Nolte,
nota1,
nota3,
super-herói,
The Incredible Hulk,
Tim Roth,
William Hurt
0 respostas:
Enviar um comentário