Depois da vergonha que foi Highlander II: The Quickening, os estúdios quiseram fazer as pazes com o crescente número de fãs da história imortal de Connor MacLeod, e para isso lançaram Highlander III: The Sorcerer, que basicamente ignora (e bem) o filme anterior. Foi um bocado como dar a mão à palmatória. O problema é que o filme continua a ser mau. Melhor que a porcaria do 2, mas mesmo assim é irrelevante. Uma típica sequela.
A história regressa ao filme original, na parte em que ele perde a primeira mulher. Depois disso ele vagueia pelo planeta até chegar ao Japão dos samurais e aí conhece um feiticeiro que também é imortal. Mas um inimigo novo aparece e mata o velho mestre. O mauzão fica aprisionado numa cave e séculos depois, na actualidade, consegue fugir para finalmente se vingar de MacLeod... O resto já se me varreu da mente. É mais ou menos isto. É ridículo... É tentar inventar uma nova história quando a história original já estava fechada.
Não sendo um insulto à inteligência dos espectadores como foi o segundo filme, esta nova sequela... é uma sequela. Já tem mais algum nexo em termos de narrativa, mas também era totalmente desnecessária.
Christopher Lambert regressa e está um bocadinho melhor na pele da personagem. Mario Van Peebles é o vilão de serviço e apesar de ser um actor caído no esquecimento, na altura era muito requisitado, vá-se lá perceber porquê. Ainda há Deborah Kara Unger, uma actriz que sempre gostei mas que por qualquer motivo nunca colou no mainstream. E por fim há Mako, um "senhor" com milhentos filmes no currículo mas que também nunca passou de secundário.
Highlander III: The Sorcerer não foi o final da saga. Ainda deu mais uns dois filmes (que nunca vi) e uma série de TV bastante popular com outro actor (Adrian Paul). No máximo poderiam ter expandido este "universo" na série, mas de um ponto de visto lógico, esta história deveria ter ficado pelo primeiro filme. ●○○○○
PS: É favor não estranhar a diferença do título original em relação ao poster promocional, porque para além do título Highlander III: The Sorcerer, o filme também é foi distribuído com o nome de Highlander III: The Magician, Highlander III: The Final Dimension e Highlander III: The Final Conflict. É só para se ter uma noção de como a confusão estava instalada nestas sequelas...
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É difícil separar o Mel Gibson-pessoa dos Mel Gibson-actor/realizador. Nos últimos anos tem estado um bocado proscrito precisamente porque o seu lado pessoal tem sobressaído demasiado e ainda por cima pelas piores razões. Depois de anos a criar uma figura de durão, homem violento e másculo (dentro e fora do cinema) é difícil de separar uma persona da outra. Eu gosto muito do Mel Gibson-actor/realizador e felizmente consigo separar as duas coisas.
Hacksaw Ridge tem o condão de reabilitar Mel Gibson para o cinema e para o grande público. (Ainda bem!) Apresenta uma história verdadeira com uma personagem pacifista, um objector de consciência que no meio de uma guerra brutal (EUA contra o Japão), se preocupa mais em defender os seus companheiros do que atacar os seus inimigos. É uma mensagem extremamente poderosa. O mais incrível de toda esta situação é que a personagem é real e a história também. Desmond Doss foi um soldado americano que apesar de todas as pressões internas do Exército dos EUA (foi a tribunal de guerra por se recusar a pegar em armas de fogo e foi alvo de constantes agressões pelos superiores hierárquicos e colegas de caserna durante a formação militar) levou a sua ideia de pacifismo avante e acabou condecorado como um grande herói de guerra pelos seus feitos: como soldado/médico salvou das trincheiras dezenas de militares (americanos e não só) de uma morte certa. O que fez é verdadeiramente heróico. Parece tão inacreditável que fui obrigado a ir confirmar. E é mesmo verdade. É uma daquelas histórias em que a realidade suplanta (e muito) a ficção e que merece ser contada e relembrada. Num mundo povoado por super-heróis de plástico e pipocas é bom saber que ainda há verdadeiros heróis e que alguém lhe dá o devido valor.
Para além da realização perfeita de Gibson, uma grande parte do valor de Hacksaw Ridge vem também dos actores: Andrew Garfield é excelente e foi muitíssimo bem escolhido; Sam Worthington, Hugo Weaving e Vince Vaughn complementam especialmente bem o protagonista e o resto do casting é muito homeogéno. As cenas de guerra são cruas e têm um "ar antigo", quase do tempo pré-efeitos especiais, o que lhe confere uma autenticidade incrível. Muito bom.
Hacksaw Ridge é muitas coisas. É um filme de guerra que é um autêntico manifesto anti-guerra sem cair em falsos moralismos. É um pedido de desculpas e de integração de Mel Gibson. Não é coincidência esta escolha da personagem. Apesar de todas as diferenças evidentes, Doss, tal como Gibson é também alguém que não é bem visto pelos seus pares, mas que prova em campo todo o seu valor e acaba por receber a atenção merecida. Noutro plano, é também a confirmação de um grande realizador que é tão bom que obviamente não precisa de enormes orçamentos para fazer bom cinema. Mas principalmente é um filme muito bom que merece ser visto. ●●●●○
Hacksaw Ridge tem o condão de reabilitar Mel Gibson para o cinema e para o grande público. (Ainda bem!) Apresenta uma história verdadeira com uma personagem pacifista, um objector de consciência que no meio de uma guerra brutal (EUA contra o Japão), se preocupa mais em defender os seus companheiros do que atacar os seus inimigos. É uma mensagem extremamente poderosa. O mais incrível de toda esta situação é que a personagem é real e a história também. Desmond Doss foi um soldado americano que apesar de todas as pressões internas do Exército dos EUA (foi a tribunal de guerra por se recusar a pegar em armas de fogo e foi alvo de constantes agressões pelos superiores hierárquicos e colegas de caserna durante a formação militar) levou a sua ideia de pacifismo avante e acabou condecorado como um grande herói de guerra pelos seus feitos: como soldado/médico salvou das trincheiras dezenas de militares (americanos e não só) de uma morte certa. O que fez é verdadeiramente heróico. Parece tão inacreditável que fui obrigado a ir confirmar. E é mesmo verdade. É uma daquelas histórias em que a realidade suplanta (e muito) a ficção e que merece ser contada e relembrada. Num mundo povoado por super-heróis de plástico e pipocas é bom saber que ainda há verdadeiros heróis e que alguém lhe dá o devido valor.
Para além da realização perfeita de Gibson, uma grande parte do valor de Hacksaw Ridge vem também dos actores: Andrew Garfield é excelente e foi muitíssimo bem escolhido; Sam Worthington, Hugo Weaving e Vince Vaughn complementam especialmente bem o protagonista e o resto do casting é muito homeogéno. As cenas de guerra são cruas e têm um "ar antigo", quase do tempo pré-efeitos especiais, o que lhe confere uma autenticidade incrível. Muito bom.
Hacksaw Ridge é muitas coisas. É um filme de guerra que é um autêntico manifesto anti-guerra sem cair em falsos moralismos. É um pedido de desculpas e de integração de Mel Gibson. Não é coincidência esta escolha da personagem. Apesar de todas as diferenças evidentes, Doss, tal como Gibson é também alguém que não é bem visto pelos seus pares, mas que prova em campo todo o seu valor e acaba por receber a atenção merecida. Noutro plano, é também a confirmação de um grande realizador que é tão bom que obviamente não precisa de enormes orçamentos para fazer bom cinema. Mas principalmente é um filme muito bom que merece ser visto. ●●●●○
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Lost in Translation tem algo que o transcende como filme. Tal como Trainspotting uns anos antes, é mais que um filme, é uma marca geracional. Não é pela história de amor estranha e diferente, não é pela cultura e modo de vida japonês tão próprio, não é pelo contexto de deslocamento, nem é por nada em especial. É por conseguir identificar-se com toda uma geração que nessa altura (2003) também parecia que estava deslocada do seu habitat natural, que estava desiludida com o que tinha à mão deixado por uma incompreensível geração anterior, um futuro incerto sem caminho delineado, a querer o que não podia ter, à espera de algo que nunca chega.
Nos anos 90, Douglas Coupland popularizou o termo Geração X, para identificar um grupo de jovens que estava meio perdido num mundo em mudança acelerada e que queria lutar contra qualquer coisa que não sabia muito bem o que era. Mas nunca fui adepto destas classificações porque são muito estanques, e esta coisa das gerações é muito subjectiva. Mas para mim, Lost in Translation tem um significado especial, porque fecha o ciclo duma geração que tinha visto o mundo mudar radicalmente desde os anos 90. Era altura de deixar de "lutar" contra a desilusão e aceitar a realidade o melhor possível. Lost in Translation também tem qualquer coisa disto à mistura... Estou a divagar...
O mérito vai todo para o génio de Sofia Coppola que conseguiu capturar os pormenores, mais que o the big picture. Muitas vezes ouço dizer que o mais importante é ver o contexto geral, mais isso faz com que estejamos todos muitos distantes, não é verdade? E assim acabamos por não conseguir ver nenhum dos pormenores, que por vezes são muito mais importantes e belos que a imagem no seu todo... E estou a divagar novamente...
Lost in Translation é um filme sem falhas mas de difícil catalogação: é um drama, um romance, uma comédia? Não consigo definir. A história de Coppola é envolvente, humana, dramática, tocante, divertida, romântica e bipolar, tal como a vida é. Tem dois excepcionais actores, Bill Murray e Scarlett Johansson, que são totalmente a "alma" do filme. Fazem o par mais romântico, mas também mais improvável dos últimos anos. São imensamente diferentes um do outro, mas nota-se uma química genuína. Tem uma fotografia lindíssima que dá logo vontade de viajar até Tóquio para cantar karaoke e tem uma banda sonora alternativa (que guardo religiosamente) ainda melhor. Está perfeitamente escrito e realizado por Sofia Coppola. Um clássico instantâneo. Não tenho nada a apontar... Para ver sempre que possível. ●●●●●
Nos anos 90, Douglas Coupland popularizou o termo Geração X, para identificar um grupo de jovens que estava meio perdido num mundo em mudança acelerada e que queria lutar contra qualquer coisa que não sabia muito bem o que era. Mas nunca fui adepto destas classificações porque são muito estanques, e esta coisa das gerações é muito subjectiva. Mas para mim, Lost in Translation tem um significado especial, porque fecha o ciclo duma geração que tinha visto o mundo mudar radicalmente desde os anos 90. Era altura de deixar de "lutar" contra a desilusão e aceitar a realidade o melhor possível. Lost in Translation também tem qualquer coisa disto à mistura... Estou a divagar...
O mérito vai todo para o génio de Sofia Coppola que conseguiu capturar os pormenores, mais que o the big picture. Muitas vezes ouço dizer que o mais importante é ver o contexto geral, mais isso faz com que estejamos todos muitos distantes, não é verdade? E assim acabamos por não conseguir ver nenhum dos pormenores, que por vezes são muito mais importantes e belos que a imagem no seu todo... E estou a divagar novamente...
Lost in Translation é um filme sem falhas mas de difícil catalogação: é um drama, um romance, uma comédia? Não consigo definir. A história de Coppola é envolvente, humana, dramática, tocante, divertida, romântica e bipolar, tal como a vida é. Tem dois excepcionais actores, Bill Murray e Scarlett Johansson, que são totalmente a "alma" do filme. Fazem o par mais romântico, mas também mais improvável dos últimos anos. São imensamente diferentes um do outro, mas nota-se uma química genuína. Tem uma fotografia lindíssima que dá logo vontade de viajar até Tóquio para cantar karaoke e tem uma banda sonora alternativa (que guardo religiosamente) ainda melhor. Está perfeitamente escrito e realizado por Sofia Coppola. Um clássico instantâneo. Não tenho nada a apontar... Para ver sempre que possível. ●●●●●
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Wara no tate é um filme japonês, traduzido como Shield of Straw, algo como Escudo de Palha. É um título estranho, mas que bate certo com a história do filme.
Kyomaru, um perverso psicopata mata uma menina de 7 anos e acaba preso. Acontece que essa miúda era neta do homem mais rico do Japão, que imediatamente compra espaços publicitários em todos os jornais do país para ofererer biliões pela cabeça morta de Kyomaru. A proposta é ilegal mas simples: quem matar Kyomaru recebe a recompensa. Está assim aberta a época de caça.
Entre ele e os caçadores de recompensas que pode muito bem ser qualquer pessoa, estão cinco polícias que têm a dura e quase impossível missão de levar Kyomaru até uma esquadra do outro lado da cidade.
Tudo o que é bom no filme, está condensando nesta ideia. O resto desiludiu-me.
Se o filme é melhor do que parece é porque tem um tom engraçado e estranho, mais próximo da áurea esquisita e histérica do anime que outra coisa. Mas provalmente é mesmo só porque o casting é oriental. Nesse aspecto, tenho imensa dificuldade em comentar o que quer que seja. Vejo muito poucos filmes orientais e raramente consigo decorar os nomes dos actores. Já para não falar que também não consigo associar os nomes às caras. Os únicos que reconheci neste filme foram a Nanako Matsushima que já apareceu no filme de culto Ringu, também conhecido como The Ring na versão americana e Tatsuya Fujiwara do clássico Battle Royale. Quanto ao resto do "pessoal" acho que já vi alguns deles noutros filmes, mas sinceramente não os consigo identificar. Na parte da representação propriamente dita, nunca há nada a apontar a actores orientais. Parecem sempre empenhados a 101%...
Shield of Straw tem um boa história por base, mas acaba maltratada. E nem sequer é algo totalmente novo. Lembro-me do velhinho The Gauntlet de 1977, de e com Clint Eastwood. (E, sim, Eastwood já realiza filmes há muitos, muitos anos)
Wara no tate é um filme sobre frieza, vingança, honra e sobre o cumprimento do dever acima de tudo. Algo tipicamente japonês. Mas é mais um chavão para ter nos cartazes do que uma parte da história...
Vi o filme porque tinha como realizador Takashi Miike. E de Miike, lembro-me vagamente de ver Full Metal Yakuza, mas lembro-me muito bem de Audition e de Ichi the Killer, numa daquelas maratonas de filmes orientais do Fantasporto. Para quem não conhece, estes são filmes que fazem revirar as entranhas, engolir em seco e desviar o olhar... Nesse aspecto, este filme surpreendeu bastante: é demasiadamente brando com o espectador. ●●○○○
Kyomaru, um perverso psicopata mata uma menina de 7 anos e acaba preso. Acontece que essa miúda era neta do homem mais rico do Japão, que imediatamente compra espaços publicitários em todos os jornais do país para ofererer biliões pela cabeça morta de Kyomaru. A proposta é ilegal mas simples: quem matar Kyomaru recebe a recompensa. Está assim aberta a época de caça.
Entre ele e os caçadores de recompensas que pode muito bem ser qualquer pessoa, estão cinco polícias que têm a dura e quase impossível missão de levar Kyomaru até uma esquadra do outro lado da cidade.
Tudo o que é bom no filme, está condensando nesta ideia. O resto desiludiu-me.
Se o filme é melhor do que parece é porque tem um tom engraçado e estranho, mais próximo da áurea esquisita e histérica do anime que outra coisa. Mas provalmente é mesmo só porque o casting é oriental. Nesse aspecto, tenho imensa dificuldade em comentar o que quer que seja. Vejo muito poucos filmes orientais e raramente consigo decorar os nomes dos actores. Já para não falar que também não consigo associar os nomes às caras. Os únicos que reconheci neste filme foram a Nanako Matsushima que já apareceu no filme de culto Ringu, também conhecido como The Ring na versão americana e Tatsuya Fujiwara do clássico Battle Royale. Quanto ao resto do "pessoal" acho que já vi alguns deles noutros filmes, mas sinceramente não os consigo identificar. Na parte da representação propriamente dita, nunca há nada a apontar a actores orientais. Parecem sempre empenhados a 101%...
Shield of Straw tem um boa história por base, mas acaba maltratada. E nem sequer é algo totalmente novo. Lembro-me do velhinho The Gauntlet de 1977, de e com Clint Eastwood. (E, sim, Eastwood já realiza filmes há muitos, muitos anos)
Wara no tate é um filme sobre frieza, vingança, honra e sobre o cumprimento do dever acima de tudo. Algo tipicamente japonês. Mas é mais um chavão para ter nos cartazes do que uma parte da história...
Vi o filme porque tinha como realizador Takashi Miike. E de Miike, lembro-me vagamente de ver Full Metal Yakuza, mas lembro-me muito bem de Audition e de Ichi the Killer, numa daquelas maratonas de filmes orientais do Fantasporto. Para quem não conhece, estes são filmes que fazem revirar as entranhas, engolir em seco e desviar o olhar... Nesse aspecto, este filme surpreendeu bastante: é demasiadamente brando com o espectador. ●●○○○
Tenho uma falha no reportório. Nunca consegui ver um daqueles filmes japoneses do Godzilla em que o monstro é uma pessoa num fato de borracha a destruir óbvios cenários de cartão. É uma falha que vou tentar reparar. Até que isso aconteça tenho de me contentar com as versões americanas. São mais acessíveis. Nos últimos anos foram feitos dois filmes e, pelo que li, vem aí uma sequela para a versão mais recente. Tinha de ser... Mas vamos ao primeiro filme que vi.
Para quem não sabe, Rolland Emmerich é detentor do recorde mundial do maior número de quilómetros quadrados destruídos em filme. Bem, se não é, devia ser. Depois de explodir praticamente com tudo o que existe neste mundo (e noutros também), assina um remake de peso: Godzilla (1998). Pensando bem, mais ninguém estaria habilitado a fazer este remake que Emmerich. E, sem surpresa, fá-lo muito bem. Sejamos sinceros. Alguém quer ver um filme introspectivo com um réptil radioactivo gigante como protagonista? Claro que não! O que uma pessoa espera é ver arranha-céus a desmoronarem-se, petroleiros a voar por cima de cidades e os militares de todo o mundo a tentarem destruir o monstro, não é verdade? Por isso, é que criaram o Roland Emmerich: para nos dar tudo isso. E ele cumpre. Sempre. Por isso é que nunca perco um filme dele, mesmo sabendo que são todos iguais. São enormes chicletes de sabor artificial, mas que por qualquer motivo estranho, uma pessoa não consegue deixar de as mascar. Os filmes cumprem sempre a expectactiva criada e normalmente até a ultrapassam. São o exagero do exagero. Por isso, Godzila não desilude. Dá tudo o que tem e o que não tem. A juntar a tudo isto, normalmente são filmes tecnicamente irrepreensíveis. Os actores cumprem bem nos seus pequenos papéis de juntar os massivos efeitos digitais numa história linear, porque são naturalmente bons, como por exemplo Matthew Broderick, Jean Reno ou Michael Lerner. A história apesar de básica é coerente, e é exactamente o que uma pessoa espera. Mas também, quem é que quer saber da história num filme-catástrofe? Godzilla: um filme perfeito para ver no cinema a acompanhar o balde de pipocas. O que mais é que uma pessoa pode pedir? ●●○○○
Como estamos na época alto do remake/reboot, apesar do seu poder descomunal, Godzila não escapou. E como, normalmente, acontece nestas situações, o filme que vem depois é pior. Logo à partida, Godzilla (2014) é pior que a versão anterior porque tenta repor o conceito original do monstro radioactivo bom, que aparece para nos proteger, em vez do primeiro em que é o mau da fita. Compreendo a premissa de querer voltar ao tema original, mas contrabalançar o efeito monstro-bom (?) e para isso inventar uns insectos gigantes pretos que nem se percebe muito bem o que são, e depois fazê-los tão graaaaandes que nem aparecem completamente na tela, para mim, é muito pobre. Muito fraquinho. Aliás, se eu o tivesse visto no cinema, provavelmente ia pedir o meu dinheiro de volta. Então eu pago para ver o Godzilla e só vejo partes? Uma coluna vertebral aqui, umas patas gigantes ali, uns olhos acolá... Não tem nexo.
Depois, este novo filme parece que tenta contornar as críticas negativas do primeiro filme que é ostensivamente um filme de explosões, uma chiclete, como já disse. Tenta calar um pouco a crtítica oficial que se atira de unhas e dentes a este tipo de filmes e por isso os estúdios atiram para lá palha, lá está, para dar um ar mais sério e introspectivo. E fazem de tudo para o conseguir. Quer seja atafulhar nomes conceituados como Juliette Binoche ou Ken Watanabe para dar seriedade (mas que depois desaparecem após alguns minutos de filme), quer seja em deixar de explodir coisas durante 30 ou 40 entediantes minutos para gajos como eu não virem para aqui criticar e dizer que é só mais um filme de explosões e efeitos. Porque é que uma pessoa paga para ver estes filmes? É para ver o (ou a) Godzilla a partir a louça toda e mais nada. Este segundo remake quase que elimina esse propósito. Tudo isto culmina em algo quimérico que é uma tentiva falhada de misturar um drama (será?) com um filme de acção/efeitos. Um acçrama? Um dramação? Mal por mal, prefiro que sejam fiéis a si próprios e não tentam enganar-se. E especialmente que não tentam enganar as plateias. Nem esconder o Godzilla. ●○○○○
Para quem não sabe, Rolland Emmerich é detentor do recorde mundial do maior número de quilómetros quadrados destruídos em filme. Bem, se não é, devia ser. Depois de explodir praticamente com tudo o que existe neste mundo (e noutros também), assina um remake de peso: Godzilla (1998). Pensando bem, mais ninguém estaria habilitado a fazer este remake que Emmerich. E, sem surpresa, fá-lo muito bem. Sejamos sinceros. Alguém quer ver um filme introspectivo com um réptil radioactivo gigante como protagonista? Claro que não! O que uma pessoa espera é ver arranha-céus a desmoronarem-se, petroleiros a voar por cima de cidades e os militares de todo o mundo a tentarem destruir o monstro, não é verdade? Por isso, é que criaram o Roland Emmerich: para nos dar tudo isso. E ele cumpre. Sempre. Por isso é que nunca perco um filme dele, mesmo sabendo que são todos iguais. São enormes chicletes de sabor artificial, mas que por qualquer motivo estranho, uma pessoa não consegue deixar de as mascar. Os filmes cumprem sempre a expectactiva criada e normalmente até a ultrapassam. São o exagero do exagero. Por isso, Godzila não desilude. Dá tudo o que tem e o que não tem. A juntar a tudo isto, normalmente são filmes tecnicamente irrepreensíveis. Os actores cumprem bem nos seus pequenos papéis de juntar os massivos efeitos digitais numa história linear, porque são naturalmente bons, como por exemplo Matthew Broderick, Jean Reno ou Michael Lerner. A história apesar de básica é coerente, e é exactamente o que uma pessoa espera. Mas também, quem é que quer saber da história num filme-catástrofe? Godzilla: um filme perfeito para ver no cinema a acompanhar o balde de pipocas. O que mais é que uma pessoa pode pedir? ●●○○○
Como estamos na época alto do remake/reboot, apesar do seu poder descomunal, Godzila não escapou. E como, normalmente, acontece nestas situações, o filme que vem depois é pior. Logo à partida, Godzilla (2014) é pior que a versão anterior porque tenta repor o conceito original do monstro radioactivo bom, que aparece para nos proteger, em vez do primeiro em que é o mau da fita. Compreendo a premissa de querer voltar ao tema original, mas contrabalançar o efeito monstro-bom (?) e para isso inventar uns insectos gigantes pretos que nem se percebe muito bem o que são, e depois fazê-los tão graaaaandes que nem aparecem completamente na tela, para mim, é muito pobre. Muito fraquinho. Aliás, se eu o tivesse visto no cinema, provavelmente ia pedir o meu dinheiro de volta. Então eu pago para ver o Godzilla e só vejo partes? Uma coluna vertebral aqui, umas patas gigantes ali, uns olhos acolá... Não tem nexo.
Depois, este novo filme parece que tenta contornar as críticas negativas do primeiro filme que é ostensivamente um filme de explosões, uma chiclete, como já disse. Tenta calar um pouco a crtítica oficial que se atira de unhas e dentes a este tipo de filmes e por isso os estúdios atiram para lá palha, lá está, para dar um ar mais sério e introspectivo. E fazem de tudo para o conseguir. Quer seja atafulhar nomes conceituados como Juliette Binoche ou Ken Watanabe para dar seriedade (mas que depois desaparecem após alguns minutos de filme), quer seja em deixar de explodir coisas durante 30 ou 40 entediantes minutos para gajos como eu não virem para aqui criticar e dizer que é só mais um filme de explosões e efeitos. Porque é que uma pessoa paga para ver estes filmes? É para ver o (ou a) Godzilla a partir a louça toda e mais nada. Este segundo remake quase que elimina esse propósito. Tudo isto culmina em algo quimérico que é uma tentiva falhada de misturar um drama (será?) com um filme de acção/efeitos. Um acçrama? Um dramação? Mal por mal, prefiro que sejam fiéis a si próprios e não tentam enganar-se. E especialmente que não tentam enganar as plateias. Nem esconder o Godzilla. ●○○○○
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