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0104 Conan, The Barbarian; 0105 Conan, The Destroyer; 0106 Conan, The Barbarian; 0107 Red Sonja


Conan, a mítica personagem de Robert Howard foi adaptada para cinema no longínquo ano de 1982. Mesmo para quem não gosta muito de BD's (como é o meu caso), é uma daquelas personagens que toda gente conhece e que está tão enraizada na cultura popular como qualquer outro super-herói. Como não sou grande conhecedor do mundo da BD, dei uma leitura rápida na internet e fiquei a saber que Conan passou das mãos da Marvel (!) para a Dark Horse Comics em 2003. Faz muito mais sentido.
Em relação ao filme, Conan, The Barbarian é um dos dinossauros das adaptações de BD's. Vem de um tempo tão remoto, que ainda não existiam computadores pessoais, telemóveis, internet e a única rede social que existia chamava-se "a rua". O filme é do mais puro domínio do fantástico mas tem poucos efeitos especiais. Pelo standard actual, é caso para dizer: inacreditável.
Este é um daqueles filmes que adoro desde miúdo, e sempre que repete por aí em algum canal não resisto a vê-lo. Foi o que aconteceu... outra vez. Sobre o filme propriamente dito, não há muito a dizer a não ser que é muito bom... Os culpados deste sucesso são John Milius, Oliver Stone, Arnold Schwarzenegger, James Earl Jones e Basil Poledouris.
John Milius é principalmente culpado por conseguir juntar uma equipa fantástica e por escrever um argumento tão bem. Se formos ver o currículo, Milius nunca foi um grande realizador (não tem grandes filmes para referência), mas sempre foi um excepcional construtor de guiões. Apocalypse Now passou-lhe pelas mãos, portanto não é preciso dizer mais nada. Conan é só mais um da lista. Mas neste caso, fica muito bem na fotografia, porque Conan tem grandes sequências visuais e imagens icónicas.
Oliver Stone, para além de ser o reconhecido realizador que é, tem uma faceta menos conhecida que é a de escrever guiões. E também o faz muitíssimo bem. Midnight Express e Natural Born Killers, são só dois "pequenos" exemplos da mestria de Stone com as palavras. Não deixa de ser curioso que Stone e Milius parecem estar trocados de sítio: um é mais realizador, mas escreveu o guião, o outro é mais guionista mas ficou com a realização...
Basil Poledouris também é culpado, mas pelo lado sonoro. Conheço bastantes bandas sonoras originais e excluindo os musicais, esta é uma das melhores de sempre, se não mesmo a melhor. Acho isso excelente, principalmente porque Conan é um filme de acção/fantástico e normalmente, estas bandas sonoras limitam-se a acompanhar o "tempo" da acção. Basil Poledouris conseguiu criar música original que verdadeiramente complementa e une as imagens do filme. Muito bom.
James Earl Jones é o culpado de ser um dos melhores vilões de sempre. Não sei se é a aparência, se é aquela voz de Darth Vader, mas há qualquer coisa estranha que acontece quando Jones aparece nos filmes. Além disso, tem sempre aquela figura intimidante e aqueles olhos penetrantes... Foi uma excelente escolha de casting.
Finalmente, o homem dos músculos: Arnold Schwarzenegger. Ele é culpado por ser tão... Conan. Vá lá... mas existe mais alguém que possa interpretar o papel de Conan para além de Arnold?! Se o "verdadeiro" Conan fizesse uma viagem à realidade e eu o visse algures por aí, de certeza que dizia: "este gajo não é nada parecido com o Schwarzenegger!" Sempre achei que gajos com músculos não sabem representar, e Schwarzenegger não é excepção. Foram precisas décadas para Schwarzenegger atingir um patamar aceitável na área da representação, mas acabou por lá chegar. Neste caso, nem sequer era preciso. Conan e Schwarzenegger com a sua falta de jeito natural, encaixam tão perfeitamente, que era impossível arranjar outro actor para este papel.
Uma referência ainda para Max von Sydow, um daqueles "senhores" inesquecíveis do mundo dos filmes.
Conan, The Barbarian marcou a minha juventude. Foi dos primeiros filmes do género fantástico que vi. Pensando bem, acho até que foi dos primeiros filmes de qualquer género que vi! E mesmo hoje em dia, tantos filmes depois, posso dizer que (ainda) é um dos melhores. ●●●●○


Conan, the Destroyer
Pouco conhecida é a sequela de Conan que depois de bárbaro, passou a Conan, The Destroyer. E não é muito conhecida, porque simplesmente é má. Apesar de eu gostar muito do Richard Fleischer e da Grace Jones, não consigo superar o facto de que este é um filme mau. É apenas um aproveitamento imediato do sucesso do primeiro filme. Mas ser um filme sem chama, monótono, previsível, com maus efeitos especiais e que parece ter sido feito à pressa para corresponder à procura dos fãs, acaba por ter um lado positivo: mostra como é difícil fazer um filme deste género sem que se torne... patético. ●○○○○


Conan, The Barbarian (2011)
O que dizer do novo Conan, The Barbarian, agora protagonizado por Jason Momoa (...quem?!)? Posso dizer o mesmo que digo sempre deste tipo de remakes... filme de acção, efeitos especiais, algumas explosões, corpos esbeltos e jovens por todo o lado, roupas curtinhas, vazio de novas ideias (quanto mais não fosse, porque é mais um remake a juntar à avalanche de remakes da actualidade), uma chiclete para consumir e deitar fora. É mais um produto para a classe juvenil que outra coisa. Não tem nada que seja memorável ou que se aproveite. Mas admito que esta apreciação também pode ser o meu ressabiamento por estarem constantemente a denegrir os filmes que adoro fazendo remakes sem parar... ●○○○○


+ bónus
Red Sonja
Aproveitando a febre "Conan", ainda saiu para cinema um outro filme, Red Sonja, uma personagem feminina também saída da BD de Conan. Este filme foi traduzido em português como "Kalidor: A Lenda do Talismã" e foi mais um desastre de Richard Fleischer. Arnold Schwarzenegger não é Conan, mas sim Lord Kalidor... Confuso? Eu pelo menos estou... E é mesmo só isso: um filme que cavalga o sucesso de Conan e que quis colmatar a necessidade de mais filmes de espadas, feitiçaria, fantasia em tempos remotos e enormes músculos salientes. Como se comprova, é difícil fazer um filme dentro desta temática que não seja mau. O que torna o original Conan, The Barbarian sempre uma referência. Sou sincero, já vi este filme há muitos anos e já na altura o achei mau... nem imagino o que acharia agora. Alguns destaques: para Brigitte Nielsen, uma "ave rara" dos anos 80, que tem a particularidade de só ter entrado em maus filmes; para Sandahl Bergman, que no primeiro filme fazia de companheira de Conan e aqui é a vilã; e para a boa (!) banda sonora de um senhor chamado Ennio Morricone... Estranho, não? ●○○○○

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