Para um público de cinema assumidamente passivo como é o de hoje em dia, Alice in Wonderland foi um sucesso. Parece-me que hoje, o que o público quer é não pensar muito e que simplesmente lhe atirem com coisas, cores e movimento para os olhos. Daí que Alice in Wonderland tenha sido um sucesso. E assim sendo, o box-office obriga a uma sequela. A grande vantagem é o próprio livro já ter uma sequela... E ela chegou na forma de Alice Through the Looking Glass, se bem que aqui a aproximação já não foi o livro de Lewis Caroll, mas antes uma mistura de vários elementos do primeiro e do segundo livro, de forma a fazer uma nova história com os personagens originais.
Apesar das muitas parecenças, Tim Burton já não mora aqui. A realização esteve a cargo de James Bobin, mas com Tim Burton no papel de produtor, visão distorcida, colorida e negra ao mesmo tempo e às vezes até mórbida continua lá.
Alguns actores repetem a estadia em Wonderland (Johnny Depp, Mia Wasikowska, Helena Bonham Carter, Anne Hathaway e Sacha Baron Cohen, Andrew Scott) enquanto outros se estreiam. Mas lógica permanece a mesma do primeiro filme. São irrelevantes quando comparados com a imensidão de efeitos especiais que inundam o filme até à exaustão, não deixando grande espaço para a representação. Destaque para um gajo que sempre gostei, Alan Rickman que teve aqui a sua última participação. Rickman sempre me fascinou porque tinha aquele look de cavalheiro brit mas por outro lado parecia ter um lado muito negro.
Alice Through the Looking Glass sofre do mesmo mal do primeiro filme, com a agravante de parecer uma cópia, mais do que parecer uma sequela. Mal acaba de se ver, uma pessoa fica na dúvida se já não viu aquilo antes... É toda uma nova definição para o termo "esquecível"... Mais um tiro em CGI nos pés e mais uma enorme decepção. ●○○○○
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Se em tempos fui um grande entusiasta dos efeitos especiais, hoje em dia, sou um dos grandes críticos. Continuo a gostar dos efeitos, mas acho que hoje eles dominam tudo. E tudo o que é demais é erro. Um dos bons exemplos disso é Alice in Wonderland de Tim Burton. Juntar o intemporal, lunático e fantástico conto de Lewis Carroll com a visão de Tim Burton deveria ter sido o casamento mais feliz do cinema, até porque o filme "marcou" os 145 anos do lançamento original do livro. Deveria ter sido uma homenagem impecável. Mas isso não aconteceu. É estranho, mas algo falhou redondamente aqui. Sou um grande fã do Burton mas ele espalhou-se ao totalmente ao comprido. Mas qual é a razão? Apesar dos actores estarem todos bem nos seus papéis (Johnny Depp, Mia Wasikowska, Helena Bonham Carter, Anne Hathaway e Alan Rickman, entre muitos outros), tornam-se quase irrelevantes e planos como se fosse de cartão. Um cartão digital, claro está... O guião está muito bem construído e encaixa perfeitamente a narrativa desta "nova" Wonderland sobre o efeito de psicotrópicos. A melhor coisa do filme é mesmo a forma como foi escrito, tendo por base uma "verdadeira história" em torno das deambulações de Alice, ao invés de ser "apenas" uma miúda a ter uma série de encontros fortuitos com personagens tresloucadas.
A falha, por isso, só pode ser atribuída aos (excessos dos) efeitos especiais. Tim Burton deixou-se levar pelas infinitas possibilidades da técnica. Para um realizador com aquela visão deve ter sido muito difícil contrariar as possibilidades. Agora é possível transpor para um ecrã toda e qualquer ideia, por mais maluca, fantástica ou esquisita que seja. Simplesmente não há limites para o CGI. O reverso da medalha é que deixa o espectador sem margem para imaginar. O espectador torna-se um elemento passivo que está só ali a assistir aos devaneios mentais do realizador e da equipa de efeitos especiais. Não deixa espaço nenhum para a imaginação. Alice in Wonderland torna-se por isso numa obra passiva em que uma pessoa se perde neste Wonderland digital cheios de fogos de artifício. É um filme sem alma orgânica e que retira todo o fascínio e o sentimento de mistério, espanto e maravilha. Fica apenas a visão colorida e bizarra típica do Tim Burton vintage, que por natureza também já vem dos livros, e uma sensação de amargo na boca por não ter nada de memorável. Um tiro de pólvora seca... ●○○○○
A falha, por isso, só pode ser atribuída aos (excessos dos) efeitos especiais. Tim Burton deixou-se levar pelas infinitas possibilidades da técnica. Para um realizador com aquela visão deve ter sido muito difícil contrariar as possibilidades. Agora é possível transpor para um ecrã toda e qualquer ideia, por mais maluca, fantástica ou esquisita que seja. Simplesmente não há limites para o CGI. O reverso da medalha é que deixa o espectador sem margem para imaginar. O espectador torna-se um elemento passivo que está só ali a assistir aos devaneios mentais do realizador e da equipa de efeitos especiais. Não deixa espaço nenhum para a imaginação. Alice in Wonderland torna-se por isso numa obra passiva em que uma pessoa se perde neste Wonderland digital cheios de fogos de artifício. É um filme sem alma orgânica e que retira todo o fascínio e o sentimento de mistério, espanto e maravilha. Fica apenas a visão colorida e bizarra típica do Tim Burton vintage, que por natureza também já vem dos livros, e uma sensação de amargo na boca por não ter nada de memorável. Um tiro de pólvora seca... ●○○○○
David Cronenberg é neste momento um homem desencantado com Hollywood. Bem, se não é, não percebi bem o filme. Sexo, incesto, morte, traição, drogas e conversas de merda são o dia-a-dia de Hollywood atrás das câmaras. É isso que se deve depreender após visionar Maps to the Stars.
Isto até é o melhor do filme: a história e o guião. Muito bem construído e estruturado em volta de uma série de peculiares personagens que vão do actor adolescente em reabilitação por uso de drogas, da actriz que tendo mais que 40 anos já não tem espaço de representação por ser "demasiado velha", passando pelo "terapeuta" alternativo das celebridades. Todos imprevisíveis, mentalmente instáveis, misturados e ligados por uma história central. Basicamente, a espinha dorsal da anormal "normalidade" de Hollywood...
Os actores são a outra coisa boa e são eles que essencialmente seguram os filme durante os 100 minutos. O miúdo (Evan Bird) parecia desfasado da história, mas depois apercebi-me que era muito bom e, teoricamente, terá um futuro promissor. No geral, (Robert Pattinson, Mia Wasikowska e John Cusack) são todos muito bons, mas o destaque tem que ser dado à Julianne Moore porque é uma excelente actriz que dá sempre tudo o que tem. É por isso mesmo que Moore é uma das minha actrizes favoritas de sempre. Pequeno destaque para Carrie Fisher que aparece brevemente como ela própria.
No cômputo geral, Maps to the Stars nunca descola totalmente porque parece um telefilme, mais que um filme de cinema. Apesar da violência e da nudez, parece que Cronenberg nunca quis "magoar" ninguém. Este (já) não é o Cronenberg que conheço. Foi tudo demasiado polido para o meu gosto e para o que esperava. O final é poético mas não é apoteótico. Lá está, o filme nunca descola. Mantém um ritmo constante sem nunca ter picos de nada. Se Maps to the Stars estivesse ligado àquelas máquinas de suporte de vida, a única coisa que se ouviria é um som constante sem altos nem baixos: basicamente é um filme em "ponto morto". Seja como for, é sempre bom ver o outro lado de Hollywood nem que seja só para espreitar por detrás da cortina. Especialmente porque vem de uma pessoa que conhece bem o meio e que de certeza conhece ainda melhor os podres. ●●○○○
Isto até é o melhor do filme: a história e o guião. Muito bem construído e estruturado em volta de uma série de peculiares personagens que vão do actor adolescente em reabilitação por uso de drogas, da actriz que tendo mais que 40 anos já não tem espaço de representação por ser "demasiado velha", passando pelo "terapeuta" alternativo das celebridades. Todos imprevisíveis, mentalmente instáveis, misturados e ligados por uma história central. Basicamente, a espinha dorsal da anormal "normalidade" de Hollywood...
Os actores são a outra coisa boa e são eles que essencialmente seguram os filme durante os 100 minutos. O miúdo (Evan Bird) parecia desfasado da história, mas depois apercebi-me que era muito bom e, teoricamente, terá um futuro promissor. No geral, (Robert Pattinson, Mia Wasikowska e John Cusack) são todos muito bons, mas o destaque tem que ser dado à Julianne Moore porque é uma excelente actriz que dá sempre tudo o que tem. É por isso mesmo que Moore é uma das minha actrizes favoritas de sempre. Pequeno destaque para Carrie Fisher que aparece brevemente como ela própria.
No cômputo geral, Maps to the Stars nunca descola totalmente porque parece um telefilme, mais que um filme de cinema. Apesar da violência e da nudez, parece que Cronenberg nunca quis "magoar" ninguém. Este (já) não é o Cronenberg que conheço. Foi tudo demasiado polido para o meu gosto e para o que esperava. O final é poético mas não é apoteótico. Lá está, o filme nunca descola. Mantém um ritmo constante sem nunca ter picos de nada. Se Maps to the Stars estivesse ligado àquelas máquinas de suporte de vida, a única coisa que se ouviria é um som constante sem altos nem baixos: basicamente é um filme em "ponto morto". Seja como for, é sempre bom ver o outro lado de Hollywood nem que seja só para espreitar por detrás da cortina. Especialmente porque vem de uma pessoa que conhece bem o meio e que de certeza conhece ainda melhor os podres. ●●○○○
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