Mostrar mensagens com a etiqueta Baz Luhrmann. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Baz Luhrmann. Mostrar todas as mensagens
Outra série de filmes medianos (estes, bem acima da média), desta vez dentro duma temática muito especial: "filmes melhores que a média, vindos de grandes realizadores, mas que de alguma forma não conseguem passar aquela barreira do "muito bom" porque são demasiado perfeitos". É uma temática estranha e muito difícil de explicar. Mas existe. Alexander Payne, Wes Anderson e Baz Luhrmann são todos realizadores excelentes. São nomes a que estou sempre atento e dos quais espero sempre o melhor do melhor. O "pior" que conseguem fazer são estes filmes. Filmes tecnicamente perfeitos, com histórias tratadas de maneira original e com actores muito bem escolhidos e dirigidos. O que falha nestes filmes é pfunfzzz. Aquele kick. É difícil de explicar. É como se faltasse o elemento surpresa, aquela estalada cerebral que uma pessoa leva quando vê aquele filme. Uma pessoa sabe de antemão que vai ver um filme bom e é "apenas" isso: um filme bom. Estranhamente, o que não gosto nestes filmes é que parecem todos... demasiado perfeitos. (É estranho dizer, mas é verdade) Elevar muito a fasquia tem destas coisas. Nestes casos, não consigo deixar de fazer comparações. Election é melhor que About Schmidt? The Grand Budapest Hotel é melhor que The Life Aquatic with Steve Zissou? The Great Gatsby é melhor que Moulin Rouge?

Election
Matthew Broderick e Reese Witherspoon enfrentam-se numa eleição escolar e é o caos total. Uma comédia melhor que a média. Muitas observações cáusticas e bicadas ao sistema. Não sei se é por estar lá o Matthew Broderick ou por a história se passar numa escola, mas houve alturas em que parecia que estava a ver uma continuação do Ferris Bueller's Day Off... (E afirmo isto no bom sentido...) ●●●○○



The Grand Budapest Hotel
Uma história rocambolesca sobre o roubo de uma obra de arte num imaginário e luxuoso hotel, na imaginária República de Zubrowk. Um "lendário" porteiro chamado Gustave H (Ralph Fiennes) e o seu fiel amigo, o paquete Zero. A confusão habitual de Wes. O elenco é tão grande e tão recheado de nomes sonantes que precisaria de um dia só para os escrever... (podia fazer copy/paste mas isso perdia toda a piada). ●●●○○



The Great Gatsby
Mais uma adaptação da história do misterioso Jay Gatsby, o manipulador, calculista e eterno optimista que perde tudo no final, como qualquer bom optimista. Também conhecida como a "história que uma pessoa é obrigada a ler nas aulas inglês do secundário". Leonardo DiCaprio está muito fixe e parece que finalmente se conseguiu descolar do "menino bonito". ●●●○○

De Baz Luhrmann. Com um grande sublinhado muito carregado e bem fluorescente. Uma obra cinematográfica única. Ninguém filma de forma tão brilhante como Baz Luhrmann. E brilhante, é uma das palavras-chave deste filme e do reportório seguinte.
Este foi o meu primeiro contacto com Baz e a sensação com que fiquei quando o vi o filme pela primeira vez é que me tinham atado fogo-de-artifício ao cérebro e lhe tinham pegado fogo. Romeo and Juliet (1996), pensando bem, não é bem um filme. É mais um estímulo dos sentidos.
A história trágica de amores desencontrados, separados por famílias em conflito, já toda a gente a conhece e dispensa apresentação. Já a vi ser adaptada para cinema uma meia dúzia de vezes, mas nunca tinha visto (nem vi) nada assim. A única palavra que me vem à cabeça, é mesma essa: único.
É um daqueles filmes que marca uma década e uma geração. Mas por outro lado, o filme é também uma marca da década e da própria geração. É uma mistura improvável, só possível devido aos excessos e à depressão dos anos 90. Poucos filmes conseguem captar o espírito duma geração. Romeo and Juliet, de uma forma estranha e rocambolesca, conseguiu-o. Para além das milhões de adolescentes que se bababam com o protagonista principal, é também o filme em que os adolescentes dos 90's percebem que vão entrar na idade adulta. Só podia ser uma tragédia.
As caras bonitas da altura, à procura de afirmação, mas ainda relativamente desconhecidas, Leonardo DiCaprio e Claire Danes, tornaram-se automaticamente em super-estrelas. E não porque eram apenas caras bonitas, mas porque se revelaram realmente como excelentes actores. Alguém que tenha passado a adolescência nos 90's relaciona instintivamente Dicaprio e Danes com a tragédia de Romeu e Julieta. Acho que isso os torna também, automaticamente, em excelentes actores. É como se, a determinada altura, eles deixassem de representar e se tornassem mesmo nas personagens. Num filme de tom assumidamente burlesco, com uma dificílima linguagem Shakespeareana, ainda abona mais a favor dos dois miúdos. A acompanhar esta dupla perfeita, um elenco underdog, mas de peso como John Leguizamo, Pete Postlethwaite, Brian Dennehy e Paul Sorvino.
Mas a estrela que brilhou mais que todas, foi mesmo Baz Luhrmann. Inventou um género novo de filme: o filme carregado de glitter e fogo-de-artifício, com uma montagem rápida e banda sonora alternativa: o filme tipo-Luhrmann. A qualidade até pode ser discutível, mas o estilo não é de certeza.
Como é que alguém consegue transpor aquela história directamente de Shakespeare, com aquela linguagem imensamente rígida, para um tempo moderno, quase intemporal, e transformá-la num filme pop espectacular? É uma incógnita. Ainda por cima, lá está, com tanto brilho, tanta pluma, tanto fogo-de-artifício? Este filme tinha todos os ingredientes para ser tornar numa aberração. Com um estilo único, diferente de tudo o que já se tinha visto até ali, Baz Luhrmann conseguiu torná-lo numa obra prima dos tempos modernos. ●●●●○

 
Copyright © 2015 todos os filmes que vi
Distributed By Gooyaabi Templates