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Continuação do primeiro John Wick... que como previra, tinha tudo para ser um sucesso de bilheteira. Chad Stahelski faz regressar o durão Keanu Reeves, e junta-lhe mais inimigos e aliados (Riccardo Scamarcio, Ian McShane, Laurence Fishburne e John Leguizamo). Continuação e aumento das cenas de porrada, mas sempre com algum miolo e muito, muito estilo. Apesar de ser mais do mesmo (que a primeira entrega), tem pelo menos o condão positivo de conseguir criar um novo mundo hierárquico de assassinos pagos e estilosos. E tudo com lógica, o que é uma raridade hoje em dia. Boas cenas de porrada, muito bem engendradas e ainda melhor filmadas. John Wick: Chapter 2 não é totalmente estúpido e por isso vê-se relativamente bem, apesar de a determinada altura a necessidade de acção constante tornar a coisa demasiado repetitiva. Tal como acontece na maioria dos filmes de acção actuais, falta-lhe uma grande dose de calma... Ia dizer que se previa um Chapter 3, mas a velocidade de produção hoje em dia é tão rápida que fiquei a saber agora mesmo que já está nos cinemas!!!... E já vem a caminho um Chapter 4!!!... What a rush... Espero que não danifiquem demasiado a "franquia"... ●●○○○

E agora para algo completamente diferente... Steven Seagal. Os filmes do Steven Seagal não mudam muito. Até meio da década de 90 vi-os todos porque sempre fui fã dos filmes de artes-marciais, ou como se dizia da altura "filmes de porrada", e estes eram uma evolução para os filmes de acção típicos dos anos 80. O Steven Seagal tinha um estilo de porrada muito próprio e eu gostava disso. Mas a determinada altura os filmes parecem sempre o "mesmo" filme. Ele faz sempre o mesmo papel (um polícia/detetive incorruptível), na mesma história (alguém mata um dos seus familiares ou amigos e ele vai procurar vingança). Depois de 5 ou 6 filmes já não dá para aguentar mais. É como estar a ver Steven Seagal a fazer a personagem de... Steven Seagal... Mas, para a altura - e repito, para a altura -, os primeiros filmes até eram aceitáveis. Neste caso, o Out for Justice, o filme de acção típico naquela altura peculiar de transação entre os 80's e os 90's. Como não podia deixar de ser, Seagal faz de detetive em busca de vingança pela morte de um amigo polícia, às mãos de um mafioso tresloucado pelo abuso de drogas, neste caso interpretado pelo excelente William Forsythe. Este era um actor muito bom dos anos 90 que infelizmente não colou nos anos seguintes. O mesmo aconteceu com Jerry Orbach e Gina Gershon, outros nomes dos 90's que entretanto caíram (quase) no esquecimento. O problema é que entravam nestes filmes mais fraquinhos e não tinham tantas oportunidades como as que existem agora. Outros tiveram mais sorte como Julianna Margulies e John Leguizamo que só estavam a começar nesta altura e assim puderam aproveitar o boom nas produções cinematográficas.
Out for Justice tem como principal factor positivo não ser (ainda) ridículo apesar de muito datado no tempo. As cenas de acção até são boazitas e ainda actuais e a história apesar de banal, tem espinha dorsal e é totalmente aceitável. Classifico melhor estes filmes "antigos" do que grandes produções atuais, porque me lembram da simplicidade de outros tempos, do VHS, e de uma realidade de cinema que já não existe. É simplesmente um caso de puro saudosismo... ●●○○○

Não me vou demorar muito com isto. Não vale a pena. É mau demais para perder muito tempo a escrever. The Happening é um filme de  M. Night Shyamalan que tem 10-15 minutos mais ou menos razoáveis no ínicio quando "entra" na premissa. Um estranho acontecimento assola Nova York: as pessoas param de repente a sua rotina diária e suicidam-se sem motivo aparente. Até aqui ainda se consegue ver. O resto é "palha" que não acrescenta nada à história, apenas tempo de filme...
Para não ser muito insultuoso, pode-se dizer que acaba por ser um exercício cinematográfico inexplicável e acima de tudo incoerente. Vindo dum gajo que tinha dado (muito) boas indicações com os dois primeiros fimes é ainda mais decepcionante.
The Happening não explica nada, não diz nada. E de repente tudo volta normalmente ao início e o filme acaba. É ridículo. É um daqueles filmes para NÃO se ver. Desde a história aos actores, nada escapa à fúria de nulidade. É uma perda enorme de tempo. Mais vale tirar uma soneca de 90 minutos.
É caso para dizer: "i see shitty films..." ○○○○○

De Baz Luhrmann. Com um grande sublinhado muito carregado e bem fluorescente. Uma obra cinematográfica única. Ninguém filma de forma tão brilhante como Baz Luhrmann. E brilhante, é uma das palavras-chave deste filme e do reportório seguinte.
Este foi o meu primeiro contacto com Baz e a sensação com que fiquei quando o vi o filme pela primeira vez é que me tinham atado fogo-de-artifício ao cérebro e lhe tinham pegado fogo. Romeo and Juliet (1996), pensando bem, não é bem um filme. É mais um estímulo dos sentidos.
A história trágica de amores desencontrados, separados por famílias em conflito, já toda a gente a conhece e dispensa apresentação. Já a vi ser adaptada para cinema uma meia dúzia de vezes, mas nunca tinha visto (nem vi) nada assim. A única palavra que me vem à cabeça, é mesma essa: único.
É um daqueles filmes que marca uma década e uma geração. Mas por outro lado, o filme é também uma marca da década e da própria geração. É uma mistura improvável, só possível devido aos excessos e à depressão dos anos 90. Poucos filmes conseguem captar o espírito duma geração. Romeo and Juliet, de uma forma estranha e rocambolesca, conseguiu-o. Para além das milhões de adolescentes que se bababam com o protagonista principal, é também o filme em que os adolescentes dos 90's percebem que vão entrar na idade adulta. Só podia ser uma tragédia.
As caras bonitas da altura, à procura de afirmação, mas ainda relativamente desconhecidas, Leonardo DiCaprio e Claire Danes, tornaram-se automaticamente em super-estrelas. E não porque eram apenas caras bonitas, mas porque se revelaram realmente como excelentes actores. Alguém que tenha passado a adolescência nos 90's relaciona instintivamente Dicaprio e Danes com a tragédia de Romeu e Julieta. Acho que isso os torna também, automaticamente, em excelentes actores. É como se, a determinada altura, eles deixassem de representar e se tornassem mesmo nas personagens. Num filme de tom assumidamente burlesco, com uma dificílima linguagem Shakespeareana, ainda abona mais a favor dos dois miúdos. A acompanhar esta dupla perfeita, um elenco underdog, mas de peso como John Leguizamo, Pete Postlethwaite, Brian Dennehy e Paul Sorvino.
Mas a estrela que brilhou mais que todas, foi mesmo Baz Luhrmann. Inventou um género novo de filme: o filme carregado de glitter e fogo-de-artifício, com uma montagem rápida e banda sonora alternativa: o filme tipo-Luhrmann. A qualidade até pode ser discutível, mas o estilo não é de certeza.
Como é que alguém consegue transpor aquela história directamente de Shakespeare, com aquela linguagem imensamente rígida, para um tempo moderno, quase intemporal, e transformá-la num filme pop espectacular? É uma incógnita. Ainda por cima, lá está, com tanto brilho, tanta pluma, tanto fogo-de-artifício? Este filme tinha todos os ingredientes para ser tornar numa aberração. Com um estilo único, diferente de tudo o que já se tinha visto até ali, Baz Luhrmann conseguiu torná-lo numa obra prima dos tempos modernos. ●●●●○

 
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