Mostrar mensagens com a etiqueta adolescentes. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta adolescentes. Mostrar todas as mensagens
Debbie vai casar com Rick. Mas Rick tem amigos que gostam de festas da pesada e por isso planeiam a melhor despedida de solteiro de sempre. A juntar a isto, os pais de Debbie detestam Rick e vão fazer tudo ao seu alcance para acabar com o noivado. O ex-namorado também é chamado para tentar afastar os dois. O dia da despedida de solteiro finalmente chega e tudo vai correr para o torto da maneira mais extravagante possível...
Bachelor Party é o filme típico de humor teenager dos anos 80. Comédia imatura, cenas estúpidas e sem sentido, alguma nudez e muita insinuação sexual. O esqueleto básico onde se montaram desde então os chamados "filmes de farra"... os American Pie andam por aí há muito tempo...
Muito antes de se tornar um actor dramático premiado com Óscares, Tom Hanks fez toda a formação na comédia e neste caso, nas trincheiras da própria comédia, que é este tipo de humor brejeiro, meio desmiolado e de "tarte na cara"... mas também pode ser tarte no bikini... Tawny Kitaen, George Grizzard e Barbara Stuart completam o lote de actores principais. Uma coisa engraçada neste filmes antigolas é que uma pessoa encontra por lá actores que estão a dar os primeiros passos e que são totalmente inesperados... Michael Dudikoff, um dos heróis de acção dos anos 80 também anda por lá.
Neal Israel realiza um filme que de certa forma ficou para a história, porque é precursor de um género que perdura até aos dias de hoje... ou pelo menos, até ao dia em que existirem teenagers... Eu e os meus amigos também víamos muitos destes filmes. Ríamo-nos de qualquer coisa e era sempre uma oportunidade de ver umas miúdas de bikini e ouvir umas piadas sexistas. Depois crescemos e esquecemos estes filmes. Já se me varreu quase tudo da memória... ○○○

Um jovem casal (Kelly Reilly e Michael Fassbender) faz uma viagem de férias até ao idílico Eden Lake. O sítio é espectacular, com um lago de águas calmas rodeado de uma belíssima paisagem natural. Tudo corria perfeitamente bem até que os gunas do local (Jack O'Connell e restantes miúdos) aparecem para estragar tudo... E aí a paisagem muda da beleza natural para a dor, para a frustração, para a raiva e para a sobrevivência. Tenho que admitir que tive de parar o filme a meio. Estava a dar-me cabo dos nervos e do estômago. Na ruralidade mais profunda deste país já estive perante situações que parecem o início de Eden Lake, daí que o filme estivesse a "afectar-me" psicologicamente e até fisicamente. Mas lá retomei o filme e fiquei ainda mais desconcertado. O guião exagera nas peripécias, na imprevisibilidade e tudo o que pode correr mal, corre ainda pior, mais violento e mais gore. James Watkins, o realizador, parece que tem prazer em fazer aqueles dois personagens sofrer... e a mim também.
Resumidamente, Eden Lake é uma dor contínua de filme, muito difícil de ver até ao fim. Já agora, odiei o final. Mas odiei no "bom sentido". É uma espécie de Deliverance brit, exagerado mas bem feito. Uma agradável surpresa desagradável. Vendo o final percebe-se o que quero dizer... Recomendado apenas a mentes e estômagos mais fortes... ●●●○○


Sentado no seu escritório, um escritor recorda os seus tempos de miúdo e as aventuras com os seus amigos mais próximos. Em particular, conta a história marcante de como ele e três amigos decidiram fugir de casa e fazer uma longa viagem para encontrar o corpo de um outro miúdo da vila que tendo desaparecido há algum tempo, se presumia que tivesse morrido. Pelo caminho, vão aprendendo coisas sobre si próprios e sobre a importância da amizade. Mas como têm a concorrência directa de um gang de "gunas", acabam também por aprenderem a defender-se e, mais importante ainda, a levantarem-se sem medo para defender o que está certo.
Baseado em "The Body" do mítico Stephen King e muito bem realizado por Rob Reiner, Stand By Me é um excelente filme de adolescentes. É ternurento, melancólico, alegre e macabro, tudo ao mesmo tempo e tudo muito bem equilibrado entre drama e aventura. Se Richard Dreyfuss, um gajo que sempre curti, é um "Stephen King" muito verosímil, os miúdos rebentam com a escala. Wil Wheaton, River Phoenix, Corey Feldman, Jerry O'Connell nos papéis dos bons miúdos, estão excelentes e só posso apontar coisas positivas às performances. Neste grupo, destaca-se de forma óbvia o River Phoenix porque tem uma maturidade e um à-vontade em frente das câmaras muito diferente dos outros. Poderia ter sido um excelente actor, mas como por vezes acontece com os sobredotados, simplesmente "queimam" rápido demais. Kiefer Sutherland é um "bad boy" muito convincente porque é um actor muito bom, como se viria a comprovar nos anos seguintes em montes de filmes.
Para quem não acompanhou o surgimento do cinema teenager nos anos 80 pode ser difícil de perceber porque é que coisas como o Stranger Things e sucedâneos têm tanto sucesso agora e conseguem cativar tanto público. É que este fenómeno não é novo. Tem as suas raízes em filmes como este ou os Goonies por exemplo. Acho que posso dizer que Stand By Me é uma espécie de antepassado destes sucessos actuais e futuros. Stand By Me é um filme que gosto bastante e que recomendo sempre. ●●●●○

Pensei que ao fim destes anos todos a escrever sobre filmes já estaria numa contagem mais elevada. Nunca imaginei que isto daria tanto trabalho. É difícil e demora muito tempo. Nunca tinha pensado nisso. E já vi tanto filme que acho que vou estar aqui a vida inteira. Dito isto, preciso de acrescentar mais uns títulos sem perder muito tempo, até porque há filmes que não merecem o tempo que um gajo perde. E para acrescentar "numeração" nada melhor que trilogias ou sagas baseadas em livros que foram sucessos de vendas para adolescentes, porque não há muito para dizer. Hunger Games representa muito bem este "esquema" infalível de facturação.
Não vou perder muito tempo a contar a história que toda a gente conhece, por isso vai já uma citação da wikipédia: "Num futuro distópico pós-apocalíptico na nação de Panem, onde miúdos de 12 a 18 anos devem participar dos "Jogos Vorazes" (esta tradução é espectacular!), um evento anual televisivo na qual os "tributos" lutam até a morte até que sobre apenas um, que é coroado vencedor. Katniss Everdeen (Jennifer Lawrence) se voluntaria para tomar o lugar de sua irmã mais nova nos jogos. Ao lado do parceiro masculino do distrito, Peeta Mellark (Josh Hutcherson), Katniss viaja até à Capital para treinar para o evento com a ajuda de Haymitch Abernathy (Woody Harrelson), que já venceu os "Hunger Games" uma vez."
Talvez por causa da novidade, tenho de admitir que a primeira "entrega" me surpreendeu pela positiva. Até nem é assim tão mau. Vê-se perfeitamente e os actores até são bonzitos. Mas isso não interessa para nada; o que interessa nesta questão das sagas é isto; receita de bilheteira: mais ou menos 700 milhões de dólares. ●●○○○




A seguir veio The Hunger Games: Catching Fire a que se juntaram acotres como Stanley Tucci, Donald Sutherland ou Philip Seymour Hoffman (o que uma pessoa tem de fazer por dinheiro!). A aventura continua, a qualidade cai mas a classificação de bilheiteira sobe: 800 milhões de dólares. ●○○○○



Como não podia deixar de ser, e face aos sucessos anteriores, não se podia reduzir o sucesso de bilheteira a apenas uma "entrega final": há-que dividir o final em duas partes e assim multiplicar também por dois a receita de bilheteira: mais 800 milhões de Dólares com a chegada de The Hunger Games: Mockingjay - Part 1. É um filme onde praticamente nada acontece a não ser ganhar momentum para a parte final que chegaria 1 anos depois. ○○○○○




Para delírio dos fãs, finalmente chega The Hunger Games: Mockingjay - Part 2 que é mais outra fraude cinematográfica. Só existe sacar o máximo possível de dinheiro à audiência e dar um pouquinho mais de tempo aos fãs. Na maior parte do tempo não acontece nada e simplesmente está a encher "tempo de antena". Muitas vezes perde-se na sua própria mitologia alimentada por milhões de fãs que querem indefinidamente ver os seus personagens favoritos; então eles, os personagens estão simplesmente no ecrã a dizer e a fazer a mesma coisas repetidamente, vez após vez. Isto dos fãs tem muito que se lhe diga... mas fica para outra altura em que me apeteça insultar pessoas... À parte disto... nada. Rigorosamente nada. Falhas graves de argumento, do género: personagens que estavam ali, mas de repente aparecem aqui sem explicação nenhuma... História inexistente ou risível (a moça-heróina à última da hora decide matar a líder da resistência à frente de toda a gente, mas toda gente ignora esse facto e continuam impávidas e serenas na sua vida...). Enfim...
Estes filmes são tão "bons" que se me varrem completamente da memória. Por muito estranho que pareça, a única coisa que ficou gravada mentalmente foi uma cena completamente inexplicável com um gato que não foge quando a Julianne Moore lhe atira com coisas. Eu tenho e percebo de gatos: portanto, ou o bicho estava colado à bancada da cozinha ou sedado com múltiplas doses de heroína... um pouco na onda dos fãs... pronto! já o disse. não me consegui conter. Estes filmes fazem-me mesmo pensar no futuro da humanidade. Alguém ir ver isto, eu ainda compreendo porque uma pessoa pode ser enganada. Agora gostar disto... é algo verdadeiramente inexplicável. Bilheteira: "apenas" 700 milhões de dólares. ○○○○○




PS. Se alguém quiser ir ter ao hospital com uma embolia cerebral, pode sempre ver tudo de seguida... aviso já que são para aí umas 10 horas de filme, mas que podiam facilmente ser condensadas em 60 minutitos. A única coisa verdadeiramente positiva nesta saga é que... finalmente acabou. Admira-me que ainda não tenha sido transformado numa "de sucesso"...
Numa qualquer cidade anónima nas profundezas da América vive um gajo normal de seu nome Odd Thomas. Cozinheiro de profissão mas clarividente por natureza. Apesar de toda a sua normalidade aparente, ele tem um segredo paranormal: consegue ver as forças do mal que nos rodeiam a todo o instante. Um dia, quando um estranho entra no seu restaurante rodeado de demónios da pior espécie, Odd Thomas sabe que tem de entrar numa luta épica para fazer com que o Bem consiga derrotar o Mal.
Realizado pelo homem das "múmias", Stephen Sommers, Odd Thomas é um filmito de fantasia, pontilhado de comédia que entra na classe de "perfeitamente aceitável". Destaque para Anton Yelchin que manifestamente era um bom actor e isso faz muito diferença. Willem Dafoe é e será sempre um gajo porreiro em qualquer filme. Odd Thomas é estranho pela mistura de conceitos e acaba por se encostar muito àquela aparência estereotipada Disney/teenager (para captar público, será?), mas vê-se bem. Bom para miúdos. ●●○○○

 
Christine é mais um dos grandes filmes de John Carpenter. Infelizmente, este é um daqueles gajos que só vai ter reconhecimento como grande cineasta que é quando morrer. É verdade que nos últimos anos tem andado desaparecido e quando aparece, os filmes são muito fraquinhos. Mas tem um reportório anterior que mete respeito. Christine é um desses exemplos. Tenho que dizer que a Christine é um carro muito, muito fixe. É verdadeiramente uma personagem. Tudo é fixe neste filme: desde as boas interpretações dum elenco jovem e totalmente desconhecido (Keith Gordon, John Stockwell e Alexandra Paul, ajudados por veteraníssimos como Robert Prosky e Harry Dean Stanton), até à grande banda sonora que acompanha cada momento do filme.
A base é (mais) uma excelente história de Stephen King sobre um carro-assassino-psicopata que aparentemente tem vida própria. Mas é mais do que isso. É sobre a emancipação na adolescência. É sobre despegar-se das rédeas familiares. É sobre o poder que é ter algo verdadeiramente nosso. É sobre a revolta dos nerds. É sobre como o sobrenatural aparece despercebido no quotidiano. Christine tem tudo. Tem cenas verdadeiramente inesquecíveis, como por exemplo a Christine a rolar vagarosamente em chamas numa estrada tipo Lost Highway ou ver o carro a reconstruir-se à frente dos nossos olhos. Agora parece um pouco idiota dizer isto, mas em 1983, sem computadores para gerar efeitos digitais, isso era verdadeiramente cinema sobrenatural. Christine é John Carpenter vintage. Um clássico de terror, "bad to the bone" e muito fixe. ●●●●○

Chicletes: filmes que normalmente são exemplares técnicos perfeitos, em que a produção é mais cara que o PIB de alguns países, mas que não têm substância nenhuma. É assim que os entendo. Quando vejo um filme e no dia seguinte ele desaparece da minha mente, isso é uma chiclete. Alguém se lembra do sabor da última chiclete que mastigou? Pois... O mesmo se passa com estes filmes. É bastante duro estar a deitar abaixo estas produções porque elas são verdadeiras potências visuais e técnicas que às vezes levam anos a compor. Alguns exemplos de chicletes para ver no fim de semana, se por acaso uma pessoa ficar retida em casa devido a uma tempestade tropical...

John Carter
Chiclete de primeira qualidade. Vai buscar uma história das antigas, embrulha tudo numa produção visual do mais avançado que existe e... não dá em nada. É daqueles filmes que se podem ver todos os anos. É sempre uma novidade. Não há nada que seja memorável. O que há: actores muito bonitos, grandes efeitos especiais, muito fundo verde, cenas de grande acção e algumas explosões. Pura verborreia visual feita à volta dos guiões típicos, mas muito bem construídos dos filmes Disney. O realizador, Andrew Stanton é conhecido por filmes como Finding Nemo e Wall-E, por isso não é de estranhar que todo o filme pareça um enorme desenho animado... só que com pessoas de carne e osso. A parte positiva é a construção do guião e a parte técnica. ●●○○○


Real Steel
É um filme de acção, de ficção científica e ao mesmo tempo, uma comédia light. Ou como se dizia antigamente, uma chiclete tutti-frutti. É a história usual do underdog, em que o gajo mais fraco, mas bom de coração, acaba por ganhar no final ao terrível e poderoso mauzão. Já toda a gente viu este género de filmes n de vezes. Mas ninguém resiste a ver mais uma vez. Tem robots muito bem feitos e tão fixes que nenhum miúdo lhes irá resistir. Tem também Hugh Jackman a tentar não fazer de Wolverine. Tem aquela história mil vezes vista da relação falhada entre pai e filho e... acho que mais nada. O positivo? É um filme para a família com boas mensagens. ●○○○○


The Host
Este filme pertence a uma classe totalmente à parte. É uma chiclete reciclada, sem sabor e que ficou esquecida a derreter no tablier do carro durante 3 dias. É um filme de adolescentes... que mais há para dizer? São 2 horas de tédio, ideias batidas, buracos no argumento e adolescentes lindíssimos. Vi-o ano passado e não há uma única cena que me lembre. A única coisa que recordo é qualquer coisa relacionada com os olhos parecerem lentes de contacto. Lembro-me que tem uns aliens invasores, humanos em fuga e pelo meio um triângulo amoroso (o que é que havia de ser?). É mais um filme que aproveita o sucesso dum livro que só é importante porque foi comprado por milhões de adolescentes. É a série Twilight mas com aliens. A autora do livro é a mesma, por isso o que é que esperava? O realizador é Andrew Niccol que tinha escrito e realizado o excelente Gattaca. Há comparação possível? Não me parece. Um dos piores filmes que já vi. O que tem de positivo? A visualização é opcional. ○○○○○


Grande parte dos louros deste(s) filme(s) vão para o história de Stephen King. O grande segredo é a sua simplicidade. Carrie White é uma rapariga controlada pela mãe opressiva, tresloucada e hiper-religiosa que a tenta manter quase aprisionada em casa e afastada da realidade. Sujeita a castigos e constantemente gozada pelos colegas na escola, Carrie começa a desenvolver estranhos poderes, identificados como telecinesia: manipular objectos com o poder da mente.
Isto mexe com tudo o que é mais primordial: a tentativa de pertencer ao grupo, a repulsa social, a humilhação pública, o querer ter um poder superior que nos ajude a resolver os problemas. Este tratamento "simples" da história dá azo a interpretações dúbias. Será que Carrie é sobre uma miúda com poderes ou é uma metáfora sobre a emancipação adolescente? Será sobre como encaixar na sociedade ou castigá-la por ser tão diferente e má? Mexe-nos com o subconsciente e confronta-nos com situações pelas quais toda a gente já passou na adolescência. É um tema muito recorrente nas histórias de King, mas que aqui é especialmente muito bem tratado.
Carrie (1976) começa e termina muitíssimo bem. A sequência inicial dos chuverios em que Carrie tem pela primeira vez a menstruação é simplesmente de génio. A cena final, irritante de tão lenta e tensa, é novamente genial. Brian De Palma construiu aqui um autêntico manual do realizador, repleto de excelentes e icónicas cenas e um estudo sobre como fazer um magnifico trabalho de câmara. Se me dissessem que Alfred Hitchcock tinha sido o realizador eu não teria acho estranho. Melhor elogio é impossível.
Em termos de actores, destaque absoluto para Piper Laurie como a mãe hiper-protectora e totalmente maluca e para Sissy Spacek que será eternamente Carrie White. O filme nem sequer necessita de grandes efeitos especiais: a expressão facial de Spacek faz todo o serviço ao conseguir passar de totalmente angélico para totalmente demoníaco. A actuação é tão boa que foram as duas nomeadas para Óscares. Num filme de terror, género considerado menor, é de realçar. Conta ainda com o suporte e as boas prestações de John Travolta e Nancy Allen.
O grande problema de Carrie é que está extremamente datado. É um daqueles filmes que foi autenticamente atropelado pelo tempo. Visto agora, é quase impossível uma pessoa distraír-se das fatiotas terríveis e daqueles penteados absurdos dos anos 70. E não só: aqueles sonzinhos agudos à Psycho... hoje em dia, parecem uma paródia. Mas neste caso, acho que é preciso contextualizar. Eu imagino o choque de quem viu o filme na altura certa. Deve ter sido um verdadeiro terror. Um filme incontornável do género e do cinema em geral. Vale sempre a pena ver. ●●●●○


Em 2014, chegou o remake de Carrie, agora com Chloë Grace Moretz e Julianne Moore nos principais papéis. Julianne Moore é sempre uma excelente atriz onde quer que entre e aqui não é excepção. Mas é o único ponto positivo a destacar, pois esta nova versão não chega aos calcanhares do primeiro. Não porque o filme seja mau, mas porque a história é a mesma. Até o argumento é da mesma pessoa que o original! O que é que este filme pode acrescentar de novo ou melhorar a história original? Acho que a resposta é nada. Acima de tudo, é um filme destinado às pessoas que nunca tiveram oportunidade de ver o original. Só assim se explica o remake. Por isso, este "novo" Carrie, não é um bem filme: é um facelift a um produto antigo. Compreende-se. ●●○○○

De Baz Luhrmann. Com um grande sublinhado muito carregado e bem fluorescente. Uma obra cinematográfica única. Ninguém filma de forma tão brilhante como Baz Luhrmann. E brilhante, é uma das palavras-chave deste filme e do reportório seguinte.
Este foi o meu primeiro contacto com Baz e a sensação com que fiquei quando o vi o filme pela primeira vez é que me tinham atado fogo-de-artifício ao cérebro e lhe tinham pegado fogo. Romeo and Juliet (1996), pensando bem, não é bem um filme. É mais um estímulo dos sentidos.
A história trágica de amores desencontrados, separados por famílias em conflito, já toda a gente a conhece e dispensa apresentação. Já a vi ser adaptada para cinema uma meia dúzia de vezes, mas nunca tinha visto (nem vi) nada assim. A única palavra que me vem à cabeça, é mesma essa: único.
É um daqueles filmes que marca uma década e uma geração. Mas por outro lado, o filme é também uma marca da década e da própria geração. É uma mistura improvável, só possível devido aos excessos e à depressão dos anos 90. Poucos filmes conseguem captar o espírito duma geração. Romeo and Juliet, de uma forma estranha e rocambolesca, conseguiu-o. Para além das milhões de adolescentes que se bababam com o protagonista principal, é também o filme em que os adolescentes dos 90's percebem que vão entrar na idade adulta. Só podia ser uma tragédia.
As caras bonitas da altura, à procura de afirmação, mas ainda relativamente desconhecidas, Leonardo DiCaprio e Claire Danes, tornaram-se automaticamente em super-estrelas. E não porque eram apenas caras bonitas, mas porque se revelaram realmente como excelentes actores. Alguém que tenha passado a adolescência nos 90's relaciona instintivamente Dicaprio e Danes com a tragédia de Romeu e Julieta. Acho que isso os torna também, automaticamente, em excelentes actores. É como se, a determinada altura, eles deixassem de representar e se tornassem mesmo nas personagens. Num filme de tom assumidamente burlesco, com uma dificílima linguagem Shakespeareana, ainda abona mais a favor dos dois miúdos. A acompanhar esta dupla perfeita, um elenco underdog, mas de peso como John Leguizamo, Pete Postlethwaite, Brian Dennehy e Paul Sorvino.
Mas a estrela que brilhou mais que todas, foi mesmo Baz Luhrmann. Inventou um género novo de filme: o filme carregado de glitter e fogo-de-artifício, com uma montagem rápida e banda sonora alternativa: o filme tipo-Luhrmann. A qualidade até pode ser discutível, mas o estilo não é de certeza.
Como é que alguém consegue transpor aquela história directamente de Shakespeare, com aquela linguagem imensamente rígida, para um tempo moderno, quase intemporal, e transformá-la num filme pop espectacular? É uma incógnita. Ainda por cima, lá está, com tanto brilho, tanta pluma, tanto fogo-de-artifício? Este filme tinha todos os ingredientes para ser tornar numa aberração. Com um estilo único, diferente de tudo o que já se tinha visto até ali, Baz Luhrmann conseguiu torná-lo numa obra prima dos tempos modernos. ●●●●○

 
Copyright © 2015 todos os filmes que vi
Distributed By Gooyaabi Templates