A primeira coisa que aparece em Apocalypto é uma frase que diz: "A great civilization is not conquered from without until it has destroyed itself from within", Will Durant
Com base em tudo o que lá li sobre História, parece-me que não podia ser mais verdadeira. Sempre me intrigou a queda dos grandes impérios. Como é possível que os Maias, os Romanos, os Babilónios e outros grandes impérios tenham dominado o seu mundo mas no final tenham sucumbido e praticamente desaparecido da face de Terra? Neste aspecto, e sem ser uma obra filosófica (muito pelo contrário), Apocalypto responde a algumas questões.
No período final da civilização Maia, uma tribo indígena vive os seus dias pacificamente, aproveitando o que a Natureza tem para lhes oferecer. Até ao dia em que são brutalmente atacados, mortos ou levados à força por guerreiros de outro sítio que desconhecem. Arrastados pela floresta densa até uma povoação gigante, mais "citadina", repleta de templos e grandes pirâmides, as mulheres acabam vendidas como escravas e os homens são sacrificados vivos aos deuses Maias. Tudo isto tem uma "razão" de ser: os sacrifícios servem para apaziguar o descontentamento dos deuses que exigem sangue. Na realidade, é mais o descontrolo humano e ambiental, secundado por uma ignorância profunda e por uma necessidade de controlo social.
Entre eles está Jaguar Paw, um jovem que milagrosamente consegue fugir graças a um eclipse solar. Mas a fuga é apenas o primeiro passo. Agora ele tem de regressar à sua vila para salvar a mulher grávida e o filho que escondeu dos guerreiros num buraco profundo. E começa uma perseguição sem descanso pela floresta...
Mais do que dar grandes respostas filosóficas sobre como terminam os impérios, Apocalypto é um filme de acção, que tem como pano de fundo o fim de uma civilização. Até acaba por responder a essas questões, mas acima de tudo é um grande filme de acção. Assim que começa, nunca mais abranda. É rápido, visceral e incrivelmente realista. Excepcionalmente bem dirigido pelo Mel Gibson (mais uma vez), que aqui parece juntar todo o conhecimento técnico, visual e argumentativo de Braveheart e Passion of Christ, muito bem escrito, bem montado, com boa fotografia e grandes prestações de actores amadores/desconhecidos (Rudy Youngblood, Jonathan Brewer e especialmente Raoul Trujillo). Sinceramente, até fiquei na dúvida. Pensei mesmo que eram actores profissionais com próteses ou algo assim do género. Mas não. Provavelmente, é mesmo o melhor filme que já vi com actores totalmente desconhecidos ou amadores. Muito bom. A ver com atenção. ●●●●○
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A Escócia decidiu há umas semanas atrás referendar a sua presença no Reino Unido. Aproveitando a "onda" de notícias sobre o referendo, o Hollywood decidiu (e muito bem) desenterrar um (já) clássico do cinema: Braveheart, de Mel Gibson, um súbdito de Sua Majestade, mas pelo lado australiano.
É raro encontrar um filme como Braveheart. É um filme perfeito, daqueles que irão figurar em qualquer lista dos melhores filmes. Quem o revê - como foi o caso - perde logo à partida a parte melhor do filme. Tenho a certeza que grande parte das pessoas não são especialistas em História Escocesa, logo, o final é muito mais impactante quando se o vê pela primeira vez. Quem já viu o filme, percebe perfeitamente o que digo.
Ainda assim, mesmo vendo o filme pela terceira vez, não consigo deixar de ficar surpreendido, porque este é um daqueles filmes que parece não ser afectado pelo passar do tempo. Todos os aspectos são excelentes. Desde a realização aos actores, passando pelos aspectos técnicos, nada tem falhas. As cenas de batalhas são óptimas, viscerais e explicitamente realistas e por isso mesmo, marcaram pela diferença relativamente ao que se fazia até ali. Pode parecer estranho, mas cortar pernas e braços não era mainstream em 1995. Os actores são muito bons, com especial referência para o casting. Quando uma personagem entra em cena e uma pessoa "desgosta" logo dela sem que a personagem precise de abrir a boca, isso é um bom casting.
Destaque para o Mel Gibson - sempre o apreciei - que como realizador e actor cumpre sem falhas as duas tarefas. Aliás, o Mel Gibson "é" o William Wallace. Disso não tenho dúvida. Como realizador não há muito para dizer sobre Mel Gibson: conseguiu criar algumas das imagens mais icónicas do cinema no seu filme de estreia. O que mais há para dizer?
Braveheart é um daqueles filmalhaços de quase 3 horas. Podia ser maçudo e moroso de ver, mas não é o caso. Está tão bem equilibrado que se vê "num instante". Rever este filme provoca-me sensações antagónicas. Por um lado, lembra-me tristemente que já passaram quase 20 anos desde a sua estreia, e eu estava algures por aí numa sala de cinema a assistir. Quase que ainda nem existia internet nessa altura. Incrível! Por outro lado, fico muito contente por existirem filmes excelentes como é o caso deste. Braveheart é um dos grandes filmes do cinema para ver e/ou rever. Obrigatório, por isso leva a classificação máxima. ●●●●●+●
Adenda:
...e portanto lá vai para 4.ª vez (ou mais) que vejo o Braveheart. É um daqueles filmes que simplesmente não consigo resistir. Se está a dar por aí em algum canal, simplesmente não consigo mudar... Não é que tenha muito mais a acrescentar ao que já disse, mas aproveito para reafirmar que é um daqueles grandes filmes que se tornou num clássico instantâneo e que por direito próprio se mantém totalmente actual e obrigatório.
Esta nova entrada é mais uma oportunidade para tratar doutros temas do que propriamente do filme. Como por exemplo, o facto de avisar que este blog NÃO É uma enciclopédia de cinema, nem todos os dados são totalmente fidedignos (mencionei aqui que erradamente o Mel Gibson é australiano, quando descobri há pouco tempo que tinha nascido na América e depois é que emigrou com 12 anos para a Austrália, ou que o Braveheart era o primeiro filme dirigido pelo Mel Gibson, quando já tinha feito em 1993 o The Man Without a Face), nem sequer os termos cinematográficos são os mais adequados (os termos usados aqui, são os "meus" termos, como fotografia, realização ou edição). Este blog é a forma como eu vejo os filmes, e não são propriamente críticas ou apreciações científicas ou técnicas dos filmes ou do cinema em geral. Isto é como é eu vejo e sinto os filmes.
É raro encontrar um filme como Braveheart. É um filme perfeito, daqueles que irão figurar em qualquer lista dos melhores filmes. Quem o revê - como foi o caso - perde logo à partida a parte melhor do filme. Tenho a certeza que grande parte das pessoas não são especialistas em História Escocesa, logo, o final é muito mais impactante quando se o vê pela primeira vez. Quem já viu o filme, percebe perfeitamente o que digo.
Ainda assim, mesmo vendo o filme pela terceira vez, não consigo deixar de ficar surpreendido, porque este é um daqueles filmes que parece não ser afectado pelo passar do tempo. Todos os aspectos são excelentes. Desde a realização aos actores, passando pelos aspectos técnicos, nada tem falhas. As cenas de batalhas são óptimas, viscerais e explicitamente realistas e por isso mesmo, marcaram pela diferença relativamente ao que se fazia até ali. Pode parecer estranho, mas cortar pernas e braços não era mainstream em 1995. Os actores são muito bons, com especial referência para o casting. Quando uma personagem entra em cena e uma pessoa "desgosta" logo dela sem que a personagem precise de abrir a boca, isso é um bom casting.
Destaque para o Mel Gibson - sempre o apreciei - que como realizador e actor cumpre sem falhas as duas tarefas. Aliás, o Mel Gibson "é" o William Wallace. Disso não tenho dúvida. Como realizador não há muito para dizer sobre Mel Gibson: conseguiu criar algumas das imagens mais icónicas do cinema no seu filme de estreia. O que mais há para dizer?
Braveheart é um daqueles filmalhaços de quase 3 horas. Podia ser maçudo e moroso de ver, mas não é o caso. Está tão bem equilibrado que se vê "num instante". Rever este filme provoca-me sensações antagónicas. Por um lado, lembra-me tristemente que já passaram quase 20 anos desde a sua estreia, e eu estava algures por aí numa sala de cinema a assistir. Quase que ainda nem existia internet nessa altura. Incrível! Por outro lado, fico muito contente por existirem filmes excelentes como é o caso deste. Braveheart é um dos grandes filmes do cinema para ver e/ou rever. Obrigatório, por isso leva a classificação máxima. ●●●●●+●
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...e portanto lá vai para 4.ª vez (ou mais) que vejo o Braveheart. É um daqueles filmes que simplesmente não consigo resistir. Se está a dar por aí em algum canal, simplesmente não consigo mudar... Não é que tenha muito mais a acrescentar ao que já disse, mas aproveito para reafirmar que é um daqueles grandes filmes que se tornou num clássico instantâneo e que por direito próprio se mantém totalmente actual e obrigatório.
Esta nova entrada é mais uma oportunidade para tratar doutros temas do que propriamente do filme. Como por exemplo, o facto de avisar que este blog NÃO É uma enciclopédia de cinema, nem todos os dados são totalmente fidedignos (mencionei aqui que erradamente o Mel Gibson é australiano, quando descobri há pouco tempo que tinha nascido na América e depois é que emigrou com 12 anos para a Austrália, ou que o Braveheart era o primeiro filme dirigido pelo Mel Gibson, quando já tinha feito em 1993 o The Man Without a Face), nem sequer os termos cinematográficos são os mais adequados (os termos usados aqui, são os "meus" termos, como fotografia, realização ou edição). Este blog é a forma como eu vejo os filmes, e não são propriamente críticas ou apreciações científicas ou técnicas dos filmes ou do cinema em geral. Isto é como é eu vejo e sinto os filmes.

