Man cheng jin dai huang jin jia, traduzido como "A Maldição da Flor Dourada" é um filme chinês de Yimou Zhang, e que conta a história de uma família imperial chinesa durante o século X. Mas esta não é uma família normal... É totalmente disfuncional, envolvida em complicadas intrigas palacianas e que está repleta de assassinatos, traições e até incesto. Difícil de encaixar para um "gajo normal", mas uma coisa mais ou menos "normal" nas questões do poder da realeza...
Se por um lado, a história pode ser de difícil digestão para um ocidental, "A Maldição da Flor Dourada", por outro lado, é verdadeira comida para os olhos. É um festim visual. Não pelos efeitos especiais, mas pelo pormenor, pelas roupas e pelos cenários fantásticos. Nesse aspecto, é muito bom.
Se bem que tenha sempre grande dificuldade em distinguir os actores chineses (por causa dos nomes impossíveis de decorar e das parecenças físicas), eles têm uma intensidade dramática muito própria e diferente. São muito bons, especialmente neste tipo de registo (história dramática da realeza), em que o desempenho chega quase a ser caricatural, de tão intenso que é. Mas neste caso, até fica muito bem. Destaque para o já lendário Chow Yun Fat e para a lindíssima Gong Li, mas o restante elenco está ao mesmo nível. Não me lembro de ver um mau actor chinês.
A realização é límpida e nota-se que tudo é pensado ao pormenor. Yimou Zhang junta o melhor do cinema ocidental com o visual oriental. É uma mistura perfeita, sempre com uma fotografia absolutamente impressionante. Yimou Zhang cria verdadeiras obras de arte visuais em movimento e consegue transmitir aquela sensação de épico, como raramente se vê.
À parte das coreografias impossíveis de lutas corpo-a-corpo, até nem tem muita acção física, se bem que no final até "explode" com as grandes batalhas, que diga-se, são "mesmo" grandes. É uma escala totalmente diferente do que uma pessoa está habituado a ver nos filmes de Hollywood.
"A Maldição da Flor Dourada" prende um gajo à cadeira e está bem feito, bem realizado e bem interpretado como acontece sempre com os actores chineses, mas é quase como estar a olhar para uma peça de ouro em filigrana: quando se olha demasiado tempo, uma pessoa perde-se no pormenores e acaba por não conseguir ver a peça toda. Foi um bocado o que me aconteceu. Vale a pena ver, nem que seja para ter uma perspectiva diferente dos épicos americanos. ●●●○○
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A primeira coisa que aparece em Apocalypto é uma frase que diz: "A great civilization is not conquered from without until it has destroyed itself from within", Will Durant
Com base em tudo o que lá li sobre História, parece-me que não podia ser mais verdadeira. Sempre me intrigou a queda dos grandes impérios. Como é possível que os Maias, os Romanos, os Babilónios e outros grandes impérios tenham dominado o seu mundo mas no final tenham sucumbido e praticamente desaparecido da face de Terra? Neste aspecto, e sem ser uma obra filosófica (muito pelo contrário), Apocalypto responde a algumas questões.
No período final da civilização Maia, uma tribo indígena vive os seus dias pacificamente, aproveitando o que a Natureza tem para lhes oferecer. Até ao dia em que são brutalmente atacados, mortos ou levados à força por guerreiros de outro sítio que desconhecem. Arrastados pela floresta densa até uma povoação gigante, mais "citadina", repleta de templos e grandes pirâmides, as mulheres acabam vendidas como escravas e os homens são sacrificados vivos aos deuses Maias. Tudo isto tem uma "razão" de ser: os sacrifícios servem para apaziguar o descontentamento dos deuses que exigem sangue. Na realidade, é mais o descontrolo humano e ambiental, secundado por uma ignorância profunda e por uma necessidade de controlo social.
Entre eles está Jaguar Paw, um jovem que milagrosamente consegue fugir graças a um eclipse solar. Mas a fuga é apenas o primeiro passo. Agora ele tem de regressar à sua vila para salvar a mulher grávida e o filho que escondeu dos guerreiros num buraco profundo. E começa uma perseguição sem descanso pela floresta...
Mais do que dar grandes respostas filosóficas sobre como terminam os impérios, Apocalypto é um filme de acção, que tem como pano de fundo o fim de uma civilização. Até acaba por responder a essas questões, mas acima de tudo é um grande filme de acção. Assim que começa, nunca mais abranda. É rápido, visceral e incrivelmente realista. Excepcionalmente bem dirigido pelo Mel Gibson (mais uma vez), que aqui parece juntar todo o conhecimento técnico, visual e argumentativo de Braveheart e Passion of Christ, muito bem escrito, bem montado, com boa fotografia e grandes prestações de actores amadores/desconhecidos (Rudy Youngblood, Jonathan Brewer e especialmente Raoul Trujillo). Sinceramente, até fiquei na dúvida. Pensei mesmo que eram actores profissionais com próteses ou algo assim do género. Mas não. Provavelmente, é mesmo o melhor filme que já vi com actores totalmente desconhecidos ou amadores. Muito bom. A ver com atenção. ●●●●○
Com base em tudo o que lá li sobre História, parece-me que não podia ser mais verdadeira. Sempre me intrigou a queda dos grandes impérios. Como é possível que os Maias, os Romanos, os Babilónios e outros grandes impérios tenham dominado o seu mundo mas no final tenham sucumbido e praticamente desaparecido da face de Terra? Neste aspecto, e sem ser uma obra filosófica (muito pelo contrário), Apocalypto responde a algumas questões.
No período final da civilização Maia, uma tribo indígena vive os seus dias pacificamente, aproveitando o que a Natureza tem para lhes oferecer. Até ao dia em que são brutalmente atacados, mortos ou levados à força por guerreiros de outro sítio que desconhecem. Arrastados pela floresta densa até uma povoação gigante, mais "citadina", repleta de templos e grandes pirâmides, as mulheres acabam vendidas como escravas e os homens são sacrificados vivos aos deuses Maias. Tudo isto tem uma "razão" de ser: os sacrifícios servem para apaziguar o descontentamento dos deuses que exigem sangue. Na realidade, é mais o descontrolo humano e ambiental, secundado por uma ignorância profunda e por uma necessidade de controlo social.
Entre eles está Jaguar Paw, um jovem que milagrosamente consegue fugir graças a um eclipse solar. Mas a fuga é apenas o primeiro passo. Agora ele tem de regressar à sua vila para salvar a mulher grávida e o filho que escondeu dos guerreiros num buraco profundo. E começa uma perseguição sem descanso pela floresta...
Mais do que dar grandes respostas filosóficas sobre como terminam os impérios, Apocalypto é um filme de acção, que tem como pano de fundo o fim de uma civilização. Até acaba por responder a essas questões, mas acima de tudo é um grande filme de acção. Assim que começa, nunca mais abranda. É rápido, visceral e incrivelmente realista. Excepcionalmente bem dirigido pelo Mel Gibson (mais uma vez), que aqui parece juntar todo o conhecimento técnico, visual e argumentativo de Braveheart e Passion of Christ, muito bem escrito, bem montado, com boa fotografia e grandes prestações de actores amadores/desconhecidos (Rudy Youngblood, Jonathan Brewer e especialmente Raoul Trujillo). Sinceramente, até fiquei na dúvida. Pensei mesmo que eram actores profissionais com próteses ou algo assim do género. Mas não. Provavelmente, é mesmo o melhor filme que já vi com actores totalmente desconhecidos ou amadores. Muito bom. A ver com atenção. ●●●●○

