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Os cartéis da droga dedicam-se a mais actividades para além do tráfico de droga. O tráfico de pessoas é também um negócio bastante lucrativo. É na guerra constante que é a fronteira dos Estados Unidos com o México que toda a história de Sicario: Day of the Soldado se desenrola.
A tensão e a acção mantiveram-se do filme original, mas a história perde-se um bocadinho, porque se dispersa muito na sub-narrativa da perseguição vingativa de Alejandro.
Sendo que é um filme de acção mas que prima mais pelo desenvolvimento da história e das personagens, neste caso, são os actores que fazem o filme, principalmente o Benicio Del Toro e o Josh Brolin. Palmas para estes dois profissionais, que são dos melhores actores americanos da actualidade. Também há o Matthew Modine, o Jeffrey Donovan e a Catherine Keener mas são tão secundários que quase não brilham. O problema aqui não é dos actores; é da própria história que se centra demasiado no protagonistas. E isso desequilibra totalmente o filme.
Nota-se que Denis Villeneuve já não faz parte dos créditos, mas Stefano Sollima - que também tem créditos como realizador de filmes de acção com gangs e cartéis - tentou ao máximo a receita de sucesso do primeiro filme e consegui-o ainda que num registo diferente e mais brando.
Sicario: Day of the Soldado não é tão bom como o primeiro, mas ainda assim é um bom filme de acção, com pés e cabeça e assente numa narrativa muito boa. ●●○○

Get the Gringo é um filme com Mel Gibson a fugir de Mel Gibson. É essencialmente isto: depois de momentos muito delicados e conturbados numa carreira que quase desapareceu por motivos pessoais extra-cinema, Gibson volta a um papel que lhe assenta que nem uma luva. Foi como um reiniciar da carreira, e ainda bem que o fez, porque é um gajo à "maneira". Detestaria vê-lo na prateleira ou a receber um prémio honorário quando já fosse velhinho demais para causar polémica...
Não é coincidência que o realizador (Adrian Grunberg) é o seu ex-realizador da segunda unidade / assistente de Apocalypto, um gajo já com muita experiência no ramo do cinema de acção. E nota-se bem que é muito competente.
O filme não é propriamente mau nem bom, é daqueles... medianos. Nem sequer é uma novidade. É a história tradicional do dinheiro perdido e das atribulações para o recuperar. Neste caso, um americano preso no México (o "gringo") vai contar com a ajuda de um miúdo e da sua mãe (Kevin Hernandez e Dolores Heredia). Muita acção e porrada (às vezes até um bocado violento demais) bem misturado num argumento sólido e com muita piada à mistura. Está bonzito porque está bem equilibrado.
Mel Gibson é aquela "máquina" do costume. As rugas vão-se aprofundando, mas aquele crazy eye simplesmente não desaparece. É sempre um prazer sentir aquela dualidade comédia/violência que pode emanar do Mel Gibson a qualquer momento. É uma referência.
Não podia esquecer o sempre cool Peter Stormare, um dos gajos mais fixes que andam por aí. Apesar de ser um daqueles filmes que cairia no esquecimento (ou nem faria distribuição em cinema) se não tivesse o Mel Gibson como cabeça de cartaz, Get the Gringo vê-se bastante bem. ●●○○○

Tenho um vício desde os tempos em que existiam vídeo clubes e o sistema VHS. Como nessa altura longínqua não existia internet nem a profusão de trailers por todo o lado que existe hoje, a escolha certeira para o aluguer dos filmes (que era caro para um adolescente) baseava-se em três factores principais: a qualidade da ilustração da capa, o actor principal e o realizador. Por exemplo, quando via que determinado filme era do realizador X, que eu já conhecia, e gostava dos seus filmes, nem sequer pensava mais: a escolha estava feita.
Os trailers ajudaram durante um tempo. Agora, estão todos tão iguais e massificados de tal forma que já não são um elemento de escolha. As capas/posters dos filmes, idem aspas. Os actores ainda são um dos elementos decisivos nas minhas escolhas à priori. Por exemplo o Josh Brolin: sei que nunca faz filmes de treta. Nem chicletes. Sei que quando ele é mencionado no casting, eu vou ver um filmito em condições. O outro factor também ainda decisivo é o realizador.
Neste caso, o Denis Villeneuve. Tinha visto um filme muito, muito, muito jeitoso chamado Enemy, baseado no livro do José Saramago, "O Homem Duplicado". E a partir daí deixei como referência o nome de Villeneuve, pois nunca o tinha visto antes. E foi assim que cheguei até Sicario.
Não fazia a mínima ideia do que se tratava o filme: não vi trailer nem posters, nada... só conhecia o nome. Mas a velha técnica de escolha no vídeo clube não me enganou. Sicario é um excelente filme. Ponto final. Não há nada de mal a apontar.
É um excelente filme de acção... sem acção, explosões ou perseguições. Bem, há uma explosão, mas é só uma mesmo. Há uma tensão inacreditável durante todo o filme. É um verdadeiro thriller. É um daqueles filmes que só não nos faz estar constantemente a roer as unhas, porque estamos agarrados com força à cadeira durante todo o tempo. E quando termina, a cadeira fica lá com as marcas dos dedos. É muito bom. Muito tenso. Imparável. Sicario é tecnicamente perfeito. Fotografia, música, realização, montagem... Nada falha.
Grande argumento acerca do combate aos cartéis de droga na fronteira dos Estados Unidos e o México, repleta de personagens no limite, fortes, dúbias e memoráveis, onde nunca se sabe quem são os amigos ou os inimigos.
A juntar a tudo isto, actores excepcionais. Emily Blunt, perfeitamente bem escolhida para um papel de agente policial idealista mas inexperiente, Josh Brolin, um gajo sempre impecável, e especialmente Benicio Del Toro que aqui até mete medo. De certeza que Del Toro não fez a formação de actor num cartel de droga sul-americano qualquer? Mas não tenho dúvidas que é um dos melhores actores da actualidade.
Denis Villeneuve é de facto um gajo a ter em atenção. é o gajo que melhores filmes faz e é um dos grandes realizadores do momento. Fico ansiosamente à espera dos novos filmes... ●●●●●

 
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