Um homem é acusado de violação por uma miúda rica e a sua amiga dos trailers. O polícia que investiga o caso começa a suspeitar de fraude e é obrigado a entrar numa teia de crimes, mentiras, enganos e traições para tentar chegar à verdade. Mas não vai ser fácil, porque nem tudo é o que parece.
Wild Things é um thriller à "moda antiga" de John McNaughton, em que a acção está no guião e não nas explosões. Grande realização, com grande envolvência, numa história cheia de surpresas e twists que vai obrigar a ver o genérico até ao fim para ver se não acontece mais alguma coisa... Muito bom. Excelentes prestações de Kevin Bacon, Matt Dillon, Neve Campbell e Denise Richards, mas ainda há Robert Wagner e Bill Murray como secundários. Apesar de ser um filme com pouco mais de 20 anos, parece ter saído de um passado profundo; não porque o filme esteja datado no tempo, mas porque hoje em dia (praticamente) não se fazem filmes assim. É incrível. O cinema mudou muito em 20 anos, mas isso é outra história. Por isso mesmo, Wild Things está recomendadíssimo. ●●●●○
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Eugène-François Vidocq foi uma daquelas personagens reais que se não existisse tinha mesmo de ser inventada. Começou a sua história como um criminoso a ser perseguido pela polícia nas ruas e acabou como o fundador e diretor da Sûreté Nationale, a polícia francesa especializada em investigação criminal. É, assim, comummente considerado como o pai da criminologia moderna. Ah! E foi ele a inspiração para muitos escritores, como Victor Hugo, Balzac e Arthur Conan Doyle. Mas do "verdadeiro" Eugène-François Vidocq pouco há neste Vidocq. Pegaram na personagem histórica e transformaram-na numa personagem de filme que é uma coisa totalmente diferente. Não é nenhum biopic ou algo do género. Muito pelo contrário. Por mim não há problema nenhum, até porque foi depois de ver este "Vidocq" que fiquei a conhecer o verdadeiro "Vidocq". Mas adiante.
Vidocq é um bom filmito francês, misto de fantasia, mistério e acção. Na cadeira do realizador está Pitof, o director de efeitos especiais que costumava trabalhar com a dupla Jean-Pierre Jeunet e Marc Caro. As parecenças visuais são óbvias, mas a realização acaba por ser demasiado estranha para mim com todos aqueles close-ups. Escapa, mas não me agrada.
A história de Vidocq é totalmente transformada: tudo começa precisamente quando Vidocq desaparece depois de uma intensa luta com o Alquimista, um assassino que ele persegue à muito tempo e que parece ter poderes sobrenaturais. Entra então em cena o seu jovem biógrafo que para além de querer documentar o que aconteceu naqueles últimos momentos, também quer vingança...
Gérard Depardieu está bem como Vidocq. Guillaume Canet, Inés Sastre ajudam bem como secundários. Vidocq é uma boa (e diferente) alternativa aos filmes de acção estereotipados americanos. A ver. ●●●○○
Vidocq é um bom filmito francês, misto de fantasia, mistério e acção. Na cadeira do realizador está Pitof, o director de efeitos especiais que costumava trabalhar com a dupla Jean-Pierre Jeunet e Marc Caro. As parecenças visuais são óbvias, mas a realização acaba por ser demasiado estranha para mim com todos aqueles close-ups. Escapa, mas não me agrada.
A história de Vidocq é totalmente transformada: tudo começa precisamente quando Vidocq desaparece depois de uma intensa luta com o Alquimista, um assassino que ele persegue à muito tempo e que parece ter poderes sobrenaturais. Entra então em cena o seu jovem biógrafo que para além de querer documentar o que aconteceu naqueles últimos momentos, também quer vingança...
Gérard Depardieu está bem como Vidocq. Guillaume Canet, Inés Sastre ajudam bem como secundários. Vidocq é uma boa (e diferente) alternativa aos filmes de acção estereotipados americanos. A ver. ●●●○○
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Tenho um vício desde os tempos em que existiam vídeo clubes e o sistema VHS. Como nessa altura longínqua não existia internet nem a profusão de trailers por todo o lado que existe hoje, a escolha certeira para o aluguer dos filmes (que era caro para um adolescente) baseava-se em três factores principais: a qualidade da ilustração da capa, o actor principal e o realizador. Por exemplo, quando via que determinado filme era do realizador X, que eu já conhecia, e gostava dos seus filmes, nem sequer pensava mais: a escolha estava feita.
Os trailers ajudaram durante um tempo. Agora, estão todos tão iguais e massificados de tal forma que já não são um elemento de escolha. As capas/posters dos filmes, idem aspas. Os actores ainda são um dos elementos decisivos nas minhas escolhas à priori. Por exemplo o Josh Brolin: sei que nunca faz filmes de treta. Nem chicletes. Sei que quando ele é mencionado no casting, eu vou ver um filmito em condições. O outro factor também ainda decisivo é o realizador.
Neste caso, o Denis Villeneuve. Tinha visto um filme muito, muito, muito jeitoso chamado Enemy, baseado no livro do José Saramago, "O Homem Duplicado". E a partir daí deixei como referência o nome de Villeneuve, pois nunca o tinha visto antes. E foi assim que cheguei até Sicario.
Não fazia a mínima ideia do que se tratava o filme: não vi trailer nem posters, nada... só conhecia o nome. Mas a velha técnica de escolha no vídeo clube não me enganou. Sicario é um excelente filme. Ponto final. Não há nada de mal a apontar.
É um excelente filme de acção... sem acção, explosões ou perseguições. Bem, há uma explosão, mas é só uma mesmo. Há uma tensão inacreditável durante todo o filme. É um verdadeiro thriller. É um daqueles filmes que só não nos faz estar constantemente a roer as unhas, porque estamos agarrados com força à cadeira durante todo o tempo. E quando termina, a cadeira fica lá com as marcas dos dedos. É muito bom. Muito tenso. Imparável. Sicario é tecnicamente perfeito. Fotografia, música, realização, montagem... Nada falha.
Grande argumento acerca do combate aos cartéis de droga na fronteira dos Estados Unidos e o México, repleta de personagens no limite, fortes, dúbias e memoráveis, onde nunca se sabe quem são os amigos ou os inimigos.
A juntar a tudo isto, actores excepcionais. Emily Blunt, perfeitamente bem escolhida para um papel de agente policial idealista mas inexperiente, Josh Brolin, um gajo sempre impecável, e especialmente Benicio Del Toro que aqui até mete medo. De certeza que Del Toro não fez a formação de actor num cartel de droga sul-americano qualquer? Mas não tenho dúvidas que é um dos melhores actores da actualidade.
Denis Villeneuve é de facto um gajo a ter em atenção. é o gajo que melhores filmes faz e é um dos grandes realizadores do momento. Fico ansiosamente à espera dos novos filmes... ●●●●●
Os trailers ajudaram durante um tempo. Agora, estão todos tão iguais e massificados de tal forma que já não são um elemento de escolha. As capas/posters dos filmes, idem aspas. Os actores ainda são um dos elementos decisivos nas minhas escolhas à priori. Por exemplo o Josh Brolin: sei que nunca faz filmes de treta. Nem chicletes. Sei que quando ele é mencionado no casting, eu vou ver um filmito em condições. O outro factor também ainda decisivo é o realizador.
Neste caso, o Denis Villeneuve. Tinha visto um filme muito, muito, muito jeitoso chamado Enemy, baseado no livro do José Saramago, "O Homem Duplicado". E a partir daí deixei como referência o nome de Villeneuve, pois nunca o tinha visto antes. E foi assim que cheguei até Sicario.
Não fazia a mínima ideia do que se tratava o filme: não vi trailer nem posters, nada... só conhecia o nome. Mas a velha técnica de escolha no vídeo clube não me enganou. Sicario é um excelente filme. Ponto final. Não há nada de mal a apontar.
É um excelente filme de acção... sem acção, explosões ou perseguições. Bem, há uma explosão, mas é só uma mesmo. Há uma tensão inacreditável durante todo o filme. É um verdadeiro thriller. É um daqueles filmes que só não nos faz estar constantemente a roer as unhas, porque estamos agarrados com força à cadeira durante todo o tempo. E quando termina, a cadeira fica lá com as marcas dos dedos. É muito bom. Muito tenso. Imparável. Sicario é tecnicamente perfeito. Fotografia, música, realização, montagem... Nada falha.
Grande argumento acerca do combate aos cartéis de droga na fronteira dos Estados Unidos e o México, repleta de personagens no limite, fortes, dúbias e memoráveis, onde nunca se sabe quem são os amigos ou os inimigos.
A juntar a tudo isto, actores excepcionais. Emily Blunt, perfeitamente bem escolhida para um papel de agente policial idealista mas inexperiente, Josh Brolin, um gajo sempre impecável, e especialmente Benicio Del Toro que aqui até mete medo. De certeza que Del Toro não fez a formação de actor num cartel de droga sul-americano qualquer? Mas não tenho dúvidas que é um dos melhores actores da actualidade.
Denis Villeneuve é de facto um gajo a ter em atenção. é o gajo que melhores filmes faz e é um dos grandes realizadores do momento. Fico ansiosamente à espera dos novos filmes... ●●●●●
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A saga Police Academy é caso para um estudo aprofundado sobre a evolução da sociedade. Pelo menos, da sociedade que se senta numa sala de cinema ou em casa para ver um filme. É caso para dizer: "só mesmo nos anos 80!" A lista de sequelas é épica e só pode ser comparada com os sucessos em contínuo das franchises dos filmes de terror: Police Academy, Police Academy 2: Their First Assignment, Police Academy 3: Back in Training, Police Academy 4: Citizens on Patrol, Police Academy 5: Assignment: Miami Beach, Police Academy 6: City Under Siege e Police Academy: Mission to Moscow. (Fogo! Só enumerar os filmes já é uma trabalheira...)
Quando era miúdo adorava estes filmes. Ria que me fartava com os tombos e as palhaçadas. Adorava as partidas desmioladas que os maus pregavam aos bons e ainda adorava mais quando no final os bons passavam uma rasteira aos maus. Police Academy era pura inocência... Pelos vistos, e de devido ao enorme sucesso dos filmes, não estava sozinho. Deliciava-me com a autêntica parada de personagens estereotipadas: o Steve-Mahoney-Guttenberg, o Jones, aquele gajo que imitava todos os sons (Michael Winslow), a boazona Callahan das big boobs (Leslie Easterbrook), o Bubba-big-black-dude-Smith, o gajo-louco-tipo-animal-dos-marretas, o inesquecível Zed (Bobcat Goldthwait) e o inseparável companheiro Sweetchuck (Tim Kazurinsky), o Tackleberry (David Graf) uma espécie de Harry Callahan destrambelhado, o distraído Comandante Lassard (George Gaynes) e o mau da fita, o Tenente Harris (G.W. Bailey), bem como o seu lambe-botas de estimação Proctor (Lance Kinsey).
Mas não foram só "desconhecidos" a passarem pelo elenco: também por lá passou a Kim Cattrall, a Sharon Stone, o Ron Perlman e até o Christopher Lee! Este é aquele caso em que se pode dizer que todos temos os nossos maus momentos na vida...
Lembro-me que nessa altura era grande sucesso o tema dos polícias, especialmente a mítica série de TV, Hill Street Blues, donde até parece terem sido copiadas algumas das personagens. Lembro-me também que estavam na moda as comédias tipo Porky's e Bachelor Party (Solteiros e Tarados, em português) e parece-me que alguma da inspiração também veio daí.
Devo ter visto estes filmes umas boas dúzias de vezes. Gosto deles porque me lembra uma altura em que tudo era inocente. Quer dizer, nada era inocente, eu é que via as coisas de outra forma. É como ver alguém a passar numa bicicleta BMX com um amortecedor no meio: não é a bicicleta que é de boa qualidade, o que ela lembra é que é bom. Police Academy é mais um caso agudo de saudosismo que outra coisa.
O Canal 1 andou a repôr alguns dos filmes e não resisti a ver umas cenas aqui e ali. E todos os filmes que já pareciam maus, hoje ainda pareceram (muito) piores. Não consegui aguentar ver mais que uns minutos, mas deu para perceber que mais que uma série de filmes, Police Academy funcionou durante tanto tempo, porque basicamente era uma "série de TV" que era projectada nos cinemas. Só que era uma série com episódios de hora e meia e que só davam de ano a ano. Aliás, os filmes parecem filmados como uma série. Por vezes parecem quase telefilmes. Não é de estranhar que a maior parte dos realizadores destes filmes pertencem ao mundo das séries de TV...
Mas se se pensar bem, este é um fenómeno estranho. Mesmo sendo um objecto de quase nulidade cinematográfica sempre foram um sucesso. O filme original deu origem a 6 sequelas e acho que até chegou a haver uma série de TV!. E haverá alguém que nunca ouviu falar da Academia de Polícia? Tenho muitas dúvidas...
Por muito maus que sejam, estes filmes marcaram uma era (ou o fim dela?) e, pessoalmente, marcaram a minha juventude. Apenas e só por isso levam a "estrelinha", porque como filmes, são uma nulidade.
Só espero é que não se lembrem de fazer um remake desta coisa. Ou mais correctamente, um reboot, porque já se conta com as (possíveis) sequelas e tudo... ●○○○○
Quando era miúdo adorava estes filmes. Ria que me fartava com os tombos e as palhaçadas. Adorava as partidas desmioladas que os maus pregavam aos bons e ainda adorava mais quando no final os bons passavam uma rasteira aos maus. Police Academy era pura inocência... Pelos vistos, e de devido ao enorme sucesso dos filmes, não estava sozinho. Deliciava-me com a autêntica parada de personagens estereotipadas: o Steve-Mahoney-Guttenberg, o Jones, aquele gajo que imitava todos os sons (Michael Winslow), a boazona Callahan das big boobs (Leslie Easterbrook), o Bubba-big-black-dude-Smith, o gajo-louco-tipo-animal-dos-marretas, o inesquecível Zed (Bobcat Goldthwait) e o inseparável companheiro Sweetchuck (Tim Kazurinsky), o Tackleberry (David Graf) uma espécie de Harry Callahan destrambelhado, o distraído Comandante Lassard (George Gaynes) e o mau da fita, o Tenente Harris (G.W. Bailey), bem como o seu lambe-botas de estimação Proctor (Lance Kinsey).
Mas não foram só "desconhecidos" a passarem pelo elenco: também por lá passou a Kim Cattrall, a Sharon Stone, o Ron Perlman e até o Christopher Lee! Este é aquele caso em que se pode dizer que todos temos os nossos maus momentos na vida...
Lembro-me que nessa altura era grande sucesso o tema dos polícias, especialmente a mítica série de TV, Hill Street Blues, donde até parece terem sido copiadas algumas das personagens. Lembro-me também que estavam na moda as comédias tipo Porky's e Bachelor Party (Solteiros e Tarados, em português) e parece-me que alguma da inspiração também veio daí.
Devo ter visto estes filmes umas boas dúzias de vezes. Gosto deles porque me lembra uma altura em que tudo era inocente. Quer dizer, nada era inocente, eu é que via as coisas de outra forma. É como ver alguém a passar numa bicicleta BMX com um amortecedor no meio: não é a bicicleta que é de boa qualidade, o que ela lembra é que é bom. Police Academy é mais um caso agudo de saudosismo que outra coisa.
O Canal 1 andou a repôr alguns dos filmes e não resisti a ver umas cenas aqui e ali. E todos os filmes que já pareciam maus, hoje ainda pareceram (muito) piores. Não consegui aguentar ver mais que uns minutos, mas deu para perceber que mais que uma série de filmes, Police Academy funcionou durante tanto tempo, porque basicamente era uma "série de TV" que era projectada nos cinemas. Só que era uma série com episódios de hora e meia e que só davam de ano a ano. Aliás, os filmes parecem filmados como uma série. Por vezes parecem quase telefilmes. Não é de estranhar que a maior parte dos realizadores destes filmes pertencem ao mundo das séries de TV...
Mas se se pensar bem, este é um fenómeno estranho. Mesmo sendo um objecto de quase nulidade cinematográfica sempre foram um sucesso. O filme original deu origem a 6 sequelas e acho que até chegou a haver uma série de TV!. E haverá alguém que nunca ouviu falar da Academia de Polícia? Tenho muitas dúvidas...
Por muito maus que sejam, estes filmes marcaram uma era (ou o fim dela?) e, pessoalmente, marcaram a minha juventude. Apenas e só por isso levam a "estrelinha", porque como filmes, são uma nulidade.
Só espero é que não se lembrem de fazer um remake desta coisa. Ou mais correctamente, um reboot, porque já se conta com as (possíveis) sequelas e tudo... ●○○○○
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Há filmes que causam tanto impacto na estreia que têm obrigatoriamente que ter seguimento. É o caso de Robocop (1987). Deu origem a duas sequelas, uma série de tv, um jogo de computador, toneladas de merchandising e, recentemente foi alvo da nova moda de hollywood, o reboot.
A história de Robocop passa-se num futuro próximo (de 1987), numa Detroit distópica, onde o crime domina a cidade. Como se não bastasse, a cidade está prestes a ser totalmente privatizada e a cair nas mãos da OCP, uma mega-corporação omnipresente, omnipotente, corrupta e gananciosa que não olha a meios para atingir os seus fins. (Não deixa de ser curioso que o enredo do filme se tenha aproximado tanto da Detroit dos dias de hoje.)
A OCP tem apenas um propósito para a velha cidade: destruí-la e começar tudo de novo. Perante a impotência da polícia para travar a criminalidade, a OCP decide recorrer a robots para pacificar a zona, antes de iniciar a sua reconstrução total. A derradeira resposta ao crime urbano é o ED-209, um robot monstruoso e armado até aos dentes. Quando numa violentíssima cena, o ED-209 dá erro e mata alguns executivos da OCP, a corporação vira-se para um projecto alternativo, mistura de homem e máquina, chamado Robocop. Para isso, usam o que restou do polícia Alex Murphy (Peter Weller), violentamente morto por um grupo de perigosos criminosos com ligações à cúpula da OCP.
O filme tornou-se automaticamente num clássico da ficção científica, recheado de hiper-violência e crítica em forma de sátira às modernas sociedades de consumo. Apesar de não ser o primeiro filme de Paul Verhoeven em solo americano (o primeiro foi o excelente e esquecido Flesh & Blood) não deixa de ser uma "estreia" de arromba e um marco para o cinema e para o próprio Verhoeven. A partir daqui, seguiu quase sempre o mesmo registo violento e satírico (como em Starship Troopers e Total Recall), o que aparentemente levou a que nunca se afirmasse como grande realizador que é. Talvez o grande problema de Verhoeven é ser demasiado excessivo para Hollywood.
E, não há dúvidas, Robocop é excessivo. Para já, na própria mensagem e temática do filme: deturpação dos media, corrupção e violência generalizada, autoristarismo, ganância desmedida, desumanização, capitalismo selvagem e perversão da própria natureza humana. Depois, visualmente, para um filme de base "comercial" da altura, contém algumas das cenas mais violentas que já vi. Isto é o que poderia afectar o filme negativamente. Não foi o caso, porque o positivo suplanta em muito o potencial negativo.
Em primeiro, Robocop tem um conjunto brilhante de actores, a começar por Peter Weller, passando por Ronny Cox, Kurtwood Smith e Miguel Ferrer que dão uma seriedade impecável ao filme. Em segundo, tem uma história muito boa e totalmente original (convém sublinhar bem este factor, original) que criou um ícone/super-herói do cinema, assim como um supervilão muito diferente do habitual, a maléfica OCP. Em terceiro, os aspectos técnicos: a banda sonora é excelente assim como toda a componente de som; os efeitos especiais eram do melhor que havia na altura e, por se tratarem de robots, ainda se aguentam bem, mesmo passado tanto tempo.
Por último, Robocop tem um irreverente Paul Verhoeven atrás das câmaras, que, sem fazer nenhum tipo de concessões ao grande público, consegue manter um tom sério ao mesmo tempo que não despreza a acção pura e dura. Pelos exemplos das sequelas, percebe-se o quanto é difícil não entrar no campo do ridículo, principalmente quando se tem um polícia-robot como protagonista principal.
Quando o vi pela primeira vez, gostei imenso. Hoje, continuo a gostar. Para mim, é um clássico moderno da ficção científica, totalmente original, e que merece estar em qualquer lista dos melhores de sempre. ●●●●○
No seguimento do grande sucesso do primeiro filme, surgiu inevitavelmente uma sequela, Robocop2 (1990) . Esta, nem é assim tão má, como costumam ser as sequelas "tradicionais". Fica apenas uns furos abaixo do original. O enredo não foge muito à lógica do primeiro, com a excepção do confronto entre o Robocop original e um novo robot (o Robocop2), agora comandado por um traficante/criador de drogas sintéticas.
Este Robocop 2 não acrescenta nada de novo, mas também não cai no ridículo como aconteceu no terceiro filme. Perdeu obviamente, o efeito surpresa, o que já é bastante. Mas no fim, acaba por ser um filme medianamente bom. É dirigido por um realizador muito competente e habituado às grandes produções de acção, Irvin Kershner (Star Wars: Episódio V e 007, Never Say Never Again), continua a ser suportado por (alguns) bons actores, tem um argumento light, mas aceitável, e tem um ritmo acelerado e coerente durante todo o filme, que é o que se pretende num filme de acção.
Como se costuma dizer na gíria: "não é de especial, mas vê-se bem..." ●●●○○
É uma coisa que me intriga: como é que responsáveis por um estúdio de cinema vêm a montagem final de um filme destes e dizem: está bom, siga para as salas de cinema. Só vejo uma razão para isto acontecer. É alguém dizer: "vamos vender uns bilhetes, que as pessoas querem é ver o Robocop". E a lógica de querer vender bilhetes à força dá nisto: Robocop3 (1993). Uma anedota de filme. Um fim inglório para uma personagem icónica. Não há nada que se aproveite neste filme. O argumento é ridículo e mais parece que misturaram a história do Robocop com uma história duma moderna ascensão nazi. Chega ao absurdo de se substituir o actor principal por um parecido com o Peter Weller do filme original. É possível ir mais ao fundo? É, pois! Os efeitos especiais regrediram e são estupidamente ultrapassados. Repito: este é o exemplo de filmes feitos propositadamente para cavalgar o êxito dos anteriores, vender mais alguns bilhetes e mais nada. Na nova história, Robocop tem agora como adversário um "suposto" andróide japonês (a OCP foi comprada por uma empresa rival japonesa) que é uma espécie de robot-ninja (!?), que só se sabe que é um robot, porque quando morre emite algumas faíscas. Ridículo. Pior ainda, é que durante a maior parte do filme, o Robocop está partido ao bocados, avariado, desligado, a ser consertado ou está estatelado no chão, indefeso. E depois, no fim, ainda voa graças a um jet-pack... Não há palavras para descrever tanta mediocridade. Um filme que é uma nulidade, mas acima de tudo é uma cuspidela sem vergonha numa das melhores criações originais do cinema. Na ânsia do lucro fácil, os estúdios de Hollywood por vezes comportam-se como pequenas versões cinematográfica da OCP: não olham a meios para fazer uns dólares extra, nem que para isso tenham de matar e atirar para sarjeta as suas próprias criações. Inacreditável. ○○○○○
Como toda a gente já percebeu, em Hollywood, as ideias morreram há bastante tempo. Agora só existem adaptações de bandas desenhadas e/ou novelas gráficas, sequelas, prequelas, remakes e reboots de êxitos antigos. Inevitavelmente, o reboot tinha de chegar a Robocop (2014).
Tenho de admitir que não foi tão decepcionante como previa. Mas também não trouxe nada de novo, o que acaba por ser algo... decepcionante, já que a expectativa de ter José Padilha atrás das câmaras era bastante grande. É o chamado "mixed feeling".
A nova história é algo diferente. A OCP continua a ser a megacorporação ultra-gananciosa do original mas agora é mais global e militarizada. Presume-se que esteja numa fase mais avançada, tendo já em terreno estrangeiro robots a pacificar zonas urbanas em conflito. Já o agente Murphy torna-se em Robocop mais ou menos da mesma forma que o original. A dualidade homem-máquina acaba por ser um pouco mais aprofundada, mas ainda assim de uma forma muito light. Para além do update (mais ou menos bem conseguido) ao aspecto do próprio cyborg, a grande diferença deste filme para o primeiro é a abordagem dos media, menos satírica e muito mais contundente e crítica. Para isso muito ajuda Samuel L. Jackson a interpretar a figura de um grande comunicador de massas, que chega quase a ser assustador e que parece uma voz da propaganda do regime. E muito do filme gira em torno desse tema "quente": devem ou não, os robots ser introduzidos na vida quotidina como agentes da autoridade? Como se costuma dizer: é um tema complicado...
Como filme, tecnicamente é irrepeensível. Vindo dum realizador como José Padilha não seria de esperar outra coisa. Tudo faz sentido e tudo está bem feito. Tem um casting que não necessita de grandes comentários: Gary Oldman, Samuel L. Jackson e Michael Keaton. Só este trio, corrigia qualquer defeito maior que o filme pudesse ter.
Se este reboot perde em relação ao original, é precisamente por causa disso: não é original. É apenas um reboot de uma grande êxito antigo. Apesar do novo Robocop ser um filme relativamente bom, sinceramente, espero que os estúdios fiquem por aqui. O melhor é dedicarem-se a criar personagens novas, originais e icónicas como aconteceu com o primeiro Robocop. ●●●○○
A história de Robocop passa-se num futuro próximo (de 1987), numa Detroit distópica, onde o crime domina a cidade. Como se não bastasse, a cidade está prestes a ser totalmente privatizada e a cair nas mãos da OCP, uma mega-corporação omnipresente, omnipotente, corrupta e gananciosa que não olha a meios para atingir os seus fins. (Não deixa de ser curioso que o enredo do filme se tenha aproximado tanto da Detroit dos dias de hoje.)
A OCP tem apenas um propósito para a velha cidade: destruí-la e começar tudo de novo. Perante a impotência da polícia para travar a criminalidade, a OCP decide recorrer a robots para pacificar a zona, antes de iniciar a sua reconstrução total. A derradeira resposta ao crime urbano é o ED-209, um robot monstruoso e armado até aos dentes. Quando numa violentíssima cena, o ED-209 dá erro e mata alguns executivos da OCP, a corporação vira-se para um projecto alternativo, mistura de homem e máquina, chamado Robocop. Para isso, usam o que restou do polícia Alex Murphy (Peter Weller), violentamente morto por um grupo de perigosos criminosos com ligações à cúpula da OCP.
O filme tornou-se automaticamente num clássico da ficção científica, recheado de hiper-violência e crítica em forma de sátira às modernas sociedades de consumo. Apesar de não ser o primeiro filme de Paul Verhoeven em solo americano (o primeiro foi o excelente e esquecido Flesh & Blood) não deixa de ser uma "estreia" de arromba e um marco para o cinema e para o próprio Verhoeven. A partir daqui, seguiu quase sempre o mesmo registo violento e satírico (como em Starship Troopers e Total Recall), o que aparentemente levou a que nunca se afirmasse como grande realizador que é. Talvez o grande problema de Verhoeven é ser demasiado excessivo para Hollywood.
E, não há dúvidas, Robocop é excessivo. Para já, na própria mensagem e temática do filme: deturpação dos media, corrupção e violência generalizada, autoristarismo, ganância desmedida, desumanização, capitalismo selvagem e perversão da própria natureza humana. Depois, visualmente, para um filme de base "comercial" da altura, contém algumas das cenas mais violentas que já vi. Isto é o que poderia afectar o filme negativamente. Não foi o caso, porque o positivo suplanta em muito o potencial negativo.
Em primeiro, Robocop tem um conjunto brilhante de actores, a começar por Peter Weller, passando por Ronny Cox, Kurtwood Smith e Miguel Ferrer que dão uma seriedade impecável ao filme. Em segundo, tem uma história muito boa e totalmente original (convém sublinhar bem este factor, original) que criou um ícone/super-herói do cinema, assim como um supervilão muito diferente do habitual, a maléfica OCP. Em terceiro, os aspectos técnicos: a banda sonora é excelente assim como toda a componente de som; os efeitos especiais eram do melhor que havia na altura e, por se tratarem de robots, ainda se aguentam bem, mesmo passado tanto tempo.
Por último, Robocop tem um irreverente Paul Verhoeven atrás das câmaras, que, sem fazer nenhum tipo de concessões ao grande público, consegue manter um tom sério ao mesmo tempo que não despreza a acção pura e dura. Pelos exemplos das sequelas, percebe-se o quanto é difícil não entrar no campo do ridículo, principalmente quando se tem um polícia-robot como protagonista principal.
Quando o vi pela primeira vez, gostei imenso. Hoje, continuo a gostar. Para mim, é um clássico moderno da ficção científica, totalmente original, e que merece estar em qualquer lista dos melhores de sempre. ●●●●○
No seguimento do grande sucesso do primeiro filme, surgiu inevitavelmente uma sequela, Robocop2 (1990) . Esta, nem é assim tão má, como costumam ser as sequelas "tradicionais". Fica apenas uns furos abaixo do original. O enredo não foge muito à lógica do primeiro, com a excepção do confronto entre o Robocop original e um novo robot (o Robocop2), agora comandado por um traficante/criador de drogas sintéticas.
Este Robocop 2 não acrescenta nada de novo, mas também não cai no ridículo como aconteceu no terceiro filme. Perdeu obviamente, o efeito surpresa, o que já é bastante. Mas no fim, acaba por ser um filme medianamente bom. É dirigido por um realizador muito competente e habituado às grandes produções de acção, Irvin Kershner (Star Wars: Episódio V e 007, Never Say Never Again), continua a ser suportado por (alguns) bons actores, tem um argumento light, mas aceitável, e tem um ritmo acelerado e coerente durante todo o filme, que é o que se pretende num filme de acção.
Como se costuma dizer na gíria: "não é de especial, mas vê-se bem..." ●●●○○
É uma coisa que me intriga: como é que responsáveis por um estúdio de cinema vêm a montagem final de um filme destes e dizem: está bom, siga para as salas de cinema. Só vejo uma razão para isto acontecer. É alguém dizer: "vamos vender uns bilhetes, que as pessoas querem é ver o Robocop". E a lógica de querer vender bilhetes à força dá nisto: Robocop3 (1993). Uma anedota de filme. Um fim inglório para uma personagem icónica. Não há nada que se aproveite neste filme. O argumento é ridículo e mais parece que misturaram a história do Robocop com uma história duma moderna ascensão nazi. Chega ao absurdo de se substituir o actor principal por um parecido com o Peter Weller do filme original. É possível ir mais ao fundo? É, pois! Os efeitos especiais regrediram e são estupidamente ultrapassados. Repito: este é o exemplo de filmes feitos propositadamente para cavalgar o êxito dos anteriores, vender mais alguns bilhetes e mais nada. Na nova história, Robocop tem agora como adversário um "suposto" andróide japonês (a OCP foi comprada por uma empresa rival japonesa) que é uma espécie de robot-ninja (!?), que só se sabe que é um robot, porque quando morre emite algumas faíscas. Ridículo. Pior ainda, é que durante a maior parte do filme, o Robocop está partido ao bocados, avariado, desligado, a ser consertado ou está estatelado no chão, indefeso. E depois, no fim, ainda voa graças a um jet-pack... Não há palavras para descrever tanta mediocridade. Um filme que é uma nulidade, mas acima de tudo é uma cuspidela sem vergonha numa das melhores criações originais do cinema. Na ânsia do lucro fácil, os estúdios de Hollywood por vezes comportam-se como pequenas versões cinematográfica da OCP: não olham a meios para fazer uns dólares extra, nem que para isso tenham de matar e atirar para sarjeta as suas próprias criações. Inacreditável. ○○○○○
Como toda a gente já percebeu, em Hollywood, as ideias morreram há bastante tempo. Agora só existem adaptações de bandas desenhadas e/ou novelas gráficas, sequelas, prequelas, remakes e reboots de êxitos antigos. Inevitavelmente, o reboot tinha de chegar a Robocop (2014).
Tenho de admitir que não foi tão decepcionante como previa. Mas também não trouxe nada de novo, o que acaba por ser algo... decepcionante, já que a expectativa de ter José Padilha atrás das câmaras era bastante grande. É o chamado "mixed feeling".
A nova história é algo diferente. A OCP continua a ser a megacorporação ultra-gananciosa do original mas agora é mais global e militarizada. Presume-se que esteja numa fase mais avançada, tendo já em terreno estrangeiro robots a pacificar zonas urbanas em conflito. Já o agente Murphy torna-se em Robocop mais ou menos da mesma forma que o original. A dualidade homem-máquina acaba por ser um pouco mais aprofundada, mas ainda assim de uma forma muito light. Para além do update (mais ou menos bem conseguido) ao aspecto do próprio cyborg, a grande diferença deste filme para o primeiro é a abordagem dos media, menos satírica e muito mais contundente e crítica. Para isso muito ajuda Samuel L. Jackson a interpretar a figura de um grande comunicador de massas, que chega quase a ser assustador e que parece uma voz da propaganda do regime. E muito do filme gira em torno desse tema "quente": devem ou não, os robots ser introduzidos na vida quotidina como agentes da autoridade? Como se costuma dizer: é um tema complicado...
Como filme, tecnicamente é irrepeensível. Vindo dum realizador como José Padilha não seria de esperar outra coisa. Tudo faz sentido e tudo está bem feito. Tem um casting que não necessita de grandes comentários: Gary Oldman, Samuel L. Jackson e Michael Keaton. Só este trio, corrigia qualquer defeito maior que o filme pudesse ter.
Se este reboot perde em relação ao original, é precisamente por causa disso: não é original. É apenas um reboot de uma grande êxito antigo. Apesar do novo Robocop ser um filme relativamente bom, sinceramente, espero que os estúdios fiquem por aqui. O melhor é dedicarem-se a criar personagens novas, originais e icónicas como aconteceu com o primeiro Robocop. ●●●○○
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