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Indiana Jones é um professor universitário de arqueologia mas também é um duro aventureiro que gosta de arregaçar as mangas e se for preciso, partir para a violência. Como é especializado em antiguidades clássicas, o governo americano contrata-o para encontrar a Arca da Aliança e assim assegurar que os Nazis não lhe conseguem deitar a mão e aceder ao seu imenso poder destrutivo. Jones inicia assim uma das maiores aventuras do mundo do cinema e que durará várias décadas...
A personagem e o filme é tão conhecido, tão transversal e tão ubíquo que já faz parte do conhecimento geral. Não faz sentido estar aqui a falar do filme propriamente dito.
A minha ligação com Raiders of the Lost Ark é profunda. O contexto no qual eu vi o filme é radicalmente diferente dos dias de hoje. Vi-o pela primeira vez por volta de 1985, o que quer dizer que o vi numa autêntica realidade alternativa. Nessa altura, quando se queria ver um filme tinha de se ir ao cinema. Mas por outro lado, os VHS começavam a dar os primeiros passos e lentamente começavam a invadir a casa das pessoas. O impacto inicial dos VHS não foi assim tão marcante porque havia muito poucos filmes nesse formato. E é aqui que começa minha ligação quase umbilical ao Indiana Jones. Se já era rara a pessoa que tinha um VHS (ainda existiam inclusive muitas TVs a preto e branco!!!...), mais raro ainda era a pessoa que tinha uma cassete. Note-se que a cassete tinha de ser um original pois não havia forma de fazer cópias. Só em termos comparativos, os preços destas "coisas": uma TV: cerca de 100 contos! Um leitor VHS: cerca de 100 contos! Uma cassete original: cerca de 15 contos! Portanto, era material "profissional" que só existia nos video clubes. No entanto, um tio meu lá perdeu a cabeça e conseguiu comprar uma cassete caríssima do Raiders of the Lost Ark. O filme tinha sido um marco no cinema de acção e um gigantesco sucesso de bilheteira e por isso lembro-me de ouvir os mais velhos a falar de como era espectacular. Da cena da bola, das aranhas, dos nazis e da arca perdida. Muito antes de ver o filme, já o tinha imaginado na minha cabeça. Mas nada me preparou para o impacto de ver o filme com os meus próprios olhos. Siderei completamente, apesar de ter acontecido numa TV minúscula (quanto comparado com os tamanhos XXXL de hoje em dia). Nessa altura, sempre que ia até casa do teu tio (e eram muitas vezes...) obrigatoriamente (re)via o filme. Também não havia alternativa... Eu e o meu primo sabíamos todas as cenas de cor, todos os diálogos, tudo... Devo ter visto o Raiders of the Lost Ark umas 20 ou 30 vezes. E isto, só enquanto era miúdo, porque depois continuei a revê-lo constantemente ao longo do tempo. Se estiver a ser transmitido em algum canal de TV, simplesmente não lhe consigo resistir. Aquela música parte-me todo... Oh! Começa automaticamente a ecoar na cabeça... Não só pelo filme, mas também pela lembrança daqueles momentos antigos em que o miúdo (acho que isso aconteceu com muita gente...) queria era ter um casaco de couro, um chicote e ir por aí à aventura, em busca de um grande tesouro, derrotando os inimigos pelo caminho, nem que para isso tivesse que ficar preso num túmulo egípcio cheio de cobras e esqueletos ou que tivesse de passar por baixo de um camião em movimento.
Este é um daqueles filmes fáceis de "criticar" porque o tenho gravado integralmente na cabeça. Agora mesmo começam (novamente) a ecoar as notas da música de John Williams que é sem dúvida uma das melhores de sempre. A marcha do Raiders é um hit intemporal assim como a restante banda sonora original. Poderia estar aqui a falar de tudo o que Raiders of the Lost Ark tem de bom, mas seria entediante. É preferível enumerar o que tem de mal, porque é muito mais fácil. Nada. Não tenho um único defeito a apontar a este filme. É dos filmes mais consensuais que já encontrei, tanto entre a crítica como entre o público. Mas como em tudo na vida, há sempre quem discorde. Já li, por exemplo, que a personagem do Indiana Jones é irrelevante para o desenvolvimento da história. Se se pensar bem, na realidade, os nazis conseguem ficar mesmo com a arca, mas inadvertidamente matam-se todos no final... E o restante filme, pergunto eu? É para ignorar? Aqueles cenários? As cenas de acção memoráveis? A bola gigante de pedra? As tarântulas? As cobras? Os túmulos egípcios? O Nepal? Todas as personagens?... Há críticas que não consigo mesmo entender... Bem... para mim, não existe melhor filme de acção. É um filme moderno que parece ter estreado ontem, mas que já vai com uns consideráveis 40 anos em cima. Para mim é um daqueles filmes intemporais e perfeito do princípio ao fim. O entusiasmo é tanto sempre que falo no filme que já me esquecia de mencionar os actores. Karen Allen, Paul Freeman, John Rhys-Davies, Denholm Elliott compõe o "núcleo duro" mas não há ninguém que destaque pela negativa. E depois há Harrison Ford, "o" Indiana Jones. Li muita coisa sobre o filme e sobre como Tom Selleck era a primeira escolha e quase ficou com o papel... Não. Não. Não. Toda a lógica do universo diz que apenas Harrison Ford poderia ser o Indiana Jones. Não consigo sequer imaginar outro actor naquele papel.
Raiders of the Lost Ark tem tudo o que procuro num filme de acção: bons actores numa boa história, com um bom ritmo e uma boa banda sonora. Só falta mesmo agradecer ao homem que praticamente sozinho criou o moderno cinema de acção: Steven Spielberg. Raiders of the Lost Ark é um dos filmes da minha vida e sem dúvida o filme que mais vezes vi. É a minha referência para todos os filmes de acção e até ao dia de hoje ainda não superado. Um marco do cinema absolutamente obrigatório. ●●●●● + ●

Não sei muito bem porquê mas de repente lembro-me do Chuck Norris... Estranho, não? Acho que ter passado uma grande parte da adolescência a ver filmes de porrada com o grande Chuck Norris deve ter tido algumas repercussões cerebrais estranhas. É um dos grandes heróis de acção e com total mérito. Os filmes que fazia eram fraquinhos, mas na altura também era o que havia. Lone Wolf McQuade é mais um dos filmes típicos de Chuck Norris e que representa muito bem, tanto a filmografia dele, como o geral dos filmes da altura.
Norris é J.J. McQuade, um Ranger do Texas... Espera... Outra vez?!... Parece que ele foi Ranger do Texas em todos os filmes e séries... Ou será que ele era mesmo um Ranger?!... Adiante. O Ranger do Texas entra em conflito com um perigoso contrabandista de armas (David Carradine [Bill!? És tu?...]) por causa de uma mulher (Barbara Carrera) que ambos disputam. Como na altura estava muito na moda, ambos os protagonistas são exímios praticantes de artes marciais. Depois de o mauzão lhe ter morto o melhor amigo, o Ranger do Texas vai em busca de vingança... que invariavelmente termina numa luta a dois... mano a mano... à porrada. À "homem dos anos 80", como deveria ser...
Não sei muito bem porquê, mas sempre simpatizei com o Chuck Norris. Não o conheço de lado nenhum, mas parece mesmo um gajo simpático. Transmite seriedade e empatia. Nota-se que é uma pessoa boa e simples. Não é obviamente o melhor actor do mundo, mas tem um figura que é... não sei explicar. Acho que é uma sensação inconsciente de verdadeiro... e cool... Chuck Norris é cool.
Um gajo agora goza com estes filmes, mas este Lone Wolf McQuade (de Steve Carver) e outros do mesmo género, eram os grandes blockbusters de acção da altura. Custavam uma ninharia e faziam milhões no circuito de cinema e mais ainda no VHS. É por isso que há tantos e por vezes parece que se confundem nos actores e nas histórias. Estes filmes são tão maus que nem sei como os hei-de classificar. Mas são daqueles que são tão maus que de alguma forma estranha acabam por ser bons. Deve ser mais uma questão de puro saudosismo... Toma lá duas "bolinhas"... Uma pelo David Carradine e outra pelo mítico Chuck Norris●●

Era um grande fã da série The Twilight Zone. Não perdia um episódio. Olhando em retrospectiva, The Twilight Zone é provavelmente um dos eventos televisivos que mais influenciou não só a minha maneira de ver filmes como também a minha própria maneira de pensar. É pura imaginação à solta. Tudo era possível e nada era impossível talvez fosse a lógica mais marcante da série que passou para minha mente. Pegava em conceitos quotidianos e extrapolava, extrapolava, extrapolava... até que chagava a um sítio tão distante que só poderia ser uma... Quinta Dimensão.
Seguindo uma lógica diferente da habitual, uma série de TV com sucesso a nível planetário, fez o caminho óbvio e saltou dos então minúsculos ecrãs de TV para aterrar nos imensos ecrãs do cinema. Esta solução parecia irremediavelmente destinada ao sucesso mas, como tudo na vida, às vezes as coisas não acontecem como planeado. Twilight Zone: The Movie foi um fiasco comercial e para além disso ficou ligado a uma das grandes tragédias e polémicas do mundo do cinema.
Sem ter um caminho muito bem definido, a produção simplesmente coloriu e adaptou histórias do imenso universo da Twilight Zone. Há um prólogo e quatro segmentos, como se fossem 4 episódios isolados. o episódio 1 (Time Out) é sobre um homem intolerante que se vê misteriosamente transportado para cenário em que é confrontado directamente com a sua própria intolerância. O episódio 2 (Kick the Can) conta a história de um velhote com poderes mágicos que visita um lar de idosos. No episódio 3 (It's a Good Life) temos a história de um miúdo com uma imaginação prodigiosa. E no episódio 4, o mítico (Nightmare at 20,000 feet) em que um escritor com medo de voar vê algo assustador na asa do avião...
Este foi logo um dos problemas. "Não é um filme: são quatro episódios numa cassete", foi o que pensei na altura, quando comecei a ver o VHS que tinha trazido do videoclube. E para quem tinha visto tudo o que havia para ver da mítica série seria muito difícil escolher o melhor dos melhores, porque simplesmente, era uma tarefa impossível. De uma forma ou outra, (quase) todos os episódios eram muito bons. Foi isso que cristalizou o sucesso da série na mente do público. Fazer uma escolha assim tão pequena, ia ser sempre uma escolha muito arriscada. Talvez por isso mesmo, os estúdios escolheram actores com algum peso na altura como Vic Morrow, Dan Aykroyd, Albert Brooks, Kathleen Quinlan e John Lithgow e passou a realização para as mãos das estrelas mais promissoras daquele momento. Joe Dante realizou It's a Good Life; George Miller fez o Nightmare at 20,000 Feet; Steven Spielberg realizou Kick the Can e John Landis esteve no prólogo e no episódio Time Out. Este é o episódio que viria a tornar-se memorável pelas piores razões. Durante as filmagens, numa cena que se passava no Vietname, um helicóptero despenhou-se, causando a morte imediata de Vic Morrow e de duas crianças, Renee Chen e My-ca Dinh Le. Para piorar ainda mais a situação, as crianças nem sequer estavam registadas oficialmente como actores para poderem filmar durante a noite, o que já altura não era permitido pelos estúdios e pela legislação em vigor. A produção foi terminada à pressa. John Landis foi acusado de homicídio... Correu tudo mal.
Durante algum tempo, este filme fascinou-me precisamente por causa deste episódio. Li muita coisa sobre o assunto para perceber como é que um acontecimento desta gravidade tinha acontecido em Hollywood. Aliás, é sempre mencionado quando se fala na questão da segurança dos actores. Foi até determinante para isso, porque depois deste acidente, muitas das práticas correntes no meio foram alteradas para sempre. Curiosamente, este foi o único episódio que não era um remake de espisódios da série. Todos os restantes eram novas adaptações e este era o único original. Também foi por causa deste acidente que o filme ficou desconexo. Era suposto haver um a ligação no final que juntasse o prólogo e os quatro episódios, mas devido ao acidente, o filme acabou por ser fechado à pressa. Mas quando em cima de um filme está o ónus da morte de um adulto e duas crianças com menos de 10 anos, a qualidade e consistência são um pormenor absolutamente irrelevante.
Foi pena. Rod Serling, o mítico criador da série The Twilight Zone merecia uma homenagem à maneira. O destino não quis deixar. ○○○

Joe Cabot (Lawrence Tierney), um chefe mafioso, reúne meia dúzia de criminosos para fazer um "simples" assalto a uma ourivesaria. Desconhecidos entre eles, decidem continuar a manter o anonimato recorrendo a nomes peculiares: Mr. White (Harvey Keitel), Mr. Blonde (Michael Madsen), Mr. Orange (Tim Roth), Mr. Brown (Quentin Tarantino), Mr. Pink (Steve Buscemi), Mr. Blue (Edward Bunker [ele próprio um verdadeiro insider do mundo do crime; foi condenado por vários assaltos e outros crimes]). E ainda há um Nice Guy Eddie (Chris Penn). O que parecia ser um golpe fácil e certo, dá para o torto. Para piorar a situação, os assaltantes começam a desconfiar que há um polícia infiltrado... E então tudo se torna num pandemónio sanguinário.
Escrito e realizado pelo então estreante Quentin Tarantino, Reservoir Dogs é um potente soco no estômago. Para filme de estreia de um realizador é simplesmente brilhante. Demonstra claramente que não é preciso um grande orçamento para fazer um bom filme. O que é necessário é essencialmente um bom guião, bons actores e um bom realizador com uma visão diferente. Só com estes três elementos consegue-se fazer uma obra intemporal. Visto em 1992, foi uma coisa... inesperada. Nessa altura não havia outros Tarantinos. Foi algo completamente diferente e original.
Sou  grande fã do Tarantino e dos seus filmes. E por isso vou lendo umas coisas para além dos próprios filmes. Desde o início da carreira que vejo o Tarantino a ser acusado de copiar ideias, conceitos e partes inteiras de outros filmes. Podem ligar-se todos os filmes do Tarantino a géneros que foram populares nos anos 60, 70 e algumas coisas dos anos 80. Sejam os filmes de "assaltos", o blaxploitation, os spaghetti western ou os filmes de artes marciais dos 80's, simplesmente está lá tudo. Alguém que tenha visto muitos filmes destas décadas - o que é o meu caso - encontra facilmente montes de cenas que parecem copiadas ou que estão na base dos filmes Tarantino. Acho normal. Quer uma pessoa queira, quer não, quando se vê muitos filmes, mentalmente começam a ficar arquivadas tantas coisas, que eventualmente acabam por sair outra vez, de uma forma quase inconsciente e não propositada.
Toda a gente sabe que Tarantino, antes de se tornar realizador, trabalhou num videoclube. Mas o que poucas pessoas sabem é que foi lá que ele escreveu uns guiõezitos de filmes como True Romance, Natural Born Killers... ou o Reservoir Dogs. Menos pessoas sabem ainda que quando o clube fechou em 1994, o Tarantino comprou todos os 8000 filmes, para servirem de uma espécie de streaming à moda antiga. Já falei disso por aqui. A diferença entre o novíssimo streaming e o velhinho videoclube, é que antes, um gajo tinha de levantar o cu para ver os filmes. E para além disso, o catálogo disponível nos videoclubes era absolutamente gigantesco quando comparado com as plataformas digitais... E estou a divagar novamente... Este tema fica para outra altura...
Só para resumir: este efeito-cópia que normalmente é associado ao Tarantino é fruto de uma longuíssima pesquisa pessoal por todos os filmes, bons e maus, dos mais variados temas e linguagens, que basicamente eram aquela amálgama gigantesca de filmes lançados na era do VHS. Toda esta questão para justificar o facto do Reservoir Dogs ser muitas vezes referido com uma cópia descarada de City on Fire (1987), um típico filme de acção policial de Hong Kong dos anos 80. Eu também vi muitos outros filmes policiais asiáticos nos anos 80 (estavam a fazer a transição das artes marciais [começavam a perder popularidade] para os policiais) e também entre eles, muitos me pareciam cópias ou ter elementos copiados uns dos outros. Há uma citação dele que acho que resume perfeitamente este sentimento e justifica tudo: Quando lhe perguntaram se tinha frequentado uma escola de cinema, a resposta dele foi: "Não, fui ver filmes". Acho que está tudo dito. Propositadamente copiado ou não, Reservoir Dogs é um filme novo. Tem todos os elementos que mais tarde seriam a marca do Tarantino, que é esta mistura estranha de homenagem, monólogos, mesclagem, violência, linguagem não-linear e música. Música muito boa. E com isso, ele conseguiu criar um género totalmente novo, o "Tarantino". E isso não foi copiado de lado nenhum, portanto estamos conversados...
Já tudo foi dito sobre o Reservoir Dogs. É um daqueles filmes que não é possível ficar a meio: ou se ama ou se detesta. Eu estou claramente no primeiro grupo. Um filme perfeito. ●●●●●

Na capítulo do terror, há um nome incontornável: Stephen King. Ponto. Aliás, ponto final, parágrafo. Para mim é o derradeiro criador das histórias de terror. Stephen King é um senhor e como tal sou grande fã. Já li muita coisa dele e raramente desilude. O homem tem mesmo jeito para a coisa. Se os livros são muito bons, seria lógico que resultassem em grandes adaptações para cinema, até porque King tem uma escrita muito "visual" e em certos aspectos quase cinematográfica. Em princípio seria uma vantagem, mas como se sabe, isso não é verdade. Os filmes decorrentes dos livros de Stephen King têm alternado entre os muitos bons e os fraquitos. Mas o problema é sempre o tratamento cinematográfico, nunca a história.
Li muitos livros e vi muitos filmes "Stephen King" nos anos 80 e 90, talvez a altura mais profícua do mestre. Algures no início dos anos 90, lembro-me de me emprestarem um livro enorme com o título enigmático de "It". Era um "trambolho". Um livro gigante que parecia ter umas 1000 páginas. Como estava em inglês e como sabia que era sobre um palhaço assassino, acabei por ficar apenas pelas primeiras folhas. Não tenho nenhuma fobia com palhaços, mas também não tenho grande apreço pela figura. Não porque me metam medo, mas porque sempre tive... pena dos palhaços. Em miúdo ia ao circo e ficava sempre chateado quando entravam os palhaços. Não sei como são agora, mas nos anos 80, só havia um numero de palhaços: o rico e o pobre. O palhaço rico pregava partidas ao palhaço pobre que ficava sempre a perder e era o gozo de todos. Pode parecer estranho, mas aquela situação sempre me angustiou. Ver ali uma pessoa a ser atirada ao chão, a levar chapadas e basicamente a ser gozada por toda a gente, deixava-me sempre triste. Devo ser empático demais, porque aquela situação era sempre muito constrangedora. Não gostava nada daquilo. Assustador, nunca é a minha primeira palavra para palhaços. É mais pena. Mas adiante...
Isto tudo para dizer que não gosto muito de palhaços e que por causa disso nunca li o It, apesar de estar na minha lista há anos. Mas pouco tempo depois da cena do livro, num video-clube qualquer apanhei uma cassete dupla (nome muito pouco técnico que se dava a filmes que vinham em duas cassetes por terem durações muito longas [e sim, havia uma limitação na fita magnética dos VHS...]) com a adaptação para filme do It. E desta vez, lá estava o palhaço demoníaco na capa. Pareceu-me bem, até porque nessa altura, terror era o meu tema de eleição. A expectativa era alta. A decepção foi ainda maior. Quando me emprestaram o livro foi com a premissa de que era mesmo muito assustador. Já o filme não foi assim tanto. Na altura, talvez eu estivesse tarimbado para outro tipo de terror mais hardcore, mas aquilo pareceu-me tudo muito fraquinho. Os efeitos especiais até eram jeitosos (para a altura), mas o susto era pouco. Era um bloco enorme e maçudo que pareceu arrastar-se lenta e penosamente durante mais de 3 horas, com muito pouco terror e uma história muito confusa que abarcava décadas da história dos sete miúdos e do palhaço Pennywise, cheia de flashbacks e flashfowards... que descamba no final, inesperadamente, em lutas nuns túneis contra uma aranha extraterrestre gigante... WTF?!? Para ser directo: naquela altura, detestei o filme. Pensei que tinham corrompido mais uma vez a escrita genial do Stephen King. Mas depois confirmei que a história era mesmo aquela e pelos vistos até era bastante fiel ao original, o que nem sempre aconteceu noutras adaptações. It ficou-me como sendo um espinho na reputação de King. Durante anos, usei-o como o exemplo de que até os grandes mestres, por vezes, metem água. Mas uma coisa é o livro, outra coisa é o filme. E o It sempre me ficou como um filme mau, penosamente longo e extremamente chato. Só anos mais tarde é que descobri que, afinal, o que tinha visto era uma mini-serie de TV, numa versão "colada" (dos dois episódios da série) como se fosse um só filme. Mas nem isso justificava a pouca qualidade e principalmente, a baixíssima intensidade do filme de Tommy Lee Wallace. Sendo que o vi para aí em 1991, admito que já pouco me lembro para quantificar porque é que era mau. Harry Anderson, Dennis Christopher, Richard Masur, Annette O'Toole, Tim Reid, John Ritter, Richard Thomas já nada me dizem. Tive de me socorrer da net para me lembrar das caras. Apenas Tim Curry como Pennywise é memorável. Nesse aspecto, é irrepreensível. A make-up e a interpretação de Tim Curry foram o suficiente para nunca mais me esquecer do It e do Pennywise. A trupe dos miúdos também retive. Naquela altura, havia uma série de miúdos que eram recorrentes em filmes como Emily Perkins, Ben Heller, Brandon Crane, Jonathan Brandis e Seth Green e que acabaram por me ficar na memória. Não faço a mínima ideia por onde andarão hoje em dia, mas é provável que ainda façam uns papéis secundários por aí. Ou talvez não. Mas tirando o grupo dos miúdos e o Pennywise, pouco mais mais restou na memória. O que é muito pouco. O resto foi demasiado fraco para perdurar na memória. Mas ainda assim, face ao sucesso do recente remake, acho que merecia destaque e uma nova reposição iria dar-lhe novos méritos.  ○○○

Mesmo com todos os exageros, os anos 80 produziram algumas mais icónicas criações do cinema. Uma das figuras que é impossível não mencionar é o Predador. Nada mau para um "banal" filme de acção e gajos musculados de ginásio... Na realidade, Predator não é assim tão "banal".
Este foi um filme que já vi na fase VHS, ou seja, numa altura em que ver filmes no cinema já era uma coisa rara. Foi pena. Gostava de o ter visto num ecrã a sério e não na Grundig da sala que teria o mesmo tamanho que alguns tablets actuais. Mas isso não invalida que tenha ficado siderado com o filme. Foi uma surpresa total. Numa altura em que os filmes de acção seguiam sempre o mesmo guião e a mesma linha de história (é mais ou menos como hoje em dia: bom contra mau e no final, o mau perde, o bom ganha e fica com a rapariga) ver o Predator a começar assim e lentamente introduzir elementos da ficção científica foi uma enormíssima surpresa. Melhor ainda, o "mau" do filme tornaria-se com o tempo num dos grande ícones do cinema. Nada mau para um "monstro" que só tem para aí uns 8 minutos de tempo de ecrã.
Tal como do Alien (e não faço grande distinção em termos de valor), como sempre fui fã do Predador, ao longo do tempo fui descobrindo umas coisas acerca desta horrenda criação cinematográfica. Por exemplo, descobri que Van Damme foi "o" Predator durante uns 2 dias. Curiosamente, em algumas das primeiras cenas com aquele manto de invisibilidade espacial, é de facto o Van Damme que lá está por baixo da fatiota... O que li acerca da desistência de Van Damme do filme, foi que ele não queira aparecer como "não creditado" e ainda por cima, todo o "monstro" original foi completamente redesenhado, o que levou ao seu abandono das filmagens. Ainda bem, porque já a vi a versão original e era ridícula; já a versão final do monstro tornaria-se lendária. Li também que o mago dos efeitos especiais, Stan Winston, criou o monstro final, mas teve a ajuda de um gajo em particular: James Cameron. Pelos vistos, encontraram-se fortuitamente numa viagem de avião e quando Winston lhe mostrou o novo design do Predator, Cameron sugeriu acrescentar alguns novos pormenores como as mandíbulas extra e aquela fronha horrível. Este pequeno momento resultante de um encontro fortuito, trouxe para o cinema uma das melhores cenas de sempre, que é quando o Predator tira a máscara (também ela muito bem desenhada) e finalmente mostra a face alienígena. Épico e memorável. Goste-se ou não, é muito raro eu encontrar uma pessoa que nunca tenha visto essa cena.
Apesar de ser um "típico" filme de acção, Predator segue as mais as passadas rítmicas do género siege-movie. Uma série de musculados comandos americanos vão sendo caçados um a um e dizimados por uma força desconhecida na densa floresta sul-americana. Um pequeno à parte para dizer que Predator é estranhamente uma co-produção México-americana. O que faz todo o sentido, porque sem os recursos digitais de hoje em dia, quando alguém nos anos 80 queria fazer um filme visualmente verosímil passado numa floresta sul-americana, tinha mesmo de ir filmar para uma floresta sul-americana. Assim, também se percebe um pouco melhor a posição do Van Damme: não deve ser nada fácil andar com uma fatiota hiper-quente numa verdadeira floresta tropical. Consta-se que ele desmaiava com o calor extremo dentro do fato. Não sei se esse parte é verdadeira ou não, mas também não estranharia se o fosse. Outros tempos em que não havia fundos verdes para filmar...
Para Predator, juntaram-se os mais musculados e carismáticos gajos dos filmes de acção da altura: Arnold Schwarzenegger, Carl Weathers, Bill Duke, Jesse Ventura e Sonny Landham. Elpidia Carrillo cria o único elemento de fragilidade em todo o filme, enquanto Kevin Peter Hall cedeu o seu extraordinário tamanho para dar corpo e movimento ao Predator. Mais uma pequena curiosidade: Shane Black aparece numa pequena participação secundária. Não sendo uma personagem muito conhecida do grande público, é um actor e guionista com alguma carreira  (os Lethal Weapons são dele) e iniciou-se há uns anos na realização (Iron Man 3 e a porcaria recente que é The Predator são da sua autoria).
Predator é um must na classe dos filmes de acção. Em cima da acção, ainda posso destacar o suspense e o terror como temáticas onde pode facilmente encaixar. Está muito bem equilibrado por parte do John McTiernan, outro gajo com muito currículo e um gajo que gosto particularmente porque dá sempre um toque especial aos filmes de acção. Até a banda sonora original de Alan Silvestri merece destaque, uma raridade no mundo dos filmes de acção, em que tudo está direccionado para as porradas e as explosões. ●●●●○

PS: Fica aqui a diferença dos trailers actuais versus os trailers da altura. Dá que pensar. Parece que antigamente não ligavam muito aos trailers. Hoje em dia, parece que fazem primeiros os trailers e só depois é que vão preencher as lacunas para dar um filme inteiro... Não admira que antigamente uma pessoa ficasse positivamente surpreendida com os filmes; os trailers eram medonhos e terrivelmente mal feitos.



PS 2: Como não ligo nada a memes e "coisas divertidas" da net, só agora fiquei a saber que um dos memes mais populares de sempre é a frase do Arnold Schwarzenegger tirada do Predator: "Run! Get to the choppa!"... Coisas modernas... Don't get it...
Se há filme que merece a classificação de clássico intemporal é Blade Runner. É um prodígio técnico e estético. Acho que mais nenhum filme foi tão à frente no aspecto futurista (ou retro-futurista) como este. É bom lembrar que este é um filme de 1982. É tão antigo que os cartazes promocionais ainda eram pintados! Para quem vê o filme agora não tem noção do que era mundo em 1982 em termos de noções tecnológicas e até estéticos. O mundo era todo colorido e este era um filme negro. O principal responsável é o visionário Syd Mead com o seu "retro-futurismo" que tenho a certeza foi ao futuro e voltou com esquissos. É quase impossível que não tenha sido assim. Foi um filme que me marcou profundamente. Ainda hoje ecoam no meu cérebro frases como "I’ve seen things you people wouldn’t believe", "all those moments will be lost in time, like tears in rain", "Too bad she won’t live. But then again, who does?", "I want more life, fucker!", ou "Quite an experience to live in fear, isn't it? That's what it is to be a slave". A partir do dia em que o vi, todos os outros filmes que já tinha visto tornaram-se "piores" e os que vieram a seguir precisavam de chegar a um fasquia muito mais alta para os considerar "bons". A história, o visual, a música de Vangelis, o estilo dos actores, aquela ambiência húmida, escura e mesclada de culturas, tudo. Mudou-me mesmo! Fez o meu cérebro começar a pensar de uma forma diferente. Pôs-me a pensar como eram ridículos muitos outros filmes que já vira sobre o "futuro".
Mas por muito que se diga bem deste filme, é impossível não mencionar a questão do gosto do público num determinado momento e a apreciação (e interferência) feita pelos estúdios. Infelizmente nunca vi o Blade Runner numa sala de cinema. Espero pacientemente que um dia o reponham, já que agora é um "clássico intemporal". Mas nem sempre foi assim. Muito já li sobre as diversas versões do filme (para além do "original", já vi um Director's Cut, um Final Cut e outras duas versões com algumas mudanças pelo meio e no final) e como isso foi influenciado pelas decisões de executivos de estúdio que obviamente apenas estão interessados no resultado de bilheteira e não nas questões estéticas ou autorais. É a mesma guerra de sempre. Curiosamente, a versão que me ficou no cérebro - e até é a de que gosto mais - é precisamante a versão "cortada" pelo estúdio, provavelmente porque foi a primeira que vi e também a que vi mais vezes. Não sei quantas vezes terei visto o Blade Runner, mas deve andar na casa das dezenas. Sou capaz de reconhecer frames isolados do filme e é provável que saiba os diálogos de cor. Eu sei que é um bocado freak da minha parte, mas isto tem que ver com o VHS. Isto deve ser estranho para algumas pessoas de agora, mas houve uma altura em que se alugava filmes em cassetes, com uma fita magnética que rodava lá dentro do invólucro preto. É estranho mas verdade. Mas o que poderá ser mais estranho é que alugar um filme, queria dizer que se tinha 24 horas para o ver de depois devolvê-lo. Rebobinado. Quer isto dizer que chegando ao fim do filme (e da bobine de fita) era preciso voltar a pô-la no início. Pagava-se uma penalização se não fosse entregue assim! Pode não parecer, mas o mundo era algo totalmente diferente. Questões técnicas à parte, esta questão dos alugueres de 24 horas levava a que freaks como eu que gostavam muito de um filme, a única coisa que podiam fazer era alugá-lo de novo (muito difícil, porque era caro!) ou em alternativa vê-lo várias vezes no mesmo dia, o que também não era fácil. Arranjar outro vídeo para fazer uma cópia directa (o antepassado da actual pirataria) era quase impossível devido ao preço e fragilidade dos VHS's. A única solução era esperar que desse na TV e gravá-lo. Foi o que aconteceu. E como as cassetes "virgens" também eram raras e caras, um gajo tinha de ser muito selectivo, por isso só tinha para aí uns 5 filmes que via insistentemente. Posso dizer que vi dezenas de vezes o Blade Runner e o mesmo se passa com o Mad Max, Raiders of the Lost Ark e o Enter the Dragon. Durante muito tempo foram os únicos filmes que "possuía" e portanto os únicos que podia rever. Bem, estou a divagar para o saudosismo... Seguindo em frente...
Como já disse, Blade Runner nem sempre foi um "clássico". Muito pelo contrário. Quando o aluguei pela primeira vez em cassete, fiquei imediatamente "maluco". Nunca tinha visto nada assim. Pensei que era algo que toda a gente já tinha visto e adorava. Para surpresa minha, ninguém conhecia o filme. E já estou a falar de finais de 80's, princípios de 90's. O filme já tinha 10 anos e ninguém o conhecia. Como é que isso podia ser? Como é que uma obra-prima tinha caído no esquecimento? Eu tenho uma pequena enciclopédia editada nos anos 90 - "Os melhores filmes de todos os tempos" - e o filme nem sequer é mencionado!! Aliás, nessa altura, o Blade Runner nem sequer se chamava só Blade Runner; tinha um sub-título muito sugestivo para ser "comercial": Blade Runner - Perigo Eminente!
(um pequeno à parte relacionado com o título. Desde sempre me intrigou o facto do título nada ter que ver com o filme. Só muito mais tarde li que apesar do filme ser baseado no livro de Philip K. Dick "Do Androids Dream of Electric Sheep", o título vem de um livro de Alan Nourse chamado "The Bladerunner". Mas o título ainda tem uma história mais rocambolesca. O William Burroughs pegou no livro de Nourse e escreveu uma peça chamada "Blade Runner: A Movie" em que descreve o blade runner com uma pessoa que vende instrumentos cirúrgicos ilegais numa sociedade sem direito a cuidados médicos. O Ridley Scott gostou tanto do título que comprou apenas os direitos do título mas não do livro. E fez ele muito bem porque é perfeito.)
Por tudo isto dá para perceber duas coisas muito importantes. A primeira é de que a interferência dos estúdios no corte final do filme não é, para mim, uma coisa necessariamente má; a segunda é que a aceitação (ou não) do público é uma questão bipolar e não é obrigatoriamente um garante de sucesso. Mas chega de "histórias secundárias".
Blade Runner é único e muito à frente do seu tempo. Presumo que esteja para aparecer uma edição especial qualquer porque o filme passa-se no "futuro", mais precisamente em Novembro de 2019. Estamos quase lá. E se alguém tinha dúvidas que mostrava o futuro "correctamente" deixo aqui uma parte da história e o seu enquadramento. Tudo se passa numa decadente cidade de Los Angeles, cheia de poluição e consumismo desenfreado dominada por gigantescas corporações empresariais. O controlo policial é omnipresente. Toda a gente quer sair dali, indo à procura de colonizar outros planetas, pois este já nada de bom tem para oferecer. Tecnologicamente, os humanos são muito evoluídos, dominando completamente a engenharia genética, chegando ao ponto de replicar perfeitamente todos os animais que entretanto se percebe que foram extintos, assim como toda a vida natural. Parece algo assim tão distante e inverosímil? Em 1982, talvez. Hoje em dia já não parece assim uma história tão negra e estranha, não é verdade? Parece que isto está prestes a acontecer...
Mas se as questões sociais e ambientais são tratadas com uma "leveza" quase implícita, a questão filosófica do que é ser humano é tratado mais profundamente. No primeiro plano estão os Replicantes, cópias perfeitas dos humanos, usados como ferramentas para os trabalhos mais duros fora da Terra. Os Replicantes são tão perfeitamente humanos que se tornou necessário criar testes de empatia para distingui-los dos restantes humanos. É interessante que os testes se baseiem essencialmente no tratamento de animais, ou seja, são o indicador principal do que é ser "humano". A dúvida permanece durante todo o filme. Quem é mais humano? Quem tem mais empatia? Será Deckard mesmo humano? Ou apenas uma experiência nova, mais evoluída como a Rachel?
Não me canso de elogiar este filme. É tão complexo e tão pormenorizado que era capaz de estar aqui todo o dia a falar dele, das divergências criativas com o estúdio, do casting que se dava mal e dos problemas na produção, por isso vou fazer uma auto-censura e ficar por aqui. Apenas vou mencionar os actores que lhe deram corpo: Harrison Ford, Rutger Hauer, Sean Young, Edward James Olmos, M. Emmet Walsh, Daryl Hannah, William Sanderson, Brion James e Joe Turkel. Encarnaram tão perfeitamente estas personagens que nem sequer imagino outros actores. Apesar de todos os problemas (e ironicamente são sobejamente conhecidos os problemas entre todos eles durante a rodagem) acho que foi mesmo a melhor escolha de sempre num casting. Perfeito.
Blade Runner é uma obra prima intemporal que toda a gente deveria ver. Em Novembro de 2019 vou seguramente vê-lo outra vez. ●●●●● + ●


Até os trailers evoluíram desde o lançamento original desta obra-prima. Eis a nova versão que mostra como hoje as coisas são vistas de uma forma totalmente diferente...

As coisas mudam muito rapidamente hoje em dia. Abro assim porque queria falar dum filme que vi recentemente. Mute é um filme que dava texto para dois volumes. Apesar do filme ser esquecível (e até mau em muitos aspectos), tem muitos pormenores interessantes. Primeiro porque é um filme Netflix e isso leva-nos para outra discussão totalmente diferente. O que é um estúdio de cinema? O que é um filme de estúdio? Quais as diferenças entre eles? Muitos realizadores conceituados têm-se mandado ao ar e rasgam as vestes em público a propósito dos novos serviços de streaming concorrerem a prémios junto com os "filmes de estúdio". Mas sendo um filme, porque é que não deveria concorrer? Há alguma diferença que seja assim tão marcante que impeça isso? É por causa do sítio onde os vemos, no cinema ou em casa, na TV ou no browser? Na minha opinião, não. Porque isso quereria dizer que um excelente telefilme não pode ser posto em pé de igualdade com uma porcaria qualquer hiper-produzida de super-heróis que passa nas salas de cinema. E convém ressalvar que durante anos, a principal receita proveniente dos filmes era o "Home Video" (VHS para os mais velhotes...) e não a sala de cinema. E isso não os impedia de concorrer e/ou receber prémios. Na altura, quem fazia isso eram... os próprios estúdios. Acho que esta é uma falsa questão e principalmente acho que é uma grande dor de corno por parte dos estúdios que veem é uma parte do lucro migrar para outras paragens. Tal como os estúdios "verdadeiros", os estúdios de streaming são um negócio com base no entretenimento. A grande diferença é que começando por baixo, de raiz, os streamings conceberam um plano de médio e longo prazo para tirar o negócio (ou pelo menos uma grande parte) dos chamados "grandes estúdios". O que deixa os estúdios lixados é que está mesmo a funcionar. E funciona devido a duas grandes razões: Plano e Preguiça. O plano (dos streamings) era simples: primeiro conquistar o público e a crítica com documentários (mais baratos de produzir; maior probabilidade de lucro em caso de sucesso) e depois passar às longas-metragens (nos últimos tempos só tenho visto documentários Netflix e Hulu e são quase todos muito bons). A Preguiça (dos estúdios) fez o resto, como previsto. Os grandes estúdios adormeceram à sombra da grande bananeira dos blockbusters/super-heróis e contaram com a aparentemente infindável avidez (e estupidez) do público devorador de pipocas para perpetuar os seus impérios de filmes desmiolados e repetitivos. Mas tudo isto não quer dizer que esta guerra vá resultar em melhores filmes no futuro. Ou novos filmes com novas ideias. Acho até que (como sempre) o dinheiro vai falar mais alto e assim que os streamings tenham uma considerável fatia do negócio vão-se tornar exactamente iguais aos grandes estúdios.
Não me vou alongar mais nesta questão, porque queria falar um pouco sobre este Mute, para além do facto de ser uma produção Netflix e como, em certa parte, confirma as minhas suspeitas. Este Mute é uma emulação" barata" dos blockbusters "oficiais" e um prenúncio do que está para vir. É um claro exemplo do que aconteceria se alguém pegasse na ideia base do grande blockbuster de ficção cientifica do momento mas lhe retirasse 100 milhões de dólares de valor produção. Efeitos especiais mais antigos, menos "nomes sonantes de cartaz" e uma produção obviamente mais fraca. Mas tudo isto não faz necessariamente um mau filme. Tem é que ser feito por alguém que perceba as limitações do orçamento, do casting e arranje alternativas.
Aqui, a alternativa foi partir de uma história que fosse totalmente diferente do habitual. E eu diria que seria a única coisa em condições neste filme. Mas nem isso aconteceu e tudo o resto é para esquecer. O filme é esquisito como o caraças. Como é que o caracterizaria? Como uma espécie de Blade Runner esquizofrénico em que duas histórias simultâneas acabam por se juntar no fim... sem grande nexo. Aliás, toda a construção do filme que se  movimenta entre a comédia duvidosa, o drama e o gore parece ter sido feita com recurso a drogas potentes. Nada faz sentido e é tudo muito confuso. A acção passa-se no futuro, numa Alemanha (produtor oblige?) que se depreende que invadiu mais uma vez os restantes países, mas a figura principal é um amish (será holandês?!?) que trabalha como barista num clube de strip (ou semelhante) manhoso que parece saído do Miami Vice. Não se percebe bem de onde é que terá vindo esta ideia... Ah! E para além disso, o personagem principal é mudo (daí o nome Mute [ah-ah!], mas que não tem relevância absolutamente nenhuma para filme). Começa como uma história de amor entre personagens muito diferentes, mas depois passa para uma cena de luta de gangsters russos e uma história confusa com médicos/militares americanos retidos em solo alemão.. What?!? Hã? Ou não era assim? Já não sei. É muito confuso e principalmente muito difuso. As duas histórias oscilam tanto que às vezes estava a ver uma delas e esquecia-me da outra. Destaque ainda para o facto estranho de ter uma das personagens principais que é ostensivamente pedófilo. É muito estranho e dispensável. Resumindo: isto não está nada bem feito. É mau. Por vezes, muito mau, quase a roçar o amador. Mas paradoxalmente gostei da inicial aproximação low-cost, uma espécie de moderno filme série B. Estranho, dispensável e esquecível, mas ainda assim uma experiência que teve alguns momentos interessantes como as prestações do actores (Alexander Skarsgård, Seyneb Saleh, Paul Rudd e Justin Theroux) e breves momentos de realização (Duncan Jones já fez muito melhor com muito menos em Moon).
Parece-me óbvio que este Mute é o prenúncio do futuro dos filmes de streaming. Falta-lhes o dinheiro para as grandes produções mas já não lhes deve faltar todo. Só lhes falta mesmo um gigantesco sucesso de bilheteira para dar um boost inicial, e inevitavelmente isso irá acontecer. Se alguém esperava uma grande mudança no mundo dos filmes está bem enganado. Tudo vai acabar por confluir para os mesmos blockbusters, as mesmas cenas repetitivas de super-heróis e as adaptações da treta dos livros de teenagers, pois são facturação garantida de bilheteira e pipocas. Posso estar enganado, mas acho que não. Mas também é fácil de tirar a dúvida. É só uma questão de chegar ao "longo prazo", que nos dias de hoje - em que as coisas mudam tão rapidamente -, é para aí daqui a três semanas... ●○○○○

Não sei porquê, mas tenho-me lembrado muito do Chuck Norris. É um daqueles gajos que "está cá dentro". Cresci com o VHS e a derreter dinheiro em videoclubes só para ver filmes como este. Adorava estes filmes de porrada e aventura. Mas também tinha 15 anos e não havia mais filmes para ver, ou os que havia ainda eram piores. É preciso ter noção do panorama da altura. Havia coisas muito, mas muito piores. Estes filmes eram dos poucos filmes de acção que havia...
Neste caso, Firewalker, que se já era mau em 1986, então agora é quase ridículo. É um sucedâneo, que como tantos outros filmes desta altura tentaram cavalgar o género da aventura/arqueólogo lutador, muito em voga devido ao sucesso global do Indiana Jones. Mas só se fica pelo sucedâneo...
Tem uma busca pelo ouro perdido dos Maias ou Incas ou Índios (ou lá o que é...), cenas de porrada que acabam invariavelmente em cima de mesas de bar ridiculamente fracas, piadas infantis, risos maléficos guturais, tiroteios com som de ricochete, algumas explosões e um final feliz. Também tem um dos super-star da altura, Louis Gossett Jr., a belíssima Melody Anderson e uma breve aparição de John Rhys-Davies. O que é que um gajo pode pedir mais? ●○○○○

Nos anos 80 faziam-se filmes que eram ridículos. Foi o tempo dos grandes heróis de acção e especialmente de Chuck Norris. Havia uma espécie de violenta inocência em que se podia pegar num herói, dar-lhe uma metralhadora e ele resolvia tudo a tiro. E as pessoas adoravam isto e achavam bem e normal. Eram outros tempos, sem dúvida. Lembro-me de ser teenager e adorar o Chuck Norris, os seus golpes de artes marciais e os "Desaparecidos em Combate". Vi estes filmes vezes sem conta. Chorava quando os maus faziam coisas de maus e adorava quando o herói resolvia o assunto e despachava tudo - com toda a justiça - a rajadas de metralhadora.
Recentemente vi na televisão umas partes destes Missing in Action. Não entendo como é que alguma vez gostei disto. São filmes mesmo, mesmo maus... mas a saudade da simplicidade e da inocência daqueles tempos, e principalmente a nostalgia não me permitem que seja criticamente  "violento", digamos assim. São filmes de outros tempos, das míticos produções Golan-Globus e da Cannon Group... Em termos de estilo ou classificação, já nem têm correspondência nos dias de hoje. São registos históricos. Peças arqueológicas do cinema - no meu caso do VHS -, e de uma década em que parece que tudo era permitido.
Já vi estes três filmes muitas vezes, e não sei porquê, o que sempre gostei mais foi o segundo. Não percebo porquê, já que eles são praticamente iguais. Provavelmente foi o primeiro que vi, mas já nem me lembro.

No primeiro Missing in Action, o Coronel James Braddock vai numa missão às profundezas das selvas do Vietname para provar que ainda existem antigos prisioneiros de guerra americanos ali deixados para trás. Ele sabe disso porque ele próprio já foi um prisioneiro que entretanto conseguiu fugir.

Em Missing In Action 2, a história recua no tempo - sim, é uma prequela, isto das prequelas não é uma situação nova; começou nos 80's quando os filmes davam lucro e era preciso fazer regressar o herói das "massas" - e leva-nos até ao momento em que o grande Chuck Norris, ele próprio um prisioneiro de guerra deixado para trás quando a guerra acabou, consegue fugir de um campo de detenção juntamente com outros companheiros.

Como MIA2 foi um enorme sucesso, tornou-se obrigatório haver um 3, e claro está, houve um Missing in Action 3. Desta vez, Braddock vai buscar a mulher e o filho que ficaram para trás num campo de prisioneiros... Como o pessoal já estava cansado de ver sempre o mesmo filme, felizmente não houve um 4. Vá lá. Este filme tem a particularidade de ser realizado pelo irmão mais novo do "mestre", Aaron Norris. ●○○○○

Há coisas que nos marcam para sempre. Como por exemplo, ter um prego espetado na cabeça. Não foi assim tão literal, mas Hellraiser marcou-me profundamente. Tenho que admitir que durante algum tempo (se calhar até demasiado) fui um viciado em filmes de terror. Isso quer dizer que nos anos 80 e 90 vi praticamente tudo o que podia ver dentro do género. Procurava os filmes de terror mais marados que conseguisse encontrar, sendo que marado quer dizer gore extremo. Vi coisas inacreditáveis e até consegui ver filmes raros que ainda hoje continuam banidos ou mesmo proibidos em muitos países. Com o tempo, acabei por me cansar da temática, e hoje em dia, dificilmente vejo um filme de terror.
A razão desse vício nem tinha propriamente que ver com a temática; era tudo por causa dos efeitos especiais. Numa altura em que não existiam efeitos digitais, quando numa cena alguém tinha de perder a cabeça, tinha mesmo que se fazer um modelo igual ao actor e arrancar-lhe a cabeça. Não quer dizer que tudo tivesse de ser tão violento. Os filmes de ficção científica também sempre foram terreno fértil para efeitos e também os vi quase todos exactamente pela mesma razão. A diferença entre a ficção cientifica e o terror era a referência. Um monstro extraterrestre tem muito mais margem para dissimular os efeitos que a agressão num corpo humano. (esta conversa está a tornar-se estranha...) Resumindo: nem gostava propriamente dos filmes de terror, só queria era ver novos efeitos e tentar perceber como é que os técnicos os faziam. Por isso é que também tenho uma grande colecção de livros e revistas da especialidade. Adiante...
Um dos problemas dos filmes de terror nos anos 80 e 90 é o mesmo problema que os filmes hoje em dia têm: praticamente não tinham uma história (era quase sempre uma perseguição de um assassino/demónio/monstro ao actor principal) e/ou eram sequelas. E também partilhavam outra característica: eram dos filmes que tinham o melhor rácio de custo na produção/lucro na bilheteira. só para se ter uma ideia, Hellraiser tinha um ridículo orçamento de 1 milhão de dólares e facturou 20 milhões. Tentador, não é? Consequentemente, havia uma autêntica invasão de filmes de terror e ainda por cima potenciado pelo aparecimento do VHS nos 80's e, mais tarde, do DVD nos 90's. Volta e meia lá aparecia uma história original, tinha sucesso na bilheteira, e a partir daí era sempre a mesma coisa. Pior ainda no campo do gore, onde para além de não haver uma história decente, tudo se resumia a apenas tripas sobre tripas.
Raramente havia algo de novo, e nesse aspecto, Hellraiser foi completamente diferente. Por trás do sangue e das vísceras existia mesmo uma história, que por acaso até era muito boa. Cliver Barker com os seus mundos, personagens e ambientes extravagantes, sexualmente carregados, já era bem conhecido no meio. Ninguém esperava é que ele fosse realizar um filme e ainda por cima com base no seu próprio livro. Também é sobejamente conhecido o reconhecimento dos trabalhos de Barker, por parte do próprio rei do terror, Stephen King.
Hellraiser começa com um artefacto mágico antigo (um cubo?) que permite abrir um portal para uma dimensão paralela, de onde saem seres maléficos que levam o sofrimento ao extremo do prazer e da dor. O mais icónico dos quatros "monstros" que vêm dessa dimensão infernal é precisamente Pinhead, um ser com a cara retalhada e pregos espetados na cabeça. É tão fora do normal, tão distinto e com tão boas deixas, que acabou por chocar e ao mesmo tempo entrar na cultura pop. "No tears, please. It's a waste of good suffering"...
A história por trás do sangue é boa, mas os actores são maus. Escapam o Andrew Robinson e Clare Higgins. O resto (e nem há muito mais casting) é um bocadinho a descair para o amador, para não ser mais violento...
Um destaque para os efeitos especiais. Num filme de terror/gore, os efeitos são a cereja no topo do cadáver. E num mundo pré-efeitos digitais, fazer um filme destes era um desafio enorme. Neste caso, uma produção britânica de baixo custo, os efeitos são fixes por serem tão gore e... maus. Era a velha máxima da altura: não consegues fazer bons efeitos, então choca-os...
Hellraiser é a estilização máxima do gore. É um gore clássico. Tirando a história original, objectivamente, como filme é uma nulidade, mas leva 3 estrelas, pura e simplesmente por motivos pessoais. ●●●○○

Tenho um vício desde os tempos em que existiam vídeo clubes e o sistema VHS. Como nessa altura longínqua não existia internet nem a profusão de trailers por todo o lado que existe hoje, a escolha certeira para o aluguer dos filmes (que era caro para um adolescente) baseava-se em três factores principais: a qualidade da ilustração da capa, o actor principal e o realizador. Por exemplo, quando via que determinado filme era do realizador X, que eu já conhecia, e gostava dos seus filmes, nem sequer pensava mais: a escolha estava feita.
Os trailers ajudaram durante um tempo. Agora, estão todos tão iguais e massificados de tal forma que já não são um elemento de escolha. As capas/posters dos filmes, idem aspas. Os actores ainda são um dos elementos decisivos nas minhas escolhas à priori. Por exemplo o Josh Brolin: sei que nunca faz filmes de treta. Nem chicletes. Sei que quando ele é mencionado no casting, eu vou ver um filmito em condições. O outro factor também ainda decisivo é o realizador.
Neste caso, o Denis Villeneuve. Tinha visto um filme muito, muito, muito jeitoso chamado Enemy, baseado no livro do José Saramago, "O Homem Duplicado". E a partir daí deixei como referência o nome de Villeneuve, pois nunca o tinha visto antes. E foi assim que cheguei até Sicario.
Não fazia a mínima ideia do que se tratava o filme: não vi trailer nem posters, nada... só conhecia o nome. Mas a velha técnica de escolha no vídeo clube não me enganou. Sicario é um excelente filme. Ponto final. Não há nada de mal a apontar.
É um excelente filme de acção... sem acção, explosões ou perseguições. Bem, há uma explosão, mas é só uma mesmo. Há uma tensão inacreditável durante todo o filme. É um verdadeiro thriller. É um daqueles filmes que só não nos faz estar constantemente a roer as unhas, porque estamos agarrados com força à cadeira durante todo o tempo. E quando termina, a cadeira fica lá com as marcas dos dedos. É muito bom. Muito tenso. Imparável. Sicario é tecnicamente perfeito. Fotografia, música, realização, montagem... Nada falha.
Grande argumento acerca do combate aos cartéis de droga na fronteira dos Estados Unidos e o México, repleta de personagens no limite, fortes, dúbias e memoráveis, onde nunca se sabe quem são os amigos ou os inimigos.
A juntar a tudo isto, actores excepcionais. Emily Blunt, perfeitamente bem escolhida para um papel de agente policial idealista mas inexperiente, Josh Brolin, um gajo sempre impecável, e especialmente Benicio Del Toro que aqui até mete medo. De certeza que Del Toro não fez a formação de actor num cartel de droga sul-americano qualquer? Mas não tenho dúvidas que é um dos melhores actores da actualidade.
Denis Villeneuve é de facto um gajo a ter em atenção. é o gajo que melhores filmes faz e é um dos grandes realizadores do momento. Fico ansiosamente à espera dos novos filmes... ●●●●●


Para vingar a morte da irmã, Lee, um exímio lutador, vai ter de se infiltrar numa exclusiva competição de artes marciais patrocinada pelo enigmático e diabólico Han. Na realidade, toda a organização de Han (sediada numa ilha particular muito ao estilo dos vilões do James Bond) é uma fachada para negócios pouco recomendáveis como a produção e tráfico de ópio e a prostituição.
Pode parecer banal, mas a história linear de vingança do Enter the Dragon tornou-se no standard que todos os filmes de porrada dos anos 70 e 80 acabaram por seguir.
(Tenho de me desviar um bocadinho do assunto só para mencionar a qualidade gráfica do cartaz. É simplesmente cool a todos os níveis...)
Aprendi muita coisa com o Enter the Dragon. Fiquei a saber que esta foi a primeira produção de Hollywood de um filme chinês de artes marciais; que o John Saxon (conhecia-o de outros filmes que não eram de porrada) só foi contratado porque era cinturão nego em karaté e finalmente percebi porque o Han (Kien Shih) tinha uma pronúncia tão estranha: na realidade ele não falava inglês, apenas imitava o movimento de lábios e depois teve de ser dobrado... Após muitas visualizações do filme (em miúdo via-o, rebobinava a cassete de VHS e depois via novamente...), até notei que o Jackie Chan aparece em algumas das cenas de porrada.
Outro pormenor que gosto muito é a banda sonora do Lalo Schifrin, que é um gajo que raramente falha. Acompanha perfeitamente todo o filme. Muito boa.
As cenas de acção dirigidas por Robert Clouse não são espectaculares, mas para além de parecem realistas, têm algo de diferente: o Bruce Lee, que é simplesmente uma lenda do cinema. E nota-se porquê: tem aquele carisma natural, tem uma aura de estrela, tem aquela inexplicável atracção e tem uma força na tela que se sente.
Bruce Lee é um daqueles gajos estranhos. É magrito e baixo, mas tem ali um crazy eye qualquer que faz como eu não quisesse pegar-me à porrada com ele. Bruce Lee pertence a uma classe totalmente à parte no cinema. Pertence à classe das grandes estrelas. Das lendas. Dos ícones. Lembro-me de ver um documentário sobre ele e ver as filas intermináveis para assistir à estreia deste filme. Também não será alheio o facto de ele ter morrido umas semanas antes da estreia. Até no pormenor trágico da morte prematura, parece que ele estava destinado ao grande Panteão do Cinema. Foi uma pena. Fui, sou e sempre serei um fã incondicional do Bruce Lee. E fica a pergunta no ar: se não fosse o Bruce Lee e o Enter the Dragon, será que os filmes de artes marciais alguma vez teriam chegado em força ao cinema ocidental? ●●●●○

Após saber da morte do irmão nos EUA, Lyon, um desertor da Legião Francesa, envolve-se em perigosas lutas clandestinas para arranjar dinheiro e assim ajudar a sua nova família. E também vingar a morte do irmão...
Lionheart (traduzido como o Lutador sem lei [mas vá-se lá perceber porquê, também já o apanhei com outros títulos]) é uma piada. Parece um filme amador ou uma paródia ao filmes de artes marciais. As cenas de porrada são obviamente e tão coreografadas que parecem pancadaria em câmara lenta. Do género, Van Damme só dá uma cotovelada na cabeça do adversário, dois segundos depois de levar uma joelhada na barriga. É de rir. Tudo é básico e com um aspecto muito amador. Apesar disso tem dois actores que até se destacam da mediocridade: Deborah Rennard e Brian Thompson.
Quando o vi pela primeira vez, adorei. Mas também tinha para aí uns 15 anos e não havia muitos filmes de porrada/acção para alugar em VHS...
Lionheart é um filme fraquíssimo, mas ainda assim é um ícone kitsch, um digno representante do cinema de acção dos anos 80 (apesar de já ter chegado nos 90's). Uma bolinha para o Jean-Claude Van Damme, só porque é um gajo que se meteu nas drogas e depois saiu limpo. É um gajo fixe. ●○○○○

 
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