Que grande complicação mental é este Enemy. Não o conhecia e acabei por o ver na altura errada (depois de um dia de trabalho muuuuuito longo e duro e estava totalmente "roto", física e mentalmente) e isso pode ter alterado a minha percepção.
Enemy é um daqueles filmes metafísico/simbólico/não-lineares, cheio de pistas que levam (ou podem levar) a que no final se entenda minimamente o seu significado. É um autêntico exercício mental para o espectador. É um puzzle temporal que necessita muita atenção para ser interligado. Tem muitos parêntesis... É complicado...
Adam (Jake Gyllenhaal) que tem uma relação instável como Mary (Mélanie Laurent) está ver um filme e encontra um actor que é exactamente igual a si e torna-se um obsessão encontrar essa "sósia". Anthony, o elusivo "homem duplicado" do filme está numa relação com Helen (Sarah Gadon) que por acaso se cruza com Adam e por coincidência é muito parecida com a sua própria mulher...
Mas é muito mais complicado que isto. É sobre dupla personalidade (?), realidades alternativas (?), sentimentos possessivos (?), medo de compromisso pessoal (?) e aranhas gigantescas (?). Mas também podem ser outras coisas... ou não (?).
Enemy tem como base O Homem Duplicado do José Saramago, mas como não li o livro (ainda) não sei se é fiel ou simplesmente um adaptação livre, mas suspeito que seja mais a segunda hipótese. A realização de Denis Villeneuve é muito "tensa" e fria (por vezes parece um filme distópico/futurista) mas é irrepreensível. Muito boa. Não sei se é por ser do Canadá, mas lembrou-me muito os primeiros filmes de David Cronenberg. O que tem de negativo é uma fotografia que detesto: tem uma coloração meio acastanhada que transforma tudo numa imensa mancha de poluição. Enquanto via o filme só me vinha à cabeça a expressão... "filtro de urina". Eu sei que é uma expressão merdosa, mas sinceramente é o que pensava... Gostos são gostos e até percebo a lógica (a sensação de distanciamento e "desumanismo") e reconheço um certo estilo na "coisa". Mas não gosto na mesma... Em sentido completamente contrário vai a banda sonora que é muito boa.
Interpretações, alusões, dicas, traições, pistas dúbias e muito espaço para especulação é assim este Enemy. Foi o primeiro filme de Denis Villeneuve que vi e fiquei bem impressionado logo à primeira. Fixei o nome e ainda não me arrependi. Neste momento, é mesmo "o" grande nome na cadeira de realizador.
Há ainda uma participação breve da "senhora" Isabella Rossellini, uma hipótese rara de rever uma autêntica diva do cinema.
Nota-se que Enemy está destinado a tornar-se (lentamente) num filme de culto, mas para já ainda está na penumbra. Para ver com atenção. ●●●○○
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Tenho um vício desde os tempos em que existiam vídeo clubes e o sistema VHS. Como nessa altura longínqua não existia internet nem a profusão de trailers por todo o lado que existe hoje, a escolha certeira para o aluguer dos filmes (que era caro para um adolescente) baseava-se em três factores principais: a qualidade da ilustração da capa, o actor principal e o realizador. Por exemplo, quando via que determinado filme era do realizador X, que eu já conhecia, e gostava dos seus filmes, nem sequer pensava mais: a escolha estava feita.
Os trailers ajudaram durante um tempo. Agora, estão todos tão iguais e massificados de tal forma que já não são um elemento de escolha. As capas/posters dos filmes, idem aspas. Os actores ainda são um dos elementos decisivos nas minhas escolhas à priori. Por exemplo o Josh Brolin: sei que nunca faz filmes de treta. Nem chicletes. Sei que quando ele é mencionado no casting, eu vou ver um filmito em condições. O outro factor também ainda decisivo é o realizador.
Neste caso, o Denis Villeneuve. Tinha visto um filme muito, muito, muito jeitoso chamado Enemy, baseado no livro do José Saramago, "O Homem Duplicado". E a partir daí deixei como referência o nome de Villeneuve, pois nunca o tinha visto antes. E foi assim que cheguei até Sicario.
Não fazia a mínima ideia do que se tratava o filme: não vi trailer nem posters, nada... só conhecia o nome. Mas a velha técnica de escolha no vídeo clube não me enganou. Sicario é um excelente filme. Ponto final. Não há nada de mal a apontar.
É um excelente filme de acção... sem acção, explosões ou perseguições. Bem, há uma explosão, mas é só uma mesmo. Há uma tensão inacreditável durante todo o filme. É um verdadeiro thriller. É um daqueles filmes que só não nos faz estar constantemente a roer as unhas, porque estamos agarrados com força à cadeira durante todo o tempo. E quando termina, a cadeira fica lá com as marcas dos dedos. É muito bom. Muito tenso. Imparável. Sicario é tecnicamente perfeito. Fotografia, música, realização, montagem... Nada falha.
Grande argumento acerca do combate aos cartéis de droga na fronteira dos Estados Unidos e o México, repleta de personagens no limite, fortes, dúbias e memoráveis, onde nunca se sabe quem são os amigos ou os inimigos.
A juntar a tudo isto, actores excepcionais. Emily Blunt, perfeitamente bem escolhida para um papel de agente policial idealista mas inexperiente, Josh Brolin, um gajo sempre impecável, e especialmente Benicio Del Toro que aqui até mete medo. De certeza que Del Toro não fez a formação de actor num cartel de droga sul-americano qualquer? Mas não tenho dúvidas que é um dos melhores actores da actualidade.
Denis Villeneuve é de facto um gajo a ter em atenção. é o gajo que melhores filmes faz e é um dos grandes realizadores do momento. Fico ansiosamente à espera dos novos filmes... ●●●●●
Os trailers ajudaram durante um tempo. Agora, estão todos tão iguais e massificados de tal forma que já não são um elemento de escolha. As capas/posters dos filmes, idem aspas. Os actores ainda são um dos elementos decisivos nas minhas escolhas à priori. Por exemplo o Josh Brolin: sei que nunca faz filmes de treta. Nem chicletes. Sei que quando ele é mencionado no casting, eu vou ver um filmito em condições. O outro factor também ainda decisivo é o realizador.
Neste caso, o Denis Villeneuve. Tinha visto um filme muito, muito, muito jeitoso chamado Enemy, baseado no livro do José Saramago, "O Homem Duplicado". E a partir daí deixei como referência o nome de Villeneuve, pois nunca o tinha visto antes. E foi assim que cheguei até Sicario.
Não fazia a mínima ideia do que se tratava o filme: não vi trailer nem posters, nada... só conhecia o nome. Mas a velha técnica de escolha no vídeo clube não me enganou. Sicario é um excelente filme. Ponto final. Não há nada de mal a apontar.
É um excelente filme de acção... sem acção, explosões ou perseguições. Bem, há uma explosão, mas é só uma mesmo. Há uma tensão inacreditável durante todo o filme. É um verdadeiro thriller. É um daqueles filmes que só não nos faz estar constantemente a roer as unhas, porque estamos agarrados com força à cadeira durante todo o tempo. E quando termina, a cadeira fica lá com as marcas dos dedos. É muito bom. Muito tenso. Imparável. Sicario é tecnicamente perfeito. Fotografia, música, realização, montagem... Nada falha.
Grande argumento acerca do combate aos cartéis de droga na fronteira dos Estados Unidos e o México, repleta de personagens no limite, fortes, dúbias e memoráveis, onde nunca se sabe quem são os amigos ou os inimigos.
A juntar a tudo isto, actores excepcionais. Emily Blunt, perfeitamente bem escolhida para um papel de agente policial idealista mas inexperiente, Josh Brolin, um gajo sempre impecável, e especialmente Benicio Del Toro que aqui até mete medo. De certeza que Del Toro não fez a formação de actor num cartel de droga sul-americano qualquer? Mas não tenho dúvidas que é um dos melhores actores da actualidade.
Denis Villeneuve é de facto um gajo a ter em atenção. é o gajo que melhores filmes faz e é um dos grandes realizadores do momento. Fico ansiosamente à espera dos novos filmes... ●●●●●
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