Mostrar mensagens com a etiqueta David Cronenberg. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta David Cronenberg. Mostrar todas as mensagens
David Cronenberg é neste momento um homem desencantado com Hollywood. Bem, se não é, não percebi bem o filme. Sexo, incesto, morte, traição, drogas e conversas de merda são o dia-a-dia de Hollywood atrás das câmaras. É isso que se deve depreender após visionar Maps to the Stars.
Isto até é o melhor do filme: a história e o guião. Muito bem construído e estruturado em volta de uma série de peculiares personagens que vão do actor adolescente em reabilitação por uso de drogas, da actriz que tendo mais que 40 anos já não tem espaço de representação por ser "demasiado velha", passando pelo "terapeuta" alternativo das celebridades. Todos imprevisíveis, mentalmente instáveis, misturados e ligados por uma história central. Basicamente, a espinha dorsal da anormal "normalidade" de Hollywood...
Os actores são a outra coisa boa e são eles que essencialmente seguram os filme durante os 100 minutos. O miúdo (Evan Bird) parecia desfasado da história, mas depois apercebi-me que era muito bom e, teoricamente, terá um futuro promissor. No geral, (Robert PattinsonMia Wasikowska e John Cusack) são todos muito bons, mas o destaque tem que ser dado à Julianne Moore porque é uma excelente actriz que dá sempre tudo o que tem. É por isso mesmo que Moore é uma das minha actrizes favoritas de sempre. Pequeno destaque para Carrie Fisher que aparece brevemente como ela própria.
No cômputo geral, Maps to the Stars nunca descola totalmente porque parece um telefilme, mais que um filme de cinema. Apesar da violência e da nudez, parece que Cronenberg nunca quis "magoar" ninguém. Este (já) não é o Cronenberg que conheço. Foi tudo demasiado polido para o meu gosto e para o que esperava. O final é poético mas não é apoteótico. Lá está, o filme nunca descola. Mantém um ritmo constante sem nunca ter picos de nada. Se Maps to the Stars estivesse ligado àquelas máquinas de suporte de vida, a única coisa que se ouviria é um som constante sem altos nem baixos: basicamente é um filme em "ponto morto". Seja como for, é sempre bom ver o outro lado de Hollywood nem que seja só para espreitar por detrás da cortina. Especialmente porque vem de uma pessoa que conhece bem o meio e que de certeza conhece ainda melhor os podres. ○○

Que grande complicação mental é este Enemy. Não o conhecia e acabei por o ver na altura errada (depois de um dia de trabalho muuuuuito longo e duro e estava totalmente "roto", física e mentalmente) e isso pode ter alterado a minha percepção.
Enemy é um daqueles filmes metafísico/simbólico/não-lineares, cheio de pistas que levam (ou podem levar) a que no final se entenda minimamente o seu significado. É um autêntico exercício mental para o espectador. É um puzzle temporal que necessita muita atenção para ser interligado. Tem muitos parêntesis... É complicado...
Adam (Jake Gyllenhaal) que tem uma relação instável como Mary (Mélanie Laurent) está ver um filme e encontra um actor que é exactamente igual a si e torna-se um obsessão encontrar essa "sósia". Anthony, o elusivo "homem duplicado" do filme está numa relação com Helen (Sarah Gadon) que por acaso se cruza com Adam e por coincidência é muito parecida com a sua própria mulher...
Mas é muito mais complicado que isto. É sobre dupla personalidade (?), realidades alternativas (?), sentimentos possessivos (?), medo de compromisso pessoal (?) e aranhas gigantescas (?). Mas também podem ser outras coisas... ou não (?).
Enemy tem como base O Homem Duplicado do José Saramago, mas como não li o livro (ainda) não sei se é fiel ou simplesmente um adaptação livre, mas suspeito que seja mais a segunda hipótese. A realização de Denis Villeneuve é muito "tensa" e fria (por vezes parece um filme distópico/futurista) mas é irrepreensível. Muito boa. Não sei se é por ser do Canadá, mas lembrou-me muito os primeiros filmes de David Cronenberg. O que tem de negativo é uma fotografia que detesto: tem uma coloração meio acastanhada que transforma tudo numa imensa mancha de poluição. Enquanto via o filme só me vinha à cabeça a expressão... "filtro de urina". Eu sei que é uma expressão merdosa, mas sinceramente é o que pensava... Gostos são gostos e até percebo a lógica (a sensação de distanciamento e "desumanismo") e reconheço um certo estilo na "coisa". Mas não gosto na mesma... Em sentido completamente contrário vai a banda sonora que é muito boa.
Interpretações, alusões, dicas, traições, pistas dúbias e muito espaço para especulação é assim este Enemy. Foi o primeiro filme de Denis Villeneuve que vi e fiquei bem impressionado logo à primeira. Fixei o nome e ainda não me arrependi. Neste momento, é mesmo "o" grande nome na cadeira de realizador.
Há ainda uma participação breve da "senhora" Isabella Rossellini, uma hipótese rara de rever uma autêntica diva do cinema.
Nota-se que Enemy está destinado a tornar-se (lentamente) num filme de culto, mas para já ainda está na penumbra. Para ver com atenção. ●●●○○

 
Copyright © 2015 todos os filmes que vi
Distributed By Gooyaabi Templates