Se há filmes que me marcaram profundamente, este é certamente um deles. Umas semanas antes de ver o filme, estava eu a ler o livro "Wild at Heart - The Story of Sailor and Lula" do Barry Gifford. Depois do filme, cheguei à estranha conclusão de não perceber quem adaptou o quê: se o filme adaptou o livro, se o livro adaptou o filme. É que o livro varreu-se da mente. Já o filme ainda aqui está... É estranho, eu sei. Mas o David Lynch não é propriamente um gajo normal. Mexe com o cérebro de uma pessoa.
Em Wild at Heart, Lula e Sailor estão louca e perdidamente apaixonados. Parecem certos um para o outro mas há um entrave pelo meio: Marietta Fortune, a mãe psicótica de Lula que enlouquece um pouco mais sempre que imagina os dois juntos. Ela tem um breve momento de sossego quando Sailor, num acto tresloucado, à frente de toda a gente, esmaga a cabeça de um assassino contratado para o matar. (Que abertura de filme!...) Assim que sai da prisão, Sailor volta para os braços de Lula e acabam por fugir para a Califórnia... mas Marietta contrata um novo assassino para os perseguir. Indiferentes a tudo isto, os dois amantes seguem estrada fora... até que passam por acidente de automóvel e assistem à morte duma jovem. Aí percebem que algo vai correr muito mal com eles.
A viagem de Sailor e Lula é povoada pela criaturas e personagens mais maradas e estranhas que se possam imaginar. Saído da mente perturbada e negra de David Lynch é exactamente isso que se espera. Aquela belíssima negritude... Aquela "estranheza" estranhamente atraente... O seja, o mundo de David Lynch... Bobby Peru, por exemplo, é uma das personagens mais nojentas, odiosas e maradas que me lembro de ver num filme. É tão asqueroso e tão estranho que nunca mais me saiu da cabeça... Mas é por isso mesmo que se vê um filme do Lynch, não é verdade? Há por ali coisas que não se vê em mais lado nenhum.
Nicolas Cage é Sailor Ripley e Laura Dern é Lula, e juntos fazem um dos casais do cinema mais "fora" que me lembro. Acho que se pode dizer claramente que Cage tem aqui o seu melhor papel e melhor interpretação de toda a carreira... Como as personagens são todas muito boas, os actores têm muita margem de manobra para brilhar. Willem Dafoe como Bobby Peru é inesquecível. Mas há muito mais: J.E. Freeman, Isabella Rossellini, Harry Dean Stanton, Pruitt Taylor Vince, David Patrick Kelly, Jack Nance (o actor fetiche de Lynch) e as jovens Sheryl Lee e Sherilyn Fenn que se tornariam estrelas mundialmente conhecidas graças a... Twin Peaks. Nicolas Cage e Laura Dern são obviamente as figuras centrais da história, mas a Marietta Fortune interpretada pela excepcional Diane Ladd está no mesmo nível de loucura e intensidade dramática. Ainda por cima se pensarmos que Diane Ladd é na realidade a mãe de... Laura Dern. Tudo aqui são coisas estranhas...
Wild at Heart ainda é para mim o melhor filme de Lynch. O mais estranho, o mais violento e o mais fantástico e simbólico de todos. É aquele universo negro trágico e de alguma forma, cómico ao mesmo tempo. Tudo é simbólico, tudo é relativo e tudo pode significar outra coisa qualquer. Wild at Heart não é um filme fácil de ver. É graficamente violento e sexualmente explícito. Tem um banda sonora absolutamente espectacular, mas da pesada que não será de certeza do agrado da maior parte do público. É uma mistura psicotrópica entre a Alice no País das Maravilhas e o Feiticeiro de Oz. Wild at Heart é todas estas histórias estranhas para crianças como se elas fossem originalmente feitas para adultos.
Este foi o primeiro 'Lynch' que vi na minha vida e marcou-me para sempre e ainda por cima numa verdadeira sala de cinema, o que ainda magnificou mais o efeito. Aquelas músicas... As imagens... As chamas num fundo negro... O sangue... Desde esse momento - que se pode considerar como traumático -, nunca mais vi o filme. Mas na realidade, o "corte" mental foi tão profundo que ele nunca mais de cá saiu. Wild at Heart é mais que um filme. É uma experiência cinematográfica que dificilmente se esquece. Para mim, é uma referência. Um dos meus filmes preferidos de todos os tempos. ●●●●● + ●
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Baseado numa história verídica. Acho que é assim que convém sempre apresentar a história de Pedro e Inês. É tão inacreditável que parece material de poesia e lendas. Este novo filme de Pedro e Inês baseia-se na história original do Rei D. Pedro e da aia galega Inês de Castro, mas agora com base no romance de Rosa Lobato Faria que muda substancialmente o drama de amor de forma a mostrar a mesma situação ao longos dos tempos. Para além do narrativa clássica passada no século XIV, também se pode ver o desenvolvimento nos dias de hoje, em que os amantes são arquitectos, assim como num futuro distópico em que a história se passa numa realidade pós-civilização.
Como actores temos Joana de Verona como Inês, Diogo Amaral como Pedro, Vera Kolodzig como Constança e Miguel Borges como o infame Pero Coelho, mas o destaque vai para os papéis secundários: Custódia Gallego, a rainha Beatriz e João Lagarto, o rei Afonso IV fazem dois pequenos papelaços e nota-se que estão a léguas dos jovens actores. Sem entrar em grandes pormenores, o que noto é que há uma falta de intensidade dramática gritante aos actores portugueses. Na realidade parecem presos num estranho limbo: estão entre o laxismo das prestações rápidas de telenovela, misturado com aquela performance hiper-teatral de outros tempos.
Em termos de realização tenho que admitir que é a descair para o fraquito. António Ferreira dá um ar de sua graça no início (minúsculo, mas excelente o pormenor com os piscares de olhos) e no final, mas pelo meio tudo é demasiado uniforme e monótono. Não há uma cultura visual no cinema português. Parece que ou há uma coisa (visual) ou outra (narrativa). Não percebo esta lógica. Durante duas horas de filme, o enquadramento do filme é sempre o mesmo... Apenas por uma vez há uma filmagem diferente, fotografada de baixo para cima.
A estrutura da narrativa foi a grande surpresa. Não é que esta divisão em três linhas temporais seja uma novidade, mas está muito bem construída e acaba por ter uma boa fluidez, o que não é propriamente fácil de conseguir. A principio houve ali umas falhazinhas nas transições de umas linhas temporais para as outras, mas depois a coisa foi-se compondo até terminar muito bem.
Apesar da imensa melhoria que tenho notado neste últimos anos nos filmes portugueses, ainda há coisas que falham. A luz e as sombras são um elemento quase ausente e a música é sempre muito fraquinha e quase não tem expressão. Nenhum destes elementos é aproveitado como intensificadores dramáticos. E depois há falhas óbvias, como por exemplo a sobreposição do voz-off na cena em que Inês morre e que é suposto ser a mais dramática do filme... um autentico anti-clímax emocional que eu não consigo compreender. E volto à fotografia e realização... Não há um close-up. Os planos são quase sempre os mesmos. As câmaras estão sempre posicionadas à mesma altura. Não há pormenores... É tudo demasiado uniforme e às vezes o enquadramento e a luz transportam-me para a estética de telenovela. Não sei se será falta de financiamento, tempo ou mesmo falta de jeito e inspiração. O que sei é que acontece e está à vista. Limando estes pormenores, facilmente um filme português poderia rivalizar com qualquer outra produção estrangeira...
Esta nova versão de Pedro e Inês, no geral, até é um filmito consistente, que se vê bastante bem, mas poderia ser muito melhor se tivesse mais alguns pormenores e mais polidos. Os filmes portugueses estão cada vez melhores, mas ainda têm um longo caminho a percorrer... Ainda assim, um filmito muito aceitável. Recomendado. ●●○○○
Como actores temos Joana de Verona como Inês, Diogo Amaral como Pedro, Vera Kolodzig como Constança e Miguel Borges como o infame Pero Coelho, mas o destaque vai para os papéis secundários: Custódia Gallego, a rainha Beatriz e João Lagarto, o rei Afonso IV fazem dois pequenos papelaços e nota-se que estão a léguas dos jovens actores. Sem entrar em grandes pormenores, o que noto é que há uma falta de intensidade dramática gritante aos actores portugueses. Na realidade parecem presos num estranho limbo: estão entre o laxismo das prestações rápidas de telenovela, misturado com aquela performance hiper-teatral de outros tempos.
Em termos de realização tenho que admitir que é a descair para o fraquito. António Ferreira dá um ar de sua graça no início (minúsculo, mas excelente o pormenor com os piscares de olhos) e no final, mas pelo meio tudo é demasiado uniforme e monótono. Não há uma cultura visual no cinema português. Parece que ou há uma coisa (visual) ou outra (narrativa). Não percebo esta lógica. Durante duas horas de filme, o enquadramento do filme é sempre o mesmo... Apenas por uma vez há uma filmagem diferente, fotografada de baixo para cima.
A estrutura da narrativa foi a grande surpresa. Não é que esta divisão em três linhas temporais seja uma novidade, mas está muito bem construída e acaba por ter uma boa fluidez, o que não é propriamente fácil de conseguir. A principio houve ali umas falhazinhas nas transições de umas linhas temporais para as outras, mas depois a coisa foi-se compondo até terminar muito bem.
Apesar da imensa melhoria que tenho notado neste últimos anos nos filmes portugueses, ainda há coisas que falham. A luz e as sombras são um elemento quase ausente e a música é sempre muito fraquinha e quase não tem expressão. Nenhum destes elementos é aproveitado como intensificadores dramáticos. E depois há falhas óbvias, como por exemplo a sobreposição do voz-off na cena em que Inês morre e que é suposto ser a mais dramática do filme... um autentico anti-clímax emocional que eu não consigo compreender. E volto à fotografia e realização... Não há um close-up. Os planos são quase sempre os mesmos. As câmaras estão sempre posicionadas à mesma altura. Não há pormenores... É tudo demasiado uniforme e às vezes o enquadramento e a luz transportam-me para a estética de telenovela. Não sei se será falta de financiamento, tempo ou mesmo falta de jeito e inspiração. O que sei é que acontece e está à vista. Limando estes pormenores, facilmente um filme português poderia rivalizar com qualquer outra produção estrangeira...
Esta nova versão de Pedro e Inês, no geral, até é um filmito consistente, que se vê bastante bem, mas poderia ser muito melhor se tivesse mais alguns pormenores e mais polidos. Os filmes portugueses estão cada vez melhores, mas ainda têm um longo caminho a percorrer... Ainda assim, um filmito muito aceitável. Recomendado. ●●○○○
Jordan Benedict (Rock Hudson) é um rancheiro do Texas que está de visita a Maryland para comprar um garanhão para as suas propriedades. Enquanto negoceia a compra do animal com o dono, acaba por se cruzar com a filha dele (Elizabeth Taylor) e apaixona-se perdidamente. O amor é recíproco entre Leslie e Jordan, o que leva a que os dois se casem imediatamente, mudando-se para a gigantesca propriedade de Jordan no Texas. Aí encontram o cowboy Jett Rink (James Dean), que terá um papel bastante incisivo na história da família.
Vi algures num cartaz promocional do filme que dizia que Giant é um filme tão grande como o próprio Texas. Não conheço o Texas, mas posso dizer que Giant é mesmo... gigante. É um épico maciço de 200 minutos de filme. Não seria para menos. Não só esta é a história de um triângulo estranho de amores e desavenças entre os três protagonistas, como também abarca praticamente três gerações da família Benedict. Desde os tempos iniciais do casamento, ao aparecimento dos primeiros filhos, passando pela divergência com Jett Rink, há muita história para contar. Se fosse hoje, para além do filme, esta história daria uma série para aí com umas três temporadas. E como para além da parte do rancho, esta história também tem que ver com o famoso petróleo do Texas, não me admiraria que tivesse sido a base de inspiração para a série Dallas e restantes soap operas americanas com magnatas do petróleo. Jett Rink no Giant? J.R. Ewing no Dallas? Não me parece que tivesse sido coincidência... Mas adiante.
Apesar das mais de três horas de filme, Giant não é massudo. A realização ampla e muito fluída de George Stevens, mas principalmente o argumento de Fred Guiol e Ivan Moffat fazem toda a diferença. Há sempre coisas novas a acontecer, há sempre reviravoltas e há sempre acção e emoções ao rubro. Está muito bem escrito. A presença no ecrã de verdadeiros monstros do cinema como Rock Hudson, Elizabeth Taylor e James Dean também ajudam. Não é todos os dias que se pode ver um filme em que os actores são verdadeiras lendas. Estes estatutos não se ganham só porque sim. Estes três, especialmente, têm de facto uma auréola. Há qualquer coisa neles que é magnético e inexplicável. E depois, em tanta história para contar, ainda há um rol infindável de excelentes actores como Mercedes McCambridge, Dennis Hopper (não sabia que ele alguma vez tinha sido novo...), Rod Taylor ou Carroll Baker. Tudo prestações clássicas de Hollywood.
Já queria ver este Giant há muitos anos. Tive agora a oportunidade numa reposição em TV. E queria vê-lo porque estava em falta na minha "trilogia James Dean". Os outros dois filmes dele são fantásticos e tinha muita curiosidade em ver Dean neste que foi o seu último papel. Não estando mal na personagem, James Dean foi quem mais me decepcionou. Estava à espera de outra coisa... Acho que foi mais um caso de altas expectativas não correspondidas... Não sei se foi a prestação, se foi a personagem, mas sei que algo não funcionou bem. Acho que aquela personagem com um lado marcadamente mau e ressentido não lhe assentou bem e por isso a performance também acabou por sair estranha. Toda a prestação tem uma aura muito estranha e diferente das anteriores. Jett Rink/James Dean acaba por destoar não só do restante elenco, como até do próprio filme...
O que sei é que para além de serem antagónicos no filme, James Dean e Rock Hudson também se deram bastante mal fora das filmagens. São conhecidas inúmeras situações em que Dean deu uma de bad boy durante a rodagem de Giant, ao ponto de boicotar as filmagens. Pelo que li Dean deu-se mal com toda a gente, inclusive com George Stevens, sendo que a única pessoa com quem se dava bem era precisamente com Elizabeth Taylor. Tudo isto é muito estranho porque basicamente é o guião do próprio filme. Terá sido mais um actor a levar longe demais o papel? Não sei. Mas que é estranho, é.
Precisamente devido ao James Dean, este filme está repleto de mística. No último dia de filmagens, Dean recebeu o célebre Porsche Spyder no cenário. Uma semana depois James Dean teria um acidente fatal. E assim nascia um mito. Um gigante do cinema. Algumas das suas cenas tiveram que ser cortadas e outras tiveram de ser dobradas sonoramente para poderem chegar à versão final de Giant. O filme não se ressentiu e ganhou o estatuto de mítico.
Este épico familiar continua ainda hoje a ter vivacidade, e de certa forma, tem um ar moderno e contemporâneo porque aborda algumas das mesmas questões fracturantes. As diferença do Texas para com o "mundo exterior". A riqueza e a opulência em confronto com o respeito e a vulgaridade. A interferência da guerra no contexto familiar. A luta pela igualdade e contra o racismo. As personalidades vincadas mas humanamente flexíveis de cada uma das personagens ao longo do tempo. Giant é mesmo grande em tudo. Apesar da pouca visibilidade mediática quando comparado com outros épicos da mesma altura, Giant é um dos marcos do cinema de Hollywood. Um clássico obrigatório. ●●●●○
Vi algures num cartaz promocional do filme que dizia que Giant é um filme tão grande como o próprio Texas. Não conheço o Texas, mas posso dizer que Giant é mesmo... gigante. É um épico maciço de 200 minutos de filme. Não seria para menos. Não só esta é a história de um triângulo estranho de amores e desavenças entre os três protagonistas, como também abarca praticamente três gerações da família Benedict. Desde os tempos iniciais do casamento, ao aparecimento dos primeiros filhos, passando pela divergência com Jett Rink, há muita história para contar. Se fosse hoje, para além do filme, esta história daria uma série para aí com umas três temporadas. E como para além da parte do rancho, esta história também tem que ver com o famoso petróleo do Texas, não me admiraria que tivesse sido a base de inspiração para a série Dallas e restantes soap operas americanas com magnatas do petróleo. Jett Rink no Giant? J.R. Ewing no Dallas? Não me parece que tivesse sido coincidência... Mas adiante.
Apesar das mais de três horas de filme, Giant não é massudo. A realização ampla e muito fluída de George Stevens, mas principalmente o argumento de Fred Guiol e Ivan Moffat fazem toda a diferença. Há sempre coisas novas a acontecer, há sempre reviravoltas e há sempre acção e emoções ao rubro. Está muito bem escrito. A presença no ecrã de verdadeiros monstros do cinema como Rock Hudson, Elizabeth Taylor e James Dean também ajudam. Não é todos os dias que se pode ver um filme em que os actores são verdadeiras lendas. Estes estatutos não se ganham só porque sim. Estes três, especialmente, têm de facto uma auréola. Há qualquer coisa neles que é magnético e inexplicável. E depois, em tanta história para contar, ainda há um rol infindável de excelentes actores como Mercedes McCambridge, Dennis Hopper (não sabia que ele alguma vez tinha sido novo...), Rod Taylor ou Carroll Baker. Tudo prestações clássicas de Hollywood.
Já queria ver este Giant há muitos anos. Tive agora a oportunidade numa reposição em TV. E queria vê-lo porque estava em falta na minha "trilogia James Dean". Os outros dois filmes dele são fantásticos e tinha muita curiosidade em ver Dean neste que foi o seu último papel. Não estando mal na personagem, James Dean foi quem mais me decepcionou. Estava à espera de outra coisa... Acho que foi mais um caso de altas expectativas não correspondidas... Não sei se foi a prestação, se foi a personagem, mas sei que algo não funcionou bem. Acho que aquela personagem com um lado marcadamente mau e ressentido não lhe assentou bem e por isso a performance também acabou por sair estranha. Toda a prestação tem uma aura muito estranha e diferente das anteriores. Jett Rink/James Dean acaba por destoar não só do restante elenco, como até do próprio filme...
O que sei é que para além de serem antagónicos no filme, James Dean e Rock Hudson também se deram bastante mal fora das filmagens. São conhecidas inúmeras situações em que Dean deu uma de bad boy durante a rodagem de Giant, ao ponto de boicotar as filmagens. Pelo que li Dean deu-se mal com toda a gente, inclusive com George Stevens, sendo que a única pessoa com quem se dava bem era precisamente com Elizabeth Taylor. Tudo isto é muito estranho porque basicamente é o guião do próprio filme. Terá sido mais um actor a levar longe demais o papel? Não sei. Mas que é estranho, é.
Precisamente devido ao James Dean, este filme está repleto de mística. No último dia de filmagens, Dean recebeu o célebre Porsche Spyder no cenário. Uma semana depois James Dean teria um acidente fatal. E assim nascia um mito. Um gigante do cinema. Algumas das suas cenas tiveram que ser cortadas e outras tiveram de ser dobradas sonoramente para poderem chegar à versão final de Giant. O filme não se ressentiu e ganhou o estatuto de mítico.
Este épico familiar continua ainda hoje a ter vivacidade, e de certa forma, tem um ar moderno e contemporâneo porque aborda algumas das mesmas questões fracturantes. As diferença do Texas para com o "mundo exterior". A riqueza e a opulência em confronto com o respeito e a vulgaridade. A interferência da guerra no contexto familiar. A luta pela igualdade e contra o racismo. As personalidades vincadas mas humanamente flexíveis de cada uma das personagens ao longo do tempo. Giant é mesmo grande em tudo. Apesar da pouca visibilidade mediática quando comparado com outros épicos da mesma altura, Giant é um dos marcos do cinema de Hollywood. Um clássico obrigatório. ●●●●○
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Após o imenso sucesso de Poltergeist na recepção crítica e na receita de bilheteira, a inevitável sequela... Poltergeist II: The Other Side. Ainda havia algumas pontas soltas para resolver do filme anterior e por isso chega uma segunda parte. Depois de terem deixado a primeira casa após os acontecimentos terroríficos com a filha mais nova, a família muda-se para outra casa mas vai-se envolver novamente com entidades espirituais e malignas. O mal quer novamente a miúda do primeiro filme e agora vai chegar na forma do Reverand Kane e da sua seita maluca...
Este Reverend Kane (Julian Beck), à porta de casa da família, a dizer de uma forma absolutamente aterradora "let me in, let me in"... nunca mais me saiu da cabeça. É das personagens mais medonhas que me lembro. Isso e aquele "ser" sem pernas e braços que Craig T. Nelson vomita (!?!) também me traumatizou...
Os actores são praticamente os mesmos (JoBeth Williams, Craig T. Nelson, Heather O'Rourke, Oliver Robins, Zelda Rubinstein) mas mudou toda a parte técnica (Brian Gibson) e isso faz toda a diferença. Sendo uma sequela "pura", a lógica foi a mesma de sempre: tinham de fazer mais, melhor e maior que o primeiro filme. Não é melhor, mas realmente é muito mais e muito maior, só que é só em termos de efeitos especiais. Não estou a reclamar. Richard Edlund era um verdadeiro mestre das engenhocas e dos make-ups que segui durante muitos anos. Mas como acontece hoje em dia, os efeitos sobrepuseram-se a tudo o resto. Tem os típicos jump scares, mas já não tem a coerência do primeiro filme.
No plano real, a maldição continuou a assombrar o legado Poltergeist. O aspecto malévolo e cadavérico de Julian Beck não é fruto de maquilhagem. Na realidade, o actor sofria com um cancro terminal e morreu pouco tempo depois. Will Sampson que faz de xamã (porque era mesmo um xamã) também morreu de ataque cardíaco fulminante pouco depois. E a juntar a isto mais uma série de fenómenos estranhos e até um exorcismo pedido pela equipa de filmagem e actores junta-se ao rol de misticismo que rodeia esta série de filmes Poltergeist... Que é estranho, lá isso é...
Esta sequela é realmente uma sequela. Pretende apenas cavalgar o êxito do primeiro filme e mais nada. Na altura adorei o filme porque tinha montes de efeitos especiais e novos monstros (alguns do H.R.Giger...), mas basicamente é uma repetição do primeiro filme e é totalmente dispensável. A não ser para fãs inveterados do terror como eu era nesta altura e em que "marchava" tudo... Parei por aqui. Sempre gostei do terror, especialmente por causa dos efeitos, mas nunca fui muito fã das possessões e cenas espirituais. É uma coisa que me afecta... Já chegava de espíritos vingativos. Poltergeist ainda completaria a obrigatória trilogia com uma terceira parte num arranha-céus mas nunca vi. Dispensável mais ainda assim assustador o suficiente... ●○○○○
Este Reverend Kane (Julian Beck), à porta de casa da família, a dizer de uma forma absolutamente aterradora "let me in, let me in"... nunca mais me saiu da cabeça. É das personagens mais medonhas que me lembro. Isso e aquele "ser" sem pernas e braços que Craig T. Nelson vomita (!?!) também me traumatizou...
Os actores são praticamente os mesmos (JoBeth Williams, Craig T. Nelson, Heather O'Rourke, Oliver Robins, Zelda Rubinstein) mas mudou toda a parte técnica (Brian Gibson) e isso faz toda a diferença. Sendo uma sequela "pura", a lógica foi a mesma de sempre: tinham de fazer mais, melhor e maior que o primeiro filme. Não é melhor, mas realmente é muito mais e muito maior, só que é só em termos de efeitos especiais. Não estou a reclamar. Richard Edlund era um verdadeiro mestre das engenhocas e dos make-ups que segui durante muitos anos. Mas como acontece hoje em dia, os efeitos sobrepuseram-se a tudo o resto. Tem os típicos jump scares, mas já não tem a coerência do primeiro filme.
No plano real, a maldição continuou a assombrar o legado Poltergeist. O aspecto malévolo e cadavérico de Julian Beck não é fruto de maquilhagem. Na realidade, o actor sofria com um cancro terminal e morreu pouco tempo depois. Will Sampson que faz de xamã (porque era mesmo um xamã) também morreu de ataque cardíaco fulminante pouco depois. E a juntar a isto mais uma série de fenómenos estranhos e até um exorcismo pedido pela equipa de filmagem e actores junta-se ao rol de misticismo que rodeia esta série de filmes Poltergeist... Que é estranho, lá isso é...
Esta sequela é realmente uma sequela. Pretende apenas cavalgar o êxito do primeiro filme e mais nada. Na altura adorei o filme porque tinha montes de efeitos especiais e novos monstros (alguns do H.R.Giger...), mas basicamente é uma repetição do primeiro filme e é totalmente dispensável. A não ser para fãs inveterados do terror como eu era nesta altura e em que "marchava" tudo... Parei por aqui. Sempre gostei do terror, especialmente por causa dos efeitos, mas nunca fui muito fã das possessões e cenas espirituais. É uma coisa que me afecta... Já chegava de espíritos vingativos. Poltergeist ainda completaria a obrigatória trilogia com uma terceira parte num arranha-céus mas nunca vi. Dispensável mais ainda assim assustador o suficiente... ●○○○○
Anda meio mundo a sugerir coisas para se ver durante esta pandemia. E o pessoal está todo em casa a ver séries sobre pandemias e filmes sobre reclusão forçada em casa, por isso acho que o melhor é arranjar umas alternativas diferentes... Que sejam, digamos assim, mais emocionantes...
Craig T. Nelson e JoBeth Williams são casal normal, com uma vida rotineira que acabam de se mudar para uma casa nova. Os três filhos também não têm nada de especialmente relevante para contar. São miúdos normais. Como tantas vezes acontece com os amigos imaginários, um dia, a miúda mais pequena começa a falar com a estática da televisão... Os pais não ligam muito ao assunto, mas do dia para noite, os móveis começam a mexer-se sozinhos, ao mesmo tempo que estranhos e inexplicáveis fenómenos começam a acontecer... Os pais contratam uma série de especialistas paranormais (Beatrice Straight e Zelda Rubinstein) para resolver o assunto, mas tudo descamba para o terror quando a miúda (Heather O'Rourke) é raptada e levada pelos "seres da TV" para uma dimensão paralela...
Apesar de ser um filme de terror, na verdade ninguém morre. Acho que o pássaro da família morre, mas já não tenho a certeza. É um filme de terror com a marca Steven Spielberg portanto ninguém se magoa definitivamente. Mas também é um filme Tobe Hooper, o que quer dizer que muitas cenas são absolutamente assustadoras. Não é por nada que ainda hoje perdura a questão da autoria do filme. Spielberg ou Hooper? Conhecendo o trabalho dos dois, este parece mesmo um filme feito a quatro mãos. Apesar de ser nitidamente um filme Spielberg, não se pode menosprezar Poltergeist como sendo pouco terrorífico. Quando o vi em miúdo, assustou-me até ao tutano. Na altura as emissões de televisão tinham um fim e podia-se ver realmente a estática assim que a emissão acabava, algo que, estranhamente, quase ninguém tem noção do que é. Mas nessa altura, eu tinha medo da estática. Muito medo. Se apanhava a televisão nesse estado, corria para a desligar. Foi esse o efeito Poltergeist. É um dos grandes filmes de terror do cinema. A história é muito boa, cheia de pormenores que ficaram para posteridade. Os actores também estão muito bem. Mas há que destacar os efeitos especiais que na altura deixavam um gajo de boca aberta. Poltergeist foi um dos primeiros filmes que vi e muito provavelmente o primeiro filme de terror. Se me afastou da temática, por medo, durante muito tempo, estranhamente também teve o efeito contrário. Passado o efeito "real" da coisa, ou seja, quando finalmente cresci e percebi que do outro lado da câmara estava uma equipa de filmagem, isso deixou-me imensamente intrigado: como é que faziam aquilo? como é que punham as coisas a mexer-se sozinhas? E os raios? E a árvore? E o palhaço? Porra para o palhaço. As cenas com o palhaço aterrador devem ter traumatizado milhões de pessoas ao longo dos tempos... Acho que actualmente as pessoas têm problemas com palhaços e isso em parte deve-se ao Poltergeist...
Para além do currículo de sucesso que o filme carrega consigo, também existe uma carga muito negativa associada. Coincidência ou não, uma série de eventos trágicos têm percorrido a franchise ao longo dos tempos. Pouco depois da estreia, Dominique Dunne que fazia de filha mais velha, foi morta à porta de casa por um ex-namorado. A miúda mais nova (Heather O'Rourke) também morreu na rodagem do 3.º filme e ainda há a reportar a morte repentina de mais actores, assim como uma serie de acidentes e coisas inexplicáveis... É a chamada Maldição do Poltergeist. Há uma teoria que diz que tudo acontece porque no final deste primeiro Poltergeist foram usado esqueletos verdadeiros. Sim, esqueletos de pessoas verdadeiras para as filmagens. Em 1982 se era para atingir um grau de veracidade nos efeitos, recorria-se a tudo. E pior, a actriz (Jobeth Williams) nessa cena não sabia que os esqueletos eram verdadeiros; pensava que eram simples adereços... Weird shit...
Poltergeist foi um dos grandes sucessos de bilheteira naquele ano e um filme que marcou uma série de gente. Se em algumas situações acaba por estar um pouco datado, em muitas coisas continua a ser verdadeiramente aterrador. Até já me deu aqueles arrepios esquisitos na nuca... ●●●●○
Craig T. Nelson e JoBeth Williams são casal normal, com uma vida rotineira que acabam de se mudar para uma casa nova. Os três filhos também não têm nada de especialmente relevante para contar. São miúdos normais. Como tantas vezes acontece com os amigos imaginários, um dia, a miúda mais pequena começa a falar com a estática da televisão... Os pais não ligam muito ao assunto, mas do dia para noite, os móveis começam a mexer-se sozinhos, ao mesmo tempo que estranhos e inexplicáveis fenómenos começam a acontecer... Os pais contratam uma série de especialistas paranormais (Beatrice Straight e Zelda Rubinstein) para resolver o assunto, mas tudo descamba para o terror quando a miúda (Heather O'Rourke) é raptada e levada pelos "seres da TV" para uma dimensão paralela...
Apesar de ser um filme de terror, na verdade ninguém morre. Acho que o pássaro da família morre, mas já não tenho a certeza. É um filme de terror com a marca Steven Spielberg portanto ninguém se magoa definitivamente. Mas também é um filme Tobe Hooper, o que quer dizer que muitas cenas são absolutamente assustadoras. Não é por nada que ainda hoje perdura a questão da autoria do filme. Spielberg ou Hooper? Conhecendo o trabalho dos dois, este parece mesmo um filme feito a quatro mãos. Apesar de ser nitidamente um filme Spielberg, não se pode menosprezar Poltergeist como sendo pouco terrorífico. Quando o vi em miúdo, assustou-me até ao tutano. Na altura as emissões de televisão tinham um fim e podia-se ver realmente a estática assim que a emissão acabava, algo que, estranhamente, quase ninguém tem noção do que é. Mas nessa altura, eu tinha medo da estática. Muito medo. Se apanhava a televisão nesse estado, corria para a desligar. Foi esse o efeito Poltergeist. É um dos grandes filmes de terror do cinema. A história é muito boa, cheia de pormenores que ficaram para posteridade. Os actores também estão muito bem. Mas há que destacar os efeitos especiais que na altura deixavam um gajo de boca aberta. Poltergeist foi um dos primeiros filmes que vi e muito provavelmente o primeiro filme de terror. Se me afastou da temática, por medo, durante muito tempo, estranhamente também teve o efeito contrário. Passado o efeito "real" da coisa, ou seja, quando finalmente cresci e percebi que do outro lado da câmara estava uma equipa de filmagem, isso deixou-me imensamente intrigado: como é que faziam aquilo? como é que punham as coisas a mexer-se sozinhas? E os raios? E a árvore? E o palhaço? Porra para o palhaço. As cenas com o palhaço aterrador devem ter traumatizado milhões de pessoas ao longo dos tempos... Acho que actualmente as pessoas têm problemas com palhaços e isso em parte deve-se ao Poltergeist...
Para além do currículo de sucesso que o filme carrega consigo, também existe uma carga muito negativa associada. Coincidência ou não, uma série de eventos trágicos têm percorrido a franchise ao longo dos tempos. Pouco depois da estreia, Dominique Dunne que fazia de filha mais velha, foi morta à porta de casa por um ex-namorado. A miúda mais nova (Heather O'Rourke) também morreu na rodagem do 3.º filme e ainda há a reportar a morte repentina de mais actores, assim como uma serie de acidentes e coisas inexplicáveis... É a chamada Maldição do Poltergeist. Há uma teoria que diz que tudo acontece porque no final deste primeiro Poltergeist foram usado esqueletos verdadeiros. Sim, esqueletos de pessoas verdadeiras para as filmagens. Em 1982 se era para atingir um grau de veracidade nos efeitos, recorria-se a tudo. E pior, a actriz (Jobeth Williams) nessa cena não sabia que os esqueletos eram verdadeiros; pensava que eram simples adereços... Weird shit...
Poltergeist foi um dos grandes sucessos de bilheteira naquele ano e um filme que marcou uma série de gente. Se em algumas situações acaba por estar um pouco datado, em muitas coisas continua a ser verdadeiramente aterrador. Até já me deu aqueles arrepios esquisitos na nuca... ●●●●○
A apresentação de provas terminou e o juiz acaba de instruir os jurados. Eles terão de se reunir e decidir literalmente sobre a vida ou a morte de um jovem acusado da morte do pai. As provas parecem apontar inequivocamente para a culpa do jovem e a reunião dos 12 jurados parece apenas uma formalidade jurídica. No entanto, quando tudo apontava para uma conclusão rápida, a situação dá uma volta inesperada quando um dos jurados declara que o jovem é inocente porque tem dúvidas sobre o caso. A polémica estala entre os jurados... Uma sala pequena, abafada, quente e 12 homens a decidirem sobre a vida ou a morte de um jovem. Eis a premissa de 12 Angry Men.
Aos poucos, vai-se sabendo mais das particularidades dos caso, mas também se vai conhecendo melhor a personalidade dos jurados e porque é que eles pensam da forma que pensam. Tudo se resume, literalmente, ao esgrimir de argumentos entre estes 12 actores: Martin Balsam, John Fiedler, Lee J. Cobb, E.G. Marshall, Jack Klugman, Edward Binns, Jack Warden, Henry Fonda, Joseph Sweeney, Ed Begley, George Voskovec, Robert Webber. Todos têm tempo de antena, todos são importantes para o desenrolar da história e todos merecem o mesmo destaque.
Esta foi a estreia bombástica Sidney Lumet, numa produção do próprio Henry Fonda. Lumet conseguiu fazer um filme numa mísera sala e ainda assim construir todo um mundo de personagens. Não é coincidência que só saiba o nome de dois dos jurados (Davis e McCardle). Os restantes só são conhecidos pelas suas profissões. Os nomes não são importantes... O importante é o que eles significam, pois todos são um género de estereótipo da sociedade americana. Não é uma coisa muito perceptível, mas é mais um excelente pormenor a juntar ao resto. Acho que poucos filmes conseguem uma simplicidade tão brilhante quanto este. Um guião absolutamente sem falhas, grandes diálogos dramáticos e uma ambiência quase de suspense, que deixa um gajo agarrado à cadeira à espera de novos desenvolvimentos na história. E quando uma pessoa pensa que aquilo vai bloquear numa situação, somos logo confrontados com uma reviravolta...
Este é um dos grande filmes de sempre. Posso ir mais longe e afirmar que 12 Angry Men resume toda a essência do cinema: uma boa história, bons actores, um cenário e um realizador com capacidade para misturar isto tudo. E esta é talvez, a mais perfeita mistura com o mínimo possível de ingredientes. Um caso de estudo sobre como fazer um filme perfeito. Nada a apontar. Um dos grandes filmes da história do cinema. Absolutamente obrigatório. ●●●●●
Aos poucos, vai-se sabendo mais das particularidades dos caso, mas também se vai conhecendo melhor a personalidade dos jurados e porque é que eles pensam da forma que pensam. Tudo se resume, literalmente, ao esgrimir de argumentos entre estes 12 actores: Martin Balsam, John Fiedler, Lee J. Cobb, E.G. Marshall, Jack Klugman, Edward Binns, Jack Warden, Henry Fonda, Joseph Sweeney, Ed Begley, George Voskovec, Robert Webber. Todos têm tempo de antena, todos são importantes para o desenrolar da história e todos merecem o mesmo destaque.
Esta foi a estreia bombástica Sidney Lumet, numa produção do próprio Henry Fonda. Lumet conseguiu fazer um filme numa mísera sala e ainda assim construir todo um mundo de personagens. Não é coincidência que só saiba o nome de dois dos jurados (Davis e McCardle). Os restantes só são conhecidos pelas suas profissões. Os nomes não são importantes... O importante é o que eles significam, pois todos são um género de estereótipo da sociedade americana. Não é uma coisa muito perceptível, mas é mais um excelente pormenor a juntar ao resto. Acho que poucos filmes conseguem uma simplicidade tão brilhante quanto este. Um guião absolutamente sem falhas, grandes diálogos dramáticos e uma ambiência quase de suspense, que deixa um gajo agarrado à cadeira à espera de novos desenvolvimentos na história. E quando uma pessoa pensa que aquilo vai bloquear numa situação, somos logo confrontados com uma reviravolta...
Este é um dos grande filmes de sempre. Posso ir mais longe e afirmar que 12 Angry Men resume toda a essência do cinema: uma boa história, bons actores, um cenário e um realizador com capacidade para misturar isto tudo. E esta é talvez, a mais perfeita mistura com o mínimo possível de ingredientes. Um caso de estudo sobre como fazer um filme perfeito. Nada a apontar. Um dos grandes filmes da história do cinema. Absolutamente obrigatório. ●●●●●
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Damian (Ben Kingsley) é um homem extremamente rico. Quando descobre que tem um cancro e que a morte o espera muito brevemente, decide recorrer a uma misteriosa empresa (liderada por Matthew Goode) que alega poder transferir a "velha consciência" para um novo corpo mais jovem (Ryan Reynolds). A intervenção é um sucesso e Damian redescobre os prazeres da vida... mas rapidamente percebe que não se pode alterar o curso natural das coisas sem ter de se pagar um preço elevado...
Self/less é um bom filmito de acção e ficção cientifica, e a determinadas alturas mais parece um thriller. Tem bom ritmo, uma muito boa realização de Tarsem Singh, que mais uma vez mergulha no tema das realidades alternativas e das mentiras que o cérebro nos consegue pregar. Sem ser espectacular ou memorável, Self/less é um filme que mantém o espectador intrigado durante algum tempo. Só quando começa a abrir o jogo todo é que se torna algo previsível, que é o que mais marca negativamente este argumento. Havia aqui matéria prima para ir muito mais longe, até porque a temática dá pano para mangas: vida, morte, imortalidade, opulência, polaridade...
Não sendo totalmente original (...já alguém viu o Seconds do John Frankenheimer?... é mais ou menos a mesma coisa) é um bom filmito de ficção científica que até tem algum miolo. Vê-se e não chateia. ●●○○○
PS: Uma pequena curiosidade: logo no início, o apartamento opulento e dourado de Damian não é CGI. Aquele apartamento existe mesmo e foi inspirado no Palácio de Versailles. O verdadeiro dono? Donald Trump... só podia ser, não é verdade?
Self/less é um bom filmito de acção e ficção cientifica, e a determinadas alturas mais parece um thriller. Tem bom ritmo, uma muito boa realização de Tarsem Singh, que mais uma vez mergulha no tema das realidades alternativas e das mentiras que o cérebro nos consegue pregar. Sem ser espectacular ou memorável, Self/less é um filme que mantém o espectador intrigado durante algum tempo. Só quando começa a abrir o jogo todo é que se torna algo previsível, que é o que mais marca negativamente este argumento. Havia aqui matéria prima para ir muito mais longe, até porque a temática dá pano para mangas: vida, morte, imortalidade, opulência, polaridade...
Não sendo totalmente original (...já alguém viu o Seconds do John Frankenheimer?... é mais ou menos a mesma coisa) é um bom filmito de ficção científica que até tem algum miolo. Vê-se e não chateia. ●●○○○
PS: Uma pequena curiosidade: logo no início, o apartamento opulento e dourado de Damian não é CGI. Aquele apartamento existe mesmo e foi inspirado no Palácio de Versailles. O verdadeiro dono? Donald Trump... só podia ser, não é verdade?
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Todd Anderson, um miúdo bastante tímido vai para o mesmo colégio que o irmão mais velho. Neil Perry, o colega de quarto tem uma personalidade diferente, mais aberto e popular. Ambos têm de corresponder às expectativas da família, especialmente Perry, que tem um pai omnipresente e opressivo quanto às suas opções na vida. Juntamente com um grupo de outros jovens rapazes encontram Keating, um novo professor de inglês que lhes fala do Clube dos Poetas Mortos (Dead Poets Society) que os encoraja a irem contra o status quo e "aproveitarem o dia". Cada um à sua maneira vai incorporar este novo pensamento e que os vai mudar radicalmente. Dead Poets Society não só mudou a mentalidade daquelas personagens, mas tenho a certeza, mudou a perspectiva de muitos rapazes que na altura da estreia, tinham mais ou menos a mesma idade. Incluo-me orgulhosamente nesse grupo.
O que me ficou logo na memória foi o inicio do filme com a fórmula matemática para calcular a grandeza de um poema pelo Dr. J. Evans Pritchard. Dizia a fórmula que: P (perfeição) x I (importância) = G (grandeza do poema). Não era (nem sou) um grande fã da poesia, mas percebi a mensagem de que tentar quantificar matematicamente o impacto das palavras é algo inerentemente errado. É como tentar esquematizar emoções. E aí o filme apanhou-me logo.
Depois, o professor Keating. Este é aquele professor que uma pessoa sonha ter quando é aluno. Não impõe coisas pré-estabelecidas, é um rebelde quando comparado com os restantes professores e suporta a liberdade de pensamento dos alunos. Não quer dizer que seja um baldas, simplesmente quer dizer que faz as coisas de forma diferente. Valoriza a capacidade de o aluno se transcender a ele próprio e descobrir coisas que nem sabia que era capaz de fazer.
"Carpe diem. Seize the day, boys. Make your lives extraordinary". Acho que esta mítica frase que, ainda hoje em dia, deve ecoar em muitas cabeças por esse mundo fora, resume o sentimento perfeito do filme: aproveitar a vida e tudo o que ela tem de melhor, sugar-lhe o tutano e aproveitar isto para fazer algo de extraordinário. Por alguma razão aquele "carpe diem" sussurrado pelo Robin Williams ainda perdura no tempo...
Num filme desta intensidade poderia dizer que os principais papéis são para Robin Williams, Robert Sean Leonard, Ethan Hawke, Josh Charles e Kurtwood Smith, mas também não poderia deixar de mencionar Gale Hansen, Dylan Kussman, Allelon Ruggiero, James Waterston, Norman Lloyd e todos os actores sem excepção, até ao mais pequeno papel secundário. Todos estão perfeitos. Obviamente que o Robin Williams é algo... que... nem tenho palavras. É um gajo excepcional. Vai da comédia de situação ao drama mais profundo em 3 segundos. É único. Um dos meus actores preferidos de todos os tempos. Um génio da comédia e do drama.
Sobre este filme de Peter Wier poderiam escrever-se livros inteiros. A dualidade constante na eterna luta entre a tradição e a modernidade; entre a rigidez da disciplina versus a liberdade de pensamento; a complexidade e conflito latente das relações geracionais entre jovens e velhos, entre pais e filhos... as consequências trágicas que podem acontecer quando se tenta seguir os próprios sonhos indo contra a vontade dos outros... Isto dava para enciclopédias. Mas o melhor é simplesmente ver e desfrutar do leque de emoções que Dead Poets Society apresenta.
Algumas coisas carecem de uma explicação lógica... e esta é uma delas: "O Captain! My Captain!"... aquela frase na altura da despedida do Keating... aqueles miúdos a subirem para as secretárias... Esta cena deixa-me em lágrimas só de pensar. Peter Weir criou uma cena que mexe profundamente com os meus sentimentos. Eu já vi este filme uma dúzia de vezes e todas as vezes sem excepção, desato a chorar copiosamente. Há qualquer coisa de... não sei explicar. A única coisa que posso fazer a agradecer ao Peter Weir e ao professor Keating por me terem também mudado para melhor. Por me terem tornado mais motivado e tentar aproveitar o melhor da vida. Se pudesse, também eu estava ali em cima da secretária a dizer com orgulho "O Captain! My Captain!". Não consigo escrever mais... as lágrimas rolam-me cara abaixo. Lá está... não consigo explicar... Carpe Diem para todos. Obviamente, um dos filmes da minha vida. ●●●●● + ●
O que me ficou logo na memória foi o inicio do filme com a fórmula matemática para calcular a grandeza de um poema pelo Dr. J. Evans Pritchard. Dizia a fórmula que: P (perfeição) x I (importância) = G (grandeza do poema). Não era (nem sou) um grande fã da poesia, mas percebi a mensagem de que tentar quantificar matematicamente o impacto das palavras é algo inerentemente errado. É como tentar esquematizar emoções. E aí o filme apanhou-me logo.
Depois, o professor Keating. Este é aquele professor que uma pessoa sonha ter quando é aluno. Não impõe coisas pré-estabelecidas, é um rebelde quando comparado com os restantes professores e suporta a liberdade de pensamento dos alunos. Não quer dizer que seja um baldas, simplesmente quer dizer que faz as coisas de forma diferente. Valoriza a capacidade de o aluno se transcender a ele próprio e descobrir coisas que nem sabia que era capaz de fazer.
"Carpe diem. Seize the day, boys. Make your lives extraordinary". Acho que esta mítica frase que, ainda hoje em dia, deve ecoar em muitas cabeças por esse mundo fora, resume o sentimento perfeito do filme: aproveitar a vida e tudo o que ela tem de melhor, sugar-lhe o tutano e aproveitar isto para fazer algo de extraordinário. Por alguma razão aquele "carpe diem" sussurrado pelo Robin Williams ainda perdura no tempo...
Num filme desta intensidade poderia dizer que os principais papéis são para Robin Williams, Robert Sean Leonard, Ethan Hawke, Josh Charles e Kurtwood Smith, mas também não poderia deixar de mencionar Gale Hansen, Dylan Kussman, Allelon Ruggiero, James Waterston, Norman Lloyd e todos os actores sem excepção, até ao mais pequeno papel secundário. Todos estão perfeitos. Obviamente que o Robin Williams é algo... que... nem tenho palavras. É um gajo excepcional. Vai da comédia de situação ao drama mais profundo em 3 segundos. É único. Um dos meus actores preferidos de todos os tempos. Um génio da comédia e do drama.
Sobre este filme de Peter Wier poderiam escrever-se livros inteiros. A dualidade constante na eterna luta entre a tradição e a modernidade; entre a rigidez da disciplina versus a liberdade de pensamento; a complexidade e conflito latente das relações geracionais entre jovens e velhos, entre pais e filhos... as consequências trágicas que podem acontecer quando se tenta seguir os próprios sonhos indo contra a vontade dos outros... Isto dava para enciclopédias. Mas o melhor é simplesmente ver e desfrutar do leque de emoções que Dead Poets Society apresenta.
Algumas coisas carecem de uma explicação lógica... e esta é uma delas: "O Captain! My Captain!"... aquela frase na altura da despedida do Keating... aqueles miúdos a subirem para as secretárias... Esta cena deixa-me em lágrimas só de pensar. Peter Weir criou uma cena que mexe profundamente com os meus sentimentos. Eu já vi este filme uma dúzia de vezes e todas as vezes sem excepção, desato a chorar copiosamente. Há qualquer coisa de... não sei explicar. A única coisa que posso fazer a agradecer ao Peter Weir e ao professor Keating por me terem também mudado para melhor. Por me terem tornado mais motivado e tentar aproveitar o melhor da vida. Se pudesse, também eu estava ali em cima da secretária a dizer com orgulho "O Captain! My Captain!". Não consigo escrever mais... as lágrimas rolam-me cara abaixo. Lá está... não consigo explicar... Carpe Diem para todos. Obviamente, um dos filmes da minha vida. ●●●●● + ●
Não sei se já disse isto, mas Darren Aronofsky é um dos meus realizadores favoritos. É estranho e filosófico o suficiente para eu não conseguir não gostar. Mas reconheço que às vezes as coisas não correm bem. Um desses casos é The Fountain que tem nos principais papéis Hugh Jackman, Rachel Weisz, Ellen Burstyn e Mark Margolis. Escrito e realizado pelo Aronofsky, The Fountain é uma procura pela fonte da vida eterna, e por tabela, uma procura por respostas para a vida depois da morte. É uma história não linear que decorre em diferentes períodos da vida de uma personagem, no ano 1500, em 2005 e no ano 2500. A personagem (que em princípio é a mesma apesar da disparidade temporal) é simultaneamente Tomas, um conquistador em procura da árvore da vida para a sua rainha; Tommy, um neurocientista que tenta salvar a mulher de um cancro e Tom Creo, um monge-astronauta que tenta salvar a última memoria da mulher na forma de uma árvore viajando pelo universo numa esfera transparente. Como as histórias vão-se entrelaçando continuamente e decorrem de certa forma paralelas, Aronofsky usou todos os estratagemas visuais e não só, para separá-las e diferenciá-las: por exemplo, cada época usa cores e padrões diferentes. O passado é triangular e dourado, o presente é quadrado e branco e no futuro abundam as formas redondas e o tom prateado. As cores são importantes na mensagem. O dourado para as coisas fúteis e materiais, o branco para a verdade e finitude das coisas e o prateado para as estrelas e a viagem no espaço. Está bem pensado. Aronofsky é um gajo inteligente e incorpora muito bem estes truques de imagética para transmitir sensações. Usar efeitos especiais visuais (sem serem digitais) para manter o efeito de não-tempo do filme dá a impressão que se está ver um sonho e tudo se torna quase onírico e orgânico. A música, composta como habitualmente por Clint Mansell, também ajuda nesse campo. Mais uma jogada de mestre. Até na postura física da personagem de Tom se podem ver estes pormenores em acção. É por causa disto que gosto do Darren Aronofsky... é um gajo que pensa. Mas isso também se pode tornar num problema... quando se pensa em demasia.
Parece que a determinada altura, instalou-se aqui uma certa confusão. Acho que Aranofski foi demasiado ambicioso. As coisas tornam-se tão vagas que fico na dúvida se aquilo é a verdade ou é um sonho. Torna-se tudo demasiado ambíguo. Eu não me importo de aplicar as minhas interpretações pessoais a um filme, mas preciso de saber o que é ou não real para tirar conclusões. A determinada altura já não sabia muito bem o que estava a ver. Alguma coisa falhou neste campo e basta este pormenor que é basicamente o alicerce de todo o filme para perceber que há algo errado: a tal fonte da vida eterna. No título e no início do filme é uma fonte de água que dá a vida eterna, mas praticamente o resto do filme debruça-se sobre a Árvore da Vida, que nas histórias bíblicas é uma árvore no Jardim do Éden e em que os frutos é que dão vida eterna. Confuso?! Eu também fiquei...
Acho sinceramente que Darren Aronofsky começou a juntar demasiada informação (os limites da vida, o amor transcendental, a vida, eterna, ciência, metafísica e religião) e a tentar abarcar demasiadas coisas que acabou por lhe sair um filme inconsistente. Parece que foi um pouco feito à pressa para tentar juntar o máximo possível de elementos. Pelo menos é a ideia com que fico. Algo correu mal e foi nitidamente a meio do processo, porque a história de base parecia estar bem definida.
Não gostei, mas também não desgostei deste The Fountain. Não há dúvida que é algo novo e de certa forma é um filme com valores filosóficos profundos, mas há alguma inconsistência que não sei de onde vem. Mas também deu para perceber que é um daqueles filmes que não se vê à primeira. Tem tantos pormenores e tanta informação visual e simbólica que nitidamente precisa de ser visto, deixar fluir as ideias no cérebro e uns tempos depois, rever para assimilar e tirar novas ideias. Ainda estou na primeira fase. Já o vi há uns anos e ainda hoje me vem à memória, porque não está totalmente resolvido no meu cérebro. Mais cedo ou mais tarde terei de voltar à carga. Mas acho que merece uma visualização atenta. ●●●○○
Parece que a determinada altura, instalou-se aqui uma certa confusão. Acho que Aranofski foi demasiado ambicioso. As coisas tornam-se tão vagas que fico na dúvida se aquilo é a verdade ou é um sonho. Torna-se tudo demasiado ambíguo. Eu não me importo de aplicar as minhas interpretações pessoais a um filme, mas preciso de saber o que é ou não real para tirar conclusões. A determinada altura já não sabia muito bem o que estava a ver. Alguma coisa falhou neste campo e basta este pormenor que é basicamente o alicerce de todo o filme para perceber que há algo errado: a tal fonte da vida eterna. No título e no início do filme é uma fonte de água que dá a vida eterna, mas praticamente o resto do filme debruça-se sobre a Árvore da Vida, que nas histórias bíblicas é uma árvore no Jardim do Éden e em que os frutos é que dão vida eterna. Confuso?! Eu também fiquei...
Acho sinceramente que Darren Aronofsky começou a juntar demasiada informação (os limites da vida, o amor transcendental, a vida, eterna, ciência, metafísica e religião) e a tentar abarcar demasiadas coisas que acabou por lhe sair um filme inconsistente. Parece que foi um pouco feito à pressa para tentar juntar o máximo possível de elementos. Pelo menos é a ideia com que fico. Algo correu mal e foi nitidamente a meio do processo, porque a história de base parecia estar bem definida.
Não gostei, mas também não desgostei deste The Fountain. Não há dúvida que é algo novo e de certa forma é um filme com valores filosóficos profundos, mas há alguma inconsistência que não sei de onde vem. Mas também deu para perceber que é um daqueles filmes que não se vê à primeira. Tem tantos pormenores e tanta informação visual e simbólica que nitidamente precisa de ser visto, deixar fluir as ideias no cérebro e uns tempos depois, rever para assimilar e tirar novas ideias. Ainda estou na primeira fase. Já o vi há uns anos e ainda hoje me vem à memória, porque não está totalmente resolvido no meu cérebro. Mais cedo ou mais tarde terei de voltar à carga. Mas acho que merece uma visualização atenta. ●●●○○
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Era um grande fã da série The Twilight Zone. Não perdia um episódio. Olhando em retrospectiva, The Twilight Zone é provavelmente um dos eventos televisivos que mais influenciou não só a minha maneira de ver filmes como também a minha própria maneira de pensar. É pura imaginação à solta. Tudo era possível e nada era impossível talvez fosse a lógica mais marcante da série que passou para minha mente. Pegava em conceitos quotidianos e extrapolava, extrapolava, extrapolava... até que chagava a um sítio tão distante que só poderia ser uma... Quinta Dimensão.
Seguindo uma lógica diferente da habitual, uma série de TV com sucesso a nível planetário, fez o caminho óbvio e saltou dos então minúsculos ecrãs de TV para aterrar nos imensos ecrãs do cinema. Esta solução parecia irremediavelmente destinada ao sucesso mas, como tudo na vida, às vezes as coisas não acontecem como planeado. Twilight Zone: The Movie foi um fiasco comercial e para além disso ficou ligado a uma das grandes tragédias e polémicas do mundo do cinema.
Sem ter um caminho muito bem definido, a produção simplesmente coloriu e adaptou histórias do imenso universo da Twilight Zone. Há um prólogo e quatro segmentos, como se fossem 4 episódios isolados. o episódio 1 (Time Out) é sobre um homem intolerante que se vê misteriosamente transportado para cenário em que é confrontado directamente com a sua própria intolerância. O episódio 2 (Kick the Can) conta a história de um velhote com poderes mágicos que visita um lar de idosos. No episódio 3 (It's a Good Life) temos a história de um miúdo com uma imaginação prodigiosa. E no episódio 4, o mítico (Nightmare at 20,000 feet) em que um escritor com medo de voar vê algo assustador na asa do avião...
Este foi logo um dos problemas. "Não é um filme: são quatro episódios numa cassete", foi o que pensei na altura, quando comecei a ver o VHS que tinha trazido do videoclube. E para quem tinha visto tudo o que havia para ver da mítica série seria muito difícil escolher o melhor dos melhores, porque simplesmente, era uma tarefa impossível. De uma forma ou outra, (quase) todos os episódios eram muito bons. Foi isso que cristalizou o sucesso da série na mente do público. Fazer uma escolha assim tão pequena, ia ser sempre uma escolha muito arriscada. Talvez por isso mesmo, os estúdios escolheram actores com algum peso na altura como Vic Morrow, Dan Aykroyd, Albert Brooks, Kathleen Quinlan e John Lithgow e passou a realização para as mãos das estrelas mais promissoras daquele momento. Joe Dante realizou It's a Good Life; George Miller fez o Nightmare at 20,000 Feet; Steven Spielberg realizou Kick the Can e John Landis esteve no prólogo e no episódio Time Out. Este é o episódio que viria a tornar-se memorável pelas piores razões. Durante as filmagens, numa cena que se passava no Vietname, um helicóptero despenhou-se, causando a morte imediata de Vic Morrow e de duas crianças, Renee Chen e My-ca Dinh Le. Para piorar ainda mais a situação, as crianças nem sequer estavam registadas oficialmente como actores para poderem filmar durante a noite, o que já altura não era permitido pelos estúdios e pela legislação em vigor. A produção foi terminada à pressa. John Landis foi acusado de homicídio... Correu tudo mal.
Durante algum tempo, este filme fascinou-me precisamente por causa deste episódio. Li muita coisa sobre o assunto para perceber como é que um acontecimento desta gravidade tinha acontecido em Hollywood. Aliás, é sempre mencionado quando se fala na questão da segurança dos actores. Foi até determinante para isso, porque depois deste acidente, muitas das práticas correntes no meio foram alteradas para sempre. Curiosamente, este foi o único episódio que não era um remake de espisódios da série. Todos os restantes eram novas adaptações e este era o único original. Também foi por causa deste acidente que o filme ficou desconexo. Era suposto haver um a ligação no final que juntasse o prólogo e os quatro episódios, mas devido ao acidente, o filme acabou por ser fechado à pressa. Mas quando em cima de um filme está o ónus da morte de um adulto e duas crianças com menos de 10 anos, a qualidade e consistência são um pormenor absolutamente irrelevante.
Foi pena. Rod Serling, o mítico criador da série The Twilight Zone merecia uma homenagem à maneira. O destino não quis deixar. ●●○○○
Seguindo uma lógica diferente da habitual, uma série de TV com sucesso a nível planetário, fez o caminho óbvio e saltou dos então minúsculos ecrãs de TV para aterrar nos imensos ecrãs do cinema. Esta solução parecia irremediavelmente destinada ao sucesso mas, como tudo na vida, às vezes as coisas não acontecem como planeado. Twilight Zone: The Movie foi um fiasco comercial e para além disso ficou ligado a uma das grandes tragédias e polémicas do mundo do cinema.
Sem ter um caminho muito bem definido, a produção simplesmente coloriu e adaptou histórias do imenso universo da Twilight Zone. Há um prólogo e quatro segmentos, como se fossem 4 episódios isolados. o episódio 1 (Time Out) é sobre um homem intolerante que se vê misteriosamente transportado para cenário em que é confrontado directamente com a sua própria intolerância. O episódio 2 (Kick the Can) conta a história de um velhote com poderes mágicos que visita um lar de idosos. No episódio 3 (It's a Good Life) temos a história de um miúdo com uma imaginação prodigiosa. E no episódio 4, o mítico (Nightmare at 20,000 feet) em que um escritor com medo de voar vê algo assustador na asa do avião...
Este foi logo um dos problemas. "Não é um filme: são quatro episódios numa cassete", foi o que pensei na altura, quando comecei a ver o VHS que tinha trazido do videoclube. E para quem tinha visto tudo o que havia para ver da mítica série seria muito difícil escolher o melhor dos melhores, porque simplesmente, era uma tarefa impossível. De uma forma ou outra, (quase) todos os episódios eram muito bons. Foi isso que cristalizou o sucesso da série na mente do público. Fazer uma escolha assim tão pequena, ia ser sempre uma escolha muito arriscada. Talvez por isso mesmo, os estúdios escolheram actores com algum peso na altura como Vic Morrow, Dan Aykroyd, Albert Brooks, Kathleen Quinlan e John Lithgow e passou a realização para as mãos das estrelas mais promissoras daquele momento. Joe Dante realizou It's a Good Life; George Miller fez o Nightmare at 20,000 Feet; Steven Spielberg realizou Kick the Can e John Landis esteve no prólogo e no episódio Time Out. Este é o episódio que viria a tornar-se memorável pelas piores razões. Durante as filmagens, numa cena que se passava no Vietname, um helicóptero despenhou-se, causando a morte imediata de Vic Morrow e de duas crianças, Renee Chen e My-ca Dinh Le. Para piorar ainda mais a situação, as crianças nem sequer estavam registadas oficialmente como actores para poderem filmar durante a noite, o que já altura não era permitido pelos estúdios e pela legislação em vigor. A produção foi terminada à pressa. John Landis foi acusado de homicídio... Correu tudo mal.
Durante algum tempo, este filme fascinou-me precisamente por causa deste episódio. Li muita coisa sobre o assunto para perceber como é que um acontecimento desta gravidade tinha acontecido em Hollywood. Aliás, é sempre mencionado quando se fala na questão da segurança dos actores. Foi até determinante para isso, porque depois deste acidente, muitas das práticas correntes no meio foram alteradas para sempre. Curiosamente, este foi o único episódio que não era um remake de espisódios da série. Todos os restantes eram novas adaptações e este era o único original. Também foi por causa deste acidente que o filme ficou desconexo. Era suposto haver um a ligação no final que juntasse o prólogo e os quatro episódios, mas devido ao acidente, o filme acabou por ser fechado à pressa. Mas quando em cima de um filme está o ónus da morte de um adulto e duas crianças com menos de 10 anos, a qualidade e consistência são um pormenor absolutamente irrelevante.
Foi pena. Rod Serling, o mítico criador da série The Twilight Zone merecia uma homenagem à maneira. O destino não quis deixar. ●●○○○
Antonius Block (Max Von Sydow) é um cavaleiro que desembarca numa praia da Suécia após dez anos nas Cruzadas ao serviço da Igreja. Logo na chegada, encontra-se literalmente com a Morte que o desafia para um jogo de xadrez. O resultado final para o cavaleiro é simples: se ganhar, vive; se perder, morre. O jogo começa e vai-se desenrolado lentamente ao longo do filme. No caminho de regresso a casa, o que ele encontra é um país devastado pela Peste Negra. Antonius já tinha a sensação de ter desperdiçado uma vida inteira numa demanda sem sentido. Já tinha perdido a fé em Deus ao ver as atrocidades no campo de batalha. Mas agora, vendo o estado em que se encontra o seu país, com vilas inteiras destruídas pela peste e pela fome, questiona cada vez o papel de Deus na sociedade e a forma como a sociedade se socorre em Deus nas alturas mais desafortunadas. Neste caminho duro, ele e o seu fiel escudeiro encontram uma série de personagens (uma família de nómadas de circo, um casal com problemas matrimoniais e uma jovem que vai ser queimada na fogueira por ter tido contacto com Diabo). Percebendo que não vai conseguir ganhar o tal jogo de xadrez, Antonius arranja uma outra forma de enganar a Morte.
Em termos gerais, é esta a história do filme que os críticos unanimemente consideram uma obra-prima do cinema e muitos, como o melhor filme alguma vez feito. O Sétimo Selo (Det Sjunde Inseglet, no título original) é um daqueles filmes sobre o qual não se pode apontar nada de mal. O que é errado. Permitam-me então discordar.
Apesar de ver muitos filmes, tenho obviamente a minha vidinha para fazer e não posso estar sentado o dia todo a analisar filmes. Para além disso, o acesso a filmes pré-anos 60 é bastante limitado. De uma forma quase geral, todos os filmes que vi reportam desde o meio dos anos 60 até aos dias de hoje. Isto quer dizer que me falta uma fatia gigantesca (e obviamente conhecimento técnico e crítico) de filmes para ver. A minha lista aumenta a cada dia, porque não é fácil para um amador como eu ter acesso aos filmes dos anos 20, 30 ou 40 por exemplo. E parece que não, mas isto é importante. A perspectiva muda e a forma de análise dos filmes muda bastante. Já notei isso quando comecei a alargar o leque de filmes para fora do espectro americano. Quer se queira quer não, o cinema americano é ubíquo e eu, como muita gente, durante muitos anos não tive contacto com filmes de outras origens. Por conseguinte, os filmes americanos eram os melhores do mundo... Até que comecei a ver outro tipo de filmes, de outros países, com outra língua, com outras temáticas e com aproximações radicalmente diferentes da dos americanos. Isso já mudou imenso a minha perspectiva. no entanto, o grosso do meu arquivo cinematográfico ainda continua a ser o cinema americano e ainda continua a ser o meu ponto de comparação.
Não tendo hipóteses de viajar no tempo para analisar se o filme teve um grande impacto na altura da estreia ou se foi revolucionário na forma de mostrar a história ou de qualquer outra forma, a única forma que tenho para balancear o impacto deste filme é comparar com outros filmes do mesmo período. Por exemplo em 1956 estreou The Ten Commandments, Invasion of the Body Snatchers e o Giant. No mesmo ano (1957), por exemplo há o Paths of Glory, o The Incredible Shrinking Man e Twelve Angry Men. No ano seguinte chegaram aos cinemas filmes como Touch of Evil, Cat on a Hot Tin Roof ou o Vertigo. Isto são só exemplos do que se fazia e se via na altura. Comparativamente... acho que nenhum dos anteriores filmes fica atrás do Sétimo Selo, e alguns aco que até são superiores. Portanto... como assim? Melhor filme de sempre? Não me parece.
Apesar de todos os bons pormenores, O Sétimo Selo não me impressionou. Foi mais um caso de expectativas artificialmente elevadas. Tem obviamente momentos brilhantes. Por exemplo, a cinematografia a preto e branco é muito boa. Tem momentos que, se se parasse a imagem, parecem obras de arte. A cena da marcha de penitentes que irrompe pela vila é absolutamente brilhante. Tem pormenores de realização que nitidamente foram copiados "n" de vezes em variadíssimos filmes futuros. A imagem icónica da Morte de capuz preto a jogar xadrez com Antonius na praia é de antologia. O grande suporte do filme é a lógica filosófica de que está revestido. Claro que está rodeado de grandes pensamentos filosóficos e questões humanas profundas. É um filme que nos deixa a pensar no assunto de Deus e da Morte durante algum tempo. Mas o desenvolvimento narrativo do filme em si não é assim tão profundo. As questões do cavaleiro são as mesmas que qualquer pessoa, a determinado ponto da vida, de uma forma ou outra, acaba por ter. Não é um pensamento assim tão radical. O que me parece é que O Sétimo Selo é um exercício de pensamento do próprio Ingmar Bergman. Uma forma de expiação. Uma procura de respostas. E a resposta implícita é de que não vale a pena recorrer a algo superior. A salvação está garantida, não porque se acredita num ser superior, mas pelo sacrifico pessoal e por actos solidários para com os outros. É assim que Antonius engana a Morte. Quer dizer, ele não engana a Morte para seu benefício, mas distraindo a Morte e salvando as outra pessoas. Acho que é nesta "resposta" em que me parece que O Sétimo Selo se torna intocável em termos de crítica: no mínimo é um filme agnóstico, no máximo é um filme ateu. Se o cavaleiro conseguisse enganar a Morte com recurso à devoção a Deus, o filme seria assim tão bem cotado por parte dos críticos? Aposto que não. Obviamente não tenho nada que segure esta minha opinião, mas é um feeling que tenho... Para além disso, e mais importante ainda, é que acho que ninguém querer ir contra o status que o filme já adquiriu. Basicamente ninguém quer dizer algo contrário ao que todos dizem há tantos anos. É por isso que há uma tão grande unanimidade na crítica do filme. Tentei encontrar críticas com menos de máxima cotação e é quase impossível. É algo que me atordoa. Não desgostei do filme e acho que tem muitas coisas excelentes. Mas tal como tudo na vida, tem de haver um equilíbrio e em O Sétimo Selo há outros pormenores para além dos bons, que lhe tiram valor. Ignorar esses aspectos é simplesmente falsear o resultado final. Lido assim, parece que O Sétimo Selo é um mau filme. Não é verdade. É um excelente filme, apenas não me "encheu as medidas". Tinha era que lhe apontar as falhas, já que por todo o lado, estão apenas as coisas boas. Se quiserem saber tudo o que de bom o filme tem, por favor, ler a crítica especializada.
Max Von Sydow faz um papel excepcional como Antonius Block. Mas até aqui tenho críticas a fazer, porque por contra-ponto, talvez o papel principal seja mesmo o de Gunnar Björnstrand, Jöns o escudeiro. É ele que tem as melhores deixas e parece que o filme está mais centrado no seu jargão filosófico do que propriamente nas questões existenciais de Antonuis ou na presença de Bengt Ekerot a representar a Morte. Diga-se que Bengt Ekerot aparece muito menos do que aquilo que se possa pensar. Acho até que tem um papel demasiado minúsculo para uma personagem que é tão central na história. Nils Poppe, Bibi Andersson e tal como tantos outros, têm papéis exigentes porque as personagens são demasiado teatrais. Aliás, a determinado ponto, O Sétimo Selo, mais que um filme, pareceu-me uma muito elaborada peça de teatro. Tenho de dizer que este tipo de aproximação e este tipo de representação não é nada do meu agrado.
Apesar de lhe reconhecer muitos méritos, O Sétimo Selo foi um pouco decepcionante. Anos e anos a ler críticas fantásticas que o classificavam "como o melhor filme alguma vez feito", elevaram demasiado a fasquia. Mais do que as grandes dúvidas existencialistas que (supostamente) o filme levanta, a grande marca do O Sétimo Selo é deixar uma mensagem que toda a gente já percebeu, que é intrínseca a todos os seres humanos, mas que (infelizmente) uma pessoa não dedica muito tempo a pensar: a Morte está sempre à espera. Chegar ao final do jogo é apenas uma questão de tempo. É uma inevitabilidade da própria vida. Por isso, aproveitem o tempo que resta e façam alguma coisa de bom com ela. ●●●●○
Em termos gerais, é esta a história do filme que os críticos unanimemente consideram uma obra-prima do cinema e muitos, como o melhor filme alguma vez feito. O Sétimo Selo (Det Sjunde Inseglet, no título original) é um daqueles filmes sobre o qual não se pode apontar nada de mal. O que é errado. Permitam-me então discordar.
Apesar de ver muitos filmes, tenho obviamente a minha vidinha para fazer e não posso estar sentado o dia todo a analisar filmes. Para além disso, o acesso a filmes pré-anos 60 é bastante limitado. De uma forma quase geral, todos os filmes que vi reportam desde o meio dos anos 60 até aos dias de hoje. Isto quer dizer que me falta uma fatia gigantesca (e obviamente conhecimento técnico e crítico) de filmes para ver. A minha lista aumenta a cada dia, porque não é fácil para um amador como eu ter acesso aos filmes dos anos 20, 30 ou 40 por exemplo. E parece que não, mas isto é importante. A perspectiva muda e a forma de análise dos filmes muda bastante. Já notei isso quando comecei a alargar o leque de filmes para fora do espectro americano. Quer se queira quer não, o cinema americano é ubíquo e eu, como muita gente, durante muitos anos não tive contacto com filmes de outras origens. Por conseguinte, os filmes americanos eram os melhores do mundo... Até que comecei a ver outro tipo de filmes, de outros países, com outra língua, com outras temáticas e com aproximações radicalmente diferentes da dos americanos. Isso já mudou imenso a minha perspectiva. no entanto, o grosso do meu arquivo cinematográfico ainda continua a ser o cinema americano e ainda continua a ser o meu ponto de comparação.
Não tendo hipóteses de viajar no tempo para analisar se o filme teve um grande impacto na altura da estreia ou se foi revolucionário na forma de mostrar a história ou de qualquer outra forma, a única forma que tenho para balancear o impacto deste filme é comparar com outros filmes do mesmo período. Por exemplo em 1956 estreou The Ten Commandments, Invasion of the Body Snatchers e o Giant. No mesmo ano (1957), por exemplo há o Paths of Glory, o The Incredible Shrinking Man e Twelve Angry Men. No ano seguinte chegaram aos cinemas filmes como Touch of Evil, Cat on a Hot Tin Roof ou o Vertigo. Isto são só exemplos do que se fazia e se via na altura. Comparativamente... acho que nenhum dos anteriores filmes fica atrás do Sétimo Selo, e alguns aco que até são superiores. Portanto... como assim? Melhor filme de sempre? Não me parece.
Apesar de todos os bons pormenores, O Sétimo Selo não me impressionou. Foi mais um caso de expectativas artificialmente elevadas. Tem obviamente momentos brilhantes. Por exemplo, a cinematografia a preto e branco é muito boa. Tem momentos que, se se parasse a imagem, parecem obras de arte. A cena da marcha de penitentes que irrompe pela vila é absolutamente brilhante. Tem pormenores de realização que nitidamente foram copiados "n" de vezes em variadíssimos filmes futuros. A imagem icónica da Morte de capuz preto a jogar xadrez com Antonius na praia é de antologia. O grande suporte do filme é a lógica filosófica de que está revestido. Claro que está rodeado de grandes pensamentos filosóficos e questões humanas profundas. É um filme que nos deixa a pensar no assunto de Deus e da Morte durante algum tempo. Mas o desenvolvimento narrativo do filme em si não é assim tão profundo. As questões do cavaleiro são as mesmas que qualquer pessoa, a determinado ponto da vida, de uma forma ou outra, acaba por ter. Não é um pensamento assim tão radical. O que me parece é que O Sétimo Selo é um exercício de pensamento do próprio Ingmar Bergman. Uma forma de expiação. Uma procura de respostas. E a resposta implícita é de que não vale a pena recorrer a algo superior. A salvação está garantida, não porque se acredita num ser superior, mas pelo sacrifico pessoal e por actos solidários para com os outros. É assim que Antonius engana a Morte. Quer dizer, ele não engana a Morte para seu benefício, mas distraindo a Morte e salvando as outra pessoas. Acho que é nesta "resposta" em que me parece que O Sétimo Selo se torna intocável em termos de crítica: no mínimo é um filme agnóstico, no máximo é um filme ateu. Se o cavaleiro conseguisse enganar a Morte com recurso à devoção a Deus, o filme seria assim tão bem cotado por parte dos críticos? Aposto que não. Obviamente não tenho nada que segure esta minha opinião, mas é um feeling que tenho... Para além disso, e mais importante ainda, é que acho que ninguém querer ir contra o status que o filme já adquiriu. Basicamente ninguém quer dizer algo contrário ao que todos dizem há tantos anos. É por isso que há uma tão grande unanimidade na crítica do filme. Tentei encontrar críticas com menos de máxima cotação e é quase impossível. É algo que me atordoa. Não desgostei do filme e acho que tem muitas coisas excelentes. Mas tal como tudo na vida, tem de haver um equilíbrio e em O Sétimo Selo há outros pormenores para além dos bons, que lhe tiram valor. Ignorar esses aspectos é simplesmente falsear o resultado final. Lido assim, parece que O Sétimo Selo é um mau filme. Não é verdade. É um excelente filme, apenas não me "encheu as medidas". Tinha era que lhe apontar as falhas, já que por todo o lado, estão apenas as coisas boas. Se quiserem saber tudo o que de bom o filme tem, por favor, ler a crítica especializada.
Max Von Sydow faz um papel excepcional como Antonius Block. Mas até aqui tenho críticas a fazer, porque por contra-ponto, talvez o papel principal seja mesmo o de Gunnar Björnstrand, Jöns o escudeiro. É ele que tem as melhores deixas e parece que o filme está mais centrado no seu jargão filosófico do que propriamente nas questões existenciais de Antonuis ou na presença de Bengt Ekerot a representar a Morte. Diga-se que Bengt Ekerot aparece muito menos do que aquilo que se possa pensar. Acho até que tem um papel demasiado minúsculo para uma personagem que é tão central na história. Nils Poppe, Bibi Andersson e tal como tantos outros, têm papéis exigentes porque as personagens são demasiado teatrais. Aliás, a determinado ponto, O Sétimo Selo, mais que um filme, pareceu-me uma muito elaborada peça de teatro. Tenho de dizer que este tipo de aproximação e este tipo de representação não é nada do meu agrado.
Apesar de lhe reconhecer muitos méritos, O Sétimo Selo foi um pouco decepcionante. Anos e anos a ler críticas fantásticas que o classificavam "como o melhor filme alguma vez feito", elevaram demasiado a fasquia. Mais do que as grandes dúvidas existencialistas que (supostamente) o filme levanta, a grande marca do O Sétimo Selo é deixar uma mensagem que toda a gente já percebeu, que é intrínseca a todos os seres humanos, mas que (infelizmente) uma pessoa não dedica muito tempo a pensar: a Morte está sempre à espera. Chegar ao final do jogo é apenas uma questão de tempo. É uma inevitabilidade da própria vida. Por isso, aproveitem o tempo que resta e façam alguma coisa de bom com ela. ●●●●○
David Cronenberg é neste momento um homem desencantado com Hollywood. Bem, se não é, não percebi bem o filme. Sexo, incesto, morte, traição, drogas e conversas de merda são o dia-a-dia de Hollywood atrás das câmaras. É isso que se deve depreender após visionar Maps to the Stars.
Isto até é o melhor do filme: a história e o guião. Muito bem construído e estruturado em volta de uma série de peculiares personagens que vão do actor adolescente em reabilitação por uso de drogas, da actriz que tendo mais que 40 anos já não tem espaço de representação por ser "demasiado velha", passando pelo "terapeuta" alternativo das celebridades. Todos imprevisíveis, mentalmente instáveis, misturados e ligados por uma história central. Basicamente, a espinha dorsal da anormal "normalidade" de Hollywood...
Os actores são a outra coisa boa e são eles que essencialmente seguram os filme durante os 100 minutos. O miúdo (Evan Bird) parecia desfasado da história, mas depois apercebi-me que era muito bom e, teoricamente, terá um futuro promissor. No geral, (Robert Pattinson, Mia Wasikowska e John Cusack) são todos muito bons, mas o destaque tem que ser dado à Julianne Moore porque é uma excelente actriz que dá sempre tudo o que tem. É por isso mesmo que Moore é uma das minha actrizes favoritas de sempre. Pequeno destaque para Carrie Fisher que aparece brevemente como ela própria.
No cômputo geral, Maps to the Stars nunca descola totalmente porque parece um telefilme, mais que um filme de cinema. Apesar da violência e da nudez, parece que Cronenberg nunca quis "magoar" ninguém. Este (já) não é o Cronenberg que conheço. Foi tudo demasiado polido para o meu gosto e para o que esperava. O final é poético mas não é apoteótico. Lá está, o filme nunca descola. Mantém um ritmo constante sem nunca ter picos de nada. Se Maps to the Stars estivesse ligado àquelas máquinas de suporte de vida, a única coisa que se ouviria é um som constante sem altos nem baixos: basicamente é um filme em "ponto morto". Seja como for, é sempre bom ver o outro lado de Hollywood nem que seja só para espreitar por detrás da cortina. Especialmente porque vem de uma pessoa que conhece bem o meio e que de certeza conhece ainda melhor os podres. ●●○○○
Isto até é o melhor do filme: a história e o guião. Muito bem construído e estruturado em volta de uma série de peculiares personagens que vão do actor adolescente em reabilitação por uso de drogas, da actriz que tendo mais que 40 anos já não tem espaço de representação por ser "demasiado velha", passando pelo "terapeuta" alternativo das celebridades. Todos imprevisíveis, mentalmente instáveis, misturados e ligados por uma história central. Basicamente, a espinha dorsal da anormal "normalidade" de Hollywood...
Os actores são a outra coisa boa e são eles que essencialmente seguram os filme durante os 100 minutos. O miúdo (Evan Bird) parecia desfasado da história, mas depois apercebi-me que era muito bom e, teoricamente, terá um futuro promissor. No geral, (Robert Pattinson, Mia Wasikowska e John Cusack) são todos muito bons, mas o destaque tem que ser dado à Julianne Moore porque é uma excelente actriz que dá sempre tudo o que tem. É por isso mesmo que Moore é uma das minha actrizes favoritas de sempre. Pequeno destaque para Carrie Fisher que aparece brevemente como ela própria.
No cômputo geral, Maps to the Stars nunca descola totalmente porque parece um telefilme, mais que um filme de cinema. Apesar da violência e da nudez, parece que Cronenberg nunca quis "magoar" ninguém. Este (já) não é o Cronenberg que conheço. Foi tudo demasiado polido para o meu gosto e para o que esperava. O final é poético mas não é apoteótico. Lá está, o filme nunca descola. Mantém um ritmo constante sem nunca ter picos de nada. Se Maps to the Stars estivesse ligado àquelas máquinas de suporte de vida, a única coisa que se ouviria é um som constante sem altos nem baixos: basicamente é um filme em "ponto morto". Seja como for, é sempre bom ver o outro lado de Hollywood nem que seja só para espreitar por detrás da cortina. Especialmente porque vem de uma pessoa que conhece bem o meio e que de certeza conhece ainda melhor os podres. ●●○○○
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Uma mãe em trabalho de parto que perde o marido a caminho do hospital. Um miúdo com problemas de comportamento. Uma mãe solteira e viúva. Um filho rebelde que vê monstros no escuro. Uma mãe que começa a acreditar que os monstros pode ser reais... Esta é senha macabra para entrar no mundo assustador do Babadook, a estreia absoluta de Jennifer Kent como realizadora. E que grande estreia, digo eu. The Babadook é bom filme de terror. Muito bem feito, com muito suspense à mistura e assustador o suficiente para conseguir levantar uns pelos na nuca...
Já fui um consumidor exagerado do género de terror, mas após décadas de slashers foleiros e festivais gore, comecei a enjoar e é muito raro ver um filme de terror. Mais raro ainda, é gostar. O que é o caso. Não tem os clichés do costume e é muito provavelmente um filme de terror que não agrada a adolescentes. Aqui não há jump-scares para assustar; aqui o medo vem das acções estranhas e extremadas dos intervenientes. Muito bem escrito. Muito bem realizado. Excelente ambiência. Boa fotografia. Bom design. Grande tensão. Bons actores. Essie Davis e Noah Wiseman têm uma química enorme e "partem a louça" toda. Recomendo, mesmo para quem não é muito fã do género. Mais um bom exemplo de que se pode fazer um bom filme com muito pouco dinheiro. Tudo muito bem feito. ●●●○○
Já fui um consumidor exagerado do género de terror, mas após décadas de slashers foleiros e festivais gore, comecei a enjoar e é muito raro ver um filme de terror. Mais raro ainda, é gostar. O que é o caso. Não tem os clichés do costume e é muito provavelmente um filme de terror que não agrada a adolescentes. Aqui não há jump-scares para assustar; aqui o medo vem das acções estranhas e extremadas dos intervenientes. Muito bem escrito. Muito bem realizado. Excelente ambiência. Boa fotografia. Bom design. Grande tensão. Bons actores. Essie Davis e Noah Wiseman têm uma química enorme e "partem a louça" toda. Recomendo, mesmo para quem não é muito fã do género. Mais um bom exemplo de que se pode fazer um bom filme com muito pouco dinheiro. Tudo muito bem feito. ●●●○○
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A Guerra causa-me repulsa, mas ao mesmo tempo atrai-me. Intriga-me todo o desenvolvimento necessário até chegar a um conflito. No caso das Guerras Mundiais, fico pasmado com tudo o que tem de acontecer no passado, para que se chegue a um conflito à escala global. Por causa dos filmes, muito se fala e vê sobre a II Guerra Mundial. Os avanços nas câmaras de filmar, os cineastas que acompanharam in loco o conflito, e mais tarde, o cinema de acção banalizou de tal forma o conceito de guerra, que a II GM ganhou todo o protagonismo quando se fala de um conflito global. Mas para mim, a I Guerra Mundial é não só o ponto mais marcante da História da Guerra, como da História da própria Humanidade. É um momento novo e ao mesmo tempo decisivo na história. Uma mudança completa e imediata de paradigma, que mudou radicalmente o rumo da História, com implicações directas no mundo actual em que vivemos.
A Humanidade e a Guerra parece que sempre co-existiram. O conflito parece ter raízes profundas no próprio ADN humano. Um mundo sem conflitos e sem guerra é quase um conceito distópico. Sempre existiram conflitos e os homens têm-se matado uns aos outros por este ou aquele motivo, desde tempos imemoriais. Milhões de pessoas foram assassinadas da maneira mais cruel, milhões de soldados perderam a vida em milhares de guerras por toda a história do mundo. O que muda então com a I Guerra Mundial? A principal e mais marcante novidade foi a globalização do conflito em si. Mas acrescem pormenores novos como a industrialização da guerra, a transposição do plano de conflito para além da terra, para o mar e até para os céus, a massificação da morte, e mais importante, a normalização da indiferença perante a guerra.
A I Primeira Guerra Mundial mostrou uma nova faceta da maldade humana e não só. A situação desgastante, infernal e desumana das trincheiras e das terras de ninguém que levou a novos píncaros a loucura da guerra. A utilização dos gases venenosos. A indiferença das chefias militares e o desprezo levados a níveis industriais, quando confrontados com o sofrimento dos soldados, traduzido na célebre expressão de carne para canhão. O vazio de emoções, a falta total de empatia, a crueldade e a estupidez humanas levados a novos extremos. O Inferno na Terra.
A guerra que iria acabar com todas as guerras, era tão ilusória que levou o mundo a desintegrar-se, e mergulhou-o anos depois num conflito ainda maior, que não resolvendo nada em definitivo, muito pelo contrário, ainda aprofundou os conflitos anteriores, criou outros novos e mais complexos e, acredito eu, ainda nos levará a um conflito porventura ainda maior que todos os outros anteriores. Tudo estava tão iludido com a magia da nova indústria e do avanço científico que traria um final rápido a qualquer guerra, que ninguém pensou sequer nas consequências do que viria a seguir. Bem, após cem anos de conflitos bélicos por todo o mundo, milhões de mortos militares e civis, divisões profundas entre países e continentes e a recorrente ameaça de erradicação nuclear, o mundo parece estar numa espécie de banho-maria para um futuro mega-conflito planetário. Espero estar enganado, mas infelizmente não me parece que esteja. A ver vamos. Mas adiante.
They Shall Not Grow Old é um documentário sobre a I Guerra Guerra Mundial produzido e realizado por Peter Jackson. O que pode ser uma surpresa para alguns, é que Peter Jackson já tinha feito um outro documentário antes. Forgotten Silver não é bem um documentário, mas antes um documentário falso, encomendado pela TV Neozelandesa, sobre um realizador famoso daquele país que caiu no esquecimento. Tive a sorte de o ver numa edição do Fantasporto (quando o Peter Jackson ainda era o gajo das entranhas, sangue a rodos e muito, muito gore, e não o gajo respeitável do cinema que é hoje...) Apesar de não ter nada a ver com isto, Peter Jackson já tinha os skills necessários para fazer um restauro de uma obra deste género porque já tinha feito o caminho inverso: filmar e envelhecer. Aqui foi pegar nas filmagens originais e restaurá-las. E fez um trabalho técnico absolutamente fabuloso. Já vi muita coisa da I Guerra, mas nada como isto. Foi a primeira vez que tive um vislumbre real do que aconteceu. A cores e com o movimento correcto. Como naquela altura a passagem da bobine de fita era manual e o operador tinha de dar à manivela, a velocidade da imagem saía sempre estranha. Aqui, tudo isso foi corrigido e acrescentado material sonoro para dar mais autenticidade. Apesar de ser uma época tão distante, sei que já nos anos 10 se faziam experiências com cor nos filmes, mas este restauro é outra coisa totalmente diferente. Tecnicamente é absolutamente irrepreensível. Mas como documentário, sinceramente, já vi melhor. Parece-me que o Peter Jackson não se quis alongar nas raízes do próprio conflito e na história complexa (tanto dentro do cenário de guerra e dos seus intervenientes, como nas implicações na vida do cidadão comum fora do conflito directo), mas apenas mostrar como era a vida, sofrimento e morte de um simples soldado inglês nas trincheiras da frente de batalha. Eu entendo isso, mas acaba por ser demasiado redutor. Nesse campo, sinceramente esperava mais, mas tudo bem, entendo... É uma aproximação mais técnica do que propriamente histórica. Por isso mesmo, tenho um feeling que o Peter Jackson ainda vai voltar a este assunto da I Guerra Mundial.
Apesar desta limitação compreensível, They Shall Not Grow Old é um documentário totalmente obrigatório. Primeiro pela questão cinematográfica e técnica (sublime), que é em certa parte, também história do próprio cinema, dos filmes, como eles são feitos e como a parte técnica vai evoluindo ao longo dos tempos. E em segundo, porque é importante não esquecer a história. É um chavão, mas é totalmente verdade. Quem esquece a história, acaba por a repetir, assim como os erros dos passado. No caso de uma guerra com estas proporções e implicações no futuro, isto deveria passar nas escolas. Devia-se mostrar aos miúdos (mas não só, até porque andam por aí muitos adultos com mentalidades de criança...) que um conflito com esta escala de tamanho planetário, crueldade e sofrimento humano nunca pode ser esquecido, mas especialmente, nunca se poderá repetir. ●●●○○
A Humanidade e a Guerra parece que sempre co-existiram. O conflito parece ter raízes profundas no próprio ADN humano. Um mundo sem conflitos e sem guerra é quase um conceito distópico. Sempre existiram conflitos e os homens têm-se matado uns aos outros por este ou aquele motivo, desde tempos imemoriais. Milhões de pessoas foram assassinadas da maneira mais cruel, milhões de soldados perderam a vida em milhares de guerras por toda a história do mundo. O que muda então com a I Guerra Mundial? A principal e mais marcante novidade foi a globalização do conflito em si. Mas acrescem pormenores novos como a industrialização da guerra, a transposição do plano de conflito para além da terra, para o mar e até para os céus, a massificação da morte, e mais importante, a normalização da indiferença perante a guerra.
A I Primeira Guerra Mundial mostrou uma nova faceta da maldade humana e não só. A situação desgastante, infernal e desumana das trincheiras e das terras de ninguém que levou a novos píncaros a loucura da guerra. A utilização dos gases venenosos. A indiferença das chefias militares e o desprezo levados a níveis industriais, quando confrontados com o sofrimento dos soldados, traduzido na célebre expressão de carne para canhão. O vazio de emoções, a falta total de empatia, a crueldade e a estupidez humanas levados a novos extremos. O Inferno na Terra.
A guerra que iria acabar com todas as guerras, era tão ilusória que levou o mundo a desintegrar-se, e mergulhou-o anos depois num conflito ainda maior, que não resolvendo nada em definitivo, muito pelo contrário, ainda aprofundou os conflitos anteriores, criou outros novos e mais complexos e, acredito eu, ainda nos levará a um conflito porventura ainda maior que todos os outros anteriores. Tudo estava tão iludido com a magia da nova indústria e do avanço científico que traria um final rápido a qualquer guerra, que ninguém pensou sequer nas consequências do que viria a seguir. Bem, após cem anos de conflitos bélicos por todo o mundo, milhões de mortos militares e civis, divisões profundas entre países e continentes e a recorrente ameaça de erradicação nuclear, o mundo parece estar numa espécie de banho-maria para um futuro mega-conflito planetário. Espero estar enganado, mas infelizmente não me parece que esteja. A ver vamos. Mas adiante.
They Shall Not Grow Old é um documentário sobre a I Guerra Guerra Mundial produzido e realizado por Peter Jackson. O que pode ser uma surpresa para alguns, é que Peter Jackson já tinha feito um outro documentário antes. Forgotten Silver não é bem um documentário, mas antes um documentário falso, encomendado pela TV Neozelandesa, sobre um realizador famoso daquele país que caiu no esquecimento. Tive a sorte de o ver numa edição do Fantasporto (quando o Peter Jackson ainda era o gajo das entranhas, sangue a rodos e muito, muito gore, e não o gajo respeitável do cinema que é hoje...) Apesar de não ter nada a ver com isto, Peter Jackson já tinha os skills necessários para fazer um restauro de uma obra deste género porque já tinha feito o caminho inverso: filmar e envelhecer. Aqui foi pegar nas filmagens originais e restaurá-las. E fez um trabalho técnico absolutamente fabuloso. Já vi muita coisa da I Guerra, mas nada como isto. Foi a primeira vez que tive um vislumbre real do que aconteceu. A cores e com o movimento correcto. Como naquela altura a passagem da bobine de fita era manual e o operador tinha de dar à manivela, a velocidade da imagem saía sempre estranha. Aqui, tudo isso foi corrigido e acrescentado material sonoro para dar mais autenticidade. Apesar de ser uma época tão distante, sei que já nos anos 10 se faziam experiências com cor nos filmes, mas este restauro é outra coisa totalmente diferente. Tecnicamente é absolutamente irrepreensível. Mas como documentário, sinceramente, já vi melhor. Parece-me que o Peter Jackson não se quis alongar nas raízes do próprio conflito e na história complexa (tanto dentro do cenário de guerra e dos seus intervenientes, como nas implicações na vida do cidadão comum fora do conflito directo), mas apenas mostrar como era a vida, sofrimento e morte de um simples soldado inglês nas trincheiras da frente de batalha. Eu entendo isso, mas acaba por ser demasiado redutor. Nesse campo, sinceramente esperava mais, mas tudo bem, entendo... É uma aproximação mais técnica do que propriamente histórica. Por isso mesmo, tenho um feeling que o Peter Jackson ainda vai voltar a este assunto da I Guerra Mundial.
Apesar desta limitação compreensível, They Shall Not Grow Old é um documentário totalmente obrigatório. Primeiro pela questão cinematográfica e técnica (sublime), que é em certa parte, também história do próprio cinema, dos filmes, como eles são feitos e como a parte técnica vai evoluindo ao longo dos tempos. E em segundo, porque é importante não esquecer a história. É um chavão, mas é totalmente verdade. Quem esquece a história, acaba por a repetir, assim como os erros dos passado. No caso de uma guerra com estas proporções e implicações no futuro, isto deveria passar nas escolas. Devia-se mostrar aos miúdos (mas não só, até porque andam por aí muitos adultos com mentalidades de criança...) que um conflito com esta escala de tamanho planetário, crueldade e sofrimento humano nunca pode ser esquecido, mas especialmente, nunca se poderá repetir. ●●●○○
Mark e David Schultz são dois irmãos que são também campeões olímpicos de luta greco-romana. Apesar das vitórias, Mark leva uma vida fora da ribalta, treinando na obscuridade e praticamente no anonimato. A juntar a esta falta de reconhecimento, Mark sente que vai estar sempre na sombra do irmão que talvez por ser mais sociável acaba por ser mais apoiado. A determinado ponto entra em cena o milionário excêntrico John du Pont, uma misteriosa personagem que sente que Mark não é suficientemente reconhecido e por isso quer mudar todo o paradigma desportivo, trazê-lo para a ribalta e mostrá-lo ao mundo (americano) como um exemplo do trabalhador dedicado e do que a América faz de melhor. Para isso, monta uma equipa (Equipa Foxcatcher) e toda a estrutura de treino na sua enorme mansão com o intuito de participar nos Jogos Olímpicos de 1988 e vencer a medalha de ouro. Só que à medida que Mark e John se tornam mais íntimos, a difícil conciliação de personalidades, faz com que tanto Mark como John acabem por trilhar um caminho de tragédia.
Foxcatcher é um filme estranho. Para já porque é baseado numa história verídica e como toda a gente sabe, a realidade é mais estranha que a ficção. Todos os eventos inacreditáveis do filme são realmente verdadeiros. Li e confirmei a história e parece-me... inacreditável. É daquelas coisas que uma pessoa só consegue pensar: "isto é mesmo verdade?", "isto aconteceu mesmo assim?". E é. É mesmo verdade. Por isso a história é um dos pontos positivos e basilares deste Foxcatcher. A outra coisa boa é o ritmo/tom do filme. Só quando me informei melhor do assunto é que percebi porque é que o filme parece destinado apenas a ser visto por pessoas fortemente medicadas com Prozac. É que tem um ambiência e um tom mesmo estranho. É beje, mas tem uma qualidade quase onírica... Parece que o próprio filme está sob o efeito de uma droga qualquer. Encaixa perfeitamente bem no tema. É (muito) monótono mas ao mesmo tempo é tenso. Nota-se algo no ar, como se uma pessoa estivesse muito calma mas prestes a explodir num violento episódio psicótico. Calmo, mas desconfortável. É essa a sensação. Nota-se que se passa algo de errado e que aquelas personagens estão a caminho de algo mau, mas não se percebe o quê nem porquê nem quando. Só faz sentido no final. Um grande polegar levantado para Bennett Miller. Excelente realização.
Um outro ponto muito positivo são os actores. Channing Tatum (muitíssimo bem), Mark Ruffalo e Vanessa Redgrave dão cartas na representação, mas quem partiu a louça toda foi o Steve Carell. Uma surpresa de tamanho olímpico. Uma transformação total e completa e não estou a falar da parte das próteses faciais. É mesmo da parte psicológica. Ver Steve Carell a fazer papéis cómicos e vê-lo a fazer de alucinado milionário John du Pont é como ver pessoas/actores totalmente diferentes. Até o olhar é diferente. Está irreconhecível... para melhor.
Foxcatcher surpreendeu-me imenso pela positiva. Sem dúvida nenhuma um filme para ver. ●●●○○
Foxcatcher é um filme estranho. Para já porque é baseado numa história verídica e como toda a gente sabe, a realidade é mais estranha que a ficção. Todos os eventos inacreditáveis do filme são realmente verdadeiros. Li e confirmei a história e parece-me... inacreditável. É daquelas coisas que uma pessoa só consegue pensar: "isto é mesmo verdade?", "isto aconteceu mesmo assim?". E é. É mesmo verdade. Por isso a história é um dos pontos positivos e basilares deste Foxcatcher. A outra coisa boa é o ritmo/tom do filme. Só quando me informei melhor do assunto é que percebi porque é que o filme parece destinado apenas a ser visto por pessoas fortemente medicadas com Prozac. É que tem um ambiência e um tom mesmo estranho. É beje, mas tem uma qualidade quase onírica... Parece que o próprio filme está sob o efeito de uma droga qualquer. Encaixa perfeitamente bem no tema. É (muito) monótono mas ao mesmo tempo é tenso. Nota-se algo no ar, como se uma pessoa estivesse muito calma mas prestes a explodir num violento episódio psicótico. Calmo, mas desconfortável. É essa a sensação. Nota-se que se passa algo de errado e que aquelas personagens estão a caminho de algo mau, mas não se percebe o quê nem porquê nem quando. Só faz sentido no final. Um grande polegar levantado para Bennett Miller. Excelente realização.
Um outro ponto muito positivo são os actores. Channing Tatum (muitíssimo bem), Mark Ruffalo e Vanessa Redgrave dão cartas na representação, mas quem partiu a louça toda foi o Steve Carell. Uma surpresa de tamanho olímpico. Uma transformação total e completa e não estou a falar da parte das próteses faciais. É mesmo da parte psicológica. Ver Steve Carell a fazer papéis cómicos e vê-lo a fazer de alucinado milionário John du Pont é como ver pessoas/actores totalmente diferentes. Até o olhar é diferente. Está irreconhecível... para melhor.
Foxcatcher surpreendeu-me imenso pela positiva. Sem dúvida nenhuma um filme para ver. ●●●○○
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Para além da música, que mais têm em comum Jim Morrison, Kurt Cobain, Janis Joplin, Jimi Hendrix e Amy Winehouse? Todos fazem parte do trágico Clube dos 27. Mais um grande talento, mais uma morte (prematura) aos 27 anos de idade. Que desperdício. É a primeira palavra que me vem à cabeça quando penso na Amy Winehouse. Desperdício. Porque é que os artistas são tão auto-destrutivos? É algo que me intriga profundamente.
Sinceramente não percebo. Presumo que a parte genuinamente artística do ser humano não seja compatível com a fama e a exposição mediática, mas por outro lado, há tantos artistas que vivem da fama que não sei se esta será a resposta certa. Se calhar nem há respostas...
Amy é um documentário (muito bom) sobre a vida conturbada, a música, a carreira e morte trágica de Amy Winehouse. É da autoria de Asif Kapadia, o mesmo responsável pelo também muito bom documentário sobre o Ayrton Senna. Com Amy, há um acesso privilegiado à vida pessoal da cantora o que em certa parte ajuda a perceber o fatídico desfecho. Pode ser uma leitura enviesada (como é quase sempre nas questões biográficas), mas parece que a demasiada exposição mediática teve de facto um peso profundo em Amy Winehouse. E também as (más) companhias, a "inclinação" para a bebida e as drogas, e as questões (de interesses) familiares. Mas por outro lado, também acabaram por ser a inspiração e a influência maior para o tipo de música, as excepcionais letras e a própria imagem que a celebrizou. Como se costuma dizer: isto está tudo ligado. Para o bem e para o mal.
Amy é um documentário que acaba por ser alegre e triste, por vezes até as duas coisas ao mesmo tempo. Está muito bem feito, muito bem escrito e ainda melhor montado. É mais um grande documentário de Asif Kapadia. O gajo é mesmo um mestre neste tipo de cinema...
Já gostava da música e da atitude, mas graças a este documentário fiquei a admirar ainda mais o talento de Amy Winehouse. ●●●●○
Sinceramente não percebo. Presumo que a parte genuinamente artística do ser humano não seja compatível com a fama e a exposição mediática, mas por outro lado, há tantos artistas que vivem da fama que não sei se esta será a resposta certa. Se calhar nem há respostas...
Amy é um documentário (muito bom) sobre a vida conturbada, a música, a carreira e morte trágica de Amy Winehouse. É da autoria de Asif Kapadia, o mesmo responsável pelo também muito bom documentário sobre o Ayrton Senna. Com Amy, há um acesso privilegiado à vida pessoal da cantora o que em certa parte ajuda a perceber o fatídico desfecho. Pode ser uma leitura enviesada (como é quase sempre nas questões biográficas), mas parece que a demasiada exposição mediática teve de facto um peso profundo em Amy Winehouse. E também as (más) companhias, a "inclinação" para a bebida e as drogas, e as questões (de interesses) familiares. Mas por outro lado, também acabaram por ser a inspiração e a influência maior para o tipo de música, as excepcionais letras e a própria imagem que a celebrizou. Como se costuma dizer: isto está tudo ligado. Para o bem e para o mal.
Amy é um documentário que acaba por ser alegre e triste, por vezes até as duas coisas ao mesmo tempo. Está muito bem feito, muito bem escrito e ainda melhor montado. É mais um grande documentário de Asif Kapadia. O gajo é mesmo um mestre neste tipo de cinema...
Já gostava da música e da atitude, mas graças a este documentário fiquei a admirar ainda mais o talento de Amy Winehouse. ●●●●○
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Um casal simpático morre tragicamente num acidente de carro e com isso descobre que afinal há vida depois da morte... como fantasma preso no tempo e no espaço. Infelizmente, também descobrem que a vida depois da morte é mais ou menos como a vida antes da morte: há todo um mundo burocrático de filas de espera, gabinetes de atendimento e papelada para tratar. Também há encantamentos e uma maquete espectacular da cidade em miniatura. E depois há Beetlejuice.
Beetlejuice, Beetlejuice, Beetlejuice. Se se disser estas palavras, aparece um Michael Keaton meio vagabundo, meio morto, meio diabólico, cheio de insultos e piadas de conotação sexual na ponta da língua.
É surrealista. É estranho, mas fixe. Daquela maneira que só Tim Burton sabe fazer. (ou sabia?)
Beetlejuice é Tim Burton vintage. É quase como um cartão de visita para o mundo do cinema. E diz: Olhem as coisas estranhas que eu consigo fazer num filme. Já alguma vez viram algo assim?" E não, nunca se viu nada assim. Na altura, foi espectacular. Único.
O problema de Beetlejuice é que é um daqueles filmes que ficou preso no tempo. Foi muito bom, mas visto agora já não é assim tanto. Ao revê-lo pareceu-me um esboço, um exercício para muitos dos filmes seguintes do Tim Burton. Mas continuo a gostar muito deste filme. Continua a ser fixe.
Com efeitos especiais que na altura eram muito bons mas que agora parecem quase amadores e com actores muito bons: Michael Keaton, Alec Baldwin, Geena Davis, Winona Ryder, Jeffrey Jones e... Danny Elfman, claro. Como seria um filme do Tim Burton sem o Danny Elfman?.. ●●●○○
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Alguém sabe o que acontece depois da morte? Todas as pessoas têm a sua própria teoria. Eu não sei. Acho que não há mais nada. Simplesmente a não-existência. Mas também me parece lógico que haja alguma coisa. O corpo definitivamente morr,e mas a consciência pode perdurar. Sem os inputs sensoriais se calhar a consciência sobrevive numa espécie de stand-by... Sabe-se lá?
Em Flatliners, Joel Schumacher imagina que depois da morte, uma pessoa luta com os seus medos e os seus demónios para poder atingir a calma e a paz. É válido. Mas Flatliners que tenta ser um filme de suspense/thriller poderia ser melhor. Compreende-se. É uma premissa demasiado poderosa, profunda e filosófica para se pegar. Destaque para a parada de estrelas ainda jovens e em ascensão: Kiefer Sutherland, Julia Roberts, Kevin Bacon, William Baldwin e Oliver Platt. Vê-se. ●●○○○

















