A história repete-se continuamente e como não podia deixar de ser, Stephen King volta a ser o rei das adaptações. Os estúdios decidiram voltar a pegar no material do mestre e fizeram muito bem. Desconfiei desta adaptação, porque a primeira vez que o fizeram, saiu um enorme embrulhada.
Bem, neste caso, fizeram as coisas em condições e foi uma boa surpresa. It acaba por estar bem construído, muito bem equilibrado e conseguir pregar uns sustos valente aos mais desprevenidos ou pelo menos aos não-habituais do género. Não exagera no terror e no gore e também não desilude no suspense. Convém relembrar o enredo de It. No final dos anos 80, um grupo de miúdos da pequena povoação de Derry, no Maine é perseguido por um palhaço assassino que afinal não é mais que um monstro metamorfo que vive nos esgotos e que sentindo o medo das crianças, persegue-as e devora-as. Dito assim, facilmente poderia descambar para uma nova grande borrada cinematográfica, mas Andy Muschietti consegue equilibrar muito bem o terror sanguinário explícito com a força das histórias dos miúdos e assim presentear o público com um filme de terror que tem alguma estrutura e miolo. Podia muito bem ter seguido o "guião" oficial do filme de terror de teenager, mas felizmente conteve-se e decidiu criar um novo caminho. Ainda bem...
Nos papéis destinados aos sete miúdos do grupo dos "loosers", Jaeden Martell, Jeremy Ray Taylor, Sophia Lillis, Finn Wolfhard, Chosen Jacobs, Jack Dylan Grazer, Wyatt Oleff foram uma excelente escolha de casting para entrarem em confronto directo com o terrível palhaço Pennywise. Apesar de todos os efeitos especiais envolvidos, a grande figura de It é mesmo Bill Skarsgård, o actor por trás do monstro. Mesmo com aquela make-up toda, Skarsgård consegue fazer transparecer carisma e especialmente um medo ao mesmo tempo "inocente" e primordial. Muito bem conseguido.
Apesar de ser mais um reboot (neste caso até foi totalmente necessário para dar crédito à história do mestre King), It acaba por ser um bom filmito de terror. Não é nada do outro mundo (tal como o palhaço Pennywise), mas vê-se muito bem. ●●●○○
PS: Obviamente não é coincidência, mas convém ressaltar o facto do remake aparecer... 27 anos após o primeiro filme. Tal como acontece com o macabro palhaço Pennywise. Foi um bom pormenor do estúdio.
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Na capítulo do terror, há um nome incontornável: Stephen King. Ponto. Aliás, ponto final, parágrafo. Para mim é o derradeiro criador das histórias de terror. Stephen King é um senhor e como tal sou grande fã. Já li muita coisa dele e raramente desilude. O homem tem mesmo jeito para a coisa. Se os livros são muito bons, seria lógico que resultassem em grandes adaptações para cinema, até porque King tem uma escrita muito "visual" e em certos aspectos quase cinematográfica. Em princípio seria uma vantagem, mas como se sabe, isso não é verdade. Os filmes decorrentes dos livros de Stephen King têm alternado entre os muitos bons e os fraquitos. Mas o problema é sempre o tratamento cinematográfico, nunca a história.
Li muitos livros e vi muitos filmes "Stephen King" nos anos 80 e 90, talvez a altura mais profícua do mestre. Algures no início dos anos 90, lembro-me de me emprestarem um livro enorme com o título enigmático de "It". Era um "trambolho". Um livro gigante que parecia ter umas 1000 páginas. Como estava em inglês e como sabia que era sobre um palhaço assassino, acabei por ficar apenas pelas primeiras folhas. Não tenho nenhuma fobia com palhaços, mas também não tenho grande apreço pela figura. Não porque me metam medo, mas porque sempre tive... pena dos palhaços. Em miúdo ia ao circo e ficava sempre chateado quando entravam os palhaços. Não sei como são agora, mas nos anos 80, só havia um numero de palhaços: o rico e o pobre. O palhaço rico pregava partidas ao palhaço pobre que ficava sempre a perder e era o gozo de todos. Pode parecer estranho, mas aquela situação sempre me angustiou. Ver ali uma pessoa a ser atirada ao chão, a levar chapadas e basicamente a ser gozada por toda a gente, deixava-me sempre triste. Devo ser empático demais, porque aquela situação era sempre muito constrangedora. Não gostava nada daquilo. Assustador, nunca é a minha primeira palavra para palhaços. É mais pena. Mas adiante...
Isto tudo para dizer que não gosto muito de palhaços e que por causa disso nunca li o It, apesar de estar na minha lista há anos. Mas pouco tempo depois da cena do livro, num video-clube qualquer apanhei uma cassete dupla (nome muito pouco técnico que se dava a filmes que vinham em duas cassetes por terem durações muito longas [e sim, havia uma limitação na fita magnética dos VHS...]) com a adaptação para filme do It. E desta vez, lá estava o palhaço demoníaco na capa. Pareceu-me bem, até porque nessa altura, terror era o meu tema de eleição. A expectativa era alta. A decepção foi ainda maior. Quando me emprestaram o livro foi com a premissa de que era mesmo muito assustador. Já o filme não foi assim tanto. Na altura, talvez eu estivesse tarimbado para outro tipo de terror mais hardcore, mas aquilo pareceu-me tudo muito fraquinho. Os efeitos especiais até eram jeitosos (para a altura), mas o susto era pouco. Era um bloco enorme e maçudo que pareceu arrastar-se lenta e penosamente durante mais de 3 horas, com muito pouco terror e uma história muito confusa que abarcava décadas da história dos sete miúdos e do palhaço Pennywise, cheia de flashbacks e flashfowards... que descamba no final, inesperadamente, em lutas nuns túneis contra uma aranha extraterrestre gigante... WTF?!? Para ser directo: naquela altura, detestei o filme. Pensei que tinham corrompido mais uma vez a escrita genial do Stephen King. Mas depois confirmei que a história era mesmo aquela e pelos vistos até era bastante fiel ao original, o que nem sempre aconteceu noutras adaptações. It ficou-me como sendo um espinho na reputação de King. Durante anos, usei-o como o exemplo de que até os grandes mestres, por vezes, metem água. Mas uma coisa é o livro, outra coisa é o filme. E o It sempre me ficou como um filme mau, penosamente longo e extremamente chato. Só anos mais tarde é que descobri que, afinal, o que tinha visto era uma mini-serie de TV, numa versão "colada" (dos dois episódios da série) como se fosse um só filme. Mas nem isso justificava a pouca qualidade e principalmente, a baixíssima intensidade do filme de Tommy Lee Wallace. Sendo que o vi para aí em 1991, admito que já pouco me lembro para quantificar porque é que era mau. Harry Anderson, Dennis Christopher, Richard Masur, Annette O'Toole, Tim Reid, John Ritter, Richard Thomas já nada me dizem. Tive de me socorrer da net para me lembrar das caras. Apenas Tim Curry como Pennywise é memorável. Nesse aspecto, é irrepreensível. A make-up e a interpretação de Tim Curry foram o suficiente para nunca mais me esquecer do It e do Pennywise. A trupe dos miúdos também retive. Naquela altura, havia uma série de miúdos que eram recorrentes em filmes como Emily Perkins, Ben Heller, Brandon Crane, Jonathan Brandis e Seth Green e que acabaram por me ficar na memória. Não faço a mínima ideia por onde andarão hoje em dia, mas é provável que ainda façam uns papéis secundários por aí. Ou talvez não. Mas tirando o grupo dos miúdos e o Pennywise, pouco mais mais restou na memória. O que é muito pouco. O resto foi demasiado fraco para perdurar na memória. Mas ainda assim, face ao sucesso do recente remake, acho que merecia destaque e uma nova reposição iria dar-lhe novos méritos. ●●○○○
Li muitos livros e vi muitos filmes "Stephen King" nos anos 80 e 90, talvez a altura mais profícua do mestre. Algures no início dos anos 90, lembro-me de me emprestarem um livro enorme com o título enigmático de "It". Era um "trambolho". Um livro gigante que parecia ter umas 1000 páginas. Como estava em inglês e como sabia que era sobre um palhaço assassino, acabei por ficar apenas pelas primeiras folhas. Não tenho nenhuma fobia com palhaços, mas também não tenho grande apreço pela figura. Não porque me metam medo, mas porque sempre tive... pena dos palhaços. Em miúdo ia ao circo e ficava sempre chateado quando entravam os palhaços. Não sei como são agora, mas nos anos 80, só havia um numero de palhaços: o rico e o pobre. O palhaço rico pregava partidas ao palhaço pobre que ficava sempre a perder e era o gozo de todos. Pode parecer estranho, mas aquela situação sempre me angustiou. Ver ali uma pessoa a ser atirada ao chão, a levar chapadas e basicamente a ser gozada por toda a gente, deixava-me sempre triste. Devo ser empático demais, porque aquela situação era sempre muito constrangedora. Não gostava nada daquilo. Assustador, nunca é a minha primeira palavra para palhaços. É mais pena. Mas adiante...
Isto tudo para dizer que não gosto muito de palhaços e que por causa disso nunca li o It, apesar de estar na minha lista há anos. Mas pouco tempo depois da cena do livro, num video-clube qualquer apanhei uma cassete dupla (nome muito pouco técnico que se dava a filmes que vinham em duas cassetes por terem durações muito longas [e sim, havia uma limitação na fita magnética dos VHS...]) com a adaptação para filme do It. E desta vez, lá estava o palhaço demoníaco na capa. Pareceu-me bem, até porque nessa altura, terror era o meu tema de eleição. A expectativa era alta. A decepção foi ainda maior. Quando me emprestaram o livro foi com a premissa de que era mesmo muito assustador. Já o filme não foi assim tanto. Na altura, talvez eu estivesse tarimbado para outro tipo de terror mais hardcore, mas aquilo pareceu-me tudo muito fraquinho. Os efeitos especiais até eram jeitosos (para a altura), mas o susto era pouco. Era um bloco enorme e maçudo que pareceu arrastar-se lenta e penosamente durante mais de 3 horas, com muito pouco terror e uma história muito confusa que abarcava décadas da história dos sete miúdos e do palhaço Pennywise, cheia de flashbacks e flashfowards... que descamba no final, inesperadamente, em lutas nuns túneis contra uma aranha extraterrestre gigante... WTF?!? Para ser directo: naquela altura, detestei o filme. Pensei que tinham corrompido mais uma vez a escrita genial do Stephen King. Mas depois confirmei que a história era mesmo aquela e pelos vistos até era bastante fiel ao original, o que nem sempre aconteceu noutras adaptações. It ficou-me como sendo um espinho na reputação de King. Durante anos, usei-o como o exemplo de que até os grandes mestres, por vezes, metem água. Mas uma coisa é o livro, outra coisa é o filme. E o It sempre me ficou como um filme mau, penosamente longo e extremamente chato. Só anos mais tarde é que descobri que, afinal, o que tinha visto era uma mini-serie de TV, numa versão "colada" (dos dois episódios da série) como se fosse um só filme. Mas nem isso justificava a pouca qualidade e principalmente, a baixíssima intensidade do filme de Tommy Lee Wallace. Sendo que o vi para aí em 1991, admito que já pouco me lembro para quantificar porque é que era mau. Harry Anderson, Dennis Christopher, Richard Masur, Annette O'Toole, Tim Reid, John Ritter, Richard Thomas já nada me dizem. Tive de me socorrer da net para me lembrar das caras. Apenas Tim Curry como Pennywise é memorável. Nesse aspecto, é irrepreensível. A make-up e a interpretação de Tim Curry foram o suficiente para nunca mais me esquecer do It e do Pennywise. A trupe dos miúdos também retive. Naquela altura, havia uma série de miúdos que eram recorrentes em filmes como Emily Perkins, Ben Heller, Brandon Crane, Jonathan Brandis e Seth Green e que acabaram por me ficar na memória. Não faço a mínima ideia por onde andarão hoje em dia, mas é provável que ainda façam uns papéis secundários por aí. Ou talvez não. Mas tirando o grupo dos miúdos e o Pennywise, pouco mais mais restou na memória. O que é muito pouco. O resto foi demasiado fraco para perdurar na memória. Mas ainda assim, face ao sucesso do recente remake, acho que merecia destaque e uma nova reposição iria dar-lhe novos méritos. ●●○○○
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