Nesta altura de pandemia em que o cinema literalmente parou é uma boa altura para ir ao baú e desenterrar os clássicos. E nada melhor para isso que revisitar uma dos grandes clássicos da ficção científica, The Day the Earth Stood Still, que só pelo título seria um dos melhores filmes para descrever a situação actual.
A história passa-se na altura da Guerra Feira, quando um objecto voador misterioso é detectado a viajar a velocidades impossíveis pela atmosfera da Terra. Para surpresa de todos, o OVNI aterra gentilmente num parque em Washington. O pânico instala-se. Rodeado por forças militares fortemente armadas e hostis, do OVNI acaba por sair o que aparenta ser um homem "normal", acompanhado por um robot. O extraterrestre de forma humana chama-se Klaatu e o seu fiel e robusto robot dá pelo nome de GORT. Apesar da mensagem do extraterrestre ser de que vem em paz, o primeiro contacto entre as duas civilizações é muito pouco encorajador e não corre nada bem, já que um dos militares, em pânico, dispara contra ele. Isto faz com que percebam o enorme poder destrutivo do misterioso robot que o acompanha. Afinal, o que quer Klaatu? Será ele o mensageiro da esperança para um mundo em constante conflito? Ou será apenas o derradeiro ponto final da Humanidade?
The Day the Earth Stood Still é mesmo um dos grandes clássicos de sempre. A mensagem é tão actual agora como o era na época do embate surdo entre as duas super-potências nucleares. É inegável que este filme é um reflexo do seu tempo (a proliferação de armas nucleares), mas a história funciona bem em qualquer altura. Pensando bem, duma forma ou de outra, a humanidade parece que está sempre em conflito. Seja como for, a história é excelente. É baseado no conto de Harry Bates, Farewell to the Master, que diga-se recebeu apenas 500 dólares pelos direitos de autor. Outros tempos, sem dúvida. Não obstante este pormenor, a adaptação para cinema difere do conto: no original, o robot chama-se GNUT e no final revela que ele é que é o mestre do humanóide (que não passa de um clone com pouco tempo de vida) e não o contrário; daí o título original.
Michael Rennie como Klaatu, Patricia Neal como a compreensiva companheira humana e Hugh Marlowe no papel do homem intolerante, tratam dos principais papéis. Mas apesar de estarem todos bem, sinceramente, aqui o principal papel vai mesmo para as implicações de toda a história. Apesar das falhas cientificas (Klaatu diz que vem das profundezas do universo, mas a distancia fornecida é do interior do sistema Solar) que demonstram uma enorme inocência e desconhecimento científico tanto da produção como do próprio publico, The Day the Earth Stood Still tem uma simbologia muito própria que não é visível logo à primeira vista. Por exemplo, o nome terrestre que Klaatu adopta para se misturar com os humanos é "Carpenter" (Carpinteiro) numa clara alusão ao cristianismo que não pára por aqui. O facto de aparecer misteriosamente com uma mensagem de paz, aviso e conciliação; a personagem feminina chama-se "Mary"; e até o facto de Klaatu a determinada altura morrer e ressuscitar também não pode ser coincidência. É uma coisa engraçada que estes filmes antigolas têm: parece que há sempre um segundo sentido para além do que se está a ver.
Na cadeira do realizador está um senhor do cinema que dispensa apresentações, Robert Wise, que fez filmes de todos os estilos e para todos os gostos... e prémios. Para não ser maçador, apenas alguns exemplos para se perceber o calibre do homem: The Sound of Music, The Andromeda Strain, Star Trek: The Motion Picture, The Haunting e West Side Story. Acho que não é possível ser mais ecléctico. No lado sonoro, outra lenda, Bernard Herrmann, o mestre das orquestrações "estranhas". Aqui, o uso do teremim (um instrumento totalmente electrónico) ajudou a cimentar aquela que é "a" música da ficção científica...
The Day the Earth Stood Still continua a ser interessante hoje em dia, mesmo que tenha perdido uma parte da envolvência histórica daquele período marcante da história. Merece pelo menos, um lugar de destaque junto de outros grandes clássicos da ficção científica. ●●●●○
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Uns anos mais tarde após as três primeiras demandas, Indiana Jones regressa para mais uma aventura. Tudo se passa na década de 50, e desta vez, os inimigos são os frios e calculistas soviéticos e o artefacto perdido são umas caveiras de cristal... que são extraterrestres. Não só a personagem regressa mais velha e mais cansada, como também o próprio filme parece estranhamente já datado e desfasado dos anteriores. Indiana Jones and the Kingdom of the Crystal Skull é um filme que não entendo. Acho mesmo que nunca deveria ter acontecido e nunca deveria ter chegado às salas de cinema. É um desfecho (será?) inglório para uma saga memorável. Se o segundo filme (Temple of Doom) recebeu alguma crítica (até da minha parte) por fugir à "mitologia" dos outros dois, então o que dizer deste Kingdom of the Crystal Skull? Este filme não parece ter nascido no seio da mesma equipa criadora dos outros três. Parece que um ovni se despenhou na saga. E ovni até foi - sem querer - um bom paralelismo porque toda a história gira em torno de umas misteriosas caveiras de cristal que não são mais do que os crânios de uma civilização extraterrestre que ficou presa no tempo dos Maias... WTF? Mas o que é que se passou aqui? Ainda por cima, tendo por base toda a cultura Maia e afins? Não havia mais nenhuma história que se pudesse desenvolver aqui para além desta coisa ridícula dos extraterrestres? Cenas mitológicas? Artefactos estranhos e poderosos? A busca pela Atlântida? Parece-me que foi uma oportunidade perdida para mais uma boa aventura. Assim, o que ficou foi uma história desconexa, estranha e de tal forma ultra-fantasiosa que perde alguma da lógica verosímil dos outros filmes. Logo de início deu para perceber que algo não ia correr bem... Basta pensar que o filme começa com o Indiana Jones a fugir e a sobreviver (!) a uma eminente explosão nuclear recorrendo unicamente a um frigorífico indestrutível da década de 50... WTF? E aquela cena ridícula tipo Tarzan com os macacos e o filho do Indiana Jones (xxxx) a perseguirem carros numa floresta pendurados em lianas? WTF? Se a intenção era fugir da homenagem aos antigos filmes de aventura e passar para os antigos filmes de série B, acho que falharam redondamente. Há os filmes de série B com boas histórias e há aqueles que são simplesmente ridículos. A produção acertou em cheio na segunda categoria.
Harrison Ford volta como Indiana Jones num registo já evidentemente saudosista, ao mesmo tempo que parece cansado para o papel. Numa tentativa de voltar ao passado, regressa Karen Allen e ainda há a inclusão do esperado filho do Indiana Jones. Se a coisa corresse mesmo bem, estaria aqui a solução para uma nova geração de aventuras arqueológicas. Não foi o caso. Não sei o que aconteceu com Shia LaBeouf, mas de há uns anos para cá parece que queimou uns fusíveis. O moço tinha (e ainda parece ter) queda para a coisa, mas há algo de muito negro e pesado nas suas recentes aparições. Até mesmo num papel inócuo como este. Não sei porquê, mas até gosto do Shia, se calhar é mesmo pelo crazy eye... O restante pessoal até é de qualidade (Cate Blanchett, Ray Winstone, Jim Broadbent) mas estão todos reduzidos a personagens que parecem caricaturas. Destaque para um dos meus actores preferidos de sempre, John Hurt, que é um senhor em qualquer situação ou filme...
Instintivamente detecto padrões e reparei que sempre que o Indiana Jones não se cruza com os nazis, estranhamente o filme em questão decresce de qualidade. Da primeira vez (Temple of Doom) não funcionou lá muito bem e agora com esta cena das caveiras de cristal funcionou ainda muito pior. Será que vai haver uma terceira vez para comprovar a teoria? Se é para fazer uma idiotice destas, acho que o melhor é estarem quietos... ●○○○○
Harrison Ford volta como Indiana Jones num registo já evidentemente saudosista, ao mesmo tempo que parece cansado para o papel. Numa tentativa de voltar ao passado, regressa Karen Allen e ainda há a inclusão do esperado filho do Indiana Jones. Se a coisa corresse mesmo bem, estaria aqui a solução para uma nova geração de aventuras arqueológicas. Não foi o caso. Não sei o que aconteceu com Shia LaBeouf, mas de há uns anos para cá parece que queimou uns fusíveis. O moço tinha (e ainda parece ter) queda para a coisa, mas há algo de muito negro e pesado nas suas recentes aparições. Até mesmo num papel inócuo como este. Não sei porquê, mas até gosto do Shia, se calhar é mesmo pelo crazy eye... O restante pessoal até é de qualidade (Cate Blanchett, Ray Winstone, Jim Broadbent) mas estão todos reduzidos a personagens que parecem caricaturas. Destaque para um dos meus actores preferidos de sempre, John Hurt, que é um senhor em qualquer situação ou filme...
Instintivamente detecto padrões e reparei que sempre que o Indiana Jones não se cruza com os nazis, estranhamente o filme em questão decresce de qualidade. Da primeira vez (Temple of Doom) não funcionou lá muito bem e agora com esta cena das caveiras de cristal funcionou ainda muito pior. Será que vai haver uma terceira vez para comprovar a teoria? Se é para fazer uma idiotice destas, acho que o melhor é estarem quietos... ●○○○○
Highlander II: The Quickening... O que dizer desta "coisa"? Não é fácil... Depois de 6 anos de interregno, alguém se apercebeu que um filmito sem grande sucesso comercial, lentamente começava a ganhar fãs. E então, porque não fazer um sequela, e dar ao público o que ele quer? Pois então, tomem lá Highlander II: The Quickening. Esta sequela basicamente rasga toda a história do primeiro filme e atira-a para o lixo. Afinal o imortal já não é imortal. Afinal os imortais são extraterrestres e afinal aquela coisa do "haver só um no final" nunca existiu. E quanto à história? Ora deixa-me cá inventar uma coisa estúpida... Por exemplo. Vamos para o ano 2024 e vamos pegar numa coisa da moda, o desaparecimento da camada de ozono. Não sei se alguém ainda se lembra, mas na década de 90, um dos grandes temas da humanidade era o planeta ficar sem a camada de ozono... Comparativamente ao que se passa hoje em dia, é caso para dizer: bons velhos tempos, não?...
A seguir vamos pôr o Connor MacLeod como o engenheiro responsável pela criação de um escudo que protege a Terra. E o MacLeod vai lutar com quem? Já que ele era o último dos imortais, como se viu no último filme... Humm... deixa lá ver... Já sei. Afinal há mais imortais mas estão noutro planeta. Boa Ideia! Bem... Já nem sequer consigo gozar com isto. É tão ridículo e tão mal feito que nem tem graça. Podia chegar ao ponto de ser tão mau que acaba por ser bom, mas acho que até vai para além disso. É simplesmente ridículo. Lembro-me de o ter visto na altura e ter ficado com a sensação de ser roubado. Isto não tem nada a ver com o Highlander. É simplesmente um fraude de bilheteira.
Regressa uma parte do elenco original (Christopher Lambert e Sean Connery), mas de forma claramente chateada e a olhar para a conta bancária com mais atenção do que para o próprio filme. Estrearam-se Virginia Madsen, Michael Ironside e John C. McGinley, mas mais valia terem ficado em casa a ver o primeiro filme. Não há nada que se aproveite aqui. Não sei o que aconteceu com Russell Mulcahy, mas deve ter sido muito grave...
Highlander II: The Quickening é o exemplo mais marcante de tudo o que uma sequela não deve ser. É uma nulidade completa e um desrespeito à originalidade dos filmes. Um rotundo zero. ○○○○○
A seguir vamos pôr o Connor MacLeod como o engenheiro responsável pela criação de um escudo que protege a Terra. E o MacLeod vai lutar com quem? Já que ele era o último dos imortais, como se viu no último filme... Humm... deixa lá ver... Já sei. Afinal há mais imortais mas estão noutro planeta. Boa Ideia! Bem... Já nem sequer consigo gozar com isto. É tão ridículo e tão mal feito que nem tem graça. Podia chegar ao ponto de ser tão mau que acaba por ser bom, mas acho que até vai para além disso. É simplesmente ridículo. Lembro-me de o ter visto na altura e ter ficado com a sensação de ser roubado. Isto não tem nada a ver com o Highlander. É simplesmente um fraude de bilheteira.
Regressa uma parte do elenco original (Christopher Lambert e Sean Connery), mas de forma claramente chateada e a olhar para a conta bancária com mais atenção do que para o próprio filme. Estrearam-se Virginia Madsen, Michael Ironside e John C. McGinley, mas mais valia terem ficado em casa a ver o primeiro filme. Não há nada que se aproveite aqui. Não sei o que aconteceu com Russell Mulcahy, mas deve ter sido muito grave...
Highlander II: The Quickening é o exemplo mais marcante de tudo o que uma sequela não deve ser. É uma nulidade completa e um desrespeito à originalidade dos filmes. Um rotundo zero. ○○○○○
Num dia tão normal quanto tantos outros, a Terra (que é como quem diz a América...) é invadida por marcianos com grandes cérebros. Inteligentes, beligerantes e com um sentido humor absolutamente mortífero. Eis Mars Attacks!, versão Tim Burton.
Descobri que a ideia deste estranho Mars Attacks! partiu de um jogo de cartas criado por Len Brown e Woody Gelman e ilustrado por Norm Saunders. A estética está lá toda, só faltava mesmo uma história que unisse as personagens. Tim Burton, obviamente um apaixonado pelos filmes foleiros, tipo série C (ou D... conforme o mais baixo orçamento possível...), do género Ed Wood (pouco tempo antes tinha-lhe prestado uma homenagem com o filme do mesmo nome...) decidiu pegar nas personagens e tornar todo o filme numa visão sarcástica da América. Ele goza com os americanos no geral, com o Governo, com os Militares, com a influência da televisão e com a degradação da cultura. Ninguém fica a salvo do comentário incisivo e satírico de Burton. Provavelmente foi por causa disso que o filme não foi muito bem recebido. Ok. A aproximação tipo paródia desmiolada também pode ter ajudado às críticas, mas dar o salto da comédia para a pura sátira não costuma dar bons resultados... Parece-me que a maior parte das vezes, o público não entende bem a mensagem.
Tim Burton vinha de uma série de sucessos de bilheteira e crítica, uns atrás dos outros. Parecia imparável e parecia que podia fazer e dizer o que quisesse. Mars Attacks!, juntamente com o anterior Ed Wood, marcaram uma inflexão nas críticas positivas. Acho que a crítica também não vai muito à bola com a sátira. Mas apesar da baixa nas críticas, Burton continuou a ser um nome com que qualquer actor queria trabalhar. Mars Attacks! é um filme meio louco, mas mesmo assim conseguiu juntar um casting com nomes de peso que só se conseguem encontrar em grandes produções destinadas aos melhores Óscares. Os nomes são mesmo de peso: Jack Nicholson, Glenn Close, Annette Bening, Pierce Brosnan, Danny DeVito, Martin Short, Sarah Jessica Parker, Michael J. Fox, Rod Steiger, Lukas Haas, Natalie Portman e o mais importante de todos, o Tom Jones, que com a sua música funky consegue finalmente... bem o melhor é mesmo ver. Parecia que toda a gente queria entrar neste filme...
Mars Attacks! é tão fora da caixa e tão louco que vai deixar poucas pessoas indiferentes. Este é um daqueles filmes que se ama ou se odeia. Não tem meio termo. Não desgosto, mas prefiro a parte mais gótica e a loucura mais controlada do Tim Burton... ●●●○○
Descobri que a ideia deste estranho Mars Attacks! partiu de um jogo de cartas criado por Len Brown e Woody Gelman e ilustrado por Norm Saunders. A estética está lá toda, só faltava mesmo uma história que unisse as personagens. Tim Burton, obviamente um apaixonado pelos filmes foleiros, tipo série C (ou D... conforme o mais baixo orçamento possível...), do género Ed Wood (pouco tempo antes tinha-lhe prestado uma homenagem com o filme do mesmo nome...) decidiu pegar nas personagens e tornar todo o filme numa visão sarcástica da América. Ele goza com os americanos no geral, com o Governo, com os Militares, com a influência da televisão e com a degradação da cultura. Ninguém fica a salvo do comentário incisivo e satírico de Burton. Provavelmente foi por causa disso que o filme não foi muito bem recebido. Ok. A aproximação tipo paródia desmiolada também pode ter ajudado às críticas, mas dar o salto da comédia para a pura sátira não costuma dar bons resultados... Parece-me que a maior parte das vezes, o público não entende bem a mensagem.
Tim Burton vinha de uma série de sucessos de bilheteira e crítica, uns atrás dos outros. Parecia imparável e parecia que podia fazer e dizer o que quisesse. Mars Attacks!, juntamente com o anterior Ed Wood, marcaram uma inflexão nas críticas positivas. Acho que a crítica também não vai muito à bola com a sátira. Mas apesar da baixa nas críticas, Burton continuou a ser um nome com que qualquer actor queria trabalhar. Mars Attacks! é um filme meio louco, mas mesmo assim conseguiu juntar um casting com nomes de peso que só se conseguem encontrar em grandes produções destinadas aos melhores Óscares. Os nomes são mesmo de peso: Jack Nicholson, Glenn Close, Annette Bening, Pierce Brosnan, Danny DeVito, Martin Short, Sarah Jessica Parker, Michael J. Fox, Rod Steiger, Lukas Haas, Natalie Portman e o mais importante de todos, o Tom Jones, que com a sua música funky consegue finalmente... bem o melhor é mesmo ver. Parecia que toda a gente queria entrar neste filme...
Mars Attacks! é tão fora da caixa e tão louco que vai deixar poucas pessoas indiferentes. Este é um daqueles filmes que se ama ou se odeia. Não tem meio termo. Não desgosto, mas prefiro a parte mais gótica e a loucura mais controlada do Tim Burton... ●●●○○
Não sou um grande fã de remakes. Mas por vezes, passam tantos anos desde que o filme original saiu que é quase uma obrigação refazê-lo. No entanto, quando se toca num clássico como The War of the Worlds é preciso ter muita atenção como se vai pegar na coisa. Dou graças por ter sido o Steven Spielberg a pegar no filme original e dar-lhe uma nova roupagem para o século XXI. Apenas uma pessoa naturalmente talentosa para o cinema e que tem grande respeito pelos filmes, é que poderia pegar nisto em condições. E Spielberg foi muito inteligente na forma como o fez.
Não só pegou na história original do livro e foi buscar os elementos que só poderiam ser criados visualmente agora, como foi buscar também todos os melhores elementos do filme original, mesmo os que não sendo da história, de certa forma foram marcantes. Seria engraçado ver os dois filmes lado a a lado, juntamente com uma leitura do livro para perceber isto melhor. Gene Barry e Ann Robinson, os actores originais do primeiro filme têm um pequeno papel no final deste, e isso só prova o quanto Spielberg elogia o filme original. Respeito é uma coisa muito bonita. Cenas inteiras, como por exemplo aquela com um Tim Robbins deliciosamente paranóico numa cave, foram recreadas magistralmente. A juntar a esta prova de inteligência cinematográfica, há um leque de muito bons actores e os melhores efeitos especiais que o dinheiro consegue comprar actualmente... dificilmente esta nova versão poderia ser má.
Steven Spielberg é um gajo que dispensa apresentações. Durante muito tempo, achei que era o melhor realizador do mundo. São tantos os êxitos e tantas as criações originais que facilmente é um gajo para ficar na história. Mas para além das questões técnicas e da visão que ele tem do cinema, há que ressalvar o pormenor de ser um dos gajos mais eclécticos da história do cinema. Vai do drama familiar às invasões extraterrestres com a mesma mestria. Neste caso, até misturou as duas e juntou um dos temas mais transversais dos seus filmes: a separação familiar.
Ray (Tom Cruise) é um trabalhador das docas, divorciado de Mary (Miranda Otto) e que fica no fim de semana com os dois filhos (Dakota Fanning e Justin Chatwin). A relação de Ray com os filhos não é das melhores, mas vai ficar ainda pior quando uma gigantesca tempestade se abate sobre a vizinhança. As coisas ficam ainda piores quando uma série de naves robóticas gigantes irrompem do chão e desatam a destruir tudo e a matar toda a gente. É o início de uma invasão extraterrestre em larga escala. O plano de Ray é levar os filhos para a segurança da casa da mãe, mas essa não vai ser um tarefa fácil, num país em total estado de guerra aberta. Pelo caminho, as relações entre o trio vão ser levadas ao limite.
Esta parte mais familiar foi a contribuição de Spielberg para esta nova versão de War of the Worlds. É uma mistura de novos elementos, partes icónicas do primeiro filme e a base estrutural do livro. Está muito bem feito a todos os níveis. O design das naves, os efeitos especiais, o som, a musica de John Williams, o ritmo da montagem do filme, as implicações sociais duma invasão deste género, a estrutura familiar em stress, o suspense e o (quase) terror quando tem de ser... War of the Worlds é mais um excelente acto de malabarismo de um mestre do cinema. Um novo clássico e um excelente cartão de visita para os remakes. Muito bom. ●●●●○
Não só pegou na história original do livro e foi buscar os elementos que só poderiam ser criados visualmente agora, como foi buscar também todos os melhores elementos do filme original, mesmo os que não sendo da história, de certa forma foram marcantes. Seria engraçado ver os dois filmes lado a a lado, juntamente com uma leitura do livro para perceber isto melhor. Gene Barry e Ann Robinson, os actores originais do primeiro filme têm um pequeno papel no final deste, e isso só prova o quanto Spielberg elogia o filme original. Respeito é uma coisa muito bonita. Cenas inteiras, como por exemplo aquela com um Tim Robbins deliciosamente paranóico numa cave, foram recreadas magistralmente. A juntar a esta prova de inteligência cinematográfica, há um leque de muito bons actores e os melhores efeitos especiais que o dinheiro consegue comprar actualmente... dificilmente esta nova versão poderia ser má.
Steven Spielberg é um gajo que dispensa apresentações. Durante muito tempo, achei que era o melhor realizador do mundo. São tantos os êxitos e tantas as criações originais que facilmente é um gajo para ficar na história. Mas para além das questões técnicas e da visão que ele tem do cinema, há que ressalvar o pormenor de ser um dos gajos mais eclécticos da história do cinema. Vai do drama familiar às invasões extraterrestres com a mesma mestria. Neste caso, até misturou as duas e juntou um dos temas mais transversais dos seus filmes: a separação familiar.
Ray (Tom Cruise) é um trabalhador das docas, divorciado de Mary (Miranda Otto) e que fica no fim de semana com os dois filhos (Dakota Fanning e Justin Chatwin). A relação de Ray com os filhos não é das melhores, mas vai ficar ainda pior quando uma gigantesca tempestade se abate sobre a vizinhança. As coisas ficam ainda piores quando uma série de naves robóticas gigantes irrompem do chão e desatam a destruir tudo e a matar toda a gente. É o início de uma invasão extraterrestre em larga escala. O plano de Ray é levar os filhos para a segurança da casa da mãe, mas essa não vai ser um tarefa fácil, num país em total estado de guerra aberta. Pelo caminho, as relações entre o trio vão ser levadas ao limite.
Esta parte mais familiar foi a contribuição de Spielberg para esta nova versão de War of the Worlds. É uma mistura de novos elementos, partes icónicas do primeiro filme e a base estrutural do livro. Está muito bem feito a todos os níveis. O design das naves, os efeitos especiais, o som, a musica de John Williams, o ritmo da montagem do filme, as implicações sociais duma invasão deste género, a estrutura familiar em stress, o suspense e o (quase) terror quando tem de ser... War of the Worlds é mais um excelente acto de malabarismo de um mestre do cinema. Um novo clássico e um excelente cartão de visita para os remakes. Muito bom. ●●●●○
Acho que toda a gente conhece o livro do H. G. Wells, The War of the Worlds. Mesmo para quem não leu, como é o meu caso (falha que pretendo resolver muito em breve), acaba por ser um daqueles títulos que parece que existe desde sempre e que é do conhecimento geral. Quando saiu em 1898, foi um dos primeiros livros com a temática do conflito entre humanos e uma outra raça que veio do espaço. Com uma premissa tão potente era uma questão de tempo até que chegasse ao grande ecrã. A Paramount comprou os direitos em 1924, mas só em 1953 é que o filme veria a luz do dia.
Para isso, o estúdio juntou um dos grandes nomes da altura da ficção cientifica, George Pal e deu-lhe liberdade criativa. A realização ficou a cargo de Byron Haskin, um realizador profícuo das décadas de 40 e 50, mas também um dos grandes nomes dos efeitos especiais da época. Teria mesmo de ser um equipa assim, pois The War of the Worlds era o blockbuster de acção e efeitos especiais daquela altura.
Tal como acontece hoje em dia, a acção e os efeitos especiais são os verdadeiros actores principais do filme. Gene Barry e Ann Robinson formam o par romântico, mas as personagens não têm muito relevância na história. A título de curiosidade... Tanto Gene Barry como Ann Robinson contracenaram novamente no remake de Steven Spielberg do The War of the Worlds, interpretando os papéis dos avós dos miúdos, na versão de 2005. É um pormenor importante, porque nota-se que Spielberg fez uma nova versão mais fiel do livro em relação à história original, mas no entanto usou muitos elementos deste filme. Mas isso é outra história.
Pelo que li, o filme tem algumas diferenças em relação ao livro, sendo que isso aconteceu não só por motivos de adaptar a história para o século XX e para o perigo latente da Guerra Fria, mas também porque haviam problemas técnicos caso a adaptação fosse literal. Por exemplo, os célebres tripods foram substituídos pelas máquinas de guerra marcianas porque não havia forma de pôr as máquinas a andar; assim optou-se pelas máquinas voadoras. Também a inclinação para um contexto mais religioso, e o uso da bomba atómica foram uma novidade do filme. No campo técnico, mesmo que os efeitos especiais pareçam amadores ou risíveis, nos anos 50 eram o supra-sumo da arte. Na adaptação do guião, nota-se uma tentativa da produção em ser o mais fiel possível ao livro, mas também se nota uma modernização da história, por forma a ir de encontro com a realidade daquele momento, sendo que o pormenor mais gritante é facto de se estar a entrar num período agudo da Humanidade, como foi o caso da Guerra Fria (entre americanos e russos na sequência do pós-guerra mundial). A própria questão da invasão alienígena não é um mero pormenor, numa América paranóica, em suspense, à espera duma invasão repentina por parte dos russos...
No início do filme é bastante gritante o enquadramento quando mencionam a I e a II Guerra Mundial. Agora a Humanidade seria confrontada com uma nova guerra, mais uma invasão, mas por parte de um inimigo aparentemente invencível. E essa é uma perspectiva totalmente nova.
Por outro lado... os marcianos. Toda esta história acontece, porque os habitantes de Marte têm o seu planeta em perigo. Esgotados os recursos do seu planeta, os marcianos avaliam todos os outros corpos celestes do sistema solar, mas chegam à conclusão que o melhor e mais dotado de todos, é a Terra. E é então que decidem invadir. Dotados de melhores armas, mais inteligentes e em maior número, invadem a Terra, eliminando facilmente qualquer ameaça dos humanos. Quando tudo parecia perdido, eis que a Natureza, mais precisamente a natureza microscópica salva a Humanidade, quando todo o poderio militar nem um dano conseguiu infligir à força invasora.
Acho que é por causa destes pormenores que The War of the Worlds é um história que nunca passa de moda. Para todos os efeitos é um conto moralista que encosta a fanfarronice militar às cordas e nos lembra do nosso tamanho e lugar na vastidão do Universo. É uma história de alerta para a constante arrogância humana e para a nossa forma estúpida de tentar resolver tudo, construindo uma bomba maior que a do vizinho...
Mas não consigo deixar de pensar numa coisa. Numa altura de pandemia, em que um vírus minúsculo, tão minúsculo que é invisível a olho nu, põe literalmente a humanidade de joelhos, à espera em casa, sinceramente pensei que tanto o livro, como este filme voltassem a estar na ordem do dia. De certa forma, nesta nova versão moderna que vivemos hoje, não seremos nós a espécie invasora? Dá que pensar... ●●●●○
Para isso, o estúdio juntou um dos grandes nomes da altura da ficção cientifica, George Pal e deu-lhe liberdade criativa. A realização ficou a cargo de Byron Haskin, um realizador profícuo das décadas de 40 e 50, mas também um dos grandes nomes dos efeitos especiais da época. Teria mesmo de ser um equipa assim, pois The War of the Worlds era o blockbuster de acção e efeitos especiais daquela altura.
Tal como acontece hoje em dia, a acção e os efeitos especiais são os verdadeiros actores principais do filme. Gene Barry e Ann Robinson formam o par romântico, mas as personagens não têm muito relevância na história. A título de curiosidade... Tanto Gene Barry como Ann Robinson contracenaram novamente no remake de Steven Spielberg do The War of the Worlds, interpretando os papéis dos avós dos miúdos, na versão de 2005. É um pormenor importante, porque nota-se que Spielberg fez uma nova versão mais fiel do livro em relação à história original, mas no entanto usou muitos elementos deste filme. Mas isso é outra história.
Pelo que li, o filme tem algumas diferenças em relação ao livro, sendo que isso aconteceu não só por motivos de adaptar a história para o século XX e para o perigo latente da Guerra Fria, mas também porque haviam problemas técnicos caso a adaptação fosse literal. Por exemplo, os célebres tripods foram substituídos pelas máquinas de guerra marcianas porque não havia forma de pôr as máquinas a andar; assim optou-se pelas máquinas voadoras. Também a inclinação para um contexto mais religioso, e o uso da bomba atómica foram uma novidade do filme. No campo técnico, mesmo que os efeitos especiais pareçam amadores ou risíveis, nos anos 50 eram o supra-sumo da arte. Na adaptação do guião, nota-se uma tentativa da produção em ser o mais fiel possível ao livro, mas também se nota uma modernização da história, por forma a ir de encontro com a realidade daquele momento, sendo que o pormenor mais gritante é facto de se estar a entrar num período agudo da Humanidade, como foi o caso da Guerra Fria (entre americanos e russos na sequência do pós-guerra mundial). A própria questão da invasão alienígena não é um mero pormenor, numa América paranóica, em suspense, à espera duma invasão repentina por parte dos russos...
No início do filme é bastante gritante o enquadramento quando mencionam a I e a II Guerra Mundial. Agora a Humanidade seria confrontada com uma nova guerra, mais uma invasão, mas por parte de um inimigo aparentemente invencível. E essa é uma perspectiva totalmente nova.
Por outro lado... os marcianos. Toda esta história acontece, porque os habitantes de Marte têm o seu planeta em perigo. Esgotados os recursos do seu planeta, os marcianos avaliam todos os outros corpos celestes do sistema solar, mas chegam à conclusão que o melhor e mais dotado de todos, é a Terra. E é então que decidem invadir. Dotados de melhores armas, mais inteligentes e em maior número, invadem a Terra, eliminando facilmente qualquer ameaça dos humanos. Quando tudo parecia perdido, eis que a Natureza, mais precisamente a natureza microscópica salva a Humanidade, quando todo o poderio militar nem um dano conseguiu infligir à força invasora.
Acho que é por causa destes pormenores que The War of the Worlds é um história que nunca passa de moda. Para todos os efeitos é um conto moralista que encosta a fanfarronice militar às cordas e nos lembra do nosso tamanho e lugar na vastidão do Universo. É uma história de alerta para a constante arrogância humana e para a nossa forma estúpida de tentar resolver tudo, construindo uma bomba maior que a do vizinho...
Mas não consigo deixar de pensar numa coisa. Numa altura de pandemia, em que um vírus minúsculo, tão minúsculo que é invisível a olho nu, põe literalmente a humanidade de joelhos, à espera em casa, sinceramente pensei que tanto o livro, como este filme voltassem a estar na ordem do dia. De certa forma, nesta nova versão moderna que vivemos hoje, não seremos nós a espécie invasora? Dá que pensar... ●●●●○
O ano é 2065. A terra foi devastada pela invasão de uma misteriosa raça de extraterrestres parecidos com espíritos. A humanidade está de joelhos e a única esperança recai sobre Aki Ross, uma jovem e brilhante cientista, que luta contra o tempo para salvar o planeta e também a si, já que foi infectada, como aconteceu como a maior parte da população. Para isso vai ter a ajuda preciosa de um grupo de militares liderado pelo seu namorado. Pelo meio vão ter de enfrentar também o General Hein que tem um plano para destruir de uma vez por todas os extraterrestres, nem que para isso tenha de destruir o próprio planeta.
Nos últimos anos, o mundo dos videojogos tem tomado de assalto o mundo do cinema. Não só tem sido material para adaptações, como de certa forma, tem vindo a influenciar a forma como a narrativa dos filmes tem evoluído. A lógica de plataformas há muito que foi abandonada nos jogos. A lógica mais recente é ter uma narrativa do género: ir em busca de uma chave que permita abrir uma porta, que revela uma nova chave para abrir uma outra porta. Em parte, este truque simples de empurrar a narrativa para a frente sem acrescentar muita história e intercalar com cenas espectaculares de acção, tem sido o motor da maior parte dos filmes de acção dos últimos anos. Mas este não é o caso. Apesar de estar carregado de cenas de acção, Final Fantasy: The Spirits Within segue mais uma lógica de anime, com uma aproximação mais filosófica do que os filmes americanos. Esta é uma vantagem porque o filme não se torna tão entediante e até tem alguma substância. Obviamente, essa foi a razão do seu insucesso. O público não estava muito virado para este tipo de narrativas. O filme esteve tão mau nas bilheteiras que levou a produtora Square Pictures à falência.
Final Fantasy: The Spirits Within é um portento técnico que levou quatro anos a ser concluído. Foi a primeira longa-metragem animada por computador que tinha humanos "verdadeiros", ou melhor dizendo, personagens humanas foto-realistas. Nunca se tinha visto nada igual. O filme foi tão avançado para o seu tempos que ainda hoje se aguenta bastante bem. A técnica de captura de movimentos que foi pioneira aqui, foi aproveitada logo de seguida para criar uma personagem conhecida de todos, o Gollum do Lord of the Rings. E é esta técnica, entretanto aprimorada, que ainda hoje se usa. É fantástico. No entanto, na altura era terreno desconhecido. Nunca ninguém tinha feito nada do género. A evolução no campo técnico foi de tal forma rápida que quando chegaram ao fim da produção para fazer a montagem final, tiveram de refazer a parte inicial do filmes porque já se notava a diferença na qualidade da imagem.
Para além da parte técnica, Final Fantasy ainda levantou questões novas. Dar vozes a desenhos animados, não era novidade. Mas dar vozes a figuras humanas digitais já era outra história. Ficaram célebres as reacções precipitadas de alguns actores que perceberam que podiam ficar no desemprego para sempre se a moda de "criar" actores virtuais pegasse na indústria. Tom Hanks foi uma desas vozes e Matt Dillon, que tinha o segundo papel mais importante, recusou participar no filme quando viu a qualidade das imagens. Afinal, não aconteceu nada... Para já...
Ming-Na Wen, Alec Baldwin, Ving Rhames, Steve Buscemi, Donald Sutherland e James Woods dão as vozes aos corpos digitais.
Escrito e realizado por Hironobu Sakaguchi (um mago dos videojogos), Final Fantasy: The Spirits Within é um daqueles filmes que me ficou na memória. Não só pela questão técnica que me deixou de boca aberta durante muito tempo, mas também pela lógica filosófica subjacente. As potencialidades da história e da narrativa são tão grandes que não tarda nada, deve regressar na forma de série de TV. É quase certo. Só basta alguém na Netflix ler este texto para se aperceber que o filme existe... Já está um pouco datado no tempo, mas ainda assim vê-se muito bem. ●●●○○
Nos últimos anos, o mundo dos videojogos tem tomado de assalto o mundo do cinema. Não só tem sido material para adaptações, como de certa forma, tem vindo a influenciar a forma como a narrativa dos filmes tem evoluído. A lógica de plataformas há muito que foi abandonada nos jogos. A lógica mais recente é ter uma narrativa do género: ir em busca de uma chave que permita abrir uma porta, que revela uma nova chave para abrir uma outra porta. Em parte, este truque simples de empurrar a narrativa para a frente sem acrescentar muita história e intercalar com cenas espectaculares de acção, tem sido o motor da maior parte dos filmes de acção dos últimos anos. Mas este não é o caso. Apesar de estar carregado de cenas de acção, Final Fantasy: The Spirits Within segue mais uma lógica de anime, com uma aproximação mais filosófica do que os filmes americanos. Esta é uma vantagem porque o filme não se torna tão entediante e até tem alguma substância. Obviamente, essa foi a razão do seu insucesso. O público não estava muito virado para este tipo de narrativas. O filme esteve tão mau nas bilheteiras que levou a produtora Square Pictures à falência.
Final Fantasy: The Spirits Within é um portento técnico que levou quatro anos a ser concluído. Foi a primeira longa-metragem animada por computador que tinha humanos "verdadeiros", ou melhor dizendo, personagens humanas foto-realistas. Nunca se tinha visto nada igual. O filme foi tão avançado para o seu tempos que ainda hoje se aguenta bastante bem. A técnica de captura de movimentos que foi pioneira aqui, foi aproveitada logo de seguida para criar uma personagem conhecida de todos, o Gollum do Lord of the Rings. E é esta técnica, entretanto aprimorada, que ainda hoje se usa. É fantástico. No entanto, na altura era terreno desconhecido. Nunca ninguém tinha feito nada do género. A evolução no campo técnico foi de tal forma rápida que quando chegaram ao fim da produção para fazer a montagem final, tiveram de refazer a parte inicial do filmes porque já se notava a diferença na qualidade da imagem.
Para além da parte técnica, Final Fantasy ainda levantou questões novas. Dar vozes a desenhos animados, não era novidade. Mas dar vozes a figuras humanas digitais já era outra história. Ficaram célebres as reacções precipitadas de alguns actores que perceberam que podiam ficar no desemprego para sempre se a moda de "criar" actores virtuais pegasse na indústria. Tom Hanks foi uma desas vozes e Matt Dillon, que tinha o segundo papel mais importante, recusou participar no filme quando viu a qualidade das imagens. Afinal, não aconteceu nada... Para já...
Ming-Na Wen, Alec Baldwin, Ving Rhames, Steve Buscemi, Donald Sutherland e James Woods dão as vozes aos corpos digitais.
Escrito e realizado por Hironobu Sakaguchi (um mago dos videojogos), Final Fantasy: The Spirits Within é um daqueles filmes que me ficou na memória. Não só pela questão técnica que me deixou de boca aberta durante muito tempo, mas também pela lógica filosófica subjacente. As potencialidades da história e da narrativa são tão grandes que não tarda nada, deve regressar na forma de série de TV. É quase certo. Só basta alguém na Netflix ler este texto para se aperceber que o filme existe... Já está um pouco datado no tempo, mas ainda assim vê-se muito bem. ●●●○○
John Murdoch (Rufus Sewell) acorda numa banheira num quarto de hotel, sofrendo de amnésia, apenas para perceber que é um fugitivo, perseguido pelo Inspector Frank Bumstead (William Hurt) e acusado de uma série de crimes brutais. Para além de ser perseguido pela polícia, John também é perseguido por uns seres estranhos que conseguem parar o tempo e alterar a realidade.
Para fugir e tentar encontrar respostas para a sua identidade esquecida vai ter a ajuda do Dr. Daniel Schrebe (Kiefer Sutherland) e da belíssima cantora de bar Emma Murdoch (Jennifer Connelly).
Dark City é o filme apresentado por Alex Proyas depois do imenso sucesso que foi The Crow. Nota-se que o salto visual não foi assim tão grande porque a ambiência negra desse filme ainda parece bastante presente, o que é um factor positivo. Mas está um pequeno degrau abaixo (principalmente por causa de... bem não vou dizer...), mas ainda assim um filme muito bom. Um clássico da ficção científica dos anos 90 e um dos grandes filmes de género. É uma estranha mistura: busca inspiração na estética e narrativa dos film noir dos anos 40 e 50, mas também vai beber a filosofia da ficção cientifica asiática, tudo envolto numa lógica de acção e mistério. Metrópolis encontra o Akira, é a primeira coisa que me vem à cabeça. A história é muito boa e original, mas vai em decrescendo: ou seja, começa (muito)melhor do que acaba.
Excelente design de produção. Aliás é tão bom que partes do cenário foram transferidas para as filmagens do Matrix. Sem querer misturar os dois conceitos, há uma grande ligação entre os dois filmes. Estreados com um ano de diferença, os dois partilham uma estética "negra" e ambos lidam com a questão da natureza humana e do que é realidade e o que não é. No Matrix as máquinas comandam os seres humanos na sombra que não têm noção da realidade; no Dark City são seres com uma mentalidade colectiva que fazem experiências em humanos e querem descobrir os segredos da alma humana. (Porra! Já falei de mais...) Apesar das diferenças óbvias, pessoalmente, que na altura vi os dois filmes no cinema com pouco tempo de intervalo, nunca consegui verdadeiramente dissociar um filme do outro.
Tem bons actores, excelente fotografia, muito boa realização e especialmente, um grande história. Dark City é um daqueles filmes que me ficaram no cérebro. É tipicamente negro e tipicamente Alex Proyas. Um dos meus filmes preferidos no campo da ficção científica. ●●●●○
Para fugir e tentar encontrar respostas para a sua identidade esquecida vai ter a ajuda do Dr. Daniel Schrebe (Kiefer Sutherland) e da belíssima cantora de bar Emma Murdoch (Jennifer Connelly).
Dark City é o filme apresentado por Alex Proyas depois do imenso sucesso que foi The Crow. Nota-se que o salto visual não foi assim tão grande porque a ambiência negra desse filme ainda parece bastante presente, o que é um factor positivo. Mas está um pequeno degrau abaixo (principalmente por causa de... bem não vou dizer...), mas ainda assim um filme muito bom. Um clássico da ficção científica dos anos 90 e um dos grandes filmes de género. É uma estranha mistura: busca inspiração na estética e narrativa dos film noir dos anos 40 e 50, mas também vai beber a filosofia da ficção cientifica asiática, tudo envolto numa lógica de acção e mistério. Metrópolis encontra o Akira, é a primeira coisa que me vem à cabeça. A história é muito boa e original, mas vai em decrescendo: ou seja, começa (muito)melhor do que acaba.
Excelente design de produção. Aliás é tão bom que partes do cenário foram transferidas para as filmagens do Matrix. Sem querer misturar os dois conceitos, há uma grande ligação entre os dois filmes. Estreados com um ano de diferença, os dois partilham uma estética "negra" e ambos lidam com a questão da natureza humana e do que é realidade e o que não é. No Matrix as máquinas comandam os seres humanos na sombra que não têm noção da realidade; no Dark City são seres com uma mentalidade colectiva que fazem experiências em humanos e querem descobrir os segredos da alma humana. (Porra! Já falei de mais...) Apesar das diferenças óbvias, pessoalmente, que na altura vi os dois filmes no cinema com pouco tempo de intervalo, nunca consegui verdadeiramente dissociar um filme do outro.
Tem bons actores, excelente fotografia, muito boa realização e especialmente, um grande história. Dark City é um daqueles filmes que me ficaram no cérebro. É tipicamente negro e tipicamente Alex Proyas. Um dos meus filmes preferidos no campo da ficção científica. ●●●●○
Para quem não conhece a história, Pennywise, o palhaço/metamorfo/alien do primeiro filme só aparece de 27 em 27 anos para aterrorizar os miúdos da povoação. Depois dos eventos do primeiro filme terem ficado mais ou menos resolvidos, Pennywise emerge novamente para uma série de macabros desenvolvimentos. No entanto, o grupo de sete miúdos já não é um grupo de sete miúdos. Entretanto, cresceram, saíram da pequena vila de Derry e por algo motivo esotérico, todos esqueceram a história original. Todos, menos um, que por coincidência foi o que nunca abandonou a vila. Novos acontecimentos aterradores levam a que se reúnam 27 anos depois no mesmo local e esperam-nos a presença maquiavélica de Pennywise para uma batalha final. Se na primeira adaptação original de It, toda a história foi misturada, aqui acabou por ficar dividida em duas partes distintas. De certa forma, faz mais sentido.
Em It: Chapter 2, toda a equipa regressa: Andy Muschietti volta à cadeira de realizador, assim como o elenco de miúdos em flashbacks: Jaeden Martell, Jeremy Ray Taylor, Sophia Lillis, Finn Wolfhard, Chosen Jacobs, Jack Dylan Grazer, Wyatt Oleff. Bill Skarsgård continua a ser terrorífico (no bom sentido) como Pennywise. E ainda chega todo um novo elenco, 27 anos mais velho: Jessica Chastain, James McAvoy, Bill Hader, Isaiah Mustafa, Isaiah Mustafa, Isaiah Mustafa e Isaiah Mustafa. Mas se a escolha do casting foi outra vez acertada, já o filme no seu todo acaba por ser um pouco mais desequilibrado que o primeiro. Primeiro, é longo demais, um problema recorrente do cinema moderno que parece não ter fim. E em segundo, o terror descamba muitas vezes e desnecessariamente para o gore. Também fiquei muitas vezes com a sensação de que estava a ver um remake do Nightmare on Elm Street em vez do remake do It, porque muitos dos jump scares habituais foram substituídos por cenas meio sonho, meio pesadelo, tudo envolto numa cena demasiado onírica, mas ao mesmo tempo previsível. Não me interpretem mal: acho muito bem que as referências sejam de filmes que sempre gostei, mas está na altura de fazer coisas novas em vez de andar sempre a dar no mesmo, não é verdade? Curiosamente (ou não), perto do final do filme, há uma cena perto de um cinema e o filme que estava a ser anunciado era o Nightmare on Elm Street 5... Coincidência? Talvez... talvez não. Se um dos próximos filmes de Muschietti for um remake de Elm Street, acho que já consigo responder...
Em resumo, no final fiquei um pouco desiludido. Depois da boa surpresa que foi o primeiro filme, fiquei com aquela sensação amarga de "mais do mesmo". Senti que foi uma coisa feita um pouco à pressa para responder rapidamente às boas críticas (e ao bom desempenho no box office) do primeiro filme. Ainda assim, acaba por ter bons momentos de terror aqui e ali e por isso vê-se relativamente bem. ●●○○○
Em It: Chapter 2, toda a equipa regressa: Andy Muschietti volta à cadeira de realizador, assim como o elenco de miúdos em flashbacks: Jaeden Martell, Jeremy Ray Taylor, Sophia Lillis, Finn Wolfhard, Chosen Jacobs, Jack Dylan Grazer, Wyatt Oleff. Bill Skarsgård continua a ser terrorífico (no bom sentido) como Pennywise. E ainda chega todo um novo elenco, 27 anos mais velho: Jessica Chastain, James McAvoy, Bill Hader, Isaiah Mustafa, Isaiah Mustafa, Isaiah Mustafa e Isaiah Mustafa. Mas se a escolha do casting foi outra vez acertada, já o filme no seu todo acaba por ser um pouco mais desequilibrado que o primeiro. Primeiro, é longo demais, um problema recorrente do cinema moderno que parece não ter fim. E em segundo, o terror descamba muitas vezes e desnecessariamente para o gore. Também fiquei muitas vezes com a sensação de que estava a ver um remake do Nightmare on Elm Street em vez do remake do It, porque muitos dos jump scares habituais foram substituídos por cenas meio sonho, meio pesadelo, tudo envolto numa cena demasiado onírica, mas ao mesmo tempo previsível. Não me interpretem mal: acho muito bem que as referências sejam de filmes que sempre gostei, mas está na altura de fazer coisas novas em vez de andar sempre a dar no mesmo, não é verdade? Curiosamente (ou não), perto do final do filme, há uma cena perto de um cinema e o filme que estava a ser anunciado era o Nightmare on Elm Street 5... Coincidência? Talvez... talvez não. Se um dos próximos filmes de Muschietti for um remake de Elm Street, acho que já consigo responder...
Em resumo, no final fiquei um pouco desiludido. Depois da boa surpresa que foi o primeiro filme, fiquei com aquela sensação amarga de "mais do mesmo". Senti que foi uma coisa feita um pouco à pressa para responder rapidamente às boas críticas (e ao bom desempenho no box office) do primeiro filme. Ainda assim, acaba por ter bons momentos de terror aqui e ali e por isso vê-se relativamente bem. ●●○○○
Na capítulo do terror, há um nome incontornável: Stephen King. Ponto. Aliás, ponto final, parágrafo. Para mim é o derradeiro criador das histórias de terror. Stephen King é um senhor e como tal sou grande fã. Já li muita coisa dele e raramente desilude. O homem tem mesmo jeito para a coisa. Se os livros são muito bons, seria lógico que resultassem em grandes adaptações para cinema, até porque King tem uma escrita muito "visual" e em certos aspectos quase cinematográfica. Em princípio seria uma vantagem, mas como se sabe, isso não é verdade. Os filmes decorrentes dos livros de Stephen King têm alternado entre os muitos bons e os fraquitos. Mas o problema é sempre o tratamento cinematográfico, nunca a história.
Li muitos livros e vi muitos filmes "Stephen King" nos anos 80 e 90, talvez a altura mais profícua do mestre. Algures no início dos anos 90, lembro-me de me emprestarem um livro enorme com o título enigmático de "It". Era um "trambolho". Um livro gigante que parecia ter umas 1000 páginas. Como estava em inglês e como sabia que era sobre um palhaço assassino, acabei por ficar apenas pelas primeiras folhas. Não tenho nenhuma fobia com palhaços, mas também não tenho grande apreço pela figura. Não porque me metam medo, mas porque sempre tive... pena dos palhaços. Em miúdo ia ao circo e ficava sempre chateado quando entravam os palhaços. Não sei como são agora, mas nos anos 80, só havia um numero de palhaços: o rico e o pobre. O palhaço rico pregava partidas ao palhaço pobre que ficava sempre a perder e era o gozo de todos. Pode parecer estranho, mas aquela situação sempre me angustiou. Ver ali uma pessoa a ser atirada ao chão, a levar chapadas e basicamente a ser gozada por toda a gente, deixava-me sempre triste. Devo ser empático demais, porque aquela situação era sempre muito constrangedora. Não gostava nada daquilo. Assustador, nunca é a minha primeira palavra para palhaços. É mais pena. Mas adiante...
Isto tudo para dizer que não gosto muito de palhaços e que por causa disso nunca li o It, apesar de estar na minha lista há anos. Mas pouco tempo depois da cena do livro, num video-clube qualquer apanhei uma cassete dupla (nome muito pouco técnico que se dava a filmes que vinham em duas cassetes por terem durações muito longas [e sim, havia uma limitação na fita magnética dos VHS...]) com a adaptação para filme do It. E desta vez, lá estava o palhaço demoníaco na capa. Pareceu-me bem, até porque nessa altura, terror era o meu tema de eleição. A expectativa era alta. A decepção foi ainda maior. Quando me emprestaram o livro foi com a premissa de que era mesmo muito assustador. Já o filme não foi assim tanto. Na altura, talvez eu estivesse tarimbado para outro tipo de terror mais hardcore, mas aquilo pareceu-me tudo muito fraquinho. Os efeitos especiais até eram jeitosos (para a altura), mas o susto era pouco. Era um bloco enorme e maçudo que pareceu arrastar-se lenta e penosamente durante mais de 3 horas, com muito pouco terror e uma história muito confusa que abarcava décadas da história dos sete miúdos e do palhaço Pennywise, cheia de flashbacks e flashfowards... que descamba no final, inesperadamente, em lutas nuns túneis contra uma aranha extraterrestre gigante... WTF?!? Para ser directo: naquela altura, detestei o filme. Pensei que tinham corrompido mais uma vez a escrita genial do Stephen King. Mas depois confirmei que a história era mesmo aquela e pelos vistos até era bastante fiel ao original, o que nem sempre aconteceu noutras adaptações. It ficou-me como sendo um espinho na reputação de King. Durante anos, usei-o como o exemplo de que até os grandes mestres, por vezes, metem água. Mas uma coisa é o livro, outra coisa é o filme. E o It sempre me ficou como um filme mau, penosamente longo e extremamente chato. Só anos mais tarde é que descobri que, afinal, o que tinha visto era uma mini-serie de TV, numa versão "colada" (dos dois episódios da série) como se fosse um só filme. Mas nem isso justificava a pouca qualidade e principalmente, a baixíssima intensidade do filme de Tommy Lee Wallace. Sendo que o vi para aí em 1991, admito que já pouco me lembro para quantificar porque é que era mau. Harry Anderson, Dennis Christopher, Richard Masur, Annette O'Toole, Tim Reid, John Ritter, Richard Thomas já nada me dizem. Tive de me socorrer da net para me lembrar das caras. Apenas Tim Curry como Pennywise é memorável. Nesse aspecto, é irrepreensível. A make-up e a interpretação de Tim Curry foram o suficiente para nunca mais me esquecer do It e do Pennywise. A trupe dos miúdos também retive. Naquela altura, havia uma série de miúdos que eram recorrentes em filmes como Emily Perkins, Ben Heller, Brandon Crane, Jonathan Brandis e Seth Green e que acabaram por me ficar na memória. Não faço a mínima ideia por onde andarão hoje em dia, mas é provável que ainda façam uns papéis secundários por aí. Ou talvez não. Mas tirando o grupo dos miúdos e o Pennywise, pouco mais mais restou na memória. O que é muito pouco. O resto foi demasiado fraco para perdurar na memória. Mas ainda assim, face ao sucesso do recente remake, acho que merecia destaque e uma nova reposição iria dar-lhe novos méritos. ●●○○○
Li muitos livros e vi muitos filmes "Stephen King" nos anos 80 e 90, talvez a altura mais profícua do mestre. Algures no início dos anos 90, lembro-me de me emprestarem um livro enorme com o título enigmático de "It". Era um "trambolho". Um livro gigante que parecia ter umas 1000 páginas. Como estava em inglês e como sabia que era sobre um palhaço assassino, acabei por ficar apenas pelas primeiras folhas. Não tenho nenhuma fobia com palhaços, mas também não tenho grande apreço pela figura. Não porque me metam medo, mas porque sempre tive... pena dos palhaços. Em miúdo ia ao circo e ficava sempre chateado quando entravam os palhaços. Não sei como são agora, mas nos anos 80, só havia um numero de palhaços: o rico e o pobre. O palhaço rico pregava partidas ao palhaço pobre que ficava sempre a perder e era o gozo de todos. Pode parecer estranho, mas aquela situação sempre me angustiou. Ver ali uma pessoa a ser atirada ao chão, a levar chapadas e basicamente a ser gozada por toda a gente, deixava-me sempre triste. Devo ser empático demais, porque aquela situação era sempre muito constrangedora. Não gostava nada daquilo. Assustador, nunca é a minha primeira palavra para palhaços. É mais pena. Mas adiante...
Isto tudo para dizer que não gosto muito de palhaços e que por causa disso nunca li o It, apesar de estar na minha lista há anos. Mas pouco tempo depois da cena do livro, num video-clube qualquer apanhei uma cassete dupla (nome muito pouco técnico que se dava a filmes que vinham em duas cassetes por terem durações muito longas [e sim, havia uma limitação na fita magnética dos VHS...]) com a adaptação para filme do It. E desta vez, lá estava o palhaço demoníaco na capa. Pareceu-me bem, até porque nessa altura, terror era o meu tema de eleição. A expectativa era alta. A decepção foi ainda maior. Quando me emprestaram o livro foi com a premissa de que era mesmo muito assustador. Já o filme não foi assim tanto. Na altura, talvez eu estivesse tarimbado para outro tipo de terror mais hardcore, mas aquilo pareceu-me tudo muito fraquinho. Os efeitos especiais até eram jeitosos (para a altura), mas o susto era pouco. Era um bloco enorme e maçudo que pareceu arrastar-se lenta e penosamente durante mais de 3 horas, com muito pouco terror e uma história muito confusa que abarcava décadas da história dos sete miúdos e do palhaço Pennywise, cheia de flashbacks e flashfowards... que descamba no final, inesperadamente, em lutas nuns túneis contra uma aranha extraterrestre gigante... WTF?!? Para ser directo: naquela altura, detestei o filme. Pensei que tinham corrompido mais uma vez a escrita genial do Stephen King. Mas depois confirmei que a história era mesmo aquela e pelos vistos até era bastante fiel ao original, o que nem sempre aconteceu noutras adaptações. It ficou-me como sendo um espinho na reputação de King. Durante anos, usei-o como o exemplo de que até os grandes mestres, por vezes, metem água. Mas uma coisa é o livro, outra coisa é o filme. E o It sempre me ficou como um filme mau, penosamente longo e extremamente chato. Só anos mais tarde é que descobri que, afinal, o que tinha visto era uma mini-serie de TV, numa versão "colada" (dos dois episódios da série) como se fosse um só filme. Mas nem isso justificava a pouca qualidade e principalmente, a baixíssima intensidade do filme de Tommy Lee Wallace. Sendo que o vi para aí em 1991, admito que já pouco me lembro para quantificar porque é que era mau. Harry Anderson, Dennis Christopher, Richard Masur, Annette O'Toole, Tim Reid, John Ritter, Richard Thomas já nada me dizem. Tive de me socorrer da net para me lembrar das caras. Apenas Tim Curry como Pennywise é memorável. Nesse aspecto, é irrepreensível. A make-up e a interpretação de Tim Curry foram o suficiente para nunca mais me esquecer do It e do Pennywise. A trupe dos miúdos também retive. Naquela altura, havia uma série de miúdos que eram recorrentes em filmes como Emily Perkins, Ben Heller, Brandon Crane, Jonathan Brandis e Seth Green e que acabaram por me ficar na memória. Não faço a mínima ideia por onde andarão hoje em dia, mas é provável que ainda façam uns papéis secundários por aí. Ou talvez não. Mas tirando o grupo dos miúdos e o Pennywise, pouco mais mais restou na memória. O que é muito pouco. O resto foi demasiado fraco para perdurar na memória. Mas ainda assim, face ao sucesso do recente remake, acho que merecia destaque e uma nova reposição iria dar-lhe novos méritos. ●●○○○
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Nesta nova entrega da saga Men in Black mudou tudo. Mudou o realizador (F. Gary Gray) e da "equipa" original apenas ficou a Emma Thompson e por isso entraram o Chris Hemsworth, a Tessa Thompson e o Liam Neeson. Infelizmente, o que também mudou foi a qualidade geral do filme. É um dos casos em que se percebe perfeitamente a diferença que um realizador faz... A diferença dos Men in Black do Barry Sonnefeld para esta nova entrega é gigantesca. Agora é apenas mais um filme sem graça, sem história, sem nada... apenas fogo de artifício. Exactamente como o publico actual gosta. Uma peça estática que está ali para "entreter" passivamente o consumidor de nachos e pipocas. Ainda que fosse mais ou menos esperado, foi uma enorme decepção, porque sempre gostei desta saga cómica de extraterrestres. Agora transformou-se num mero "êxito de bilheteira". Mais uma folha de Excel para entreter os financeiros dos estúdios... É pena. ●○○○○
O enredo de base de A Quiet Place é simples e já muito batido. O mundo foi invadido por extraterrestres que caçam com base no som e uma família isolada tem que lidar com alguns deles para poder sobreviver num cenário pós-apocalíptico. Vi este filme a contra gosto e com expectativas muito baixas, porque pensei que ia ver outra chacha de terror/acção/efeitos com adolescentes aos saltos entremeados por jump scares totalmente previsíveis. Foi-me indicado por um miúdo de 15 anos que gostou muito do filme e isso levou-me logo a pensar em parafernálias digitais infindáveis e acção estonteante e imparável. De certa forma, com aquela sugestão do miúdo, recuperei um pouco a fé na humanidade porque o filme é realmente bom e totalmente diferente do que estava à espera. Lá está... a questão das expectativas é muito importante nos filmes e na sua avaliação final... A acção vem precisamente da contenção da própria acção, o que diga-se, é muito raro hoje em dia. Suspense e montes de situações em que uma pessoa literalmente fica agarrado, em tensão, à cadeira é o que se pode esperar deste A Quiet Place.
Emily Blunt, John Krasinski, Millicent Simmonds, Noah Jupe e Cade Woodward compõe esta família sob pressão alienígena. A questão do som é de facto muito importante, tanto na questão familiar (a filha é muda e só comunica por linguagem gestual), mas também como um elemento extra de tensão...
Apesar de ser uma produção relativamente pequena, vale mais que muitos filmes de grande orçamento. É mais um bom filmito feito com recursos muito limitados, centrando a acção numa história muito bem construída e muito bem montada. Uma vénia para John Krasinski que para além de actor, assina também a realização. As cenas de tensão são muito boas, por vezes dramáticas e consegue afastar-se dos inevitáveis jump scares do costumeiro filme de terror. É uma lufada de ar fresco no género e no cinema de entretenimento em geral. Totalmente recomendado. ●●●○○
Emily Blunt, John Krasinski, Millicent Simmonds, Noah Jupe e Cade Woodward compõe esta família sob pressão alienígena. A questão do som é de facto muito importante, tanto na questão familiar (a filha é muda e só comunica por linguagem gestual), mas também como um elemento extra de tensão...
Apesar de ser uma produção relativamente pequena, vale mais que muitos filmes de grande orçamento. É mais um bom filmito feito com recursos muito limitados, centrando a acção numa história muito bem construída e muito bem montada. Uma vénia para John Krasinski que para além de actor, assina também a realização. As cenas de tensão são muito boas, por vezes dramáticas e consegue afastar-se dos inevitáveis jump scares do costumeiro filme de terror. É uma lufada de ar fresco no género e no cinema de entretenimento em geral. Totalmente recomendado. ●●●○○
O enredo de Life é bastante simples: a bordo da Estação Espacial, um grupo de cientistas faz a descoberta científica do século: uma forma de vida - uma única célula, proveniente de Marte. É a primeira vez na história da Humanidade que se encontra vida fora da Terra.
Os aspectos filosóficos e implicações sociais da descoberta são totalmente descartados. Esta é, sem dúvida, a maior falha do filme. Era uma premissa demasiado "pesada" e morosa, por isso entendo que toda a atenção tenha ficado centrada na acção. Depois de um início muito prometedor, Life transforma-se no Alien. Outra versão do Alien. Aliás podia muito bem ter sido a base do Prometheus e se calhar até tinha mais nexo. Se Life não é um filme melhor é exactamente por causa disto: deixa uma sensação de dejá-vu. Uma forma de vida extraterrestre, altamente agressiva, a atacar um grupo de astronautas numa estação espacial? É que só faltavam ser 7 tripulantes a bordo! Espera! Uff! Afinal são "só" seis... sendo que os principais são o Jake Gyllenhaal, o Ryan Reynolds e a Rebecca Ferguson, mas o resto do casting também é fixe.
Mas apesar da falta de originalidade do guião, está tudo muito bem feito (bem realizado por Daniel Espinosa) e por isso vê-se bem. Tem um final à moda dos grandes filmes de ficção científica dos anos 70 - se é que me entendem - e, isso é mesmo a melhor parte de todo o filme. ●●●○○
Os aspectos filosóficos e implicações sociais da descoberta são totalmente descartados. Esta é, sem dúvida, a maior falha do filme. Era uma premissa demasiado "pesada" e morosa, por isso entendo que toda a atenção tenha ficado centrada na acção. Depois de um início muito prometedor, Life transforma-se no Alien. Outra versão do Alien. Aliás podia muito bem ter sido a base do Prometheus e se calhar até tinha mais nexo. Se Life não é um filme melhor é exactamente por causa disto: deixa uma sensação de dejá-vu. Uma forma de vida extraterrestre, altamente agressiva, a atacar um grupo de astronautas numa estação espacial? É que só faltavam ser 7 tripulantes a bordo! Espera! Uff! Afinal são "só" seis... sendo que os principais são o Jake Gyllenhaal, o Ryan Reynolds e a Rebecca Ferguson, mas o resto do casting também é fixe.
Mas apesar da falta de originalidade do guião, está tudo muito bem feito (bem realizado por Daniel Espinosa) e por isso vê-se bem. Tem um final à moda dos grandes filmes de ficção científica dos anos 70 - se é que me entendem - e, isso é mesmo a melhor parte de todo o filme. ●●●○○
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Uns anos depois da Terra ser invadida por extraterrestres, um jornalista perdido pelo continente sul-americano decide ajudar uma turista americana a voltar em segurança para casa.
Por vezes dou classificações altas a filmes medianos apenas porque são feitos com muito amor pela arte e praticamente nenhuns recursos. Um desses exemplos é este Monsters. Um filme quase a fazer lembrar um road movie, mas que também é um drama, um thriller e um excelente filme de ficção científica. Rodado completamente "on location", com diálogos praticamente improvisados e em que os extras são pessoas verdadeiras que simplesmente estavam ali na sua vida (basicamente é para isso que contratam extras). O realismo da coisa dá um salto qualitativo enorme. A juntar a isto, para além de realizar, Gareth Edwards criou também todos os efeitos especiais do filme... no seu computador em casa com programas que se podem comprar na net.
Isto tinha todos os condimentos para dar uma salgalhada tipo "Série C" da pior espécie, mas é precisamente assim que se separa o "trigo do joio". Gareth Edwards é muito bom e Monsters também. É uma óptima história, com dois protagonistas muito bem dirigidos (Scoot McNairy e Whitney Able), com poucos, mas bons efeitos especiais, mas especialmente um óptimo filme que gostei muito de ver. Esta é a prova de que com muito pouco se consegue fazer muito boas coisas, se se tiver o talento suficiente. Parabéns ao Gareth Edwards pela audácia, pelo empenho e por Monsters. ●●●●○
Por vezes dou classificações altas a filmes medianos apenas porque são feitos com muito amor pela arte e praticamente nenhuns recursos. Um desses exemplos é este Monsters. Um filme quase a fazer lembrar um road movie, mas que também é um drama, um thriller e um excelente filme de ficção científica. Rodado completamente "on location", com diálogos praticamente improvisados e em que os extras são pessoas verdadeiras que simplesmente estavam ali na sua vida (basicamente é para isso que contratam extras). O realismo da coisa dá um salto qualitativo enorme. A juntar a isto, para além de realizar, Gareth Edwards criou também todos os efeitos especiais do filme... no seu computador em casa com programas que se podem comprar na net.
Isto tinha todos os condimentos para dar uma salgalhada tipo "Série C" da pior espécie, mas é precisamente assim que se separa o "trigo do joio". Gareth Edwards é muito bom e Monsters também. É uma óptima história, com dois protagonistas muito bem dirigidos (Scoot McNairy e Whitney Able), com poucos, mas bons efeitos especiais, mas especialmente um óptimo filme que gostei muito de ver. Esta é a prova de que com muito pouco se consegue fazer muito boas coisas, se se tiver o talento suficiente. Parabéns ao Gareth Edwards pela audácia, pelo empenho e por Monsters. ●●●●○
A expectativa é lixada. Na grande maioria das vezes tento não saber o que vou ver para não gerar expectativas elevadas e depois ficar desiludido. É uma técnica já antiga que tem dado bons resultados. A mais recente experiência foi este 10 Cloverfield Lane. Pelo nome, pensava que era uma espécie de sequela do Cloverfield, mas esteva enganado. Não é uma sequela directa, mas tem uma certa ligação ou faz parte dum plano maior de J.J. Abrams em ligar as duas coisas no futuro. É estranho mas ven do filme percebe-se aligação. Seja como for, estava à espera de mais um filme de efeitos digitais da treta e/ou teenager in danger e acabou por me sair na rifa um bom filme. 10 Cloverfield Lane tem aquele look de filme de baixo orçamento, "à moda antiga". Dan Trachtenberg, nitidamente um realizador de TV, fica aqui como peixe na água, porque basicamente este é uma espécie de telefilme, mas muitíssimo bem esgalhado...
Não tendo efeitos especiais nem grande cenas de acção, toda a dinâmica fica entregue ao guião (muito bem escrito, cheio de suspense, dualidade e ambiguidades [ter lá um Damien Chazelle faz toda a diferença...]) e à prestação dos actores, que são aqui essencialmente os grandes pilares do filme. Em primeiríssimo plano está John Goodman, mas a jovem Mary Elizabeth Winstead e John Gallagher Jr. não lhe ficam muito atrás. Para os mais atentos há a surpresa "Bradley Cooper", mas apenas em versão áudio (ao telemóvel). 10 Cloverfield Lane foi uma belíssima surpresa. E também não vou dizer mais nada, para não gerar mais expectativas nem estragar a surpresa. Fica aqui a prova que não são precisos muitos meios, muito dinheiro e muitos actores de renome para fazer um bom filme. Sem dúvida, para ver. ●●●○○
Não tendo efeitos especiais nem grande cenas de acção, toda a dinâmica fica entregue ao guião (muito bem escrito, cheio de suspense, dualidade e ambiguidades [ter lá um Damien Chazelle faz toda a diferença...]) e à prestação dos actores, que são aqui essencialmente os grandes pilares do filme. Em primeiríssimo plano está John Goodman, mas a jovem Mary Elizabeth Winstead e John Gallagher Jr. não lhe ficam muito atrás. Para os mais atentos há a surpresa "Bradley Cooper", mas apenas em versão áudio (ao telemóvel). 10 Cloverfield Lane foi uma belíssima surpresa. E também não vou dizer mais nada, para não gerar mais expectativas nem estragar a surpresa. Fica aqui a prova que não são precisos muitos meios, muito dinheiro e muitos actores de renome para fazer um bom filme. Sem dúvida, para ver. ●●●○○
O que se pode dizer de Men in Black 3 é que cumpre os requisitos mínimos. Continua a ser divertido e continua a estar bem feito. Mas fiquei com a sensação que este terceiro filme só existe porque era necessário um MiB3 para assim completar uma trilogia. Aparentemente, em Hollywood, há algo de mágico no número 3. Fala-se muito na magia do cinema e como aficionado das duas artes, sei que existe o remate do acto mágico chamado o terceiro passo. Não sei se inconscientemente isso se passa também nos filmes, mas lá que acontece, acontece. É raro o filme que tendo sequela, não vá desembocar na quase "fatídica" terceira parte e assim fechar a trilogia. Pode ser coincidência, mas acho que não é.
Neste caso, até acho bem. Mas apenas por causa do Barry Sonnenfeld. Acho que também merecia ter uma trilogia no currículo, porque é um daqueles gajos que curto. Tem uma boa filmografia e nunca lhe vi um filme estúpido. É sempre competente e inteligente nos temas que pega e na forma como lhes pega. Só por isto, já merece a minha consideração.
Os mesmos gajos fixes do costume (Will Smith, Tommy Lee Jones) com a adição do sempre respeitável Josh Brolin (e também a respeitável, mas mais discreta Emma Thompson), suportam um filme com uma história já algo cansada (os extraterrestres já são quase dispensáveis...), e que por isso já tem de ir buscar a velha artimanha das viagens no tempo para conseguir dar progressão ao enredo. Isso é batota, mas por ser quem é, vá lá, eu até desculpo. Mas peço, por favor, fiquem por aqui. Já chega. Assim como está, numa caixa arquivadora catita, fica muito bonito e pronto. Não comecem já a pensar em prequelas e reboots...
Mas pensando bem, acho que isto não vai ficar por aqui. Se não estou enganado nas contas, do primeiro para o segundo filme passaram 5 anos, e do segundo para o terceiro passaram 10 . Pela mesma lógica, teremos uma nova "entrega" lá para 2022, o que até faria uma edição especial dos 25 anos do filme original. Acho que os estúdios não vão conseguir resistir... Veremos. ●●○○○
Neste caso, até acho bem. Mas apenas por causa do Barry Sonnenfeld. Acho que também merecia ter uma trilogia no currículo, porque é um daqueles gajos que curto. Tem uma boa filmografia e nunca lhe vi um filme estúpido. É sempre competente e inteligente nos temas que pega e na forma como lhes pega. Só por isto, já merece a minha consideração.
Os mesmos gajos fixes do costume (Will Smith, Tommy Lee Jones) com a adição do sempre respeitável Josh Brolin (e também a respeitável, mas mais discreta Emma Thompson), suportam um filme com uma história já algo cansada (os extraterrestres já são quase dispensáveis...), e que por isso já tem de ir buscar a velha artimanha das viagens no tempo para conseguir dar progressão ao enredo. Isso é batota, mas por ser quem é, vá lá, eu até desculpo. Mas peço, por favor, fiquem por aqui. Já chega. Assim como está, numa caixa arquivadora catita, fica muito bonito e pronto. Não comecem já a pensar em prequelas e reboots...
Mas pensando bem, acho que isto não vai ficar por aqui. Se não estou enganado nas contas, do primeiro para o segundo filme passaram 5 anos, e do segundo para o terceiro passaram 10 . Pela mesma lógica, teremos uma nova "entrega" lá para 2022, o que até faria uma edição especial dos 25 anos do filme original. Acho que os estúdios não vão conseguir resistir... Veremos. ●●○○○
Men in Black II recomeça sem Tommy Lee "K" Jones que foi "neuralizado" e encontra-se a trabalhar nos Correios sem saber nada da sua vida anterior. Como sempre, a Terra está em perigo de ser invadida por malvados extraterrestres, e Will "J" Smith, mesmo rodeado dos mais estapafúrdios gadgets, não consegue dar conta do recado sozinho. Precisa do seu fiel parceiro. Até porque desta vez, o inimigo é uma espécie de serpente galática que se divide (!?), interpretada pela sexy Lara Flynn Boyle, numa altura em que Twin Peaks ainda estava fresco na memória.
Men in Black II, como o próprio título revela, é relativamente igual ao anterior e poderia sofrer de sequelite aguda, mas Barry Sonnenfeld teve mais uma vez a inteligência de fazer, de facto, uma continuação da primeira história, invés de fazer um segundo filme seguindo a sagrada fórmula da sequela: "igual, mas maior, mais rápido e mais explosivo". Pode parecer a mesma coisa, mas não é. É apenas um pequeno pormenor que transforma uma "sequela" numa "segunda parte". E esta é uma verdadeira segunda parte.
Continua a existir a "química" original entre os dois actores principais e continua a ser muito divertido, se bem que comece a repetir-se em algumas cenas. Barry Sonnefeld decidiu dar a cara e tem um cameo numa cena.
Quem também aparece brevemente é Michael Jackson como Agente M. Todas aquelas operações plásticas (desnecessárias) deram-lhe uma aparência tão estranha que se calhar o melhor seria ter feito papel de extraterrestre...
Men in Black II está "naturalmente" um patamar abaixo do primeiro - porque perdeu o efeito novidade -, mas continua a ser um filme divertido que se vê muito bem. ●●●○○
Men in Black II, como o próprio título revela, é relativamente igual ao anterior e poderia sofrer de sequelite aguda, mas Barry Sonnenfeld teve mais uma vez a inteligência de fazer, de facto, uma continuação da primeira história, invés de fazer um segundo filme seguindo a sagrada fórmula da sequela: "igual, mas maior, mais rápido e mais explosivo". Pode parecer a mesma coisa, mas não é. É apenas um pequeno pormenor que transforma uma "sequela" numa "segunda parte". E esta é uma verdadeira segunda parte.
Continua a existir a "química" original entre os dois actores principais e continua a ser muito divertido, se bem que comece a repetir-se em algumas cenas. Barry Sonnefeld decidiu dar a cara e tem um cameo numa cena.
Quem também aparece brevemente é Michael Jackson como Agente M. Todas aquelas operações plásticas (desnecessárias) deram-lhe uma aparência tão estranha que se calhar o melhor seria ter feito papel de extraterrestre...
Men in Black II está "naturalmente" um patamar abaixo do primeiro - porque perdeu o efeito novidade -, mas continua a ser um filme divertido que se vê muito bem. ●●●○○
Men in Black é uma divertida comédia de acção que dá uma explicação "plausível" para a muito difundida teoria da conspiração que gira em torno dos misteriosos Homens de Negro. "Eles", os Homens de Negro, os que pertencem a uma organização secreta (que seria das teorias da conspiração sem as organizações secretas?) que persegue extraterrestres oriundos de toda a galáxia. "Eles", os que sabem mais que os outros e que mantêm toda a gente na ignorância, porque sabem que somos "uns idiotas que iam entrar em histeria" se soubéssemos tudo o que eles sabem. Nada como fazer uma comédia para poder dizer estas coisas.
O que tenho a dizer é que a comédia é muito menosprezada. Normalmente é mal tratada nos filmes, que raramente se desviam do riso fácil, da "estalada com creme" e do tombo desconcertante à "isto só video". Para piorar ainda mais a situação, por norma, a isto ainda se juntam argumentos tão simplistas que parecem ser feitos para menores de 6 anos... e estou a falar na idade mental.
Mas volta e meia, lá aparece uma comédia que consigo ver e até gostar. É o caso de Men in Black, que tem muitas coisas positivas. É um filme que proporciona algumas boas gargalhadas, é um bom filme para ver com a miudagem mais jovem, porque é light mas tem a inteligência de caracterizar as situações cómicas de um forma ambígua mas quotidiana, como por exemplo, ter extraterrestres a pedir asilo político. Tem uma uma boa história e está muito bem escrito.
Os actores foram muito bem escolhidos, como por exemplo o Vincent D'Onofrio, mas como é óbvio, todo os holofotes apontam para a dupla principal. Há uma química estranha, que não é fácil de encontrar, mas totalmente natural entre o tom sério e seco de Tommy Lee Jones e a descontração musculada de Will Smith. A realização de Barry Sonnenfeld é excelente como sempre, com o destaque óbvio para o delicado malabarismo de manter equilibrado a acção, a comédia e a ficção científica. Muito difícil. Muito bom. Os efeitos especiais, apesar de não serem revolucionários eram do melhorzinho que se fazia na altura. Parece que o vi ontem, mas este é filme com mais de 20 anos. Incrível. Foi um grande sucesso de bilheteira, totalmente justificado, porque era um filme totalmente diferente do que se estava habituado a ver. Tem um "timbre" próprio. É o "timbre Sonnenfeld".
Gostei do pormenor final de mostrar que a nossa galáxia pode ser só um berlinde para um alien brincar. É uma ideia interessante e, mais uma vez, uma forma inteligente de rematar um filme. ●●●●○
O que tenho a dizer é que a comédia é muito menosprezada. Normalmente é mal tratada nos filmes, que raramente se desviam do riso fácil, da "estalada com creme" e do tombo desconcertante à "isto só video". Para piorar ainda mais a situação, por norma, a isto ainda se juntam argumentos tão simplistas que parecem ser feitos para menores de 6 anos... e estou a falar na idade mental.
Mas volta e meia, lá aparece uma comédia que consigo ver e até gostar. É o caso de Men in Black, que tem muitas coisas positivas. É um filme que proporciona algumas boas gargalhadas, é um bom filme para ver com a miudagem mais jovem, porque é light mas tem a inteligência de caracterizar as situações cómicas de um forma ambígua mas quotidiana, como por exemplo, ter extraterrestres a pedir asilo político. Tem uma uma boa história e está muito bem escrito.
Os actores foram muito bem escolhidos, como por exemplo o Vincent D'Onofrio, mas como é óbvio, todo os holofotes apontam para a dupla principal. Há uma química estranha, que não é fácil de encontrar, mas totalmente natural entre o tom sério e seco de Tommy Lee Jones e a descontração musculada de Will Smith. A realização de Barry Sonnenfeld é excelente como sempre, com o destaque óbvio para o delicado malabarismo de manter equilibrado a acção, a comédia e a ficção científica. Muito difícil. Muito bom. Os efeitos especiais, apesar de não serem revolucionários eram do melhorzinho que se fazia na altura. Parece que o vi ontem, mas este é filme com mais de 20 anos. Incrível. Foi um grande sucesso de bilheteira, totalmente justificado, porque era um filme totalmente diferente do que se estava habituado a ver. Tem um "timbre" próprio. É o "timbre Sonnenfeld".
Gostei do pormenor final de mostrar que a nossa galáxia pode ser só um berlinde para um alien brincar. É uma ideia interessante e, mais uma vez, uma forma inteligente de rematar um filme. ●●●●○
O tema do Super-Homem é infindável e já foi abordado milhentas vezes, sobre os mais variados aspectos e até noutros filmes, como naquele excepcional monólogo no final do Kill Bill 2. É simplesmente o melhor super-herói de sempre, o que lhe traz um problema inerente: não tem um super-vilão equivalente. É tão simples quanto isso. E isso repercute-se nos próprios filmes, tornando-os de certa forma desinteressantes, porque um gajo sabe que o Super-Homem, no final, vai sempre ganhar a contenda. Não há aquela dúvida "normal" se o herói se vai safar ou não.
Por isso mesmo, dou os parabéns ao Zack Snyder, por conseguir "rebootar" a história pela enésima vez e ainda assim, conseguir dar-lhe alguns pontos de interesse. Também ajuda bastante ter um elenco muito bom. Em destaque óbvio, o Henry Cavill. Tem um look e passa um tipo de personalidade no ecrã, que encaixa perfeitamente como Homem de Aço. É difícil bater a prestação icónica do Christopher Reeve como Super-Homem. O filme "original" foi tão marcante que, de certa forma, uma pessoa imediatamente associa a cara do Christopher Reeve à do Super-Homem. (Já alguém imaginou outra cara para o Indiana Jones que não fosse a do Harrison Ford?!) Isto faz com que o actor que venha "a seguir" seja sempre uma cara "estranha" no papel. Mas neste caso, Henry Cavill foi uma excelente escolha. Fez-me todo o sentido. Tem o equilíbrio perfeito entre o "frágil" e humano Clark Kent e o "deus" imortal Kal-El. O resto do elenco (Amy Adams, Russell Crowe, Michael Shannon (excelente, mais uma vez), Diane Lane, Kevin Costner e Laurence Fishburne) são todos excelentes, o que ajuda sempre.
A história está muito bem engendrada, muito bem escrita e vira para modernidade, digamos assim, ao assumir o que já era evidente: o Super-Homem é efectivamente um extra-terrestre, e mais grave que isso, os seus super-poderes tornam-no numa possível ameaça para a Humanidade, o que irá sempre dividir as opiniões. Nesse aspecto, foi muito bem escrito e mais importante ainda, foi muito bem pensado.
Apesar de tudo o que tem de bom, Man of Steel, não deixa de ser mais um filme do Super-Homem, mais uma remake/reboot, numa história que já começa a ser de tal forma incontornável, que se torna banal. Por muito que eu goste do Super-Homem (e talvez seja mesmo o meu super-herói favorito [sempre num renhido ex-aequo com o Batman, claro está...]) não vou suportar remakes/reboots para sempre. Neste caso, só mesmo o tratamento exemplar de Zack Snyder é que o torna aceitável e até bom de ser ver. Surpreendeu-me pela positiva. ●●●○○
Por isso mesmo, dou os parabéns ao Zack Snyder, por conseguir "rebootar" a história pela enésima vez e ainda assim, conseguir dar-lhe alguns pontos de interesse. Também ajuda bastante ter um elenco muito bom. Em destaque óbvio, o Henry Cavill. Tem um look e passa um tipo de personalidade no ecrã, que encaixa perfeitamente como Homem de Aço. É difícil bater a prestação icónica do Christopher Reeve como Super-Homem. O filme "original" foi tão marcante que, de certa forma, uma pessoa imediatamente associa a cara do Christopher Reeve à do Super-Homem. (Já alguém imaginou outra cara para o Indiana Jones que não fosse a do Harrison Ford?!) Isto faz com que o actor que venha "a seguir" seja sempre uma cara "estranha" no papel. Mas neste caso, Henry Cavill foi uma excelente escolha. Fez-me todo o sentido. Tem o equilíbrio perfeito entre o "frágil" e humano Clark Kent e o "deus" imortal Kal-El. O resto do elenco (Amy Adams, Russell Crowe, Michael Shannon (excelente, mais uma vez), Diane Lane, Kevin Costner e Laurence Fishburne) são todos excelentes, o que ajuda sempre.
A história está muito bem engendrada, muito bem escrita e vira para modernidade, digamos assim, ao assumir o que já era evidente: o Super-Homem é efectivamente um extra-terrestre, e mais grave que isso, os seus super-poderes tornam-no numa possível ameaça para a Humanidade, o que irá sempre dividir as opiniões. Nesse aspecto, foi muito bem escrito e mais importante ainda, foi muito bem pensado.
Apesar de tudo o que tem de bom, Man of Steel, não deixa de ser mais um filme do Super-Homem, mais uma remake/reboot, numa história que já começa a ser de tal forma incontornável, que se torna banal. Por muito que eu goste do Super-Homem (e talvez seja mesmo o meu super-herói favorito [sempre num renhido ex-aequo com o Batman, claro está...]) não vou suportar remakes/reboots para sempre. Neste caso, só mesmo o tratamento exemplar de Zack Snyder é que o torna aceitável e até bom de ser ver. Surpreendeu-me pela positiva. ●●●○○
Robots gigantes, monstros extraterrestres gigantes, lutas gigantes com contentores a fazerem de luvas de boxe, petroleiros a servir de arma de arremesso, arranha-céus a serem despedaçados como se fossem feitos de papel... Pacific Rim é o filme de sonho para qualquer miúdo de 12 anos.
É um bom filmito de acção/ficção científica em tamanho XXL, com uma história original muito bem escrita, com algum "miolo" e ainda por cima, está muito bem feito.
Pacific Rim tem acção, tem drama, tem comédia, e não é imbecil como é norma nos filmes de entretenimento total. Está muito bem feito. Para o tipo de filme que é, está muito bom. O design da produção está excelente e até a música original é boa.
Bons actores ajudam sempre (Charlie Hunnam, Idris Elba, Rinko Kikuchi, Ron Perlman) e uma grande direcção de Guillermo del Toro (como já é normal) ajuda ainda mais. Uma agradável surpresa. É mais que óbvio que terá pelo menos mais uma sequela... ●●●○○
É um bom filmito de acção/ficção científica em tamanho XXL, com uma história original muito bem escrita, com algum "miolo" e ainda por cima, está muito bem feito.
Pacific Rim tem acção, tem drama, tem comédia, e não é imbecil como é norma nos filmes de entretenimento total. Está muito bem feito. Para o tipo de filme que é, está muito bom. O design da produção está excelente e até a música original é boa.
Bons actores ajudam sempre (Charlie Hunnam, Idris Elba, Rinko Kikuchi, Ron Perlman) e uma grande direcção de Guillermo del Toro (como já é normal) ajuda ainda mais. Uma agradável surpresa. É mais que óbvio que terá pelo menos mais uma sequela... ●●●○○



















