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The Fast and the Furious é uma franchise que dispensa apresentações. Por isso mesmo, não vou perder muito tempo a escrever sobre cada filme. Até porque é quase sempre o mesmo filme. Carros potentes, grandes cenas de porrada, perseguições ridiculamente impossíveis e gajas boas como o caraças em roupas justas. É quase como ver em movimento aqueles posters foleiros das garagens antigas com míudas da Playboy dos anos 80. Bem, se calhar estou a exagerar um bocadinho... Mas é o que me vem à cabeça quando me lembro do F&F.
Um filme original mediano, 5 realizadores (Rob Cohen, John Singleton, Justin Lin, James Wan e F. Gary Gray), dezenas de actores (Vin Diesel, Paul Walker, Michelle Rodriguez, Jordana Brewster, Eva Mendes, Tyrese Gibson, Ludacris, Lucas Black, Sung Kang, Gal Gadot, Dwayne Johnson, Elsa Pataky, Luke Evans, Jason Statham, Kurt Russell, Nathalie Emmanuel, Charlize Theron, Scott Eastwood, entre muitos outros [com óbvio destaque para o Joaquim de Almeida]) e 7 sequelas depois continua a facturar milhões em cima de milhões. É um verdadeiro case-study. Como é que isto ainda funciona? Quando é que as audiências se vão fartar? São as grandes questões no seio da franchise.
Mas eu acho que tenho as respostas. Como é que isto ainda funciona? Isto funciona porque os filmes foram evoluindo com o passar do tempo. Passou de um filme sobre um polícia infiltrado no mundo das corridas ilegais, depois para uma espécie de família de sopranos do tunning, e agora está no ponto James Bond com super-vilões e tudo. Até agora aguentou-se bem porque se transformou na melhor telenovela de todos os tempos: algumas personagens supostamente morrem mas depois aparecem vivas noutro filme; o irmão do gajo mau (que morreu no filme anterior) aparece (no filme seguinte) para se vingar; a família cai em desgraça mas no final recupera e acaba a beber uns shots num sunset catita; já quase toda a gente casou e/ou teve filhos. Só falta mesmo aparecer um gémeo cego do Vin Diesel, ou uma miudinha órfã e pobre que depois se torna rica... E além disso, as perseguições e as explosões nas telenovelas são absolutamente miseráveis e no Fast and Furious são sempre super-espectaculares.
Quando é que as audiências se vão fartar da franchise?
Resposta difícil. Acho que no próximo "episódio" as pessoas vão perceber que já chega. No episódio a seguir, alguns dos actores vão sair porque já é tempo de fazer alguma coisa de jeito na vida. No seguinte, os estúdios vão fazer um remake com novos actores e o público não vai perdoar porque é tudo demasiado "novo". Provavelmente vai haver um 12.º, com o regresso de alguma estrela dos filmes originais que não arranja trabalho, mas vai estar tão fora de forma que acaba por matar a franchise de vez. Tipo, o Indiana Jones a lutar contra extraterrestres aos 78 anos... Não há pachorra, não é verdade?
Agora em relação ao filmes propriamente ditos. The Fast and the Furious (2001) foi o primeiro da saga. E nem é propriamente mau. É um filmito de acção razoável, com carros quitados, polícias infiltrados e personagens até bem "montadas". Daí que tenha dado azo a todas estas sequelas. Depois entrou em modo de cruzeiro com 2 Fast 2 Furious (2003) e The Fast and the Furious: Tokyo Drift (2006) que são basicamente as sequelas "normais" da indústria: dá dinheiro?, então faz-se outro parecido mas com maiores explosões... Mas depois a franchise tomou um rumo diferente. Vin Diesel percebeu que tinha em mãos um bom negócio que estava a mirrar e decidiu voltar à saga. E voltou muito bem, com a lógica da "famiglia", que é uma coisa que as audiências gostam sempre. Assim, teve história para poder fazer uma franchise dentro da própria franchise: Fast & Furious (2009), Fast Five (2011), Fast & Furious 6 (2013) e Furious 7 (2015). A "série" fica marcada pela trágica morte de Paul Walker durante as filmagens de Furious 7, o que dá ainda mais ênfase à parte da "famiglia". Sinceramente, acho que deveriam ter ficado por aqui. O desaparecimento de uma personagem tão importante como o de Paul Walker (que até esta altura até tinha feito mais filmes F&F que o próprio Vin Diesel), deveria ter posto um ponto final na série. Mas não. Tinha de se arranjar forma de voltar à bilheteira e portanto lá se arranjou uma história e uma super-vilã high-tech qualquer para justificar o regresso com The Fate of the Furious (2017). E isto não fica por aqui. Pelas minhas contas, ainda falta o F&F9 (The Return of) [as personagens regressam para mais uma aventura relacionada com alguém da família ou para tratar da vingança de algum familiar do gajo mau que mataram num dos episódios anteriores], o F&F10 (The New Breed) [um remake com novos actores, em que os antigos personagens preferidos aparecem só por breves momentos a dizerem: "No meu tempo, tínhamos carros de corrida a gasolina e tratávamos de motores, vielas e óleo queimado... Agora é tudo electrónico..."], o F&F11 (Fullscreen) [passado no espaço, num universo paralelo ou num mundo pós-apocalíptico que na verdade só existe num programa de realidade virtual] e o último F&F12 (The Last Job) [onde fazem mesmo um último trabalho para se reformarem de vez, até porque nessa altura os carros serão todos obrigatoriamente autónomos].
Mas há mais vida para além da franchise propriamente dita. Ainda há spin-offs para as diversas personagens e séries de TV para explorar, assim como canecas, mochilas, lancheiras e tapetes de rato para vender...
Uma coisa que aprendi enquanto escrevia esta crítica é que os filmes não são todos seguidos, cronologicamente falando. O The Fast and the Furious: Tokyo Drift que foi o terceiro filme a ser lançado, em termos de história, supostamente é o sexto, a seguir ao Fast & Furious 6 que por essa lógica deveria ser o 5.º... Confuso?! Muito... Mas não faz mal. Ninguém reparou nisso. E também, o que é que isso interessa? Não tem carros quitados, perseguições, explosões, porrada, gajas com roupas muito apertadas, música cool e "famiglia"? Então já chega... ●○○○○

Indo directo ao assunto, Dragon - The Bruce Lee Story, é um filme fraquinho. Tem ar de telefilme. Mas é sempre bom para conhecer um pouco mais sobre o ícone das artes marciais (e do cinema em geral), até porque contou com a participação na escrita do próprio Robert "Enter the Dragon" Clouse.
Um dos principais problemas em fazer uma biografia do Bruce Lee será logo à partida, a escolha do actor principal. Dificilmente a escolha será consensual. É simplesmente muito difícil arranjar alguém que tenha um carisma e uma "presença" em frente às câmaras, semelhante ao Bruce. É como tentar arranjar alguém para fazer de Steve McQueen. Ou de Schwarzenegger. Há gajos que simplesmente são únicos; não há hipótese de encontrar substitutos ou parecidos... Neste caso em particular, acho que foi uma péssima escolha. Não é que tenha nada contra o Jason Scott Lee (...o Lee é mera coincidência), mas não tem carisma suficiente para representar o Bruce Lee. Ainda por cima, nem sequer é um bom actor para este papel. Pode ser considerado um bom "actor de porrada", mas falta-lhe toda a parte dramática, que seria bastante necessário numa obra de cariz biográfica. Nota-se que até vai melhorando à medida que o filme decorre, mas para mim, foi o pior de todo o filme. Os restantes actores simplesmente escapam (Lauren Holly e Robert Wagner).
A história até está bem escrita, com aquele paralelismo da luta imaginária contra o grande guerreiro negro, mas foi muito pouco explorada. Lá está, parece tudo muito superficial, muito... telefilme. O que é estranho, porque ao leme está Rob Cohen, um realizador com muitos créditos no universo dos filmes de acção. Mas lá está; às vezes as coisas não correm bem... Parece que pegar no que quer que seja que esteja relacionado com o Bruce Lee, vai dar mau resultado. É como se realmente houvesse uma maldição qualquer à volta do clã Lee. É estranho. Muito estranho.
Infelizmente (e digo infelizmente, porque gostaria que o Bruce tivesse um documentário que fizesse jus à sua reputação), já vi documentários melhores que este Dragon. Apenas e só para fãs inveterados do Bruce Lee... como eu. ●○○○○

 
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