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Quando li que James Cameron estaria ligado directamente aos comandos da produção de um novo Terminator fiquei entusiasmado. É que desde o fantástico T2 que não houve nada de jeito para ver e algumas das "entregas da franchise" chegaram mesmo a roçar o ridículo. Tinha lido que este Terminator: Dark Fate seria supostamente uma continuação directa do T2. No entanto, isso não é verdade. Na realidade, é uma espécie reboot encapotado, para eventualmente começar uma nova saga da série.  Agora já não há Skynet, nem John Connor. São outros nomes mas é tudo igualzinho. A única parte em que essa cena da continuação da história faz sentido é apenas uma minúscula ligação e a presença de Arnold Schwarzenegger e de Linda Hamilton. A propósito destas duas presenças e parafraseando outro filme de culto, acho que vale a pena dizer: they are too old for this shit!...
Mas fosse esse o único problema do filme. Se calhar até acaba por ser a melhor parte, se bem que Schwarzenegger continua a ridicularizar a sua personagem, um hábito que já vem do T3. É uma das coisas que ainda não entendi. E se Linda Hamilton aparece muito bem (toda turbinada), o resto do casting é uma desilusão. Mackenzie Davis, Natalia Reyes Gabriel Luna até podem ser muito bons actores, mas não é aqui. E porquê a escolha "mexicana"? É que em termos de história nem sequer faz muito sentido. Em termos técnicos é tão competente como qualquer outro blockbuster do momento, ou não fosse realizado por Tim Miller, um dos muitos tarefeiros de estúdio do momento. Nem melhor, nem pior: igual. É essa a sensação geral que fiquei: igual a tudo resto. É mais um filme amorfo, sem alma, carregado de acção e efeitos especiais desnecessários e explosões visuais e sonoras que têm como único propósito despertar as pessoas do escuro do cinema. Nada mais que isso. Uma pena. Esquecível como tem sido hábito neste tipo de filmes. estando o James Cameron envolvido na história foi ainda mais decepcionante. O mais estranho é que isto não parece nada dele. Foi provavelmente a pior coisinha que vi com o nome dele envolvido. Quer-me parecer que andar há anos a filmar dúzias de Avatares começam a ter efeitos nefastos. Digo eu. Mas pode ter sido só marketing. Fica a dúvida. ○○○

Esta (previsível) saga Deadpool é um case study. Não a percebo. Não entendo o super-herói e nem sequer entendo os seus poderes. Eu também conheço muito pouco das bandas desenhadas e portanto nem sequer conheço este super-herói. Ou melhor, este anti-super-herói. Basicamente é uma personagem que vai sendo alterada à medida que for preciso. É impressão minha, ou havia um Deadpool completamente diferente num dos filmes do Wolverine? Não interessa. Ignora-se.
Não consigo ver aqui nenhum significado e é insultuosa para tudo e todos, inclusivé para o próprio universo a que pertence. Tem a linguagem mais vulgar que me lembro de ver num filme mainstream. Parece que todos os personagens aprenderam a falar com um chulo dos anos 70. Sinceramente, mais que outra coisa qualquer, isto parece uma forma de escape para o pessoal da Marvel. Como se eles próprios quisessem criticar o seu próprio universo "vazio" mas não tivessem essa opção pois insultariam os milhões de fãs que os alimentam. Daí que Deadpool (de Tim Miller) funcione quase como uma válvula de escape para todo o ecossistema Marvel.
E mais. Pensando bem no assunto, o irónico de toda esta situação, é que Deadpool acaba por funcionar quase como uma caixa de ressonância para a crítica profissional: a personagem passa todo o filme a criticar exactamente os mesmos pontos que os críticos e diz aquilo que eles não podem dizer em público, mas que pensam enquanto assistem sorridentes nas ante-estreias. Pensando bem, este Deadpool é, se calhar, o super-herói favorito dos críticos. Quem sabe se Deadpool não é mesmo o derradeiro crítico profissional por baixo daquela fatiota vermelha? É uma incógnita com que o mundo vai ter de aprender a lidar...
Por muito que eu não goste deste filme, tenho de admitir que tem algumas piadas bem construídas e pela crítica inerente e imparável, acaba por funcionar como um antídoto aos "normais" filmes de super-heróis e foi algo totalmente diferente do que já tinha visto. E isso é positivo em qualquer situação. Até mesmo num filme como o Deadpool. ●●○○○


Depois do imenso êxito que foi insultar meio mundo "normal" e a totalidade do mundo dos "heróis", eis que chega a inevitável sequela, com Ryan Reynolds (o verdadeiro alter-ego de Deadpool...) e Morena Baccarin a regressarem aos seus papéis. Deadpool 2 (de David Leitch) acrescenta mais insultos ao anterior, mais quebras da "quarta parede" e o também inevitável super-vilão representado por um actor (Josh Brolin - excelente em qualquer situação) de renome principescamente pago para dar alguma credibilidade a um filme que não o tem e assim também chamar mais clientela para o balcão das pipocas. É receita garantida e funciona sempre, portanto "em equipa que ganha não se mexe" e assim aconteceu mais uma vez. Espera-se um buraco no longo rol de filmes de super-herois já agendados para os próximos anos, para assim poder encaixar um Deadpool 3, que de certeza será ainda mais vulgar e insultuoso. Isto só vai parar quando o público se chatear com um piada inofensiva qualquer... ●○○○○

 
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