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A Marvel tem muitos super-heróis. Tem uma panóplia aparentemente infindável de figuras que em princípio dá-lhes material para fazerem filmes para aí até ano de 2067. No entanto, este universo tem duas falhas primordiais que são propriedade dos seus arqui-inimigos da DC Comics.
A primeira é que não tem grande equilíbrio de poderes entre os super-vilões e os seus super-heróis. Têm sempre de inventar um ser qualquer vindo do espaço ou de outras dimensões, para pelo menos equivaler o poderio dos super-heróis. Logo à partida, isso é uma falha porque não há empatia possível, nem há hipótese de "dualizar" os super-vilões; são sempre seres vis que só querem a destruição total da humanidade. É um bocadinho infantil demais, até para coisas de super-heróis. Na mitologia clássica, as histórias perduram no tempo, porque mesmo os piores vilões têm algo que é humano, que permite algum tipo de empatia ou pelo menos de compreensão.
A outra grande falha do Universo Marvel é... não ter o Superman. O super-herói dos super-heróis. Tenho a certeza que se pudesse, a Marvel vendia três dúzias dos seus melhores heróis só para poder contar com o melhor, mais completo e mais complexo de todos os super-heróis que é o Superman. Como isso não é possível, a Marvel criou uma cópia. Neste caso, uma "Superman". Obviamente que nunca funcionou, não funciona e nunca irá funcionar porque... não é possível melhorar o original. O máximo que a Marvel se pode contentar é ficar os imensos lucros de fazer filmes com um sucedâneo. A DC Comics tem os melhores super-vilões e o melhor super-herói. A Marvel tem tudo o resto e a vantagem de ter uma equipa de produtores que conseguem fazer filmes (ligeiramente) melhores e mais rentáveis. Já não é mau. Não se pode ter tudo.
Dito isto, chega-se a Captain Marvel... que é mais um exemplo perfeito de um filme copy/paste da Marvel. O mesmo esquema narrativo, a mesma história de super-heróis, a mesma história de super-vilões... sempre tudo igual. É o que se costuma dizer: em equipa vencedora não se mexe. E também para quê? Afinal, os bolsos e os apetites dos fãs são infindáveis, não é verdade? Comem tudo o que lhes aparece à frente, portanto para quê mudar?...
Realizado pela dupla Anna Boden e Ryan Fleck com os actores Brie Larson, Samuel L. Jackson, Ben Mendelsohn, Jude Law, Annette Bening e Djimon Hounsou.
O que é que posso dizer mais, quando a única coisa que ecoa na minha cabeça é o som de pipocas a estalar?... Nada... ○○○

De todos os vídeos mais consumidos no mundo inteiro, há uns que saltam à vista: são os trailers de filmes. Eles são as melhores ferramentas de promoção que os filmes e os estúdios têm à disposição. Fazem toda a diferença no que toca em chegar ao público e os estúdios sabem muito bem disso. Mas sendo um eterno curioso, sempre me intrigou o nome. Porquê trailer? Tipo, como em "semi-reboque"? Uma coisa que é suposto "vir a seguir a...", mas que aparece "antes de..."? Não me fazia sentido nenhum. Fui então descobrir a origem do humilde, mas omnipresente trailer...
Hoje em dia não preciso partir muito a cabeça à procura das coisas, por isso aqui fica o link. Mas seja como for, um pequeno resumo para mim próprio.
O termo trailer vem do pormenor de terem sido originalmente exibidos no final das longas-metragens (ou seja, a reboque do filme, daí o "trailer"). No entanto, tal como acontece hoje dia, em que ninguém liga ao créditos finais, acabado o filme, o público normalmente abandonava a sala de cinema e então via os trailers. Assim, os trailers passaram para a parte inicial da exibição dos filmes.
Como sempre acontece quando um gajo pesquisa coisas na net, encontra discrepências. Historicamente, há discussões sobre se o primeiro trailer foi do filme The Adventures of Kathlyn, em 1913 ou se foi o Pleasure Seekers de 1912. Questões técnicas à parte, os trailers foram para o início dos filmes e foram-se disseminando como uma parte integrante do próprio cinema. Se bem que ultimamente foram recuperados nos grandes blockbusters da Marvel. O que foi vinculado como uma grande novidade, afinal não é mais que uma repetição... Mas para além desta questões ,alguém consegues imaginar o cinema sem trailers?
Há tantos aspectos nos trailers, tanta história e tanto para falar que acho que conseguia escrever um livro inteiro sobre o tema. Mas vou-me conter e mencionar apenas alguns pormenores que acho relevantes. Logo à partida há os trailers clássicos, que para mim, são aqueles que acho que melhor representam os trailers à moda antiga.



Vendo as coisas em perspectivas, por definição, os primeiros trailers eram na verdade teasers. Pequenos trechos do filme que viria a seguir sem mostrar quase nada do filme, apenas para aguçar a curiosidade. É curioso que isso aconteça porque hoje em dia, o primeiro contacto dos filmes com o público é precisamente com o teaser. Os estúdios lançam "n" de teasers, por vezes, meses antes da estreia e com os filmes ainda na mesa de montagem ou pós-produção, só para manterem o público em contacto e a salivar. Um exemplo recente de um teaser para o lançamento do próprio teaser trailer (!!!) e um exemplo antigo que apostou bastante no efeito surpresa...




Uma das coisas que mais sucesso faz hoje em dia no mundo dos trailers é pegar num filme antigo e fazer-lhe um trailer moderno.  Há que dar todo o mérito a este pessoal com tempo, saber e paciência suficiente para fazer estas coisas. Na maior parte dos casos fazem um trabalho verdadeiramente espectacular. Mas mais importante que esta renovação visual dos filmes antigos, mostram um pormenor importantíssimo: a promoção é tudo! Já não é a primeira vez que noto que o trailer é muito melhor que o filme. Às vezes engana bem o público. O trailer é profissional e tem um tom que o filme, de aspecto às vezes amador, nem lhe chega perto... Mas o mais relevante é o que "amadores" conseguem fazer com o material original...





A recente entrada em acção dos mega-blockbusters, para além de "industrializar" os lançamentos, os argumentos e as próprias estruturas narrativas dos filmes, acabou por contaminar também os próprios trailers. Agora já não são só os filmes que parecem todos iguais; os trailers também são todos iguais. É a derradeira invasão do cliché...




Agora uma homenagem. Eu não sei se isto aconteceu com mais alguém, mas durante anos estranhei o facto de todos os filmes terem a mesma locução. Havia uma série de pessoas com vozes muito parecidas, espectacularmente graves a fazer a narração dos trailers em doses industriais? A resposta é não. Havia apenas um homem. Quando se fala de trailers há um nome que simplesmente não pode ser ignorado. Don Lafontaine. Apesar de ser um ilustre desconhecido, a sua voz é omnipresente. Milhares de trailers, décadas de trabalho, e uma voz profunda e inconfundível nos quatros cantos de mundo fizeram com que gerações inteiras reconheçam este génio na sombra. Merece todo o meu reconhecimento e aplausos porque é parte integrante do mundo do cinema.



E por último, pergunto eu: dada a importância e a omnipresença, não deveria haver um prémio anual, tipo Óscar, para o melhor trailer? Fica aqui a sugestão...
Nos últimos anos, parece que a única forma de um adulto ver comédias em condições é assistir a filmes de desenhos animados. Ironicamente, são os filmes para miúdos, os que têm as piadas mais inteligentes.
The Incredibles foi o sexto filme a ser lançado pela Pixar, mas foi o primeiro a ter personagens humanas. Todos os anteriores eram sobre a perspectiva de animais ou de monstros. Apesar deste pormenor, a qualidade dos filmes esteve sempre intocável e este não é excepção. Não sendo totalmente original, é muito bom. E digo que não é totalmente original porque as semelhanças dos Incredibles com os Fantastic Four da Marvel são demasiado óbvias para serem ignoradas: Super-força? Elasticidade? Invisibilidade? Alguém que se transforma numa tocha humana? Super-rapidez? Não há coincidências. Até a fatiota (apesar de vermelha) faz lembrar os Fantastic Four. Mas eu não tenho nenhum problema com isso, até porque só no ano seguinte à estreia dos Incredibles é que a Marvel decidiu pegar nos seus quatro heróis e levá-los ao "cinema".
The Incredibles são uma família de super-heróis na "reforma" que vivem disfarçados a tentar viver uma vida normal nos subúrbios, depois de décadas nas primeiras capas dos jornais. Mas quando um super-vilão ameaça o mundo, eles terão de voltar a revelar os seus poderes e as suas identidades e salvar a humanidade. Mais que uma história de super-heróis, é uma história de família.
Brad Bird é um dos grandes nomes da animação moderna. Já não bastava ter feito The Iron Giant (um dos meus filmes de animação favoritos) ainda me proporciona um filme como The Incredibles. O detalhe na arquitectura, na música (do John Barry, do James Bond - On Her Majesty's Secret Service) e nas roupas dos anos 60 é apenas um dos pormenor que mais salta à vista. Craig T. Nelson, Holly Hunter e Samuel L. Jackson são as vozes principais e são perfeitos. Só mesmo grandes actores podem "estar lá" sem sequer aparecerem...
Gosto mesmo deste filme. Tem imensa piada, tem acção e tem aventura... Entretenimento no seu melhor. ●●●○

Ora mais uma moedinha, mais uma volta no carrossel da diversão! Spider-Man: Far from Home é mais como um ingresso para o parque de diversões da Disney/Marvel. Ultimamente, quando vejo este tipo de produções, de certa forma, fico com a sensação que a Disney começou a tratar os filmes da mesma forma como produz os divertimentos dos parques de diversões. Mudam uma luzinhas, põe-se mais uma personagem, tira-se outra, aperta-se uns parafusos, põe-se uma coisita inesperada aqui e ali... e está feito. Mais umas centenas de milhões no papo.
A mando do estúdio, Jon Watts dirige com diligência o pessoal do costume: Tom Holland, Samuel L. Jackson e Marisa Tomei nos papéis centrais, Jake Gyllenhaal aparece para ir buscar o cachet milionário enquanto finge que é um vilão, Zendaya está lá para fazer a ligação entre a audiência dos canais infantis e o agora supervisor executivo da Disney, Jon Favreau.
O mesmo esquema de produção, o mesmo esquema de representação, a mesma história de sempre. Em equipa que factura não se mexe, por isso, ver este Spider-Man: Far from Home é o mesmo que ver outro Spider-Man / filme Disney/Marvel qualquer. É um produto industrial que sabe sempre igual. Para os fãs deve ser uma maravilha, para os restantes amantes do cinema, a seca do costume. Pelo menos assume o que é: um produto de entretenimento para miúdos. É bom para se ver quando não apetece ver nada em particular... A saturação do mercado com este tipo de produtos torna este filme pior que o primeiro. ○○○

Os fãs estavam a ressacar e pediam qualquer coisa minimamente ligada aos X-men, por isso os estúdios fizeram a vontade. Dark Phoenix é mais uma entrega Marvel do Universo X-Men... repleta de nada. Valem os momentos iniciais pela cena do acidente de carro que mostra os poderes da moça que há-de ser a Phoenix. E depois não há mais nada a não ser uma narrativa repetitiva e totalmente infantil recheada de escusadas cenas de acção com efeitos especiais. É inacreditável.
Este 1 (um) de classificação é mais uma vez pelos aspectos técnicos. Mas também é única coisa que o filme tem. O resto é de uma banalidade infantil tão grande que é indescritível. É penosamente previsível e sempre a mesma coisa, vez após vez. Basta ver que o realizador, Simon Kinberg é essencialmente um produtor (dos outros X-Men) e nem tem experiência na "cadeira". Bem, estes filmes também são praticamente todos feitos em pós-produção e nos estúdio de CGI, por isso, um homem na cadeira a realizar já nem sequer faz muito sentido... Já não se aguenta esta industrialização. Para além disso, numa perspectiva de seguimento da "franquia" não faz sentido nenhum. Pelo menos é coerente nesse aspecto: estes filmes cada vez mais fazem menos sentido. Existem pura e simplesmente para alimentar a mente ávida de efeitos especiais dos "fanáticos". Até os actores (James McAvoy, Michael Fassbender, Jessica ChastainJennifer Lawrence, Sophie Turner) já parecem cansados de fazer estes papéis e de encarnar estas personagens. Nota-se que estão ali apenas e só pelos cachets milionários, o que diga-se, é completamente compreensível. Eu, por exemplo, no papel do Fassbender só mesmo por um balúrdio é que dava a cara por esta coisa infantilóide. Espera-se o seguimento da história, a sequela, a prequela, mais bonés, chávenas de pequeno-almoço e lancheiras para os miúdos poderem levar ao festival do Panda... ○○

Como o primeiro filme foi um relativo sucesso de bilheteira era inevitável uma sequela. Daí a existência de Wrath of the Titans. Não é uma continuação da história anterior mas mais uma série de histórias mitológicas envolvendo a personagem principal, Perseu. É o que tem de bom a mitologia clássica: tem histórias para dar e vender e todas são muito boas, sempre recheados de monstros e super-vilões, exactamente o ponto onde falham as cópias, as "mitologias modernas" de super-heróis da BD. Incrivelmente, estas histórias antigas não colam no público actual. Para mim é um mistério. Por exemplo, este Wrath of the Titans foi um falhanço de bilheteira. Porquê? Não tem acção explosiva? Tem. Não tem monstros espectaculares e gigantes em CGI? Tem. Não tem supervilões super-maus que querem destruir o mundo dos humanos? Tem. Não acaba tudo bem, com os bons felizes e os maus a serem castigados no final? Obviamente. Então porque é que o grande público não adere em massa como acontece nas tretas com a chancela Marvel/DC? Não sei dizer. Aos meus olhos, a diferença é mínima. Ver isto ou ver o Doctor Strange é exactamente a mesma coisa. Um entretenimento momentâneo e facilmente esquecível.
Do primeiro para este filme, mudou o realizador (Jonathan Liebesman) e o cast mudou apenas nas personagens mais secundárias (Sam Worthington, Liam Neeson, Ralph Fiennes, Rosamund Pike, Bill Nighy, Danny Huston). Os monstros e o CGI também aumentaram ligeiramente, mas de resto é tudo mais ou menos igual ao anterior. Gosto muito destas histórias da mitologia e que já me acompanham desde muito novo. Por isso nem me importava de ver um terceiro filme deste género, mesmo sabendo que a história é apenas um suporte para as cenas de acção e para os efeitos especiais. Mas como a mitologia clássica (ainda) não foi comprada pela Disney e por isso não tem fãs activos, não há mais nada para ninguém. É pena. ●●○○

Quando digo que vejo tudo, isso quer dizer que vejo mesmo tudo. Admito que enjoei um pouco os filmes de animação Disney porque têm um modelo pré-definido e não saem daquilo. Para um olho atento e treinado, vendo um, os outros são sempre iguais. É a receita infalível seguida pelos estúdios Marvel, apesar de quererem fazer passar a mensagem de que são diferentes, não sei muito bem porquê. Deve ser uma questão de bilheteira e quantidade de fanáticos... perdão: fãs. A similaridade é tão grande que a Disney até comprou a Marvel!. E percebe-se perfeitamente porquê: é o mesmo produto mas para estratos etários diferentes. Não vale a pena estar com merdas, é tudo igual, é a velha receita Disney, que quer se queira quer não, não falha. Desde aquele guião original do Toy Story que todos os filmes seguem o mesmo principio. Eu nem tenho grande problema com isso, mas ao fim de ver dúzias de cópias, acaba por enjoar e foi o que aconteceu. Mas não sei muito bem porquê, decidi voltar a ver mais uma Disneyrada.
Baseado no mundo dos videojogos de arcade (máquinas de jogos para os mais velhotes), Wreck-it Ralph está recheado de boas piadas (como sempre), muitíssimo bem escrito e com aquelas alfinetadas cirúrgicas de acção e comédia, que vêm sempre na altura certa... Lá está, é uma fórmula que nunca falha.
Falar de vozes de actores é sempre uma coisa estranha mas aqui destacam-se o brilhante John C. Reilly, Sarah Silverman e Jane Lynch. Tenho de admitir que gostei, até porque estes filmitos são tão inócuos que acabo sempre por gostar deles. Eu compreendo. É uma coisa cerebral. O filme acaba e uma pessoa fica com uma boa sensação. E isso também é importante e útil, desde que não seja totalmente "falso". É o caso. Vê-se bem e por isso provavelmente irei ver a obrigatória sequela. ●●○○○

Venom... Mais um spin-off, mais um derivativo qualquer do universo da BD da não sei das quantas, mais um filme de "bonecada" digital sem o menor pingo de nada... Vale pelo Tom Hardy (gajo que curto valentemente e que não percebo o que está a fazer aqui...) e pouco mais. Andam por lá outros actores (Woody Harrelson, Michelle Williams) mas tudo o resto é acessório. Só conta mesmo a acção e mais nada. É o blockbuster do costume. Bem, não vale a pena gastar o meu latim numa coisa tão fraca. Por isso vou falar de outra coisa.
Numa entrevista após a saída do filme, o co-criador da personagem Todd McFarlane, insurgiu-se com as críticas negativas e disse que os críticos são demasiado velhos para apreciar o filme. Sem ser textual, ele disse que os críticos entram no cinema com os seus 40 e tal anos e depois saem para dizer que o filme foi uma merda. Mas que quando o público tem 16 anos, vai ver o filme e acha um espectáculo. Os miúdos adoram.
É exactamente isso que eu também acho. Se tivesse 16 anos adoraria o filme. Quanto tinha 16 anos, os filmes de entretenimento nem chegavam aos calcanhares destes. Só havia um blockbuster por ano e apenas existiam heróis de acção (nem sequer tinham super-poderes) e um deles era o Van Damme... Puff! Isto agora é mesmo para meninos... Os filmes nem sequer tinham efeitos especiais, meu! Por isso, claro que os miúdos de 16 anos - de agora - adoram o filme. Tem efeitos especiais a rodos, transformações digitais, violência desnecessária, má linguagem aos pontapés, uma história linear - para ser percebida por qualquer miúdo que curta video-jogos (e são quase todos) -, gajos constantemente a voar em todas as direções, pancadaria velha e explosões a cada 3 minutos. Isto de facto, é o que qualquer miúdo de 16 anos adora. Não tenho dúvidas disso. Mas isso não invalida o facto de o crítico ter na mesma os 40 e tal anos, pois não? Nem o facto de ele achar que o filme é de facto uma merda, porque o filme não foi feito para ele; foi feito para o tal miúdo de 16 anos. Pergunta lá ao miúdo de 16 anos o que é que ele achou daquele clássico do Kubrick? Ou do novo filme do Michael Haneke? Aposto que a a resposta seria... "uma merda"! "As pessoas só falam!" "Não há socos e nem uma única explosão!"...
Se se faz um filme exclusivamente para um público não se pode querer agradar ao outro. Não se pode ter o crítico e a bilheteira na mesma mão. Ou se tem uma coisa ou se tem a outra. É tão simples como isso. É a vida. Ou será que ele prefere trocar os 900 milhões de receita de bilheteira por uma excelente crítica reconhecida internacionalmente? Não me parece... ●○○○○

Ant-Man and the Wasp (de Peyton Reed), entra directamente na categoria de "não vou perder muito tempo a escrever sobre isto". Faço a mesma coisa que fazem com estes filmes: aplico-lhe a fórmula. É uma sequela mas tem ligação com o primeiro filme. É da Marvel. Tem toneladas de efeitos especiais e acção. Tem ligação com os Avengers. Tem Paul Rudd, Evangeline Lilly, Michael Peña e depois um trio fenomenal de actores como Michelle Pfeiffer, Laurence Fishburne e Michael Douglas para dar alguma credibilidade e meter nomes imponentes nos cartazes.
... e não tem mais nada. ●○○○○

Esta (previsível) saga Deadpool é um case study. Não a percebo. Não entendo o super-herói e nem sequer entendo os seus poderes. Eu também conheço muito pouco das bandas desenhadas e portanto nem sequer conheço este super-herói. Ou melhor, este anti-super-herói. Basicamente é uma personagem que vai sendo alterada à medida que for preciso. É impressão minha, ou havia um Deadpool completamente diferente num dos filmes do Wolverine? Não interessa. Ignora-se.
Não consigo ver aqui nenhum significado e é insultuosa para tudo e todos, inclusivé para o próprio universo a que pertence. Tem a linguagem mais vulgar que me lembro de ver num filme mainstream. Parece que todos os personagens aprenderam a falar com um chulo dos anos 70. Sinceramente, mais que outra coisa qualquer, isto parece uma forma de escape para o pessoal da Marvel. Como se eles próprios quisessem criticar o seu próprio universo "vazio" mas não tivessem essa opção pois insultariam os milhões de fãs que os alimentam. Daí que Deadpool (de Tim Miller) funcione quase como uma válvula de escape para todo o ecossistema Marvel.
E mais. Pensando bem no assunto, o irónico de toda esta situação, é que Deadpool acaba por funcionar quase como uma caixa de ressonância para a crítica profissional: a personagem passa todo o filme a criticar exactamente os mesmos pontos que os críticos e diz aquilo que eles não podem dizer em público, mas que pensam enquanto assistem sorridentes nas ante-estreias. Pensando bem, este Deadpool é, se calhar, o super-herói favorito dos críticos. Quem sabe se Deadpool não é mesmo o derradeiro crítico profissional por baixo daquela fatiota vermelha? É uma incógnita com que o mundo vai ter de aprender a lidar...
Por muito que eu não goste deste filme, tenho de admitir que tem algumas piadas bem construídas e pela crítica inerente e imparável, acaba por funcionar como um antídoto aos "normais" filmes de super-heróis e foi algo totalmente diferente do que já tinha visto. E isso é positivo em qualquer situação. Até mesmo num filme como o Deadpool. ●●○○○


Depois do imenso êxito que foi insultar meio mundo "normal" e a totalidade do mundo dos "heróis", eis que chega a inevitável sequela, com Ryan Reynolds (o verdadeiro alter-ego de Deadpool...) e Morena Baccarin a regressarem aos seus papéis. Deadpool 2 (de David Leitch) acrescenta mais insultos ao anterior, mais quebras da "quarta parede" e o também inevitável super-vilão representado por um actor (Josh Brolin - excelente em qualquer situação) de renome principescamente pago para dar alguma credibilidade a um filme que não o tem e assim também chamar mais clientela para o balcão das pipocas. É receita garantida e funciona sempre, portanto "em equipa que ganha não se mexe" e assim aconteceu mais uma vez. Espera-se um buraco no longo rol de filmes de super-herois já agendados para os próximos anos, para assim poder encaixar um Deadpool 3, que de certeza será ainda mais vulgar e insultuoso. Isto só vai parar quando o público se chatear com um piada inofensiva qualquer... ●○○○○

Uma das razões porque continuo a ver filmes Marvel é porque espero uma surpresa. Mas não. É sempre a mesma coisa. A mesma estrutura de argumento, a mesma história, as mesmas cenas de acção, os mesmo efeitos super-especiais, o mesmo tudo. É sempre igual. O que é totalmente normal. Há milhões de fãs que querem ver sempre a mesma coisa, portanto porquê mudar? É que ainda perdiam a clientela... Não faz sentido mudar e eu entendo.
E assim chegamos a Black Panther, super-herói menor da Marvel que ganhou muita visibilidade (e bilheteira) porque há um problema racial crescente nos EUA. Tremendo êxito de bilheteira, integralmente criado pelo hype mediático e pelo momento social da América. Só por causa disto. Porque o filme é exactamente igual às restantes "entregas" da Marvel. É um filme de super-heróis, blá, blá, blá, tudo igual aos outros. A principal diferença deste para os restantes, é que praticamente não tem actores brancos. Quer dizer, há dois, mas aparecem tão poucas vezes, que quase não conta. Seguem-se os próximos capítulos, que por este andar serão dedicados a outros "grupos" ou minorias étnicas, se os estudos de mercado que são previamente encomendados antes de se fazer estes filmes assim o "mandarem". Uma palhaçada de Ryan Coogler com Chadwick Boseman, Michael B. Jordan, Lupita Nyong'o, Martin Freeman, Angela Bassett, Forest Whitaker e Andy Serkis em montes de papéis redundantes... mas uma palhaçada que dá muuuuuito dinheiro. Daí que também o elenco também tenha de ser extenso... É para continuar igual. Sem surpresas... ●○○○○

"No início é o ruído, o desespero e o abuso. Mariana quer sair do Inferno. Estende a mão a um homem meio morto, Leão. Mariana, plena de vida, pensa que talvez possam escapar juntos do inferno. Acredita que pode trazer o homem morto para o mundo dos vivos. Sete dias e sete noites mais tarde percebe que estava enganada. Trouxe um homem vivo para o meio dos mortos." Esta é a sinopse oficial de "Casa de Lava". A história até é boa e, teoricamente, poderia dar um bom filme.
Não é este o caso. Tudo aqui é tão pobremente péssimo que se torna horrível. É penoso de ver. É o exemplo mais gritante de um daqueles filmes pseudo-intelectuais que dá mau nome aos filmes pseudo-intelectuais. Chateiam-me estes filmes esotéricos de festival internacional, que não são mais do que filmes da treta. Irritam-me. Tiram-me do sério. Isto é o quê? Um drama abstracto? Um filme-documentário? O que é isto? É que eu não consigo classificar. A narrativa é praticamente inexistente. O som é péssimo. A imagem e a fotografia são horríveis, apesar das paisagens serem deslumbrantes. Os actores, coitados, nem sequer consigo comentar. É um estilo de cinema que me passa totalmente ao lado. A mim e ao resto do mundo, sendo que a excepção são os outros pseudo-intelectuais que têm de viver de subsídios estatais para fazer "cinema-arte" -  porque ninguém entra com o dinheiro para produzir estas coisas que têm literalmente zero de audiência - o elenco envolvido, a restante equipa de produção e o júri de Cannes. E o Paulo Branco..
Conheço perfeitamente esta lógica cinematográfica. Colar ruídos mecânicos às coisas más e deixar rolar a câmara serenamente para dar a sensação de conforto e passividade. Mostrar rostos humanos. Planos excruciantemente longos e estáticos para mostrar a "crueldade do momento". Já vi esse estratagema milhentas vezes e de todas as vezes que vejo, detesto. Há quem diga que é a "arte do cinema", mas eu chamo-lhe vazio e pseudo-intelectual. Para mim, isto não é nada. Vale zero. Isto é quase como dizer que a simplicidade é uma parede branca, portanto vamos ficar 2 horas a olhar para a parede branca e assim imaginamos o filme que quisermos. Bem, já houve um gajo que pôs toda a gente a olhar para uma tela negra a imaginar como seria o filme, portanto... Mas esse era tolo e tinha outras intenções que são bem conhecidas... Mas isto é outra coisa. É treta "moderna", o que não deixa de ser uma treta, mesmo que tenha milhentos prémios internacionais. É tão vazio como os filmes de super-heróis da Marvel, se bem que esses, pelo menos, levam pessoas aos cinemas e dão lucro.
Este é o verdadeiro filme de eleição do "crítico profissional de cinema". É que estou mesmo a ver. "A rudeza dos planos, a inexistência de contextos aplicáveis, a desconexão emocional. O realizador filma a vida como se estivesse coberta por um lençol de cinzas que abafa o quotidiano, a estética, a materialidade e a forma..." Tretas, tretas, tretas e mais tretas pseudo-intelectuais... Eu avisei logo de início que estes filmes me irritam... "Obriguei-me" a despender duas horas da minha vida, só para confirmar aquilo que já estava à espera. Irritou-me tanto, que o gravei na televisão só para ter o prazer de o apagar logo de seguida... ●○○○○ E dou-lhe uma "bolinha", porque de facto, o filme até tem subjacente uma boa história e que podia e deveria ter sido bem aproveitada. Pode ser que alguém se lembre de pegar nela e fazer algo que valha mesmo a pena ver...

Esgotado o stock de super-heróis, eis que chega... Doctor Strange... Xi... Que grande chachada... Mas uma chachada da Marvel, por isso não se pode dizer muito mal, porque tem imensos fãs e rende milhões nas bilheteiras. Não. É uma grande chachada só que agora com efeitos especiais psicomarados e cenas místico-mentalistas... ou lá que era...
E ainda por cima tem manipulação do tempo, a pior coisa que se pode introduzir na narrativa de um filme. Para ver quando não houver mais nada para ver e nunca mais rever... Como sempre (e o pessoal da Marvel sabe disso muito bem), só mesmo o lote de bons actores (Benedict Cumberbatch, Mads Mikkelsen e Tilda Swinton)é que tornam esta cena "comestível"... ●○○○○

Por vezes reparo em pormenores quotidianos estranhos. Uma coisa que reparei ultimamente é que quando alguém fala em ir jantar fora, toda a gente saca do telemóvel e vai logo consultar sites tipo Zomato (!?) e semelhantes e vai ver os reviews. Será bom? Será caro? Tem muita lista de espera? O que é que o resto do pessoal diz sobre o espaço? Qual é a pontuação?
Mas esta situação só se aplica aos restaurantes ditos "normais". Quando um gajo vai comer um hambúrguer ao McDonald's ou ao BurgerKing, ninguém vai consultar nada porque já sabe o que vai encontrar: é sempre a mesma coisa, com o mesmo aspecto, com o mesmo sabor, em todo o lado, a qualquer hora.
Thor: Ragnarok, de Taika Waititi, é um hamburger. É sempre a mesma coisa, com o mesmo aspecto, com o mesmo sabor, em todo o lado, a qualquer hora. Só que em vez de serem asinhas de frango panadas do KFC, são uns filmes da Marvel. É aqui que o caminho diverge. Para umas pessoas é exactamente aquilo que querem comer para sempre, porque é doce, salgado e saboroso e ainda por cima, acompanhado de uma Coca-Cola gelada, é a melhor refeição de sempre... Para outras pessoas, não é que seja desagradável de se saborear, mas o sabor é o mesmo de sempre, parece comida feita de plástico (ei! não fui eu que inventei o termo...), e conforme as pessoas, um bocadinho enjoativo no final... Pessoalmente, evito estas comidas "plásticas", porque simplesmente não estou habituado e depois porque fico sempre mal disposto: ando a arrotar a hambúrguer durante horas. Acho que o meu organismo não consegue digerir aquilo... Bem, mas chega de falar de comida de plástico... Ou então, não!
Apenas um recado para a Marvel. Antigamente, não passaria pela cabeça de ninguém, abrir uma casa de venda de hambúrgueres, quando havia McDonald's a 5 euros e até ofereciam uns brinqueditos de plástico para a criançada. Depois apareceram as casas de hambúrgueres "artesanais" (que é uma forma chique de dizer que são verdadeiros...), as pessoas aperceberam-se do sabor artificial do que andavam a comer e a McDonald's teve de implementar pequenos-almoços com a duração de um dia inteiro... e agora até andam a meter queijos diferentes, tipo o Brie para lhe poder chamar gourmet...
Chris Hemsworth e Tom Hiddleston são o hambúrguer e o molho insubstituíveis deste menu; a parte gourmet dá pelo nome de actores como Cate Blanchett, Idris Elba, Jeff Goldblum, Karl Urban, Mark Ruffalo, Anthony Hopkins e Benedict Cumberbatch... o resto tem o mesmo sabor de sempre: esquecível. Apesar das parecenças, uma das grandes diferenças entre estes filmes e a comida de plástico é que a junk food causa-me indisposição, enquanto que os filmes de plástico causam-me esquecimento... É o principal problema da massificação e industrialização do cinema: vi o filme há tão pouco tempo, mas mesmo assim, já se me varreu do cérebro. Não me lembro de quase nada... Só me vem à cabeça uma coisa: "cinema-de-plástico". ●○○○○

Finalmente, o Homem-Aranha volta a casa... à Marvel. E isso nota-se. Diga-se o que se disser, a Marvel tem uma forma diferente de fazer filmes de super-heróis. E não é por causa dos efeitos ou da acção. Realmente, eles sabem escrever um bom guião e desenvolvem as personagens o suficiente para suportar a acção e os obrigatórios efeitos especiais. Se bem que começa a copiar demais a fórmula mágica do guião do Iron Man...
Tom Holland "reboota" a personagem e faz agora de Homem-Aranha adolescente, Michael Keaton faz de vilão credível (ironicamente, parece que saiu do Birdman) e Robert Downey Jr., Jon Favreau e Gwyneth Paltrow - saídinhos directamente de um qualquer Iron Man, supervisionam a nova franchise de perto - não vá a coisa descambar para a palermice total - e introduzem a verdadeira parte cómica e divertida do filme. O único "erro" de casting é a Marisa Tomei que nunca na vida vai convencer ninguém que é a tia carinhosa do Homem-Aranha.
Spider-Man - Homecoming (de Jon Watts) é um filme "normal" de super-heróis, acção e efeitos especiais, e facilmente esquecível, mas está bem feito. Pelo menos, é melhor que os dois anteriores. Não é melhor que o inicial da franchise do Sam Raimi, mas anda lá perto. Não chateia. Vê-se bem. Segue aquele velho lema: "É preciso que tudo mude para que tudo permaneça como está."  ●●○○○

Batman vs Superman: Dawn of Justice é o filme típico de super-heróis, mas um bocadinho melhor que o habitual. Mas tenho que dizer que, apesar de ser previsível (pelo próprio título), não gostei do engodo: Batman vs Superman - Dawn of Justice?!? A sério? É óbvio que o Batman nunca iria estar contra o Super-Homem, e mesmo que o fizesse, o Batman nunca teria hipótese, assim como ninguém teria. Afinal, o Super-Homem é um deus imortal extraterrestre, certo? Percebia-se logo que era um prólogo para o novo filme da Liga da Justiça (na tentativa de replicar o gigantesco êxito de bilheteira dos Avengers da Marvel), que estaria algures em "ebulição"... (E também acabaria por ser uma introdução para uma agradável surpresa posterior chamada Wonder Woman...) Há que fazer "render o peixe", não é verdade? Não se vai logo fazer um filme assim do pé para a mão... Há bilhetes e muito merchandising para vender, então?
Mas tirando este pré-condicionante negativo, por acaso, até nem é tão mau como é normal neste tipo de filmes-pipoca. Digam o que disserem, Zack Snyder é um mestre em dar valor a estas coisas. Este gajo tem um dom. É o melhor realizador deste género, disso não tenho dúvidas. Também ajuda bastante ter um casting muito bem feito e com muito bons actores (Ben Affleck, Henry Cavill, Amy Adams e ainda Jesse Eisenberg, Diane Lane, Laurence Fishburne e Jeremy Irons).
Em termos de história, lá conseguiram encaixar o imprescindível Lex Luthor e a BD emblemática do embate do Super-Homem com o Doomsday (mas se lembro bem, na versão portuguesa/brasileira da BD, o "monstro" chama-se Apocalypse), que é para mim, uma das melhores BD's dos últimos anos e que por acaso até possuo e guardo religiosamente. Nesse aspecto, é um guião exemplar. Tudo feito a regra e esquadro, com boas deixas e muito bem escrito, sempre a pensar na planeada sequela.
Apesar de não terem a matéria prima infindável da Marvel, este pessoal da DC Comics vende cara a "derrota".Como se comprova aqui, é bem possível fazer um filme-pipoca, sem ser totalmente estúpido, linear e vazio. Batman vs Superman: Dawn of Justice é melhor que o "normal" e catita de se ver. ●●○○○

Uma das melhores coisas que os recentes filmes de super-heróis têm é que me poupam imenso tempo. É que dar uma de crítico de cinema, na actualidade, é um trabalho a tempo inteiro. Um gajo ainda está a acabar de ver um filme e já saiu outro novo. "Novo", que é como quem diz, porque na realidade é sempre o mesmo filme... "novo". O panorama actual é alucinante: são lançamentos constantes, uns atrás dos outros. Uma pessoa nem tem tempo para escrever. Isto de fazer uma avaliação a todos os filmes que se viu, acaba por se tornar uma profissão a tempo inteiro, senão não dá escoamento.
Daí que, nesse aspecto, estes filmes de super-heróis sejam muito melhores que os outros filmes "normais" que têm histórias e tudo o resto. Um gajo não precisa de aprofundar muito a questão. É só pôr mais pipocas a estalar e está pronto.

Guardians of the Galaxy (de James Gunn) é o filme típico de acção, explosões e super-heróis da Marvel. Como é divertido, ainda se consegue ver. Tem boas piadas e a banda sonora dos 80's ajuda como sempre, porque, tal como a década em si, é a melhor de sempre. Tem uns actores simpáticos (Chris Pratt, Zoe Saldana, Michael Rooker, mais as vozes de Vin Diesel e Bradley Cooper), a mesma história batida de sempre (isto é para duas horitas de diversão sem estar a pensar em mais nada, não é para debates filosóficos), o mesmo final feliz em aberto (caso o lucro de bilheteira exija uma sequela)... e é isso. Pipoca, com o sabor agradável do costume. ●○○○○




Já o Guardians of the Galaxy, vol. 2 (também de James Gunn) é simplesmente intragável. Exageraram no açúcar, e pior ainda, nem sequer conseguiram arranjar música fixe dos anos 80. É preciso ser mesmo incompetente... Não tem pés, cabeça, história, nada... Só tem mesmo fogo de artifício. É uma colagem de cenas de acção com uma suposta história pelo meio que nunca chega verdadeiramente a sê-la porque a montagem é tão rápida e tão entrecruzada com cenas de acção desnecessárias que não dá tempo. É isso. Aliás, é dos argumentos mais idiotas que alguma vez vi. É de uma leviandade que nem tenho palavras. Basicamente, o man principal é filho de Deus (sim, o "Deus" omnipotente que criou todo o universo...) e como não está de acordo com a sua actuação e pretensões para o futuro da humanidade, mata-o... Hã!? Nem me vou alongar mais neste assunto. Parece-me que o pessoal da Marvel perdeu um bocadinho a noção do rídículo, mas tudo bem. Lá está, isto não é para pensar, isto é para consumir. É para meter a mão no balde das pipocas e mais nada. É que o foguetório dos efeitos especiais digitais são ilimitados, mas a estupidez parece que não... Ou será ao contrário? Estes filmes "epilépticos" deixam-me sempre confuso...
Mas na realidade isso nem sequer interessa para nada. O que interessa é o saldo final. Pagou a produção e deu lucro? Se não, fica por aqui... ou faz-se um reboot. Se sim, então venha daí o Vol. 3 que deve ser ainda mais espectacular. Parece que o próximo filme vai estrear em 4D, com um ligeiro cheiro a pipocas banhadas em manteiga queimada e canela... ○○○○○

O que acontece com os super-heróis quando ficam velhos? Será que envelhecem? O que acontece quando tiverem filhos? As mutações genéticas passam para a geração seguinte? Podem sequer ter filhos? No mundo fantástico dos super-heróis, sempre foram as questões mundanas e lógicas que me intrigaram. Mas sempre me intrigou mais saber se é possível fazer um filme de super-heróis para o público adulto? É bem possível. Logan é a prova disso. Está muito bem feito. Digo mais, surpreendentemente bom. James Mangold com esta apresentação, é um realizador a ter debaixo de olho.
É violento, visceral, realista, estranhamente humano e recheado de claras alusões religiosas.
A história de Logan passa-se em 2029, numa altura em que o Wolverine (Hugh Jackman) está algo debilitado porque desenvolve uma alergia ao adamantium que tem por todo o corpo. O Professor Xavier (um impressionante Patrick Stewart), devido à idade avançada, tem uma doença degenerativa que torna os seus poderes incontroláveis, o que leva a que esteja dependente de medicamentos e isolado do resto do mundo. A juntar a tudo isto, os outros mutantes - vistos como indesejáveis - estão quase todos mortos, desaparecidos ou são mal tratados. Aqui também não há vilões extravagantes e cheios de poderes e raios laser. Quer dizer, não há super-vilões, apenas há vilões, mas esses são os "normalíssimos" humanos, implacáveis e tão ou mais cruéis que qualquer super-vilão digital.
Fiquei com a impressão que Logan é uma experiência. Tipo um teste às audiências, para ver a reacção a um novo começo, com novos super-heróis. Não sei se a ideia da Marvel é fazer um reboot diferente (com menos foguetório digital e mais dramático) ao tema do super-heróis. É que isto dos remakes e reboots constantes, sempre iguais, também não podia durar para sempre, não é verdade?
Para não estragar o efeito surpresa de quem não o viu, resumindo, Logan é um filme de acção e super-heróis, mas estranhamente é um bom filme. Diria mesmo, muito bom. Para mim, o melhor filme de super-heróis de sempre. Dentro da temática, acho que será difícil fazer melhor.
Uma última palavra para Hugh Jackman. Há actores que quando fazem um papel popular e icónico, passado uns anos fartam-se da personagem que encarnam e simplesmente, por questões de gestão de carreira e por não quererem ficar conotados para sempre com a imagem da própria personagem, querem ver-se livre dela a todo o custo. É o chamado Bond Effect. Nem sei se o termo existe, mas basicamente é isso. Jackman fez uma coisa única: apesar do óbvio cansaço a fazer de Wolverine, abraçou a sua personagem até ao fim. É raro. E é de louvar. Obrigatório ver. ●●●●○

O que dizer deste The Mummy, versão de 2017? Só há uma palavra: fraquinho. A Universal quis aproveitar o filme para fazer uma intro para uma nova série de monstros, - o que até acho bem, porque estou um bocado cansado de ver sempre os mesmos super-heróis em acção -, mas acabou apenas por revelar uma incompetência total. Basta ver o que pessoal da Marvel faz com as suas personagens e com os seus filmes. Não é assim tão difícil...
The Mummy não tem rigorosamente nada que se aproveite. Tem muito pouco ritmo, apesar de ter algumas boas cenas de acção, tem actores (Tom Cruise, Russell Crowe) que representam apenas para o cachet... bem, não tem nada que se aproveite.
Fica-se à espera de um remake... neste caso, um re-reboot. ○○○○○

The Amazing Spider-Man 2 é a sequela de The Amazing Spider-Man. E basicamente é isso. É "sempre a mesma coisa". Volta todo o pessoal do primeiro filme (Andrew Garfield, Emma Stone, Sally Field) e também algumas novidades como Paul Giamatti que aparece como... Já nem sei quem ele é suposto ser. Acho que só aparece porque este filme já não conta com o Martin Sheen e eram precisos actores com algum nome no "lado dramático". Ou então não...
Há um jovem actor (Dane DeHaan parece promissor [mas também pode ter sido do corte de cabelo estranho...]) a fazer Harry Osborn, que quase, quase no final do filme lá se transforma no Green Goblin. E há também Jamie Foxx, como Electro, um super-herói azul eléctrico que só quer que gostem dele e que suga o poder da electricidade mas que acaba por morrer porque toma uma dose demasiado elevada de... electricidade. É triste. Mas não tão triste como The Amazing Spider-Man 2... Filme bom para se ver num domingo à tarde quando uma pessoa está com uma grande gripe e não pode sair da cama... ●○○○○

 
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