Não sendo muito fluente em francês, tive de pesquisar para perceber o que La Jetée queria dizer. La Jetée é aquela plataforma pública dos aeroportos em que se podia assistir às descolagens e aterragens dos aviões. No entanto, no meio das minhas pesquisas por tradutores online, percebi que o título também podia ser interpretado, foneticamente, como "là j'étais", que pode traduzir-se mais ou menos como "eu estava lá". Não sei qual foi a ideia de Chris Marker quando deu este título ao filme, mas a realidade é que funciona bem de qualquer das formas.
Apesar de ser uma curta-metragem a preto e branco, de apenas 28 minutos, La Jetée é um filme complexo. Quer dizer, eu digo que é um filme complexo, mas é apenas por brevíssimos segundos que podemos ver imagens em movimento. Por isso, é difícil qualificá-lo como filme. Como é apresentado apenas com recurso a fotografia estática, visualmente é mais uma novela gráfica que outra coisa. No entanto, a música, a narração e o efeito da montagem com o som, dão-lhe uma continuidade tão fluída que me parece óbvio que se está a assistir verdadeiramente a um filme.
Se a escolha estética da fotografia (em detrimento do movimento) como medium para apresentação visual pode ser considerado com uma "simplicidade", já a história de base é bastante complexa. Algures no futuro, numa distopia em que a humanidade vive em subterrâneos para fugir às consequências letais de um mundo devastado e envenenado pela guerra nuclear, um grupo de cientistas consegue desenvolver um método de viajar no tempo. O objectivo é tentar arranjar ajuda para a questão do presente, indo tanto para o passado como para o futuro. Para isso contam com um homem, o único que consegue física e mentalmente aguentar a "viagem". O homem tem visões de uma mulher que não conhece, e a imagem dela numa gare de aeroporto é recorrente. E é aqui que as viagens no tempo começam a dar a volta ao argumento e entram em paradoxos a que aparentemente não se pode escapar. Aliás, este parece ser o grande significado de La Jetée e a sua grande mensagem, que é sempre actual: pode-se andar para a frente ou para trás no tempo, mas não se consegue escapar ao momento presente.
Pequeno em tamanho, mas muito grande em conteúdo, é assim que eu vejo o La Jetée. Para mim, é um dos marcos incontornáveis do cinema, simplesmente porque é a expressão da máxima estilização possível. Estica todos os limites daquilo que pode ser considerado como um filme. Os actores, por exemplo, estão presentes (Hélène Chatelain, Davos Hanich e Jacques Ledoux), mas não tendo movimento acabam por funcionar quase como adereços da própria história. Por outro lado, a voz do narrador, (Jean Negroni), sendo uma presença incorpórea, acaba por ter mais presença que os outros que de facto aparecem visualmente. Pufff! O cérebro dum gajo explode quando começa pensar nestas coisas... E ainda por cima, num tão curto espaço de tempo consegue concentrar tantos e tão complexos assuntos que sempre me deu a volta à cabeça. Uma preciosidade. Totalmente obrigatório. ●●●●●
Mostrar mensagens com a etiqueta fotografia. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta fotografia. Mostrar todas as mensagens
Não sou grande fã de Turner, mas não consigo resistir a um biopic sobre pintores. Normalmente têm histórias de vida surreais que dão sempre bons filmes. Turner não é excepção. Mr. Turner mostra os últimos anos de vida do excêntrico pintor inglês William Turner, as relações com a empregada de limpeza, a sua senhoria em Chelsea (onde acabaria por morrer) e os efeitos nefastos que sofreu após a morte do pai. Mostra também as suas viagens, as pinturas - e o modo particular de pintar -, a importância da luz e do realismo que empregava nas suas telas e a forma de lá chegar, ao ponto de se amarrar a um mastro de um navio para ver como seria realmente estar no meio de uma tempestade. Amado e odiado de alguma forma pelo público e pela aristocracia, Turner parece um alienado de qualquer realidade.
Tenho de admitir que não sendo fã do Turner deu-se uma sensação de desconhecimento tão grande em relação à personagem que me apeteceu logo ir a correr e comprar um livro para o conhecer melhor e à sua obra. Apercebi-me que um gajo do século XIX que pintava cenas trágico-marítimo se aproximou bastante dos pintores modernos como Mark Rothko, por exemplo. E não fui só eu. Aparentemente, após a exibição do filme, os seus quadros reaparecerem rejuvenescidos no mercado e começaram a ser leiloados atingindo os preços mais elevados de sempre.
Mas se o filme por um lado teve o condão de despertar-me a curiosidade pelo pintor, por outro quase que me entediou. Apesar da brilhante fotografia, tem um ritmo exageradamente lento e é obviamente longo demais. Mr. Turner podia ter sido um grande filme, mas assim é apenas um bom filmito de Mike Leigh, com uma grande - muito grande -, mas estranha interpretação de Timothy Spall. ●●○○○
Tenho de admitir que não sendo fã do Turner deu-se uma sensação de desconhecimento tão grande em relação à personagem que me apeteceu logo ir a correr e comprar um livro para o conhecer melhor e à sua obra. Apercebi-me que um gajo do século XIX que pintava cenas trágico-marítimo se aproximou bastante dos pintores modernos como Mark Rothko, por exemplo. E não fui só eu. Aparentemente, após a exibição do filme, os seus quadros reaparecerem rejuvenescidos no mercado e começaram a ser leiloados atingindo os preços mais elevados de sempre.
Mas se o filme por um lado teve o condão de despertar-me a curiosidade pelo pintor, por outro quase que me entediou. Apesar da brilhante fotografia, tem um ritmo exageradamente lento e é obviamente longo demais. Mr. Turner podia ter sido um grande filme, mas assim é apenas um bom filmito de Mike Leigh, com uma grande - muito grande -, mas estranha interpretação de Timothy Spall. ●●○○○
Labels:
2014,
amante,
aristocracia,
biopic,
drama,
fotografia,
lento,
longo,
Mike Leigh,
moderno,
Mr. Turner,
nota2,
pai,
pintura,
Timothy Spall,
William Turner
Jesse é uma miúda de grande beleza e inocência. Após completar 16 anos, muda-se para Los Angeles na tentativa de se tornar modelo. toda a gente elhe diz que ela tem todas as qualidades para ser uma estrela. Mas contariamente ao que pensa, Jesse (Elle Fanning) entra num mundo de inveja e vai ter de lutar com as modelos mais veteranas (Abbey Lee, Bella Heathcote), se bem que também vai tendo alguma ajuda (Jena Malone).
Inocência, beleza natural, moda, inveja e canibalismo. Eis The Neon Demon, o novo mundo alucinado de Nicolas Winding Refn, aqui como escritor e realizador. E a normalidade fica-se por aqui. Entra então o horror, a violência, o sangue, o gore, a nudez e cenas de sexo chocante e aberrante com mortos. The Neon Demon é um ovni surrealista. Um objecto estranho do cinema. Uma mistura estranha, por vezes difícil de ver de tão revoltante que é, mas estranhamente apelativa, repleto de grandes imagens e muito, muito simbolismo.
Este é um filme distribuído pelo Amazon Studios, apesar da produção ser externa. Se isto fosse distribuído por um estúdio "normal" não me parece que o corte final do filme fosse o mesmo. Daí que muitos realizadores defendam com unhas e dentes estas novas plataformas de distribuição, porque pela primeira vez em muitos anos, o realizador pode fazer chegar ao publico a sua visão intocada da obra. Não que isso seja totalmente benéfico para um filme. Por vezes, há pessoal que não se consegue conter. Este parece ser um dos casos. Por muito belas imagens que um filme tenha - e até é o caso -, para mim, um filme precisa de uma certa estrutura narrativa que faça sentido. Porque senão é mesmo só isso: um conjunto de belas imagens e som sem muito significado. A determinadas alturas é o que acontece com este Neon Demon, que peca pelo exagero e pela falta de refreio. A história perde-se, confunde-se e acaba por desaparecer, submersa pela estética irrepreensível e pela fantástica e estranha fotografia. Em determinados pontos do filme, Refn parece um cão raivoso que precisa mesmo de ser açaimado para lhe fazer sobressair o "melhor lado" em detrimento do lado profundamente "negro". Sendo eu abertamente anti-interferência dos estúdios no conteúdo autoral dos realizadores, parece estranho estar a dizer isto, mas é o que sinto. Até porque Refn é um dos gajos recentes que mais admiro. Reconheço-lhe as influências "Kubrickianas", "Lynchianas" e outras que povoam as suas obras e desde os primeiros filmes que também lhe reconheço uma certa genialidade na realização e na visão - muito diferente dos restantes contemporâneos -, mas acho que aqui foi um pouco longe demais.
The Neon Demon poderia ter sido muito bom. Assim, só fica na memória pelo choque, se bem que é seguramente um daqueles filmes que vai ter uma legião de fãs incontável e daqui a algum tempo será considerado "filme de culto". Mas antes isso que nada. Nicolas, vai por mim, uma bocadinho de contenção nunca fez mal a ninguém. ●●●○○
Inocência, beleza natural, moda, inveja e canibalismo. Eis The Neon Demon, o novo mundo alucinado de Nicolas Winding Refn, aqui como escritor e realizador. E a normalidade fica-se por aqui. Entra então o horror, a violência, o sangue, o gore, a nudez e cenas de sexo chocante e aberrante com mortos. The Neon Demon é um ovni surrealista. Um objecto estranho do cinema. Uma mistura estranha, por vezes difícil de ver de tão revoltante que é, mas estranhamente apelativa, repleto de grandes imagens e muito, muito simbolismo.
Este é um filme distribuído pelo Amazon Studios, apesar da produção ser externa. Se isto fosse distribuído por um estúdio "normal" não me parece que o corte final do filme fosse o mesmo. Daí que muitos realizadores defendam com unhas e dentes estas novas plataformas de distribuição, porque pela primeira vez em muitos anos, o realizador pode fazer chegar ao publico a sua visão intocada da obra. Não que isso seja totalmente benéfico para um filme. Por vezes, há pessoal que não se consegue conter. Este parece ser um dos casos. Por muito belas imagens que um filme tenha - e até é o caso -, para mim, um filme precisa de uma certa estrutura narrativa que faça sentido. Porque senão é mesmo só isso: um conjunto de belas imagens e som sem muito significado. A determinadas alturas é o que acontece com este Neon Demon, que peca pelo exagero e pela falta de refreio. A história perde-se, confunde-se e acaba por desaparecer, submersa pela estética irrepreensível e pela fantástica e estranha fotografia. Em determinados pontos do filme, Refn parece um cão raivoso que precisa mesmo de ser açaimado para lhe fazer sobressair o "melhor lado" em detrimento do lado profundamente "negro". Sendo eu abertamente anti-interferência dos estúdios no conteúdo autoral dos realizadores, parece estranho estar a dizer isto, mas é o que sinto. Até porque Refn é um dos gajos recentes que mais admiro. Reconheço-lhe as influências "Kubrickianas", "Lynchianas" e outras que povoam as suas obras e desde os primeiros filmes que também lhe reconheço uma certa genialidade na realização e na visão - muito diferente dos restantes contemporâneos -, mas acho que aqui foi um pouco longe demais.
The Neon Demon poderia ter sido muito bom. Assim, só fica na memória pelo choque, se bem que é seguramente um daqueles filmes que vai ter uma legião de fãs incontável e daqui a algum tempo será considerado "filme de culto". Mas antes isso que nada. Nicolas, vai por mim, uma bocadinho de contenção nunca fez mal a ninguém. ●●●○○
Labels:
2016,
Abbey Lee,
Amazon,
Bella Heathcote,
canibal,
culto,
drama,
Elle Fanning,
estética,
fotografia,
Jena Malone,
Kubrick,
moda,
Nicolas Refn,
nota3,
terror,
The Neon Demon,
thriller
De tanto ver chachadas de acção, filmes de super-heróis e restantes vendedores de pipocas, por vezes tenho mesmo necessidade de ver um bom filme. É quase como se começasse ressacar por filmes normais. Preciso não só de ver um filme normal, mas um bom filme. Daqueles que me imobilizam e me deixam calado até ao fim, e que quando acaba me obriga a deixar sair um desabafo do género: "estava mesmo a precisar de um bom filme como este".
Nocturnal Animals foi o último filme que vi e que literalmente me "calou" (Tenho a irritante tendência natural para falar durante os filmes). Ainda por cima não sabia nada do filme. Vi-o porque tinha três actores que gosto: Amy Adams, Jake Gyllenhaal e Michael Shannon. E sei logo à partida que estou a lidar com três excelentes actores, inteligentes e que costumam escolher muitíssimo bem os projectos em que se metem. E ainda não vi um mau filme com nenhum destes três como protagonista (e ainda se juntou mais uma grande performance de Aaron Taylor-Johnson). Tudo o resto era uma incógnita.
Nocturnal Animals é o tipo de cinema que adoro. É encontrar um filme assim que me faz suportar todos os restantes filmes. É simplesmente muito bom. É... uma experiência visual e sensitiva. Desde o soberbo arranque com toques de Lucian Freud ao final aberto e subjectivo.
A história é algo complexa porque é uma história dentro de uma história. A lindíssima Susan recebe o manuscrito de um livro escrito pelo seu ex-marido que não vê há muitos anos e que lhe dedica o livro. O problema é que o livro trata da história trágica de um homem que num ápice perde tudo o que tem (mulher e filha) numas férias que se transformam em tragédia, violência e dor. Parece quase uma chamada de atenção para o amor perdido entre os dois, muitos anos antes. Como se fosse para mostrar que não há segundas hipóteses para os verdadeiros sentimentos e que uma vez deixados para trás, mais cedo ou mais tarde, eles acabam por nos apanhar da maneira mais dolorosa possível.
Mal acabei de ver este Nocturnal Animals, tive de ir ver quem era o realizador, um tal de Tom Ford. E para grande surpresa minha era mesmo o Tom Ford que conhecia, o designer de moda. E já nem era a primeira vez que realizava e eu nem sabia. Outra grande surpresa. Não estava nada à espera que um estilista fizesse um filme assim, mas pensando bem, faz todo o sentido. Visual arrojado, intensidade dramática, angústia, vidas duplas, arte, despego emotivo, tudo remete de alguma forma estranha para o mundo da moda. Mas o que facilmente se poderia transformar em algo fútil mas visualmente deslumbrante, mistura-se perfeitamente com o drama, dando origem a um estilo novo, como se fosse uma pesada tragédia mitológica passada nos dias de hoje.
Nocturnal Animals é muito bom. Obrigaria-me a estar aqui horas a divagar sobre a história, as performances dos actores, as fantásticas imagens noturnas e tudo o mais. Mas vou-me conter e dizer apenas de uma forma sucinta que está muito bem escrito, tem actores excepcionalmente bons, uma excelente fotografia e uma realização ainda melhor que impregna todo o filme de um ritmo lento, pesado, mas ao mesmo tempo acutilante. Uma pérola recente para ver e rever. Perfeito. ●●●●●
Nocturnal Animals foi o último filme que vi e que literalmente me "calou" (Tenho a irritante tendência natural para falar durante os filmes). Ainda por cima não sabia nada do filme. Vi-o porque tinha três actores que gosto: Amy Adams, Jake Gyllenhaal e Michael Shannon. E sei logo à partida que estou a lidar com três excelentes actores, inteligentes e que costumam escolher muitíssimo bem os projectos em que se metem. E ainda não vi um mau filme com nenhum destes três como protagonista (e ainda se juntou mais uma grande performance de Aaron Taylor-Johnson). Tudo o resto era uma incógnita.
Nocturnal Animals é o tipo de cinema que adoro. É encontrar um filme assim que me faz suportar todos os restantes filmes. É simplesmente muito bom. É... uma experiência visual e sensitiva. Desde o soberbo arranque com toques de Lucian Freud ao final aberto e subjectivo.
A história é algo complexa porque é uma história dentro de uma história. A lindíssima Susan recebe o manuscrito de um livro escrito pelo seu ex-marido que não vê há muitos anos e que lhe dedica o livro. O problema é que o livro trata da história trágica de um homem que num ápice perde tudo o que tem (mulher e filha) numas férias que se transformam em tragédia, violência e dor. Parece quase uma chamada de atenção para o amor perdido entre os dois, muitos anos antes. Como se fosse para mostrar que não há segundas hipóteses para os verdadeiros sentimentos e que uma vez deixados para trás, mais cedo ou mais tarde, eles acabam por nos apanhar da maneira mais dolorosa possível.
Mal acabei de ver este Nocturnal Animals, tive de ir ver quem era o realizador, um tal de Tom Ford. E para grande surpresa minha era mesmo o Tom Ford que conhecia, o designer de moda. E já nem era a primeira vez que realizava e eu nem sabia. Outra grande surpresa. Não estava nada à espera que um estilista fizesse um filme assim, mas pensando bem, faz todo o sentido. Visual arrojado, intensidade dramática, angústia, vidas duplas, arte, despego emotivo, tudo remete de alguma forma estranha para o mundo da moda. Mas o que facilmente se poderia transformar em algo fútil mas visualmente deslumbrante, mistura-se perfeitamente com o drama, dando origem a um estilo novo, como se fosse uma pesada tragédia mitológica passada nos dias de hoje.
Nocturnal Animals é muito bom. Obrigaria-me a estar aqui horas a divagar sobre a história, as performances dos actores, as fantásticas imagens noturnas e tudo o mais. Mas vou-me conter e dizer apenas de uma forma sucinta que está muito bem escrito, tem actores excepcionalmente bons, uma excelente fotografia e uma realização ainda melhor que impregna todo o filme de um ritmo lento, pesado, mas ao mesmo tempo acutilante. Uma pérola recente para ver e rever. Perfeito. ●●●●●
Labels:
2016,
Aaron Taylor-Johnson,
amor,
Amy Adams,
drama,
fotografia,
Freud,
história,
Jake Gyllenhaal,
livro,
Michael Shannon,
moda,
Nocturnal Animals,
nota5,
noturno,
perda,
Tom Ford,
tragédia,
violência
Não me vou demorar muito. Em termos críticos, vou "despachar" isto num instante, tal como se "despacha" uma obra de arte que poucos (ou nenhuns) defeitos tem. The Revenant é um filme perfeito. Épico. Gigante. Cru. Violento. Visceral. Real. Genuíno. Por vezes é até arrebatador. Um mix perfeitamente equilibrado entre a beleza frágil e estéril de um filme artístico e o nojo do cuspo de tabaco de mascar de um western de barba rija. Excepcional. Digno de todos os aplausos e de todos os prémios. Logo à partida, aplausos para Alejandro Iñárritu, que sem dúvida nenhuma, é o melhor realizador do momento. E tem vindo inequivocamente a prová-lo filme após filme. Nem é preciso dizer mais nada. Nem é preciso ver com muita atenção para se perceber que este é um filme "verdadeiro". Totalmente genuíno. Quase que se cheira a lama molhada... Para mim, isto é cinema puro.
Depois, mais aplausos para Leonardo DiCaprio (um gajo que nem aprecio particularmente) e para Tom Hardy (um gajo que particularmente aprecio), que apesar de estarem nitidamente a "piscar o olho" a um prémio nos Óscares, têm uma performance acima do normal, até para eles próprios. Mais uma vez, influência directa do Iñárritu, que leva actores muito bons, simplesmente para outro nível muito superior.
Visualmente, The Revenant, é avassalador. A fotografia é gélida e distante, mas ao mesmo tempo é penetrante. Os grandes planos naturais que conscientemente esmagam as personagens. As filmagens de acção "sem costuras"... Tudo pensado ao pormenor. Brilhante. Faltam-me os adjectivos. Até voltei a pensar em coisas que, em termos de cinema, já tinham desaparecido da minha mente, como quando fui confrontado com aquela cena do ataque do urso e pensei: "como é que fazem isto?". Já nem lembrava dessa sensação! Obrigado, Alejandro, muito obrigado.
Apesar de ser baseado numa história verídica de violência e sobrevivência, acho que em The Revenant, o Iñárritu teve a inteligência de introduzir outra grande "moral da história" mais subtil: se retirarmos tudo o que é conforto do elemento humano e confrontarmos as pessoas com a natureza selvagem, as pessoas tornam-se elas próprios em elementos selvagens. E lidar com uma ou outra situação, acaba por ser fatal, para qualquer interveniente. Ninguém sai ileso. Acho que essa a grande mensagem de fundo deste The Revenant: teremos que lidar com a selvajaria humana e perceber como evitá-la a todo o custo, porque é visceral horrível e ninguém irá sair sem marcas profundas desse confronto. Uma recordação do já que aconteceu para mostrar um vislumbre do que está para acontecer, se continuarmos a destruir a natureza. E quando falo em natureza, refiro-me ao mundo natural, mas também à própria natureza humana que é intrinsecamente equilibrada. The Revenant é um grande, grande filme, com uma mensagem poderosíssima de fundo, que me deixou muito surpreendido pela positiva. Mesmo no espaço comercial, ainda há alguma esperança para o cinema de qualidade. Um clássico instantâneo, uma mensagem inteligente e um filme obrigatório. ●●●●●
Depois, mais aplausos para Leonardo DiCaprio (um gajo que nem aprecio particularmente) e para Tom Hardy (um gajo que particularmente aprecio), que apesar de estarem nitidamente a "piscar o olho" a um prémio nos Óscares, têm uma performance acima do normal, até para eles próprios. Mais uma vez, influência directa do Iñárritu, que leva actores muito bons, simplesmente para outro nível muito superior.
Visualmente, The Revenant, é avassalador. A fotografia é gélida e distante, mas ao mesmo tempo é penetrante. Os grandes planos naturais que conscientemente esmagam as personagens. As filmagens de acção "sem costuras"... Tudo pensado ao pormenor. Brilhante. Faltam-me os adjectivos. Até voltei a pensar em coisas que, em termos de cinema, já tinham desaparecido da minha mente, como quando fui confrontado com aquela cena do ataque do urso e pensei: "como é que fazem isto?". Já nem lembrava dessa sensação! Obrigado, Alejandro, muito obrigado.
Apesar de ser baseado numa história verídica de violência e sobrevivência, acho que em The Revenant, o Iñárritu teve a inteligência de introduzir outra grande "moral da história" mais subtil: se retirarmos tudo o que é conforto do elemento humano e confrontarmos as pessoas com a natureza selvagem, as pessoas tornam-se elas próprios em elementos selvagens. E lidar com uma ou outra situação, acaba por ser fatal, para qualquer interveniente. Ninguém sai ileso. Acho que essa a grande mensagem de fundo deste The Revenant: teremos que lidar com a selvajaria humana e perceber como evitá-la a todo o custo, porque é visceral horrível e ninguém irá sair sem marcas profundas desse confronto. Uma recordação do já que aconteceu para mostrar um vislumbre do que está para acontecer, se continuarmos a destruir a natureza. E quando falo em natureza, refiro-me ao mundo natural, mas também à própria natureza humana que é intrinsecamente equilibrada. The Revenant é um grande, grande filme, com uma mensagem poderosíssima de fundo, que me deixou muito surpreendido pela positiva. Mesmo no espaço comercial, ainda há alguma esperança para o cinema de qualidade. Um clássico instantâneo, uma mensagem inteligente e um filme obrigatório. ●●●●●
Labels:
2015,
Alejandro Iñárritu,
cinema,
drama,
ecologia,
fotografia,
história,
Leonardo DiCaprio,
natureza,
nota5,
Óscar,
realização,
sobrevivência,
The Revenant,
Tom Hardy,
urso,
western
Man cheng jin dai huang jin jia, traduzido como "A Maldição da Flor Dourada" é um filme chinês de Yimou Zhang, e que conta a história de uma família imperial chinesa durante o século X. Mas esta não é uma família normal... É totalmente disfuncional, envolvida em complicadas intrigas palacianas e que está repleta de assassinatos, traições e até incesto. Difícil de encaixar para um "gajo normal", mas uma coisa mais ou menos "normal" nas questões do poder da realeza...
Se por um lado, a história pode ser de difícil digestão para um ocidental, "A Maldição da Flor Dourada", por outro lado, é verdadeira comida para os olhos. É um festim visual. Não pelos efeitos especiais, mas pelo pormenor, pelas roupas e pelos cenários fantásticos. Nesse aspecto, é muito bom.
Se bem que tenha sempre grande dificuldade em distinguir os actores chineses (por causa dos nomes impossíveis de decorar e das parecenças físicas), eles têm uma intensidade dramática muito própria e diferente. São muito bons, especialmente neste tipo de registo (história dramática da realeza), em que o desempenho chega quase a ser caricatural, de tão intenso que é. Mas neste caso, até fica muito bem. Destaque para o já lendário Chow Yun Fat e para a lindíssima Gong Li, mas o restante elenco está ao mesmo nível. Não me lembro de ver um mau actor chinês.
A realização é límpida e nota-se que tudo é pensado ao pormenor. Yimou Zhang junta o melhor do cinema ocidental com o visual oriental. É uma mistura perfeita, sempre com uma fotografia absolutamente impressionante. Yimou Zhang cria verdadeiras obras de arte visuais em movimento e consegue transmitir aquela sensação de épico, como raramente se vê.
À parte das coreografias impossíveis de lutas corpo-a-corpo, até nem tem muita acção física, se bem que no final até "explode" com as grandes batalhas, que diga-se, são "mesmo" grandes. É uma escala totalmente diferente do que uma pessoa está habituado a ver nos filmes de Hollywood.
"A Maldição da Flor Dourada" prende um gajo à cadeira e está bem feito, bem realizado e bem interpretado como acontece sempre com os actores chineses, mas é quase como estar a olhar para uma peça de ouro em filigrana: quando se olha demasiado tempo, uma pessoa perde-se no pormenores e acaba por não conseguir ver a peça toda. Foi um bocado o que me aconteceu. Vale a pena ver, nem que seja para ter uma perspectiva diferente dos épicos americanos. ●●●○○
Se por um lado, a história pode ser de difícil digestão para um ocidental, "A Maldição da Flor Dourada", por outro lado, é verdadeira comida para os olhos. É um festim visual. Não pelos efeitos especiais, mas pelo pormenor, pelas roupas e pelos cenários fantásticos. Nesse aspecto, é muito bom.
Se bem que tenha sempre grande dificuldade em distinguir os actores chineses (por causa dos nomes impossíveis de decorar e das parecenças físicas), eles têm uma intensidade dramática muito própria e diferente. São muito bons, especialmente neste tipo de registo (história dramática da realeza), em que o desempenho chega quase a ser caricatural, de tão intenso que é. Mas neste caso, até fica muito bem. Destaque para o já lendário Chow Yun Fat e para a lindíssima Gong Li, mas o restante elenco está ao mesmo nível. Não me lembro de ver um mau actor chinês.
A realização é límpida e nota-se que tudo é pensado ao pormenor. Yimou Zhang junta o melhor do cinema ocidental com o visual oriental. É uma mistura perfeita, sempre com uma fotografia absolutamente impressionante. Yimou Zhang cria verdadeiras obras de arte visuais em movimento e consegue transmitir aquela sensação de épico, como raramente se vê.
À parte das coreografias impossíveis de lutas corpo-a-corpo, até nem tem muita acção física, se bem que no final até "explode" com as grandes batalhas, que diga-se, são "mesmo" grandes. É uma escala totalmente diferente do que uma pessoa está habituado a ver nos filmes de Hollywood.
"A Maldição da Flor Dourada" prende um gajo à cadeira e está bem feito, bem realizado e bem interpretado como acontece sempre com os actores chineses, mas é quase como estar a olhar para uma peça de ouro em filigrana: quando se olha demasiado tempo, uma pessoa perde-se no pormenores e acaba por não conseguir ver a peça toda. Foi um bocado o que me aconteceu. Vale a pena ver, nem que seja para ter uma perspectiva diferente dos épicos americanos. ●●●○○
Uns mercenários europeus embarcam numa grande aventura asiática em busca da então misteriosa e explosiva pólvora e acabam na Grande Muralha da China (e aqui é mesmo muito grande!) a combater uns extraterrestres digitais que caíram naquela região há muito tempo. Ah! Daí terem construído a grande muralha... Nunca tinha percebido porque é que os chineses se tinham dado a tanto trabalho. Um gajo está sempre a aprender.
The Great Wall é um daqueles filmes que não engana. Percebe-se logo pelo trailer que um gajo vai encontrar um filme de acção meio desmiolado, tipo pipoca. Não tem mal. Há centenas destes filmes e são inofensivos. É para vender bilhetes e pipocas. E é isso. Não precisa de grandes enredos ou grandes interpretações. O núcleo do filme são as cenas de acção em super slow motion, close-ups extremos e efeitos especiais digitais. Nesse aspecto não engana.
The Great Wall é mais um blockbuster caríssimo cheio de explosões e uns monstros feitos em computador. E depois acaba.
Mas o mais importante a reter deste filme é a origem do filme. Que eu saiba (ou me lembre) este é mesmo o primeiro filme chinês vindo de estúdios de Hollywood (comprados por empresas chinesas) e filmado inteiramente na China. Ou seja, vendo bem, este é provavelmente o primeiro blockbuster/co-produção com a marca EUA/China. Há uns anos atrás, quem diria que isto fosse possível? É... a realidade económica do mundo anda a pregar-nos partidas...
A realização é normal para este tipo de filmes e é do imponente e experiente Yimou Zhang, que conta com as presenças esporádicas de Matt Damon, Willem Dafoe e Pedro Pascal para justificar a entrada nas salas de cinema europeias. Porque sinceramente não estou a ver o público americano ou europeu a correr para os cinemas se no cartaz estivessem nomes tão conhecidos como Tian Jing, Andy Lau, Eddie Peng ou Hanyu Zhang, pois não? Filmado nas mágicas e surreais paisagens naturais de Qingdao (China) e na Nova Zelândia, a única coisa que se destaca neste filme, é mesmo a fotografia que é mesmo muito boa.
Tirando esse bom pormenor, The Great Wall é mais um filme VEE (Ver, Entreter e Esquecer). ●○○○○
The Great Wall é um daqueles filmes que não engana. Percebe-se logo pelo trailer que um gajo vai encontrar um filme de acção meio desmiolado, tipo pipoca. Não tem mal. Há centenas destes filmes e são inofensivos. É para vender bilhetes e pipocas. E é isso. Não precisa de grandes enredos ou grandes interpretações. O núcleo do filme são as cenas de acção em super slow motion, close-ups extremos e efeitos especiais digitais. Nesse aspecto não engana.
The Great Wall é mais um blockbuster caríssimo cheio de explosões e uns monstros feitos em computador. E depois acaba.
Mas o mais importante a reter deste filme é a origem do filme. Que eu saiba (ou me lembre) este é mesmo o primeiro filme chinês vindo de estúdios de Hollywood (comprados por empresas chinesas) e filmado inteiramente na China. Ou seja, vendo bem, este é provavelmente o primeiro blockbuster/co-produção com a marca EUA/China. Há uns anos atrás, quem diria que isto fosse possível? É... a realidade económica do mundo anda a pregar-nos partidas...
A realização é normal para este tipo de filmes e é do imponente e experiente Yimou Zhang, que conta com as presenças esporádicas de Matt Damon, Willem Dafoe e Pedro Pascal para justificar a entrada nas salas de cinema europeias. Porque sinceramente não estou a ver o público americano ou europeu a correr para os cinemas se no cartaz estivessem nomes tão conhecidos como Tian Jing, Andy Lau, Eddie Peng ou Hanyu Zhang, pois não? Filmado nas mágicas e surreais paisagens naturais de Qingdao (China) e na Nova Zelândia, a única coisa que se destaca neste filme, é mesmo a fotografia que é mesmo muito boa.
Tirando esse bom pormenor, The Great Wall é mais um filme VEE (Ver, Entreter e Esquecer). ●○○○○
Labels:
2016,
acção,
Andy Lau,
blockbuster,
China,
explosões,
fotografia,
Hollywood,
Matt Damon,
nota1,
Pedro Pascal,
The Great Wall,
Tian Jing,
VEE,
Willem Dafoe,
Yimou Zhang
Tenho uma tendência para guardar coisas. Não sei porque é que isso acontece, mas acontece. Até tenho tendência para guardar links... Para quê guardar cenas da net se nada sai de lá? Não faz sentido. Leio uma coisa na net, por qualquer motivo acho que é interessante... pimba! Guarda o link. Para quê? Para nada. Fica ali o coitado do link a "ganhar pó" para sempre ou até me aperceber que não tem interesse e acaba no caixote do lixo...
Aqui vão alguns desses links "muitos" interessantes sobre outras vertentes do mundo do cinema.
• www.moviemistakes.com - para aqueles puristas que procuram toda e qualquer falhazinha num filme... como eu.
• www.imagesjournal.com - site com fotos muito boas de cinema. Parece que anda meio parado, mas ainda tem um bom arquivo...
• Highest grossing movies box - artigo da Business Insider sobre os filmes que ultrapassaram a mítica barreira dos mil milhões de dólares de facturação. Loucura total nas caixas registadoras...
• O Tarantino Africano - artigo sobre Isaac Nabwana, conhecido como o Tarantino africano que faz filmes de acção em bairros de lata nos arredores da capital do Uganda... É mesmo verdade...
• Algoritmo prevê se filme vai ser um sucesso - artigo sobre um algoritmo que lê os argumentos e consegue prever se o filme vai ser um blockbuster ou não. Assustador...
• Film-makers & Frankenstein - e finalmente, um artigo muito interessante sobre o fascínio dos realizadores com a personagem de Frankenstein. It's (still) alive!...
Para quem teve a paciência suficiente de estar a carregar nos links todos, deixo um pequeno extra que tinha para aqui perdido. Eu sempre pensei que aquela cena era digital... Mas pensando bem, é a Ellen Ripley, portanto...
Aqui vão alguns desses links "muitos" interessantes sobre outras vertentes do mundo do cinema.
• www.moviemistakes.com - para aqueles puristas que procuram toda e qualquer falhazinha num filme... como eu.
• www.imagesjournal.com - site com fotos muito boas de cinema. Parece que anda meio parado, mas ainda tem um bom arquivo...
• Highest grossing movies box - artigo da Business Insider sobre os filmes que ultrapassaram a mítica barreira dos mil milhões de dólares de facturação. Loucura total nas caixas registadoras...
• O Tarantino Africano - artigo sobre Isaac Nabwana, conhecido como o Tarantino africano que faz filmes de acção em bairros de lata nos arredores da capital do Uganda... É mesmo verdade...
• Algoritmo prevê se filme vai ser um sucesso - artigo sobre um algoritmo que lê os argumentos e consegue prever se o filme vai ser um blockbuster ou não. Assustador...
• Film-makers & Frankenstein - e finalmente, um artigo muito interessante sobre o fascínio dos realizadores com a personagem de Frankenstein. It's (still) alive!...
Para quem teve a paciência suficiente de estar a carregar nos links todos, deixo um pequeno extra que tinha para aqui perdido. Eu sempre pensei que aquela cena era digital... Mas pensando bem, é a Ellen Ripley, portanto...
Labels:
algoritmo,
Alien,
artigos,
blockbuster,
cinema,
dinheiro,
Ellen Ripley,
extra,
fotografia,
Frankenstein,
internet,
jornais,
links,
notícias,
Quentin Tarantino







