Vox Lux começa muito bem com uma série de acontecimentos estranhos e comecei a ficar empolgado. Decidi seguir a antiga fórmula de ver cinema que é não saber rigorosamente nada do filme que vou ver. Sabia que era com a Natalie Portman e que o enredo era sobre uma performer do mundo pop musical. E até certo ponto foi mais ou menos isto. O problema é que começou a esmorecer...
E esmoreceu tanto e tornou-se tão confuso que mais para o fim fiquei na dúvida se estava a ver um filme que era uma crítica ao mundo de fachada da pop ou uma forma de mostrar respeito e admiração pelo árduo trabalho do performer pop por detrás da cortina da fama. Hoje não continuo com essa dúvida porque o filme é totalmente esquecível. Varreu-se-me da mente. Havia aqui material para fazer um grande filme, mas Brady Corbet ou não tem a maturidade suficiente para sacar uns coelhos da cartola ou simplesmente não conseguiu (ou não quis) entrar num registo demasiado crítico e incisivo. Parece-me que ele quis ir por aí, ou então não e simplesmente não consegue fazer melhor. Acontece a quem está a começar.
Até do casting (Natalie Portman, Jude Law, Stacy Martin, Jennifer Ehle, Raffey Cassidy) poderiam ter saído muito melhor performances, porque os actores são bons, mas infelizmente a forma como o guião funciona abafa qualquer hipótese de grandes representações. Muitas vezes fala-se dos bons e dos maus actores (normalmente até só se enfatizam os bons, porque os críticos oficiais tendem a não querer ferir susceptibilidades) e como uns se destacam mais que outros. Nesse aspecto, Vox Lux é um bom exercício de aprendizagem e observação. É gritante como se nota que Portman e Law estão nitidamente num patamar de representação muito superior ao dos restante actores... Até o Willem Dafoe que "apenas" dá a voz ao narrador emprega mais personalidade e capacidade de representação que muitos actores que aparecem em carne e osso na tela...
Vox lux é um filme com muita potencialidade mas que tem muitos problemas. O que é uma pena porque em determinadas alturas parece que vai descolar, mas depois decepciona exactamente porque se torna previsível e mantém sempre o mesmo registo. Fiquei sempre à espera de um grande momento de inspiração ou revelação, mas isso nunca aconteceu. Pelo aspecto do trailer (e pela presença da Natalie Portman) parece que se vai ver uma espécie de Black Swan do mundo pop, mas isso é um engano muito grande. Não tem nada a ver.
Apesar de ter um bom início e estar polvilhado aqui e ali de bons pormenores, Vox Lux é visível, mas devido à estrutura narrativa e emocional demasiado "mole" acaba por se tornar totalmente insípido e dispensável. ●●○○○
Mostrar mensagens com a etiqueta performer. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta performer. Mostrar todas as mensagens
Quando se fala de música rock é impossível não mencionar os Queen. Fala-se muitas vezes nas melhores bandas do mundo, e é sempre um tópico quente. Gosto de muitas bandas rock míticas: Led Zeppelin, The Doors, mas tenho um lugar no meu cérebro especialmente para os Pink Floyd. Quando penso na melhor banda de sempre, lembro-me sempre dos Pink Floyd em primeiro lugar. É um tipo de música que me toca fundo no cérebro. Mas depois ponho a rolar um Greatests Hits dos Queen e começo a ver a quantidade de hits, singles e músicas que passaram directamente para a cultura pop, e então tenho de admitir que os Queen são provavelmente a melhor banda do mundo. De sempre.
Contrariamente às outras bandas lendárias, a música dos Queen é algo incoerente. Ao passo que a sonoridade de base de uns Doors ou Led Zeppelin é mais ou menos linear e constante ao longos das décadas, a música dos Queen vai mudando e passando por vários estilos. Quase ao ritmo da mudança visual do Freddy Mercury... E estranhamente, isto nunca lhse retirou sonoridade. Passa do glam rock dos 70's, desdobra-se em vários estilos pelo meio dos 80's e termina num pop mais leve nos 90's juntamente com um lado mais básico e pessoal do Mercury. Mas a música permanece sempre excepcionalmente boa. É estranho. Isto nem devia ter acontecido. Já vi alguns documentários sobre os Queen e por isso conheço relativamente bem os elementos da banda. E a minha única explicação para aquilo funcionar sempre bem em termos musicais é o background profissional deles. Tirando o Freddy Mercury - que nasceu para ser performer e nunca poderia ter sido outra coisa -, todos eles têm formação académica e/ou técnica: Brian May é formado em astrofísica, Roger Taylor formou-se em biologia e John Deacon estudou electrónica... Isto é tudo pessoal muito técnico. Acho que é por causa disso que a música é tão... tão... Não sei explicar. Acho que de alguma forma eles conseguiram alinhar as músicas e as batidas com os nossos chacras, o palpitar do coração ou com a via láctea e os planetas... Não sei... Sei que a música dos Queen "funcionou" durante os 30 anos de existência da banda e continua a bater forte em todas as novas gerações, como se a música deles fosse lançada agora pela primeira vez. Sempre que aparece um filme ou um anúncio com uma música dos Queen, dá a impressão que a banda ainda existe e que aquela composição é de "agora". Os Queen atingiram a intemporalidade.
Como já sou meio-jurássico ainda me lembro do Live Aid do Bob Geldof, em 1985. Passaram por lá as maiores bandas e os melhores cantores do mundo naquela altura. Desses, entretanto já se eclipsou tudo da memória... tirando aquela performance dos Queen. É uma coisa que fica para sempre. Vindo de uma banda que se estava a separar e que já não tocava há algum tempo... é preciso ser mesmo muito bom para dar um show daqueles.
E depois há Bohemian Rhapsody. No campo da música moderna, tipo pop e rock, acho que não há dúvidas que é a melhor música de sempre. Nunca conheci ninguém que não gostasse da música. Mas para além da estranheza daquela junção marada de estilos musicais e operáticos, há algo naquela música ainda mais profundo. A letra e as performances do Freddy têm um carácter tão estranhamente premonitório que se torna até assustador. Parece que ele sabia como iria acabar e como tudo se desenrolaria no final... Bem, se calhar estou novamente a ver coisas onde elas não existem... Mas é que eu sinto.
Os Queen faziam músicas que são inexplicáveis e facilmente reconhecidas por qualquer pessoa no mundo inteiro. Daí que fazer um filme sobre a banda e as raízes das músicas, nunca seria uma tarefa fácil e um risco muito grande. Mas há que dizer que Bryan Singer fez um bom trabalho. Bohemian Rhapsody é um filme totalmente aceitável porque capitaliza na atracção quase visceral e também intemporal da música do Queen. Foi um enorme êxito de bilheteira, o que para mim não foi surpresa nenhuma. Acho que qualquer filme mixuruca (o que não é o caso) que tivesse banda sonora dos Queen seria sempre bom. Mas à parte da música, o filme realmente está bem feito, porque assenta num guião perfeitamente estruturado. É um biopic bem feito, bem realizado e muitíssimo bem interpretado por Rami Malek. E aqui há que mencionar o protagonista. Ter uma cara parecida com o Freddy Mercury não é esforço nenhum. Mas há que lhe dar todo o mérito pela forma como lhe deu "corpo" e como mimetizou muitas daquelas nuances tão típicas e únicas do Freddy Mercury. E isso era provavelmente a coisa mais difícil de conseguir. Já o restante pessoal (Lucy Boynton, Gwilym Lee, Ben Hardy, Joseph Mazzello) faz essencialmente de secundário e acaba mesmo por ser secundário, porque só lá estão devido às parecenças físicas com a banda original e para servir de suporte para a grande performance de Malek. Não deixa de ser curioso que os Queen tenham aparentemente "sofrido" do mesmo problema... Apesar de ser um filmito bastante "normal", Bohemian Rhapsody, acaba por ser agradável porque mostra um pouco o "interior" da banda, os confrontos e as fontes de inspiração para algumas músicas, assim como toda a dualidade e demónios do grande monstro e génio dos palcos que foi Freddy Mercury. E só por isso já vale bem o bilhete. ●●●○○
Contrariamente às outras bandas lendárias, a música dos Queen é algo incoerente. Ao passo que a sonoridade de base de uns Doors ou Led Zeppelin é mais ou menos linear e constante ao longos das décadas, a música dos Queen vai mudando e passando por vários estilos. Quase ao ritmo da mudança visual do Freddy Mercury... E estranhamente, isto nunca lhse retirou sonoridade. Passa do glam rock dos 70's, desdobra-se em vários estilos pelo meio dos 80's e termina num pop mais leve nos 90's juntamente com um lado mais básico e pessoal do Mercury. Mas a música permanece sempre excepcionalmente boa. É estranho. Isto nem devia ter acontecido. Já vi alguns documentários sobre os Queen e por isso conheço relativamente bem os elementos da banda. E a minha única explicação para aquilo funcionar sempre bem em termos musicais é o background profissional deles. Tirando o Freddy Mercury - que nasceu para ser performer e nunca poderia ter sido outra coisa -, todos eles têm formação académica e/ou técnica: Brian May é formado em astrofísica, Roger Taylor formou-se em biologia e John Deacon estudou electrónica... Isto é tudo pessoal muito técnico. Acho que é por causa disso que a música é tão... tão... Não sei explicar. Acho que de alguma forma eles conseguiram alinhar as músicas e as batidas com os nossos chacras, o palpitar do coração ou com a via láctea e os planetas... Não sei... Sei que a música dos Queen "funcionou" durante os 30 anos de existência da banda e continua a bater forte em todas as novas gerações, como se a música deles fosse lançada agora pela primeira vez. Sempre que aparece um filme ou um anúncio com uma música dos Queen, dá a impressão que a banda ainda existe e que aquela composição é de "agora". Os Queen atingiram a intemporalidade.
Como já sou meio-jurássico ainda me lembro do Live Aid do Bob Geldof, em 1985. Passaram por lá as maiores bandas e os melhores cantores do mundo naquela altura. Desses, entretanto já se eclipsou tudo da memória... tirando aquela performance dos Queen. É uma coisa que fica para sempre. Vindo de uma banda que se estava a separar e que já não tocava há algum tempo... é preciso ser mesmo muito bom para dar um show daqueles.
E depois há Bohemian Rhapsody. No campo da música moderna, tipo pop e rock, acho que não há dúvidas que é a melhor música de sempre. Nunca conheci ninguém que não gostasse da música. Mas para além da estranheza daquela junção marada de estilos musicais e operáticos, há algo naquela música ainda mais profundo. A letra e as performances do Freddy têm um carácter tão estranhamente premonitório que se torna até assustador. Parece que ele sabia como iria acabar e como tudo se desenrolaria no final... Bem, se calhar estou novamente a ver coisas onde elas não existem... Mas é que eu sinto.
Os Queen faziam músicas que são inexplicáveis e facilmente reconhecidas por qualquer pessoa no mundo inteiro. Daí que fazer um filme sobre a banda e as raízes das músicas, nunca seria uma tarefa fácil e um risco muito grande. Mas há que dizer que Bryan Singer fez um bom trabalho. Bohemian Rhapsody é um filme totalmente aceitável porque capitaliza na atracção quase visceral e também intemporal da música do Queen. Foi um enorme êxito de bilheteira, o que para mim não foi surpresa nenhuma. Acho que qualquer filme mixuruca (o que não é o caso) que tivesse banda sonora dos Queen seria sempre bom. Mas à parte da música, o filme realmente está bem feito, porque assenta num guião perfeitamente estruturado. É um biopic bem feito, bem realizado e muitíssimo bem interpretado por Rami Malek. E aqui há que mencionar o protagonista. Ter uma cara parecida com o Freddy Mercury não é esforço nenhum. Mas há que lhe dar todo o mérito pela forma como lhe deu "corpo" e como mimetizou muitas daquelas nuances tão típicas e únicas do Freddy Mercury. E isso era provavelmente a coisa mais difícil de conseguir. Já o restante pessoal (Lucy Boynton, Gwilym Lee, Ben Hardy, Joseph Mazzello) faz essencialmente de secundário e acaba mesmo por ser secundário, porque só lá estão devido às parecenças físicas com a banda original e para servir de suporte para a grande performance de Malek. Não deixa de ser curioso que os Queen tenham aparentemente "sofrido" do mesmo problema... Apesar de ser um filmito bastante "normal", Bohemian Rhapsody, acaba por ser agradável porque mostra um pouco o "interior" da banda, os confrontos e as fontes de inspiração para algumas músicas, assim como toda a dualidade e demónios do grande monstro e génio dos palcos que foi Freddy Mercury. E só por isso já vale bem o bilhete. ●●●○○
Labels:
2018,
anos 70,
anos 80,
anos 90,
biografia,
Bohemian Rhapsody,
Brian May,
Bryan Singer,
cultural,
Freddy Mercury,
hits,
John Deacon,
Live Aid,
música,
nota3,
performer,
pop,
Queen,
Rami Malek,
singles

