Dois bandidos de meia tigela decidem fazer um golpe extraordinário: assaltar o que é nada mais nada menos que o local onde os mafiosos jogam cartas com avultadas somas de dinheiro. A ideia é arrojada e em princípio até é uma boa ideia, porque assaltar alguém que não pode ir à polícia fazer queixa não é assim tão descabido. Obviamente, as coisas não vão correr como planeado, até porque este golpe "simples" acaba por abalar economicamente toda a estrutura da própria Máfia. Para resolver toda esta confusão, os mafiosos recorrem aos serviços de Jackie Cogan, um justiceiro implacável mas que parece estar do lado errado da barricada.
Brad Pitt, Scoot McNairy, Ben Mendelsohn, Ray Liotta, Richard Jenkins e James Gandolfini dão corpo a uma série de personagens muito bem construídas. Se no caso de Pitt esta foi (mais) uma mudança de ares, para o restante elenco é quase como voltar a casa para comer um prato de pasta da nona Giona acompanhado de um copo de Chianti... Mas todos sem excepção estão muito bem e estão especialmente bem dirigidos.
Killing Them Softly tem uma narrativa simples e muito pouco original mas está muito bem feito. A fotografia é exemplar. Andrew Dominik tem uma realização sem mácula. Não o conhecia até esta altura, mas foi um nome que listei para ficar debaixo de olho. Apesar da crítica constante ao modo de vida e ao sonho americano (a crise financeira de 2008/09 era uma realidade bem palpável), a história de base é um dejá vu constante, e por isso é o olhar, os enquadramentos e os movimentos de câmara de Dominik que salvam literalmente o filme da irrelevância. Isto só prova que por muito banal que uma história seja, ter um bom realizador e bons diálogos interpretados por bons actores salvam logo um filme.
Killing Them Softly fez-me lembrar aquele aspecto mais negro, violento e sujo dos antigos filmes policiais (e mafiosos) dos anos 70, e quanto mais não fosse, só por causa disso já é totalmente aceitável. Um bom filmito de ladrões e mafiosos. ●●●○○
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Como estamos numa altura de pandemia global, convém relembrar alguns filmes em que a temática é pós-apocalíptica e que até isto é uma situação recorrente.
Não sei o que se passou nos anos 70, mas sei que o sentimento latente não deveria ser muito diferente dos dias de hoje, porque muitos dos grande filmes pós-apocalípticos vieram dessa altura. Não é que sejam os melhores ou os mais bem feitos, mas são geralmente os que têm as melhores ideias e alguns até foram estranhamente premonitórios. O que não é o caso deste The Ultimate Warrior, de Robert Clouse.
Apesar de se passar no futuro (se bem que 2012 já parece um passado longínquo, era um ano muito à frente no calendário para uma produção de 1975), The Ultimate Warrior é mais um western que um filme de ficção cientifica. A única premissa "futurista" é a de que o planeta foi dizimado por uma peste misteriosa, a sociedade descambou totalmente e o mundo é agora um sitio sem leis. Ou seja, tornou-se o velho e caótico Oeste, regido à lei da bala e do mais forte. O próprio guião e até a música parecem saídos dum daqueles westerns mais tardios tirando um outro som mais esquisóide e estridente, esse sim bem evocativo do sci-fi dos anos 70 e 80. A história é basicamente a de uma comunidade assolada por um bando de desordeiros e que por isso precisa desesperadamente da protecção de um homem de acção, que neste caso é o carismático Yul Brynner. Diga-se de passagem, que Yul Brynner, tal como muitos outros "cowboys", fizeram uma passagem breve pela ficção cientifica pós-apocalíptica dos anos 70. Mas neste caso, convém ressalvar o pormenor de Brynner, provavelmente ter sido o único a fazer essa passagem sem nunca mudar de vestimenta: manteve sempre a fatiota preta e as texanas! Basta lembrar que também no Westworld ele veste-se da mesma forma... é por estas e outras que o Yul Brynner é um dos meus actores favoritos de sempre. E por falar em actores, há que mencionar Max von Sydow, que foi e sempre será um senhor do cinema. Até numa produção chungosa como esta, Sydow consegue manter a postura. Aliás, são estes dois actores que dão algo de positivo ao filme. Tudo o resto é de uma pobreza constrangedora. Normalmente vejo estes filmes "maus" porque sei que há sempre bons pormenores a reter, porque muitos dos grandes blockbusters buscam aqui inspiração à socapa, ou porque as histórias têm muito potencial. Não é o caso. The Ultimate Warrior é apenas mais uma peça arqueológica sem grande valor. Destaco o espectacular design do poster promocional, que como era (quase) norma da altura, estava muitos pontos acima do próprio filme. ●○○○○
Não sei o que se passou nos anos 70, mas sei que o sentimento latente não deveria ser muito diferente dos dias de hoje, porque muitos dos grande filmes pós-apocalípticos vieram dessa altura. Não é que sejam os melhores ou os mais bem feitos, mas são geralmente os que têm as melhores ideias e alguns até foram estranhamente premonitórios. O que não é o caso deste The Ultimate Warrior, de Robert Clouse.
Apesar de se passar no futuro (se bem que 2012 já parece um passado longínquo, era um ano muito à frente no calendário para uma produção de 1975), The Ultimate Warrior é mais um western que um filme de ficção cientifica. A única premissa "futurista" é a de que o planeta foi dizimado por uma peste misteriosa, a sociedade descambou totalmente e o mundo é agora um sitio sem leis. Ou seja, tornou-se o velho e caótico Oeste, regido à lei da bala e do mais forte. O próprio guião e até a música parecem saídos dum daqueles westerns mais tardios tirando um outro som mais esquisóide e estridente, esse sim bem evocativo do sci-fi dos anos 70 e 80. A história é basicamente a de uma comunidade assolada por um bando de desordeiros e que por isso precisa desesperadamente da protecção de um homem de acção, que neste caso é o carismático Yul Brynner. Diga-se de passagem, que Yul Brynner, tal como muitos outros "cowboys", fizeram uma passagem breve pela ficção cientifica pós-apocalíptica dos anos 70. Mas neste caso, convém ressalvar o pormenor de Brynner, provavelmente ter sido o único a fazer essa passagem sem nunca mudar de vestimenta: manteve sempre a fatiota preta e as texanas! Basta lembrar que também no Westworld ele veste-se da mesma forma... é por estas e outras que o Yul Brynner é um dos meus actores favoritos de sempre. E por falar em actores, há que mencionar Max von Sydow, que foi e sempre será um senhor do cinema. Até numa produção chungosa como esta, Sydow consegue manter a postura. Aliás, são estes dois actores que dão algo de positivo ao filme. Tudo o resto é de uma pobreza constrangedora. Normalmente vejo estes filmes "maus" porque sei que há sempre bons pormenores a reter, porque muitos dos grandes blockbusters buscam aqui inspiração à socapa, ou porque as histórias têm muito potencial. Não é o caso. The Ultimate Warrior é apenas mais uma peça arqueológica sem grande valor. Destaco o espectacular design do poster promocional, que como era (quase) norma da altura, estava muitos pontos acima do próprio filme. ●○○○○
Quando se fala de música rock é impossível não mencionar os Queen. Fala-se muitas vezes nas melhores bandas do mundo, e é sempre um tópico quente. Gosto de muitas bandas rock míticas: Led Zeppelin, The Doors, mas tenho um lugar no meu cérebro especialmente para os Pink Floyd. Quando penso na melhor banda de sempre, lembro-me sempre dos Pink Floyd em primeiro lugar. É um tipo de música que me toca fundo no cérebro. Mas depois ponho a rolar um Greatests Hits dos Queen e começo a ver a quantidade de hits, singles e músicas que passaram directamente para a cultura pop, e então tenho de admitir que os Queen são provavelmente a melhor banda do mundo. De sempre.
Contrariamente às outras bandas lendárias, a música dos Queen é algo incoerente. Ao passo que a sonoridade de base de uns Doors ou Led Zeppelin é mais ou menos linear e constante ao longos das décadas, a música dos Queen vai mudando e passando por vários estilos. Quase ao ritmo da mudança visual do Freddy Mercury... E estranhamente, isto nunca lhse retirou sonoridade. Passa do glam rock dos 70's, desdobra-se em vários estilos pelo meio dos 80's e termina num pop mais leve nos 90's juntamente com um lado mais básico e pessoal do Mercury. Mas a música permanece sempre excepcionalmente boa. É estranho. Isto nem devia ter acontecido. Já vi alguns documentários sobre os Queen e por isso conheço relativamente bem os elementos da banda. E a minha única explicação para aquilo funcionar sempre bem em termos musicais é o background profissional deles. Tirando o Freddy Mercury - que nasceu para ser performer e nunca poderia ter sido outra coisa -, todos eles têm formação académica e/ou técnica: Brian May é formado em astrofísica, Roger Taylor formou-se em biologia e John Deacon estudou electrónica... Isto é tudo pessoal muito técnico. Acho que é por causa disso que a música é tão... tão... Não sei explicar. Acho que de alguma forma eles conseguiram alinhar as músicas e as batidas com os nossos chacras, o palpitar do coração ou com a via láctea e os planetas... Não sei... Sei que a música dos Queen "funcionou" durante os 30 anos de existência da banda e continua a bater forte em todas as novas gerações, como se a música deles fosse lançada agora pela primeira vez. Sempre que aparece um filme ou um anúncio com uma música dos Queen, dá a impressão que a banda ainda existe e que aquela composição é de "agora". Os Queen atingiram a intemporalidade.
Como já sou meio-jurássico ainda me lembro do Live Aid do Bob Geldof, em 1985. Passaram por lá as maiores bandas e os melhores cantores do mundo naquela altura. Desses, entretanto já se eclipsou tudo da memória... tirando aquela performance dos Queen. É uma coisa que fica para sempre. Vindo de uma banda que se estava a separar e que já não tocava há algum tempo... é preciso ser mesmo muito bom para dar um show daqueles.
E depois há Bohemian Rhapsody. No campo da música moderna, tipo pop e rock, acho que não há dúvidas que é a melhor música de sempre. Nunca conheci ninguém que não gostasse da música. Mas para além da estranheza daquela junção marada de estilos musicais e operáticos, há algo naquela música ainda mais profundo. A letra e as performances do Freddy têm um carácter tão estranhamente premonitório que se torna até assustador. Parece que ele sabia como iria acabar e como tudo se desenrolaria no final... Bem, se calhar estou novamente a ver coisas onde elas não existem... Mas é que eu sinto.
Os Queen faziam músicas que são inexplicáveis e facilmente reconhecidas por qualquer pessoa no mundo inteiro. Daí que fazer um filme sobre a banda e as raízes das músicas, nunca seria uma tarefa fácil e um risco muito grande. Mas há que dizer que Bryan Singer fez um bom trabalho. Bohemian Rhapsody é um filme totalmente aceitável porque capitaliza na atracção quase visceral e também intemporal da música do Queen. Foi um enorme êxito de bilheteira, o que para mim não foi surpresa nenhuma. Acho que qualquer filme mixuruca (o que não é o caso) que tivesse banda sonora dos Queen seria sempre bom. Mas à parte da música, o filme realmente está bem feito, porque assenta num guião perfeitamente estruturado. É um biopic bem feito, bem realizado e muitíssimo bem interpretado por Rami Malek. E aqui há que mencionar o protagonista. Ter uma cara parecida com o Freddy Mercury não é esforço nenhum. Mas há que lhe dar todo o mérito pela forma como lhe deu "corpo" e como mimetizou muitas daquelas nuances tão típicas e únicas do Freddy Mercury. E isso era provavelmente a coisa mais difícil de conseguir. Já o restante pessoal (Lucy Boynton, Gwilym Lee, Ben Hardy, Joseph Mazzello) faz essencialmente de secundário e acaba mesmo por ser secundário, porque só lá estão devido às parecenças físicas com a banda original e para servir de suporte para a grande performance de Malek. Não deixa de ser curioso que os Queen tenham aparentemente "sofrido" do mesmo problema... Apesar de ser um filmito bastante "normal", Bohemian Rhapsody, acaba por ser agradável porque mostra um pouco o "interior" da banda, os confrontos e as fontes de inspiração para algumas músicas, assim como toda a dualidade e demónios do grande monstro e génio dos palcos que foi Freddy Mercury. E só por isso já vale bem o bilhete. ●●●○○
Contrariamente às outras bandas lendárias, a música dos Queen é algo incoerente. Ao passo que a sonoridade de base de uns Doors ou Led Zeppelin é mais ou menos linear e constante ao longos das décadas, a música dos Queen vai mudando e passando por vários estilos. Quase ao ritmo da mudança visual do Freddy Mercury... E estranhamente, isto nunca lhse retirou sonoridade. Passa do glam rock dos 70's, desdobra-se em vários estilos pelo meio dos 80's e termina num pop mais leve nos 90's juntamente com um lado mais básico e pessoal do Mercury. Mas a música permanece sempre excepcionalmente boa. É estranho. Isto nem devia ter acontecido. Já vi alguns documentários sobre os Queen e por isso conheço relativamente bem os elementos da banda. E a minha única explicação para aquilo funcionar sempre bem em termos musicais é o background profissional deles. Tirando o Freddy Mercury - que nasceu para ser performer e nunca poderia ter sido outra coisa -, todos eles têm formação académica e/ou técnica: Brian May é formado em astrofísica, Roger Taylor formou-se em biologia e John Deacon estudou electrónica... Isto é tudo pessoal muito técnico. Acho que é por causa disso que a música é tão... tão... Não sei explicar. Acho que de alguma forma eles conseguiram alinhar as músicas e as batidas com os nossos chacras, o palpitar do coração ou com a via láctea e os planetas... Não sei... Sei que a música dos Queen "funcionou" durante os 30 anos de existência da banda e continua a bater forte em todas as novas gerações, como se a música deles fosse lançada agora pela primeira vez. Sempre que aparece um filme ou um anúncio com uma música dos Queen, dá a impressão que a banda ainda existe e que aquela composição é de "agora". Os Queen atingiram a intemporalidade.
Como já sou meio-jurássico ainda me lembro do Live Aid do Bob Geldof, em 1985. Passaram por lá as maiores bandas e os melhores cantores do mundo naquela altura. Desses, entretanto já se eclipsou tudo da memória... tirando aquela performance dos Queen. É uma coisa que fica para sempre. Vindo de uma banda que se estava a separar e que já não tocava há algum tempo... é preciso ser mesmo muito bom para dar um show daqueles.
E depois há Bohemian Rhapsody. No campo da música moderna, tipo pop e rock, acho que não há dúvidas que é a melhor música de sempre. Nunca conheci ninguém que não gostasse da música. Mas para além da estranheza daquela junção marada de estilos musicais e operáticos, há algo naquela música ainda mais profundo. A letra e as performances do Freddy têm um carácter tão estranhamente premonitório que se torna até assustador. Parece que ele sabia como iria acabar e como tudo se desenrolaria no final... Bem, se calhar estou novamente a ver coisas onde elas não existem... Mas é que eu sinto.
Os Queen faziam músicas que são inexplicáveis e facilmente reconhecidas por qualquer pessoa no mundo inteiro. Daí que fazer um filme sobre a banda e as raízes das músicas, nunca seria uma tarefa fácil e um risco muito grande. Mas há que dizer que Bryan Singer fez um bom trabalho. Bohemian Rhapsody é um filme totalmente aceitável porque capitaliza na atracção quase visceral e também intemporal da música do Queen. Foi um enorme êxito de bilheteira, o que para mim não foi surpresa nenhuma. Acho que qualquer filme mixuruca (o que não é o caso) que tivesse banda sonora dos Queen seria sempre bom. Mas à parte da música, o filme realmente está bem feito, porque assenta num guião perfeitamente estruturado. É um biopic bem feito, bem realizado e muitíssimo bem interpretado por Rami Malek. E aqui há que mencionar o protagonista. Ter uma cara parecida com o Freddy Mercury não é esforço nenhum. Mas há que lhe dar todo o mérito pela forma como lhe deu "corpo" e como mimetizou muitas daquelas nuances tão típicas e únicas do Freddy Mercury. E isso era provavelmente a coisa mais difícil de conseguir. Já o restante pessoal (Lucy Boynton, Gwilym Lee, Ben Hardy, Joseph Mazzello) faz essencialmente de secundário e acaba mesmo por ser secundário, porque só lá estão devido às parecenças físicas com a banda original e para servir de suporte para a grande performance de Malek. Não deixa de ser curioso que os Queen tenham aparentemente "sofrido" do mesmo problema... Apesar de ser um filmito bastante "normal", Bohemian Rhapsody, acaba por ser agradável porque mostra um pouco o "interior" da banda, os confrontos e as fontes de inspiração para algumas músicas, assim como toda a dualidade e demónios do grande monstro e génio dos palcos que foi Freddy Mercury. E só por isso já vale bem o bilhete. ●●●○○
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Midnight Express é um daqueles dramalhaços que dispensa apresentações. É um potente soco no estômago do princípio ao fim. Baseado na incrível história de Billy Hayes, um jovem americano que nos politicamente instáveis anos 70 é preso no aeroporto de Istambul na posse de drogas e posteriormente condenado a 40 anos de prisão. Se isso já seria mau o suficiente nos dias de hoje, o caso torna-se ainda mais dramático se se considerar uma prisão turca nos 70's. Ou pelo menos, a prisão do filme, porque nos anos seguintes e até aos dias de hoje, toda a gente envolvida no filme tem vindo constantemente a público desculpar-se pela horrenda imagem que fizeram passar dos turcos e do seu sistema penal e prisional. De facto, há que admitir, que parece que uma pessoa está ver mais uma prisão medieval do que uma prisão nos anos 70. Sinceramente, é-me igual. Nunca iria colar um rótulo tão negativo a uma nação inteira só porque vi um filme que exagera nos acontecimentos e no drama. É um filme, certo? Não é a realidade. Quando bem feito, produz as mesmas emoções que a realidade, mas ainda assim, não é a realidade. Mas essa "realidade" encenada de emoções é que distingue os maus dos bons filmes. E se há coisa que Midnight Express faz muito bem, é despertar emoções. Angústia, raiva, tristeza, revolta, sacrifício... Não são propriamente boas coisas que saem deste filme, mas... é a vida.
Ver a loucura a apoderar-se de um gajo e depois vê-lo a ressurgir dos seus próprios escombros é absolutamente espantoso. Um tour-de-force inesquecível de Brad Davis. O filme é tenso e imensamente dramático. Mas só pelo interpretação soberba de Davis levava um "5" garantido... Seguramente uma das melhores interpretações que já vi. Mas curiosamente, Davis nem sequer foi nomeado para um Óscar. E porquê? Ninguém sabe... Politiquices internas, uma personalidade extravagante e/ou jogos de bastidores, suspeito eu... Mas não posso confirmar nada, por isso mantenho-me na ignorância. Para além de Davis e da sua brilhante performance, também há pessoal de "peso", como Paolo Bonacelli, Paul L. Smith e John Hurt, mas o restante casting não lhe fica atrás. Nada falha neste filme. A música de Giorgio Moroder é sublime e o guião de Oliver Stone, idem aspas. Os dois receberam Óscares como prémio. Mas para mim, o melhor prémio é mesmo poder ver um excelente filme como o Midnight Express. E depois... Alan Parker. Ai Alan Parker, Alan Parker, que saudades eu tenho de realizadores como tu. Um verdadeiro mestre. Um artesão emocional de filmes. O cinema no seu melhor e um dos meus filmes preferidos. Midnight Express é um clássico intemporal e verdadeiramente um filme de culto. ●●●●●
P.S. Não consegui resistir e resolvi dar uma vista de olhos nos comentários de pessoal anónimo e não profissional como eu. Tanto a opinião do crítico de renome como o do vulgar "toino" como eu, tem o mesmo efeito: zero. Lá porque muita gente acha que este filme é uma obra prima ou uma cagada em três actos, para mim é totalmente indiferente. Na realidade, é mesmo isso que acontece. A crítica é extremamente polarizada. Tanto é considerado uma obra-prima, como é uma nociva propaganda racista. No entanto, esta polarização simplesmente não muda a minha opinião. Mas choca-me o facto de ver tanta gente a criticar o filme como sendo uma obra de propaganda anti-islão, ou anti-turca, ou anti-outra coisa qualquer. Deixa-me a pensar. Já estamos assim tão embrenhados no nauseabundo politicamente correcto que não se pode dramatizar, sem cair no exagero de ter sempre uma etiqueta de racista para ser colado em tudo e todos? É que isto assim está a tornar-se perigoso. Qualquer dia eu não posso ver um filme da Leni Riefenstahl - nem que seja só para ver os aspectos técnicos e cinematográficos - sem ser considerado um apologista do nazismo! Ou alguém vai-me acusar de estar fazer propaganda nazi, se eu comentar aqui o filme? Vamos também começar a destruir "carochas" porque foram idealizados por esse regime? Se calhar estou a exagerar nas extrapolações, se calhar não, até porque há uma importante questão em volta deste tema: e se a história de Billy Hayes fosse 100% verídica? Toda a gente ia marchar pelas ruas a pedir o castigo de uma nação que existiu há 30 ou 40 anos atrás? E já agora, vai-se continuar a martelar nos soviéticos da era da Guerra Fria? Nos regimes opressivos pré-civilização moderna? Vamos banir todos os antigos westerns pela forma como retratavam os índios, os verdadeiros americanos? Vamos destruir cópias do Jaws porque fez milhões de pessoas odiarem os tubarões? Aonde é que isto pára?... Mas para mim, começa a ser chocante o facto de tudo ter de ser apolítico, assexuado e sem contornos definidos porque senão ofende sempre alguém e não se pode fazer nem dizer nada.
Já me começa a chatear. Isto é só um filme que, do meu ponto de vista, tenta enfatizar e dramatizar ao máximo o inferno que é estar preso no estrangeiro, no meio de uma cultura e de uma língua diferente e rodeado de tudo o que é estranho. Não é sobre a Turquia, nem sobre a cultura turca, nem sobre as suas pessoas. Não é mais que isto. Acho que o pessoal anda a levar tudo demasiado a sério. E não digo mais nada, porque já me estou a chatear a mim próprio com este assunto...
Ver a loucura a apoderar-se de um gajo e depois vê-lo a ressurgir dos seus próprios escombros é absolutamente espantoso. Um tour-de-force inesquecível de Brad Davis. O filme é tenso e imensamente dramático. Mas só pelo interpretação soberba de Davis levava um "5" garantido... Seguramente uma das melhores interpretações que já vi. Mas curiosamente, Davis nem sequer foi nomeado para um Óscar. E porquê? Ninguém sabe... Politiquices internas, uma personalidade extravagante e/ou jogos de bastidores, suspeito eu... Mas não posso confirmar nada, por isso mantenho-me na ignorância. Para além de Davis e da sua brilhante performance, também há pessoal de "peso", como Paolo Bonacelli, Paul L. Smith e John Hurt, mas o restante casting não lhe fica atrás. Nada falha neste filme. A música de Giorgio Moroder é sublime e o guião de Oliver Stone, idem aspas. Os dois receberam Óscares como prémio. Mas para mim, o melhor prémio é mesmo poder ver um excelente filme como o Midnight Express. E depois... Alan Parker. Ai Alan Parker, Alan Parker, que saudades eu tenho de realizadores como tu. Um verdadeiro mestre. Um artesão emocional de filmes. O cinema no seu melhor e um dos meus filmes preferidos. Midnight Express é um clássico intemporal e verdadeiramente um filme de culto. ●●●●●
P.S. Não consegui resistir e resolvi dar uma vista de olhos nos comentários de pessoal anónimo e não profissional como eu. Tanto a opinião do crítico de renome como o do vulgar "toino" como eu, tem o mesmo efeito: zero. Lá porque muita gente acha que este filme é uma obra prima ou uma cagada em três actos, para mim é totalmente indiferente. Na realidade, é mesmo isso que acontece. A crítica é extremamente polarizada. Tanto é considerado uma obra-prima, como é uma nociva propaganda racista. No entanto, esta polarização simplesmente não muda a minha opinião. Mas choca-me o facto de ver tanta gente a criticar o filme como sendo uma obra de propaganda anti-islão, ou anti-turca, ou anti-outra coisa qualquer. Deixa-me a pensar. Já estamos assim tão embrenhados no nauseabundo politicamente correcto que não se pode dramatizar, sem cair no exagero de ter sempre uma etiqueta de racista para ser colado em tudo e todos? É que isto assim está a tornar-se perigoso. Qualquer dia eu não posso ver um filme da Leni Riefenstahl - nem que seja só para ver os aspectos técnicos e cinematográficos - sem ser considerado um apologista do nazismo! Ou alguém vai-me acusar de estar fazer propaganda nazi, se eu comentar aqui o filme? Vamos também começar a destruir "carochas" porque foram idealizados por esse regime? Se calhar estou a exagerar nas extrapolações, se calhar não, até porque há uma importante questão em volta deste tema: e se a história de Billy Hayes fosse 100% verídica? Toda a gente ia marchar pelas ruas a pedir o castigo de uma nação que existiu há 30 ou 40 anos atrás? E já agora, vai-se continuar a martelar nos soviéticos da era da Guerra Fria? Nos regimes opressivos pré-civilização moderna? Vamos banir todos os antigos westerns pela forma como retratavam os índios, os verdadeiros americanos? Vamos destruir cópias do Jaws porque fez milhões de pessoas odiarem os tubarões? Aonde é que isto pára?... Mas para mim, começa a ser chocante o facto de tudo ter de ser apolítico, assexuado e sem contornos definidos porque senão ofende sempre alguém e não se pode fazer nem dizer nada.
Já me começa a chatear. Isto é só um filme que, do meu ponto de vista, tenta enfatizar e dramatizar ao máximo o inferno que é estar preso no estrangeiro, no meio de uma cultura e de uma língua diferente e rodeado de tudo o que é estranho. Não é sobre a Turquia, nem sobre a cultura turca, nem sobre as suas pessoas. Não é mais que isto. Acho que o pessoal anda a levar tudo demasiado a sério. E não digo mais nada, porque já me estou a chatear a mim próprio com este assunto...
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Desde sempre que houve um género de filme que explora um baixo orçamento para tentar maximizar o número na plateia e a consequente receita de bilheteira. Há uns anos atrás eram "série B" e os "slashers", depois passaram para o gore e agora são claramente os "filmes de horror/demónios". Neste campo também entram os "siege movies" que pelas razões óbvias (mínimo de actores, poucos cenários e exteriores, facilidade de filmar em espaços fechados e controlados) também têm sido bastantes explorados, especialmente os mais violentos. Todos eles têm um público específico, o target "jovem", que por natureza se sente atraído para estes filmes, onde se podem ver coisas... "diferentes", digamos assim.
São às carradas e é-me impossível vê-los todos, até porque nem me apetece. Já tive a minha dose. Com as devidas diferenças, são sempre a mesma coisa. É quase uma regra. No entanto, há sempre aquela pequena excepção que confirma a regra. The Purge, realizado por James DeMonaco, é uma dessas excepções.
Primeiro parece um filme de terror/gore para adolescentes, mas depois passa para um "filme de cerco" muito bem arranjado e montado para adultos. A premissa é estranha: em 2022 (muitas vezes aparece esta data em cenas distópicas...) a América está devastada pelo crime descontrolado e com as cadeias a transbordar decide auto regular-se, permitindo que num período anual de 12 horas, todo o crime sem excepção saia sem punição. As ajudas da polícia e dos hospitais estão suspensas, portanto é a selvajaria total. O melhor é arranjar abrigo e esperar que passe. Uma família de classe média americana faz isso mesmo, mas as coisas nunca correm como planeado... Isto faz-me lembrar mesmo alguns filmes antigolas dos anos 70/80, tipo John Carpenter e afins.
The Purge vê-se bem e o que mais se destaca são os actores principais (os sempre ótimos Ethan Hawke e Lena Headey) e a consistência geral da coisa, que descamba para um bom thriller à moda antiga. Muito melhor do que esperava. Uma agradável surpresa. ●●○○○
São às carradas e é-me impossível vê-los todos, até porque nem me apetece. Já tive a minha dose. Com as devidas diferenças, são sempre a mesma coisa. É quase uma regra. No entanto, há sempre aquela pequena excepção que confirma a regra. The Purge, realizado por James DeMonaco, é uma dessas excepções.
Primeiro parece um filme de terror/gore para adolescentes, mas depois passa para um "filme de cerco" muito bem arranjado e montado para adultos. A premissa é estranha: em 2022 (muitas vezes aparece esta data em cenas distópicas...) a América está devastada pelo crime descontrolado e com as cadeias a transbordar decide auto regular-se, permitindo que num período anual de 12 horas, todo o crime sem excepção saia sem punição. As ajudas da polícia e dos hospitais estão suspensas, portanto é a selvajaria total. O melhor é arranjar abrigo e esperar que passe. Uma família de classe média americana faz isso mesmo, mas as coisas nunca correm como planeado... Isto faz-me lembrar mesmo alguns filmes antigolas dos anos 70/80, tipo John Carpenter e afins.
The Purge vê-se bem e o que mais se destaca são os actores principais (os sempre ótimos Ethan Hawke e Lena Headey) e a consistência geral da coisa, que descamba para um bom thriller à moda antiga. Muito melhor do que esperava. Uma agradável surpresa. ●●○○○
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Há dois tipos de filmes sobre os quais é fácil de escrever: os muito maus e os muito bons. Westworld é do segundo tipo por isso não me vou alongar muito. Já deve ter havido teses de mestrado sobre o assunto e qualquer livro de cinema já escrutinou o filme (ou pelo menos a história) ao milímetro do frame. É um clássico da ficção científica que toda a gente deveria ver. Foi totalmente revolucionário e um marco até hoje.
Mas o que mais me surpreende em Westworld é o salto mental. Michael Crichton é um gajo com uma cabeça muito à frente do seu tempo. Como é que nos anos 70, quando 99,99% das pessoas nem sequer sabia o que era um computador (que tinham uma capacidade de processamento de uma actual calculadora) consegue imaginar coisas como parques de diversão com autómatos iguais a humanos? É um salto mental absolutamente gigante. É a mente de alguém que está décadas à frente dos restantes. É preciso ter muita visão. E muita imaginação.
Mas se por um lado, a história é fantástica, o filme no seu todo deixa algo a desejar. Crichton sempre escreveu grandes histórias, mas quando se mudou para a cadeira do realizador, os resultados nunca foram os melhores... E para uma ideia tão avançada como esta, os efeitos (que deveriam ser imaculados) até são aceitáveis, mas estão sempre a descair para o lado mau. Mesmo nessa altura já havia coisinhas mais bem feitas... Depois a escolha do actor principal também não ajudou (sem grande carisma ) e o restante casting fica-se quase pela mesma medida (Richard Benjamin, James Brolin). Fica o destaque para um grande senhor, Yul Brynner, um ícone do cinema que diz mais calado que muitos actores juntos a falar pelos cotovelos.
Como não sou fundamentalista, acho que este é um daqueles poucos casos que estava mesmo a pedir um remake. Seria totalmente justificado. Face à actual falta de ideias e ao risco zero que os estúdios querem ter nos seus investimentos, presumo que não deva estar muito longe... ●●●●○
Mas agora que penso melhor no assunto... O que é que será que o Crichton tem contra parques temáticos ou cenas de férias? O Westworld é um parque temático; o Jurassic Park também é; o Jaws passa-se numa colónia de férias... Hum.. Pode ser coincidência, mas acho que algo traumático lhe aconteceu enquanto passava férias... Ou talvez não...
Mas o que mais me surpreende em Westworld é o salto mental. Michael Crichton é um gajo com uma cabeça muito à frente do seu tempo. Como é que nos anos 70, quando 99,99% das pessoas nem sequer sabia o que era um computador (que tinham uma capacidade de processamento de uma actual calculadora) consegue imaginar coisas como parques de diversão com autómatos iguais a humanos? É um salto mental absolutamente gigante. É a mente de alguém que está décadas à frente dos restantes. É preciso ter muita visão. E muita imaginação.
Mas se por um lado, a história é fantástica, o filme no seu todo deixa algo a desejar. Crichton sempre escreveu grandes histórias, mas quando se mudou para a cadeira do realizador, os resultados nunca foram os melhores... E para uma ideia tão avançada como esta, os efeitos (que deveriam ser imaculados) até são aceitáveis, mas estão sempre a descair para o lado mau. Mesmo nessa altura já havia coisinhas mais bem feitas... Depois a escolha do actor principal também não ajudou (sem grande carisma ) e o restante casting fica-se quase pela mesma medida (Richard Benjamin, James Brolin). Fica o destaque para um grande senhor, Yul Brynner, um ícone do cinema que diz mais calado que muitos actores juntos a falar pelos cotovelos.
Como não sou fundamentalista, acho que este é um daqueles poucos casos que estava mesmo a pedir um remake. Seria totalmente justificado. Face à actual falta de ideias e ao risco zero que os estúdios querem ter nos seus investimentos, presumo que não deva estar muito longe... ●●●●○
Mas agora que penso melhor no assunto... O que é que será que o Crichton tem contra parques temáticos ou cenas de férias? O Westworld é um parque temático; o Jurassic Park também é; o Jaws passa-se numa colónia de férias... Hum.. Pode ser coincidência, mas acho que algo traumático lhe aconteceu enquanto passava férias... Ou talvez não...
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O ano é 2022 e a realidade é um distopia viva. O mundo do detective Thorn (Charlton Heston) dá uma volta de 180 graus quando lhe é designada uma investigação de homicídio numa zona rica e exclusiva da cidade. Mas o mundo de Thorn é também um mundo superpovoado (40 milhões de pessoas só em Nova York), poluído e de recursos sobreexplorados e escassos. É um mundo onde a eutanásia é uma matéria de estado que tem centros próprios para acabar com os idosos, que no momento em que são envenenados e esperam a morte, podem finalmente rever num monitor o extinto mundo natural em todo o seu esplendor... É neste mundo pessimista e terminal que Thorn conhece Shirl (Leigh Taylor-Young), uma "mobília". Soylent Green tem conceitos muito fixes e muito avançados. "Mobília", por exemplo é o que se chamam às mulheres que fazem parte do contrato de arrendamento que os ricos assinam quando vão para os tais apartamentos chiques na "alta" e vivem numa realidade paralela dos milhões de pessoas a viver em vãos de escadas... As pessoas são tantas que são literalmente tratadas como lixo... O próprio termo "soylent" é uma mistura de soja (soybeans) e lentilhas o
que me lembra imediatamente a mudança nos conceitos alimentares
relativamente recentes...
Soylent Green foi adaptado do livro de Harry Harrison, "Make Room! Make Room!", e lida com temas extremos como a conspiração, distopia, canibalismo, homicídio e destruição ecológica à escala planetária. E é uma obra negra, pessimista e que não acaba bem. É mesmo típico dos filmes dos 70's. Os anos 70 foram ao mesmo tempo o pináculo e a década do nascimento da verdadeira ficção científica. Foi quando se começou a aliar a lógica e o pensamento científico ao espectáculo do cinema. Apesar de só ter contacto com este e outros filmes do género muito mais tarde (nos 80's), isso teve um efeito profundo em mim. Neste caso específico, fez com que começasse a estar alerta para a ecologia e começou a incutir-me a curiosidade de como o mundo natural funcionava e como o homem o poderia desestabilizar ou até mesmo o destruir. Até essa altura eu não tinha noção que isso seria sequer possível. Não tinha conhecimentos nem inteligência suficiente para perceber. Soylent Green foi um filme que literalmente mudou o meu mundo e que mudou a forma como via o mundo. E também mudou a forma como via os filmes. Aquele final simplesmente explodiu-me com o cérebro... E teve o condão de o pôr a funcionar de outra forma. Aquilo seria possível? Seria possível a Terra e o Homem chegarem àquele ponto? Quem eram aquelas pessoas que conseguiam imaginar um futuro assim? Ainda hoje, sempre que ouço um camião do lixo a carregar ao longe, lembro-me sempre do Soylent Green. Claro que é um filme que está datado no tempo e faltam-lhe muitas "coisas" de 2022. Mas quem é que consegue imaginar o mundo daqui a 50 anos e mostrá-lo exactamente como será viver nele? É preciso dar o desconto devido...
Este foi o último filme de Edward G. Robinson que se debatia com um cancro, embora ninguém soubesse. Na cena da eutanásia, Heston estava mesmo a chorar devido à actuação "real" de Robinson... Pensando bem, é de facto, cruel. A última coisa que filmou foi a sua "morte", o que viria realmente a acontecer uns dias depois do final das filmagens. Mais um elemento mítico a juntar ao próprio carácter mítico do filme em si.
Soylent Green é um clássico intemporal, imperdível e imprescindível. É daqueles filmes que tem uma história que dá para infindáveis dissertações e discussões. Mas o melhor é ver. Diria que é mesmo obrigatório ver. E que seja a uma terça-feira, pois terça-feira é dia de Soylent Green... ●●●●● + ●
Soylent Green foi adaptado do livro de Harry Harrison, "Make Room! Make Room!", e lida com temas extremos como a conspiração, distopia, canibalismo, homicídio e destruição ecológica à escala planetária. E é uma obra negra, pessimista e que não acaba bem. É mesmo típico dos filmes dos 70's. Os anos 70 foram ao mesmo tempo o pináculo e a década do nascimento da verdadeira ficção científica. Foi quando se começou a aliar a lógica e o pensamento científico ao espectáculo do cinema. Apesar de só ter contacto com este e outros filmes do género muito mais tarde (nos 80's), isso teve um efeito profundo em mim. Neste caso específico, fez com que começasse a estar alerta para a ecologia e começou a incutir-me a curiosidade de como o mundo natural funcionava e como o homem o poderia desestabilizar ou até mesmo o destruir. Até essa altura eu não tinha noção que isso seria sequer possível. Não tinha conhecimentos nem inteligência suficiente para perceber. Soylent Green foi um filme que literalmente mudou o meu mundo e que mudou a forma como via o mundo. E também mudou a forma como via os filmes. Aquele final simplesmente explodiu-me com o cérebro... E teve o condão de o pôr a funcionar de outra forma. Aquilo seria possível? Seria possível a Terra e o Homem chegarem àquele ponto? Quem eram aquelas pessoas que conseguiam imaginar um futuro assim? Ainda hoje, sempre que ouço um camião do lixo a carregar ao longe, lembro-me sempre do Soylent Green. Claro que é um filme que está datado no tempo e faltam-lhe muitas "coisas" de 2022. Mas quem é que consegue imaginar o mundo daqui a 50 anos e mostrá-lo exactamente como será viver nele? É preciso dar o desconto devido...
Este foi o último filme de Edward G. Robinson que se debatia com um cancro, embora ninguém soubesse. Na cena da eutanásia, Heston estava mesmo a chorar devido à actuação "real" de Robinson... Pensando bem, é de facto, cruel. A última coisa que filmou foi a sua "morte", o que viria realmente a acontecer uns dias depois do final das filmagens. Mais um elemento mítico a juntar ao próprio carácter mítico do filme em si.
Soylent Green é um clássico intemporal, imperdível e imprescindível. É daqueles filmes que tem uma história que dá para infindáveis dissertações e discussões. Mas o melhor é ver. Diria que é mesmo obrigatório ver. E que seja a uma terça-feira, pois terça-feira é dia de Soylent Green... ●●●●● + ●
Passado na Los Angeles dos anos 70, The Nice Guys conta a história de dois detectives muito particulares que investigam o aparente suicídio de uma artista porno. Esta investigação vai levá-los muito mais longe do que estavam à espera...
Os nice guys são Ryan Gosling e Russell Crowe e são dirigidos por um muito experiente Shane Black, que há muito se dedica (e bem) aos filmes policiais e de acção. Também uma miúda que parece ser muito talentosa Angourie Rice, mas nem isso é suficiente para dar mais "sabor" aos filme.
The Nice Guys até é um filme agradável mas de facto não tem muito sabor. Tem algumas piadas engraçadas e bem esgalhadas e até há uma boa química natural entre os dois protagonistas, mas sente-se que falta ali alguma coisa. Não sei muito bem o que é, mas falta. Vê-se bem, não chateia, dá para dar uma ou outra gargalhada, mas fica-se por aí. É demasiado inócuo para o meu gosto. Tem bons momentos, mas definitivamente podia ser melhor. ●●○○○
Os nice guys são Ryan Gosling e Russell Crowe e são dirigidos por um muito experiente Shane Black, que há muito se dedica (e bem) aos filmes policiais e de acção. Também uma miúda que parece ser muito talentosa Angourie Rice, mas nem isso é suficiente para dar mais "sabor" aos filme.
The Nice Guys até é um filme agradável mas de facto não tem muito sabor. Tem algumas piadas engraçadas e bem esgalhadas e até há uma boa química natural entre os dois protagonistas, mas sente-se que falta ali alguma coisa. Não sei muito bem o que é, mas falta. Vê-se bem, não chateia, dá para dar uma ou outra gargalhada, mas fica-se por aí. É demasiado inócuo para o meu gosto. Tem bons momentos, mas definitivamente podia ser melhor. ●●○○○
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High-Rise é mais um daqueles filmes de mixed feelings. Gostei imenso do aspecto retro-futurista do filme. Tem uma estética perfeita. Lembra-me o Clockwork Orange e aquela estranha sensação de estar a ver uma coisa antiga dos anos 70, mas que por alguma razão parece vinda do futuro. Há algo na estética dos 70's que é conflituosa em termos de passado e futuro. Deve ser por causa disso que High-Rise parece um filme de ficção cientifica, mas não tem absolutamente nenhum elemento sci-fy. A outra coisa que gostei foi que me deu a conhecer um autor que pouco conhecia: J.G. Ballard. Já tinha lido umas coisas sobre ele e sobre os seus escritos meio subversivos, meio alegóricos da sociedade, mas nunca li nenhum dos livros. Agora aguçou-me ainda mais a curiosidade e é sem dúvida um dos autores em que vou "investir" em breve.
A parte negativa advém directamente da positiva e a culpa é da (aparente) genialidade de Ben Wheatley. Este gajo parece ser mesmo bom, mas parece sofrer do mesmo defeito que já vi em muitos realizadores novos, que estão agora a aparecer: não sabem quando parar. O filme tem um visual bastante forte, mas perdura demasiado no tempo. Isto quer dizer o quê? Quer dizer que exagera no tratamento estético. Nunca deixa uma pessoas descansar os olhinhos. Todas as cenas são tão detalhadamente trabalhadas que acaba por se tornar cansativo. Está sempre num pico, falta-lhe alguma "normalidade". No início, ainda são aceitáveis, mas à medida que a história começa a descambar numa espiral de decadência e violência, torna-se quase insuportável. Fiquei com aquela sensação de estar a parar junto a um acidente e tentar sempre deixar de olhar, mas sem conseguir virar a cabeça. Ver High-Rise foi como estar a ver o desenrolar em câmara lenta de uma iminente catástrofe, cheia de belíssimas imagens de cores vibrantes até ao esperado final negro. Foi estranho. Foi verdadeiramente um mixed feeling...
Os actores são todos muitos bons: Jeremy Irons, Sienna Miller, Luke Evans, James Purefoy, mas especialmente o Tom Hiddleston, uma verdadeira surpresa. Para além da figura Marvel de irmão do Thor, nunca o tinha visto noutros papéis. Aqui está mesmo bem. Não imagino outro gajo neste papel.
A banda sonora também é muito boa, mas não consegue bater-se de igual para igual com a parte estética do filme, que diga-se é perfeita. No geral não há nada que falhe. A história é brilhante, subtilmente distópica, mas isso advém do próprio livro. Poderia ser melhor se fosse um bocado mais comedido visualmente, mas isso é apenas uma opinião pessoal.
High-Rise parece ser um daqueles filmes que por ser fora do normal e um pouco chocante, não se gosta logo à primeira e precisa de tempo para "decantar". Daqui por uns anos eu revejo-o (porque merece) e já sei avaliar melhor. ●●●○○
A parte negativa advém directamente da positiva e a culpa é da (aparente) genialidade de Ben Wheatley. Este gajo parece ser mesmo bom, mas parece sofrer do mesmo defeito que já vi em muitos realizadores novos, que estão agora a aparecer: não sabem quando parar. O filme tem um visual bastante forte, mas perdura demasiado no tempo. Isto quer dizer o quê? Quer dizer que exagera no tratamento estético. Nunca deixa uma pessoas descansar os olhinhos. Todas as cenas são tão detalhadamente trabalhadas que acaba por se tornar cansativo. Está sempre num pico, falta-lhe alguma "normalidade". No início, ainda são aceitáveis, mas à medida que a história começa a descambar numa espiral de decadência e violência, torna-se quase insuportável. Fiquei com aquela sensação de estar a parar junto a um acidente e tentar sempre deixar de olhar, mas sem conseguir virar a cabeça. Ver High-Rise foi como estar a ver o desenrolar em câmara lenta de uma iminente catástrofe, cheia de belíssimas imagens de cores vibrantes até ao esperado final negro. Foi estranho. Foi verdadeiramente um mixed feeling...
Os actores são todos muitos bons: Jeremy Irons, Sienna Miller, Luke Evans, James Purefoy, mas especialmente o Tom Hiddleston, uma verdadeira surpresa. Para além da figura Marvel de irmão do Thor, nunca o tinha visto noutros papéis. Aqui está mesmo bem. Não imagino outro gajo neste papel.
A banda sonora também é muito boa, mas não consegue bater-se de igual para igual com a parte estética do filme, que diga-se é perfeita. No geral não há nada que falhe. A história é brilhante, subtilmente distópica, mas isso advém do próprio livro. Poderia ser melhor se fosse um bocado mais comedido visualmente, mas isso é apenas uma opinião pessoal.
High-Rise parece ser um daqueles filmes que por ser fora do normal e um pouco chocante, não se gosta logo à primeira e precisa de tempo para "decantar". Daqui por uns anos eu revejo-o (porque merece) e já sei avaliar melhor. ●●●○○
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Quando vi este filme, lembrei-me logo de um slogan muito popular há uns anos: "Punk is not dead". Percebo que este seja um slogan que só faz sentido para pessoas que viveram nos finais dos 70's/princípios de 80's e que assistiram à "morte" do movimento e da música punk. Para mim, obviamente, nunca fez muito sentido. Mas agora entro numa fase do "Rock is not dead" e começo a perceber perfeitamente o significado do slogan original.
Tinha por isso muita expectativa com este Rock of Ages. Sabia que era escrito pelo Justin Theroux, tinha visto umas imagens (aparentemente boas) com o Tom Cruise... e pouco mais.
Estou tão chateado que não me vou alongar: é uma magistral desilusão. Até em termos musicais, conseguiram arruinar o filme, que mais parece uma mistura de filme musical de Disney com uma paródia à música dos anos 80. Não é admirar: Adam Shankman é realizador de musicais e filmes light, tipo Disney. É que nem Catherine Zeta-Jones, nem Alec Baldwin e nem Paul Giamatti conseguem salvar isto. Devia ter investigado mais e devia-me ter ficado apenas pela expectativa...
Quase que me leva a acreditar que de facto "Rock is dead"... ●○○○○
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