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Connor MacLeod é um escocês imortal que terá inevitavelmente que confrontar o seu inimigo, também imortal, numa luta final pelo "Prémio". E a única forma de derrotar um imortal é cortar-lhe literalmente a cabeça com uma espada...  Acho que toda a gente com mais de 30 anos já viu o Highlander ou pelo menos já ouviu falar do filme. Highlander é um filme que gosto bastante. E não é só pela questão do saudosismo. Acho realmente que o filme é bom. Tem uma história excelente, original, bons actores e no geral é um bom filme de entretenimento, que passados tantos anos, para um filme de acção e efeitos especiais, ainda se aguenta bastante bem e está actual. Talvez o melhor filme de Russell Mulcahy. Claro que não tem os fantasiosos e gigantescos efeitos de CGI dos filmes do momento, mas mesmo assim, aguenta-se bem.
Já não o vejo há alguns anos, mas mesmo assim continua cá bem "gravado". Por um lado, o "arquivo mental" foi por causa da história. A imortalidade! O derradeiro Santo Graal da Humanidade. Imortais, um prémio final, decapitações e uma história cheia de flashbacks ao longo de centenas de anos, tudo muito bem misturado e com muito nexo. Russell Mulcahy fez quase um videoclip gigant , muito bem ritmado, com excelentes imagens e muito bem misturadas com uma banda sonora portentosa. Depois, foi por causa dos efeitos. Na altura, foram um fenómeno. Eram outros tempos. Já vi um documentário sobre os efeitos especiais do filme e faziam-se coisas que seriam impensáveis hoje em dia. Algumas das cenas de espadas em que saltam raios... são mesmo raios! Os técnicos ligavam as espadas a baterias e quando estas se tocavam faziam arcos eléctricos. É inacreditável. A gigantesca explosão de vidros no beco, é mesmo uma explosão de vidros... Não haviam computadores nem efeitos digitais mas se as coisas tinham de acontecer... tinham de acontecer.
Como sempre, para além da história, é preciso que os filmes tenham actores em condições. Logo à partida, Sean Connery. É preciso dizer mais? Um lenda viva. Pode parecer estranho ver o Sean Connery de kilt em vez de smoking, mas de alguma forma estranha, acaba por estar perfeito. Mas o papel principal é de facto de Christopher Lambert, que contariamente ao que pensava, não é um actor americano, mas sim essencialmente francês. Descobri que apesar de ter nascido na América, emigrou para a Suiça muito novo e falava francês... Na realidade, aquele sotaque estranho que tem no filme, deriva precisamente do facto de andar a aprender a falar inglês. Isto é uma vantagem para as versões dobradas, porque na versão francesa é o Christopher Lambert a dobrar-se a ele próprio...  Estranho, não é? Mas ainda há, entre outros, James Cosmo, Jon Polito, Alan North, Roxanne Hart e Beatie Edney, mais uns eternos secundários. Mas não podia deixar de desatacar Clancy Brown, "o" Kurgan. Na altura, esta personagem metia-me verdadeiramente medo. O gajo, para além de parecer gigantesco, era assustador. É um dos melhores maus da fita de sempre com grandes deixas.
E para finalizar, os Queen. Uma banda sonora inteira dos Queen eleva qualquer filme e não é um qualquer filme que tem uma banda sonora especificamente criada pelos Queen. E não foram quaisquer musicazinhas... foram hits internacionais como Princes Of The Universe, Hammer To Fall, A Kind Of Magic e Who Wants To Live Forever, uma das minhas cenas favoritas de todo o filme e uma das melhores músicas de sempre dos Queen.
Apesar de tudo, Highlander não foi nenhum sucesso imediato de bilheteira. Ao longo dos tempos foi ganhando fãs até chegar ao ponto de hoje em dia, ser praticamente um filme de culto. Não é um fenómeno isolado. Acontece muitas vezes. Como tal, era suposto que Highlander ficasse por aqui. Na realidade, não foi isso que aconteceu. Uns anos depois surgiu uma sequela, que apesar de ridícula teve mais sucesso na bilheteira que este filme. Vá-se lá perceber o gosto do público. Aainda teve mais outro filme e mais umas séries na TV. Gerou todo um novo universo de imortais e histórias de continuidade. Pensando bem, isto não faz sentido nenhum porque em teoria tudo acabou quando o Connor MacLeod matou o último imortal e recebeu o tão almejado "Prémio". O que se passou a seguir na mitologia Highlander só confirma toda a lógica deste filme: só final só poderá haver apenas um... Certíssimo. ●●●

Quando se fala de música rock é impossível não mencionar os Queen. Fala-se muitas vezes nas melhores bandas do mundo, e é sempre um tópico quente. Gosto de muitas bandas rock míticas: Led Zeppelin, The Doors, mas tenho um lugar no meu cérebro especialmente para os Pink Floyd. Quando penso na melhor banda de sempre, lembro-me sempre dos Pink Floyd em primeiro lugar. É um tipo de música que me toca fundo no cérebro. Mas depois ponho a rolar um Greatests Hits dos Queen e começo a ver a quantidade de hits, singles e músicas que passaram directamente para a cultura pop, e então tenho de admitir que os Queen são provavelmente a melhor banda do mundo. De sempre.
Contrariamente às outras bandas lendárias, a música dos Queen é algo incoerente. Ao passo que a sonoridade de base de uns Doors ou Led Zeppelin é mais ou menos linear e constante ao longos das décadas, a música dos Queen vai mudando e passando por vários estilos. Quase ao ritmo da mudança visual do Freddy Mercury... E estranhamente, isto nunca lhse retirou sonoridade. Passa do glam rock dos 70's, desdobra-se em vários estilos pelo meio dos 80's e termina num pop mais leve nos 90's juntamente com um lado mais básico e pessoal do Mercury. Mas a música permanece sempre excepcionalmente boa. É estranho. Isto nem devia ter acontecido. Já vi alguns documentários sobre os Queen e por isso conheço relativamente bem os elementos da banda. E a minha única explicação para aquilo funcionar sempre bem em termos musicais é o background profissional deles. Tirando o Freddy Mercury - que nasceu para ser performer e nunca poderia ter sido outra coisa -, todos eles têm formação académica e/ou técnica: Brian May é formado em astrofísica, Roger Taylor formou-se em biologia e John Deacon estudou electrónica... Isto é tudo pessoal muito técnico. Acho que é por causa disso que a música é tão... tão... Não sei explicar. Acho que de alguma forma eles conseguiram alinhar as músicas e as batidas com os nossos chacras, o palpitar do coração ou com a via láctea e os planetas... Não sei... Sei que a música dos Queen "funcionou" durante os 30 anos de existência da banda e continua a bater forte em todas as novas gerações, como se a música deles fosse lançada agora pela primeira vez. Sempre que aparece um filme ou um anúncio com uma música dos Queen, dá a impressão que a banda ainda existe e que aquela composição é de "agora". Os Queen atingiram a intemporalidade.
Como já sou meio-jurássico ainda me lembro do Live Aid do Bob Geldof, em 1985. Passaram por lá as maiores bandas e os melhores cantores do mundo naquela altura. Desses, entretanto já se eclipsou tudo da memória... tirando aquela performance dos Queen. É uma coisa que fica para sempre. Vindo de uma banda que se estava a separar e que já não tocava há algum tempo... é preciso ser mesmo muito bom para dar um show daqueles.
E depois há Bohemian Rhapsody. No campo da música moderna, tipo pop e rock, acho que não há dúvidas que é a melhor música de sempre. Nunca conheci ninguém que não gostasse da música. Mas para além da estranheza daquela junção marada de estilos musicais e operáticos, há algo naquela música ainda mais profundo. A letra e as performances do Freddy têm um carácter tão estranhamente premonitório que se torna até assustador. Parece que ele sabia como iria acabar e como tudo se desenrolaria no final... Bem, se calhar estou novamente a ver coisas onde elas não existem... Mas é que eu sinto.
Os Queen faziam músicas que são inexplicáveis e facilmente reconhecidas por qualquer pessoa no mundo inteiro. Daí que fazer um filme sobre a banda e as raízes das músicas, nunca seria uma tarefa fácil e um risco muito grande. Mas há que dizer que Bryan Singer fez um bom trabalho. Bohemian Rhapsody é um filme totalmente aceitável porque capitaliza na atracção quase visceral e também intemporal da música do Queen. Foi um enorme êxito de bilheteira, o que para mim não foi surpresa nenhuma. Acho que qualquer filme mixuruca (o que não é o caso) que tivesse banda sonora dos Queen seria sempre bom. Mas à parte da música, o filme realmente está bem feito, porque assenta num guião perfeitamente estruturado. É um biopic bem feito, bem realizado e muitíssimo bem interpretado por Rami Malek. E aqui há que mencionar o protagonista. Ter uma cara parecida com o Freddy Mercury não é esforço nenhum. Mas há que lhe dar todo o mérito pela forma como lhe deu "corpo" e como mimetizou muitas daquelas nuances tão típicas e únicas do Freddy Mercury. E isso era provavelmente a coisa mais difícil de conseguir. Já o restante pessoal (Lucy Boynton, Gwilym Lee, Ben Hardy, Joseph Mazzello) faz essencialmente de secundário e acaba mesmo por ser secundário, porque só lá estão devido às parecenças físicas com a banda original e para servir de suporte para a grande performance de Malek. Não deixa de ser curioso que os Queen tenham aparentemente "sofrido" do mesmo problema... Apesar de ser um filmito bastante "normal", Bohemian Rhapsody, acaba por ser agradável porque mostra um pouco o "interior" da banda, os confrontos e as fontes de inspiração para algumas músicas, assim como toda a dualidade e demónios do grande monstro e génio dos palcos que foi Freddy Mercury. E só por isso já vale bem o bilhete. ●●●○○

Já não me lembro bem, mas sou capaz de jurar que o primeiro filme de super-heróis que vi foi mesmo o Flash Gordon. Ou seja, Flash Gordon é um filme do tempo dos dinossauros. É tão do tempo dos dinossauros que o produtor é o Dino de Laurentis, o mítico "pagador" de filmes extravagantes da década de 80. É tão antigo que o Technicolor ainda era algo que valia a pena salientar.
Para quem não conhece (e é muito provável que pouca gente conheça), Flash Gordon (Sam J. Jones) é um jogador de futebol americano que, sem querer, viaja com a sua linda namorada (Melody Anderson) para o Planeta Mongo (não podiam ter arranjado um nome melhor?!) e que acaba por salvar a Terra das garras do sádico e  tirânico Senhor do Universo, o Imperador Ming (um eterno Max von Sydow). Claro que para isso acontecer vai ter a ajuda preciosa de um cientista louco (Topol), homens voadores e outras ordes guerreiras (Timothy Dalton) e a belíssima filha do Imperador (Ornella Muti) que não consegue resistir aos encantos terráqueos e à musculatura típica do homem americano no cinema dos anos 80. Dito assim, até parece um filme ridículo. O que acontece é que é mesmo ridículo. Os efeitos especiais são maus, as interpretações são sofríveis, a realização de Mike Hodges é quase elementar, e a história parece concebida para que miúdos de 6 anos a entendessem. É normal. O filme foi feito para agradar às pessoas que gostavam do Flash Gordon nos anos 60 quando ainda era uma série de TV, daí que pareça deslocado no tempo.
Mas nem todas as coisas "más", são necessariamente más. E às vezes são tão más que acabam por se tornar boas. É aquele estranho efeito kitsch, ou como com o passar do tempo, um filme se torna de "culto". Este é um desses casos e que, para se gostar, é preciso abraçar o ridículo logo de início. Mas nem tudo é mau. Com ele nasceu uma das grandes personagens icónicas do cinema (o Imperador Ming) e tem uma das melhores bandas sonoras até à data, composta e tocada pelos míticos Queen. Ainda hoje, o tema principal do Flash Gordon é reconhecido e dificilmente alguém pegará na personagem sem pegar na música original dos Queen. Uma coisa ficou eternamente ligada à outra. Há que dar mérito às coisas boas.
Apesar de todas as óbvias deficiências, pessoalmente, é um filme que tem um espaço muito especial no meu arquivo. É um dos primeiros filmes que vi na minha vida. Lembra-me um mundo menos negro e mais despreocupado. Lembra-me um tempo em que a fantasia ainda existia e era pura. A magia do cinema era uma coisa real. Mas especialmente, lembra-me que a inocência nos filmes ainda existia. (eu próprio já começo a sentir-me um dinossauro de outros tempos...) Classificação nítida e exlusivamente baseada em elementos saudosistas... ●●●●○


Vamos por partes: como documentário, Queen - Days of our lives, é um pouco fraco; é mais produção que outra coisa, o que também é importante. Mas é praticamente só isso. Como repositório da história, de material e da música dos Queen é excelente. E isso basta. A banda sonora (da que é provavelmente a melhor banda rock de todos os tempos) é simplesmente... do melhor. Está lá toda a gente, desde os primeiros tempos da banda até ao presente. Destaque óbvio para Brian May, Roger Taylor e claro, Freddie Mercury, que é sem dúvida nenhuma o melhor performer rock de sempre e uma das melhores vozes que já apareceram neste planeta. ●●●●○

 
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