The Proposal é uma comédia romântica e como tal tem uma história bastante simples (não é que isto queira dizer que todas as comédias românticas têm histórias simplistas [mas sim, é mesmo isso que estou a afirmar]): Sandra Bullock é uma irascível executiva canadiana que tem de casar com o seu submisso assistente (Ryan Reynolds) para poder renovar o visto de permanência no Estados Unidos. A partir daqui é só é explorar a comédia de situação entre duas pessoas que não se dão bem, mas que lentamente se vão apaixonar e casar. Oh! Que fofinhos!... Que adoráveis!...
O que é que posso dizer mais? É uma comédia romântica... É óptima para passar em hospitais ou para acompanhar pessoas que estão de cama com gripe durante o fim de semana. Não é que seja mau, mas... Eu tento... A sério que tento. Eu até vejo estas coisas amorosas, com casamentos e tudo, mas não consigo aguentar. É demasiado "mole" para mim. Não consigo. "Sabe" sempre a artifical. Isto até está bem feito (Anne Fletcher), tem algumas boas piadas e uma série de situações cómicas que tornam o filme suportável, os actores principais são bons, os restantes (Mary Steenburgen, Craig T. Nelson, Betty White) também, mas... não é mesmo para mim. Os sacrifícios que uma pessoa faz pela arte... ●●○○○
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Cube é um filme de ficção científica/terror com origem no Canadá. Filmado num único cenário cúbico e iluminado com painéis de cores diferentes para dar a impressão que são vários cenários, é um dos exemplos máximos que mostra cabalmente que não são precisos grandes orçamentos para se fazer um filme catita. Basta uma boa história com toques de "Twilight Zone", um guião relativamente consistente e meia dúzia de actores medianos. Acho que isto resume bastante bem o Cube.
Cube não é um grande filme, mas tem o suficiente para ser aceitável e até tem alguns bons pormenores como por exemplo todas as personagens terem nomes de prisões. Faz sentido... Os actores são medianos (Maurice Dean Wint, Nicole de Boer, Nicky Guadagni, David Hewlett, Wayne Robson, Julian Richings e Andrew Miller [e sim, são mesmo só estes actores!]) mas têm uma prestação suficientemente boa para aguentar a história.
Mas sem dúvida, o grande mastermind por trás de Cube é Vincenzo Natali que consegue filmar um cubo e seis actores de mil e uma maneiras diferentes sem ser repetitivo, ao mesmo tempo que mantém o espectador em constante expectativa. Expectativa e stress.
Em 1997 foi um sucesso enorme. É tão simples que "partiu a cabeça" de toda a gente. Fez-me lembrar aquela velha história da "bolinha amarela", em que a resposta à pergunta do que tinha acontecido à "bolinha amarela", vinha logo a seguir à próxima... "bolinha amarela". Por mais irritado que uma pessoa se possa sentir enquanto vê o filme, não se consegue deixar de ver. O que é o cubo e para que serve? Será que eles conseguem sair do cubo? Quem construiu o cubo? O cubo está na Terra ou será obra de extraterrestres? O que há no próximo cubo? O que há para além do cubo? E a resposta é... tem de se ver o filme. ●●●○○
Cube não é um grande filme, mas tem o suficiente para ser aceitável e até tem alguns bons pormenores como por exemplo todas as personagens terem nomes de prisões. Faz sentido... Os actores são medianos (Maurice Dean Wint, Nicole de Boer, Nicky Guadagni, David Hewlett, Wayne Robson, Julian Richings e Andrew Miller [e sim, são mesmo só estes actores!]) mas têm uma prestação suficientemente boa para aguentar a história.
Mas sem dúvida, o grande mastermind por trás de Cube é Vincenzo Natali que consegue filmar um cubo e seis actores de mil e uma maneiras diferentes sem ser repetitivo, ao mesmo tempo que mantém o espectador em constante expectativa. Expectativa e stress.
Em 1997 foi um sucesso enorme. É tão simples que "partiu a cabeça" de toda a gente. Fez-me lembrar aquela velha história da "bolinha amarela", em que a resposta à pergunta do que tinha acontecido à "bolinha amarela", vinha logo a seguir à próxima... "bolinha amarela". Por mais irritado que uma pessoa se possa sentir enquanto vê o filme, não se consegue deixar de ver. O que é o cubo e para que serve? Será que eles conseguem sair do cubo? Quem construiu o cubo? O cubo está na Terra ou será obra de extraterrestres? O que há no próximo cubo? O que há para além do cubo? E a resposta é... tem de se ver o filme. ●●●○○
Que grande complicação mental é este Enemy. Não o conhecia e acabei por o ver na altura errada (depois de um dia de trabalho muuuuuito longo e duro e estava totalmente "roto", física e mentalmente) e isso pode ter alterado a minha percepção.
Enemy é um daqueles filmes metafísico/simbólico/não-lineares, cheio de pistas que levam (ou podem levar) a que no final se entenda minimamente o seu significado. É um autêntico exercício mental para o espectador. É um puzzle temporal que necessita muita atenção para ser interligado. Tem muitos parêntesis... É complicado...
Adam (Jake Gyllenhaal) que tem uma relação instável como Mary (Mélanie Laurent) está ver um filme e encontra um actor que é exactamente igual a si e torna-se um obsessão encontrar essa "sósia". Anthony, o elusivo "homem duplicado" do filme está numa relação com Helen (Sarah Gadon) que por acaso se cruza com Adam e por coincidência é muito parecida com a sua própria mulher...
Mas é muito mais complicado que isto. É sobre dupla personalidade (?), realidades alternativas (?), sentimentos possessivos (?), medo de compromisso pessoal (?) e aranhas gigantescas (?). Mas também podem ser outras coisas... ou não (?).
Enemy tem como base O Homem Duplicado do José Saramago, mas como não li o livro (ainda) não sei se é fiel ou simplesmente um adaptação livre, mas suspeito que seja mais a segunda hipótese. A realização de Denis Villeneuve é muito "tensa" e fria (por vezes parece um filme distópico/futurista) mas é irrepreensível. Muito boa. Não sei se é por ser do Canadá, mas lembrou-me muito os primeiros filmes de David Cronenberg. O que tem de negativo é uma fotografia que detesto: tem uma coloração meio acastanhada que transforma tudo numa imensa mancha de poluição. Enquanto via o filme só me vinha à cabeça a expressão... "filtro de urina". Eu sei que é uma expressão merdosa, mas sinceramente é o que pensava... Gostos são gostos e até percebo a lógica (a sensação de distanciamento e "desumanismo") e reconheço um certo estilo na "coisa". Mas não gosto na mesma... Em sentido completamente contrário vai a banda sonora que é muito boa.
Interpretações, alusões, dicas, traições, pistas dúbias e muito espaço para especulação é assim este Enemy. Foi o primeiro filme de Denis Villeneuve que vi e fiquei bem impressionado logo à primeira. Fixei o nome e ainda não me arrependi. Neste momento, é mesmo "o" grande nome na cadeira de realizador.
Há ainda uma participação breve da "senhora" Isabella Rossellini, uma hipótese rara de rever uma autêntica diva do cinema.
Nota-se que Enemy está destinado a tornar-se (lentamente) num filme de culto, mas para já ainda está na penumbra. Para ver com atenção. ●●●○○
Enemy é um daqueles filmes metafísico/simbólico/não-lineares, cheio de pistas que levam (ou podem levar) a que no final se entenda minimamente o seu significado. É um autêntico exercício mental para o espectador. É um puzzle temporal que necessita muita atenção para ser interligado. Tem muitos parêntesis... É complicado...
Adam (Jake Gyllenhaal) que tem uma relação instável como Mary (Mélanie Laurent) está ver um filme e encontra um actor que é exactamente igual a si e torna-se um obsessão encontrar essa "sósia". Anthony, o elusivo "homem duplicado" do filme está numa relação com Helen (Sarah Gadon) que por acaso se cruza com Adam e por coincidência é muito parecida com a sua própria mulher...
Mas é muito mais complicado que isto. É sobre dupla personalidade (?), realidades alternativas (?), sentimentos possessivos (?), medo de compromisso pessoal (?) e aranhas gigantescas (?). Mas também podem ser outras coisas... ou não (?).
Enemy tem como base O Homem Duplicado do José Saramago, mas como não li o livro (ainda) não sei se é fiel ou simplesmente um adaptação livre, mas suspeito que seja mais a segunda hipótese. A realização de Denis Villeneuve é muito "tensa" e fria (por vezes parece um filme distópico/futurista) mas é irrepreensível. Muito boa. Não sei se é por ser do Canadá, mas lembrou-me muito os primeiros filmes de David Cronenberg. O que tem de negativo é uma fotografia que detesto: tem uma coloração meio acastanhada que transforma tudo numa imensa mancha de poluição. Enquanto via o filme só me vinha à cabeça a expressão... "filtro de urina". Eu sei que é uma expressão merdosa, mas sinceramente é o que pensava... Gostos são gostos e até percebo a lógica (a sensação de distanciamento e "desumanismo") e reconheço um certo estilo na "coisa". Mas não gosto na mesma... Em sentido completamente contrário vai a banda sonora que é muito boa.
Interpretações, alusões, dicas, traições, pistas dúbias e muito espaço para especulação é assim este Enemy. Foi o primeiro filme de Denis Villeneuve que vi e fiquei bem impressionado logo à primeira. Fixei o nome e ainda não me arrependi. Neste momento, é mesmo "o" grande nome na cadeira de realizador.
Há ainda uma participação breve da "senhora" Isabella Rossellini, uma hipótese rara de rever uma autêntica diva do cinema.
Nota-se que Enemy está destinado a tornar-se (lentamente) num filme de culto, mas para já ainda está na penumbra. Para ver com atenção. ●●●○○


