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Se me pedissem para escolher uma temática de eleição no cinema não tenho dúvidas que seria a ficção científica. Mas este predileção pela ficção científica tem as suas raízes nos factos científicos. Se estiver a fazer um zapping, é-me quase impossível resistir a um documentário ou programa sobre o Universo. Se as mecânicas do planeta Terra - já de si complexas - são relativamente simples de entender e assimilar, já os mecanismos de funcionamento do espaço sideral são quase para além da compreensão humana. São forças gravitacionais, planetas errantes, buracos negros, raios gama, energias negras e outras coisas ainda mais extravagantes que me deixam com a cabeça à roda. Fascinam-me. E ainda por cima, tudo está numa escala tão massiva que é... mind-blogging. (esta é uma expressão que uso com regularidade quando me refiro ao Universo, até porque nunca encontrei uma expressão portuguesa que fosse equivalente...)
Toda a minha curiosidade por saber como tudo começou e como tudo funciona, e sendo um tolinho por coisas do Universo levou-me ao encontro dos (principais) autores científicos (ou pelo menos, os que têm preponderância televisiva...) e por isso nunca poderia contornar uma personagem com a de Stephen Hawking. Um cromo e um crâneo científico dos melhores que por cá passou. Daí que tinha bastante curiosidade em ver este biopic sobre o Hawking, The Theory of Everything.
E tenho de admitir que foi uma belíssima surpresa. Apesar do ritmo lento - mas constante -, tem sempre um momento em que dá um salto e fez-me ficar ansioso por saber o que ia acontecer a seguir. A realização de James Marsh é segura e às vezes até algo "distante", mas de alguma forma acho que foi propositado e enquadra-se perfeitamente. Mas se o filme é digno de aplausos é por causa do Eddie Redmayne. Felicity Jones no papel da mulher que acompanha o definhar físico do génio está muito bem - assim como o restante casting - mas acaba por se tornar demasiado secundária perante o papelaço do Redmayne que absorve todo o filme. É uma grande e exemplar interpretação do Eddie Redmayne, que a determinada altura fez-me esquecer que estava a ver um filme. É que parecia mesmo o Stephen Hawking. Absolutamente impressionante. Uma actuação para a história, sem dúvida. Uma autêntica viagem pelo universo da vida de Stephen Hawking. Muito bem feito. Muito bom. ●●●●○

Vi a primeira entrega deste produto e estranhamente até nem desgostei. Claro que chegando à sequela não podiam continuar a fazer coisas "normais" e tinham de começar a encher chouriços para chegar à trilogia... E assim cheguei a este Fantastic Beasts - The Crimes of Grindelwald. Uma patetice excessivamente digital destinado exclusivamente para fãs do Harry Potter e para quem gosta de brincar com varinhas mágicas... Uma confusão de personagens sem nexo, numa história cheia de palha e que nem sequer tem um fecho, portanto, resumidamente é uma simples perda de tempo. Um veículo para a óbvia terceira parte da trilogia que deve sair a tempo de comer o dinheiro dos pais que obrigatoriamente têm de levar as criancinhas ao cinema nesse tempo maravilhoso de solidariedade humana que é o Natal... Espera! Isso é daqui a muito tempo. A Páscoa também está perto demais, portanto o "3" (Fantastic Beasts - "inserir nome bombástico") deve sair lá para o final das férias grandes, em setembro/outubro. As pessoas estão deprimidas por voltarem ao trabalho e as crianças destruídas por voltarem para a escola, daí que toda gente precise de ver alguma coisa para "esquecer" a vida real... Bem... estou numa de divagação hater portanto é melhor ficar por aqui... Nomes como Johnny Depp, Eddie Redmayne e Ezra Miller apenas salvam esta desgraça do vazio total... ●○○○○

O que acontece com os fãs quando uma grande franchise como a do Harry Potter termina? Mergulham numa grande depressão, voltam ao material inicial e compram todo o merchandising que consigam deitar aos mãos para aliviar as dores da alma. E depois seguem a sua vida ou mudam para "fanizar" outra franchise qualquer. Qual é a solução para este grave problema do mundo? Criar uma nova franchise, que sendo "nova", está intimamente ligada à franchise anterior. Daí o aparecimento deste Fantastic Beasts and Where to Find Them...
Sendo um novo produto cinematográfico não me vou alongar muito. Os actores são bons (Eddie Redmayne, Colin Farrell, Katherine Waterston, Dan Fogler) e dão algum colorido e comédia ao tom mais negro que é habitual nas sequelas de grandes êxitos. Também há umas presenças esporádicas de Ron Perlman, Jon Voight e Johnny Depp.
A história tem nexo e o filme um bom ritmo e está bem dirigido. Venha de lá então o "2" e conforme o box office, a terceira parte dividida em dois. Não vale a pena mexer em equipa ganhadora, não é verdade? Não há dúvidas que é um produto de consumo para a época de Natal, cheio de fantasia, acção e aventura, mas ao menos está bem feito. Vê-se... ●●○○○

 
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