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Durante muitos anos ouvi e li sobre este The Omen. Era suposto ser um filme terrorífico... mas não é. Este é um dos problemas de ver os filmes fora de tempo. Em 1976 imagino que deve ter gerado um escândalo do tamanho do mundo. Mas agora, no contexto actual, admito que perdeu um pouco de "poder de fogo"...
The Omen conta uma história bizarra. O embaixador americano em Roma (Gregory Peck) e a esposa (Lee Remick) têm uma vida do melhor que a vida tem para oferecer. Mas falta-lhes algo muito importante: um filho. Há muito tempo que pensam ter filhos, mas parece que nunca se vai tornar realidade, por motivos vários. Mas um dia lá acaba por acontecer e a Katharine vai finalmente ter o tão desejado filho. No entanto, a criança morre à nascença no hospital e Robert em desespero decide seguir a sugestão de um padre e adoptar uma criança nascida exactamente no mesmo momento, mas cuja mãe morreu em trabalho de parto. Mas para complicar todo este assunto, Robert omite essa importante parte à esposa...
Depois de se mudarem para Londres, estranhos acontecimentos começam a persegui-los. Para piorar ainda mais a situação, Robert começa a ser perseguido por um padre que sabe da situação da troca dos bebés e lhe confidencia que o seu filho, é nada mais nada menos que o próprio Anticristo...
Richard Donner realizou um dos grandes filmes de terror de sempre. E é tudo por causa da história que é mesmo totalmente bizarra. Será que a criança é mesmo o Anticristo? Será que o embaixador estará apenas a alucinar? A paranóia e dúvida são constantes até determinado ponto do filme. É um retrato realista de uma família em crise e à beira de um ataque de nervos. A atmosfera muda completamente quando se percebe que toda aquela história estranha é mesmo verdade e aí o filme torna-se numa perseguição até à morte. The Omen tem uma constante aura carregada e vai-se tornando cada vez mais alucinante até culminar naquele momento icónico de termos o pai, num altar a sacrificar o filho possuído... Será que ele consegue ter força mental suficiente para matar mesmo o miúdo?...
Talvez o melhor do filme esteja mesmo na parte final e naquele sorriso verdadeiramente maléfico de Damien. Mas curiosamente, na versão original do argumento a história termina de forma diferente. Foi a MPAA (Motion Picture Association of America, que durante muito tempo foi a responsável pelos ratings etários dos filmes e por tabela "mandava" nos filmes) que decidiu que o final original era demasiado chocante... e que deveria acabar como aparece na versão final. Não deixa de ser irónico pensar que se o bem vence é chocante, mas é totalmente aceitável que o mal triunfe... Estranho, não é? ●●●○

P.S. Sempre que se fala neste tipo de filmes de terror, mais espiritual, parece que têm sempre uma maldição associada para além da sua mitologia sinistra. Acredite quem quiser... Gregory Peck e o argumentista David Seltzer foram atingidos por raios nos seus aviões quando voltavam para filmagens no Reino Unido.... O produtor Harvey Bernhard quase foi atingido por um raio em Roma... Os rottweilers que foram usados no filme atacaram violentamente os seus próprios tratadores... O hotel onde Richard Donner estava hospedado foi bombardeado pelo IRA... e para além disso foi atropelado nas filmagens... Depois das filmagens, Gregory Peck ia para Israel de avião, mas teve de cancelar a viagem. O avião onde deveria ir cai e não houve sobreviventes... No primeiro dia de filmagens, várias pessoas envolvidas na rodagem do filme sobreviveram a um acidente grave de carro. Já na pós-produção do filme, John Richardson dos efeitos especiais, teve também um acidente de carro grave, e a namorada foi decapitada... É a velha questão... Não acredito nas bruxas, mas...
Jordan Benedict (Rock Hudson) é um rancheiro do Texas que está de visita a Maryland para comprar um garanhão para as suas propriedades. Enquanto negoceia a compra do animal com o dono, acaba por se cruzar com a filha dele (Elizabeth Taylor) e apaixona-se perdidamente. O amor é recíproco entre Leslie e Jordan, o que leva a que os dois se casem imediatamente, mudando-se para a gigantesca propriedade de Jordan no Texas. Aí encontram o cowboy Jett Rink (James Dean), que terá um papel bastante incisivo na história da família.
Vi algures num cartaz promocional do filme que dizia que Giant é um filme tão grande como o próprio Texas. Não conheço o Texas, mas posso dizer que Giant é mesmo... gigante. É um épico maciço de 200 minutos de filme. Não seria para menos. Não só esta é a história de um triângulo estranho de amores e desavenças entre os três protagonistas, como também abarca praticamente três gerações da família Benedict. Desde os tempos iniciais do casamento, ao aparecimento dos primeiros filhos, passando pela divergência com Jett Rink, há muita história para contar. Se fosse hoje, para além do filme, esta história daria uma série para aí com umas três temporadas. E como para além da parte do rancho, esta história também tem que ver com o famoso petróleo do Texas, não me admiraria que tivesse sido a base de inspiração para a série Dallas e restantes soap operas americanas com magnatas do petróleo. Jett Rink no Giant? J.R. Ewing no Dallas? Não me parece que tivesse sido coincidência... Mas adiante.
Apesar das mais de três horas de filme, Giant não é massudo. A realização ampla e muito fluída de George Stevens, mas principalmente o argumento de Fred Guiol e Ivan Moffat fazem toda a diferença. Há sempre coisas novas a acontecer, há sempre reviravoltas e há sempre acção e emoções ao rubro. Está muito bem escrito. A presença no ecrã de verdadeiros monstros do cinema como Rock Hudson, Elizabeth Taylor e James Dean também ajudam. Não é todos os dias que se pode ver um filme em que os actores são verdadeiras lendas. Estes estatutos não se ganham só porque sim. Estes três, especialmente, têm de facto uma auréola. Há qualquer coisa neles que é magnético e inexplicável. E depois, em tanta história para contar, ainda há um rol infindável de excelentes actores como Mercedes McCambridge, Dennis Hopper (não sabia que ele alguma vez tinha sido novo...), Rod Taylor ou Carroll Baker. Tudo prestações clássicas de Hollywood.
Já queria ver este Giant há muitos anos. Tive agora a oportunidade numa reposição em TV. E queria vê-lo porque estava em falta na minha "trilogia James Dean". Os outros dois filmes dele são fantásticos e tinha muita curiosidade em ver Dean neste que foi o seu último papel. Não estando mal na personagem, James Dean foi quem mais me decepcionou. Estava à espera de outra coisa... Acho que foi mais um caso de altas expectativas não correspondidas... Não sei se foi a prestação, se foi a personagem, mas sei que algo não funcionou bem. Acho que aquela personagem com um lado marcadamente mau e ressentido não lhe assentou bem e por isso a performance também acabou por sair estranha. Toda a prestação tem uma aura muito estranha e diferente das anteriores. Jett Rink/James Dean acaba por destoar não só do restante elenco, como até do próprio filme...
O que sei é que para além de serem antagónicos no filme, James Dean e Rock Hudson também se deram bastante mal fora das filmagens. São conhecidas inúmeras situações em que Dean deu uma de bad boy durante a rodagem de Giant, ao ponto de boicotar as filmagens. Pelo que li Dean deu-se mal com toda a gente, inclusive com George Stevens, sendo que a única pessoa com quem se dava bem era precisamente com Elizabeth Taylor. Tudo isto é muito estranho porque basicamente é o guião do próprio filme. Terá sido mais um actor a levar longe demais o papel? Não sei. Mas que é estranho, é.
Precisamente devido ao James Dean, este filme está repleto de mística. No último dia de filmagens, Dean recebeu o célebre Porsche Spyder no cenário. Uma semana depois James Dean teria um acidente fatal. E assim nascia um mito. Um gigante do cinema. Algumas das suas cenas tiveram que ser cortadas e outras tiveram de ser dobradas sonoramente para poderem chegar à versão final de Giant. O filme não se ressentiu e ganhou o estatuto de mítico.
Este épico familiar continua ainda hoje a ter vivacidade, e de certa forma, tem um ar moderno e  contemporâneo porque aborda algumas das mesmas questões fracturantes. As diferença do Texas para com o "mundo exterior". A riqueza e a opulência em confronto com o respeito e a vulgaridade. A interferência da guerra no contexto familiar. A luta pela igualdade e contra o racismo. As personalidades vincadas mas humanamente flexíveis de cada uma das personagens ao longo do tempo. Giant é mesmo grande em tudo. Apesar da pouca visibilidade mediática quando comparado com outros épicos da mesma altura, Giant é um dos marcos do cinema de Hollywood. Um clássico obrigatório. ●●●

Number Five, é um robot experimental que faz parte da nova divisão de inteligência artificial dos militares. Numa demonstração pública é subitamente atingido por um raio e começa a transformar-se lentamente, desenvolvendo uma consciência e inteligência humana. Quando tenta ser reprogramado para volta ao normal, Number Five foge das instalações militares e encontra a ajuda de uma rapariga. Juntos vão tentar convencer o seu criador que Number Five está mesmo vivo, ao mesmo tempo que tentam fugir da perseguição dos militares...
Já passaram muitos anos desde que vi o Short Circuitshort pela primeira vez. É um marco na minha filmografia de criança. Inteligência artificial e robots são uma história muito à frente do seu tempo, principalmente porque este é um filme de entretenimento e para a família. Obviamente, visto pelo público actual deve parecer bastante infantil, mas na realidade é um filme bastante interessante e é um dos poucos verdadeiros "filmes de família", como tanto gostam de catalogar hoje em dia para levarem famílias inteiras ao cinema. Eu sei que é puro saudosismo, mas é o que é. É cómico, tem acção, tem robots (na altura era uma novidade que deixava um gajo de boca aberta...), é inocente... é muito bom. Faz parte do meu imaginário infantil.
Ally Sheedy e Steve Guttenberg são mesmo os actores principais aqui. Eram duas estrelas em ascensão nos anos 80 e têm todo o protagonismo. A química entre os dois funciona muito bem. Também há Fisher Stevens (Apu, dos Simpsons, és tu?!...), Austin Pendleton, G.W. Bailey e Brian McNamara que eram os secundários habituais daquela altura.
A grande força do filme vem da realização de John Badham, um gajo que descolou bem alto nos anos 80 com uma séerie de filmes de sucesso na bilheteira e na crítica, mas que depois voltou para o mundo onde começou, a TV. A outra grande força do filme vem do próprio robot, mais um fantástica criação de Syd Mead, o homem por detrás daquele look fantástico do Blade Runner entre outros clássicos do cinema. Para estes filmitos de família, iam-se buscar grandes nomes... Uma raridade hoje em dia...
Short Circuit teve direito a uma sequela que nunca tive oportunidade de ver. Muito provavelmente nunca irei ver. Agora já não faz sentido. Ia estragar a minha memória do primeiro filme e eu gosto de respeitar a originalidade dos filmes. Estou seguríssimo que mais cedo ou mais tarde irá ter um remake. (3)

PS: Qualquer parecença física do Number Five com o Wall-E da Disney/Pixar é a mais pura das coincidências...

Nos últimos anos, parece que a única forma de um adulto ver comédias em condições é assistir a filmes de desenhos animados. Ironicamente, são os filmes para miúdos, os que têm as piadas mais inteligentes.
The Incredibles foi o sexto filme a ser lançado pela Pixar, mas foi o primeiro a ter personagens humanas. Todos os anteriores eram sobre a perspectiva de animais ou de monstros. Apesar deste pormenor, a qualidade dos filmes esteve sempre intocável e este não é excepção. Não sendo totalmente original, é muito bom. E digo que não é totalmente original porque as semelhanças dos Incredibles com os Fantastic Four da Marvel são demasiado óbvias para serem ignoradas: Super-força? Elasticidade? Invisibilidade? Alguém que se transforma numa tocha humana? Super-rapidez? Não há coincidências. Até a fatiota (apesar de vermelha) faz lembrar os Fantastic Four. Mas eu não tenho nenhum problema com isso, até porque só no ano seguinte à estreia dos Incredibles é que a Marvel decidiu pegar nos seus quatro heróis e levá-los ao "cinema".
The Incredibles são uma família de super-heróis na "reforma" que vivem disfarçados a tentar viver uma vida normal nos subúrbios, depois de décadas nas primeiras capas dos jornais. Mas quando um super-vilão ameaça o mundo, eles terão de voltar a revelar os seus poderes e as suas identidades e salvar a humanidade. Mais que uma história de super-heróis, é uma história de família.
Brad Bird é um dos grandes nomes da animação moderna. Já não bastava ter feito The Iron Giant (um dos meus filmes de animação favoritos) ainda me proporciona um filme como The Incredibles. O detalhe na arquitectura, na música (do John Barry, do James Bond - On Her Majesty's Secret Service) e nas roupas dos anos 60 é apenas um dos pormenor que mais salta à vista. Craig T. Nelson, Holly Hunter e Samuel L. Jackson são as vozes principais e são perfeitos. Só mesmo grandes actores podem "estar lá" sem sequer aparecerem...
Gosto mesmo deste filme. Tem imensa piada, tem acção e tem aventura... Entretenimento no seu melhor. ●●●○

Quando o filme é Ghostbusters, eu poderia estar aqui uma tarde inteira a escrever. Tem tantos pormenores e tanta coisa boa para se falar que dava uma enciclopédia. A música original de Ray Parker Jr.; os excelentes efeitos especiais (para a altura), numa lógica de verdadeira magia do cinema; as figuras icónicas em que se transformaram os próprios Ghostbusters; o Stay-Puft Marshmallow Man gigante e o Slime verde; a carrinha branca e aquele som único da sirene. Poderia falar de todos estes pormenores, mas acho que nem vale a pena. São tão icónicos e imediatamente reconhecidos que seria redundante. Tudo isto já faz parte da cultura geral.
Acho simplesmente que é a mistura tão bem construída de comédia e terror (para 1984; hoje seria considerado mais fantasia do que terror), que o torna num filme perfeito. Parabéns ao Ivan Reitman por ter dado vida a estas personagens e por feito um filme que é uma referência para mim. E não só. Acho que é um filme intemporal. Nunca está desactualizado e nu sai de moda.
Foi muito provavelmente o primeiro filme que vi num cinema. Para um miúdo, foi uma experiência avassaladora, num misto de medo e diversão, tudo ao mesmo tempo. Foi espectacular. Perdi a noção da quantidade de vezes que vi os Ghostbusters, mas já foram muitas. Ainda há pouco tempo estava a dar na TV e não consegui resistir. Tive de o ver outra vez.
Bill Murray, Dan Aykroyd, Harold Ramis e Ernie Hudson serão os Ghostbusters para sempre. Apesar da fatia maior de mérito ser obviamente do Dan Aykroyd e do Harold Ramis (por causa do guião), é obviamente o Bill Murray que rouba todo o protagonismo. É um dos gajos mais naturalmente cómicos que algum vez vi. Um dos meus gajos favoritos de sempre. Sigourney Weaver, Rick Moranis, Annie Potts e William Atherton fazem a melhor conjugação secundária que me lembro. Todos têm deixas memoráveis e inesquecíveis. O que é incrível, se se pensar que a maior parte do guião original não foi respeitado. Grande parte dos diálogos foram improvisados, o que é incrível.
Para mim, Ghostbusters é o protótipo do derradeiro filme de família. Perfeito. Fantástico. Surpreendente. Cómico. Melhor é impossível. ●●●●●

Tal como previsto para a saga de produtos Fast & Furious, aqui está um spin-off, a que gosto de chamar "Calvin & Hobbs". Acho que é mais apropriado... E, por muito que tente, pouco mais há a dizer. Dwayne Johnson e Jason Statham andam à porrada e insultam-se constantemente (como se fosse a brincar, mas pelo que li até foi mais ou menos a sério...) até descobrirem que Idris Elba é um perigoso criminoso cibernético (!??) que põe o mundo em sobressalto... Vanessa Kirby está ali porque tem umas curvas jeitosas e também porque hoje em dia é quase obrigatório ter uma mulher que dê porrada em homens, e finalmente Helen Mirren aparece para dar um pouco de credibilidade à coisa, o que seguramente não acontece, porque é literalmente impossível. David Leitch faz de realizador, mas na verdade é um ex-duplo, daí que esteja totalmente à vontade para fazer uma coisa destas, sendo que "uma coisa destas" é o Fast & Furious Presents: Hobbs & Shaw, uma espécie de Fast & Furious com a sua inevitável ligação emocional à "famiglia", mas em versão Ilhas Samoa... E pronto, é isto... Espera-se a sequela ou um novo spin-off de animação baseado naquele cão que corre atrás do carro do Vin Diesel na parte 3 da franchise... ●○○○○

First Man é um biopic sobre a vida do lendário astronauta americano, Neil Armstrong. Abarca o período entre 1961 e 1969, ou seja, desde a preparação inicial até ao objectivo final que era pousar e ter um humano a caminhar na lua. Em plena Guerra Fria, os americanos deram tudo por tudo para superar os soviéticos, o que levou ao extremo o empenho da NASA, e especialmente os pilotos.
Nota-se que Damien Chazelle quis fazer um filme sobre a mítica alunagem que não fosse documental, mas que fosse o mais fiel possível aos acontecimentos. Nesse aspecto é irrepreensível. First Man é um filme bem feito com alguns toques de brilhantismo aqui e ali. Peca apenas pelo ritmo excessivamente arrastado e por alguma desconexão narrativa. Os actores estão todos muito bem (Ryan Gosling, Claire Foy, Jason Clarke, Kyle Chandler, Corey Stoll) e a música é muito boa, com todos aqueles instrumentos e ambiências estranhas. Como os últimos filmes têm sido excepcionais, esperava um pouco mais de Chazelle. Acho que foi a falta do tema musical... Mas ainda assim, First Man é um bom filmito que se vê muito bem. ●●●○○

Se me pedissem para escolher uma temática de eleição no cinema não tenho dúvidas que seria a ficção científica. Mas este predileção pela ficção científica tem as suas raízes nos factos científicos. Se estiver a fazer um zapping, é-me quase impossível resistir a um documentário ou programa sobre o Universo. Se as mecânicas do planeta Terra - já de si complexas - são relativamente simples de entender e assimilar, já os mecanismos de funcionamento do espaço sideral são quase para além da compreensão humana. São forças gravitacionais, planetas errantes, buracos negros, raios gama, energias negras e outras coisas ainda mais extravagantes que me deixam com a cabeça à roda. Fascinam-me. E ainda por cima, tudo está numa escala tão massiva que é... mind-blogging. (esta é uma expressão que uso com regularidade quando me refiro ao Universo, até porque nunca encontrei uma expressão portuguesa que fosse equivalente...)
Toda a minha curiosidade por saber como tudo começou e como tudo funciona, e sendo um tolinho por coisas do Universo levou-me ao encontro dos (principais) autores científicos (ou pelo menos, os que têm preponderância televisiva...) e por isso nunca poderia contornar uma personagem com a de Stephen Hawking. Um cromo e um crâneo científico dos melhores que por cá passou. Daí que tinha bastante curiosidade em ver este biopic sobre o Hawking, The Theory of Everything.
E tenho de admitir que foi uma belíssima surpresa. Apesar do ritmo lento - mas constante -, tem sempre um momento em que dá um salto e fez-me ficar ansioso por saber o que ia acontecer a seguir. A realização de James Marsh é segura e às vezes até algo "distante", mas de alguma forma acho que foi propositado e enquadra-se perfeitamente. Mas se o filme é digno de aplausos é por causa do Eddie Redmayne. Felicity Jones no papel da mulher que acompanha o definhar físico do génio está muito bem - assim como o restante casting - mas acaba por se tornar demasiado secundária perante o papelaço do Redmayne que absorve todo o filme. É uma grande e exemplar interpretação do Eddie Redmayne, que a determinada altura fez-me esquecer que estava a ver um filme. É que parecia mesmo o Stephen Hawking. Absolutamente impressionante. Uma actuação para a história, sem dúvida. Uma autêntica viagem pelo universo da vida de Stephen Hawking. Muito bem feito. Muito bom. ●●●●○

Curtis, um gajo normal, na sua vida normal, começa a ter pesadelos recorrentes e alucinações com uma estranha e gigantesca tempestade que se aproxima. Como pensa que há algo de errado consigo, procura ajuda médica. Não contente com a ajuda despersonalizada que recebe, decide construir um abrigo para tempestades no seu próprio quintal. A sua estranha atitude começa então a ameaçar a sua sanidade e a unidade da família...
Take Shelter é um thriller, dramático, tenso, muito bem feito, e por isso também muito difícil de ver. É mesmo poderoso. É filme muito bom. Tudo nele é ambíguo. Desde as primeiras imagens, ao soberbo final, e até ao próprio tema. Será sobre esquizofrenia? Paranóia? Estranhos eventos que ninguém consegue ver? É difícil de chegar a alguma conclusão. A minha teoria é de que se trata da extrapolação de um assunto bastante actual e complicado: a depressão.
O filme é de 2011, por isso, rodado mesmo em cima do descalabro financeiro que varreu a América (e o mundo). E se já não é fácil de lidar com a ansiedade normal do alucinantemente rápido mundo moderno, com o stress de ter dinheiro contado ao fim do mês para pagar contas, aguentar com a frustração de não ver os seus sonhos realizados, ver a injustiça e a ganância a prevalecerem como normalidade, a violência crescente mas cada vez mais banalizada, a futilidade do momento e se ainda por cima, a isto tudo, juntarmos uma mistura de indefinição, mudança e instabilidade política, social e económica a nível mundial, então está construído um cocktail explosivo para uma depressão profunda. Diria até mesmo, uma depressão profunda colectiva.
O Miguel Esteves Cardoso escreveu um dia que "O Amor é fodido". É capaz de ser verdade. Mas a depressão é muito mais fodida. O amor é bom, recomenda-se e é reconhecido por toda a gente. A depressão é apenas considerada como a doença dos inúteis. Dos que não conseguem superar-se. Dos coitadinhos. Dos que se dizem azarados. Dos que têm baixa autoestima. Pior ainda: dos pessimistas.
Tal como o amor, a depressão também faz uma pessoa ver coisas que não existem. O tal copo meio vazio em vez do meio cheio. Uma tempestade que se aproxima ao longe mas que mais ninguém vê. É como uma lente escura para o mundo, em que só se consegue ver o lado negro das coisas. É ter na cabeça aquela sensação constante de catástrofe iminente. A depressão é algo que levanta mais perguntas do que dá respostas. Porque é que algumas pessoas são mais propensas que outras? É uma causa de um mundo cada vez mais assimétrico e em constante mudança ou uma consequência de maus e aleatórios acontecimentos quotidianos? Uma questão genética ou biológica? Um distúrbio mental? Não há uma resposta clara ou definitiva... e estou a divagar novamente, ainda por cima, à volta de um tema tão negro. E ninguém gosta de coisas negras, não é verdade?
Apesar de ser um valente e negro "murro no estômago", gostei muito de Take Shelter. Está muito bem escrito e também muito bem realizado por Jeff Nichols. É um gajo para ficar debaixo de olho porque nitidamente tem muito jeito e sabe o que faz. Tem poucos mas excelentes actores como Jessica Chastain e Shea Whigham, mas todo o destaque tem de ir para a extraordinária intensidade de Michael Shannon. É que nem precisa de dizer nada. Só a expressão facial diz tudo. Brilhante desempenho. Mais um gajo a ter em atenção no futuro. Take Shelter é para ver a roer unhas na beirinha do assento e depois rever. ●●●●○


Nos anos 80, máquinas extraterrestres pousam em Nova York, numa altura em que a cidade está em grande revolução urbanística. Em particular, pousam num bloco de apartamentos cujos inquilinos se recusam a abandonar, apesar das muitas pressões de um negociador imobiliário sem escrúpulos. Será tudo destruído para ser substituído pela construção de novos blocos mais modernos. (Parece que o problema da gentrificação não é novo...)
Não, não é mais um filme de ficção científica com extraterrestres tão grandes que não cabem na tela de cinema a invadirem ou a destruírem tudo com as suas avançadíssimas armas.
Este é um filme fofo. É a única palavra que me vem à cabeça quando me lembro de *Batteries not included. Fofo.
É o típico filme de família. Os aliens mecânicos são ternurentos, frágeis e amorosos, as personagens (Hume Cronyn, Jessica Tandy, Frank McRae, Elizabeth Peña) são queridas e inocentes e até os vilões são... fofos.
*Batteries not included (traduzido como O Milagre da Rua 8) é um filme para miúdos e as suas famílias, mas está muito bem feito portanto atinge todos os escalões etários. É normal: o realizador é o desconhecido Matthew Robbins, mas a produção é obviamente do Steven Spielberg. Não admira que faça lembrar outras produções memoráveis como ET ou os Goonies... Os efeitos especiais - na altura eram simplesmente espectaculares, agora nem tanto -, a história é tão fixe e a inocência que emana do filme é tão grande (e a nostalgia também) que não consigo deixar de o recomendar. Fofo. ●●●○○

 
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