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The Martian é um filme sobre o qual não vou perder muito tempo, porque me irritou bastante. Detesto ser enganado... e fui totalmente enganado. Detesto que me façam isso. Antes de ver o filme, venderam-me a coisa como o "melhor filme de ficção científica dos últimos anos". E pior, venderam-me a coisa como o melhor filme do Ridley Scott desde o Alien. Isto são coisas que ouvi e li na crítica (e do público) da altura. Face à vulgaridade recente dos filmes de ficção cientifica (e ainda os há?...) e à massificação dos blockbusters, fiquei super-entusiasmado. Finalmente ia ver qualquer coisa em condições. Recentemente até tinha tido uma boa surpresa com o Gravity (de 2013) e por isso pensei mesmo que o género da ficção científica finalmente tinha regressado aos bons velhos tempos...
Grande erro. The Martian parece um filme de propaganda à NASA. E à ideia marada de irmos todos para Marte. Aquilo é tudo uma maravilha. Podemos ir para lá à vontade. Tem tudo o que uma pessoa precisa. Dá para plantar lá batatas, a electricidade é de borla, o clima é agradável. O problema do astronauta é ter ficado sozinho. Se tivesse companhia, The Martian teria sido uma espécie de Blue Lagoon do espaço. Bem, estou a exagerar e a fugir do contexto. Mas isso é porque me senti verdadeiramente enganado. Ficção científica? Aqui está ela! Atira-se para o guião tudo o que são fórmulas matemáticas e números complexos e assim tudo parece muito sério e académico. E depois, para culminar, aquela coisa da nave espacial chinesa secreta... Porra. Só faltava ter o planeta todo a bater palmas no final...
Matt Damon, Jessica Chastain, Kristen Wiig, Jeff Daniels, Michael Peña e Sean Bean esforçam-se pouco porque dedicaram todo o esforço a decorar capas e capas com fórmulas matemáticas que nitidamente não entendem o que querem dizer... Isso nota-se no facto de o Sean Bean nem sequer morrer no final como é costume. Acho que esse foi mesmo o momento mais surpreendente de todo o filme...
Se alguém gostar muito de ver video logs, cálculos matemáticos complexos, variados clichés do mundo do cinema e o mais típico filme de Hollywood que possa existir, The Martian é uma excelente escolha. ○○○

Danny Boyle é um gajo que curto há muito tempo. É daqueles realizadores que sei de antemão que não me vai desiludir. Mas desta vez acabou mesmo por acontecer. Steve Jobs é um desilusão de filme. Esperava muito mais.
O filme retrata alguns aspectos marcantes do co-fundador da Apple em três momentos temporais distintos: em 1984 aquando do lançamento do Macintosh; em 1986, quando o mundo dos computadores ficou chocado com o despedimento de Jobs e sequente criação do enorme falhanço que foram os computadores pretos da NEXT; e em 1997 com o regresso à casa onde "nasceu" para lançar o iMac, o pequeno computador colorido que foi um sucesso porque toda a gente queria ter um só por ser extremamente giro.
Eu não tenho problema nenhum com filmes "partidos". Muito pelo contrário. Gosto muito de argumentos não-lineares. E neste caso, como é costume, Aaron Sorkin não desilude e consegue habilmente costurar três histórias "diferentes" e distantes no tempo. MAs para mim há algo que falha. A demasiada incidência na vida de Steve Jobs por "trás da cortina" (percebe-se a lógica, já que os fãs tratavam-no [e ainda tratam] como um verdadeiro Feiticeiro de Oz [com todas as implicações que isso traz...]), acabou por transformar um biopic de Jobs no filme em que Jobs vive a sua vida inteira nos bastidores, vãos de escadas, passagens estreitas e garagens subterrâneas. Não me lembro bem, mas acho que há apenas uma única cena de exteriores... A determinada altura o filme torna-se repetitivo e por vez até maçador. A ex-mulher e a filha estão presentes, mas aparecem e desaparecem, assim como toda a restante gente... Parece que o Jobs vivia literalmente num daqueles camarins escuros e distante da realidade e era visitado regularmente por meio mundo que o vinha chatear mesmo antes de ele apresentar um produto novo qualquer... Parece uma paródia. Mas não é.
O que poderia ajudar muito a elevar o filme seriam os actores. Michael Fassbender, Kate Winslet, Seth Rogen e Jeff Daniels são muito bons, mas de alguma foram parecem desligados do enredo. Posso ser só eu, mas nunca consegui "ver" o Fassbender como Jobs. Há algo ali que não bate certo. Foi como estar a ver uma personagem ficcional com o mesmo nome do Jobs, mas que não era "o" Jobs. E ainda por cima dá a impressão que contaminou o resto do elenco.
Os grandes (Danny Boyle) também "falham" e este é o caso. Steve Jobs não é um mau filme, mas também não é um bom filme. Tendo por base, uma personagem tão rica como a figura de Jobs, vindo de um realizador que até é dos mais favoritos, e face à expectativa que foi criada na altura da estreia, Steve Jobs só pode ser classificado como uma enorme desilusão. ●●○○○

Bob Munro tem um problema. Tem um grande negócio em mãos e tem também as férias planeadas com a família disfuncional. Pensando bem, que famílias é que não são disfuncionais?... A solução? Alugar uma caravana, fazer uma road trip e tentar fazer o negócio pelo caminho às escondidas da família. Como é óbvio, este é o caminho da desgraça. E a comédia começa...
Não é fácil fazer uma comédia que não descambe para os "tombos" ou para a estupidez. Mas mais difícil ainda é eu ver uma comédia. Praticamente impossível é eu rir-me a ver uma comédia. Mas aconteceu. Tudo por culpa do Barry Sonnenfeld, que é na actualidade o melhor gajo a realizar este tipo muito particular de filmes e do Robin Williams que é sem dúvida nenhuma um dos maiores génios da comédia. De sempre. É mesmo bom. Totalmente genuíno. Cheryl Hines, Kristin Chenoweth e especialmente Jeff Daniels também são muito bons. Infelizmente o resto do casting estragou um bocado as coisas, mas é a vida... o  que é que se há-de fazer?
Para "desanuviar as coisas" e variar de estilo, foi bom ver uma comédia. Melhor foi perceber que ainda há comédias feitas com inteligência à mistura. RV é brilhante? Não, é apenas melhor que a média. A tradução para português "Com a Casa às Costas" tem piada? Alguma. É light, mas é bom. Tem um bom feeling e isso é do mais que suficiente. Uma vénia para o Robin Williams. ●●●○○

 
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