The Martian é um filme sobre o qual não vou perder muito tempo, porque me irritou bastante. Detesto ser enganado... e fui totalmente enganado. Detesto que me façam isso. Antes de ver o filme, venderam-me a coisa como o "melhor filme de ficção científica dos últimos anos". E pior, venderam-me a coisa como o melhor filme do Ridley Scott desde o Alien. Isto são coisas que ouvi e li na crítica (e do público) da altura. Face à vulgaridade recente dos filmes de ficção cientifica (e ainda os há?...) e à massificação dos blockbusters, fiquei super-entusiasmado. Finalmente ia ver qualquer coisa em condições. Recentemente até tinha tido uma boa surpresa com o Gravity (de 2013) e por isso pensei mesmo que o género da ficção científica finalmente tinha regressado aos bons velhos tempos...
Grande erro. The Martian parece um filme de propaganda à NASA. E à ideia marada de irmos todos para Marte. Aquilo é tudo uma maravilha. Podemos ir para lá à vontade. Tem tudo o que uma pessoa precisa. Dá para plantar lá batatas, a electricidade é de borla, o clima é agradável. O problema do astronauta é ter ficado sozinho. Se tivesse companhia, The Martian teria sido uma espécie de Blue Lagoon do espaço. Bem, estou a exagerar e a fugir do contexto. Mas isso é porque me senti verdadeiramente enganado. Ficção científica? Aqui está ela! Atira-se para o guião tudo o que são fórmulas matemáticas e números complexos e assim tudo parece muito sério e académico. E depois, para culminar, aquela coisa da nave espacial chinesa secreta... Porra. Só faltava ter o planeta todo a bater palmas no final...
Matt Damon, Jessica Chastain, Kristen Wiig, Jeff Daniels, Michael Peña e Sean Bean esforçam-se pouco porque dedicaram todo o esforço a decorar capas e capas com fórmulas matemáticas que nitidamente não entendem o que querem dizer... Isso nota-se no facto de o Sean Bean nem sequer morrer no final como é costume. Acho que esse foi mesmo o momento mais surpreendente de todo o filme...
Se alguém gostar muito de ver video logs, cálculos matemáticos complexos, variados clichés do mundo do cinema e o mais típico filme de Hollywood que possa existir, The Martian é uma excelente escolha. ●○○○○
Mostrar mensagens com a etiqueta Jessica Chastain. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Jessica Chastain. Mostrar todas as mensagens
Para quem não conhece a história, Pennywise, o palhaço/metamorfo/alien do primeiro filme só aparece de 27 em 27 anos para aterrorizar os miúdos da povoação. Depois dos eventos do primeiro filme terem ficado mais ou menos resolvidos, Pennywise emerge novamente para uma série de macabros desenvolvimentos. No entanto, o grupo de sete miúdos já não é um grupo de sete miúdos. Entretanto, cresceram, saíram da pequena vila de Derry e por algo motivo esotérico, todos esqueceram a história original. Todos, menos um, que por coincidência foi o que nunca abandonou a vila. Novos acontecimentos aterradores levam a que se reúnam 27 anos depois no mesmo local e esperam-nos a presença maquiavélica de Pennywise para uma batalha final. Se na primeira adaptação original de It, toda a história foi misturada, aqui acabou por ficar dividida em duas partes distintas. De certa forma, faz mais sentido.
Em It: Chapter 2, toda a equipa regressa: Andy Muschietti volta à cadeira de realizador, assim como o elenco de miúdos em flashbacks: Jaeden Martell, Jeremy Ray Taylor, Sophia Lillis, Finn Wolfhard, Chosen Jacobs, Jack Dylan Grazer, Wyatt Oleff. Bill Skarsgård continua a ser terrorífico (no bom sentido) como Pennywise. E ainda chega todo um novo elenco, 27 anos mais velho: Jessica Chastain, James McAvoy, Bill Hader, Isaiah Mustafa, Isaiah Mustafa, Isaiah Mustafa e Isaiah Mustafa. Mas se a escolha do casting foi outra vez acertada, já o filme no seu todo acaba por ser um pouco mais desequilibrado que o primeiro. Primeiro, é longo demais, um problema recorrente do cinema moderno que parece não ter fim. E em segundo, o terror descamba muitas vezes e desnecessariamente para o gore. Também fiquei muitas vezes com a sensação de que estava a ver um remake do Nightmare on Elm Street em vez do remake do It, porque muitos dos jump scares habituais foram substituídos por cenas meio sonho, meio pesadelo, tudo envolto numa cena demasiado onírica, mas ao mesmo tempo previsível. Não me interpretem mal: acho muito bem que as referências sejam de filmes que sempre gostei, mas está na altura de fazer coisas novas em vez de andar sempre a dar no mesmo, não é verdade? Curiosamente (ou não), perto do final do filme, há uma cena perto de um cinema e o filme que estava a ser anunciado era o Nightmare on Elm Street 5... Coincidência? Talvez... talvez não. Se um dos próximos filmes de Muschietti for um remake de Elm Street, acho que já consigo responder...
Em resumo, no final fiquei um pouco desiludido. Depois da boa surpresa que foi o primeiro filme, fiquei com aquela sensação amarga de "mais do mesmo". Senti que foi uma coisa feita um pouco à pressa para responder rapidamente às boas críticas (e ao bom desempenho no box office) do primeiro filme. Ainda assim, acaba por ter bons momentos de terror aqui e ali e por isso vê-se relativamente bem. ●●○○○
Em It: Chapter 2, toda a equipa regressa: Andy Muschietti volta à cadeira de realizador, assim como o elenco de miúdos em flashbacks: Jaeden Martell, Jeremy Ray Taylor, Sophia Lillis, Finn Wolfhard, Chosen Jacobs, Jack Dylan Grazer, Wyatt Oleff. Bill Skarsgård continua a ser terrorífico (no bom sentido) como Pennywise. E ainda chega todo um novo elenco, 27 anos mais velho: Jessica Chastain, James McAvoy, Bill Hader, Isaiah Mustafa, Isaiah Mustafa, Isaiah Mustafa e Isaiah Mustafa. Mas se a escolha do casting foi outra vez acertada, já o filme no seu todo acaba por ser um pouco mais desequilibrado que o primeiro. Primeiro, é longo demais, um problema recorrente do cinema moderno que parece não ter fim. E em segundo, o terror descamba muitas vezes e desnecessariamente para o gore. Também fiquei muitas vezes com a sensação de que estava a ver um remake do Nightmare on Elm Street em vez do remake do It, porque muitos dos jump scares habituais foram substituídos por cenas meio sonho, meio pesadelo, tudo envolto numa cena demasiado onírica, mas ao mesmo tempo previsível. Não me interpretem mal: acho muito bem que as referências sejam de filmes que sempre gostei, mas está na altura de fazer coisas novas em vez de andar sempre a dar no mesmo, não é verdade? Curiosamente (ou não), perto do final do filme, há uma cena perto de um cinema e o filme que estava a ser anunciado era o Nightmare on Elm Street 5... Coincidência? Talvez... talvez não. Se um dos próximos filmes de Muschietti for um remake de Elm Street, acho que já consigo responder...
Em resumo, no final fiquei um pouco desiludido. Depois da boa surpresa que foi o primeiro filme, fiquei com aquela sensação amarga de "mais do mesmo". Senti que foi uma coisa feita um pouco à pressa para responder rapidamente às boas críticas (e ao bom desempenho no box office) do primeiro filme. Ainda assim, acaba por ter bons momentos de terror aqui e ali e por isso vê-se relativamente bem. ●●○○○
Os fãs estavam a ressacar e pediam qualquer coisa minimamente ligada aos X-men, por isso os estúdios fizeram a vontade. Dark Phoenix é mais uma entrega Marvel do Universo X-Men... repleta de nada. Valem os momentos iniciais pela cena do acidente de carro que mostra os poderes da moça que há-de ser a Phoenix. E depois não há mais nada a não ser uma narrativa repetitiva e totalmente infantil recheada de escusadas cenas de acção com efeitos especiais. É inacreditável.
Este 1 (um) de classificação é mais uma vez pelos aspectos técnicos. Mas também é única coisa que o filme tem. O resto é de uma banalidade infantil tão grande que é indescritível. É penosamente previsível e sempre a mesma coisa, vez após vez. Basta ver que o realizador, Simon Kinberg é essencialmente um produtor (dos outros X-Men) e nem tem experiência na "cadeira". Bem, estes filmes também são praticamente todos feitos em pós-produção e nos estúdio de CGI, por isso, um homem na cadeira a realizar já nem sequer faz muito sentido... Já não se aguenta esta industrialização. Para além disso, numa perspectiva de seguimento da "franquia" não faz sentido nenhum. Pelo menos é coerente nesse aspecto: estes filmes cada vez mais fazem menos sentido. Existem pura e simplesmente para alimentar a mente ávida de efeitos especiais dos "fanáticos". Até os actores (James McAvoy, Michael Fassbender, Jessica Chastain, Jennifer Lawrence, Sophie Turner) já parecem cansados de fazer estes papéis e de encarnar estas personagens. Nota-se que estão ali apenas e só pelos cachets milionários, o que diga-se, é completamente compreensível. Eu, por exemplo, no papel do Fassbender só mesmo por um balúrdio é que dava a cara por esta coisa infantilóide. Espera-se o seguimento da história, a sequela, a prequela, mais bonés, chávenas de pequeno-almoço e lancheiras para os miúdos poderem levar ao festival do Panda... ●○○○○
Este 1 (um) de classificação é mais uma vez pelos aspectos técnicos. Mas também é única coisa que o filme tem. O resto é de uma banalidade infantil tão grande que é indescritível. É penosamente previsível e sempre a mesma coisa, vez após vez. Basta ver que o realizador, Simon Kinberg é essencialmente um produtor (dos outros X-Men) e nem tem experiência na "cadeira". Bem, estes filmes também são praticamente todos feitos em pós-produção e nos estúdio de CGI, por isso, um homem na cadeira a realizar já nem sequer faz muito sentido... Já não se aguenta esta industrialização. Para além disso, numa perspectiva de seguimento da "franquia" não faz sentido nenhum. Pelo menos é coerente nesse aspecto: estes filmes cada vez mais fazem menos sentido. Existem pura e simplesmente para alimentar a mente ávida de efeitos especiais dos "fanáticos". Até os actores (James McAvoy, Michael Fassbender, Jessica Chastain, Jennifer Lawrence, Sophie Turner) já parecem cansados de fazer estes papéis e de encarnar estas personagens. Nota-se que estão ali apenas e só pelos cachets milionários, o que diga-se, é completamente compreensível. Eu, por exemplo, no papel do Fassbender só mesmo por um balúrdio é que dava a cara por esta coisa infantilóide. Espera-se o seguimento da história, a sequela, a prequela, mais bonés, chávenas de pequeno-almoço e lancheiras para os miúdos poderem levar ao festival do Panda... ●○○○○
O tempo é uma coisa estranha... A questão da relatividade do tempo é algo verdadeiramente mind-boggling. Em parte, o tempo (e a sua relatividade) que cria paradoxos aparentemente impossíveis mas reais, é um dos elementos-base de Interstellar. Mas também a destruição natural do planeta, os dramas familiares, fenómenos espaciais relativamente desconhecidos da ciência e possibilidades académicas sobre o próprio tecido do tempo-espaço que permita que tudo exista como conhecemos. Mas nesta profusão de temas, eu elejo o tempo como principal ingrediente apenas por uma razão.
Neste momento, considero o Christopher Nolan como o melhor realizador vivo. Ponto. Para mim, é inegável. É o gajo mais talentoso, mais equilibrado, mais técnico, mais criativo e mais eclético do momento. Faz um pequeno drama histórico ou um grande blockbuster de acção com a mesma mestria. E portanto não perco nenhum filme do Nolan. Dali pode muito bem vir "aquele" filme que eu estava mesmo à espera para ver. Não me lembro de ver um filme com a assinatura Nolan que fosse mau. Neste anos todos, não me lembro de um filme que fosse sequer mediano; aliás é tudo de muito bom para cima. Daí a minha escolha pelo tempo.
Quando vi que ia sair um filme ficção científica realizado pelo Christopher Nolan, e face à escassez de material "normal" neste género, fiquei logo entusiasmadíssimo. Finalmente ia conseguir ver "ficção-científica-científica" e não um espectáculo de luzinhas, cores e lasers.
Logo após a primeira visualização, vim a correr aqui para o computador escrever e pus logo no final um "5", o que para mim quer dizer que é um filme que tem tudo o que gosto de ver, sem tirar nem por. Perfeito. Sem falhas.
A história com toda aquela base cientifica hardcore (se conceitos hipotéticos como wormholes, teoria das cordas, multiversos, viagens "reais" no tempo, e singularidades não são ciência hardcore, então não sei o que será), os actores excepcionais (Matthew McConaughey [tem momentos de puro génio], Anne Hathaway, Jessica Chastain, John Lithgow, Michael Caine, entre outros), a fotografia exemplar, a música de Hans Zimmer, aqueles robots fantasticamente imaginados e diferentes de tudo o que já tinha visto; tudo estava muito bem feito e não deixava margens para crítica.
Não há dúvida que Interstellar é muito bom, mas aconteceu-me algo estranho na segunda vez que o vi. Comecei a notar um certo desequilíbrio. Apesar de toda a sua aparente perfeição técnica e científica, o filme tem um tom desequilibrado... Não é bem o tom... É mais o "peso" nos componentes da história. Por exemplo, dá muito ênfase à salvação da humanidade no espaço, mas descarta totalmente a razão da sua destruição na Terra, que permanece quase implícita. Passa rapidamente de uma eminente catástrofe global para um longo drama intimista e depois fica-se por aí, sem fechar o círculo.
Este é um dos principais problemas de um gajo ser muito bom. É que a parte que critica - nomeadamente a minha pessoa -, vê e revê os filmes, vai ali ao mais ínfimo pormenor, escalpelizá-lo ao microscópio para tentar encontrar uma falhazinha minúscula qualquer. Acaba por ser injusto, porque se fosse outro gajo qualquer sem grandes méritos a realizar o Interstellar eu nem pensava duas vezes e iria apelidá-lo de grande revelação.
Entretanto já vi o Interstellar uma terceira vez e acabei por eliminar a crítica original (que só dizia bem de tudo) e acabei por escrever esta. Neste momento, mantenho a minha opinião. Mas por muito incoerente que possa parecer, é um filme que me fascina e que me atrai. Se estiver a dar na TV e eu calhar de o apanhar a meio, não lhe consigo resistir. É, com certeza, o melhor filme de ficção cientifica da década (que está a acabar, mas também não vejo alguém com mais capacidades que o Nolan para fazer melhor) e fica de certeza no top dos melhores de sempre do género. Tem coisas absolutamente geniais e é muito provável que o (re)veja mais vezes. É até provável que a minha apreciação mude com o tempo. Lá está... O tempo é uma coisa estranha... ●●●●○
Neste momento, considero o Christopher Nolan como o melhor realizador vivo. Ponto. Para mim, é inegável. É o gajo mais talentoso, mais equilibrado, mais técnico, mais criativo e mais eclético do momento. Faz um pequeno drama histórico ou um grande blockbuster de acção com a mesma mestria. E portanto não perco nenhum filme do Nolan. Dali pode muito bem vir "aquele" filme que eu estava mesmo à espera para ver. Não me lembro de ver um filme com a assinatura Nolan que fosse mau. Neste anos todos, não me lembro de um filme que fosse sequer mediano; aliás é tudo de muito bom para cima. Daí a minha escolha pelo tempo.
Quando vi que ia sair um filme ficção científica realizado pelo Christopher Nolan, e face à escassez de material "normal" neste género, fiquei logo entusiasmadíssimo. Finalmente ia conseguir ver "ficção-científica-científica" e não um espectáculo de luzinhas, cores e lasers.
Logo após a primeira visualização, vim a correr aqui para o computador escrever e pus logo no final um "5", o que para mim quer dizer que é um filme que tem tudo o que gosto de ver, sem tirar nem por. Perfeito. Sem falhas.
A história com toda aquela base cientifica hardcore (se conceitos hipotéticos como wormholes, teoria das cordas, multiversos, viagens "reais" no tempo, e singularidades não são ciência hardcore, então não sei o que será), os actores excepcionais (Matthew McConaughey [tem momentos de puro génio], Anne Hathaway, Jessica Chastain, John Lithgow, Michael Caine, entre outros), a fotografia exemplar, a música de Hans Zimmer, aqueles robots fantasticamente imaginados e diferentes de tudo o que já tinha visto; tudo estava muito bem feito e não deixava margens para crítica.
Não há dúvida que Interstellar é muito bom, mas aconteceu-me algo estranho na segunda vez que o vi. Comecei a notar um certo desequilíbrio. Apesar de toda a sua aparente perfeição técnica e científica, o filme tem um tom desequilibrado... Não é bem o tom... É mais o "peso" nos componentes da história. Por exemplo, dá muito ênfase à salvação da humanidade no espaço, mas descarta totalmente a razão da sua destruição na Terra, que permanece quase implícita. Passa rapidamente de uma eminente catástrofe global para um longo drama intimista e depois fica-se por aí, sem fechar o círculo.
Este é um dos principais problemas de um gajo ser muito bom. É que a parte que critica - nomeadamente a minha pessoa -, vê e revê os filmes, vai ali ao mais ínfimo pormenor, escalpelizá-lo ao microscópio para tentar encontrar uma falhazinha minúscula qualquer. Acaba por ser injusto, porque se fosse outro gajo qualquer sem grandes méritos a realizar o Interstellar eu nem pensava duas vezes e iria apelidá-lo de grande revelação.
Entretanto já vi o Interstellar uma terceira vez e acabei por eliminar a crítica original (que só dizia bem de tudo) e acabei por escrever esta. Neste momento, mantenho a minha opinião. Mas por muito incoerente que possa parecer, é um filme que me fascina e que me atrai. Se estiver a dar na TV e eu calhar de o apanhar a meio, não lhe consigo resistir. É, com certeza, o melhor filme de ficção cientifica da década (que está a acabar, mas também não vejo alguém com mais capacidades que o Nolan para fazer melhor) e fica de certeza no top dos melhores de sempre do género. Tem coisas absolutamente geniais e é muito provável que o (re)veja mais vezes. É até provável que a minha apreciação mude com o tempo. Lá está... O tempo é uma coisa estranha... ●●●●○
Curtis, um gajo normal, na sua vida normal, começa a ter pesadelos recorrentes e alucinações com uma estranha e gigantesca tempestade que se aproxima. Como pensa que há algo de errado consigo, procura ajuda médica. Não contente com a ajuda despersonalizada que recebe, decide construir um abrigo para tempestades no seu próprio quintal. A sua estranha atitude começa então a ameaçar a sua sanidade e a unidade da família...
Take Shelter é um thriller, dramático, tenso, muito bem feito, e por isso também muito difícil de ver. É mesmo poderoso. É filme muito bom. Tudo nele é ambíguo. Desde as primeiras imagens, ao soberbo final, e até ao próprio tema. Será sobre esquizofrenia? Paranóia? Estranhos eventos que ninguém consegue ver? É difícil de chegar a alguma conclusão. A minha teoria é de que se trata da extrapolação de um assunto bastante actual e complicado: a depressão.
O filme é de 2011, por isso, rodado mesmo em cima do descalabro financeiro que varreu a América (e o mundo). E se já não é fácil de lidar com a ansiedade normal do alucinantemente rápido mundo moderno, com o stress de ter dinheiro contado ao fim do mês para pagar contas, aguentar com a frustração de não ver os seus sonhos realizados, ver a injustiça e a ganância a prevalecerem como normalidade, a violência crescente mas cada vez mais banalizada, a futilidade do momento e se ainda por cima, a isto tudo, juntarmos uma mistura de indefinição, mudança e instabilidade política, social e económica a nível mundial, então está construído um cocktail explosivo para uma depressão profunda. Diria até mesmo, uma depressão profunda colectiva.
O Miguel Esteves Cardoso escreveu um dia que "O Amor é fodido". É capaz de ser verdade. Mas a depressão é muito mais fodida. O amor é bom, recomenda-se e é reconhecido por toda a gente. A depressão é apenas considerada como a doença dos inúteis. Dos que não conseguem superar-se. Dos coitadinhos. Dos que se dizem azarados. Dos que têm baixa autoestima. Pior ainda: dos pessimistas.
Tal como o amor, a depressão também faz uma pessoa ver coisas que não existem. O tal copo meio vazio em vez do meio cheio. Uma tempestade que se aproxima ao longe mas que mais ninguém vê. É como uma lente escura para o mundo, em que só se consegue ver o lado negro das coisas. É ter na cabeça aquela sensação constante de catástrofe iminente. A depressão é algo que levanta mais perguntas do que dá respostas. Porque é que algumas pessoas são mais propensas que outras? É uma causa de um mundo cada vez mais assimétrico e em constante mudança ou uma consequência de maus e aleatórios acontecimentos quotidianos? Uma questão genética ou biológica? Um distúrbio mental? Não há uma resposta clara ou definitiva... e estou a divagar novamente, ainda por cima, à volta de um tema tão negro. E ninguém gosta de coisas negras, não é verdade?
Apesar de ser um valente e negro "murro no estômago", gostei muito de Take Shelter. Está muito bem escrito e também muito bem realizado por Jeff Nichols. É um gajo para ficar debaixo de olho porque nitidamente tem muito jeito e sabe o que faz. Tem poucos mas excelentes actores como Jessica Chastain e Shea Whigham, mas todo o destaque tem de ir para a extraordinária intensidade de Michael Shannon. É que nem precisa de dizer nada. Só a expressão facial diz tudo. Brilhante desempenho. Mais um gajo a ter em atenção no futuro. Take Shelter é para ver a roer unhas na beirinha do assento e depois rever. ●●●●○
Take Shelter é um thriller, dramático, tenso, muito bem feito, e por isso também muito difícil de ver. É mesmo poderoso. É filme muito bom. Tudo nele é ambíguo. Desde as primeiras imagens, ao soberbo final, e até ao próprio tema. Será sobre esquizofrenia? Paranóia? Estranhos eventos que ninguém consegue ver? É difícil de chegar a alguma conclusão. A minha teoria é de que se trata da extrapolação de um assunto bastante actual e complicado: a depressão.
O filme é de 2011, por isso, rodado mesmo em cima do descalabro financeiro que varreu a América (e o mundo). E se já não é fácil de lidar com a ansiedade normal do alucinantemente rápido mundo moderno, com o stress de ter dinheiro contado ao fim do mês para pagar contas, aguentar com a frustração de não ver os seus sonhos realizados, ver a injustiça e a ganância a prevalecerem como normalidade, a violência crescente mas cada vez mais banalizada, a futilidade do momento e se ainda por cima, a isto tudo, juntarmos uma mistura de indefinição, mudança e instabilidade política, social e económica a nível mundial, então está construído um cocktail explosivo para uma depressão profunda. Diria até mesmo, uma depressão profunda colectiva.
O Miguel Esteves Cardoso escreveu um dia que "O Amor é fodido". É capaz de ser verdade. Mas a depressão é muito mais fodida. O amor é bom, recomenda-se e é reconhecido por toda a gente. A depressão é apenas considerada como a doença dos inúteis. Dos que não conseguem superar-se. Dos coitadinhos. Dos que se dizem azarados. Dos que têm baixa autoestima. Pior ainda: dos pessimistas.
Tal como o amor, a depressão também faz uma pessoa ver coisas que não existem. O tal copo meio vazio em vez do meio cheio. Uma tempestade que se aproxima ao longe mas que mais ninguém vê. É como uma lente escura para o mundo, em que só se consegue ver o lado negro das coisas. É ter na cabeça aquela sensação constante de catástrofe iminente. A depressão é algo que levanta mais perguntas do que dá respostas. Porque é que algumas pessoas são mais propensas que outras? É uma causa de um mundo cada vez mais assimétrico e em constante mudança ou uma consequência de maus e aleatórios acontecimentos quotidianos? Uma questão genética ou biológica? Um distúrbio mental? Não há uma resposta clara ou definitiva... e estou a divagar novamente, ainda por cima, à volta de um tema tão negro. E ninguém gosta de coisas negras, não é verdade?
Apesar de ser um valente e negro "murro no estômago", gostei muito de Take Shelter. Está muito bem escrito e também muito bem realizado por Jeff Nichols. É um gajo para ficar debaixo de olho porque nitidamente tem muito jeito e sabe o que faz. Tem poucos mas excelentes actores como Jessica Chastain e Shea Whigham, mas todo o destaque tem de ir para a extraordinária intensidade de Michael Shannon. É que nem precisa de dizer nada. Só a expressão facial diz tudo. Brilhante desempenho. Mais um gajo a ter em atenção no futuro. Take Shelter é para ver a roer unhas na beirinha do assento e depois rever. ●●●●○
Labels:
2011,
alucinação,
ambiguidade,
depressão,
drama,
família,
Jessica Chastain,
Michael Shannon,
nota4,
Shea Whigham,
Take Shelter,
tempestade,
thriller




