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Bob Munro tem um problema. Tem um grande negócio em mãos e tem também as férias planeadas com a família disfuncional. Pensando bem, que famílias é que não são disfuncionais?... A solução? Alugar uma caravana, fazer uma road trip e tentar fazer o negócio pelo caminho às escondidas da família. Como é óbvio, este é o caminho da desgraça. E a comédia começa...
Não é fácil fazer uma comédia que não descambe para os "tombos" ou para a estupidez. Mas mais difícil ainda é eu ver uma comédia. Praticamente impossível é eu rir-me a ver uma comédia. Mas aconteceu. Tudo por culpa do Barry Sonnenfeld, que é na actualidade o melhor gajo a realizar este tipo muito particular de filmes e do Robin Williams que é sem dúvida nenhuma um dos maiores génios da comédia. De sempre. É mesmo bom. Totalmente genuíno. Cheryl Hines, Kristin Chenoweth e especialmente Jeff Daniels também são muito bons. Infelizmente o resto do casting estragou um bocado as coisas, mas é a vida... o  que é que se há-de fazer?
Para "desanuviar as coisas" e variar de estilo, foi bom ver uma comédia. Melhor foi perceber que ainda há comédias feitas com inteligência à mistura. RV é brilhante? Não, é apenas melhor que a média. A tradução para português "Com a Casa às Costas" tem piada? Alguma. É light, mas é bom. Tem um bom feeling e isso é do mais que suficiente. Uma vénia para o Robin Williams. ●●●○○

O que se pode dizer de Men in Black 3 é que cumpre os requisitos mínimos. Continua a ser divertido e continua a estar bem feito. Mas fiquei com a sensação que este terceiro filme só existe porque era necessário um MiB3 para assim completar uma trilogia. Aparentemente, em Hollywood, há algo de mágico no número 3. Fala-se muito na magia do cinema e como aficionado das duas artes, sei que existe o remate do acto mágico chamado o terceiro passo. Não sei se inconscientemente isso se passa também nos filmes, mas lá que acontece, acontece. É raro o filme que tendo sequela, não vá desembocar na quase "fatídica" terceira parte e assim fechar a trilogia. Pode ser coincidência, mas acho que não é.
Neste caso, até acho bem. Mas apenas por causa do Barry Sonnenfeld. Acho que também merecia ter uma trilogia no currículo, porque é um daqueles gajos que curto. Tem uma boa filmografia e nunca lhe vi um filme estúpido. É sempre competente e inteligente nos temas que pega e na forma como lhes pega. Só por isto, já merece a minha consideração.
Os mesmos gajos fixes do costume (Will Smith, Tommy Lee Jones) com a adição do sempre respeitável Josh Brolin (e também a respeitável, mas mais discreta Emma Thompson), suportam um filme com uma história já algo cansada (os extraterrestres já são quase dispensáveis...), e que por isso já tem de ir buscar a velha artimanha das viagens no tempo para conseguir dar progressão ao enredo. Isso é batota, mas por ser quem é, vá lá, eu até desculpo. Mas peço, por favor, fiquem por aqui. Já chega. Assim como está, numa caixa arquivadora catita, fica muito bonito e pronto. Não comecem já a pensar em prequelas e reboots...
Mas pensando bem, acho que isto não vai ficar por aqui. Se não estou enganado nas contas, do primeiro para o segundo filme passaram 5 anos, e do segundo para o terceiro passaram 10 . Pela mesma lógica, teremos uma nova "entrega" lá para 2022, o que até faria uma edição especial dos 25 anos do filme original. Acho que os estúdios não vão conseguir resistir... Veremos. ●●○○○

Men in Black II recomeça sem Tommy Lee "K" Jones que foi "neuralizado" e encontra-se a trabalhar nos Correios sem saber nada da sua vida anterior. Como sempre, a Terra está em perigo de ser invadida por malvados extraterrestres, e Will "J" Smith, mesmo rodeado dos mais estapafúrdios gadgets, não consegue dar conta do recado sozinho. Precisa do seu fiel parceiro. Até porque desta vez, o inimigo é uma espécie de serpente galática que se divide (!?), interpretada pela sexy Lara Flynn Boyle, numa altura em que Twin Peaks ainda estava fresco na memória.
Men in Black II, como o próprio título revela, é relativamente igual ao anterior e poderia sofrer de sequelite aguda, mas Barry Sonnenfeld teve mais uma vez a inteligência de fazer, de facto, uma continuação da primeira história, invés de fazer um segundo filme seguindo a sagrada fórmula da sequela: "igual, mas maior, mais rápido e mais explosivo". Pode parecer a mesma coisa, mas não é. É apenas um pequeno pormenor que transforma uma "sequela" numa "segunda parte". E esta é uma verdadeira segunda parte.
Continua a existir a "química" original entre os dois actores principais e continua a ser muito divertido, se bem que comece a repetir-se em algumas cenas. Barry Sonnefeld decidiu dar a cara e tem um cameo numa cena.
Quem também aparece brevemente é Michael Jackson como Agente M. Todas aquelas operações plásticas (desnecessárias) deram-lhe uma aparência tão estranha que se calhar o melhor seria ter feito papel de extraterrestre...
Men in Black II está "naturalmente" um patamar abaixo do primeiro - porque perdeu o efeito novidade -, mas continua a ser um filme divertido que se vê muito bem. ●●●○○

Men in Black é uma divertida comédia de acção que dá uma explicação "plausível" para a muito difundida teoria da conspiração que gira em torno dos misteriosos Homens de Negro. "Eles", os Homens de Negro, os que pertencem a uma organização secreta (que seria das teorias da conspiração sem as organizações secretas?) que persegue extraterrestres oriundos de toda a galáxia. "Eles", os que sabem mais que os outros e que mantêm toda a gente na ignorância, porque sabem que somos "uns idiotas que iam entrar em histeria" se soubéssemos tudo o que eles sabem. Nada como fazer uma comédia para poder dizer estas coisas.
O que tenho a dizer é que a comédia é muito menosprezada. Normalmente é mal tratada nos filmes, que raramente se desviam do riso fácil, da "estalada com creme" e do tombo desconcertante à "isto só video". Para piorar ainda mais a situação, por norma, a isto ainda se juntam argumentos tão simplistas que parecem ser feitos para menores de 6 anos... e estou a falar na idade mental.
Mas volta e meia, lá aparece uma comédia que consigo ver e até gostar. É o caso de Men in Black, que tem muitas coisas positivas. É um filme que proporciona algumas boas gargalhadas, é um bom filme para ver com a miudagem mais jovem, porque é light mas tem a inteligência de caracterizar as situações cómicas de um forma ambígua mas quotidiana, como por exemplo, ter extraterrestres a pedir asilo político. Tem uma uma boa história e está muito bem escrito.
Os actores foram muito bem escolhidos, como por exemplo o Vincent D'Onofrio, mas como é óbvio, todo os holofotes apontam para a dupla principal. Há uma química estranha, que não é fácil de encontrar, mas totalmente natural entre o tom sério e seco de Tommy Lee Jones e a descontração musculada de Will Smith. A realização de Barry Sonnenfeld é excelente como sempre, com o destaque óbvio para o delicado malabarismo de manter equilibrado a acção, a comédia e a ficção científica. Muito difícil. Muito bom. Os efeitos especiais, apesar de não serem revolucionários eram do melhorzinho que se fazia na altura. Parece que o vi ontem, mas este é filme com mais de 20 anos. Incrível. Foi um grande sucesso de bilheteira, totalmente justificado, porque era um filme totalmente diferente do que se estava habituado a ver. Tem um "timbre" próprio. É o "timbre Sonnenfeld".
Gostei do pormenor final de mostrar que a nossa galáxia pode ser só um berlinde para um alien brincar. É uma ideia interessante e, mais uma vez, uma forma inteligente de rematar um filme. ●●●●○

 
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