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Há muitos anos que ouvia falar deste Battlefield Earth como sendo um dos piores filmes alguma vez feito. Parecia-me um exagero pois já vi coisas do "arco da velha" e que chegam a roçar o amadorismo, mas Battlefield Earth é uma outra espécie completamente diferente. E depois de ler o que li sobre o filme, percebi que estava num campo do cinema (se é que pode chamar-se cinema) totalmente diferente. Isto não é um filme. Isto é propaganda da Cientologia. Para quem não conhece, a Cientologia é um culto new wave, com base em extraterrestres, do tipo "Heaven's Gate", mas que tem muito mais dinheiro e muito mais difusão porque nos últimos anos tem conseguido atrair para as suas fileiras algumas grandes estrelas de Hollywood (Tom Cruise e Travolta, são os rostos mais conhecidos, mas há muitos mais), o que lhe dá bastante visibilidade mediática.
Battlefield Earth é a adaptação de um livro de L. Ron Hubbard, fundador da Cientologia (e escritor de ficção científica), e que conta como no ano 3000, a Humanidade está resumida a uma espécie primitiva, porque foi escravizada pelos extraterrestres Psychlos. Um jovem humano, que não acredita no poder mágico dos gananciosos colonizadores, decide ir ao encontro da verdade e acaba por se envolver numa luta pela libertação final dos humanos.
Dito assim, nem parece muito mau, mas é o desenrolar da história cheia de buracos, cenas patéticas e sem nexo (ao fim de mil anos (!!!) encontram-se uns aviões a jacto e umas bombas nucleares e é assim que os humanos ganham aos Psychlos), assim como as personagens que parecem saídas de uma série juvenil, passando pelo design de produção (que copia sem piedade e constantemente outros filmes) e os efeitos especiais que parecem saídos dum filme da década de 80, que fazem deste, sem dúvida, o pior filme de sempre.
Basta só ver o exemplo dos vilões, os Psychlos. Para além de terem um nome horrivelmente feio, são estúpidos como portas (mas derrotaram a Humanidade em 9 minutos (!?) e escravizaram-na por mil anos) e parecem uma mistura de fãs dos Kiss, Klingons e Lobisomens com rastas. E têm dentes podres! Ah! E para respirarem na atmofera terrestre têm umas daquelas bandas plásticas no nariz, como as que os futebolistas dos anos 90 usavam para respirar melhor, mas como é futurista, tem um penduricalho que parece ranho preto. Mas também parecem headphones espetados no nariz. É simplesmente... não consigo perceber...
Para piorar ainda mais, os diálogos são maus. Nem são maus, são péssimos. Os extraterrestres (?!) falam como se estivessem a discutir futebol num tasco. E mandam "bocas" e tudo! É ridículo. É demasiado ridículo. E isso é que acho estranho. Há por aqui actores que nem são maus (se bem que também há alguns que parecem amadores), por isso ainda se torna mais incompreensível andarem nestas idiotices. Forest Whitaker e Barry Pepper ainda percebo que possam ter sido enganados, mas para o John Travolta não há desculpas. É sabido que ele é grande fã da Cientologia e que faz divulgação do culto, mas isto é algo mais. Fez muitos filmes que gosto e até era um gajo que admirava, mas depois desta, acabou-se. Não tem mais créditos. Parece que perdeu totalmente o juízo. Resumindo, é assim: há filmes que são tão maus que se tornam bons. São exemplos os filmes do Ed Wood ou Roger Corman, que têm uma óbvia paixão intrínseca pelo cinema, ou até coisas mais "amadoras" como por exemplo, o Evil Dead de Sam Raimi, que têm pormenores que se notam que com mais dinheiro, mais meios, mais produção até podiam ter algum potencial. Mas Battlefield Earth é na realidade tão mau que se torna ainda pior. E isto não é algo amador, filmado com desconhecidos ou fracamente produzido: isto é uma produção de um grande estúdio de Hollywood, de 80 milhões de dólares, com actores de renome, realizado por um gajo que trabalhou directamente com o George Lucas (até recebeu um óscar) no Star wars! Isto é algo incompreensível. Passou-se alguma coisa muito má pela cabeça desta gente. Até poderia sugerir que o vissem para ver o quão mau é, mas neste caso, o melhor a fazer é mesmo evitar. A todo o custo. É má ficção científica. É um mau filme. É um zero redondo e absoluto. ○○○○○

Hairspray não é dos musicais que mais ansiava por ver, mas como estava a dar na TV aproveitei a oportunidade. Pelo aspecto inicial, pensei que não chegaria ao final. Mas curiosamente até o achei medianamente bom. Isto apesar de ser demasiado "cor de rosa" para o meu gosto.
Enquanto procurava alguma informação sobre o filme, descobri que é uma adaptação de um musical da Broadway com o mesmo nome, que por sua vez tinha sido adaptado do filme original de 1988 (também chamado Hairspray) que tinha sido realizado pelo "louco" John Waters. Quando li John Waters, pensei que seria um outro realizador, mas afinal era mesmo ele. Aparentemente - diz a ficha técnica - ele até aparece no filme, mas por qualquer motivo não o vi...  Já tinha percebido que o Waters tinha "amolecido" com a idade, só não sabia é que tinha sido tanto... 
Hairspray aproveita o tom rosa e inocente da história para tocar num assunto sempre problemático que é o da segregação racial nos Estados Unidos. "Alfinetadas" à parte, Hairspray tem uma ou outra música catita, especialmente a do final e muitos e bons actores, todos eles com dotes musicais que eu desconhecia, como James Marsden, Michelle Pfeiffer ou Christopher Walken. Também há "cantantes" profissionais como Queen Latifah ou Zac Efron, que é cada vez mais um actor que me surpreende apesar daquele aspecto Disney. Nesse campo dos actores, tenho que destacar a personagem "pesada" do John Travolta. Até nem sou grande fã do Travolta, mas aqui tenho de dar o braço a torcer: está simplesmente brilhante. ●●○○○


O polícia Sean Archer (John Travolta) e o criminoso Castor Troy (Nicolas Cage) são inimigos mortais e depois de uma perseguição, Castor acaba em coma. Apenas Pollux (Alessandro Nivola), irmão de Castor sabe a localização de uma bomba química que pode destruir a cidade de Los Angeles. A única solução é recorrer à ficção científica e trocar de cara (!?) para conseguir extrair informações. Assim, Travolta (o bom) troca de lugar com Cage (o mau). As coisas complicam-se quando Troy desperta do coma e assume o lugar de Archer na sua própria vida. É esta troca de lugares que torna Face Off muito interessante.
Os actores principais têm "química" e foram muito bem escolhidos, pois ambos têm imenso "crazy eye". São perfeitos para este tipo de filme. Até John Travolta está bem, o que é uma raridade. E também parece que se divertiram imenso a insultar-se e a gozar com os maneirismos típicos de cada um. Isto forma um veículo perfeito para as cenas de acção cuidadosamente coreografadas, quase como se fossem cenas de um bailado moderno.
Face Off tem tudo para ser uma chachada de acção, perseguições, explosões e porrada, mas de alguma forma, John Woo consegue exagerar de tal forma as coisas que ficam sempre cool. De certa forma até lembra um bocado aquele estilo tipo James Bond. Com tudo o que tem de moralmente discutível, Woo é um dos poucos realizadores que consegue realmente estilizar a violência. Ele e Tarantino, que deve ter visto toneladas de filmes de John Woo. Não é de estranhar que Tarantino tenha ido parar a Reservoir Dogs ou Kill Bill... Mas isso é outra história.
Talvez por causa dessa atenção à estética, Face Off é um grande filme de acção, que sai completamente fora dos parâmetros normais, mesmo tendo por base uma história totalmente disparatada. Mas aqui o importante nem é a história, mas sim o desenrolar da acção. E aí, Woo acertou em cheio.
Quem já viu alguns filmes de John Woo apercebe-se que há particularidades estéticas que são uma autêntica imagem de marca: o uso (exagerado) da câmara lenta; o estilo "mexican standoff", que normalmente envolve dois ou mais protagonistas a apontar armas directamente à cabeça uns dos outros, algo que parece tão Tarantino mas que é na realidade muito Woo; o uso recorrente das pombas brancas (em câmara lenta, claro) antes duma grande cena de acção ou tiroteio; também é normal as personagens usarem sempre duas armas em punho e não conseguirem evitar disparar em vôo.
Mas o mais importante em Face Off até nem são os actores, a história e nem sequer as fantásticas cenas de acção verdadeiras, "à moda antiga", com duplos a sério (às vezes penso se muitos destes duplos não ficam gravemente feridos a fazer algumas cenas). O mais importante neste filme é o contexto.
Face Off foi um sucesso enorme (entre público e crítica especializada, o que é muito raro) e isso deveu-se essencialmente ao facto de ser diferente de todos os outros filmes de acção. É daqueles filmes, que apesar de parecer "normal", acaba por ter qualquer coisa que o torna fixe. Não se nota o que é, mas há algo distinto em Face Off.
Esse factor distintivo é a inspiração "a dar a volta". Este foi o terceiro filme de John Woo em solo americano. Mas quem teve a paciência para ver maratonas de filmes de acção coreanos, chineses ou de Hong Kong, percebe que este não é um filme americano. Woo continuou a filmar como se estivesse em Hong Kong, sendo que a única diferença é que o filme é falado em inglês e feito com actores ocidentais. Mas todas as "regras" são orientais.
Depois de anos a produzir filmes de artes marciais para o mercado ocidental, o cinema oriental mudou e foi buscar inspiração aos sítios mais estranhos como o spaghetti western ou os policiais dos anos 70. Como as produções orientais parece que não existem e não chegam a ser distribuídas nos circuitos ocidentais (tirando, lá está, os filmes de artes marciais), parece que esta mudança nem sequer existiu. Alguém associa o género de ação ou policial ao cinema oriental? Não me parece. Até que John woo chegou a Hollywood e começou a filmar. O resultado são filmes de acção "estranhos" e que apesar de pareceram iguais aos restantes, são muito diferentes do habitual. E essa foi a principal marca que Face Off deixou. Dentro do género dos típicos filmes de "tiros e porrada", Face Off é um dos melhores. Vê-se e revê-se sempre muito bem. ●●●●○

Quando ouço que vai sair um filme de Oliver Stone fico entusiasmado. É um dos meus realizadores preferidos e considero-o um dos melhores de sempre. Um novo filme de Stone é sempre um evento e pode estar ali um novo clássico à espreita. Por isso mesmo, Savages, é um decepção enorme. É um triângulo amoroso com negócios de droga pelo meio. O que é estranho é que parece quase um filme "sem condimentos". É tudo muito linear, muito mainstream para ser um filme de Oliver Stone. A princípio até duvidei. Não vejo a relação com os restantes filmes, nem vejo a mão de Stone no projecto. Se o nome dele não estivesse nos créditos, dificilmente perceberia que era um "Oliver Stone". É um filme tão vulgar, e apesar de ter nomes no elenco como Benicio Del Toro, John Travolta e Salma Hayek, todos têm actuações tão normais (os outros nem vale a pena mencionar), numa história tão cagativa que não entendo como Stone o decidiu fazer. Tendo em conta que este é o realizador de Platoon, The Doors ou Wall Street, não consigo mesmo perceber o que Stone viu de tão excepcional na história. A única coisa que me vem à cabeça é que todos temos dias maus. Este foi um dos piores de Oliver Stone.
Como muitos realizadores que são nitidamente anti-sistema, Stone não tem um relacionamento fácil com o poderio económico de Hollywood. A explicação que consigo arranjar para este filme tão "dentro dos padrões" é que Stone precisou de dinheiro e quis piscar o olho ao dinheiro fácil de Hollywood para um projecto novo, mais pessoal, à "moda de Stone". É a única justificação para um filme tão "normal". ●○○○○


 
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