Continuação do primeiro John Wick... que como previra, tinha tudo para ser um sucesso de bilheteira. Chad Stahelski faz regressar o durão Keanu Reeves, e junta-lhe mais inimigos e aliados (Riccardo Scamarcio, Ian McShane, Laurence Fishburne e John Leguizamo). Continuação e aumento das cenas de porrada, mas sempre com algum miolo e muito, muito estilo. Apesar de ser mais do mesmo (que a primeira entrega), tem pelo menos o condão positivo de conseguir criar um novo mundo hierárquico de assassinos pagos e estilosos. E tudo com lógica, o que é uma raridade hoje em dia. Boas cenas de porrada, muito bem engendradas e ainda melhor filmadas. John Wick: Chapter 2 não é totalmente estúpido e por isso vê-se relativamente bem, apesar de a determinada altura a necessidade de acção constante tornar a coisa demasiado repetitiva. Tal como acontece na maioria dos filmes de acção actuais, falta-lhe uma grande dose de calma... Ia dizer que se previa um Chapter 3, mas a velocidade de produção hoje em dia é tão rápida que fiquei a saber agora mesmo que já está nos cinemas!!!... E já vem a caminho um Chapter 4!!!... What a rush... Espero que não danifiquem demasiado a "franquia"... ●●○○○
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The Quick and the Dead é um western que vai buscar o título a uma frase bíblica que resume o facto de todos nós, mais cedo ou mais tarde, sermos julgados pelos nossos pecados, quer estejamos vivos (the quick) ou mortos (the dead). É bastante apropriado, visto que toda a história gira duma sádica competição tipo torneio, mas envolvendo um duelo de armas até à morte, mano a mano. Mais western que isto não pode ser... O título é algo dúbio já que também se aplica à rapidez do dedo no gatilho. Nos westerns e em particular nos duelos, a rapidez a sacar e disparar é o que separa basicamente os vivos dos mortos... Mas as referências bíblicas estão lá todas, como por exemplo a personagem de Gene Hackman se chamar Herod ou Russel Crowe interpretar um padre, arrependido, depois de anos como bandido.
À primeira vista, até pode parecer, mas o filme não tem grande história. Por vezes até se torna repetitivo e copia (ou inspira-se?) mais noutros westerns do que arranja material original. É um filme com mais estilo do que substância. Mas ainda assim tem duas coisas muito boas: a parada de estrelas e a realização.
Em relação a actores é só ver a lista: Sharon Stone (que fica bem em qualquer situação ou papel), Gene Hackman (um "senhor" do cinema que não precisa de apresentações), Russell Crowe (um actor razoável, inflacionado por "filmes de óscares" mas que aqui até escapa), Leonardo DiCaprio (tão novinho que ainda era a perdição das teenagers-coleccionadoras-de-posters-da-Bravo) e Lance Henriksen (um gajo cheio de estilo seja em que filme for).
Mas o que mais salta à vista em The Quick and the Dead é a realização de Sam Raimi. Por vezes não se percebe muito bem porque é que alguns realizadores se destacam e outros não. Sam Raimi é um caso particular e de estudo. Ele conseguiu criar uma estética, mas acima de tudo, uma linguagem visual própria e original que aparentemente funciona em qualquer género de filme. Criou essa linguagem para o excelente Evil Dead e foi um sucesso. Mais tarde aplicou a mesma receita com super-heróis (ainda que com um lado bastante negro) em Darkman. (percebe-se como Raimi aparece anos mais trade a dirigir a saga Spider-Man). Mas essa lógica visual continua a funcionar até num western verdadeiramente à moda antiga. E funciona sempre muito bem. É um tipo de realização tão particular que mesmo quem não saiba quem é o realizador consegue facilmente identificá-lo graças à estética. Acho isso incrível.
The Quick and the Dead não é nada de espectacular ou muito memorável, mas entretém sem ser totalmente desmiolado. Vê-se bem. Para quem é um fã do Sam Raimi ainda se vê melhor. ●●○○○
À primeira vista, até pode parecer, mas o filme não tem grande história. Por vezes até se torna repetitivo e copia (ou inspira-se?) mais noutros westerns do que arranja material original. É um filme com mais estilo do que substância. Mas ainda assim tem duas coisas muito boas: a parada de estrelas e a realização.
Em relação a actores é só ver a lista: Sharon Stone (que fica bem em qualquer situação ou papel), Gene Hackman (um "senhor" do cinema que não precisa de apresentações), Russell Crowe (um actor razoável, inflacionado por "filmes de óscares" mas que aqui até escapa), Leonardo DiCaprio (tão novinho que ainda era a perdição das teenagers-coleccionadoras-de-posters-da-Bravo) e Lance Henriksen (um gajo cheio de estilo seja em que filme for).
Mas o que mais salta à vista em The Quick and the Dead é a realização de Sam Raimi. Por vezes não se percebe muito bem porque é que alguns realizadores se destacam e outros não. Sam Raimi é um caso particular e de estudo. Ele conseguiu criar uma estética, mas acima de tudo, uma linguagem visual própria e original que aparentemente funciona em qualquer género de filme. Criou essa linguagem para o excelente Evil Dead e foi um sucesso. Mais tarde aplicou a mesma receita com super-heróis (ainda que com um lado bastante negro) em Darkman. (percebe-se como Raimi aparece anos mais trade a dirigir a saga Spider-Man). Mas essa lógica visual continua a funcionar até num western verdadeiramente à moda antiga. E funciona sempre muito bem. É um tipo de realização tão particular que mesmo quem não saiba quem é o realizador consegue facilmente identificá-lo graças à estética. Acho isso incrível.
The Quick and the Dead não é nada de espectacular ou muito memorável, mas entretém sem ser totalmente desmiolado. Vê-se bem. Para quem é um fã do Sam Raimi ainda se vê melhor. ●●○○○
O polícia Sean Archer (John Travolta) e o criminoso Castor Troy (Nicolas Cage) são inimigos mortais e depois de uma perseguição, Castor acaba em coma. Apenas Pollux (Alessandro Nivola), irmão de Castor sabe a localização de uma bomba química que pode destruir a cidade de Los Angeles. A única solução é recorrer à ficção científica e trocar de cara (!?) para conseguir extrair informações. Assim, Travolta (o bom) troca de lugar com Cage (o mau). As coisas complicam-se quando Troy desperta do coma e assume o lugar de Archer na sua própria vida. É esta troca de lugares que torna Face Off muito interessante.
Os actores principais têm "química" e foram muito bem escolhidos, pois ambos têm imenso "crazy eye". São perfeitos para este tipo de filme. Até John Travolta está bem, o que é uma raridade. E também parece que se divertiram imenso a insultar-se e a gozar com os maneirismos típicos de cada um. Isto forma um veículo perfeito para as cenas de acção cuidadosamente coreografadas, quase como se fossem cenas de um bailado moderno.
Face Off tem tudo para ser uma chachada de acção, perseguições, explosões e porrada, mas de alguma forma, John Woo consegue exagerar de tal forma as coisas que ficam sempre cool. De certa forma até lembra um bocado aquele estilo tipo James Bond. Com tudo o que tem de moralmente discutível, Woo é um dos poucos realizadores que consegue realmente estilizar a violência. Ele e Tarantino, que deve ter visto toneladas de filmes de John Woo. Não é de estranhar que Tarantino tenha ido parar a Reservoir Dogs ou Kill Bill... Mas isso é outra história.
Talvez por causa dessa atenção à estética, Face Off é um grande filme de acção, que sai completamente fora dos parâmetros normais, mesmo tendo por base uma história totalmente disparatada. Mas aqui o importante nem é a história, mas sim o desenrolar da acção. E aí, Woo acertou em cheio.
Quem já viu alguns filmes de John Woo apercebe-se que há particularidades estéticas que são uma autêntica imagem de marca: o uso (exagerado) da câmara lenta; o estilo "mexican standoff", que normalmente envolve dois ou mais protagonistas a apontar armas directamente à cabeça uns dos outros, algo que parece tão Tarantino mas que é na realidade muito Woo; o uso recorrente das pombas brancas (em câmara lenta, claro) antes duma grande cena de acção ou tiroteio; também é normal as personagens usarem sempre duas armas em punho e não conseguirem evitar disparar em vôo.
Mas o mais importante em Face Off até nem são os actores, a história e nem sequer as fantásticas cenas de acção verdadeiras, "à moda antiga", com duplos a sério (às vezes penso se muitos destes duplos não ficam gravemente feridos a fazer algumas cenas). O mais importante neste filme é o contexto.
Face Off foi um sucesso enorme (entre público e crítica especializada, o que é muito raro) e isso deveu-se essencialmente ao facto de ser diferente de todos os outros filmes de acção. É daqueles filmes, que apesar de parecer "normal", acaba por ter qualquer coisa que o torna fixe. Não se nota o que é, mas há algo distinto em Face Off.
Esse factor distintivo é a inspiração "a dar a volta". Este foi o terceiro filme de John Woo em solo americano. Mas quem teve a paciência para ver maratonas de filmes de acção coreanos, chineses ou de Hong Kong, percebe que este não é um filme americano. Woo continuou a filmar como se estivesse em Hong Kong, sendo que a única diferença é que o filme é falado em inglês e feito com actores ocidentais. Mas todas as "regras" são orientais.
Depois de anos a produzir filmes de artes marciais para o mercado ocidental, o cinema oriental mudou e foi buscar inspiração aos sítios mais estranhos como o spaghetti western ou os policiais dos anos 70. Como as produções orientais parece que não existem e não chegam a ser distribuídas nos circuitos ocidentais (tirando, lá está, os filmes de artes marciais), parece que esta mudança nem sequer existiu. Alguém associa o género de ação ou policial ao cinema oriental? Não me parece. Até que John woo chegou a Hollywood e começou a filmar. O resultado são filmes de acção "estranhos" e que apesar de pareceram iguais aos restantes, são muito diferentes do habitual. E essa foi a principal marca que Face Off deixou. Dentro do género dos típicos filmes de "tiros e porrada", Face Off é um dos melhores. Vê-se e revê-se sempre muito bem. ●●●●○

