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Um satélite cai numa zona remota dos Estados Unidos, perto de uma pequena povoação. Quase imediatamente, toda a população do local morre. Há apenas dois sobreviventes, o bêbado da zona e um bebe recém-nascido. Porque é que apenas estes dois não foram afectados? O que é que podem ter em comum que os torna imunes? É um mistério... O satélite com a misteriosa doença é levado para umas instalações secretas de máxima segurança onde será minuciosamente analisado por um grupo de cientistas de topo que tentarão perceber o que causa a morte a quem entra em contacto com o satélite. Como se não fosse já stressante o suficiente estar metido debaixo de terra com uma arma biológica que ninguém entende como mata, ainda por cima, as próprias instalações acrescentam um nível extra de stress. As instalações têm um sistema de segurança extremo: se houver uma fuga de material biológico, as instalações entram automaticamente em auto-destruição nuclear e há apenas uma pessoa com capacidade de anular a destruição... e tem apenas 5 minutos para o fazer.
The Andromeda Strain não é fantástico mas roça o muito bom. Os cenários futuristas... muito bons. Aqueles split screens da acção com fotos dos acontecimentos... mítico. Mas principalmente destaco a base cientifica (e especulativa) que é muito boa. É um filme que se nota que teve muito cuidado na preparação e na concepção. A demonstração científica de como se faz toda a descontaminação e o estudo de um acontecimento hipotético deste género é muito bom. O facto de tentar induzir um grau de realismo, quase documental a todo o filme, é excepcional. Para isso também ajuda um casting de actores com muito pouca projecção internacional e que vinham essencialmente das produções de TV da altura (Arthur Hill, David Wayne, James Olson e Kate Reid), que transmitem a sensação de estarmos mesmo a ver cientistas a trabalhar, ao invés de estar a ver o "grande nome" de Hollywood a fazer exemplarmente de "cientista". Muito inteligente esta aproximação.
Não se pode esconder que este The Andromeda Strain está muito datado no tempo, mas isso não lhe retira nenhum mérito. Grita por um remake que até já recebeu o apelo dos produtores Ridley e Tony Scott, que adaptaram o romance de Michael Crichton para um mini série de dois episódios em 2008. A nova história é pouco difere desta, o que prova que o original já tinha todos os condimentos modernos de um muito bom techo-thriller.
Robert Wise é um mestre à frente do seu tempo. Há por aqui coisas que são ficção científica mas com o passar do tempo se tornaram em facto científico. E o cerne de toda a questão - uma nova forma de vida biológica proveniente do espaço, tipo vírus - continua a não ser desenvolvida em nenhum meio actual, o que demonstra que o pessoal antigo tinha muito mais imaginação e tomates para pegarem em temas deste género, comparativamente ao pessoal de agora, que tem todos os meios possíveis e imaginários para fazer coisas deste género... The Andromeda Strain é um clássico da ficção científica altamente recomendado, principalmente nesta altura estranha do mundo envolto em pandemia... ●●●○

Há dois tipos de filmes sobre os quais é fácil de escrever: os muito maus e os muito bons. Westworld é do segundo tipo por isso não me vou alongar muito. Já deve ter havido teses de mestrado sobre o assunto e qualquer livro de cinema já escrutinou o filme (ou pelo menos a história) ao milímetro do frame. É um clássico da ficção científica que toda a gente deveria ver. Foi totalmente revolucionário e um marco até hoje.
Mas o que mais me surpreende em Westworld é o salto mental. Michael Crichton é um gajo com uma cabeça muito à frente do seu tempo. Como é que nos anos 70, quando 99,99% das pessoas nem sequer sabia o que era um computador (que tinham uma capacidade de processamento de uma actual calculadora) consegue imaginar coisas como parques de diversão com autómatos iguais a humanos? É um salto mental absolutamente gigante. É a mente de alguém que está décadas à frente dos restantes. É preciso ter muita visão. E muita imaginação.
Mas se por um lado, a história é fantástica, o filme no seu todo deixa algo a desejar. Crichton sempre escreveu grandes histórias, mas quando se mudou para a cadeira do realizador, os resultados nunca foram os melhores... E para uma ideia tão avançada como esta, os efeitos (que deveriam ser imaculados) até são aceitáveis, mas estão sempre a descair para o lado mau. Mesmo nessa altura já havia coisinhas mais bem feitas... Depois a escolha do actor principal também não ajudou (sem grande carisma ) e o restante casting fica-se quase pela mesma medida (Richard Benjamin, James Brolin). Fica o destaque para um grande senhor, Yul Brynner, um ícone do cinema que diz mais calado que muitos actores juntos a falar pelos cotovelos.
Como não sou fundamentalista, acho que este é um daqueles poucos casos que estava mesmo a pedir um remake. Seria totalmente justificado. Face à actual falta de ideias e ao risco zero que os estúdios querem ter nos seus investimentos, presumo que não deva estar muito longe... ●●●●○



Mas agora que penso melhor no assunto... O que é que será que o Crichton tem contra parques temáticos ou cenas de férias? O Westworld é um parque temático; o Jurassic Park também é; o Jaws passa-se numa colónia de férias... Hum.. Pode ser coincidência, mas acho que algo traumático lhe aconteceu enquanto passava férias... Ou talvez não...


Em Twister, as casas desfazem-se em pedaços como se fossem feitas de papel, as vacas voam e rodopiam pelo ar e os tractores caiem do céu como chuva grossa. É melhor procurar abrigo. Não é seguro lá fora. Mas isso é para as pessoas normais. Bill and Jo Harding (Bill Paxton e Helen Hunt) são caçadores de tornados portanto isto é a vida deles. Aliás, perseguem os tornados enquanto discutem os termos de um divórcio anunciado. Pelos meio também têm de lidar com a concorrência desleal de outra equipa de caçadores de tempestades, liderada pelo intragável Dr. Jonas Miller (Cary Elwes).
Boa história de Michael Crichton, muito bem dirigido por Jan de Bont, muito bons actores (tem Philip Seymour Hoffman como secundário... Há sempre que mencionar o Philip...) e a cereja no topo do bolo são os excelentes efeitos especiais. Na altura, fiquei pasmado com os efeitos, nunca tinha visto nada assim. E hoje ainda se aguentam bem. Mas o filme vale mesmo pelo seu todo. Muito bom do princípio ao fim. ●●●●○

 
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