Estou a fazer um exercício de memória e a tentar lembrar-me de filmes bons para confinamento obrigatório. Não sei explicar porquê, mas veio-me à cabeça este: The Best Exotic Marigold Hotel. É um daqueles filmes que tem uma sensação de conforto igual a um bom cobertor polar. É um filme óptimo para se desfrutar no sofá com uma chávena de chá de menta a fumegar...
The Best Exotic Marigold Hotel é sobre um grupo de velhotes ingleses que para se esquecerem ou superarem dos seus problemas mundanos, vão de férias para a Índia (ou vão-se reformar-se?!? Já não me lembro bem...) Logo após a chegada, a comitiva começa a questionar a qualidade do resort onde ficarão alojados, o que resulta em cenas britanicamente divertidas. No entanto, e como é um sintoma comum a todas as pessoas que visitam a Índia, lentamente, os protagonistas largam as vicissitudes da vida quotidiana e começam uma viagem de amor e auto-descoberta.
John Madden dirige um elenco de luxo que inclui nomes conceituados como Judi Dench, Tom Wilkinson, Bill Nighy e Maggie Smith, que estão tão à vontade que parece que estão de férias. O papel do vilão cai que nem uma luva a Dev Patel. Estava a brincar. Patel é o empregado/dono do hotel foleiro que, por qualquer motivo sobrenatural, faz com que as pessoas embarquem numa viagem espiritual.
Amor em idades avançadas, frases feitas tiradas de posters auto-motivacionais espalhados pela net, todos os clichés do mundo do cinema, um bocadinho de drama para não ser tão cor-de-rosa e a celebração da vida e das cores. É por isto que Love Actually é um filme super-fofo e comovente que no final, deixa uma sensação de bem-estar e conforto. Perdão... É por isto que The Best Exotic Marigold Hotel é um filme super-fofo e comovente que no final, deixa uma sensação de bem-estar e conforto. Suspeito que este filme foi feito pela British Airways para entreter o pessoal até chegar à Índia... ●○○○○
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Um jovem casal (Kelly Reilly e Michael Fassbender) faz uma viagem de férias até ao idílico Eden Lake. O sítio é espectacular, com um lago de águas calmas rodeado de uma belíssima paisagem natural. Tudo corria perfeitamente bem até que os gunas do local (Jack O'Connell e restantes miúdos) aparecem para estragar tudo... E aí a paisagem muda da beleza natural para a dor, para a frustração, para a raiva e para a sobrevivência. Tenho que admitir que tive de parar o filme a meio. Estava a dar-me cabo dos nervos e do estômago. Na ruralidade mais profunda deste país já estive perante situações que parecem o início de Eden Lake, daí que o filme estivesse a "afectar-me" psicologicamente e até fisicamente. Mas lá retomei o filme e fiquei ainda mais desconcertado. O guião exagera nas peripécias, na imprevisibilidade e tudo o que pode correr mal, corre ainda pior, mais violento e mais gore. James Watkins, o realizador, parece que tem prazer em fazer aqueles dois personagens sofrer... e a mim também.
Resumidamente, Eden Lake é uma dor contínua de filme, muito difícil de ver até ao fim. Já agora, odiei o final. Mas odiei no "bom sentido". É uma espécie de Deliverance brit, exagerado mas bem feito. Uma agradável surpresa desagradável. Vendo o final percebe-se o que quero dizer... Recomendado apenas a mentes e estômagos mais fortes... ●●●○○
Resumidamente, Eden Lake é uma dor contínua de filme, muito difícil de ver até ao fim. Já agora, odiei o final. Mas odiei no "bom sentido". É uma espécie de Deliverance brit, exagerado mas bem feito. Uma agradável surpresa desagradável. Vendo o final percebe-se o que quero dizer... Recomendado apenas a mentes e estômagos mais fortes... ●●●○○
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Há dois tipos de filmes sobre os quais é fácil de escrever: os muito maus e os muito bons. Westworld é do segundo tipo por isso não me vou alongar muito. Já deve ter havido teses de mestrado sobre o assunto e qualquer livro de cinema já escrutinou o filme (ou pelo menos a história) ao milímetro do frame. É um clássico da ficção científica que toda a gente deveria ver. Foi totalmente revolucionário e um marco até hoje.
Mas o que mais me surpreende em Westworld é o salto mental. Michael Crichton é um gajo com uma cabeça muito à frente do seu tempo. Como é que nos anos 70, quando 99,99% das pessoas nem sequer sabia o que era um computador (que tinham uma capacidade de processamento de uma actual calculadora) consegue imaginar coisas como parques de diversão com autómatos iguais a humanos? É um salto mental absolutamente gigante. É a mente de alguém que está décadas à frente dos restantes. É preciso ter muita visão. E muita imaginação.
Mas se por um lado, a história é fantástica, o filme no seu todo deixa algo a desejar. Crichton sempre escreveu grandes histórias, mas quando se mudou para a cadeira do realizador, os resultados nunca foram os melhores... E para uma ideia tão avançada como esta, os efeitos (que deveriam ser imaculados) até são aceitáveis, mas estão sempre a descair para o lado mau. Mesmo nessa altura já havia coisinhas mais bem feitas... Depois a escolha do actor principal também não ajudou (sem grande carisma ) e o restante casting fica-se quase pela mesma medida (Richard Benjamin, James Brolin). Fica o destaque para um grande senhor, Yul Brynner, um ícone do cinema que diz mais calado que muitos actores juntos a falar pelos cotovelos.
Como não sou fundamentalista, acho que este é um daqueles poucos casos que estava mesmo a pedir um remake. Seria totalmente justificado. Face à actual falta de ideias e ao risco zero que os estúdios querem ter nos seus investimentos, presumo que não deva estar muito longe... ●●●●○
Mas agora que penso melhor no assunto... O que é que será que o Crichton tem contra parques temáticos ou cenas de férias? O Westworld é um parque temático; o Jurassic Park também é; o Jaws passa-se numa colónia de férias... Hum.. Pode ser coincidência, mas acho que algo traumático lhe aconteceu enquanto passava férias... Ou talvez não...
Mas o que mais me surpreende em Westworld é o salto mental. Michael Crichton é um gajo com uma cabeça muito à frente do seu tempo. Como é que nos anos 70, quando 99,99% das pessoas nem sequer sabia o que era um computador (que tinham uma capacidade de processamento de uma actual calculadora) consegue imaginar coisas como parques de diversão com autómatos iguais a humanos? É um salto mental absolutamente gigante. É a mente de alguém que está décadas à frente dos restantes. É preciso ter muita visão. E muita imaginação.
Mas se por um lado, a história é fantástica, o filme no seu todo deixa algo a desejar. Crichton sempre escreveu grandes histórias, mas quando se mudou para a cadeira do realizador, os resultados nunca foram os melhores... E para uma ideia tão avançada como esta, os efeitos (que deveriam ser imaculados) até são aceitáveis, mas estão sempre a descair para o lado mau. Mesmo nessa altura já havia coisinhas mais bem feitas... Depois a escolha do actor principal também não ajudou (sem grande carisma ) e o restante casting fica-se quase pela mesma medida (Richard Benjamin, James Brolin). Fica o destaque para um grande senhor, Yul Brynner, um ícone do cinema que diz mais calado que muitos actores juntos a falar pelos cotovelos.
Como não sou fundamentalista, acho que este é um daqueles poucos casos que estava mesmo a pedir um remake. Seria totalmente justificado. Face à actual falta de ideias e ao risco zero que os estúdios querem ter nos seus investimentos, presumo que não deva estar muito longe... ●●●●○
Mas agora que penso melhor no assunto... O que é que será que o Crichton tem contra parques temáticos ou cenas de férias? O Westworld é um parque temático; o Jurassic Park também é; o Jaws passa-se numa colónia de férias... Hum.. Pode ser coincidência, mas acho que algo traumático lhe aconteceu enquanto passava férias... Ou talvez não...
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