Revi este Bram Stoker's Dracula de Francis Ford Coppola há pouco tempo, mas nem era preciso. Este é um daqueles filmes que "arquivei" mentalmente. Lembro-me de tudo. O que na minha escala qualitativa é o mais importante. Se "cola" é porque é bom. Se "cola" completamente, é por é mesmo bom... E este é um dos casos.
Já vi muitos Dráculas, variantes e muitas versões de Dráculas mais ou menos fiéis ao livro original e não tenho dúvida nenhuma que este é o melhor filme de todos. Aliás, não consigo perceber como é que poderia ser melhor. É perfeito. Grandes actores com grandes prestações, grande ritmo, grande jogo de luzes e grande som. Tudo pensado ao mais ínfimo pormenor. Só o facto de Francis Ford Coppola usar deliberadamente "efeitos especiais antigos" para não chocar com o carácter gótico da história é um pormenor de um verdadeiro mestre. Não é apenas lógico, é simplesmente genial.
Nota-se que há um fio condutor que une todas as histórias: Van Helsing, Lucy, Mina e as diversas fases e facetas de Dracul misturam-se todas numa excepcional narrativa, em que o sangue se transforma numa linha que tanto dá a vida como dá a morte. Para além de toda a questão inerentemente romântica dos vampiros com o amor a fluir através dos tempos (e a história do vampiro Dracul é mesmo a derradeira história de amor), na realidade este é um filme de acção, só que não tem perseguições e explosões. Toda a acção vem da narrativa e da forma como Copolla consegue impor ritmo às próprias palavras e cenas. Excepcional. Nada falha neste filme e só há um responsável por isto. Francis Ford Copolla. Um mestre moderno.
Gary Oldman e Winona Ryder fazem um par romântico estranhamente distantes que ficou na história porque há qualquer coisa entre eles para lá da simples química entre actores. Anthony Hopkins, um "senhor" em qualquer filme, no papel de um tresloucado Van Helsing, que mais parece uma versão gótica do Hannibal Lecter. Keanu Reeves, em versão muito insossa mas fundamentalmente perfeito para o papel. E um lote de secundários como Richard E. Grant, Cary Elwes, Billy Campbell, Sadie Frost (Lucy, Lucy... que perfeição sanguínea, Lucy...), Tom Waits (que lunático brilhante, master...) e procurando bem ainda se consegue encontrar por lá a Monica Bellucci, que como toda a gente sabe, é uma verdadeira estátua clássica viva...
Poderia incluir aqui uma qualquer aproximação metafísica dos vampiros, da história cinematográfica destes sugadores de sangue românticos ao longo dos tempos ou o porquê do fascínio dos vampiros nunca esmorecer... Mas não me apetece. Tenho muito mais filmes para "arquivar" e já está tudo na internet...
Dracula é um filme para ver e rever e aprender sobre cinema. Uma verdadeira aula e um textbook de como fazer um filme. O melhor filme de vampiros alguma vez feito e que muito dificilmente será ultrapassado. Um filme para figurar em qualquer enciclopédia de cinema. Um clássico moderno. Obrigatório. Um dos meus filmes preferidos. ●●●●● + ●
Mostrar mensagens com a etiqueta Cary Elwes. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Cary Elwes. Mostrar todas as mensagens
A minha relação com Saw é um pouco estranha e esotérica. Digamos que um dia chego a casa e encontro uma caixa de dvd sem capa. Dentro da caixa suspeita, um disco com um filme de título Saw - Enigma Mortal, que tem uma imagem do que parece ser um pé ensanguentado. Isto pode parecer tudo tanga, mas é verídico. Ainda hoje não sei quem me deixou o filme em casa. É um mistério que provavelmente nunca irei resolver. Ainda por cima, porque não tinha qualquer informação, nem nenhuma expectativa, o filme foi um estrondo.
Saw é um marco dentro do género de terror. Começou a revelar-me um tipo de filmes que nunca tinha visto antes: pequenas produções, muito bem feitas, com muito pouco dinheiro (um milhão e pico de dólares e filmado em menos de um mês), com poucas (ou nenhumas) "estrelas de cinema", que essencialmente, se faziam valer duma história muito bem criada e muito bem escrita, que prendia uma pessoa à cadeira com surpresas constantes durante o filme todo, até ao twist final.
O responsável por este mega-sucesso é James Wan, que consegue a proeza de fazer praticamente um filme inteiro dentro numa casa de banho degradante. E fá-lo de uma forma excitante, pois há imensa acção, resultante dos flashbacks e dos constantes elementos que vão sendo acrescentados à trama.
É interessante perceber que, tal como Jigsaw, o serial killer da história, James Wan mostra uma grande dose de voyeurismo... assim como todos os que vêm o filme. Ficamos todos ao mesmo nível, sentadinhos e confortáveis, a ver pelo ecrã, o sangrento desenrolar dos acontecimentos, acompanhando a história macabra daqueles dois desconhecidos que acordam presos numa casa de banho sem saberem o motivo do seu encarceramento.
E não há dúvidas, Saw é sangrento. Vai direitinho para a categoria de gore. Há um cadáver com a cabeça desfeita mesmo no meio daquela casa de banho, há pés e membros cortados e sanguinolências de toda a espécie durante os flashbacks que contam o resto da história que se passa paralelamente àquela cena na casa de banho.
O casting é estranho mas funciona: um desconhecido (Leigh Whannell), um actor que normalmente faz comédia (Cary Elwes) e uma "antiga estrela" dos grandes filmes de acção dos 80's (Danny Glover). Além de outros secundários, ainda há Michael Emerson que é um gajo que gosto, que está sempre muito bem e acho que até merecia maiores voos.
Há muitas coisas fixes neste Saw... Há aquele boneco assustador no triciclo, que dá a cara pelo verdadeiro serial killer, e que já se tornou icónico, ficando para a posteridade. Há a novidade de ter um serial killer, que na realidade não mata ninguém, mas faz jogos mortais com as vítimas. Mas principalmente, há uma história muito boa, muito bem contada, muito bem realizada e fotografada. E apesar de em termos de argumento, haver pequenas falhas óbvias durante o filme, tudo fica desculpado por aquele final totalmente inesperado e bombástico, que, há que dizê-lo, é inesquecível.
Como seria de esperar, Saw foi um sucesso gigantesco, gerou uma quantidade enorme de fãs e fez aparecer uma série interminável de sequelas que tentei (e felizmente consegui) evitar a todo o custo para não baixar a minha (boa) percepção que tinha do filme original. ●●●○○
Saw é um marco dentro do género de terror. Começou a revelar-me um tipo de filmes que nunca tinha visto antes: pequenas produções, muito bem feitas, com muito pouco dinheiro (um milhão e pico de dólares e filmado em menos de um mês), com poucas (ou nenhumas) "estrelas de cinema", que essencialmente, se faziam valer duma história muito bem criada e muito bem escrita, que prendia uma pessoa à cadeira com surpresas constantes durante o filme todo, até ao twist final.
O responsável por este mega-sucesso é James Wan, que consegue a proeza de fazer praticamente um filme inteiro dentro numa casa de banho degradante. E fá-lo de uma forma excitante, pois há imensa acção, resultante dos flashbacks e dos constantes elementos que vão sendo acrescentados à trama.
É interessante perceber que, tal como Jigsaw, o serial killer da história, James Wan mostra uma grande dose de voyeurismo... assim como todos os que vêm o filme. Ficamos todos ao mesmo nível, sentadinhos e confortáveis, a ver pelo ecrã, o sangrento desenrolar dos acontecimentos, acompanhando a história macabra daqueles dois desconhecidos que acordam presos numa casa de banho sem saberem o motivo do seu encarceramento.
E não há dúvidas, Saw é sangrento. Vai direitinho para a categoria de gore. Há um cadáver com a cabeça desfeita mesmo no meio daquela casa de banho, há pés e membros cortados e sanguinolências de toda a espécie durante os flashbacks que contam o resto da história que se passa paralelamente àquela cena na casa de banho.
O casting é estranho mas funciona: um desconhecido (Leigh Whannell), um actor que normalmente faz comédia (Cary Elwes) e uma "antiga estrela" dos grandes filmes de acção dos 80's (Danny Glover). Além de outros secundários, ainda há Michael Emerson que é um gajo que gosto, que está sempre muito bem e acho que até merecia maiores voos.
Há muitas coisas fixes neste Saw... Há aquele boneco assustador no triciclo, que dá a cara pelo verdadeiro serial killer, e que já se tornou icónico, ficando para a posteridade. Há a novidade de ter um serial killer, que na realidade não mata ninguém, mas faz jogos mortais com as vítimas. Mas principalmente, há uma história muito boa, muito bem contada, muito bem realizada e fotografada. E apesar de em termos de argumento, haver pequenas falhas óbvias durante o filme, tudo fica desculpado por aquele final totalmente inesperado e bombástico, que, há que dizê-lo, é inesquecível.
Como seria de esperar, Saw foi um sucesso gigantesco, gerou uma quantidade enorme de fãs e fez aparecer uma série interminável de sequelas que tentei (e felizmente consegui) evitar a todo o custo para não baixar a minha (boa) percepção que tinha do filme original. ●●●○○
Labels:
2004,
Cary Elwes,
Danny Glover,
enigma,
gore,
James Wan,
Jigsaw,
Leigh Whannell,
Michael Emerson,
nota3,
sangue,
Saw,
sequela,
serial killer,
terror,
twist,
voyeur
Em Twister, as casas desfazem-se em pedaços como se fossem feitas de papel, as vacas voam e rodopiam pelo ar e os tractores caiem do céu como chuva grossa. É melhor procurar abrigo. Não é seguro lá fora. Mas isso é para as pessoas normais. Bill and Jo Harding (Bill Paxton e Helen Hunt) são caçadores de tornados portanto isto é a vida deles. Aliás, perseguem os tornados enquanto discutem os termos de um divórcio anunciado. Pelos meio também têm de lidar com a concorrência desleal de outra equipa de caçadores de tempestades, liderada pelo intragável Dr. Jonas Miller (Cary Elwes).
Boa história de Michael Crichton, muito bem dirigido por Jan de Bont, muito bons actores (tem Philip Seymour Hoffman como secundário... Há sempre que mencionar o Philip...) e a cereja no topo do bolo são os excelentes efeitos especiais. Na altura, fiquei pasmado com os efeitos, nunca tinha visto nada assim. E hoje ainda se aguentam bem. Mas o filme vale mesmo pelo seu todo. Muito bom do princípio ao fim. ●●●●○


