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Um história de assaltantes a bancos igual a tantas outras. As coisas correm bem até que correm mal. Den of Thieves parece uma mistura de Sicario, Heat, Training Day com umas pitadas de The Usual Suspects... Nem é bem uma mistura... é mais um best of das melhores cenas destes bons filmes. A partir de determinada altura percebe-se que vai haver um twist mais ou menos previsível mas não se sabe qual nem quando. Enquanto via o filme só pensava: no momento em que se percebe que vai haver um twist, o próprio conceito de twist já está arruinado, não é verdade? Pensei que seria pelo meio do filme mas afinal ele acaba por aparecer mesmo no final. O que acabei de fazer agora mesmo é o perfeito exemplo de um spoiler... Mas também não vale muito a pena pedir desculpas porque o filme nem sequer justifica. Esse é mesmo um dos grande problemas do filme. Para além das referências óbvias a todos os outros filmes referidos antes, é mesmo previsível. Diria mesmo, demasiado previsível. Ainda pensei cá para mim: isto está tão previsível que vai dar aqui uma volta inesperada pelo meio... Mas não... Ainda por cima acrescenta algumas falhas graves de argumento para ligar partes da história, como por exemplo numa cena em que os dois antagonistas se cruzam num quarto de hotel para partilhar uma prostituta... Fiquei literalmente de sobrancelha levantada a pensar: WTF? Como é que...? Porque é que eles não...? Bem. Não interessa.
Dá a impressão que houve um esforço maior por parte de Christian Gudegast em instruir os actores em como pegar e disparar correctamente numa metralhadora do que propriamente o tempo investido na criação de uma boa história e sem falhas. Todo o filme se desenvolve em volta dos dois antagonistas (Gerard Butler e Pablo Schreiber) e reduz o restante casting (O'Shea Jackson Jr., Curtis '50 Cent' Jackson, Maurice Compte, Brian Van Holt) a meros bonecos com grandes armas e músculos que simplesmente acompanham a história até ao confronto final. É gritante a falta de investimento na personagem de O'Shea Jackson Jr., que para todos os efeitos acaba por ser central em toda a história. Não há mesmo muito a dizer sobre este Den of Thieves que até tinha muitos elementos para se poder tornar num bom thriller. A grande coisa positiva foi ter descoberto Pablo Schreiber, um gajo que parece ter um carisma especial e é muito bom actor. Den of Thieves é um bom filme para ver tiros de variadíssimas armas e pouco mais... Vê-se e esquece-se de imediato. ○○○

Bem... Não vou estar com muitos rodeios... Geostorm é a pior borrada que vi nos últimos tempos. Que desperdício de dinheiro e de recursos naturais. Uma chachada pseudo-ecológica de acção e efeitos especiais tão repleta de clichés escusados que até tem a típica cena (metida totalmente à pressão) do miúdo que perde o cão no meio da tempestade, mas que felizmente consegue reavê-lo são e salvo no final, para o público poder aplaudir repleto de júbilo e satisfação... A sério!? Isto para não falar das muitas cenas que foram nitidamente copiadas a régua e esquadro de outros filmes. Quer dizer... O pessoal do estúdios acham que o público é mesmo assim tão estúpido para (re)fazer este tipo de coisas? Não entendo... É uma nulidade completa. Particularmente chateia-me porque nitidamente isto é manobra de estúdio. É um produto de consumo. Isto foi tratado como um nacho que se vende na zona da restauração... Eu percebo a lógica, mas também não é preciso exagerar. Já estou mesmo a ver uma dúzia de engravatadinhos na sua secretária do Conselho de Administração, a fazer contas com a sua folha de Excel® à frente e a ditar o guião: "O pessoal financeiro e os seus estudos de mercado dizem-nos que podemos fazer aqui um dinheirito valente e portanto vamos aproveitar esta coisa das alterações climáticas e fazer um grande blockbuster de acção e efeitos especiais. Olhe lá, ó guionista, aponte aí uns pontos importantes: tem de ter 3 estrelas de Hollywood conhecidas (Gerard Butler, Andy Garcia, Ed Harris), o bom da fita tem de ter uma filha ou um familiar com quem não se dá bem, mas reconcilia-se no final; tem de ter um cena com um miúdo que perde o cão mas depois consegue reavê-lo são e salvo no final; tem de ter uma contagem decrescente que vai até ao 3, porque quando acaba no último segundo os consumidores já não acreditam; Ah! E tem de ter um miúda gira (Abbie Cornish). É sucesso garantido..." A sério?!? Fico com a impressão que estes filmes são feitos ao contrário: primeiro fazem um trailer espetacular com as cenas de efeitos especiais e depois é que tentam encher as restantes duas horas de filme com uma treta qualquer... Ou seja, resumindo, isto é uma coisa tão artificial que é um zero absoluto. Dou-lhe apenas crédito por isso mesmo: não é fácil fazer uma nulidade completa. ○○○○○

London has Fallen (de Babak Najafi) é um filme para o momento actual: explosões, socos, tiros, perseguições e terroristas "maus" que querem terminar com o "nosso modo de vida"... Bem, neste caso é mais por vingança, mas vai dar ao mesmo, até porque em termos de história e personagens é praticamente nulo. A não ser que considerem "desenvolvimento de personagens" aquelas poses catitas com as armas e os olhares profundos e vingativos... London has Fallen pega na personagens do "primeiro" filme (Olympus Has Fallen) e mete-as numa situação igual, mas noutro sítio diferente. Só para não dizer que é o "2"...
Um excelente leque de actores como Gerard Butler, Aaron Eckhart, Angela Bassett e Morgan Freeman perde aqui o seu tempo a contracenar com vários duplos e muitos efeitos especiais digitais, na tentativa de salvar um filme que no fim de contas é apenas mais uma chiclete com sabor a clichê... Vê-se e esquece-se rapidamente. ●○○○○

Quando li que o Alex Proyas ia fazer um filme sobre os deuses e mitologia egípcia fiquei curioso e empolgado. É óbvio o potencial cinematográfico da mitologia e dos antigos deuses como equivalência aos super-heróis modernos/mutantes. E para quem não tem "acesso" ao universo infindável da Marvel ou DC Comics, as mitologias são uma excelente base, com muita continuidade.
Mas como hoje em dia os realizadores e os estúdios não resistem à facilidade de "dourar a pílula" com os efeitos especiais em detrimento de tudo o resto, fico sempre apreensivo... e com medo.
E foi exactamente isso que aconteceu com Gods of Egypt. E ainda por cima com o Proyas na cadeira de realizador, um gajo que tenho em alta consideração desde o tempo dos excelentes The Crow e Dark City. Infelizmente, também tem vindo a descambar, filme após filme, e a sucumbir à febre dos efeitos digitais. Mais uma vez, um filme que até tinha imenso potencial de personagens e história, fica reduzido a colagens sucessivas de acção, explosões e efeitos digitais de fogo-de-artifício... É pena não ter mesmo mais nada. Falha até na coisa mais básica de todas que é ter uma história em que os deuses "imortais" morrem como tordos, de todas as maneiras e feitios. Se calhar até morrem mais facilmente que os próprios humanos... "mortais". Não entendo. Mas esta gente não vê a Guerra dos Tronos?
Bem, até devem ter visto porque está lá o Jamie Lannister (Nikolaj Coster-Waldau), mas devem ter passado à frente toda a parte da história que não tem lutas, monstros ou efeitos... Nem sequer a presença de bons actores como Gerard Butler, Geoffrey Rush ou Rufus Sewell salvam este filme. Aliás, parece até que estão um pouco constrangidos. Entendo-os perfeitamente.
Fico com muita pena quando vejo os "meus" realizadores de eleição reduzidos a meros tarefeiros dos estúdios e a funcionarem como comerciais de efeitos especiais e vendedores de pipocas... Desilusão total. ○○○○○

É tão difícil distinguir estes filmes como criticá-los. A crítica é difícil porque estes filmes não valem nada como obra cinematográfica, mas preenchem uma lacuna muito importante. Quem é que não gosta de ver coisas a explodir? Quem é que não gosta de ver perseguições espectaculares? Aposto que até o mais snob dos críticos de cinema se esconde numa sala de cinema para se deliciar com estes filmes. E, tenho que admitir, tecnicamente, estes filmes são um portento. Seja ao nível de efeitos especiais, seja ao nível de som ou montagem, estes filmes são quase perfeitos. O problema é que são sempre a mesma coisa. A história é completamente prescindível e os actores só lá estão para darem boas fotos para os cartazes promocionais. Daqui por uns anos (ou meses), alguém faz outro filme do género e é exactamente a mesma coisa. A única coisa que muda é o tamanho das explosões, porque o público está à espera de algo ainda maior.
Eu vi estes dois filmes mais ou menos na mesma altura e teve imensa dificuldade em distinguir os dois. Estava a ver um filme e parece que estava a ver o outro. Só perguntava porque é que o Gerard Butler tinha deixado de aparecer ou porque é que o Jamie Foxx estava a aparecer noutro filme. Foi confuso. Vendo agora os trailers nem consigo lembrar-me muito bem qual dos filmes estou a comentar. Olympus Has Fallen e White House Down fazem-me lembrar uma altura em que os estúdios disputavam argumentos e todos os anos havia dois filmes com o mesmo tema. Ou eram vulcões ou situações em arranha-céus ou outro filme-catástrofe qualquer. Só mudavam os protagonistas e os cartazes. Parecia que um estúdio descobria que outro estúdio estava a fazer um filme do género x e não queriam ficar atrás. "Quem é que têm no papel principal? É o fulano. Então nós arrajamos o cicrano. E quanto explosões têm? Sete. Ui, então nós temos que ter oito." Parece a típíca competição peniana do secundário, só com a diferença que é tudo medido a película.
Dito isto, nunca consigo resistir ao efeito Roland Emmerich, que é rebentar com o máximo de coisas possível. Também não consigo resistir ao efeito Antoine Fuqua que é espancar o máximo de pessoas possível numa só sala. É por isso que toda a gente vê estes filmes, não é verdade? Ver grandes aviões em chamas e a embaterem no chão, helicópteros a explodir, tiroteios infindáveis, perseguições humanamente impossíveis, cenas de grande pancadaria e os maus a levarem uma grande sova no fim, ou a morrerem de forma atroz no final. É conforme a vontade do realizador. Ou dum painel de estudo de mercado. Ou do estúdio, não se sabe bem. Estes filmes são como um medicamento: preenchem aquela lacuna que é o vazio de acção que há em cada um de nós. São o antídoto possível para a rotina diária. Pessoalmente, mesmo sabendo de antemão que são uma nulidade artística e que não vou encontrar absolutamente nada de novo, eu preciso destes filmes e nunca perco a oportunidade de os ver. E só por causa disso, levam ●●○○○.

Há milhares de filmes por aí que nunca vi. Alguns são muito bons e passam despercebidos à maior parte das pessoas. Isso acontece porque são de pequenos estúdios sem grande capacidade de distribuição ou porque não têm actores de renome ou porque pura e simplesmente acabam esamagados pela avalanche de novos lançamentos. Para os encontrar, uso a Técnica Intensiva, que consiste em ver muitos filmes, mesmo aqueles que me são totalmente desconhecidos. Por vezes, pelo meio, surgem verdadeiras pérolas, mas na maior parte das vezes, os filmes não valem nada, tal como esperava. São só película editada, com um nome conhecido de Hollywood para dar alguma credibilidade e/ou visibilidade e praticamente mais nada que se aproveite. É o caso desta meia dúzia que se segue.

O primeiro que vi foi Alex Cross. Um policial com Mathew Fox a fazer de mauzão e a tentar descolar-se do papel de bonzinho da série Lost. Tem umas explosões, umas perseguições rápidas e... pouco mais. Supostamente, este filme seria uma extensão dos filmes da "série Alex Cross", anteriormente interpretado por Morgan Freeman, mas sinceramente não consigo ver a ligação. Vê-se e esquece-se. Fraquinho. ●●○○○



A seguir, arrisquei tudo e decidi ver Doomsday. Nunca tinha ouvido falar deste filme, por isso suscitou-me curiosidade. Ainda por cima, a temática era boa e actual: pandemia e isolamento. Quando o comecei a ver fiquei com a estranha sensação que estava a ver bocados de outros filmes. Há cenas que parecem copiadas do Aliens de James Cameron. Os maus da fita parecem saídos do Mad Max. Todo o filme parece uma mistura moderna do Braveheart (tudo se passa na Escócia isolada em quarentena forçada pelo governo inglês), do Mad Max (o estilo dos sobreviventes anárquicos) e do 28 Dias Depois (tudo acontece devido a uma misteriosa doença contagiosa). No mínimo, as semelhanças são estranhas. Do meio do cast semi-desconhecido, saltam à vista o Bob Hoskins e o Malcolm McDowell, que nitidamente estão ali só para dar nomes sonantes ao trailer... aparecem 5 minutos cada um. Não é horrível mas também não é filme para se rever. O trailer é muito melhor que o filme. ●●○○○



Por vezes, atiro-me de cabeça para filmes, só porque conheço o realizador ou um actor. Foi o caso deste Soldier. Gosto muito do Event Horizon (uma pequena pérola que descobri acidentalmente) e desde então fico sempre curioso com os filmes do Paul W. Anderson. E como também gosto do Kurt Russell arrisquei novamente as fichas todas. E perdi. É daqueles filmes que só consegue ser bom por ser tão mau. No futuro, soldados super-preparados para a batalha desde a nascença são mais tarde substituídos por outros mais recentes e capazes, blá, blá, blá, e no fim o soldado obsoleto derrota o adversário mauzão... Mais um para esquecer... ●○○○○



Depois veio Gamer com o Gerard Butler. Nunca vi um filme assim; parece um videoclip gigante. Só tem duas velocidades, frenético e super-slow motion. É garantido uma dor de cabeça gigante no final. A premissa é interessante, misturando a realidade física com a realidade virtual dos videojogos. O resto do filme é que não é nada de novo. Aliás, toda a força motriz do argumento - lutar pela sobrevivência para uma audiência global - já recua aos tempos do The Running Man. Fugir dum cativeiro opressivo para recuperar o filho que está preso pelo mau da fita então deve ser das coisas mais batidas do cinema. A única coisa que se safa neste filme é o Michael C. Hall que tem uma excelente cena musical ao som de "I've Got You Under My Skin". ●●○○○



Legion é mais um daqueles filmes em parece que fizeram o trailer e depois o insuflaram para ter um filme completo de longa duração. Já conheço a técnica e só acedi a ver porque tinha lá o nome do Dennis Quaid e do Charles S. Dutton e porque a temática eram os anjos. Mais outro engano cinéfilo. Não vale o tempo que se perde a vê-lo. Arrisquei e perdi 2 horas da minha vida. É melhor ficar só pelo trailer... ●○○○○



Por fim, Hitman 47. Por norma, os filmes adaptados de grandes sucessos de video jogos são maus. Não sei porque é que isso acontece, mas é verdade. Este não foge à regra. Não quer dizer que o filme seja propriamente mau, mas não deixa de ser mais um filme de acção que não acrescenta absolutamente nada. É isso mesmo; apenas mais um filme de acção. Os actores são bonzitos (tem uma ex-Bond Girl) e o filme até não tem grandes falhas e é equilibrado. Simplesmente é mais um filme que aproveita o argumento vindo dos jogos, acrescenta explosões, perseguições e mais nada. Ainda assim, vê-se bem e consegue ser melhor que a molhada de filmes que me obriguei a ver... ●●○○○

 
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