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Depois de ver um filme, o meu cérebro começa automaticamente a elaborar uma crítica. No caso de Vice, o meu cérebro desligou-se. Uma vazio de opinião. Nada. Zip. Nicles. Mentalmente falando, o meu cérebro eclipsou-se. Enquanto pensava no que dizer sobre Vice fui ao IMDB pesquisar e perceber se o filme que tinha acabado de ver era mesmo verdadeiro ou uma alucinação esquisita, e por acaso encontrei esta crítica fantástica: "Porno quality acting, porno quality actresses, porno quality dialog. gigantic plot holes, zero internal logic, ridiculous overuse of automatic weapons, bad science and disrespect for the laws of physics, poor CGI, rotten set design, bad lighting, yada, yada. Oddly enough, the sound, editing and cinematography were professionally acceptable." E é mesmo isto. Resume perfeitamente o que achei sobre o filme. É incrivelmente mau. Uma cópia descarada do Westworld (mais uma história do robot que se torna consciente... [outra vez?!?]) que sempre que esbarra num buraco do argumento, resolve-o com uma cena de acção disparatada (basicamente alguém aparece e desata aos tiros para todo o lado), filmado em cenários de outros filmes e séries de TV, interpretado maioritariamente por actores com capacidades de representação ao nível de um filme porno mediano, e dois actores de renome (Thomas Jane e Bruce Willis [o que é que vocês estão a aqui a fazer, meus?!?]) tão embaraçados por estarem ali que tentam a todo o custo esconder-se das câmaras e interagir o mínimo possível no filme. Isto não é um filme. É... uma "coisa". É que nem consigo articular um insulto de tão mau que é. Não entendo como estas "coisas" conseguem passar por todo o processo de criação e produção e ainda assim chegar ao grande público. Quer dizer, até percebo... Arranja-se uma história da treta, põe-se uns tiroteios jeitosos pelo meio e junta-se-lhe um ou dois nomes conhecidos para dar a cara no trailer. Isto é mais um caso de fraude do que propriamente cinema, mas tudo bem... É deprimente. É raro, mas é um rotundo zero. ○○○○○

Aqui há uns tempos li algures uma frase que me ficou gravada. "Toda a geração tem o Jaws que merece". Parece-me uma frase absoutamente verdadeira.
O final dos anos 90 tiveram este Deep Blue Sea... para o bem e para o mal. A história é no mínimo estranha: um grupo de cientistas isolado numas instalações aquático-futuristas, tenta encontrar a cura para a doença de Alzheimer, fazendo experiências com tubarões vivos para lhe retirar do cérebro a tal cura. As experiências têm por base tornar os tubarões maiores e mais inteligentes, o que obviamente leva a que acabem por se virar contra os cientistas. Podia ser mais estranho mas era difícil. Mas também isso pouco interessa porque é apenas o disparo para as cenas de ação com tubarões digitais. E para poder dizer com toda a moralidade: "não deviam mexer com a natureza das coisas. Agora a presa tornou-se no caçador". É um enorme cliché mas também não é importante.
O que é mais estranho neste filme, é que apesar de ser ostensivamente uma chachada, de alguma forma entretém sem chatear. Tem acção. Tem suspense. Tem choque. E até uns toquezinhos cómicos aqui e ali. Na altura, a única grande estrela do elenco era o Samuel L. Jackson. E a personagem, chocantemente, nem sequer chega ao fim do filme. O restante pessoal, a funcionar apenas como "carne para canhão" (ou neste caso, "carne para tubarão") eram todos ilustres secundários (Thomas Jane, Saffron Burrows, Michael Rapaport, Stellan Skarsgård, LL Cool J) mas que funcionam perfeitamente bem. Renny Harlin é um bom realizador para este tipo de filmes de acção. Tem ritmo e introduz habilmente alguns elementos de comédia para o meio da tensão, o que eficazmente atenua a sanguinolência... E diga-se, até há bastante...
Apesar de toda a deficiência científica (para não dizer falhas graves), dos já maus efeitos especiais digitais (eram muito bons em 1999) e da história sem pés nem cabeça, Deep Blue Sea é um filme que estranhamente não me chateia nada (re)ver. Não tenho nenhuma explicação para este fenómeno. Deve ser só saudosismo... ●●○○○

 
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