Na generalidade as séries de TV entediam-me. São lentas no desenvolvimento e são longas demais. Pior ainda, quando são boas, os produtores não conseguem tirar o "doce aos fãs" e acabam por prolongar artificialmente a coisa para lá do aceitável. Por isso, para mim as séries são para evitar porque, ou não acabam ou não acabam quando e como deveriam.
Apesar de este ser um site/blog de filmes - e de eu praticamente nunca ver séries, pelas razões enumeradas anteriormente - de vez em quando há algo que se destaca pela positiva. Neste caso, Chernobyl, um original da HBO. Como este estaminé acaba também por funcionar como um baú do tempo, achei que era justo mencioná-la aqui. Sendo uma mini-série de 5 episódios (logo, o meu tipo de séries) vi-a como se fosse um filme longo que teve de ser cortado em partes. E tenho de dizer que é dez vezes melhor que a maior parte dos filmes que vi ultimamente. Mesmo muito bom. Uma série muito bem feita e com muita atenção ao pormenor. Oscila perfeitamente bem entre a realidade factual da ciência e a realidade virtual da política. Excelente "tensão no ar" do princípio ao fim. Deixou-me agarrado ao sofá, com as duas mãos, noites a fio. E isso não é fácil. Excelente grupo de actores (Jared Harris, Stellan Skarsgård, Adam Nagaitis, Emily Watson e Jessie Buckley, entre tantos outros [não me lembro de ver sequer uma má interpretação de um secundário...]) e muitíssimo bem dirigidos por Johan Renck, em cima de um guião exemplar de Craig Mazin, os masterminds de toda esta espectacular operação de recriar Chernobyl e o maior e mais grave acidente da Humanidade. Sinceramente, fico à espera que esta dupla se volte a encontrar e apareça aí num estúdio para fazer uma longa metragem, porque fiquei muito bem impressionado. Chernobyl é uma das melhores série de TV que já vi. Totalmente recomendado. ●●●●●
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A vida é injusta. A vida é um jogo de xadrez que inevitavelmente toda a gente perde. Quando penso em xadrez dá-me logo para os pensamentos profundos. É um efeito secundário que o xadrez tem em mim. A minha ligação ao xadrez é um pouco estranha. O primeiro contacto que tive com o jogo foi numas "férias grandes" que passei totalmente a jogar com os filhos de um casal holandês que decidiu fazer campismo selvagem perto da casa dos meus pais que na altura era literalmente no meio de um pinheiral denso. Estranho, mas verdade. Adorei o jogo e ainda acho que é o melhor alguma vez inventado. Daí que tivesse bastante curiosidade para ver Pawn Sacrifice. Acaba por ser um biopic de um dos mais geniais e famosos jogadores, Bobby Fischer, que é também, provavelmente o melhor de sempre. Para além de já ser um figura mediática devido ao mix de genialidade e também do temperamento explosivo, Fischer tornou-se numa figura mítica, quando em plena Guerra Fria, defrontou Boris Spassky, de nacionalidade soviética. Este encontro de xadrez "parou" o mundo. Mais do que um confronto de xadrezistas, era obviamente um confronto entre as "potências mentais" dos EUA e a URSS. A comparação era perfeita e as implicações, muitas. Qual dos sistemas sociais produziria o jogador mais inteligente? Derradeiramente, quem era melhor? Inevitavelmente, este jogo revestiu-se destas perguntas e o resultado final iria produzir as respostas.
Indo directo ao assunto, Pawn Sacrifice cumpre perfeitamente. Primeiro porque conseguiu capturar a tensão dos momentos. Não é fácil fazer isto. O "culpado" é Edward Zwick. Tem uma realização impecável. Muito seguro, muito certinho, clean, impecável. Depois porque tem Tobey Maguire num grande papelaço a interpretar Fischer. Nota-se que Maguire dá tudo neste papel, até porque tenta há muito tempo desprender-se do sucesso "Homem Aranha". Captou totalmente a aura psicótica, explosiva e imprevisível de Fischer. Ainda há Liev Schreiber, Michael Stuhlbarg e Peter Sarsgaard, mas são verdadeiramente actores secundários; mas só porque Tobey Maguire absorve totalmente as situações todas.
Foi uma boa surpresa este Pawn Sacrifice. Face ao panorama actual do cinema, é um bom filme que merece ser visto. ●●●●○
Indo directo ao assunto, Pawn Sacrifice cumpre perfeitamente. Primeiro porque conseguiu capturar a tensão dos momentos. Não é fácil fazer isto. O "culpado" é Edward Zwick. Tem uma realização impecável. Muito seguro, muito certinho, clean, impecável. Depois porque tem Tobey Maguire num grande papelaço a interpretar Fischer. Nota-se que Maguire dá tudo neste papel, até porque tenta há muito tempo desprender-se do sucesso "Homem Aranha". Captou totalmente a aura psicótica, explosiva e imprevisível de Fischer. Ainda há Liev Schreiber, Michael Stuhlbarg e Peter Sarsgaard, mas são verdadeiramente actores secundários; mas só porque Tobey Maguire absorve totalmente as situações todas.
Foi uma boa surpresa este Pawn Sacrifice. Face ao panorama actual do cinema, é um bom filme que merece ser visto. ●●●●○
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Um miúdo hacker pensando que se está a ligar a uma empresa de jogos de computador, consegue acidentalmente comunicar com um supercomputador que gere todo o arsenal nuclear do EUA. Enquanto ele pensa que está a jogar um "jogo", o supercomputador inicia a III Guerra Mundial envolvendo-se com a URSS numa disputa termonuclear.
Tirando o aspecto da tecnologia do Neolítico, WarGames ainda é bom filmito de 1983.
Este é um filme de uma era diferente, dum outro mundo. Do mundo da Guerra Fria, do Inverno Nuclear, do Sting a cantar "I hope the russians love their children too" e em que os "maléficos" soviéticos podiam a qualquer momento atirar com bombas nucleares e matar-nos todos. Isso era o que me diziam e o que ouvia quase diariamente. A realidade era muito diferente, como se veio a perceber quando a URSS se desintegrou em vários países, mas isso é outra história.
Um argumento muito à frente do tempo, numa altura de paranóia com uma nova guerra mundial e em que o quotidiano surgia como inspiração para histórias mesmo originais. Na altura, WarGames era um thriller mas hoje é apenas uma relíquia light...
Matthew Broderick (já quase em versão Ferris Bueller) e Ally Sheedy sob a batuta de John Badham... Tudo ok, como sempre. WarGames é um filme só para velhadas e para relembrar outros tempos. Mas bons tempos. ●●●○○
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