Houve um hype muito grande à volta deste filme. E como sempre acontece... fiquei um pouco desiludido. Quanto mais não seja porque sou naturalmente um pouco "anti-cena-que-está-na-moda" e fico logo de pé atrás. Mas vi e admito que gostei. Apesar de a partir de determinada altura me parecer algo previsível e de se assemelhar demasiado com a lógica paranóica da "substituição" de The Stepford Wives. Ou também podia ser muito bem um excelente episódio da Twilight Zone. Mas isto é um problema pessoal que tenho: vejo demasiadas coisas, demasiados filmes e depois tudo me parecem estranhamente "familiares"...
Apesar das minhas questões pessoais, Get Out é inegavelmente um filme muito bom. Não um filme genial como o pintaram, mas "simplesmente" muito bom.
Muito boa a realização de Jordan Peele, com muitos pontos de tensão latente, o que é extremamente difícil de conseguir. Tem um ritmo lento que potencia ainda mais a tensão, mas acelera nos sítios certos para manter uma pessoa sempre na pontinha da cadeira a roer as unhas. A direcção de actores é especialmente excelente, mas que é resultado de uma excelente escolha de actores, como Daniel Kaluuya, Allison Williams, Bradley Whitford ou qualquer um dos secundários. Todos muito bons.
Get Out tem montes de pontos positivos. Logo à partida mete um dedo na ferida da questão racial americana, que devido aos mais recentes desenvolvimentos presidenciais (digamos assim) está cada vez mais empolada e aprofundada. E, diga-se, trata a questão de uma forma frontal e muito ousada para um "simples" thriller. Afinal de contas, Get Out tem como pano de fundo um subúrbio elitista de brancos que atrai, rapta e hipnotiza... Bem, é melhor não dizer mais nada... Este é um assunto que dava pano para mangas e portanto não vou divagar muito, porque senão iria precisar de um blog inteiramente novo... Mas voltando ao filme... Grande ambiência de terror, excelente fotografia, realização impecável e uma história tensa muito bem escrita, repleta de personagens fortes, estranhas, mas ao mesmo tempo plausíveis... Não se pode pedir mais.
Get Out não é aquele filme absolutamente genial que todos diziam ser, mas é sem dúvida uma lufada de ar fresco no panorama cinematográfico actual. Espero sinceramente que este filme abra portas para outros filmes não tão comerciais como os que povoam actualmente as salas de cinema, porque tal como se provou, é possível fazer um filme sem personagens vestidas de lycra e mesmo assim ter boas prestações na bilheteira, boa reação da crítica e do mais importante aspecto do cinema: o público. ●●●●○
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Martin Scorsese é - provavelmente - neste momento o melhor realizador vivo. O homem faz filmes de toda a espécie e feitio e faz tudo bem. É um estudioso do meio, um perfeccionista e um executante exímio na sua arte. E isso nota-se bastante bem em Shutter Island. Pelo estilo visual e pela temática da insanidade, nunca diria que este é um "Scorcese". É um tipo de filme que nada tem a ver com Scorcese, que apresenta uma coisa e depois deixa-a desenvolver para outra completamente diferente. Todo o filme é um enorme twist de argumento, que diga-se, está exemplarmente bem escrito. Os actores são do melhor que há (Leonardo DiCaprio, Mark Ruffalo, Ben Kingsley, Max von Sydow, Michelle Williams e Elias Koteas) e dispensam mais comentários.
Portanto, o que é que falha aqui? Para mim o que falhou foi a previsibilidade. Se calhar já vi muitos filmes deste género com twist ou então foram os anos seguidos a ver religiosamente o "Alfred Hitchcock Presents". Sinceramente, não sei. O que sei é que a meio do filme já estava a ver o que ia acontecer e isso chateou-me um bocado. Tudo me pareceu demasiado familiar, como se já tivesse visto este filme antes, ou algo muito parecido. Nesse aspecto, foi uma pequena desilusão. Vindo de um mestre como Martin Scorsese, surpreendeu-me por não me surpreender. Tirando este pequeno pormenor pessoal, Shutter Island é como uma peça de relojoaria cinematográfica, perfeitamente funcional e meticulosamente elaborada. A ver com atenção. ●●●○○
Portanto, o que é que falha aqui? Para mim o que falhou foi a previsibilidade. Se calhar já vi muitos filmes deste género com twist ou então foram os anos seguidos a ver religiosamente o "Alfred Hitchcock Presents". Sinceramente, não sei. O que sei é que a meio do filme já estava a ver o que ia acontecer e isso chateou-me um bocado. Tudo me pareceu demasiado familiar, como se já tivesse visto este filme antes, ou algo muito parecido. Nesse aspecto, foi uma pequena desilusão. Vindo de um mestre como Martin Scorsese, surpreendeu-me por não me surpreender. Tirando este pequeno pormenor pessoal, Shutter Island é como uma peça de relojoaria cinematográfica, perfeitamente funcional e meticulosamente elaborada. A ver com atenção. ●●●○○
Há filmes que nos surpreendem sem deslumbrar. Cypher é um desses filmes. É um thriller de ficção científica muito kafkiano (é mais fácil de escrever do que "Philip K. Dickiano"...) sobre espionagem industrial/tecnológica que acaba por descambar numa espécie de lavagens cerebrais em que a dúvida se instala, as motivações verdadeiras das personagens estão constantemente a serem alteradas, sobre quem é, de facto, quem diz ser. Muita paranóia, desconfiança, mas também muito bem escrito e realizado.
Vindo de Vincenzo Natali, o realizador do megaconhecido sucesso Cube, não é de estranhar. E nota-se que parte da mesma mente criativa. Com os semi-desconhecidos Jeremy Northam, Nigel Bennett e Lucy Liu em início de carreira no cinema. É mais uma produção pequena (mínuscula, comparando aos dias de hoje), mas bem conseguida. Vê-se bem. ●●○○○
Vindo de Vincenzo Natali, o realizador do megaconhecido sucesso Cube, não é de estranhar. E nota-se que parte da mesma mente criativa. Com os semi-desconhecidos Jeremy Northam, Nigel Bennett e Lucy Liu em início de carreira no cinema. É mais uma produção pequena (mínuscula, comparando aos dias de hoje), mas bem conseguida. Vê-se bem. ●●○○○
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Um miúdo hacker pensando que se está a ligar a uma empresa de jogos de computador, consegue acidentalmente comunicar com um supercomputador que gere todo o arsenal nuclear do EUA. Enquanto ele pensa que está a jogar um "jogo", o supercomputador inicia a III Guerra Mundial envolvendo-se com a URSS numa disputa termonuclear.
Tirando o aspecto da tecnologia do Neolítico, WarGames ainda é bom filmito de 1983.
Este é um filme de uma era diferente, dum outro mundo. Do mundo da Guerra Fria, do Inverno Nuclear, do Sting a cantar "I hope the russians love their children too" e em que os "maléficos" soviéticos podiam a qualquer momento atirar com bombas nucleares e matar-nos todos. Isso era o que me diziam e o que ouvia quase diariamente. A realidade era muito diferente, como se veio a perceber quando a URSS se desintegrou em vários países, mas isso é outra história.
Um argumento muito à frente do tempo, numa altura de paranóia com uma nova guerra mundial e em que o quotidiano surgia como inspiração para histórias mesmo originais. Na altura, WarGames era um thriller mas hoje é apenas uma relíquia light...
Matthew Broderick (já quase em versão Ferris Bueller) e Ally Sheedy sob a batuta de John Badham... Tudo ok, como sempre. WarGames é um filme só para velhadas e para relembrar outros tempos. Mas bons tempos. ●●●○○
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Sempre que se falar de ficção científica, Total Recall será mencionado. Porquê? Porque é icónico, original, violento e por vezes até é cómico, roçando o satírico. É um filme que marca verdadeiramente pela diferença. Paul Verhoeven conseguiu criar um visual que é tão particular que se torna inconfundível. Quando uma pessoa vê Total Recall não se lembra de mais nada parecido. Só mesmo... Total Recall. Ou outro filme posterior de Verhoeven.
É uma história tão louca, paranóica e original que só podia vir da cabeça mirabolante de Philip K. Dick. E ninguém melhor que Verhoeven para a adaptar ao cinema. Há cenas memoráveis como a da cabeça explosiva da velhota, sem esquecer os muitos personagens mutantes, especialmente aquela com as inesquecíveis três mamas. Este filme é uma soma de todos os excessos dos anos 80. É curioso perceber que nos anos 80 o futuro era visto como sendo sempre muito colorido e recheado de cores fortes... Hoje em dia, o futuro é sempre visto em tons de azul escuro...
A história tem tudo que ver com percepção, perda de identidade, realidade ou ficção e não podia ser melhor. Num futuro próximo, os humanos colonizam Marte e tentam transformar o planeta num sítio habitável. Como o futuro no cinema é sempre distópico, no meio do processo há opressores e oprimidos, com uma "resistência" a intrometer-se na história. Aqui na Terra, um pacato funcionário da construção que tem sonhos recorrentes com Marte, sente um vazio na sua vida e decide recorrer a uma empresa, a Rekall Inc., que garante conseguir implantar memórias iguais às verdadeiras. A Rekall é como uma empresa de viagens, mas sem a chatice de ter que andar com as malas às costas ou lidar com taxistas sem escrúpulos, como diz no filme. E podem-se escolher recordações temáticas, como por exemplo ser agente secreto e estar envolvido numa grande conspiração para salvar o planeta. E é exactamente isso que acontece. O filme está muito bem dirigido porque constantemente somos confrontados com o que é realidade ou o que é uma memória "falsa" implantada, produto da Rekall. Está-se sempre na dúvida sobre quem são os amigos ou os inimigos. E tudo o que parece, pode ser outra coisa completamente diferente.
A combinação improvável de Arnold Schwarzenegger e Sharon Stone estranhamente até funciona. Michael Ironside é um vilão à altura e Ronny Cox, como sempre, dá uma credibilidade aos papéis que é de mencionar: é o típico gajo que uma pessoa adora odiar.
Os efeitos especiais de Rob Bottin ainda se aguentam nos dias de hoje, mas na altura deixaram toda a gente de boca aberta. Nesse aspecto, é um dos últimos filmes "old school". Ainda eram usados truques de câmara, animações em stop motion e miniaturas para os efeitos especiais. A única cena digital presente no filme é aquela em que Quaid passa por uma espécie de raio-x num checkpoint/aeroporto(?) marciano, em que se vêm as armas e os esqueletos dos passageiros. Marcou o final duma era tecnológica no cinema. A banda sonora original é de Jerry Goldsmith, e como sempre, é muito boa.
O sucesso de Total Recall foi tanto que esteve para acontecer uma sequela, baseada noutra história de Philip K. Dick, em que se explorava o lado místico e presciente dos mutantes marcianos. A sequela nunca passou de uma ideia no papel. Mas mais tarde acabou mesmo por chegar às salas de cinema, pela mão de Steven Spielberg, num filme completamente diferente e que toda a gente (provavelmente) já viu: Minority Report. E que por acaso também é muito bom.
Total Recall é um filme de acção violento. Tão violento, e por vezes até sanguinário, que algumas cenas tiveram de ser cortadas para não ser classificado como "para adultos". Mas acima de tudo é um grande filme de ficção científica, com uma excelente história, com muito músculo à mistura, é certo, mas que também tem muito cérebro. Como envolve marcianos e mutantes, se calhar até tem 2 cérebros! ●●●●○
Total Recall, o "novo". Eis um remake que não entendo. O filme não é péssimo e até tem alguns bons pormenores. O que não percebo é porque é que pegaram na história de um filme anterior e fizeram outro completamente diferente, aproveitando apenas alguns elementos. É que quase não ficou nada do original a não ser os nomes das personagens e a Rekall, que até quase nem é mencionada... Não percebo.
O novo Total Recall perde muito porque tem lacunas e muita falta de pormenor. Basta pensar que tudo gira em torno da falta de espaço para viver, mas Quaid (Colin Farrell) vive num apartamento super espaçoso enquanto toda a gente parece viver num enorme bairro de lata. Não tem sentido. Depois, a premissa de falta de espaço deriva do facto do planeta ter sido totalmente devastado numa guerra química... entre quem? Não se sabe. O que se sabe é que só restaram duas federações - Inglaterra(?) e Austrália(?) - onde está apinhada toda a gente que sobreviveu. Mas por outro lado, no meio desta quase destruição, conseguiu-se fazer um túnel no planeta, passando pelo núcleo incandescente, porque as pessoas vivem de um lado do mundo mas trabalham no outro. Ah?! É um bocado rebuscado demais. Até para ficção cientifica...
E depois, pior que os problemas na narrativa de base, é que se fica com a sensação de estar a ver um mix de filmes: o aspecto geral, e em especial, a perseguição de carros flutuantes parece uma cópia de Minority Report, misturado com os nomes e alguns pormenores do filme original, reciclados e espalhados pelo guião. Para quem conhece o primeiro filme, torna tudo desconexo e parece uma colagem. A determinada altura, dei por mim mais entretetido a tentar encontrar referências do primeiro filme, do que propriamente a ver o filme...
O design de produção até está bastante bom, por isso, sinceramente, acho que mais valia terem feito alguns ajustes na história original e criarem um novo argumento que se sairia muito melhor. E isso provavelmente daria um novo filme de ficção científica, se calhar até um bom, e não seria apenas e só um remake pobre de Total Recall. ●○○○○




